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domingo, 30 de maio de 2010

Leitura de texto filosófico: MITO E RELIGIÃO e o homem da era científica



(...) O verdadeiro substrato do mito não é de pensamento, mas de sentimento. O mito e a religião primitiva não são, de maneira alguma, totalmente incoerentes, nem destituídos de senso ou de razão; mas sua coerência depende muito mais da unidade de sentimento que de regras lógicasEsta unidade é um dos impulsos mais vigorosos e profundos do pensamento primitivo. 

Se o pensamento científico desejar descrever e explicar a realidade será obrigado a empregar seu método geral, que é o de classificação e sistematização. A vida é dividida em províncias separadas, que se distinguem nitidamente uma da outra. As fronteiras entre os reinos das plantas, dos animais, do homem — as diferenças entre as espécies, famílias e gêneros — são fundamentais e indeléveis. 

Mas a mente primitiva ignora e rejeita todas elas. Sua visão da vida é sintética e não analítica; não se acha dividida em classes e subclasses, é percebida como um todo ininterrupto e contínuo, que não admite distinções bem definidas e incisivas. Os limites entre as diferentes esferas não são barreiras intransponíveis, mas fluentes e flutuantes. Não existe diferença específica entre os vários reinos da vida. Nada possui forma definida, invariável, estática: por súbita metamorfose qualquer coisa pode transformar-se em qualquer coisa. 

Se existe algum traço característico e notável do mundo mítico, alguma lei que o governe — é a da metamorfose. Mesmo assim, dificilmente poderemos explicar a instabilidade do mundo mítico pela incapacidade do homem primitivo de apreender as diferenças empíricas das coisas. 

Neste sentido, o selvagem, muito frequentemente, demonstra sua superioridade em relação ao homem civilizado, por ser suscetível a inúmeros traços distintivos, que escapam à nossa atenção

Os desenhos e pinturas de animais, que encontramos nos estágios mais baixos da cultura humana, na arte paleolítica, foram amiúde admirados pelo seu caráter naturalista. Revelam assombroso conhecimento de toda sorte de formas animais. A existência inteira do homem primitivo depende, em grande parte, de seus dotes de observação e discriminação; se for caçador, deverá estar familiarizado com os menores detalhes da vida animal e ser capaz de distinguir os rastros de vários animais. Tudo isto está pouco de acordo com a presunção de que a mente primitiva, por sua própria natureza e essência, é indiferenciada ou confusa, pré-lógica ou mística

O que caracteriza a mentalidade primitiva não é sua lógica, mas seu sentimento geral da vida

O homem primitivo não vê a natureza com os olhos do naturalista que deseja classificar coisas com a finalidade de satisfazer uma curiosidade intelectual, nem dela se acerca com um interesse puramente pragmático ou técnico. Não a considera mero objeto de conhecimento nem o campo de suas necessidades práticas imediatas. 

Temos o hábito de dividir nossa vida nas duas esferas da atividade prática e da teórica. Nesta divisão, somos propensos a esquecer que existe um estrato inferior debaixo de ambas. 

O homem primitivo não é vítima deste tipo de esquecimento; seus pensamentos e sentimentos estão ainda encerrados nesse estrato original inferior. Sua visão da natureza não é meramente teórica nem meramente prática; é simpática. 

Se deixarmos escapar este ponto não poderemos abordar o mundo mítico. O traço mais fundamental do mito não é uma direção especial de pensamento nem uma direção especial da imaginação humana; é fruto da emoção e seu cenário emocional imprime, em todas as suas produções, sua própria cor específica. O homem primitivo não carece, de maneira nenhuma, da capacidade de apreender as diferenças empíricas das coisas. Mas, em sua concepção da natureza e da vida, todas as diferenças são apagadas por um sentimento mais forte: a profunda convicção de uma fundamental e indelével solidariedade da vida, que transpõe a multiplicidade e a variedade de suas formas isoladas. Não atribui a si mesmo um lugar único e privilegiado na escala da natureza. (...) CASSIRER, Ernst, Antropologia filosófica. São Paulo, Mestre Jou, s.d. p. 134-136. 

Referência Bibliográfica - extraído da obra ARANHA Maria Lúcia de Arruda, MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2.ed. São Paulo: Moderna, s.d. p. 55-61

Filoparanavaí 

sábado, 1 de maio de 2010

FILOSOFIA POLÍTICA: conceituando capitalismo, comunismo, socialismo, anarquismo, democracia.

Formas de Sociedade

Introdução
Este texto abordará de forma concisa as conceituações gerais para capitalismo, comunismo, socialismo, anarquismo e democracia. Visando defini-los um a um, como forma de sensibilizar os leitores e orientá-los para pesquisas mais concentradas sobre estes temas.



CAPITALISMO
Em seu sentido mais restrito, o capitalismo corresponde a acumulação de recursos financeiros (dinheiro) e materiais (prédios, máquinas, ferramentas) que têm sua origem e destinação na produção econômica.

Essa definição, apesar de excessivamente técnica, é um dos poucos pontos de consenso entre os inúmeros intelectuais que refletiram sobre esse fenômeno ao longo dos últimos 150 anos. São duas as principais correntes de interpretação do capitalismo, divergindo substancialmente quanto a suas origens e conseqüências para a sociedade. 

A primeira foi elaborada por Marx, para quem o capitalismo é fundamentalmente causado por condições históricas e econômicas. O capitalismo para Marx é um determinado modo de produção de mercadorias (mercadorias são objetos que têm a finalidade de serem trocados e não a de serem usados) que surge especificamente durante a Idade Moderna e que chega ao seu desenvolvimento completo com as implementações tecnológicas da Revolução Industrial. 

A ideia marxista de modo de produção não se restringe apenas ao âmbito econômico, mas estende-se a toda relação social estabelecida a partir da vinculação da pessoa ao trabalho. Uma característica básica desse modo de produção é que nele os homens encarregados de despender os esforços físicos, que Marx chama de "força de trabalho", não são os mesmos que têm a propriedade das ferramentas e das matérias-primas (posteriormente também das máquinas), denominados "meios de produção". 

Esta separação proporciona outro aspecto essencial do capitalismo, que é a transformação da "força de trabalho" em uma mercadoria, que portanto pode ser levada ao mercado e trocada livremente (basta lembrar que no modo de produção escravista o objeto da troca é o escravo inteiro, e não só a sua força, enquanto que no feudalismo praticamente não havia trocas econômicas). 

Assim, a sociedade capitalista estaria dividida entre uma classe que é proprietária dos meios de produção e outra classe cuja única fonte de subsistência é a venda ou troca de sua "força de trabalho". 

Os argumentos apresentados por Marx para demonstrar a passagem do feudalismo para o capitalismo e a acentuação da divisão do trabalho são elaborados através de uma reconstrução histórica, sendo no momento suficiente apontar que ela passa pela desintegração dos laços entre senhor e servo e pela ampliação das relações comerciais (de troca), estas últimas que permitem uma acumulação inicial de riquezas (chamada por Marx de "acumulação primitiva"). 

A explicação alternativa foi apresentada por Weber, e enfatiza aspectos culturais que permitiram a expansão do capitalismo. Para ele, o desejo pelo acúmulo de riquezas sempre existiu nas sociedades humanas, como no Império Romano ou durante as grandes navegações, mas até meados do século XVII faltavam condições sociais que justificassem a sua perseguição ininterrupta. 

Para demonstrar isso ele aponta as amplamente conhecidas condenações feitas pela Igreja Católica às práticas da usura e do lucro pelos comerciantes ao longo do século XV e XVI. Se tais restrições fossem mantidas, a chamada "acumulação primitiva" não teria sido possível.

