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domingo, 4 de abril de 2010

O pensamento de RENÉ DESCARTES, fácil de entender...



RENÉ DESCARTES




René Descartes, nascido em 1596 em La Haye (cidade dos Países-Baixos-),morrendo a 9 de fevereiro de 1650. Desde 1662 a Igreja Católica Romana, à qual ele parece ter-se submetido sempre e com humildade, colocará todas as suas obras no Index (Livros Proíbidos).DESCARTES>→ Fundador da filosofia moderna, dá importância á teoria do conhecimento ou gnosiologia.

→ Procura construir um sistema científico de bases ou princípios firmes e indubitáveis.

→ Filósofo tipicamente racionalista, inspirou-se no modelo matemático. 

→ Defendia que a ciência se devia basear em princípios metafísicos a partir dos quais todos os restantes conhecimentos seriam deduzidos com rigor e ordem. 


→ O objetivo fundamental do pensamento de Descartes é a reforma profunda do conhecimento humano, uma vez que, na sua época, havia falta de confiança na razão e dependência desta em relação à experiência. 


→ Descartes pretende aplicar o modelo matemático a domínios como a metafísica e a física. 


→ Atitude de Descartes em relação ao saber tradicional: O conjunto dos conhecimentos, que constituem o sistema do saber ou o edifício científico tradicional, está assente em bases frágeis. 


→ Esse edifício científico é constituído por conhecimentos que não estão devidamente ordenados. 


→ O saber tradicional padece de dois defeitos: a falta de organização ou sistematização e a falta de solidez das bases em que assenta. 


→ Descartes, considera que os fundamentos do sistema dito científico não são verdadeiros e que, embora haja conhecimentos verdadeiros nesse sistema, eles não estão colocados por ordem, não foram descobertos de uma forma ordenada ou racional. A fundamentação do saber e a sua ordenação são as duas exigências essenciais da crítica cartesiana ao saber do seu tempo. 


→ Para constituir a ciência em bases firmes é necessário partir de um princípio que cumprirá duas exigências, sem as quais será eu pseudo-princípio: Deve ser de tal modo evidente (claro e distinto) que o pensamento não possa dele duvidar. Dele dependerá o conhecimento do resto, de modo que nada pode ser conhecido sem ele, mas não reciprocamente. 


DÚVIDA COMO INSTRUMENTO DA PROCURA DA VERDADE


→ Descartes elaborou um conjunto de regras que o orientassem na procura da verdade, constituindo essas 4 regras o seu método. 


→ A 1ª regra é a regra da evidência, que nos diz para não aceitarmos como verdadeiro aquilo que não for absolutamente indubitável: é verdadeiro o que resiste a toda e qualquer dúvida. 


→ A dúvida é catártica ou purificadora, porque quer libertar a razão dos falsos princípios, quer evitar que se considerem princípios do saber conhecimentos que não merecem esse nome. 


→ Um edifício com um fundamento absolutamente verdadeiro tem de passar pela prova rigorosa da dúvida. A prova da dúvida é tão rigorosa que esta assume um aspecto hiperbólico, excessivo. 


→ O carácter hiperbólico da dúvida significa que vamos duvidar: o Considerando como absolutamente falso o que for minimamente duvidoso; o Considerando como sempre enganador aquilo que alguma vez nos enganar. 


OS NÍVEIS DE APLICAÇÃO DA DÚVIDA 


→ 1º Nível – Dúvida em relação aos sentidos. A dúvida vai aplicar-se em primeiro lugar às informações dos sentidos e como estes nos enganam algumas vezes, ao aplicar o princípio hiperbólico da dúvida concluímos que: se devemos considerar como sempre enganador aquilo que nos engana algumas vezes, então os sentidos não merecem qualquer confiança. Assim, Descartes, rejeita um dos fundamentos principais do saber tradicional: a crença em que o conhecimento começa com a experiência, com as informações dos sentidos. 


→ 2º Nível – Dúvida dos objetos. Descartes vai pôr em causa outro dos fundamentos essenciais do saber tradicional: a convicção ou crença imediata na existência das realidades física ou sensíveis. Descartes considera que se não existe uma maneira clara de diferenciar o sonho da realidade, então podemos desconfiar de que os acontecimentos e as coisas que julgamos reais não são mais do que figurantes de um sonho. 


→ 3º Nível – Dúvida do conhecimento matemático. O fato de Deus ser onipotente e de nos ter criado leva-nos a suspeitar de que Deus, ao criar o nosso entendimento, ao “depositar” nele as “verdades” matemáticas, pode tê-lo criado “virado do avesso” sem 
disso nos informar. Ou seja, o nosso entendimento pode estar radicalmente pervertido, tomando como verdadeiro o que é falso e vice-versa. 

