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sábado, 20 de março de 2010

RESUMO/AULAS da Semana, apontamentos temáticos de Mito e Filosofia trabalhados em sala de aula.

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Estrutura do Mito Grego

RESUMO DAS AULAS_ SEMANA 08-12.03.2010


Estrutura geral do Mito Grego

Para uma compreensão mais ampla do processo de nascimento da φ é necessário que tenhamos um conhecimento, no mínimo. da estrutura, da caracterização e da importância do Mito Grego no contexto histórico em que a φ foi forjada.

→ Nas aulas da semana passada já tivemos alguns apontamentos quanto a estas especificidades do Mito Grego. Já é possível com o conteúdo desenvolvido até aqui fazermos uma diferenciação, com a qualidade que este empreendimento de compreensão por analogia requer. Nossa tarefa continua sendo a analogia entre Mito e φ, para averiguarmos a relação entre ambos.

→ Hoje vamos ver um pouco da estrutura do Mito Grego. Quero apenas recordar que o Mito Grego se enquadra no Saber Mítico comum a um tempo da história em que não havia nem a φ e nem a Ciência - pelo menos assim, como a conhecemos hoje, com todo seu rigor metodológico. O Mito foi por muito tempo o Saber mais difundido e que mais respondia às necessidades de nossos ancestrais.Isto é dizer, então, que o Mito é uma modalidade de conhecimento específica e que seu conteúdo interage com conteúdos de outras duas modalidades específicas de saberes: Religioso e Artístico.

→ Todos os povos tiveram seu sistema de saber mítico, adaptado às suas culturas. Nosso caso porém, aqui, é o Mito Grego. O Mito Grego tem seu conteúdo fundamentado nas divindades ( encontra no sobrenatural sua autoridade, que é dogmática - não pode ser contestada em hipóteses alguma ). Seu conteúdo está em conexão direta com a crença em divindades (por isso falamos que a crença grega desta época Séc. XVI ao V a.C., é caracterizada pelo politeísmo (vários deuses); pelo panteísmo (panteísmo: As religiões primitivas são panteístas, acredita-se num grande “Deus-Natureza”. Todos os elementos naturais são divinizados); pelo antropomorfismo (Da “ανϑρωπος, antropos” que significa homem. O ato de dotar deus e seus filhos deuses de uma forma humana e de atribuir qualidadades humanas aos mesmos - os deuses gregos possuem desejos como os homens comuns). Mas não podemos confundir o Mito Grego com o aspecto religioso, pois este não passa de um ingrediente no saber mítico da Grécia antiga.

→ O Mito Grego é transmitido pelo poeta-rapsodo (Quem narra as estórias é o poeta rapsodo – “aedo” – cantores ambulantes escolhidos pelos deuses. Rapsodo (en grego clássico ραψῳδός / rhapsôidós) é o nome dado ao artista, poeta que na época da Grécia Mítica era reverenciado por sua função sobrenatural). Seria uma função equivalente ao papel do "Profeta" no Mito judaico. Essas estórias eram depois transmitidas pela tradição oral de geração à geração. Por isso mesmo, uma mesma estória pode encontrar variantes em versões diversas. A forma de armazenamento delas é a memória humana. Nas obras "Ilíada e Odisseia" de Homero ( poemas em 24 cantos, são os primeiros grandes textos épicos ocidentais) e Teogonia (Também conhecida por Genealogia dos Deuses, é um poema mitológico de Hesíodo (séc. VIII a.C.). Trata da gênese dos deuses), estão reunidas partes destas estórias.

→ O mais importante aqui para nós é ressaltar que essas estórias, ou seja, o saber mítico como um todo, representava para os gregos, não só o símbolo da unidade cultural que levava o povo Grego a se reconhecer como nação, mas igualmente a expressão da sua religião. Também da visão de Cosmo que eles cultivavam. O saber mítico regulava a vida de todo o povo e era utilizado pelos mais Ricos, que sabiam muito bem fazer uso deste conhecimento vigente para proveito próprio e, assim, alimentavam o "estado alienatório" daqueles da base da pirâmide. As estórias serviam para regular a vida em sociedade, mas também no âmbito da vida individual. As suas personagens eram modelos de comportamento que se seguia ou se evitava.