A mudança ocorre com a reforma religiosa promovida por Lutero e principalmente Calvino. Segundo eles, a atividade profissional estaria associada a um dom ou vocação divina, e portanto seria da vontade de Deus que elas fossem exercidas. 

Assim o trabalho, que antes era visto como um mal necessário, passa a ter uma valorização positiva. Mais que isso, Calvino aponta o trabalho como a única forma de salvação, e a criação de riquezas pelo trabalho como um sinal de predestinação. 

Esses dogmas religiosos, juntamente com outros menores como a contabilidade diária, formam o fundamento de uma ética, isto é de um conjunto de normas que rege a conduta diária do fiel. 

Essas normas, ao se encaixarem às exigências administrativas da empresa (valorização do trabalho e busca do lucro), criam as condições necessárias para a expansão da mentalidade (ou do "espírito", como o denomina Weber) capitalista e posteriormente da sociedade industrial. 

Esta explicação demonstra sua consistência quando observamos o elevado estágio de desenvolvimento econômico das sociedades que abrigaram representantes da Reforma (calvinistas, metodistas, anglicanos...): a Alemanha (berço da Reforma), a Inglaterra (pátria do Anglicanismo), os Estados Unidos (destino de milhares de protestantes expulsos da Irlanda católica e outros tantos imigrantes anglicanos ingleses), e os Países Baixos


COMUNISMO


1. Na teoria marxista, é a ultima etapa do processo histórico da sociedade na qual; a) todos os membros da sociedade trabalham e ninguém vive da propriedade do capital; b)extinguiu-se a exploração e se tem uma sociedade sem classes e; c) o Estado foi eliminado. 

2. Por outro lado, o comunismo sustenta que a renda deve distribuir-se da forma igualitária, ou de acordo com as necessidades humanas. Nos países comunistas da atualidade (China e Cuba) a maior parte do capital e da terra é de propriedade estatal. Apesar disso em Cuba e na China estão se introduzindo importantes reformas a favor do regime capitalista (empresas privadas). Outra característica destes países é seu planejamento central, na qual o Estado fixa muitos preços, níveis de produção e outras variáveis econômicas importantes. 



SOCIALISMO A doutrina socialista tem origem no século XVIII, logo que consolidaram-se os efeitos da revolução industrial sobre as sociedades modernas. 

É uma ideologia que critica o liberalismo econômico, e vai contra as noções de que o mercado é o princípio organizador da atividade econômica, devendo portanto ser preservado a todo custo. 

Surge principalmente como forma de protesto contra as desigualdades provocadas pelo intenso processo de industrialização, e contra as péssimas condições de vida dos trabalhadores. 

Os socialistas observam, com justa razão, que são o mercado e a livre concorrência as principais fontes das desigualdades sociais. 

O socialismo propõe então limitar o alcance do mercado através de mecanismos reguladores, e defende sobretudo o planejamento da produção como a forma mais eficaz de distribuir a riqueza produzida entre todos os membros da sociedade. 

Esta é a principal preocupação da ideologia socialista: promover uma distribuição equilibrada de bens e de serviços, tornando-os acessíveis a toda a população. Equivale a ideia de socialização da produção. Havia ainda duas correntes de pensamento socialista, a primeira, da qual Marx faz parte, argumentava que o socialismo só seria possível se todas as nações praticassem-no de forma simultânea, caso contrário o fluxo financeiro e as trocas comerciais entre elas impediriam um planejamento equilibrado de suas provisões e necessidades . 

Justamente por tratar o socialismo como algo inalcançável sob as condições impostas, essa corrente foi chamada de utópica. 

Já a outra corrente acreditava na possibilidade de implementar o socialismo em poucos países, e então depois de estabilizado expandi-lo para outros. 

Para isso seria preciso a intervenção do Estado na economia, pois este seria a única força capaz de controlar a atividade dos empresários capitalistas em benefício de toda a população. 

Alguns países tentaram efetivamente implantar o socialismo, todos eles influenciados pelo sucesso obtido pela URSS após sua pioneira Revolução Bolchevique em 1917, entre eles a China. 

Com o término da 2.ª Guerra Mundial, e sob a influência da mesma União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (da qual participavam mais de uma dezena de nações, incluindo a Rússia) muitos países do leste da Europa aderiram ao socialismo e sua planificação econômica, entre eles a Polônia, a Romênia, a Checoslováquia e parte da Alemanha (Alemanha Oriental). 

Para conter os riscos de interferência externa apontados pelos socialistas utópicos, era evitado todo o tipo de contato com países não-socialistas, que caso fosse realmente essencial seria regulamentado pelo Estado. 

A extrema interferência do Estado em todos os setores da economia levou alguns críticos a reduzir o socialismo, em suas manifestações reais, a uma espécie de "capitalismo de Estado". 

Outra questão importante sobre os países socialistas diz respeito a ampliação exagerada de suas burocracias , que com seus critérios extremamente técnicos e rígidos comprometiam a agilidade das decisões e por conseguinte de toda a economia. 

Os problemas burocráticos são apontados por muitos especialistas como uma das principais causas do fracasso dos regimes socialistas. Uma interpretação mais recente, realizada após a decomposição da União Soviética e a reunificação da Alemanha, apresenta o socialismo real como uma forma intensa de pré-capitalismo. 

Na argumentação de Kurz, o socialismo foi responsável pela transformação de sociedades predominantemente agrícolas (principalmente o caso da Rússia) em sociedades industriais. Ao longo de pouco mais de meio século ele promoveu nos países que o implementaram as mesmas modificações na estrutura econômica que demoraram mais de duzentos anos para se realizar no restante da Europa.


Democracia
Sistema de governo em que a soberania repousa no povo em seu conjunto, o qual exerce o governo diretamente ou através de representantes escolhidos. 

No mundo contemporâneo, a democracia está estreitamente relacionada com a ideia de escolha dos governantes em eleições periódicas livres e multipartidárias; mas no passado o conceito era entendido em seu significado mais literal, que implicava a reunião dos cidadãos em assembleia para debater questões políticas e deliberar leis. 

Nessa acepção mais restrita, a democracia era geralmente considerada pelos pensadores políticos como inferior à monarquia (governo exercido por uma só pessoa) e à aristocracia (governo de uma classe considerada superior ou mais bem preparada); eles a viam como um sistema mais propenso a instabilidade e incompetência, e dificilmente praticável em sociedades maiores do que as cidades-Estado (como as da Grécia antiga, por exemplo). 

O sistema representativo surgiu justamente para resolver esse problema (mas suas limitações foram severamente criticadas por Rousseau, o maior teórico da democracia). Os principais elementos da democracia representativa são: liberdade de pensamento e de expressão; eleições livres periódicas para a legislatura (a assembléia de representantes responsáveis pela legislação), nas quais todos os cidadãos têm direito a votar e a concorrer aos cargos; o direito a formar partidos que disputem as eleições com os demais; um governo que deve prestar contas de seus atos perante a autoridade dos legisladores e que, portanto, é em certa medida controlado pela opinião pública. 

Quando um ou mais desses elementos está ausente, como em algumas autodenominadas "democracias populares" ou em Estados governados por um partido único (como foi o caso dos países comunistas do Leste Europeu após a Segunda Guerra Mundial), o sistema tem menores possibilidades de funcionar como uma democracia autêntica. 

Nas democracias representativas, a principal questão prática e teórica tem sido a capacidade ou não de o sistema se aproximar do sentido democrático original pelo aumento da participação popular através de referendos, plebiscitos e outros dispositivos semelhantes. 

