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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Leitura de texto filosófico: O HOMEM E A RAZÃO, na concepção do Filósofo Jaspers

“O problema crucial 
é o seguinte: 
a filosofia aspira 
à verdade total, 
que o mundo não quer”





Karl Jaspers, filósofo contemporâneo, tinha uma característica própria de lidar com a tinta e o papel. De uma linguagem ímpar, este filósofo permite ao homem saciar sua sede de conhecimentos e ao mesmo tempo, leva este mesmo homem a um inquietude profunda, diante da missão sempre nova de se lançar na aventura do filosofar em busca da verdade. Karl Theodor Jaspers foi um dos principais intelectuais e pensadores do século 20. Nascido na cidade alemã de Oldenburg, em uma família rica, foi levado para a faculdade de direito por influência do pai, jurista. Abandonou o curso na Universidade de Heidelberg depois de três semestres e se matriculou em medicina. Formado, começou a trabalhar como voluntário no hospital psiquiátrico da universidade. Insatisfeito com o tratamento dispensado aos doentes mentais, Jaspers logo iniciou pesquisas para dar um novo caminho à psiquiatria. Em 1913, revolucionou o diagnóstico de doenças mentais com o livro “Psicopatologia Geral”, que se tornou base dentro da psicologia, área em que Jaspers passou a lecionar em Heidelberg naquele mesmo ano. Seis anos depois, em 1919, publicou “Psicologia das Concepções de Mundo”, outro marco em sua vida acadêmica. Inquieto e curioso, mudou seu foco para a filosofia. Em 1922, começa a lecionar a matéria em Heidelberg e expande o que tinha desenvolvido e estudado na psiquiatria. Dez anos mais tarde, publica talvez a obra mais importante: “Filosofia”, tese em três volumes. Foi mestre de Hanna Arendt, de quem virou amigo e com quem manteve contato até o fim da vida. Casado com uma judia, Jaspers passou a ser perseguido pelos nazistas na Alemanha. Perde a cátedra em Heidelberg e para de lecionar em 1937. Um ano depois, tem suas publicações proibidas no país. Ele e a mulher quase são levados a um campo de concentração. Ao final da guerra, muda-se para Basileia, na Suíça, onde volta a lecionar filosofia, agora na faculdade local. Em 1950, ainda publica “Introdução à Filosofia”, outra obra das mais importantes. Karl Jaspers falece em 26 de fevereiro de 1969, três dias depois de seu 86º aniversário. (Fonte: https://efemeridesdoefemello.com/)


Reflexões filosóficas 
acerca do animal Homem

O CONHECIMENTO FUNDAMENTAL

Em relação ao universo e à História, expandimos continuamente os limites de nosso conhecimento. É como se nos perdêssemos no infinito das realidades cósmicas e históricas. Face a umas e outras, adquirimos consciência do passageiro e insignificante caráter de nossa existência.

Mas, e o universo? ele se cala. Saberá ele que existe? Em seu mutismo não divisamos o menor sinal de um conhecimento dessa ordem. Nós, porém, sabemos que ele existe. Nós somos estes seres extraordinários que sabem que o universo, essa imensidade, existe. E podemos estudá-lo. Nossa consciência do nada que é o ser humano transforma-se no seu contrário.

Se nada soubéssemos do universo, não seria como se ele não existisse? Isso parece absurdo, mas indagamos: que seria o ser que se ignorasse a si mesmo e de ninguém fosse conhecido? Confundir-se-ia com a mera possibilidade de ser conhecido? Algo que esperaria, por assim dizer, a oportunidade de manifestar-se a um ser capaz de percebê-lo? Nós, esse nada no universo, não seremos o ser verdadeiro, o olho que vê o mundo?

E nossa História? Diante dela, temos consciência de nossa insignificância como indivíduos, mas em sentido diverso. Compreendemos o que os homens foram, fizeram, conseguiram. Quanto mais e melhor o compreendemos, mais claramente nos vemos face a um infinito que não nos esmaga e sim nos envolve. Compreender coloca a imensidão a nosso alcance. Jamais ascenderemos a seu nível e não obstante, a despeito de nossa insignificância, a ela pertencemos e ela nos responde.

Que somos nós, que são esses olhos que estão no mundo e vêem e conhecem e compreendem? Seres pensantes, somos a dimensão — única, segundo sabemos — onde aquilo que é se revela em nosso pensamento objetivo, em nossa compreensão, em nossa ação, em nossa criação, em cada forma de nossa experiência.

Mais ainda: temos não apenas consciência, mas consciência de nós mesmos. Nesta consciência não há tão-somente revelação, mas a revelação de si para si mesma.

Demos um salto: passemos da cognição intelectual dos objetos para a consciência subjetiva do que realizamos e experimentamos. A altura que atingimos com esse salto é nada, se a considerarmos do ponto de vista do conhecimento do mundo; considerado, porém, do ponto de vista filosófico equivale à possibilidade de atingir uma nova consciência do ser. É o que denominamos conhecimento fundamental.

O HOMEM

Antes de tudo, sendo seres vivos, compostos de matéria, pertencemos à natureza, como espécie animal que somos. Sendo seres racionais, atuantes e criadores, pertencemos à História, que criamos ao mesmo tempo em que a ela nos vemos expostos. E, enfim, somos o abrangente que compreende, por assim dizer, a natureza e a História. Tendo-nos tornado, por força da natureza e da História, aquilo que hoje somos, é como se houvéssemos provindo de um lugar estranho, ao mesmo tempo, à natureza e à História e só ali tivéssemos nossa origem e nossa meta.