→ Resumo do Mito da criação na versão Grega

→ No início só existia o Caos (inicia com o Caos: o vazio primitivo e escuro que precede toda a existência. Abismo (kháos), “um vazio escuro onde não se distingue nada”. Caos é uma força geradora do Cosmo e dele nascem os cinco deuses primordiais (Os deuses primordiais da mitologia grega, também chamados Protogonos (em grego Πρωτογονος, transl. Prôtogonos, ou Πρωτογενος, Prôtogenos, "nascido primeiro"): Caos parece ser um deus andrógeno, trazendo em si tanto o masculino como o feminino. Esta é uma característica comum a todos os deuses primogênitos de várias mitologias. Gerou: Nix- (A deusa grega Nix era a personificação da noite), Érebos – (Segundo a Teogonia, Érebo ou Erebus era a personificação da escuridão; precisamente o criador das Trevas),Gaia - (A deusa da Terra); Tártaro - (deus do infernos), Eros - (deus ordenador, deus do amor, deus da sexualidade masculina). Só para citar alguns. Minha intenção aqui não é tratar de forma exaustiva as gerações divinas. Só mesmo em caráter ilustrativo para uma compreensão geral da estruturação do Mito Grego.

→ Dentre as divindades primordiais, Gaia gerou sozinha e sem relações sexuais com um deus masculino, a Urano (deus céu), com ele se casando (foi a primeira hierogamia - casamento entre divindades / entre mãe e filho). Urano temia perder o amor de Gaia e também o seu trono de senhor do Cosmos, para um de seus filhos. Por isso obrigava Gaia a devolver para seu ventre todos os filhos gerados e lá mantê-los prisioneiros. Gaia odiava Urano por esse motivo e então, planejou uma vingança com seu filho Cronos - deus do tempo. Urano foi derrotado após ser castrado e Cronos passou a sucedê-lo no trono.

→ Antes de ser derrotado, Urano fez uma profecia na qual dizia que Cronos também perderia seu trono para um de seus filhos. Temendo que a profecia se realizasse Cronos obrigava sua esposa Réia (filha de Urano e Gaia, seu nome significa terra ou fluxo)a lhe entregar os filhos gerados que por ele eram devorados aprisionados em seu estômago. Quando Zeus nasceu, Réia planejou uma vingança com a ajuda de Gaia. Zeus cresceu em lugar seguro longe dos olhos de Cronos ( Zeus (em grego: Ζεύς, transl. Zeús), na mitologia grega, é o rei dos deuses, soberano do Monte Olimpo e deus do céu e do trovão. Venceu seu pai, libertou seus irmãos e tornou-se Senhor do Cosmos até os dias de hoje).


→ O Mito da Criação do homem na versão grega de Hesíodo foi uma forma que o poeta encontrou para driblar as imposições daqueles que dominavam o ápice da pirâmide social em seu tempo. Hesíodo, um plebeu, conta como o homem foi criado e como obteve a graça de ser dotado da Faculdade Anímica da Razão. Ela, simbolizada no fogo, ficava guardada a sete chaves no Palácio de Zeus e só podia ser usada pelos deuses (lê-se pelos ricos).A estória de Prometeu reúne os detalhes desta façanha. Punido, Prometeu foi transformado em deus-imortal e condenado a ser devorado por uma águia no topo de uma montanha. Ao homem, como castigo, Zeus encomendou a Hefesto (deus das oficinas) que fizesse uma mulher. Pandora será a responsável por fazer o homem conhecer todos os tipos de males: fome, dor, miséria, ódio, etc.

→ Na semana que comemoramos o 08 de março, dia reservado mundialmente para uma reflexão sobre a mulher na sociedade, o mito da criação do homem no Mito Grego, serve também para uma reflexão de como o Mito exerce poder e transcende as fronteiras do tempo até aos dias de hoje. Numa rápida analogia com o Mito Judaico, encontramos as duas raízes deste machismo incrustado em nossa cultura Ocidental. A mulher como ser de segunda categoria, criada em segundo plano e responsabilizada pela inserção do mal na humanidade. Em sala, fizemos uma ampliação desta analogia utilizando-se de outro referencial, do Mito Guarani da criação do homem e da mulher, para uma reflexão de como é longo o percurso para superarmos as diferenças dicotômicas de gêneros em nossa sociedade atual. A mulher tem um poder monstruoso em suas mãos para mudar os rumos desta triste história. O poder de educar com amor seus filhos e filhas para o respeito mútuo, para a divisão das tarefas domésticas, para a inserção equitativa da mulher no mundo do trabalho, no mundo da política, etc. Lembre-se que deste conteúdo brotará uma parte de nossa próxima avaliação.

Com ternura, abraços e até o próximo resumo, prof. Lucio Lopes.

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