Há também reivindicações de extensão da democracia aos aspectos mais corriqueiros e concretos da vida social, como, por exemplo, às relações de trabalho. As condições sociais necessárias à estabilidade dos governos democráticos foram objeto de amplas discussões; dentre os fatores isoladamente mencionados, o mais importante aparentemente é o desenvolvimento econômico: as sociedades capitalistas avançadas são, quase na totalidade, democracias representativas, enquanto muitos países em desenvolvimento (a Índia é uma importante exceção) possuem governos autoritários, os quais em geral auto-afirmam-se democráticos apesar de tudo.

Democracia Capitalista - A democracia capitalista, hoje predominante em todas as sociedades, necessita fazer um reexame de seus princípios básicos. 

A democracia não se limita ao processo eleitoral, nem deve ser exercida apenas pela ação dos políticos, mas, sim por toda sociedade. Inclusive os políticos, devem agir democraticamente em suas atividades individuais, na realização do bem comum. 

A democracia é um regime de governo que exige cultura de seus governantes e governados, por isso, o autor coloca em questão, o voto dos analfabetos. Ele faz também severas críticas ao processo de prolongamento os princípios da democracia, a todas as instituições sociais, quando deveriam limitar-se a política.


Democracia Política - Costuma-se dizer que o povo brasileiro já atingiu um alto grau de maturidade política. É um "lugar comum", que só parcialmente corresponde a realidade com efeito, não se podendo negar que uma parte do eleitorado, adquiriu uma consciência mais nítida, dos seus deveres e da sua responsabilidade, no exercício do voto, como expressão legítima da vontade do eleitor. Mas apenas uma parte. 

A grande maioria, vota pensando, tão somente os seus interesses particulares (da sua pessoa, da sua classe social ou do seu grupo econômico), ou regionais (do município ou do estado) - raramente com os olhos voltados, para os problemas da nação. 

O eleitor comum, tem uma visão doméstica, para não dizer pessoal, dos problemas do país, e é isto que tem contribuído para que os partidos de âmbito nacional, não passem em última análise, de um grupo despreparado, formado por partidos regionais.


Democracia Dinâmica - As mudanças que ocorrem com o decorrer do tempo fazem com que novas necessidades apareçam, e com isso a democracia deve passar por uma fase adaptativa. Para existir democracia, é necessário que haja um consentimento, visando o futuro do povo. A base disso é a fé em constituições e eleições, acreditando na participação popular.

Obs.: Democracia não deve ser classificada só como uma forma de governo, pois implica em uma espécie de sociedade em que a ascensão humana é a finalidade, e a cooperação é o método mais viável. Para se viver democraticamente, o fato de ceder as pressões governamentais deve ser anulado das atitudes populares. Os debates são consideráveis a partir do fato de que formulam pensamentos e elevam as idéias de cada pessoa.


Anarquismo
O anarquismo, desde sua criação, recebeu vários atributos. Seus críticos dizem que é uma forma de organização social onde impera a bagunça. anarquismo é uma doutrina que defende a supressão de qualquer governo formal - por considerar que eles interferem na liberdade individual - substituindo-os por corporativas de grupos associados de produtores. 

Proudhon foi um de seus precursores e enfatizava o respeito à pequena propriedade, propondo a criação de cooperativas sem fins lucrativos voltadas para o auto-abastecimento e de bancos que concedessem empréstimos sem juros aos empreendimentos produtivos e crédito gratuito aos trabalhadores. 

Dizia que o Estado deveria ser destruído, sendo substituído por uma "república de pequenos proprietários", sem leis, sem polícia, sem imposto de renda, sem forças armadas, nada mais correto. Existiam idéias menos radical e sem tanta difusão e idéias que pendiam para o lado do terrorismo, como a de Bakunin, um revolucionário russo, fundador do Movimento Populista Russo. O anarquismo pretende suprimir, pular o socialismo.


Vamos avançar em nossos conhecimentos sobre a estruturação do mundo da política.
Como a Sociedade foi organizada na história humana desde suas origens?

Isolado de seus semelhantes, o ser humano é incapaz de desenvolver suas potencialidades intelectuais e torna-se selvagem como um animal da floresta. Esse fenômeno foi observado na prática em crianças que sobreviveram por anos em meios naturais, afastados do convívio social.

Sociedade é o agrupamento de indivíduos entre os quais se estabelecem relações econômicas, políticas e culturais. Numa sociedade existe unidade de língua e cultura e seus membros obedecem a leis, costumes e tradições comuns, unidos por objetivos que interessam ao conjunto, ou às classes que nele predominam. Em sentido estrito, confunde-se com a comunidade política que vive num estado nacional e seus limites são as fronteiras políticas e geográficas do estado. A ideia de sociedade pressupõe um contexto de relações humanas no qual ocorre a interdependência entre todos e cada um de seus componentes, que subsiste tanto pelo caráter unitário das funções que cada membro desempenha como pela interiorização das normas de comportamento e valores culturais dominantes em cada comunidade.

Toda a humanidade pode ser considerada como uma única sociedade, mas em sentido sociológico fala-se de sociedade como um sistema funcional abstrato, sem identificação com um país ou cultura determinados, ou então de forma plural no tempo (sociedade antiga, medieval, moderna etc.) e no espaço (sociedade americana, mexicana, japonesa, brasileira etc.).

No interior das sociedades se observa a formação de grupos de pessoas cujos interesses coincidem em certa medida, como as famílias, os clãs, as comunidades e as associações. Desses conjuntos, que geralmente mantêm estrutura própria, os mais significativos são as comunidades e as associações. 

A comunidade é uma sociedade geograficamente localizada, de estrutura definida, cujos membros têm um modo de vida comum. Pode constituir-se em dimensão geograficamente reduzida, como um povoado, ou estender-se por um país de extensão continental. A associação tem características específicas e delimitadas: é um agrupamento organizado de indivíduos que visam à consecução de objetivos comuns.

Entre os modelos modernos de associação estão os partidos políticos e os sindicatos, que têm a finalidade de defender interesses específicos de determinadas classes sociais e de categorias profissionais. Outro exemplo de associação é o estado, que tem a função básica de preservar a segurança e o bem-estar dos grupos sociais que vivem sob seu domínio. O estado, no entanto, só forma uma sociedade perfeita quando não lhe faltam os elementos essenciais de uma sociedade natural: unidade de língua e cultura, história e tradição comuns. Diferentes nações muitas vezes formam um estado, mas nem todas as nações têm existência como Estado.

Tipos de sociedades. Não existe acordo entre os especialistas sobre os elementos essenciais que possam servir de base para uma classificação consistente das sociedades, com valor e alcance universais. Observam-se, porém, duas grandes tendências: a que adota critérios externos à própria organização, como o estado de conhecimento ou das técnicas de trabalho, e a que se fixa em critérios internos, como o grau de simplicidade ou complexidade da organização social.

Ao primeiro grupo pertenceu Auguste Comte, pioneiro da ciência empírica e teórica da sociedade, que chamou de sociologia, e na ideia de uma ordem cultural como elemento constitutivo da sociedade. Fundamentou sua teoria da sociologia em duas proposições correlatas: a lei dos três estados e o teorema segundo o qual as ciências teóricas formam uma hierarquia em cujo ápice está a sociologia.

Augusto Comte (Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (Montpellier, 19 de janeiro de 1798 — Paris, 5 de setembro de 1857)) baseou-se no nível dos conhecimentos para estabelecer a evolução da sociedade por três estados que se sucedem: no primeiro há uma sociedade teológica de estrutura militar, fundamentada na propriedade e na exploração do solo; no segundo, uma sociedade de legistas, caracterizada pela distinção clara entre o poder temporal e o poder espiritual; e no terceiro há uma sociedade industrial ou positivista, na qual aplicam-se as ciências positivas à ordem natural para transformar as condições materiais, com o surgimento da indústria.

