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domingo, 30 de maio de 2010

Leitura de texto filosófico: MITO E RELIGIÃO e o homem da era científica



(...) O verdadeiro substrato do mito não é de pensamento, mas de sentimento. O mito e a religião primitiva não são, de maneira alguma, totalmente incoerentes, nem destituídos de senso ou de razão; mas sua coerência depende muito mais da unidade de sentimento que de regras lógicasEsta unidade é um dos impulsos mais vigorosos e profundos do pensamento primitivo. 

Se o pensamento científico desejar descrever e explicar a realidade será obrigado a empregar seu método geral, que é o de classificação e sistematização. A vida é dividida em províncias separadas, que se distinguem nitidamente uma da outra. As fronteiras entre os reinos das plantas, dos animais, do homem — as diferenças entre as espécies, famílias e gêneros — são fundamentais e indeléveis. 

Mas a mente primitiva ignora e rejeita todas elas. Sua visão da vida é sintética e não analítica; não se acha dividida em classes e subclasses, é percebida como um todo ininterrupto e contínuo, que não admite distinções bem definidas e incisivas. Os limites entre as diferentes esferas não são barreiras intransponíveis, mas fluentes e flutuantes. Não existe diferença específica entre os vários reinos da vida. Nada possui forma definida, invariável, estática: por súbita metamorfose qualquer coisa pode transformar-se em qualquer coisa. 

Se existe algum traço característico e notável do mundo mítico, alguma lei que o governe — é a da metamorfose. Mesmo assim, dificilmente poderemos explicar a instabilidade do mundo mítico pela incapacidade do homem primitivo de apreender as diferenças empíricas das coisas. 

Neste sentido, o selvagem, muito frequentemente, demonstra sua superioridade em relação ao homem civilizado, por ser suscetível a inúmeros traços distintivos, que escapam à nossa atenção

Os desenhos e pinturas de animais, que encontramos nos estágios mais baixos da cultura humana, na arte paleolítica, foram amiúde admirados pelo seu caráter naturalista. Revelam assombroso conhecimento de toda sorte de formas animais. A existência inteira do homem primitivo depende, em grande parte, de seus dotes de observação e discriminação; se for caçador, deverá estar familiarizado com os menores detalhes da vida animal e ser capaz de distinguir os rastros de vários animais. Tudo isto está pouco de acordo com a presunção de que a mente primitiva, por sua própria natureza e essência, é indiferenciada ou confusa, pré-lógica ou mística

O que caracteriza a mentalidade primitiva não é sua lógica, mas seu sentimento geral da vida

O homem primitivo não vê a natureza com os olhos do naturalista que deseja classificar coisas com a finalidade de satisfazer uma curiosidade intelectual, nem dela se acerca com um interesse puramente pragmático ou técnico. Não a considera mero objeto de conhecimento nem o campo de suas necessidades práticas imediatas. 

Temos o hábito de dividir nossa vida nas duas esferas da atividade prática e da teórica. Nesta divisão, somos propensos a esquecer que existe um estrato inferior debaixo de ambas. 

O homem primitivo não é vítima deste tipo de esquecimento; seus pensamentos e sentimentos estão ainda encerrados nesse estrato original inferior. Sua visão da natureza não é meramente teórica nem meramente prática; é simpática. 

Se deixarmos escapar este ponto não poderemos abordar o mundo mítico. O traço mais fundamental do mito não é uma direção especial de pensamento nem uma direção especial da imaginação humana; é fruto da emoção e seu cenário emocional imprime, em todas as suas produções, sua própria cor específica. O homem primitivo não carece, de maneira nenhuma, da capacidade de apreender as diferenças empíricas das coisas. Mas, em sua concepção da natureza e da vida, todas as diferenças são apagadas por um sentimento mais forte: a profunda convicção de uma fundamental e indelével solidariedade da vida, que transpõe a multiplicidade e a variedade de suas formas isoladas. Não atribui a si mesmo um lugar único e privilegiado na escala da natureza. (...) CASSIRER, Ernst, Antropologia filosófica. São Paulo, Mestre Jou, s.d. p. 134-136. 