RESULTADO DA APLICAÇÃO DA DÚVIDA: ACABA POR NOS CONDUZIR À PRIMEIRA E ABSOLUTA VERDADE, AO PRIMEIRO PRINCÍPIO DO SISTEMA DO SABER 

→ Como resultado da aplicação da dúvida, pôs-se em causa toda a dimensão dos objetos, quer sensíveis quer inteligíveis. Foi tudo posto em causa, ou seja, reina o cepticismo: tudo é falso, nada é verdadeiro, isto é, nada resiste à dúvida. Contudo, quando a dúvida atinge o seu ponto máximo, uma verdade indubitável vai impor-se. 

→ A dúvida é um ato do pensamento que só é possível se existir um sujeito que o realize. A condição de possibilidade do ato de duvidar é a existência do sujeito que pensa, ou seja, duvidar é um ato que tem de ser exercido por alguém. Logo, a existência do sujeito que duvida é uma verdade indubitável: “Penso, logo existo.”, ou seja, eu duvido de tudo, mas não posso duvidar da minha existência como sujeito que, neste momento, duvida de tudo. “Duvido, logo existo.” 

→ Esta verdade, “Eu penso, logo existo”, vai ser o critério ou o modelo de toda e qualquer verdade ou evidência posterior. 

→ O “cogito” é a primeira verdade. O sujeito sabe que existe como condição de possibilidade radical do ato de duvidar e isso é verdade porque vê muito clara e distintamente que é impossível falar do ato de duvidar sem supor como sua possibilidade a existência de um sujeito que duvida. 

→ O “cogito” vai funcionar como modelo de verdade: serão verdadeiros todos os conhecimentos que forem tão claros e distintos (evidentes) como este primeiro conhecimento. 

→ Este princípio indubitável é racional, porque no momento em que o descobrimos, nenhuma realidade sensível merece crédito, ou seja, trata-se da “raiz da árvore do saber”, não sendo um conhecimento sensível ou matemático, mas sim uma realidade metafísica: o sujeito puramente racional. 

→ A generalização e radicalização da dúvida foi motivada pelo desejo de pôr em evidência o caráter único e privilegiado do conhecimento que nenhuma dúvida pode abalar. 

PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS COMO SER PREFEITO (NÃO ENGANADOR)

→ Sei que sou imperfeito, porque duvido e só considero que duvidar é uma imperfeição, porque tenho a noção de perfeição. 

→ Só comparando as qualidades que eu possuo com o que penso ser a perfeição é que posso dizer que eu que duvido e não conheço tudo, sou imperfeito. A ideia de um ser perfeito corresponde à ideia de um ser que não duvida, que tudo sabe (onisciente). 

→ Como só o que é perfeito pode ser a causa da ideia de perfeito, Descartes conclui que Deus existe. 

TIPOS DE IDEIAS

→ A ideia de alma e de Deus são ideias inatas – estão na mente desde o nascimento e serão desenvolvidas pela razão sem o apoio da experiência. Só as ideias inatas são claras e distintas. 

→ As ideias adventícias (ideia de Sol ou maçã) são ideias que procedem da experiência. 

→ As ideias factícias são ideias forjadas pelo sujeito como é o caso da ideia de sereia ou unicórnio. 

FUNDAMENTAÇÃO METAFÍSICA DO SABER: DEUS COMO GARANTIA DAS VERDADES MATEMÁTICAS E DAS VERDADES RACIONAIS EM GERAL 

→ No terceiro nível de dúvida, Descartes apresenta a suspeita de que um Deus onipotente podia fazer tudo, inclusive enganar. Contudo, Descartes vai chegar à conclusão de que essa suspeita não faz sentido, pois se Deus é onipotente e perfeito e enganar é sinônimo de fraqueza, porque só a fraqueza e a imperfeição podem levar-nos a utilizar a arma da mentira, então Deus não nos engana, não perverte o nosso entendimento.

→ O papel da veracidade divina (não enganar e ser fonte de todo o saber) é duplo: É garantia da validade das evidências atuais, isto é, das que estão atualmente presentes na minha consciência. Com efeito, não há razão para duvidar das ideias que estão presentes, na minha consciência, como claras e distintas, uma vez provado que Deus não engana e não perverte o meu entendimento. Provado que Deus não é enganador, uma determinada evidência.



→ Percepções Impressões (atos originários do nosso conhecimento, correspondendo aos dados da experiência presente ou atual. Imagens ou sentimentos que derivam imediatamente da realidade. São percepções vivas e fortes.). Ideias (são representações ou imagens debilitadas, enfraquecidas, das impressões no pensamento. Marcas deixadas pelas impressões no pensamento, uma vez desaparecidas.) Simples (a percepção de uma caneta azul) Complexas (a visão global de um povoado a partir de um ponto alto) Complexas (a recordação do povoado) Simples (a recordação da caneta azul) Conhecimentos de fato – física Relações de ideias – matemática, lógica não pode ser posta em causa enquanto está presente no meu espírito e atentamente a considero.