Karl Marx (Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista)e Friedrich Engels (Friedrich Engels (Barmen, 28 de novembro de 1820 — Londres, 5 de agosto de 1895) foi um teórico revolucionário alemão ) fundamentaram a estrutura da sociedade capitalista nas relações de produção e sua evolução pela luta de classes. Na produção de bens materiais, os homens entram em relações necessárias, independentes de sua vontade. Essas relações de produção correspondem a um dado grau de desenvolvimento das forças produtivas materiais e o conjunto dessas relações forma a estrutura econômica da sociedade. É possível distinguir, em qualquer sociedade, a base econômica, ou infra-estrutura, e a superestrutura, constituída pelas instituições jurídicas e políticas e pelas ideologias.

A estrutura social de uma sociedade é, assim, uma totalidade articulada em que os elementos que a compõem têm sua função determinada pelo lugar que ocupam no todo. O conceito de modo de produção é teórico, isto é, não existe na realidade empírica e se refere à totalidade social global. É constituído por uma estrutura global formada por três estruturas regionais (econômica, jurídico-política e ideológica), uma das quais domina as outras, embora a estrutura econômica seja sempre determinante, em última instância.

Na maior parte das sociedades, porém, a produção de bens materiais não se efetua de uma só forma. O mais freqüente é que numa mesma sociedade convivam diversos modos de produção, subordinados a um modo de produção dominante, que lhes impõe leis de desenvolvimento, embora continuem existindo com relativa autonomia. Essa realidade social empírica, historicamente determinada, é referida com o conceito de formação social. A teoria da história representa o estudo da sucessão descontínua dos diferentes modos de produção.

Marx e Engels dividiram as sociedades em seis grupos: a comunidade tribal, agrupamento primitivo de famílias; a sociedade asiática, caracterizada pelo despotismo; a sociedade antiga, na qual as relações de classe estabeleciam-se entre cidadãos e escravos; a sociedade germânica, rural e profundamente individualista; a sociedade feudal, extremamente hierarquizada; e a sociedade capitalista, marcada pelo domínio da burguesia e com relações de classe nitidamente afirmadas. Previram o surgimento de uma sétima sociedade, a comunista, na qual desapareceriam as classes sociais.

No grupo de autores que classificam as sociedades a partir de critérios internos destacam-se Herbert Spencer, Talcott Parsons e Émile Durkheim. Spencer baseou-se na doutrina do evolucionismo para elaborar sua teoria sociológica, na qual a premissa básica é a analogia orgânica, isto é, a identificação entre sociedade e organismo biológico: tanto a sociedade como os organismos se distinguem da matéria inorgânica pelo crescimento visível durante sua existência; tanto as sociedades como os organismos aumentam em complexidade de estrutura à medida que crescem em tamanho; e uma diferenciação progressiva de funções acompanha a diferenciação progressiva da estrutura da sociedade e dos organismos.

O fato principal da "lei geral da evolução" é o movimento das sociedades, de simples para os diversos níveis das sociedades compostas. Spencer fez, assim, a distinção entre sociedades simples (grupos nômades, carentes de organização política e com incipiente divisão de trabalho) e sociedades complexas (nas quais as funções sociais e econômicas multiplicam-se). As sociedades compostas surgiram da agregação de algumas sociedades simples; a agregação de sociedades compostas deu origem às duplamente compostas.

Émile Durkheim (Émile Durkheim (Épinal, 15 de abril de 1858 — Paris, 15 de novembro de 1917) é considerado um dos pais da sociologia moderna.) estabeleceu uma diferença entre sociedade primitiva, caracterizada pela "solidariedade mecânica", de forte consciência coletiva; e a sociedade complexa dominada pela "solidariedade orgânica", de marcada diferenciação social. A solidariedade mecânica predomina quando existe grande semelhança entre os indivíduos da sociedade, que partilham sentimentos, adotam os mesmos valores e admitem as mesmas crenças. A solidariedade orgânica é o consenso resultante da diferença, fenômeno que caracteriza a sociedade moderna.

Parsons ( Talcott Edgar Frederick Parsons (13 de Dezembro, 1902 - 8 de Maio, 1979) foi por muitos anos um dos Sociólogos mais conhecidos nos Estados Unidos e no mundo) buscou a diferenciação das sociedades na capacidade de adaptação de sua organização social, de tal modo que à maior capacidade de adaptação generalizada corresponde uma complexidade crescente. Classificou as sociedades em três tipos fundamentais: as sociedades primitivas, com escasso grau de diferenciação e forte componente religioso; as sociedades intermediárias, identificadas pelo emprego da escrita e por sua estrutura de classes; e as sociedades modernas, que se distinguem pela preponderância do direito, inspirado no que Max Weber chamou de "racionalidade formal".

Evolução da sociedade. Quaisquer que sejam os fundamentos em que os cientistas sociais se baseiam, todos estão de acordo em que a sociedade sofreu um processo gradual de transformação ao longo do tempo. O tipo mais primitivo de organização social que se conhece é a ordem comunal ou tribal, em que os indivíduos viveram juntos para garantir a sobrevivência de todos. Esses agrupamentos dedicavam-se à busca nômade de alimentos e instalavam-se de forma provisória em cavernas e acampamentos. À medida que se esgotavam as reservas naturais ou as condições climáticas assim o exigissem, mudavam-se para outros sítios mais favoráveis ao grupo.

O domínio do fogo deflagrou uma verdadeira revolução tecnológica. Permitiu o aperfeiçoamento dos utensílios e sua transformação em armas para a caça que, junto à extração de alimentos vegetais, era a fonte de alimentação. A domesticação de animais marcou uma etapa importante da evolução da sociedade primitiva: o momento da transição de um estado nômade para uma forma de vida sedentária, em locais geográficos permanentes. Surgiram as tribos, agrupamentos de indivíduos ligados por laços de parentesco. Mas a permanência em espaço circunscrito limitou o acesso às fontes alimentares, basicamente caça, pesca e coleta de frutos e raízes silvestres. A necessidade de ampliar os estoques alimentares levou à atividade agrícola e mais uma etapa foi alcançada com a conversão do pastoreio e da agricultura nas principais fontes de subsistência. Surgiram os primeiros proprietários da terra, dominadores da economia tribal.

O domínio das técnicas de utilização dos metais marcou mais uma etapa importante na evolução social. A divisão de trabalho acentuou-se e possibilitou maior concentração de riqueza nas mãos de alguns indivíduos. Permitiu o aumento das atividades de troca entre indivíduos ou entre grupos, o que deu origem ao comércio. A igualdade econômica inicial deixou aos poucos de existir e surgiu o regime da propriedade privada dos meios de produção.

A sociedade escravista surgiu quando a propriedade sobre os objetos e a terra ampliou-se para a posse de seres humanos, os prisioneiros de guerra. Seu fundamento econômico reside na possibilidade de cada indivíduo ser capaz de produzir mais do que o necessário para a própria sobrevivência, ou seja, um excedente, passível de ser apropriado por outrem. O processo de acumulação de riqueza acentuou-se e algumas famílias tornaram-se mais ricas com o uso da mão-de-obra escrava, barata e abundante.