Nada há que se compare à natureza do homem. O homem que somos parece a própria evidência e é, entretanto, a mais enigmática dentre as coisas. De múltiplas maneiras foi essa idéia expressa. Por exemplo: o homem se confunde com todas as coisas, a alma é tudo, disse Aristóteles; o homem não é anjo, nem besta, afirmou um pensador medieval.

Mas, situado a igual distância de uma e de outra participa de ambas essas naturezas; centro da criação, ele é distinto não apenas dos animais, porém também dos anjos; só ele é feito à imagem de Deus; o homem, dizia Schelling, tem, profundamente escondida em si, uma “cumplicidade com a criação”, pois que assistiu-lhe as origens.

Seja de onde for que tenhamos vindo, estamos aqui. Encontramo-nos no mundo, em meio a outros homens.

A natureza é muda. Embora pareça estar expressando algo através de suas formas, suas paisagens, suas tempestades tumultuosas, suas erupções vulcânicas, sua brisa ligeira e seu silêncio — a natureza não responde. Os animais reagem de maneira que tem sentido, mas não falam. Só o homem fala. Só entre os homens existe essa alternância de discurso e resposta continuamente compreendidos. Só o homem, pelo pensamento, tem consciência de si.

O homem está sozinho no mundo imenso e mudo. Foi preciso que o homem surgisse para emprestar linguagem ao mutismo das coisas. O silêncio da natureza ora lhe parece estranho, inquietante, impiedosamente indiferente ora lhe parece favorável, despertando-lhe confiança e apoiando-o. O homem acha-se sozinho em meio a uma natureza de que, não obstante é parte. Somente com seus companheiros de destino ele se transforma em homem, em si mesmo e deixa de estar solitário. E, então, a seus olhos, a natureza se torna o pano de fundo de uma obscuridade que fala sem palavras. Vemo-nos a nós mesmos como luz que ilumina as coisas, que se dispõem com referência a nosso pensamento e às relações que com elas estabelecemos.

É a partir do mundo que nos compreendemos como esse existente vivo e corporal sem o qual não somos. Estamos ligados a esse existente, movemo-nos com ele e reconhecemos sua corporalidade como nossa até o ponto da identificação. Mas, se nos entregarmos à ideia de que, no plano da natureza, somos feitos de matéria e de vida, perderemos consciência de nós mesmos. Com efeito, a identificação de cada um de nós com sua corporalidade não basta para fazer com que ele seja ele mesmo.

Não nos compreendemos a partir da História, a não ser através da realidade da tradição, sem a qual não teríamos chegado a nós mesmos. Mas, se nos rendermos ao processo de conhecimento histórico, no qual hoje nos encontramos, perderemos a consciência de nossa própria responsabilidade original. E é por meio desta, e não pela contemplação da História que somos nós mesmos.

Será então, que nos compreenderemos a partir de nós mesmos, na liberdade de nossa ação interior e exterior? Nesse ponto, atingimos a profundidade, tocamos a origem de nossa consciência de nós mesmos. Mas não compreendemos a existência de nossa liberdade. Com efeito, nós não nos criamos: nem enquanto esse existente sob cuja forma nascemos, nem enquanto essa liberdade na qual, compreendendo-nos nela, oferecemo-nos a nós mesmos.

Se não nos compreendemos a partir de nossa origem, podemos, ao menos, saber o que somos?
O homem foi definido como ser vivo dotado de palavra e pensamento (zoon logon echon); como ser vivo que. agindo dá à sociedade a forma de cidade regida por leis (zoon politikon); como ser que produz utensílios (homo faber); que trabalha com esses utensílios (homo laborans); que assegura sua subsistência por meio de planificação comunitária (homo oeconomicus).

Cada uma dessas definições leva em conta uma característica, mas o essencial não está presente: o homem não pode ser concebido como um ser imutável, encarnando reiteradamente aquelas formas de ser. Longe disso, a essência do homem é mutação: o homem não pode permanecer como é. Seu ser social está em evolução constante. Contrariamente aos animais, ele não é um ser que se repete de geração para geração. Ultrapassa o estado em que é dado a si mesmo. O homem nasce em condições novas. Embora preso a linhas prescritas, cada novo nascimento corresponde a um começo novo. Para Nietzsche, o homem é “o animal que jamais se define”. Os animais se repetem e não avançam O homem ao contrário e por natureza, não pode ser o que já é. Está sujeito a perder-se em anormalidades, degenerações, perversões, a alienar-se de si mesmo. Isso, porém não se faz segundo uma direção invariável, conhecida ou admitida, que se constituiria na única forma verdadeira de ser homem.

Mas quem é esse homem, que se reconhece ligado à nação, à raça, ao sexo, à própria geração, ao meio cultural, à situação econômica e social e que, não obstante, de tudo se pode afastar, colocando-se, por assim dizer, fora e acima de todas essas estruturas em que historicamente se encontra imerso?

Tudo que sabemos do homem, tudo que cada um dos homens sabe de si mesmo não corresponde ao homem. Aquilo a que o homem está ligado, aquilo com que o homem se debate não identifica o homem. Sua origem propõe-lhe um problema que se transforma em alavanca da qual se vale para tentar fugir àquilo em que está enterrado. A partir daí, ouve ele a exigência que não lhe deixa repouso. Sua consciência de ser se realiza com base em algo que ele jamais compreende, mas de que acredita participar uma vez que seja ele mesmo.