Referência Bibliográfica - extraído da obra ARANHA Maria Lúcia de Arruda, MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2.ed. São Paulo: Moderna, s.d. p. 55-61

Filoparanavaí 

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A EPIDEMIA DA AIDS ATRAVÉS DO TEMPO


Os primeiros casos foram detectados na África e nos Estados Unidos e a epidemia passou a adquirir importância no decurso do decênio de 1980. Não obstante, constitui ainda mistério a questão de sua origem. Admitindo-se como correta a hipótese de que o vírus precursor tenha passado de primatas para o homem, permanece sem explicação plausível o mecanismo pelo qual isso teria ocorrido. E mais ainda, porque após milhares de anos de coexistência de homens e primatas no Continente Africano, somente agora se deu a emergência da infecção humana pelo vírus aidético. (LEIA MAIS EM 'O enigma do aparecimento da Aids' por MIRKO GRMEK - - http://www.scielo.br/pdf/ea/v9n24/v9n24a11.pdf)


FANTÁSTICO 30 ANOS - A Descoberta da AIDS


Estatísticas
Resumo das estatísticas sobre HIV e AIDS, disponíveis nos relatórios do UNAIDS bem como nos informativos mais recentes do Ministério da Saúde (para dados nacionais). Este conteúdo é atualizado de seis em seis meses. Para os dados completos mais recentes disponíveis, visite a página de publicações do UNAIDS Brasil (https://unaids.org.br/) e consulte também a página aids.gov.br para os dados oficiais do Ministério da Saúde.

ESTATÍSTICAS GLOBAIS SOBRE HIV 2019

*24,5 milhões [21,6 milhões—25,5 milhões] de pessoas com acesso à terapia antirretroviral (*até o final de junho de 2019).

37,9 milhões [32,7 milhões—44,0 milhões] de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV (até o fim de 2018).

1,7 milhão [1,4 milhão—2,3 milhões] de novas infecções por HIV (até o fim de 2018).

770 000 [570 000—1,1 milhão] de pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS (até o fim de 2018).

74,9 milhões [58,3 milhões—98,1 milhões] de pessoas foram infectadas pelo HIV desde o início da epidemia (até o fim de 2018).

32 milhões [23,6 milhões—43,8 milhões] de pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS desde o início da epidemia (até o fim de 2018).

Pessoas vivendo com HIV

Em 2018, havia 37,9 milhões [32,7 milhões—44,0 milhões] de pessoas vivendo com HIV.

36,2 milhões [31,3 milhões– 42,0 milhões] de adultos.

1,7 milhão [1,3 milhão–2,2 milhões] de crianças (menos de 15 anos).

79% [67–92%] de todas as pessoas vivendo com HIV conheciam seu estado sorológico positivo para HIV.

Cerca de 8,1 milhões de pessoas não sabiam que estavam vivendo com HIV.

Pessoas vivendo com HIV com acesso à terapia antirretroviral

Até o fim de junho de 2019, 24,5 milhões [21,6 milhões—25,5 milhões] de pessoas vivendo com HIV tinham acesso à terapia antirretroviral.

Em 2018, 23,3 milhões [20,5 milhões—24,3 milhões] de pessoas vivendo com HIV tinham acesso à terapia antirretroviral, mais do que 7,7 milhões [6,8 milhões–8,0 milhões] em 2010.

Em 2018, 62% [47–74%] de todas as pessoas vivendo com HIV tiveram acesso ao tratamento.

62% [47–75%] dos adultos com 15 ou mais anos vivendo com HIV tinham acesso ao tratamento, assim como 54% [37–73%] das crianças de 0 a 14 anos.

68% [52-82%] das mulheres com 15 ou mais anos tinham acesso ao tratamento. Entretanto, apenas 55% [41-68%] dos homens com 15 ou mais anos tinham acesso.

82% [62–>95%] das mulheres grávidas vivendo com HIV tinham acesso a medicamentos antirretrovirais para prevenir a transmissão do HIV para seus bebês em 2018.

LEIA MAIS ESTATÍSTICAS EM



Dados da ONU: Na contramão do mundo, Brasil tem aumento de 21% de novos casos de aids em 8 anos

O Brasil vai na direção oposta da média mundial e registra, entre 2010 e 2018, um aumento no número de novas infecções por HIV. Os dados são do Unaids, a agência da ONU especializada na epidemia.

De acordo com os novos dados, o Brasil apresentou um aumento de 21% no número de novos casos em oito anos. O aumento ainda fez com que a América Latina registrasse, em média, um incremento de 7% nos novos casos de aids na região entre 2010 e 2018.

Os dados se contrastam com uma queda acentuada de novos casos em El Salvador (-48%), Nicarágua (-29%), Colômbia (-22%) ou Equador (-12%). Apenas Chile e Bolívia tiveram resultados mais preocupantes que o Brasil na região e, ainda assim, por uma margem mínima.

Sem o Brasil, a América Latina teria registrado uma queda de 5% no número de novos casos entre 2010 e 2018.

Em números absolutos, o Brasil registrou 44 mil novos casos em 2010. Em 2018, esse número foi de 53 mil. Por conta de seu tamanho, o País acabou influenciando a média latino-americana, que viu uma alta de 7% neste período. Em 2018, foram 100 mil novos casos na região, com 35 mil mortes.