→ É garantia das minhas evidências passadas, isto é, não atualmente presentes na minha consciência. É Deus quem vai garantir que aquilo que é válido para mim num certo momento seja válido objetivamente, isto é, independentemente de mim e sempre. O saber firme, seguro e constante que Descartes ambiciona só pode ser assegurado pela veracidade e imutabilidade divinas. As evidências às quais dei o meu assentimento continuam a ser evidências, mesmo quando já nelas não penso.

→ Deus acaba por ser a verdadeira “raiz da árvore do saber” porque só a sua veracidade garante a verdade dos conhecimentos que o sujeito pensante (a primeira realidade a ser conhecida, mas não a realidade verdadeiramente fundamental) vai constituindo. DAVID HUME → Encarregou-se de uma profunda investigação sobre a origem, possibilidade e os limites do conhecimento. 




IMPRESSÕES E IDEIAS SÃO O CONTEÚDO DO CONHECIMENTO

→ Para David Hume todo o conhecimento começa com a experiência, sendo os dados ou impressões sensíveis as suas unidades básicas.

→ Divide o conteúdo do conhecimento em 2 espécies de estados de consciência ou percepções:




→ A diferença entre impressões e ideias é simplesmente de grau e não de natureza. 

→ Não existem ideias inatas, pois, segundo Hume, elas só aparecem após a impressão que lhes deu origem e não ao contrário: “as impressões simples precedem sempre as ideias correspondentes e nunca aparecem na ordem contrária”. “As impressões são as causas das nossas ideias e não as nossas ideias das nossas impressões.”

TIPOS DE CONHECIMENTO

→ A distinção entre impressões e ideias diz respeito aos elementos do conhecimento. 

→ A distinção entre os modos ou tipos do conhecimento: o Conhecimento de ideias ou Relação entre ideias – proposições cuja verdade pode ser conhecida por simples análise lógica do significado das ideias que as compõem. A verdade das proposições que consistem em relações entre ideias é independente da experiência: são verdadeiras ou falsas a priori, embora todas as ideias tenham o seu fundamento nas impressões, podemos conhecer sem necessidade de recorrer às impressões, isto é, ao confronto com a experiência. As definições e proposições lógico-matemáticas são exemplos. (Ex.: o triângulo tem 3 lados.) Tais conhecimentos são tautológicos, ou seja, as proposições lógicas e matemáticas não dão novas informações porque o predicado diz, implicitamente, o mesmo que o sujeito. 

→ Conhecimento de fatos – proposições cuja verdade só pode ser conhecida mediante a experiência, isto é, temos de observar o mundo dos fatos para verificar se elas são verdadeiras ou falsas. Ex.: “Este martelo é pesado.” É um juízo cujo valor de verdade não pode ser decidido pela simples inspeção a priori, ou seja, temos de a confrontar com uma verificação experimental elementar, isto é, a sua verdade ou falsidade só pode ser determinada a posteriori. 

→ Além da forma de determinar a sua verdade (a priori num caso; a posteriori noutro), há uma diferença importante entre a relação entre ideias e os conhecimentos de fato: ao contrário das relações de ideias, não há qualquer contradição na negação de um conhecimento de fato. As proposições de fato podem ser verdadeiras mas é possível que venham a revelar-se falsas.

PROBLEMA DA CAUSALIDADE

→ Todas as nossas ideias derivam de uma impressão sensível. A toda e qualquer ideia tem de corresponder uma impressão porque as ideias são imagens das impressões. Do que não há impressão sensível não há conhecimento. – Conhecimento de fatos. 1. Observação de um fato: duas bolas de bilhar chocam. (conjunção constante entre (A) e (B), que (B) sucede a (A). 2. Análise do Fenômeno: 

→ Como consequência da conjunção constante ou sucessão regular de (A) e (B) nasce na nossa mente a ideia de relação causal ou conexão necessária. Dizemos então: Sempre que se dá (A) acontece (B). Assim, pensamos que acontecendo (A) não poderá deixar de acontecer (B). Quando dizemos isto estamos a falar de um fato futuro. É aqui que Hume diz que ultrapassamos o que a experiência – a única fonte de validade dos conhecimentos de fato – nos permite. Para Hume o conhecimento dos fatos reduz-se às impressões atuais e passadas. Não podemos ter conhecimento de fatos futuros porque não podemos ter qualquer impressão sensível ou experiência do que ainda não aconteceu. 

→ A ideia de relação causal, de uma conexão necessária entre dois fenômenos (“sempre foi assim, sempre será assim”), é uma ideia da qual não temos qualquer impressão sensível. Como o critério de verdade de um conhecimento factual é que a uma ideia corresponda uma impressão sensível, não temos legitimidade para falar de uma relação causal entre dados da nossa experiência. 3. Conclusões: 

→ Nós inferimos uma relação necessária entre causa e efeito pelo fato de nos termos habituado a constatar uma relação constante entre fatos semelhantes ou sucessivos. É apenas o hábito ou costume que nos permite sair daquilo que está imediatamente presente na experiência em direção ao futuro. 