Nem o homem, nem qualquer dos homens sabe o que é em realidade, quando se reconhece amparado por esse fundamento sobre o qual nada pode. Todo conhecimento que o homem tem de si mesmo diz respeito a fenômenos, a suas condições ou potencialidades. O homem não se identifica a qualquer desses aspectos, porém os incorpora ao longo da jornada que o leva a si mesmo.

Abrigamos em nós algumas imagens do homem e ouvimos falar de outras que a História reteve.

Mas, como não podemos fixar numa imagem o que o homem realmente é, o que pode ser ou o que deve ser, somos também responsáveis pelas imagens que nos orientam.

Os homens não vivem sem dispor de imagens de si mesmos. Pela confrontação de imagens, chegamos a nós mesmos. O homem sempre esteve rodeado de imagens: os heróis da mitologia, os deuses gregos — que, de natureza semelhante à dos homens, destes só se diferenciavam por serem imortais — os sábios, os profetas, os santos, as personagens literárias. Como se colocam essas imagens em torno do homem de nossos dias? Os deuses do teatro, do estádio ou da tela, os políticos, os escritores, os sábios continuam a constituir-se em imagens orientadoras ou deixaram de sê-lo?

Somos nós próprios a aposta na luta que, em nós se trava, entre imagens do homem. Sentimos atração ou repulsão por imagens que reconhecemos nos indivíduos. Fazem-se elas, a nossos olhos, modelos positivos ou negativos. E de nós próprios indagamos: que faria ou que diria tal homem na situação presente?

Quando caímos, tendemos a justificar a própria baixeza pela contemplação da baixeza. Para nos reencontrarmos, tentamos encontrar homens que possamos respeitar. Tornamo-nos nós mesmos naqueles que amamos. Perdemo-nos naqueles a que nos julgamos superiores.

Postos em confronto com os mais elevados exemplares da humanidade, dizemos em autodefesa: “não quero ser assim, quero ser como todos”; “é humano participar da baixeza humana, em vez de, por orgulho, procurar ser melhor — essa é a humanidade verdadeira”; “as personalidades são ídolos de tempos idos — deixaram de existir”; “quero ser de meu tempo, corresponder ao que ele exige”. Em contraste com essas manifestações, põe-se a reverência pela nobreza humana, que vemos continuadamente realçada. Essa reverência nos eleva acima de nós mesmos. Impõe-se a reverência pela nobreza humana para que possa haver respeito pelos indivíduos; efetivamente, o respeito pelo indivíduo é o respeito pela nobre potencialidade que ele encerra por ser homem. A mesma reverência está na origem do respeito próprio que consiste em não tolerar fazer, pensar ou sentir nada capaz de levar-me ao desprezo de mim mesmo. Há, entretanto, o recife perturbador diante do qual todo amor e reverência naufragam: é o fato de encontrarmos no homem alguma coisa que, em literatura (na Tempestade, de Shakespeare), assumiu a figura de Caliban e, na realidade, graças à loucura servil de um povo, encarnou-se em Hitler.

A reverência não eleva o homem ao nível da divindade. O homem humilíssimo e o grande homem são aparentados conosco. Mas é perversão transformar a fórmula: “todos são homens como nós” — fórmula que, sem abolir a indefinível hierarquia, nos eleva a todos — em algo que nos nivela por baixo e dizer “todos não passam de homens e são semelhantes a nós”.

Afirmamos que o homem não podia ser compreendido a partir da natureza, nem a partir da História, nem a partir de si mesmo.

Exilado em seu existente, o homem quer ultrapassar-se. Não se satisfaz com ser, numa quietude fechada em si mesma, o perpétuo retorno do existente. Não mais se reconheceria autenticamente como homem, se se contentasse com ser o homem que hoje é.

Para transcender-se, não basta ao homem a sensação ou o gozo de imagens mitológicas, nem o sonho, nem o uso de palavras sublimes, como se nelas a realidade estivesse inclusa. Só na ação sobre si mesmo e sobre o mundo, em suas realizações é que ele adquire consciência de ser ele próprio, é que ele domina a vida e se ultrapassa. Isso ocorre de duas maneiras: por ilimitado progresso no mundo e pelo infinito que se faz presente a ele em sua relação com o transcendente.

O progresso no domínio da natureza começa com a humanidade, com a invenção do instrumento e a arte de fazer fogo. Algo se acrescenta à necessidade vital: a coragem de querer conhecer, a audácia do marinheiro, a vontade inquebrantável de aventura, a aspiração jamais satisfeita que transforma as metas alcançadas em novos pontos de partida.

A mitologia grega via em Prometeu o titã desafiador dos deuses. Esquilo nos diz que Zeus desejava aniquilar os homens, dos quais Prometeu se fêz defensor. Para ajudá-los a se defenderem, Prometeu lhes fêz dádiva do fogo e lhes ensinou a dominarem artes mil, de modo que pudessem produzir aquilo de que tinham necessidade para viver: ensinou-lhes a técnica de construir casas e embarcações; o uso do ferro, da prata e do ouro; a maneira de domar o touro que puxará a charrua e de domar o cavalo, que os transportara a pontos longínquos. Ensinou-lhes os números, as ciências, a arte de escrever. Dando-lhes a oportunidade de criá-la através da ação refletida, Prometeu, em verdade, deu vida aos homens. No pensamento de Zeus, a ordem do mundo não comportava essa independência. Ao titã Prometeu e a si mesmo o homem deve o que é. “Nada é mais poderoso do que o homem”, diz Sófocles.