O Brasil também foi na direção contrária do restante do mundo. Na média, a doença registrou uma queda de 16% no número de novos casos em oito anos. Em 2018, 1,7 milhão de pessoas foram infectadas pelo vírus no mundo, contra 2,1 milhões em 2010. Em seu auge, em 1997, 2,9 milhões de novos casos eram registrados por ano. Na África do Sul, o número de novos casos caiu em 40% desde 2010.

O Unaids ainda explica a forma de cálculo, indicando que as estimativas do País estão “baseadas em um modelo desenvolvido no Brasil até 2016 e amplia a tendência até 2018 com base em novos casos notificados, novos números de pessoas em tratamento e número de pessoas que tenham morrido”. O número se refere a casos diagnosticados de portadores do vírus.

César Nuñez, diretor-regional do Unaids para a América Latina e o Caribe, não deixa de elogiar os avanços registrados no Brasil nos últimos anos. “É importante reconhecer que o Brasil continua melhorando seus dados epidemiológicos e a forma como reporta essas informações estratégicas”, disse. “Isso certamente tem desempenhado um papel importante em nos ajudar a ter um quadro mais claro da epidemia de HIV no país”, disse.

Mas ele deixa claro que os desafios são reais. “A epidemia de HIV na América Latina está concentrada em populações-chave. Gays e outros grupos foram responsáveis por mais de 40% das novas infecções por HIV na região, o que também se reflete no contexto brasileiro”, explicou.

“O aumento de 21% dos novos casos no Brasil demonstra que, apesar de todos os avanços recentes no país na expansão do acesso ao tratamento como parte de sua estratégia de prevenção combinada, o Brasil precisará aumentar ainda mais essa já forte resposta para ser capaz de dobrar a curva de novas infecções”, alertou.

“Para alcançar um programa mais forte, acredito que o desafio do Brasil reside em adaptar uma resposta mais focada à epidemia com a introdução de abordagens inovadoras, mantendo uma plataforma sobre direitos humanos onde o estigma e a discriminação relacionados ao HIV são claramente abordados. Também será importante trabalhar ainda mais de perto com as comunidades mais afetadas pela epidemia”, indicou.

Hoje, no mundo, 54% dos novos casos ocorrem entre usuários de drogas, homossexuais, transgêneros, trabalhadores do sexo e prisioneiros. Essa é a primeira vez que mais da metade dos casos está registrado nessas “populações-chave”. Mas menos de 50% deles receberam algum tipo de serviços, incluindo prevenção. Na América Latina, eles representam 65% dos novos casos.

“A epidemia de HIV no Brasil está concentrada em populações-chave, de modo que todas essas questões também precisam ser levadas em conta ao analisar esse aumento constante de casos novos desde 2004”, aponta a entidade.

“O relatório mostra que foram obtidos ganhos contra o estigma e a discriminação relacionados com o HIV, mas as atitudes discriminatórias em relação às pessoas que vivem com HIV e as leis penais contra as populações-chave empurram as pessoas para as margens da sociedade. As atitudes discriminatórias em relação às pessoas que vivem com HIV e às populações-chave continuam a ser comuns em demasiados países. A discriminação nesses países é muitas vezes reforçada pelo assédio e pela violência”, explica.

Crise de Prevenção

A entidade também indica ainda que “o mundo também está a atravessar uma crise de prevenção”. Para responder a isso, o Unaids e o UNFPA lançaram em outubro de 2017 a Coalizão Global de Prevenção e o Brasil está entre os 25 países que fazem parte da iniciativa.

“Mais recentemente, de 10 a 14 de junho, o Programa Nacional Brasileiro fez uma revisão técnica abrangente de sua resposta à prevenção do HIV, organizando uma reunião de três dias com especialistas de universidades, sociedade civil, Unaids, OPAS e outras entidades da ONU”, explicou o Unaids. “As recomendações dessa revisão foram apresentadas à Secretaria de Vigilância em Saúde e incluem a necessidade de melhorar ainda mais a localização e a abordagem populacional, expandir a abordagem de prevenção combinada, expandir os serviços de testes e tratamento para alcançar os mais atrasados, melhorar o monitoramento do programa de prevenção e fortalecer o engajamento e aumentar o financiamento para a sociedade civil”, indicou.

“Finalmente, em relação à resposta ao tratamento na região, o Brasil tem um dos maiores níveis de supressão viral entre as pessoas vivendo com HIV em 2018, com 62%”, destacou.

No mundo, 37,9 milhões de pessoas vivem com a doença. Desde seu início, nos anos 80, 74,9 milhões de pessoas foram infectadas e 32 milhões delas morreram. Entre 2004, ano de maior número de mortes, e 2018, a queda foi de 55%. O total passou de 1,7 milhão para 770 mil.

Hoje, 79% das pessoas que vivem com o vírus sabem que foram contaminados. Novas infecções entre mulheres jovens entre 15 e 24 anos caíram em 25% desde 2010. Mas o Unaids considera que é inaceitável que 6,2 mil adolescentes e jovens mulheres sejam infectadas pela doença a cada semana. Só com programas de saúde sexual e reprodutiva é que, segundo a entidade, tal situação pode ser reduzida.