→ A constante relação de contiguidade espacial e de prioridade temporal entre os fenómenos A e B levam a razão a inventar uma conexão que ela julga necessária, mas da qual nunca teve experiência. 

→ A crença na ideia de causalidade tem um fundamento não racional. Tal ideia não deriva da razão, mas de fatores psicológicos – a vontade de que o futuro seja previsível e, logo, controlável. 

→ O principio de causalidade, considerado um princípio racional e objetivo, nada mais é do que uma crença subjetiva, o produto de um hábito, o desejo de transformação de uma expectativa em realidade. 

→ Ideia de causa – a ideia de que há uma conexão necessária entre dois ou mais eventos. → Não há nenhuma impressão sensível da qual derive a ideia de causa. → Contudo, observamos: 1. a contiguidade espacial; 2. a sucessão temporal e; 3. a conjunção constante entre dois fenômenos e chamamos causa ao que precede e efeito ao que sucede. → Ao observar que algum evento (A) tem até agora sido sempre sucedido pelo evento (B), acreditamos que da próxima vez que ocorrer (A) sucederá (B). Acreditamos que o futuro será igual ao passado. → Da observação desta constante conjunção como formamos a ideia de causa? 1. Há um poder secreto na causa que faz com que o efeito lhe suceda? Talvez, mas não o podemos observar. 2. A memória só nos dá informações sobre os acontecimentos particulares que recordamos. Não nos diz que podemos esperar que a mesma coisa aconteça outra vez. 3. Utilizando o raciocínio dedutivo? Não, porque não é contraditório que (B) não suceda a (A). 4. O raciocínio indutivo? Não podemos afirmar que o futuro será como o passado utilizando o raciocínio indutivo porque este assume que o futuro será como o passado. Seria dizer que sabemos que o futuro será como passado porque no passado o futuro era como o passado. 

→ A ideia de causa não deriva da observação de algo nos fenômenos, mas do desenvolvimento de um costume ou de um hábito mental (desenvolvemos o hábito de esperar que (B) aconteça mal vemos acontecer (A)). 

→ O ceticismo de Hume não é total, absoluto. Temos a faculdade (razão) de conhecer verdades a priori – matemáticas e lógicas – e as faculdades (memória e percepção sensível) que nos permite conhecer fatos presentes e passados. Mas, não temos nenhuma faculdade que nos permita conhecer fatos futuros. A razão não é capaz de formular leis da Natureza. Segundo Hume, um cientista nunca pode prever que uma hipótese seja verdadeira. Fonte: http://www.aeflup.com/

DISCURSO DO MÉTODO
Publicado originalmente em 1637 o Discurso do Método de René Descartes é uma das mas famosas obras da literatura filosófica, sendo por muitos considerado o texto fundamente da ruptura cultural que da origem a Filosofia Moderna.

O texto é composto de seis partes onde o autor, partindo de um relato de sua biografia intelectual, expõe de maneira clara e sucinta os grandes traços de seu novo sistema filosófico.

Descartes começa seu texto apresentando os grandes parâmetros de sua formação cultural. Aluno de uma das mais prestigiadas escolas europeias, a Escola dos Jesuítas em La Flèche, pode receber o que de melhor tinha a ofertar a cultura de seu tempo. 

Estudou Lógica que considerava um interessante instrumento uma vez que estejamos de posse da verdade, mas que em nada auxiliava a obter a verdade; estudou Teologia, sabe importante sem dúvida, todavia dispensável, pois desde que tenhamos fé em Deus, nossa salvação estará assegurada; estudou Filosofia e, sobre essa, chegou a uma triste conclusão: a história da filosofia nos mostrava de que não existia nada de tão absurdo que já não tivesse sido afirmado alguma vez por algum filósofo. 

Em todas as disciplinas que estudou, à exceção da matemática, cuja aplicabilidade a problemas concretos somente se dará a partir e por causa de Descartes, constata ele que a cultura em geral não oferece nenhum saber que seja isento de dúvidas e útil para vida. 

Cabe portanto, conclui Descartes reformar o conhecimento e fundamentá-lo a partir de novas e sólidas bases. 

Tal é a tarefa que será delineada no Discurso do Método e buscada por toda a vida de Descartes.

Para obter esse resultado, Descartes elabora um método que consta de quatro regras: 

1) Não aceitar nada que não seja evidente e evitar a prevenção e a precipitação; 

2) Dividir um problema em tantas partes quantas forem possíveis e necessárias, a chamada regra da análise; 

3) Conduzir o pensamento por ordem, partindo dos objetos mais simples para os mais complexos, a chamada regra da síntese; 

4) Efetuar enumerações tão completas de modo a ter certeza de nenhum elemento ter sido esquecido. Aplicando esse método aos objetos culturais, quais deles podem ser ditos tão evidentes que não possam ser colocados em dúvida? Todos os dados dos sentidos podem nos enganar; da mesma forma todos os objetos da razão igualmente o podem.... nada existe que seja dado ao homem que não possa ser posto em dúvida; todavia, se de tudo podemos duvidar, não podemos duvidar do fato de estarmos duvidando. Ou seja, em toda a dúvida está presente a certeza do sujeito que duvida; ora constata Descartes, se duvido e, se penso, logo existo. 