O modelo de sociedade baseado no trabalho escravo declinou em função da inexistência de estímulo para que o trabalhador escravizado executasse as funções mais complexas que progressivamente lhe foram sendo exigidas. O progresso das técnicas produtivas e a necessidade de maior produtividade impuseram uma revolução nas relações de produção: o trabalho livre, com retribuição de certa forma proporcional ao esforço despendido, que se implantou com o sistema feudal. Com uma hierarquia rígida, o feudalismo fundava-se basicamente na existência de três classes: a nobreza e o clero, que formavam a classe dominante, no topo da pirâmide social; um segmento intermediário formado por artesãos e comerciantes; e, na base, os servos que eram, em sua maioria, descendentes dos antigos escravos ou camponeses arruinados. A posição dentro da hierarquia social era determinada pelos costumes e leis, que davam à classe dominante enormes privilégios políticos, econômicos e sociais.

A sociedade burguesa surgiu com a decadência econômica da nobreza e do clero e a acumulação de riquezas pelos comerciantes, beneficiados sobretudo pelas grandes descobertas marítimas e a ampliação extraordinária das atividades mercantis e industriais. A partir da revolução industrial, desencadeou-se um processo que se traduziu em transformações radicais em todas as áreas da atuação humana. No novo modo de produção, o trabalho humano transformou-se em bem econômico e as associações de artesãos deram lugar às fábricas, onde trabalhavam operários assalariados. A liberdade de comércio tornou-se a síntese de todas as liberdades e a produção e o consumo chegaram a regiões geográficas até então isoladas. As ciências e as artes universalizaram-se. Surgiu a sociedade urbana, centralizada, a partir do crescimento físico e econômico dos burgos, e em seu interior formaram-se novas classes sociais.

Cultura. Ao longo do processo de mudanças econômicas e sociais dos agrupamentos sociais, surgiram e desenvolveram-se, ao mesmo tempo, as formas de comportamento e as ideologias que se traduzem nas manifestações culturais do grupo social. A cultura condicionou todas as atividades dos indivíduos e do grupo social -- habitação, hábitos de convivência, papéis sociais, relações dos indivíduos entre si, dos indivíduos com os diferentes grupos, dos grupos entre si e com o conjunto social, ritos religiosos, alimentação, trabalho, legislação e outras áreas. Essas mesmas atividades exerceram sobre a cultura uma ação recíproca. Surgiram as artes, a linguagem, os costumes, as leis, as religiões, as concepções filosóficas e ideológicas, em resumo, tudo o que integra uma cultura e identifica uma sociedade.
Características da sociedade tecnológica moderna. Na sociedade tecnológica, o ser humano não vive mais num meio natural e sim num meio técnico, que interpõe entre o homem e a natureza uma rede de máquinas e técnicas apuradas. O homem explora a natureza, domina-a e utiliza-a para seus fins. Em decorrência da expansão dos recursos técnicos, a estrutura da sociedade tecnológica resulta muito mais complexa do que a da sociedade tradicional. Quatro fatores contribuíram para essa mudança social tão profunda: a tecnologia, um avançado sistema monetário e creditício, a crescente divisão do trabalho e a migração em massa da mão-de-obra do setor primário de produção (agricultura, caça, pesca e mineração) para os setores secundário (indústria) e terciário (comércio, transportes, profissões liberais etc).
Em conseqüência da ruptura entre as funções de produtor e consumidor, desempenhadas no passado pelos mesmos indivíduos, e da multiplicação artificial das necessidades de consumo (e por isso esse tipo de sociedade também é denominado "sociedade de consumo"), a organização social desdobrou os papéis sociais atribuídos a uma mesma pessoa. Um indivíduo é ao mesmo tempo pai de família, empregado de uma fábrica e membro de um clube, de um partido político, de um sindicato, de uma igreja etc. Por conseguinte, os riscos de conflito entre os papéis são muito maiores do que na sociedade tradicional.


As sociedades modernas apresentam uma extrema divisão de trabalho. As profissões se especializam cada vez mais e uma forte competitividade atua como meio de seleção no mercado de trabalho. A necessidade de controle nas empresas, na administração pública e nas inumeráveis instituições (esportivas, políticas, profissionais, religiosas etc.) confere a essas sociedades um caráter eminentemente burocratizado. É também uma sociedade basicamente urbana, na qual a concentração demográfica, a diversidade das profissões e as desigualdades na distribuição de renda promovem uma profunda divisão de classes com interesses conflitantes.

A fraqueza do indivíduo isolado levou à proliferação de grupos de interesse (sindicatos, associações profissionais, sociedades agrárias etc.). A multiplicidade de associações dá lugar à existência de diversas elites que representam, ou dizem representar, uma determinada comunidade (etnia, sindicato, partido político etc.). Essas elites lutam entre si, atuando como pontas de lança de seus respectivos grupos de interesse, o que leva o conflito a constituir-se em elemento permanente da organização social fragmentada e diversificada da sociedade tecnológica.

A mentalidade dominante na sociedade tecnológica também difere sensivelmente da que predomina na sociedade tradicional. A força da tradição é substituída pela racionalidade e a valorização da instrução. A mentalidade tecnológica prefere a mudança, que associa ao progresso, à permanência de costumes e valores. Em conseqüência, a desmitificação do mundo pela racionalidade e a ciência supõe uma profunda transformação da ética e da moral tradicionais, minando profundamente as crenças religiosas, num processo denominado "secularização".

Organização social. A unidade estrutural do grupo ou da sociedade traduz-se no conjunto das diferentes maneiras de co-adaptação e coordenação das atividades individuais e sociais, isto é, na organização social. Sistema de relações entre os membros de um grupo ou entre os grupos de uma sociedade, a organização social implica sempre direitos e deveres reciprocamente aceitos. Seu princípio básico é o da coordenação social, isto é, da harmonia social, que equivale ao papel que cada membro exerce em cooperação com os demais integrantes do grupo.

A manutenção da organização social de um grupo traduz-se pelas instituições, que devem funcionar em interação, pelas classes em que a sociedade se divide, de acordo com critérios econômicos ou políticos, e pelos grupos sociais, conjuntos de pessoas ligadas por interesses e objetivos comuns. Essas instituições adquirem formas específicas no interior da organização social, que se traduzem em associações religiosas, políticas, financeiras, familiares etc.

As formas de organização social variam de acordo com os grupos humanos, cujos integrantes adotam comportamentos aceitos pelo conjunto. As variações aceitáveis orientam-se pelo padrão estabelecido e representam um compromisso entre a rigidez do padrão e as circunstâncias do momento.

Em cada sociedade há uma hierarquia de valores materiais e não-materiais que diferem segundo os grupos e de acordo com a importância que se atribui a cada um dos elementos que integram sua cultura. Assim, observam-se na organização social as diversas formas de casamento, os tipos de parentesco, a estrutura da família, as formas de governo, as relações comerciais e de trabalho e muitas outras.

A organização social depende basicamente da conservação das funções sociais e da divisão social do trabalho. A conservação das funções sociais refere-se à permanência e à continuidade da vida social: a sociedade deve manter íntegras suas instituições, ao longo das gerações que se sucedem, embora adote modificações naturais introduzidas de modo gradual pelos novos integrantes. A divisão social do trabalho garante que todas as funções necessárias ao funcionamento da sociedade sejam preenchidas.

Bibliografia
FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. A democracia possível. 4. ed. São Paulo, Saraiva
AZAMBUJA, Darcy. Introdução à ciência política. 8. Ed. São Paulo, Globo, 1994
SHIMIDT, Mario. Nova história critica. Ed. Nova Geração
Mais em:
http://www.amaboaviagem.hpg.ig.com.br
http://www.coladaweb.com/

PARABÉNS LULA! PARABÉNS BRASIL!

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"PRESIDENTE LULA"

"O HOMEM DO POVO"


LULA: um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores - Partido Político genuinamente brasileiro.