Entretanto, nas potencialidades do homem reside também o que lhe é fatal. Dante descreve a última aventura de Ulisses. Com seus companheiros, ele transpõe as fronteiras que as Colunas de Hércules assinalavam para os homens. Por quê? “Para que nada permaneça oculto a meus olhos”. E aos companheiros ele diz: “Não recuseis ao que vos resta de vida o prazer de verificar se teremos êxito no alcançar terras desabitadas. Não tendes vida para viver como os animais, porém para perseguir a glória e a ciência”. O mar os engole após uma tempestade que se desencadeia ao largo da montanha do purgatório. Do fato ninguém tinha conhecimento antes que Ulisses o referisse a Dante no Inferno.

A visão de Dante nos leva a refletir sobre os dias que correm. Em nosso tempo, a navegação em mares austrais é fato corriqueiro. Em 1957, o primeiro satélite artificial da Terra, o sputnik russo, foi lançado ao espaço. O entusiasmo se manifestou, especialmente quando, pouco depois, um satélite artificial tripulado trouxe o cosmonauta de volta à Terra, são e salvo. Ali estava ele, em carne e osso e referia coisas que jamais o homem havia visto. Cabia supor que o homem fosse tomar posse do cosmos, que não mais se encontrasse ligado à Terra, que não passaria de sua pátria de origem. Há dezenas de milhares de anos, o homem se arriscou sobre a água em sua mais primitiva embarcação. E veio a circunavegar o globo. Hoje ele se lança ao espaço com sua primeira embarcação e, um dia, dominará o espaço como domina a Terra.

Palavras desse tipo são ilusórias. Embora, com toda probabilidade, o homem deva ir mais longe do que já foi. barreiras físicas últimas permanecem. O homem não penetrou no cosmos, porém, simplesmente, em nosso sistema solar. Jamais poderá adentrar o universo e aí assentar pé. A distância entre o nosso sol e o mais próximo dos sóis (que se encontra na constelação de Centauro) — distância ridícula na escala do universo — é de quatro anos-luz. Condições biológicas da vida humana impedem a transposição de tal distância. Isso não é uma desgraça, é uma limitação.

A vontade de conhecer — ao mesmo tempo corajosa e temerária — do Ulisses de Dante corresponderam, na aurora dos tempos modernos, as viagens dos descobridores e exploradores. A conquista do globo inaugurou uma fase nova e grandiosa na história do homem. Sem embargo, hoje, com o sputnik alterou-se o sentido dessa vontade de conhecer. As perigosas escaladas dos alpinistas têm para eles mais sentido que as perigosas explorações dos cosmonautas (como o comprovam as decepcionantes exposições que estes publicam). Nas viagens ao espaço, tudo quanto importa é a perfeição tecnológica, que suscita prestígio vão, comparável a records num esporte mecanizado.

Em nosso tempo, tornou-se realidade, sob forma nova, a visão de Dante (ruína precipitada pela temeridade de quem pode e quer conhecer). Com efeito, o avanço técnico atingiu ponto em que não se exclui a possibilidade de que a humanidade se destrua a si mesma.

Também num outro sentido quer o homem ultrapassar-se: não avançando pelo mundo, mas projetando-se para além do mundo; não na insaciável e sempre renovada inquietude de sua existência temporal, mas na quietude da eternidade, no tempo que abole o tempo.

Quietude, sob forma de duração no tempo, não é concedida ao homem. Significaria o fim dos tempos. O instante de repouso no mundo não pode pôr-se como realização. Tudo continua. No instante perfeito, quando este é concedido ao homem, brilha a luz do repouso eterno.
Aquele instante testemunha a calma escondida em nós, que não se projeta no tempo.

Essa calma é o conteúdo da transcendência e nosso destino é sermos nela recebidos, com os companheiros que tivemos. A imutabilidade de Deus é uma imagem dessa quietude. É nessa direção que o homem tende a se ultrapassar, não mais avançando no mundo mas caminhando para a transcendência, inacessível a nosso conhecimento e inefável.

Enquanto não experimentou a sensação de ver-se soterrado e não optou por “passar além”, em direção à transcendência, o homem não é verdadeiramente ele próprio. Não passa do animal racional a que está acorrentado. Para contraditar essa imagem que o diminui, o homem foi chamado “o ser que contempla Deus”. Somente em relação com a transcendência é que o homem toma consciência de ser livre, na forma de vida superior exemplificada por homens de todas as raças e todos os tempos.

Quando começa a refletir, o homem toma consciência de que não dispõe de certeza, nem de apoio. É preciso que nós, homens, tenhamos coragem, quando nos pomos a refletir sem vendas nos olhos. Devemos avançar no escuro, de olhos abertos, proibindo-nos de renunciar ao pensamento.

A coragem engendra a esperança. Sem esperança, não há vida. Enquanto há vida, há sempre um mínimo de esperança, que brota da coragem.