Entre 2010 e 2018, o número de pacientes com acesso ao tratamento passou de 7,7 milhões para 23,3 milhões, o que representa 62% de todas as pessoas infectadasdas.

Progresso Lento

Mas a entidade estima que o progresso tem sido lento e, em algumas regiões, o que se vê é o aumento de casos. Além do Brasil, a Ásia registrou uma alta de 29%, contra 10% no Oriente Médio.

Outra preocupação é o financiamento para prevenção e tratamento. Pela primeira vez, as agências internacionais voltaram a ver uma redução de recursos. Em 2018, a queda foi de quase US$ 1 bilhão. Em 2019, um total de US$ 19 bilhões foram gastos na resposta à Aids, deixando um buraco de US$ 7,2 bilhões no orçamento considerado como ideal para lidar com a doença.

A meta mundial de ter menos de 40 mil crianças afetadas em 2018 pela Aids não foi atingida. No ano passado, 160 mil novos casos da doença foram registrados entre menores. A meta também era de 1,6 milhão de crianças tivessem acesso ao tratamento. Mas o total chega a apenas 940 mil. 8,1 milhão de pessoas tampouco sabiam que estavam contaminadas.

“Precisamos de forma urgente uma liderança política para acabar coma aids”, disse Gunilla Carlsson, diretora-executiva do Unaids. Para ela, acabar com a epidemia vai ser possível se o foco for colocado nas pessoas, e não no vírus.
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A EPIDEMIA DA AIDS ATRAVÉS DO TEMPO







sábado, 9 de janeiro de 2010

Introdução à Filosofia das Ciências


Do medo à Ciência  - A evolução humana corresponde ao desenvolvimento de sua inteligência. Sendo assim podemos definir três níveis de desenvolvimento da inteligência dos seres humanos desde o surgimento dos primeiros hominídeos: o medo, o misticismo e a ciência. 

O medo: Os seres humanos pré-históricos não conseguiam entender os fenômenos da natureza. Por este motivo, suas reações eram sempre de medo: tinham medo das tempestades e do desconhecido. Como não conseguiam compreender o que se passava diante deles, não lhes restava outra alternativa senão o medo e o espanto daquilo que presenciavam.  

O misticismo: Num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do medo para a tentativa de explicação dos fenômenos através do pensamento mágico, das crenças e das superstições. Era, sem dúvida, uma evolução já que tentavam explicar o que viam. Assim, as tempestades podiam ser fruto de uma ira divina, a boa colheita da benevolência dos mitos, as desgraças ou as fortunas do casamento do humano com o mágico.  

A ciência: Como as explicações mágicas não bastavam para compreender os fenômenos os seres humanos finalmente evoluíram para a busca de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma, nasceu a ciência metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica. Tanto a Filosofia quanto a Ciência são conhecimentos resultantes da atividade racional. Logo a Filosofia e a Ciência também tem em comum o fato de que são conhecimentos demonstráveis. O primeiro através de regras lógicas e o segundo além de regras lógicas também por via de resultados de observações, de experiências concretas. A Ciência utiliza-se mais do método indutivo: Método colocado em direção ao provável que torna possível a descoberta, a proposta de novos modos de compreender o mundo. ("Método" quer dizer caminho, "logia" quer dizer estudo e "ciência" que dizer saber). 

A Filosofia utiliza-se do método dedutivo. Dedução - Um raciocínio dedutivo é aquele cujo conseqüente é inferido em função da conexão existente entre os conceitos que o compõe; movendo-se sempre no sentido do GERAL para o PARTICULAR.  Indução - É aquele que parte do PARTICULAR para o GERAL. É o tipo de raciocínio de que se utiliza mais a ciência. Apresenta-se sempre como uma generalização a partir de dados ou fatos da experiência (em número suficiente). Está, sobretudo, fundada na relação de causa e efeito. 

A diferença entre o conhecimento filosófico e o científico está no momento chamado de REPRESENTAÇÃO do real. A representação é uma forma (um sistema) onde a inteligência questiona o real (BUZZI, Arcângelo. Introdução ao pensar. Petrópolis Vozes, 1973). 
Ao se falar de conhecimento científico, deve-se pensar os tipos de conhecimento existentes: a) Conhecimento Senso Comum (vulgar, popular...) b) Conhecimento Científico (racionalidade e objetividade). Para Pensar: A ciência é uma apresentação da realidade, mas uma apresentação típica diferente do mito e do conhecimento popular. O conhecimento popular, às vezes, denominado SENSO COMUM, não se distingue do conhecimento CIENTÍFICO nem pela veracidade nem pela natureza do objeto conhecido; O que os diferencia é a FORMA, MODO ou o MÉTODO e os instrumentos do conhecer. Exemplo: Senso Comum: A planta necessita de água para crescer.  Científico: Reações fisiológicas entre a planta e água. 