RECONHECIDO PELOS jornais Le Monde e El País da Espanha, agora foi pela TIMES.

Lula está entre os líderes mais influentes de 2010 da "Time"; A REVISTA ÍCONE DO SISTEMA CAPITALISTA:é para os preconceituosos dormirem de cabeça doloridaaaaa

No noticiário geral aparece a seguinte informação: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela revista "Time" um dos 25 líderes mais influentes do mundo em 2010. A sétima edição da lista das 100 pessoas mais influentes do mundo foi divulgada quinta-feira 29/04 pela revista.

Os quatro primeiros:

1.Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil 2.J.T. Wang, presidente do conselho da fabricante de PCs Acer
3.Mike Mullen, chefe norte-americano do Estado-Maior Conjunto
4.Barack Obama, presidente dos Estados Unidos

O MELHOR PRESIDENTE DA HISTÓRIA DO BRASIL. CONFIRA OS DADOS E COMPARE: 8 anos de FHC e quase 8 anos de LULA
Nos tempos de FHC, o Risco Brasil estava em 2.700 pontos. Nos tempos de Lula, 200 pontos.

O salário mínimo quando Lula assumiu a Presidência da República, em 2003, estava em 64 dólares. Agora, está entre 290 e 300 dólares.

O dólar que valia R$ 3, agora vale R$ 1,78.

FHC não pagou a dívida com o FMI, pelo contrário, emprestava ainda mais. Lula pagou-a em dólar e passou a emprestar.
A indústria naval, tão importante para o desenvolvimento do País, FHC não mexeu. Lula a reconstruiu.

FHC, o doutor sociólogo e professor, não construiu nenhuma nova universidade. Lula construiu dez novas universidades federais. Quanto às extensões universitárias, no governo tucano não houve nenhuma. No governo Lula foram 45.

As escolas técnicas foram esquecidas (sucateadas) na era FHC. Ele não construiu uma sequer. Lula construiu 214, sendo que uma delas esta sendo contruída em nossa cidade Paranavaí-PR e servirá toda a região noroeste do Paraná.

No campo da economia, as reservas cambiais no governo FHC foram 185 bilhões de dólares negativos. No governo Lula, 239 bilhões de dólares positivos.

O crédito para o povo/PIB no governo tucano foi de apenas 14%. No governo Lula, com as políticas anticíclicas, alcançou 34%.
Em relação à infraestrutura, FHC não construiu nenhuma estrada de ferro. Pelo contrário, as privatizou. No governo Lula, três estão em andamento.

Quando Lula assumiu o governo, 90% das estradas rodoviárias estavam danificadas. Agora, 70% estão recuperadas.
No campo da indústria automobilística, na era FHC, 20% em baixa. Na era Lula, 30% em alta.

Nos oito anos em que FHC presidiu o País, houve quatro crises internacionais, quearrasaram o Brasil. Na era Lula, foi enfrentada uma grande crise, que o Brasil superou em razão das reservas acumuladas e das políticas anticíclicas empreendidas pelo governo.
O cambio no governo FH era fixo, e estourou o Tesouro Nacional. No governo Lula é flutuante, com ligeiras intervenções do Banco Central.
A taxa de juros Selic atingiu na era FHC incríveis 27%. No governo Lula chegou ao seu menor percentual desde quando foi criada, em 1983, 8,5%.
A mobilidade social no governo tucano foi de apenas 2 milhões de pessoas. No governo Lula, 23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza.

FHC criou apenas 780 mil empregos em oito anos. Lula criou 12 milhões.
O governo tucano nada investiu em infraestrutura. Com o PAC Lula pretende investir R$ 504 bilhões até 2010 para o Saneamento Básico, Moradia Etc.

No mercado internacional, o Brasil no governo FHC não teve crédito. No governo Lula, o País foi reconhecido como investment grade pelas três maiores agências de classificação de risco internacionais. Deixamos de ser um país em que o capital externo só entrava para especular para ser um país de investimentos.



Lula fez mais:
Somos respeitados no mundo inteiro como sendo o País do presente, da Copa e das Olimpíadas.
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Lula deu um aumento real (acima da inflação) de 54% ao salário mínimo. Com Lula, para todas as categorias de trabalhadores, o aumento real médio foi de 26% acima da inflação.
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O PROUNI colocou milhares de jovens (muitos deles carentes) no Ensino Superior.
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Taxa de desempremprego a 7% (a taxa nos EUA "primeiro mundo", está a 10%. Espanha, 20%).
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O programa Minha Casa- Minha Vida, deu lar a milhares de brasileiros carentes.
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É VERDADE QUE HÁ MUITO AINDA A SER FEITO... MAS NÃO TENHO DÚVIDAS DE QUE LULA COLOCOU O BRASIL NOS TRILHOS DO DESENVOLVIMENTO. POR TUDO ISSO AGORA QUEREMOS DILMAIS...

MITO DA CAVERNA
Atividade com consulta ao Texto "Alegoria da Caverna", de Platão
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(TEXTO: MITO DA CAVERNA - PLATÃO)
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(ARTIGO sobre a obra A República de Platão)
1. Ler e fazer um resumo do Texto "Alegoria da Caverna", páginas 28,29 e 30 do Livro de Filosofia (capa Azul).

2. De acordo com o texto de Platão, existem dois tipos de Homens: O ignorante — Conhecimento sensível. E, aquele que busca a sabedoria — Conhecimento inteligível.

As fontes de obtenção de cada um dos dois tipos de conhecimentos: Conhecimento sensível – Sentidos. Conhecimento inteligível – Razão.

Onde está a realidade - do mundo inteligível, segundo Platão em sua "Alegoria da Caverna"? No interior ou fora da Caverna? Explique melhor sua resposta (fundamente-a).

3. Para Platão, quem consegue atingir a realidade (sair da caverna) pela RAZÃO (simbolizada na Luz), deve apenas permanecer contemplando aquilo que descobriu?

Qual deve ser então o papel do filósofo, segundo Platão? Observe que, para o ex-prisioneiro, não é suficiente a sua libertação, pois ele volta, desce “até os homens da caverna e quer levá-los para a luz”.

Como se explica, então, a volta do filósofo deste mundo luminoso da verdade para a escuridão da caverna?

Como é que Platão descreve os perigos que este Homem correria caso resolvesse abrir os olhos de seus companheiros alienados?

4. a) O interior da caverna representa a prisão em que se encontra a humanidade na medida em que está submetida à ilusão dos sentidos.

b) O mundo da superfície ou o exterior da caverna representa o mundo das Idéias que somente pode ser atingido mediante a razão.

Fundamentado nas explicações acima em relação aos significados do interior e exterior da Caverna, analise a seguinte afirmação:

Ao libertar-se das algemas o homem perderia o sentido das coisas, uma vez que teria que abandonar a verdade.

Esta afirmação, de acordo com o texto, Alegria da Caverna, é correta ou não? Explique, fundamente sua resposta.

5. Analise a seguinte afirmação: A visão suprema do Sol representa uma alienação para o homem, sua contemplação tiraria o homem da única realidade possível, ou seja, daquela encontrada no interior da caverna.

Esta afirmação, de acordo com o texto, Alegria da Caverna, é correta ou não?. Explique, fundamente sua resposta.