A esperança se mostra ilusória quando o existente naufraga. Só amparado na coragem pode o homem caminhar de fronte erguida para o seu fim.
A esperança só tem sentido em relação ao existente. Que ocorre, porém, se a esperança desaparece no tempo? Aquela disposição é uma confiança despida de objeto, confiança sem certeza, não concedida a todos e não concedida a todo momento: “estar maduro é tudo” (Shakespeare).

Essa confiança pode faltar-nos. Não resisto à realidade nua. Se a confiança me é dada, não me devo sentir seguro de mim mesmo. Se desejo conservar minha integridade de homem ligado aos homens e se deles espero compaixão para uma falha eventual, não posso esquecer os demais.

Vimos que não há resposta satisfatória para a indagação a propósito do que o homem é. As potencialidades do homem enquanto homem permanecem ocultas em sua liberdade. Não cessarão de manifestar-se pelas conseqüências dessa liberdade. Enquanto existirem, os homens serão seres empenhados na conquista de si mesmos.

Quem se interroga a respeito do homem gostaria de ver dele esboçar-se imagem verdadeira e válida, mas isso não é possível. A dignidade do homem reside no fato de ele ser indefinível. O homem é como é, porque reconhece essa dignidade em si mesmo e nos outros homens. Kant o disse de maneira maravilhosamente simples: nenhum homem pode ser, para outro, apenas meio; cada homem é um fim em si mesmo.


Texto selecionado da obra de JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico.( Tradução: Título do original: KLEINE SCHULE DES PHILOSOPHISCHEN DENKENS © R. Piper & Co. Verlag, München 1965 3.ª edição MCMLXXVI - de: Leonidas Hegenberg Octanny Silveira da Mota). São Paulo: EDITORA CULTRIX LTDA.

Quem é Karl Jaspers?
Vida

Karl Jaspers filho de um banqueiro protestante, nasceu em Oldenburg, na Alemanha aos 23 de fevereiro em 1883 e morreu na Basiléia, Suíça, em 1969.Tendo terminado os estudos secundários, Jaspers foi encaminhado pelo pai aos estudos de direito, que ele, porém abandonou depois de três semestres, para estudar medicina. Depois de ter-se formado, em 1909, pela Universidade de Heildeberg, tornou-se assistente voluntário na clínica psiquiátrica da mesma universidade.

Então, antes de entregar-se à Filosofia foi médico, tendo-se dedicado de modo especial à psiquiatria. “O trânsito da psiquiatria à metafísica caracteriza já em parte, a atitude de Jaspers, que é, desde logo, uma atitude de insatisfação para com os saberes particulares. Estes saberes não podem dar uma luz suficiente sobre o que verdadeiramente interessa ao homem: a existência humana, sua própria existência”.

Sua formação intelectual foi simultaneamente científica e filosófica. Recebeu seu grau de doutor em 1909 e já em 1921 era professor pleno de filosofia em Heildeberg. Perdeu sua cátedra em 1937, da qual foi expulso pelo regime nacional-socialista por razões políticas. A ela voltou em 1945, sendo que em 1949 aceitou um convite da Universidade de Basiléia até lecionar.

Figura entre os primeiros pensadores contemporâneos que se apresentaram em público com trabalhos de orientação existencialista.

Suas obras mais importantes são: Filosofia (em 3 volumes), Orientação Filosófica do Mundo, Explicação da Existência, Metafísica, Razão e Existência, A Fé Filosófica.

Esses escritos podem ser distribuídos em 3 diferentes épocas: a 1ª de preparação na qual o médico se inicia nos problemas filosóficos. A 2ª de plenitude em que são explanados e desenvolvidos os diferentes aspectos de seu pensamento. A 3ª é de aprofundamento: “Jaspers retorna aos temas fundamentais de seu pensamento em companhia muitas vezes dos Grandes filósofos do passado".

Em nosso século, poucos são os pensadores como Jaspers, em que a vida se apresenta extremamente coerente com o pensamento. Também por isso Jaspers pode ser considerado um grande pedagogo. Em suas notas biográficas, recorda que o pai o educara para ser sempre coerente com ele mesmo e para agir de acordo com a razão, donde a sua postura de revolta contra toda concepção cultural, não só política, mas também moral e religiosa, que pretenda apresentar-se com caráter de validade absoluta e, portanto, em sentido autoritário.

sábado, 2 de janeiro de 2010

BIOGRAFIA por LUCIO (resumo) do Filósofo Grego ARISTÓTELES

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Aristóteles

Biografia deste importante filósofo grego, ele sistematizou a produção filosófica de seu tempo...

Aristóteles: 
um dos maiores filósofos de todos os tempos

O Filósofo grego Aristóteles nasceu em 384 a.C. e morreu em 322 a.C. Seus pensamentos filosóficos e idéias sobre a humanidade tem influências significativas na educação e no pensamento ocidental contemporâneo. Aristóteles é considerado o criador do pensamento lógico. Suas obras influenciaram também na teologia medieval da cristandade.


Aristóteles foi viver em Atenas aos 17 anos, onde conheceu Platão, tornando seu discípulo. Passou o ano de 343 a.C. como preceptor do imperador Alexandre, o Grande, da Macedônia. Fundou em Atenas, no ano de 335 a.C, a escola Liceu, voltada para o estudo das ciências naturais. Seus estudos filosóficos baseavam-se em experimentações para comprovar fenômenos da natureza.