O conhecimento não deverá pois ser construído a partir de certezas externas, sempre falíveis, mas sim da única certeza indubitável, a certeza do Cogito.

Certo, poderemos argumentar contra Descartes, mas e daí? Como sair da certeza do solipsismo para a certeza dos objetos do mundo? Analisando o que nos dá essa certeza inicial podemos constatar que somos uma substância cuja essência consiste no pensamento, o que significa que que não existe uma união necessária entre o corpo e o espírito, já que é possível duvidar de que tenhamos um corpo, mas não uma razão pensante. 

Essa razão pensante, na medida em que duvida se descobre como imperfeita. Ora, nos diz Descartes, de onde vem essa ideia de perfeição? Não pode vir dos objetos do mundo na medida em que aí não a encontramos; não pode ter sido criada por nós, pois somos imperfeitos e, no entanto, a temos. 

Como responde Descartes? Só pode ser uma ideia inata, impressa em nós por aquele que nos criou – Deus. Da existência de Deus, ser criador dotado de todas as perfeições, não é possível que nos enganemos sempre, pois daí o ser perfeito teria criado algo absolutamente imperfeito. 

Logo, a única coisa que nos impede de conhecer a verdade é não procedermos de forma metódica.

No Discurso do Método, Descartes parte da certeza inicial do sujeito pensante, nela descobre Deus como ideia inata, dai conclui a impossibilidade do erro absoluto e propõe como forma de superação a adoção das regras metodológicas. 

Temos assim o saber fundado agora na subjetividade humana e não mais no ser. 

Quando for possível a essa subjetividade, e esse é o processo da evolução da ciência moderna, apenas com base em regras metodológicas constituir a verdade, Deus se tornará desnecessário ao saber, sendo recolhida aos recônditos da subjetividade humana.Descartes abre assim o caminho para o desencantamento do mundo.

Fonte: pt.shvoong.com

Acesse aqui as partes 1, 2 e 3 

(DISCURSO DO MÉTODO - R.DESCARTES)

Acesse aqui as partes 4, 5 e 6 

(DISCURSO DO MÉTODO - R.DESCARTES)

sábado, 9 de janeiro de 2010

ROUSSEAU: Pensamento e Obras

Counter

Pensamento e obras de

Jean-Jacques Rousseau

Filosofia Século XVIII

SEGUNDA PARTE

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PENSAMENTO:

Linhas mestras. Rousseau é o filósofo iluminista precursor do romantismo do século XIX.

Foi característico do Iluminismo, o pensamento de que a sociedade havia pervertido o homem natural, o "selvagem nobre" que havia vivido harmoniosamente com a natureza, livre de egoísmo, cobiça, possessividade e ciúme. Este pensamento já está em Montaigne.


Em seu Discours sur l'origine et les fondements de l'inégalité parmi les hommes (1755), ele dá uma descrição hipotética do estado natural do homem, propondo que, apesar de desigualmente dotado pela natureza, os homens em uma dada época eram de fato iguais: eles viviam isolados um do outros e não estavam subordinados a ninguém; eles evitavam uns aos outros como fazem os animais selvagens. De acordo com Rousseau, cataclismas geológicos reuniram os homens para a "idade de ouro" descrita em vários mitos, uma idade de vida comunal primitiva na qual o homem aprendia o bem junto com o mal nos prazeres do amor, amizade, canções, e danças e no sofrimento da inveja, ódio e guerra. A descoberta do ferro e do trigo iniciou o terceiro estágio da evolução humana por criar a necessidade da propriedade privada.

Rousseau recebe críticas principalmente de Voltaire, que diz: "ninguém jamais pôs tanto engenho em querer nos converter em animais" e que ler Rousseau faz nascer "desejos de caminhar em quatro patas" mas o propósito de Rousseau é de combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos.

Sua teoria política é sob vários aspectos uma síntese de Hobbes e Locke. Foi o ferro e o trigo que civilizaram os homens e arruinaram a raça humana....Do cultivo da terra, sua divisão seguiu-se necessariamente....Quando as heranças cresceram em número e extensão ao ponto de cobrir toda a terra e de confrontarem umas com as outras, algumas delas tinham que crescer as custas de outras... A sociedade nascente deu lugar ao mais horrível estado de guerra. Posteriormente Rousseau propôs que esse estado de guerra forçou os proprietários de terra ricos a recorrer a um sistema de leis que eles impuseram para proteger sua propriedade.