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ATIVIDADE COM BIOGRAFIAS/FILÓSOFOS
UMA: Sugestão de acesso às Biografias

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(biografias:TALES,ANAXIMANDRO,ANAXÍMENES E PITÁGORAS)
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Resumo/Aulas
Semana 05-09.abril 2010
O que significa a palavra Filosofia?
FILOSOFIA → do GREGO → FILO (PHILIA) = Amizade, Amor Fraterno / SOFIA (SOPHIA) = Sabedoria

ATITUDE FILOSÓFICA

Para estudar Filosofia, o ESTUDANTE tem que tomar distância da vida cotidiana e de si mesmo; interrogar a si mesmo, desejando conhecer por que cremos, no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Estar aberto à abandonar o VELHO e assumir o NOVO. Saber lidar com a crise existencial, sabedor de que da CRISE nascerão coisas novas e melhores. Estar disposto a perseguir a verdades em todos os âmbitos da vida: Mundo, Sociedade e de si mesmo. Pensar por si mesmo, ser dono de seus próprios pensamentos, porém, sem arrogância, sempre aberto a revê-los, confrontá-los, e quando necessário modificá-los. Diante de todas as verdades apresentadas como absolutas, colocar a DÚVIDA. Decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. Dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às idéias da experiência cotidiana, ao que “todo mundo diz”, ao estabelecido. Interrogar sobre o que são as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. Questionar sobre o porquê disso tudo e de nós e sobre como tudo isso é assim e não de outra maneira. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.

ATIVIDADE FILOSÓFICA
Na simplicidade e humildade Socrática: SÓCRATES (470-399), SÉCULO III, “SÓ SEI QUE NADA SEI”. Ainda que um único homem pudesse ler todos os livros que estão em todas as bibliotecas do mundo, ainda assim este homem continuaria sendo ignorante diante do conhecimento a ser conquistado... Portanto, o estudante de Filosofia / que deve ser Filósofo ao mesmo tempo, tem que ser capaz de exercer a ATIVIDADE FILOSÓFICA EM TODOS OS MOMENTOS DE SUA VIDA, NÃO PARA SER MELHOR QUE OS OUTROS, MAS PARA SER MAIS HUMANO E AJUDAR NA HUMANIZAÇÃO DOS HOMENS: • REFLEXÃO CRÍTICA • RACIONAL• RADICAL• PROFUNDA • SISTEMÁTICA.


GRÉCIA – VII ou VI a.C. → Primeiro filósofo a desenvolver um problema filosófico TALES de MILETO.

LEMBRETE, em resumo, o papel de TALES, enquanto identificado como o primeiro filósofo é de uma valor simbólico muito importante para a Filosofia. O fato não se deve às respostas dadas por ele em relação aos problemas filosóficos dos quais tratou, mas sim à forma substancial do método que utilizou para buscar essas respostas, ou seja, inaugurou a atividade filosófica.


Em suma, o contexto de Tales era este: O que marca o surgimento da Filosofia é seu caráter racional. Os homens passam de uma explicação mitológica do mundo para uma explicação racional. Ao perceberem as contradições e limitações dos mitos, eles reformulam e racionalizam as narrativas míticas, transformando-as em uma explicação inteiramente nova e diferente. A Filosofia – Cosmologia / PROBLEMAS que os primeiros filósofos trataram . Conhecimento racional da ordem do mundo ou da Natureza. O mito falava em deuses, como Zeus, Perséfone e Gaia. Narrava a origem dos seres celestes e terrestres como derivados das relações com os deuses. A Filosofia fala em céu, mar e terra. Ela explica o surgimento desses seres por composição, combinação e separação dos quatro elementos – úmido, seco, quente e frio, ou água, terra, fogo e ar. O mito narrava a origem através de genealogias derivadas de forças divinas sobrenaturais e personalizadas. A Filosofia, ao contrário, explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais. O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial, longínquo e fabuloso, voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. A Filosofia, ao contrário, se preocupa em explicar como e por que, no passado, no presente e no futuro (isto é, na totalidade do tempo), as coisas são como são; O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador e a autoridade residia nos DEUSES. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; Além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da RAZÃO, que é a mesma em todos os seres humanos.

Filósofo é o amigo da sabedoria, do conhecimento. Aquele que ama, busca e respeita o saber, o conhecimento.


LEMBRETE: A Filosofia é uma ATIVIDADE REFLEXIVA RACIONAL SISTEMATIZADA. Em suas origens a Filosofia era exercida pelos cidadãos, ou seja, homens livres da Grécia. Na Grécia Antiga só os gregos nascidos em território grego eram cidadãos. Escravos, mulheres, crianças e estrangeiros não eram contados como cidadãos e nem possuíam esse título. A Democracia vivenciada por cidades como ATENAS possibilitava a participação dos cidadãos nas discussões políticas em praça pública, sobre os problemas e destinos da cidade, exigindo opiniões fundamentadas em argumentos válidos e que deviam ser colocados à prova filosófica no embate com as opiniões alheias. Essas opiniões deviam ser demonstradas de forma clara, objetiva, lógica. O recurso demonstrativo era a RETÓRICA, a arte de Falar Bem em Público.
 Pitágoras = filósofo grego (séc.V a.C.)
 responsável pela invenção da palavra “Filosofia”
 Sabedoria plena e completa pertence aos deuses
 Homens podem desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos.

A IMAGEM QUE SE TINHA DO FILÓSOFO

NEGATIVA
 Não é movido por interesses comerciais ou financeiros;
 Não coloca o saber como propriedade sua;
 Não é movido pelo desejo de competir;
 Não faz das idéias e dos conhecimentos uma habilidade para vencer competidores;

POSITIVA
 É movido pelo desejo de observar, contemplar, julgar e avaliar a vida;
 É movido pelo desejo de saber.

LEMBRETE: a Filosofia tem aversão às verdades caracterizadas e fundamentadas em dogmas (verdades absolutas que não possibilitam a contestação). A Filosofia existe pela DÚVIDA. A Dúvida é a alma da Filosofia. É a Dúvida o elemento mais essencial da Filosofia; é o elemento deflagrador da atividade filosófica. A Filosofia não pode em hipótese alguma ser identifica com crença religiosa. A Filosofia não tem respostas prontas, é um exercício racional sistematizado infindável na busca pela VERDADE. Ela se faz pela DÚVIDA que leva à → PROBLEMAS → que por sua vez, levam à respostas → que caem em novos problemas deflagrados pela DÚVIDA suscitando um movimento sempre latente orientado por esta dinâmica. A Filosofia é um bem da humanidade e deve ser colocado à serviço da VIDA e da LIBERDADE, sempre.

A VERDADE desde a concepção da Filosofia Antiga:

 Não pertence a ninguém;
 Não é um prêmio conquistado por competição;
 Está diante de todos nós;
 É algo a ser procurado;
 É encontrada por todos aqueles que a desejarem, que tiverem olhos para vê-la e coragem para buscá-la.

Para chegar à verdade o HOMEM precisa abandonar preconceitos, crenças ,fechadas em si mesma, abrir-se ao diálogo com o diferente, visitar a história humana em todas as suas etapas, conhecer as bases das diversas formas, e/ou, conjuntos, e/ou, modalidades de saberes, e/ou, conhecimentos, a saber: ARTÍSTICO, RELIGIOSO, MITO, SENSO COMUM E CIÊNCIA. O Homem que não aprendeu a dialogar com os conteúdos destas modalidades em uma saudável interação, terá maiores dificuldade de aproximar-se da verdade plena.

LEMBRETE: Nenhuma modalidade de conhecimento é superior às outras, são apenas formas, e/ou, possibilidades de conhecimentos construídas pelo Homem desde o início de seu processo evolutivo. Até mesmo o Senso Comum, o conhecimento atual e básico que todos nós recebemos espontaneamente desde nosso nascimento, é de extrema importância. O FEIO é ficar seqüestrado dentro dos limites de suas fronteiras. Como dizia IMMANUEL KANT, o Filósofo da Filosofia Crítica Moderna, é necessário rompermos essas fronteiras do Senso Comum e nos aventurarmos no mundo do Saber até conquistarmos a Consciência Crítica, a MAIORIDADE DA RAZÃO.