O filósofo valorizava a inteligência humana, única forma de alcançar a verdade. Fez escola e seus pensamentos foram seguidos e propagados pelos discípulos. Pensou e escreveu sobre diversas áreas do conhecimento: política, lógica, moral, ética, teologia, pedagogia, metafísica, didática, poética, retórica, física, antropologia, psicologia e biologia. Publicou muitas obras de cunho didático, principalmente para o público geral. Valorizava a educação e a considerava uma das formas crescimento intelectual e humano. Sua grande obra é o livro Organon, que reúne grande parte de seus pensamentos.

Pensamento de Aristóteles sobre a educação:


"A educação tem raízes amargas, mas os frutos são doces". Aristóteles.



Frases de Aristóteles


"O verdadeiro discípulo é aquele que consegue superar o mestre."


"A principal qualidade do estilo é a clareza."


"O homem que é prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz."


"O homem livre é senhor de sua vontade e somente escravo de sua própria consciência."


"Devemos tratar nossos amigos como queremos que eles nos tratem."


"O verdadeiro sábio procura a ausência de dor, e não o prazer".


Aristóteles nasceu em 384 a.C.
Aristóteles, chamado "o estagirita", nasceu em Estagira (Estagira é uma antiga cidade da Macedônia, situada hoje na Grécia, na região da Calcídica, no golfo do rio Estrimão), na Trácia, como filho de Nicômacos. Seu pai foi médico na corte do rei da Macedônia, Amintas, pai de Filipe (Amintas III filho de Arrideu e pai de Filipe II da Macedónia, foi rei da Macedónia em 393 a.C., e novamente 392-370 a.C.). Após a morte precoce de seus pais, Aristóteles foi criado por Proxenus, um parente.

367
Aristóteles se torna membro da "Academia" de Platão em Atenas.

348
Após a morte de Platão, existem disputas na "Academia".

Devido à política anti-macedônia, Aristóteles é forçado a deixar Atenas. A convite de seu amigo de estudos Hérmias, casando-se com sua sobrinha e filha adotiva (Pítias), ele foi para Assos, na Ásia Menor, com Xenócrates.

345
Fica em Mitilene.

por volta de 343
Na corte de Filipe II da Macedônia, Aristóteles foi 'professor' do filho de quinze anos do rei, Alexandre (356-323 a.C. - o Grande), que mais tarde o apoiou em seus estudos. Ficou nesta função somente dois anos, pois logo aconteceu  o assassinato do rei Felipe II. Ainda jovem Alexandre assumiu o trono, em 336 a.C., com apenas 20 anos. Atravessando o Bósforo, partiu em 334 a.C. para a conquista do império persa. Foi de um sucesso espetacular, vencendo a Dario, na Batalha de Granico. Completou a façanha, indo até a Índia. Estabeleceu sua capital em Babilônia. No Egito fundou a Alexandria, que logo passou à ser um grande centro de cultura. 

por volta de 335
Quando Alexandre iniciou sua campanha na Ásia, Aristóteles retornou a Atenas e fundou a Escola Peripatética, em homenagem às passarelas do Likeion (em homenagem ao bosque de Apolo Likeios).

O filósofo teve uma grande biblioteca e extensas coleções de animais e plantas que Alexandre lhe enviara de suas campanhas.

323
Após a morte de Alexandre, Aristóteles fugiu para Cálcis para não dar aos atenienses a oportunidade de pecar novamente na filosofia (alusão a Sócrates).

322
Aristóteles morre perto de Cálcis em Evia.

Século I aC 
Os escritos de Aristóteles são publicados coletivamente pelos peripatéticos Andronico de Rhodes. Os títulos são os seguintes:

1. O "Organon" ou Logical Writings, compreendendo: categorias; Ensino de frases; Doutrina do fim ou primeira análise; Ensino de prova ou segunda análise; Tópico (sobre probabilidades); Refutações sofisticadas

2. Escritos de Filosofia Natural: Física; Sobre a alma; Pequenos escritos sobre filosofia natural; Sobre emergência e falecimento; Sobre o céu; Meteorologia; Sobre a origem dos seres vivos; Sobre as partes dos seres vivos

3. Primeira filosofia: de Andronicos chamado "ta meta ta physika" (o tratado que segue a física). Hoje, no entanto, a pesquisa está convencida de que o nome da biblioteca também é relevante. O que se segue cronologicamente à física também é subordinado ao assunto após a exploração das coisas naturais.

4. Escritos éticos e políticos: ética eudemoniana; Ótima ética; Ética nicomácea; Política; Retórica

5. Escritos sobre Arte: Poética

Principais Domínios de Investigação

Toda a sua filosofia assenta numa observação minuciosa da natureza, da sociedade e dos indivíduos, organizando de uma forma verdadeiramente enciclopédica. 

A sua ideia fundamental era a de tudo classificar, dividindo as coisas segundo a sua semelhança ou diferença, obedecendo a um conjunto de perguntas muito simples: Como é esta coisa ? (o gênero). O que é que a difere doutras que lhe são semelhantes? (a diferença). A partir daqui começava a hierarquizar todas as coisas, de uma forma tão ordenada que até então nunca ninguém conseguira fazer.

Lógica: o primeiro sistema lógico, que permitiu estabelecer um conjunto de princípios e regras formais por meio das quais se tornou possível distinguir as conclusões falsas das exatas. Na Idade Média os seus escritos sobre lógica foram os manuais mais importantes usados nas universidades, sobretudo na forma que lhes deu o filósofo português Pedro Hispano (Papa João XXI).