Mesmo assim, a ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade. Lembre-se que não há uma, mas algumas formas de saberes que são distintos entre si, porém todas elas são importantes e devem ser conhecidas por quem deseja produzir juízos de fatos e valores cada vez mais bem elaborado (ex. Conhecimentos: Artístico, Religioso, Mito, Ciência, Filosofia e Senso Comum). 
Para Mário  BUNGE (Filosofia da Física, Edições 70, 1976), existe uma descontinuidade radical existente entre a CIÊNCIA e o CONHECIMENTO popular, em vários aspectos, mas principalmente ao MÉTODO. A ciência é sobretudo RACIONAL E OBJETIVA (Real, Sistemático, Contingente, Quase Exato, Falível). O Conhecimento Popular pode ser caracterizado como Emocional, Reflexivo, Inexato, Verificável, Assistemático. 
CONCEITO DE CIÊNCIA. Entende-se por ciência uma sistematização de conhecimento, um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos de se deseja estudar:“A ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático  conhecimento com objetivo limitado, capaz de ser submetido à verificação”  (LAKATOS, E.M; MARCONI, M de A. Fundamentos em metodologia científica. São Paulo: Ed. Atlas. 1985).  
A atitude científica 
O senso comum O Sol é menor do que a Terra. Quem duvidará disso se, diariamente, vemos um pequeno círculo avermelhado percorrer o céu, indo de leste para oeste? 

O Sol se move em torno da Terra, que permanece imóvel. Quem duvidará disso, se diariamente vemos o Sol nascer, percorrer o céu e se pôr? A aurora não é o seu começo e o crepúsculo, seu fim? 

As cores existem em si mesmas. Quem duvidará disso, se passamos a vida vendo rosas vermelhas, amarelas e brancas, o azul do céu, o verde das árvores, o alaranjado da laranja e da tangerina?

Cada gênero e espécie de animal já surgiram tais como os conhecemos. Alguém poderia imaginar um peixe tornar-se réptil ou um pássaro? Para os que são religiosos, os livros sagrados não ensinam que a divindade criou de uma só vez todos os animais, num só dia? 
A família é uma realidade natural criada pela Natureza para garantir a sobrevivência humana e para atender à afetividade natural dos humanos, que sentem a necessidade de viver juntos. Quem duvidará disso, se vemos, no mundo inteiro, no passado e no presente, a família existindo naturalmente e sendo a célula primeira da sociedade? 

A raça é uma realidade natural ou biológica produzida pela diferença dos climas, da alimentação, da geografia e da reprodução sexual. Quem duvidará disso, se vemos que os africanos são negros, os asiáticos são amarelos de olhos puxados, os índios são vermelhos e os europeus, brancos? Se formos religiosos, saberemos que os negros descendem de Caim, marcado por Deus, e de Cam, o filho desobediente de Noé. 
Certezas como essas formam nossa vida e o senso comum de nossa sociedade, transmitido de geração em geração, e, muitas vezes, transformando-se em crença religiosa, em doutrina inquestionável. 

A astronomia, porém, demonstra que o Sol é muitas vezes maior do que a Terra e, desde Copérnico, que é a Terra que se move em torno dele. A física óptica demonstra que as cores são ondas luminosas de comprimentos diferentes, obtidas pela refração e reflexão, ou decomposição, da luz branca. A biologia demonstra que os gêneros e as espécies de animais se formaram lentamente, no curso de milhões de anos, a partir de modificações de microorganismos extremamente simples. 

Historiadores e antropólogos mostram que o que entendemos por família (pai, mãe, filhos; esposa, marido, irmãos) é uma instituição social recentíssima – data do século XV – e própria da Europa ocidental, não existindo na Antiguidade, nem nas sociedades africanas, asiáticas e americanas pré-colombianas. Mostram também que não é um fato natural, mas uma criação sociocultural, exigida por condições históricas determinadas. 

Sociólogos e antropólogos mostram que a ideia de raça também é recente – data do século XVIII -, sendo usada por pensadores que procuravam uma explicação para as diferenças físicas e culturais entre os europeus e os povos conhecidos a partir do século XIV, com as viagens de Marco Pólo, e do século XV, com as grandes navegações e as descobertas de continentes ultramarinos. 

Ao que parece, há uma grande diferença entre nossas certezas cotidianas e o conhecimento científico. Como e por que ela existe? 