Rousseau não pretendia que o homem retornasse à primitiva igualdade, ao estado natural, mas, em um artigo encomendado por Diderot para a "Enciclopédia" e publicado separadamente em 1755 como Le Citoyen: Ou Discours sur l'economie politique, ele busca meios de minimizar as injustiças que resultam da desigualdade social. Ele recomendou três caminhos: primeiro, igualdade de direitos e deveres políticos, ou o respeito por uma "vontade geral" de acordo com o qual a vontade particular dos ricos não desrespeita a liberdade ou a vida de ninguém; segundo, educação pública para todas as crianças baseada na devoção pela pátria e em austeridade moral de acordo com o modelo da antiga Sparta; terceiro, um sistema econômico e financeiro combinando os recursos da propriedade pública com taxas sobre as heranças e o fausto.

Estão no pensamento de Rousseau aquelas linhas que serão logo a seguir características do movimento romântico que caracterizou a primeira metade do século XIX: A valorização dos sentimentos em detrimento da razão intelectual, e da natureza mais autêntica do homem, em contraposição ao artificialismo da vida civilizada. Sua influencia no movimento romântico foi enorme.

Pedagogia.

Pressupostos básicos: Os pressupostos básicos de Rousseau com respeito à educação eram a crença na bondade natural do homem, e a atribuição à civilização da responsabilidade pela origem do mal. Se o desenvolvimento adequado é estimulado, a bondade natural do indivíduo pode ser protegida da influência corruptora da sociedade.

Conseqüentemente, os objetivos da educação, para Rousseau, comportam dois aspectos: o desenvolvimento das potencialidades naturais da criança e seu afastamento dos males sociais. O mestre deve educar o aluno baseado nas suas motivações naturais. "Logo que nos tornamos conscientes de nossas sensações, estamos inclinados a procurar ou evitar os objetos que as produzem", diz ele.

Método: Essencialmente o mestre deve educar o aluno para ser um homem, usando a estrutura provida pelo desenvolvimento natural do aluno, enquanto ao mesmo tempo mantendo em mente o contexto social no qual o aluno eventualmente será um membro. Isto somente pode ser conseguido em um ambiente muito bem controlado.

As mães deveriam amamentar e fortificar o corpo de suas crianças por meio de testes severos de força física e resistência.

Seu método de educação era o de retardar o crescimento intelectual: ele demandava a criança demonstrar seus próprio interesse em um assunto e fazer suas próprias perguntas; no estágio da puberdade, no entanto, a sensibilidade do jovem deveria ser educada. O adolescente aceitaria com confiança um contrato livre e recíproco de amizade com seu mestre, que poderia então ajuda-lo a descobrir as alegrias da religião e as dificuldade de lidar com a sociedade.

O ambiente em que o aluno vive deve ser tal que não haja nenhuma restrição física que não venha do próprio aluno, e depois que desenvolve cognitivamente, até os 15 anos não deveria haver qualquer restrição moral em seu ambiente. O objetivo é que o aluno desenvolva plenamente seu Eu natural. Obviamente, uma tal educação só seria possível se o aluno fosse totalmente isolado da sociedade e não tivesse contacto social, senão com seu mestre.

O aluno somente entraria na sociedade quando a tendência para a socialização surgisse como uma de suas necessidades naturais. Isto aconteceria na adolescência, após o desenvolvimento da razão. Diz Rousseau "Ele antes tinha apenas sensações, agora ele julga." Então o aluno experimenta um desejo de companhia e lhe será permitido desenvolver relacionamento pessoal. Então ele vai estudar história e religião.

Finalmente ele vai entrar "na sociedade educada de uma grande cidade". Ele agora poderá entender o que significa ser um cidadão.


O Émile: No Émile ele apresenta o cidadão ideal e os meios de treinar a criança para o Estado de acordo com a natureza, inclusive para um sentido de Deus.

A criança Émile deve, portanto, ser criada em um meio rural em vez de em ambiente urbano, de modo que ela possa desenvolver em continuidade com a natureza mais que em oposição a ela. Os primeiros impulsos da criança são permitidos a desenvolver mas são canalizados para um respeito genuíno para com as pessoas, um respeito nascendo do amor próprio e não do orgulho.

Émile, que laboriosamente adquiriu um senso de propriedade (bem à John Locke) enquanto cultivando seu jardim, descobre a vida difícil de um trabalhador quando se torna aprendiz de um carpinteiro.

Trazido a comunidade por uma tendência natural, ou simpatia para com aqueles ao seu redor, Émile desenvolve um senso moral, e uma necessidade no sentido da perfeição e do crescimento interior permite-lhe elevar-se acima das paixões e alcançar a virtude. Então, através de Sofia, Émile descobre a natureza do amor. Ele tem que deixa-la, no entanto, para completar sua educação política, a qual requeria procurar através do mundo pelo país que melhor serviria a sua futura família.

Curiosamente, o único livro que se permite a Émile na sua educação é o Robison Crusoe de Daniel Defoe, o qual nele mesmo demonstra o caminho no qual o caráter amadurece em harmonia com a natureza se a engenhosidade natural é permitida trabalhar desimpedida da corrupção da sociedade.