Física: a física era a chave da natureza das coisas, não apenas da forma como se comportavam no presente, mas também no que pontencialmente viriam a transformar-se. Quanto à constituição das coisas defendia a teoria dos quatro elementos: água, terra, fogo e ar. Os corpos celestes, com excepção da terra, eram constituídos por um quinto elemento puro e incorruptível. O universo é concebido de forma hierarquizada, tendo no centro a terra, girando à sua volta todos os corpos celestes.

Biologia: recusando a separação das ideias da natureza, como fazia Platão, Aristóteles, apontou como tarefa para o investigador a de descobrir e classificar as formas do mundo material. Os últimos 12 anos da sua vida foram preenchidos com esta tarefa. Partindo de uma observação sistemática dos seres vivos, e não desdenhando estudar vermes ou insectos, registou perto de 500 classes diferentes de animais, dos quais dissecou aproximadamente 50 tipos. Foi o primeiro que dividiu o mundo animal entre vertebrados e invertebrados; sabia que a baleia não era um peixe e que o morcego não era um pássaro, mas que ambos eram mamíferos.

Política: a sua primeira preocupação foi a elaborar uma listagem tão completa quanto possível sobre os diferentes modelos políticos que existiam no seu tempo. Enumerou um total de 158 constituições de cidades ou países diferentes. Partindo da sua diversidade procurou depois as suas semelhanças e diferenças, pondo em evidência o que constituía a natureza de cada regime. Evitou, quanto pode, mostrar as suas preferências por um ou outro regime político.

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BIOGRAFIA (resumo) do filósofo grego PLATÃO

Platão




Biografia e obras filosóficas 
deste importante filósofo da Grécia Antiga, História da Filosofia, frases de Platão.


Platão:
importante filósofo grego da antiguidade

Platão pertence a uma das famílias mais ilustres de Atenas. Seu nome de Aristocles mudou muito cedo para Platão (platus, grande), apelido que provavelmente é atribuído a ele por causa da largura dos ombros ou da testa. Ele estuda letras, matemática, música e ginástica.

Seu encontro com Sócrates em 408 foi decisivo e levou-o a desistir das artes para se dedicar à filosofia, mas todo o seu trabalho manteve essa impregnação poética muito forte desse primeiro treinamento. Durante toda a sua vida, ele manteve grande admiração por seu primeiro mestre. Que Atenas possa acusar impiedade e condenar à morte o homem mais eminente de seu tempo o marcará para sempre e determinará a direção de sua prática filosófica.

Desapontado com a democracia, profundamente afetado pela morte do mestre, Platão decide se exilar e faz muitas viagens, especialmente na Grande Grécia (sul da Itália). Na Sicília, ele tentou em vão convencer Denys the Elder a estabelecer uma forma de governo governado pela filosofia. O tirano briga com ele e o entrega a um capitão que o vende como escravo; felizmente foi comprado por um amigo.

Platão retorna a Atenas (por volta de 387), onde funda uma escola de filosofia que será chamada de Academia porque estava nos jardins de Academus. Ensinamos filosofia, mas também matemática e ginástica. O ensino é fornecido na forma de discussões e debates de idéias, o que explica a predileção de Platão pelo diálogo. Entre os alunos mais brilhantes está Aristóteles - o único que pode realmente competir com o mestre.

É provavelmente na Academia que Platão compôs a maioria de suas obras, os resultados de suas reflexões sobre Ideias, Natureza, Deus e o Soberano. A maioria de suas obras-primas foi preservada e suas teorias marcaram toda a história da filosofia até os dias atuais.

Platão retornará à Sicília para tentar guiar o sucessor de Dionísio, o Velho, Dionísio, o Jovem, em direção à sabedoria, sem sucesso. Sua última viagem, realizada para salvar um de seus amigos, quase lhe custou a vida. Então ele retornou definitivamente a Atenas, onde se dedicou à filosofia até sua morte, aos oitenta anos de idade.


PARA COMPREENDER MAIS

Este importante filósofo grego nasceu em Atenas, provavelmente em 427 a.C. e morreu em 347 a.C. É considerado um dos principais pensadores gregos, pois influenciou profundamente a filosofia ocidental. Suas ideias baseiam-se na diferenciação do mundo entre as coisas sensíveis (mundo das idéias e a inteligência) e as coisas visíveis (seres vivos e a matéria).


Filho de uma família de aristocratas, começou seus trabalhos filosóficos após estabelecer contato com outro importante pensador grego: Sócrates. Platão torna-se seguidor e discípulo de Sócrates. Em 387 a.C, fundou a Academia, uma escola de filosofia com o propósito de recuperar e desenvolver as ideias e pensamentos socráticos. Convidado pelo rei Dionísio, passa um bom tempo em Siracusa, ensinando filosofia na corte.


Ao voltar para Atenas, passa a administrar e comandar a Academia, destinando mais energia no estudo e na pesquisa em diversas áreas do conhecimento: ciências, matemática, retórica (arte de falar em público), além da filosofia. Suas obras mais importantes e conhecidas são: Apologia de Sócrates, em que valoriza os pensamentos do mestre; O Banquete, fala sobre o amor de uma forma dialética; e A República, em que analisa a política grega, a ética, o funcionamento das cidades, a cidadania e questões sobre a imortalidade da alma.