O DESPERTAR FILOSÓFICO GREGO ANTIGO
O NASCIMENTO DA FILOSOFIA


 Gregos
 Começaram a fazer perguntas e buscar respostas para a realidade;

As questões existenciais, ou seja, OS PROBLEMAS do cotidiano grego, para os primeiros filósofos, já não podiam mais ser respondidos apenas pelo MITO, pelo RELIGIOSO e pelo ARTÍSTICO. A sociedades grega já possuía uma organização mais complexa e exigia respostas diferentes a estes problemas, diferentes daquelas possíveis pelas modalidades de conhecimentos utilizadas naquele momento histórico. Estes problemas brotavam de três dimensões da vida humana: MUNDO (COSMO, NATUREZA, UNIVERSO); SOCIDADE; SER HUMANO: os filósofos defendiam que estes problemas podiam ser conhecidos pela razão humana.


PARA OS FILÓSOFOS:

 Pensadores gregos:
 Verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso;
 Verdade podia ser conhecida por todos por meio das operações mentais de raciocínio;
 Linguagem respeita as exigências do pensamento;
 Conhecimentos verdadeiros podem ser transmitidos e ensinados a todos.


ATIVIDADE FILOSÓFICA, POR ELES PROPOSTA, TINHA ESTAS CARACTERÍSTICAS GERAIS:

 Tendência à racionalidade
 Recusa de explicações preestabelecidas
 Tendência à argumentação
 Capacidade de generalização
 Capacidade de diferenciação = análise

RESULTADO QUE FOI LEGADO (HERANÇA), DEIXADO PARA TODOS NÓS:
 Conhecimento = leis e princípios universais
 Verdade = provas ou argumentos racionais
 Conhecimento não se impõe aos outros
 Conhecimento deve ser compreendido por todos
 Capacidade de pensar e conhecer é a mesma em todos os seres humanos
 Conhecimento só é verdadeiro quando explica racionalmente seus objetos
 Natureza segue uma ordem necessária
 Opera obedecendo a leis e princípios necessários e universais;
 Essas leis podem ser plenamente conhecidas pelo nosso pensamento: Surgimento da cosmologia / Surgimento da física.
 A razão (ou o nosso pensamento) também opera obedecendo a princípios, leis, regras e normas universais e necessários.
 Podemos distinguir o que é verdadeiro do falso;
 Razão obedece à lei da identidade, da diferença, da contradição e da alternativa.
 O agir humano exprime a conduta de um ser racional dotado de vontade e de liberdade
 As práticas humanas não se realizam por imposições misteriosas e incompreensíveis (forças secretas, invisíveis, divinas e impossíveis de serem conhecidas)
 Seres humanos naturalmente aspiram:
 Ao conhecimento verdadeiro (pois são seres racionais)
 À justiça (pois são seres dotados de vontade livre)
 À felicidade (pois são seres dotados de emoções e desejos)

Os seres humanos instituem valores pelos quais dão sentido às suas vidas e às suas ações.
ANTES DE TERMINAR, AQUELA PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR. PERGUNTA QUE FAZEM OS INGÊNUOS, OS PRISIONEIROS DA CAVERNA DO SENSO COMUM: AFINAL DE CONTAS PARA QUE SERVE A FILOSOFIA???
A filósofa Marilena CHAUI, responde, na introdução de sua obra “Convite à Filosofia”:

[1] Se abandonarmos a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil;

[2] Se não nos deixarmos guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil;

[3] Se buscarmos compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil;

[4] Se conhecermos o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências, na ética e na política for útil;

[5] Se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil;

Então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.
fontes consultadas:
ARANHA Maria Lúcia de Arruda, MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2.ed. São Paulo: Moderna, s.d.
CARDOSO, Osvaldo e outros. Filosofia: Ensino Médio (Livro Didático da S.E.ED./PR). 2 ed. Curitiba: SEED, 2006.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 6.ed. São Paulo, Ática,1997.
CHAUI, Marilena, OLIVEIRA, Pérsio S. Filosofia e Sociologia. São Paulo: Ática, 2007.
DELEUZE, Gille, GUATARI, Felix. O que é a Filosofia? Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
DURANT, Will. A história da Filosofia. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.
REZENDE, Antonio e outros. Curso de Filosofia. 13. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
A inevitabilidade da filosofia
Confira bom texto de Desidério Murcho
Universidade Federal de Ouro Preto

À parte alguns estudiosos, poucas pessoas sabem que Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu uma humilde introdução à filosofia, hoje conhecida pelo seu título grego: Protréptico. O livro foi muitíssimo influente durante cerca de mil anos — um pouco mais, portanto, do que O Segredo. Quando Boécio (480-524) escreveu a sua famosa Consolação da Filosofia tinha em mente a obra de Aristóteles, cujas ideias lhe chegaram através do Hortênsio, de Cícero (106-43 a.C.) — que, por sua vez, era uma espécie de versão romana do original de Aristóteles.

Por mais que muitas gerações de leitores se sentissem gratos a Aristóteles por ter escrito uma lúcida e iluminante introdução à filosofia, este não é o tipo de obra que os académicos e os intelectuais — do passado e do presente — tenham tendência para estimar. Acarinharam, releram e mantiveram em boas condições as obras mais sofisticadas de Aristóteles, mas não a sua modesta introdução. E foi assim que este livrinho de Aristóteles ficou perdido e praticamente esquecido, até Ingram Bywater redescobrir alguns fragmentos, já no séc. XIX.

Uma das ideias expostas por Aristóteles nesse livrinho exibe com mestria a natureza da filosofia. Não temos uma citação directa da passagem em causa, mas temos várias menções indirectas, e todas concordam que Aristóteles usou algo como o seguinte argumento a favor da filosofia:

Se temos de filosofar, temos de filosofar.
Se não temos de filosofar, temos de filosofar.
Logo, em qualquer caso, temos de filosofar.


Isto parece um daqueles trocadilhos que dão mau nome à filosofia, mas há sabedoria nestas palavras. Trata-se de um pequeno argumento dedutivo, válido, com duas premissas apenas. A primeira é uma trivialidade, claro. A subtileza está na segunda.

O que Aristóteles tinha em mente é que para argumentar que não temos de filosofar, temos de usar um argumento qualquer. Mas que tipo de argumento será? Quando pensamos nisso, vemos que não há argumentos biológicos, físicos, matemáticos ou históricos contra a filosofia. Qualquer argumento contra a filosofia teria de ser filosófico. Portanto, para rejeitar a filosofia temos de filosofar. O que demonstra que a filosofia é inevitável. Argumentar contra a filosofia é como gritar "Não estou a gritar!"

Não há maneiras não contraditórias de argumentar contra a filosofia porque a filosofia é o estudo cuidadoso das nossas ideias mais básicas. Mesmo quem pensa que a filosofia é uma palermice tem ideias filosóficas sobre a natureza do conhecimento (epistemologia) ou da realidade (metafísica). Filosofar é avaliar cuidadosamente essas ideias, em vez de as aceitarmos como se fossem as únicas alternativas viáveis. Assim, a opção não é entre ter ou não ter ideias filosóficas. É tão impossível viver sem ter ideias filosóficas como é impossível viver sem ideias físicas. A opção é entre tê-las, estudando-as cuidadosamente, ou ter a ilusão de que não as temos, só porque não nos demos ao incómodo de as estudar.
Desidério Murcho
Publicado no jornal Público (26 de Fevereiro de 2008)
fonte: criticanarede


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