Características do senso comum 
Um breve exame de nossos saberes cotidianos e do senso comum de nossa sociedade revela que possuem algumas características que lhes são próprias: 

► são subjetivos, isto é, exprimem sentimentos e opiniões individuais e de grupos, variando de uma pessoa para outra, ou de um grupo para outro, dependendo das condições em que vivemos. Assim, por exemplo, se eu for artista, verei a beleza da árvore; se eu for marceneira, a qualidade da madeira; se estiver passeando sob o Sol, a sombra para descansar; se for boia-fria, os frutos que devo colher para ganhar o meu dia. Se eu for hindu, uma vaca será sagrada para mim; se for dona de um frigorífico, estarei interessada na qualidade e na quantidade de carne que poderei vender; 

► são qualitativos, isto é, as coisas são julgadas por nós como grandes ou pequenas, doces ou azedas, pesadas ou leves, novas ou velhas, belas ou feias, quentes ou frias, úteis ou inúteis, desejáveis ou indesejáveis, coloridas ou sem cor, com sabor, odor, próximas ou distantes, etc.; 

► são heterogêneos, isto é, referem-se a fatos que julgamos diferentes, porque os percebemos como diversos entre si. Por exemplo, um corpo que cai e uma pena que flutua no ar são acontecimentos diferentes; sonhar com água é diferente de sonhar com uma escada, etc.; 

► são individualizadores por serem qualitativos e heterogêneos, isto é, cada coisa ou cada fato nos aparece como um indivíduo ou como um ser autônomo: a seda é macia, a pedra é rugosa, o algodão é áspero, o mel é doce, o fogo é quente, o mármore é frio, a madeira é dura, etc.; 

► mas também são generalizadores, pois tendem a reunir numa só opinião ou numa só ideia coisas e fatos julgados semelhantes: falamos dos animais, das plantas, dos seres humanos, dos astros, dos gatos, das mulheres, das crianças, das esculturas, das pinturas, das bebidas, dos remédios, etc.; 

► em decorrência das generalizações, tendem a estabelecer relações de causa e efeito entre as coisas ou entre os fatos: “onde há fumaça, há fogo”; “quem tudo quer, tudo perde”; “dize-me com quem andas e te direi quem és”; a posição dos astros determina o destino das pessoas; mulher menstruada não deve tomar banho frio; ingerir sal quando se tem tontura é bom para a pressão; mulher assanhada quem ser estuprada; menino de rua é delinquente, etc.; 

► não se surpreendem e nem se admiram com a regularidade, constância, repetição e diferença das coisas, mas, ao contrário, a admiração e o espanto se dirigem para o que é imaginado como único, extraordinário, maravilhoso ou miraculoso. Justamente por isso, em nossa sociedade, a propaganda e a moda estão sempre inventando o “extraordinário”, o “nunca visto”; 

► pelo mesmo motivo e não por compreenderem o que seja investigação científica, tendem a identificá-la com a magia, considerando que ambas lidam com o misterioso, o oculto, o incompreensível. Essa imagem da ciência como magia aparece, por exemplo, no cinema, quando os filmes mostram os laboratórios científicos repletos de objetos incompreensíveis, com luzes que acendem e apagam, tubos de onde saem fumaças coloridas, exatamente como são mostradas as cavernas ocultas dos magos. Essa mesma identificação entre ciência e magia aparece num programa da televisão brasileira, o Fantástico, que, como o nome indica, mostra aos telespectadores resultados científicos como se fossem espantosa obra de magia, assim como exibem magos ocultistas como se fossem cientistas; 

► costumam projetar nas coisas ou no mundo sentimentos de angústia e de medo diante do desconhecido. Assim, durante a Idade Média, as pessoas viam o demônio em toda a parte e, hoje, enxergam discos voadores no espaço; 

► por serem subjetivos, generalizadores, expressões de sentimentos de medo e angústia, e de incompreensão quanto ao trabalho científico, nossas certezas cotidianas e o senso comum de nossa sociedade ou de nosso grupo social cristalizam-se em preconceitos com os quais passamos a interpretar toda a realidade que nos cerca e todos os acontecimentos. 

A atitude científica 
O que distingue a atitude científica da atitude costumeira ou do senso comum? Antes de qualquer coisa, a ciência desconfia da veracidade de nossas certezas, de nossa adesão imediata às coisas, da ausência de crítica e da falta de curiosidade. Por isso, ali onde vemos coisas, fatos e acontecimentos, a atitude científica vê problemas e obstáculos, aparências que precisam ser explicadas e, em certos casos, afastadas. 