O método de Rousseau foi a inspiração, começando com Pestalozzi, de métodos universais pedagógicos.

Teoria política. No Du contrat social Rousseau desenvolveu os princípios políticos que estão sumarizados na conclusão do Émile.

Começando com a desigualdade como um fato irreversível, Rousseau tenta responder a questão do que compele um homem a obedecer a outro homem ou por que direito um homem exerce autoridade sobre outro. Ele concluiu que somente um contrato tácito e livremente aceito por todos permite cada um "ligar-se a todos enquanto retendo sua vontade livre". A liberdade está inerente na lei livremente aceita. "Seguir o impulso de alguém é escravidão, mas obedecer uma lei auto-imposta é liberdade".

Há uma diferença entre o pensamento de Rousseau e o de Locke, que também afirmou a liberdade do homem como base de sua teoria política. Locke admite a perda da liberdade quando afirma que "o homem, por ser livre por natureza,...não pode ser privado dessa condição e submetido ao poder de outro sem o próprio consentimento"... enquanto para Rousseau o homem não pode renunciar à sua liberdade. Esta é uma exigência ética fundamental.

Rousseau considera a liberdade um direito e um dever ao mesmo tempo. "...todos nascem homens e livres"; a liberdade lhes pertence e renunciar a ela é renunciar à própria qualidade de homem.

O princípio da liberdade é direito inalienável e exigência essencial da própria natureza espiritual do homem".

O contrato social para Rousseau é "Uma livre associação de seres humanos inteligentes, que deli beradamente resolvem formar um certo tipo de sociedade, à qual passam a prestar obediência mediante o respeito à vontade geral. O "Contrato social", ao considerar que todos os homens nascem livres e iguais, encara o Estado como objeto de um contrato no qual os indivíduos não renunciam a seus direitos naturais, mas ao contrário entram em acordo para a proteção desses direitos, que o Estado é criado para preservar.

O Estado é a unidade e como tal expressa a "vontade geral", porém esta vontade é posta em contraste e se distingue da "vontade de todos", a qual é meramente o agregado de vontades, o desejo acidentalmente mútuo da maioria.

John Locke e outros tinham assumido que o que a maioria quer deve ser correto. Rousseau questionou essa postura, argumentando que os indivíduos que fizeram a maioria podem, na verdade, desejar alguma coisa que está contrária aos objetivos e necessidades do estado, para com o bem comum. A vontade geral é para assegurar a liberdade, a igualdade, e justiça dentro do estado, não importa a vontade da maioria, e no contrato social (para Rousseau uma construção teórica mais que um evento histórico como os pensadores do Iluminismo tinham freqüentemente assumido) a soberania individual é cedida para o estado em ordem que esses objetivos possam ser atingidos.

Por isso a vontade geral dota o Estado de força para que ele atue em favor das teses fundamentais mesmo quando isto significa ir contra a vontade da maioria em alguma questão particular.


Rousseau reforça o contrato social através de sanções rigorosas que acreditava serem necessárias para a manutenção da estabilidade política do Estado por ele preconizado. Propõe a introdução de uma espécie de religião civil, ou profissão de fé cívica, a ser obedecida pelos cidadãos que depois de aceitarem-na, deveriam segui-la sob pena de morte.

Foi grande a influência política que tiveram as idéias de Rousseau na França. Os princípios de liberdade e igualdade política, formulados por ele, constituíram as coordenadas teóricas dos setores mais radicais da Revolução Francesa e inspiraram sua segunda fase, quando foram destruídos os restos da monarquia e foi instalado o regime republicano, colocando-se de lado os ideias do liberalismo de Voltaire e Montesquieu (1689-1755). O mais notável nessa república projetada era o disposto para banir estranhos à religião do estado e punir os dissidentes com a morte.

Religião. Rousseau conclui seu "Contrato social" com um capítulo sobre religião. Para começar, Rousseau é claramente não hostil à religião como tal, mas tem sérias restrições contra pelo menos três tipos de religião. Rousseau distingue a "religião do homem" que pode ser hierarquizada ou individual, e a "religião do cidadão".

A religião do homem hierarquizada, é organizada e multinacional. Não é insentivadora do patriotismo, mas compete com o estado pela lealdade dos cidadãos. Este é o caso do Catolicismo, para Rousseau. "Tudo que destrói a unidade social não tem valor" diz ele. Os indivíduos podem pensar que a consciência exige desobediência ao estado, e eles teriam uma hierarquia organizada para apoia-los e organizar resistência.

O exemplo de religião do homem não hierarquizada é o cristianismo do evangelho. É informal e não hierarquizada, centrada na moral e na adoração a Deus. Esta é, com certeza, para Rousseau, a religião em que ele nasceu e foi batizado, o calvinismo.