Sob quase todos os aspectos, podemos dizer que o conhecimento científico opõe se ponto por ponto às características do senso comum: 

► é objetivo, isto é, procura as estruturas universais e necessárias das coisas investigadas; 

► é quantitativo, isto é, busca medidas, padrões, critérios de comparação e avaliação para coisas que parecem ser diferentes. Assim, por exemplo, as diferenças de cor são explicadas por diferenças de um mesmo padrão ou critério de medida, o comprimento das ondas luminosas; as diferenças de intensidade dos sons, pelo comprimento das ondas sonoras; as diferenças de tamanho, pelas diferenças de perspectiva e de ângulos de visão, etc.; 

► é homogêneo, isto é, busca as leis gerais de funcionamento dos fenômenos, que são as mesmas para fatos que nos parecem diferentes. Por exemplo, a lei universal da gravitação demonstra que a queda de uma pedra e a flutuação de uma pluma obedecem à mesma lei de atração e repulsão no interior do campo gravitacional; a estrela da manhã e a estrela da tarde são o mesmo planeta, Vênus, visto em posições diferentes com relação ao Sol, em decorrência do movimento da Terra; sonhar com água e com uma escada é ter o mesmo tipo de sonho, qual seja, a realização dos desejos sexuais reprimidos, etc.; 

► é generalizador, pois reúne individualidades, percebidas como diferentes, sob as mesmas leis, os mesmos padrões ou critérios de medida, mostrando que possuem a mesma estrutura. Assim, por exemplo, a química mostra que a enorme variedade de corpos se reduz a um número limitado de corpos simples que se combinam de maneiras variadas, de modo que o número de elementos é infinitamente menor do que a variedade empírica dos compostos; 

► são diferenciadores, pois não reúnem nem generalizam por semelhanças aparentes, mas distinguem os que parecem iguais, desde que obedeçam a estruturas diferentes. Lembremos aqui um exemplo que usamos no capítulo sobre a linguagem, quando mostramos que a palavra queijo parece ser a mesma coisa que a palavra inglesa cheese e a palavra francesa fromage, quando, na realidade, são muito diferentes, porque se referem a estruturas alimentares diferentes; 

► só estabelecem relações causais depois de investigar a natureza ou estrutura do fato estudado e suas relações com outros semelhantes ou diferentes. Assim, por exemplo, um corpo não cai porque é pesado, mas o peso de um corpo depende do campo gravitacional onde se encontra – é por isso que, nas naves espaciais, onde a gravidade é igual a zero, todos os corpos flutuam, independentemente do peso ou do tamanho; um corpo tem uma certa cor não porque é colorido, mas porque, dependendo de sua composição química e física, reflete a luz de uma determinada maneira, etc.; 

► surpreende-se com a regularidade, a constância, a freqüência, a repetição e a diferença das coisas e procura mostrar que o maravilhoso, o extraordinário ou o “milagroso” é um caso particular do que é regular, normal, freqüente. Um eclipse, um terremoto, um furacão, embora excepcionais, obedecem às leis da física. Procura, assim, apresentar explicações racionais, claras, simples e verdadeiras para os fatos, opondo-se ao espetacular, ao mágico e ao fantástico; 

► distingue-se da magia. A magia admite uma participação ou simpatia secreta entre coisas diferentes, que agem umas sobre as outras por meio de qualidades ocultas e considera o psiquismo humano uma força capaz de ligar-se a psiquismos superiores (planetários, astrais, angélicos, demoníacos) para provocar efeitos inesperados nas coisas e nas pessoas. A atitude científica, ao contrário, opera um desencantamento ou desenfeitiçamento do mundo, mostrando que nele não agem forças secretas, mas causas e relações racionais que podem ser conhecidas e que tais conhecimentos podem ser transmitidos a todos; 

► afirma que, pelo conhecimento, o homem pode libertar-se do medo e das superstições, deixando de projetá-los no mundo e nos outros; 

► procura renovar-se e modificar-se continuamente, evitando a transformação das teorias em doutrinas, e destas em preconceitos sociais. O fato científico resulta de um trabalho paciente e lento de investigação e de pesquisa racional, aberto a mudanças, não sendo nem um mistério incompreensível nem uma doutrina geral sobre o mundo. 

Os fatos ou objetos científicos não são dados empíricos espontâneos de nossa experiência cotidiana, mas são construídos pelo trabalho da investigação científica. Esta é um conjunto de atividades intelectuais, experimentais e técnicas, realizadas com base em métodos que permitem e garantem: 

► separar os elementos subjetivos e objetivos de um fenômeno; 

► construir o fenômeno como um objeto do conhecimento, controlável, verificável, interpretável e capaz de ser retificado e corrigido por novas elaborações; 

► demonstrar e provar os resultados obtidos durante a investigação, graças ao rigor das relações definidas entre os fatos estudados; a demonstração deve ser feita não só para verificar a validade dos resultados obtidos, mas também para prever racionalmente novo s fatos como efeitos dos já estudados; 

► relacionar com outros fatos um fato isolado, integrando-o numa explicação racional unificada, pois somente essa integração transforma o fenômeno em objeto científico, isto é, em fato explicado por uma teoria; 

► formular uma teoria geral sobre o conjunto dos fenômenos observados e dos fatos investigados, isto é, formular um conjunto sistemático de conceitos que expliquem e interpretem as causas e os efeitos, as relações de dependência, identidade e diferença entre todos os objetos que constituem o campo investigado. 

Delimitar ou definir os fatos a investigar, separando-os de outros semelhantes ou diferentes; estabelecer os procedimentos metodológicos para observação, experimentação e verificação dos fatos; construir instrumentos técnicos e condições de laboratório específicas para a pesquisa; elaborar um conjunto sistemático de conceitos que formem a teoria geral dos fenômenos estudados, que controlem e guiem o andamento da pesquisa, além de ampliá-la com novas investigações, e permitam a previsão de fatos novos a partir dos já conhecidos: esses são os pré-requisitos para a constituição de uma ciência e as exigências da própria ciência. 

A ciência distingue-se do senso comum porque este é uma opinião baseada em hábitos, preconceitos, tradições cristalizadas, enquanto a primeira baseia-se em pesquisas, investigações metódicas e sistemáticas e na exigência de que as teorias sejam internamente coerentes e digam a verdade sobre a realidade. A ciência é conhecimento que resulta de um trabalho racional. 

O que é uma teoria científica? É um sistema ordenado e coerente de proposições ou enunciados baseados em um pequeno número de princípios, cuja finalidade é descrever, explicar e prever do modo mais completo possível um conjunto de fenômenos, oferecendo suas leis necessárias. A teoria científica permite que uma multiplicidade empírica de fatos aparentemente muito diferentes sejam compreendidos como semelhantes e submetidos às mesmas leis; e, vice-versa, permite compreender por que fatos aparentemente semelhantes são diferentes e submetidos a leis diferentes.

Referência do texto 'Atitude Científica'
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 6 ed.  São Paulo: Ática, 1997. p. 247-251
BUNGE, Mário. Filosofia da Física. Edições 70, 1976.
BUZZI, Arcângelo.Introdução ao pensar. Petrópolis: Vozes, 1973.
LAKATOS, E.M; MARCONI, M de A. Fundamentos em metodologia científica. São Paulo: Ed. Atlas. 1985

Segue abaixo um exemplo de pesquisa e conclusões científicas reunidas em uma teoria:


Tutankhamon/malária
Tutankhamon morreu de malária
RFI-Português





Tutankhamon, um dos mais famosos faraós egípcios, morreu aos 19 anos, vítima de malária e de uma má formação óssea. É o que revela um estudo divulgado nos Estados Unidos. Até o momento, a morte precoce do faraó, que viveu há 3 mil anos, permanecia um mistério. Pesquisadores chegaram a especular sobre a possibilidade de uma doença genética. Para chegar à conclusão da causa da morte, os cientistas usaram testes de DNA e também compararam as análises dos restos mortais de Tutankhamon com os de outras múmias egípcias, 11 delas de membros da família real.

O cruzamento de dados genéticos das múmias reais também permitiu identificar como pai de Tutankhamon o faraó Akenaton, esposo da rainha Nefertite. O túmulo intacto de Tutankhamon foi descoberto em 1922 no Vale dos Reis pelo britânico Howard Carter. Desde então, tornou-se uma das maiores pérolas da arqueologia. Com a utilização da técnica do carbono 14, que estabelece com precisão a idade dos restos mortais de um cadáver, a ciência tem conseguido nas últimas décadas desvendar novos mistérios do período dos faraós.


Saiba Mais: Tutancâmon (também conhecido pela grafia Tutankhamon) foi um faraó do Antigo Egito que faleceu ainda na adolescência.

Era provavelmente filho e genro de Akhenaton (o faraó que instituiu o culto de Aton, o deus Sol) e filho de Kiya, uma esposa secundária de seu pai. Casou-se aos 10 anos com Ankhsenpaaton, sua meio-irmã que, mais tarde, trocaria o seu nome para Ankhsenamon, sendo assim, genro de Nefertiti, mãe de Ankhsenpaaton. Assumiu o trono quando tinha cerca de doze anos, restaurando os antigos cultos aos deuses e os privilégios do clero (principalmente o do deus Amon de Tebas). Morreu em 1324 a.C., aos dezenove anos, sem herdeiros - com apenas nove anos de trono - "o que levou especialistas a especularem sobre a hipótese de doenças hereditárias na família real da XVIII dinastia", na opinião de Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

Devido ao fato de ter falecido tão novo, o seu túmulo não foi tão suntuoso quanto o de outros faraós, mas mesmo assim é o que mais fascina a imaginação moderna pois foi uma das raras sepulturas reais encontradas quase intacta. Ao ser aberta, em 1922, ela ainda continha peças de ouro, tecidos, mobília, armas e textos sagrados que revelam muito sobre o Egito de 3400 anos atrás.