De início Rousseau nos diz que esta forma de religião é não somente santa e sublime, mas também verdadeira. Mas a considera ruim para o Estado.

Cristandade não é deste mundo e por isso tira do cidadão o amor pela vida na terra. "O Cristianismo é uma religião totalmente espiritual, preocupada somente com as coisas do céu; a pátria do cristão não é deste mundo". Como consequência os cristãos estão muito desligados do mundo real para lutar contra a tirania doméstica. Além disso, os cristãos fazem maus soldados, novamente porque eles não são deste mundo. Eles não irão lutar com a paixão e patriotismo que um exército mortífero requer.

Do ponto de vista do estado, e este é o aspecto que mais interessa a Rousseau, a religião nacional ou religião civil é a preferível. Ele diz que "ela reúne adoração divina a um amor da Lei, e que, em fazendo a pátria o objeto da adoração do cidadão, ela ensina que o serviço do estado é o serviço do Deus tutelar."

A religião do cidadão é o que na sua época chamava-se também "religião civil". É a religião de um país, uma religião nacional. Esta ensina o amor ao país, obediência ao estado, e virtudes marciais. A religião do império romano é seu exemplo.

No entanto, pelo fato mesmo de que serve ao Estado, a religião civil será manipulada segundo certos interesses, e por isso, diz Rousseau, "ela está baseada no erro e mentiras, engana os homens, e os faz crédulos e supersticiosos". E diz mais: a religião nacional, ou civil, faz o povo "sedento de sangue e intolerante".

Rousseau apresenta então sua proposta. Deveria ser concedida tolerância a todas as religiões, e cada uma delas conceder tolerância às demais.

Mas ele quer a pena de banimento para todos que aceitarem doutrinas religiosas "não expressamente como dogmas religiosos, mas como expressão de consciência social".

O Estado não deveria estabelecer uma religião, mas deveria usar a lei para banir qualquer religião que seja socialmente prejudicial. Para que fosse legal, uma religião teria que limitar-se a ensinar "A existência de uma divindade onipotente, inteligente, benevolente que prevê e provê; uma vida após a morte; a felicidade do justo; a punição dos pecadores; a sacralidade do contrato social e da lei".

O fato de que o estado possa banir a religião considerada antisocial deriva do princípio de supremacia da vontade geral (que existe antes da fundação do Estado) à vontade da maioria (que se manifesta depois de constituído o Estado), ou seja, se todos querem o bem estar social, e se uma maioria deseja uma religião que vai contra essa primeira vontade, essa maioria terá que ser reprimida pelo governo.

Refugiado em Neuchatel, ele escreveu Lettres ecrites de la Montagne (Amsterdam, 1762), no qual, com referência à constituição de Genebra, ele advogava a liberdade de religião contra a Igreja e a polícia. A parte mais admirável nisto é o credo do vigário da Saboia, Profession de foi du vicaire savoyard, no qual, em uma frase feliz, Rousseau mostra uma natural e verdadeira susceptibilidade para a religião e para Deus, cuja omnipotência e grandeza são, para ele, publicamente renovadas cada dia.

Opinião sobre as ciências e as artes. No "Discurso sobre as ciências e as artes" com que concorreu ao prêmio da Academia de Dijon, Rousseau argumenta que a restauração das artes e ciências não contribuíram para a purificação do gênero humano mas para sua corrupção. Ao ser a obra publicada, a censura cortou vários trechos do original: muitas passagens contra a tirania dos reis e a hipocrisia do clero foram eliminadas. O subtítulo "Liberdade" foi retirado. Porém, ele ataca as ciências e especialmente as artes e literatura como escravisadoras e corruptoras e como instrumento de propaganda e fonte de mais riqueza nas mãos dos ricos.

A civilização é vista por ele como responsável pela degeneração das exigências morais mais profundas da natureza humana e sua substituição pela cultura intelectual. A uniformidade artificial de comportamento, imposta pela sociedade às pessoas, leva-as a ignorar os deveres humanos e as necessidades naturais. Assim como a polidez e as demais regras da etiqueta podem esconder o mais vil e impiedoso egoísmo, as ciências e as artes, com todo seu brilho exterior, freqüentemente seriam somente máscaras da vaidade e do orgulho.

Rousseau empresta um significado político ao patrocínio das artes. Ele escreveu: Príncipes sempre viram com prazer a difusão entre seus súditos do gosto pelas artes e por supérfluos que não resultem em dispêndio de dinheiro. Portanto, além de facilitar essa insignificância espiritual tão apropriada a escravidão, eles sabem bem que as necessidades que o povo cria para ele mesmo são como cadeias que o une... As ciências, as letras, e as artes...atam flores ao redor das cadeias de ferro que o liga (o povo), sufoca nele o sentimento daquela liberdade original para a qual ele parece ter nascido, faz ele amar sua escravidão, e o transforma no que é chamado "povo civilizado".
Fonte: http://www.culturabrasil.pro.br/rousseau.htm