Ideias de Platão para a educação
Platão valorizava os métodos de debate e conversação como formas de alcançar o conhecimento. De acordo com Platão, os alunos deveriam descobrir as coisas superando os problemas impostos pela vida. A educação deveria funcionar como forma de desenvolver o homem moral. A educação deveria dedicar esforços para o desenvolvimento intelectual e físico dos alunos. Aulas de retórica, debates, educação musical, geometria, astronomia e educação militar. Para os alunos de classes menos favorecidas, Platão dizia que deveriam buscar em trabalho a partir dos 13 anos de idade. Afirmava também que a educação da mulher deveria ser a mesma educação aplicada aos homens.

Frases de Platão

"O belo é o esplendor da verdade".

"O que mais vale não é viver, mas viver bem".

"Vencer a si próprio é a maior de todas as vitórias".

"O amor é uma perigosa doença mental".

"Praticar injustiças é pior que sofrê-las".

"A harmonia se consegue através da virtude".

"Teme a velhice, pois ela nunca vem só".

"A educação deve possibilitar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza que podem ter".

"A essência incolor, sem forma e intangível, Deus,
só pode ser contemplado pelo guia da alma, inteligência; em torno da essência é a permanência da ciência perfeita que abraça toda a verdade".

"O conhecimento das palavras leva ao conhecimento das coisas".



MAIS DETALHES DA BIOGRAFIA DE PLATÃO:

Juventude
Platão nasceu em Atenas em 428 aC., logo após a morte de Péricles, em uma rica família aristocrática, proprietários de terras vinculados ao partido oligárquico no poder.

"Platão" é talvez apenas um apelido (que vem da "largura" de Platão) que lhe teria sido dado porque era amplo. Ele era bonito e forte, de acordo com Epiteto. Diz-se que ele competiu nas Olimpíadas e nos Jogos do Istmo como lutador, e ganhou dois prêmios.

De acordo com o biógrafo Laércio (Diógenes Laércio, historiador e biógrafo dos antigos filósofos gregos. A sua maior obra é Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres, composta por dez livros, que contêm relevantes fontes de informações sobre o desenvolvimento da filosofia grega), em sua juventude, Platão foi reservado e sábio a ponto de você nunca o ver rir em voz alta.

Ele primeiro se dedicou à poesia, escreveu tragédias, versos líricos, etc. Ele aprendeu sobre pintura e música. Ele é aluno de Teodoro de Cirene, o tutor de Sócrates.

Filosofia de aprendizagem
Depois, aos 20 anos, conheceu Sócrates e voltou-se para a filosofia. Ele queima todas as suas obras e abandona a ideia de competir pela tragédia grega.

Ele se tornou discípulo de Sócrates por nove anos, de -408 a -399, até ser sentenciado à morte.

Segundo Diógenes Laércio, diz-se que Sócrates teve um sonho: ele viu de joelhos um cisne coberto de penas e voou para longe. No dia seguinte, Platão veio se juntar a ele como discípulo. E Sócrates declarou que Platão era o pássaro que ele tinha visto em um sonho.

Ele começa a escrever seus diálogos, encenando Sócrates, durante sua vida. Após a leitura pública de uma de suas obras, Lísis, seu mestre exclama: Quantas coisas esse jovem me faz dizer que nunca pensei nisso!

Sócrates
Sócrates pratica o método, ou a arte de dar à luz conhecimentos: ele não lhes impõe nenhuma ideia, mas as pressiona com perguntas até que uma ideia seja formada em sua mente.

Ele costuma ser irônico com relação a seus interlocutores, porque eles acreditam que sabem alguma coisa, enquanto Sócrates, por sua parte, sabe que ele não sabe nada. Através de suas perguntas intrigantes, ele revela a eles a futilidade de seus supostos conhecimentos.

Chamamos de "dialética socrática" esse modo de fazer perguntas para progredir na busca da verdade.

Os primeiros diálogos de Platão são dedicados à busca da essência. Estas são questões de definição: "O que é X? " Por exemplo, no Eutífron, o que é piedoso? Em Hípias, o que é bonito?

Ele desenvolve uma crítica aguda aos sofistas: ele os censuram por serem pagos, por terem desenvolvido apenas uma retórica simples e não uma sabedoria autêntica, para abandonar a busca da verdade por um subjetivismo simples (que expressaria a fórmula de Protágoras, o homem é a medida de tudo).

Esse período dura nove anos, no final dos quais Sócrates é condenado à morte por um tribunal ateniense por "corrupção da juventude". A filosofia era vista com desconfiança como um meio de propagar ideias perigosas na cidade.

Doente, Platão não testemunhou a morte de Sócrates. Pensando que ele próprio poderia ser preso, ele fugiu de Atenas, com alguns outros discípulos, e refugiou-se em Mégara, uma cidade localizada a algumas dezenas de quilômetros de distância.

A teoria das ideias
Apegou-se a Cratile, um discípulo de Heráclito, mas também a Hermógenes, que lhe transmitiu a sabedoria dos eleatas e, em particular, de Parmênides. Deve-se notar que, de acordo com Aristóteles, Platão era discípulo de Cratile antes de ser aluno de Sócrates, mas, para Diógenes Laércio e outros historiadores, é o contrário.

Essas várias influências alimentaram seu reflexo. Em particular, ele lembra de Heráclito que o mundo sensível, o que percebemos, está sujeito a mudanças permanentes e que nada permanece fixo (nunca tomamos banho duas vezes no mesmo rio). Ele descobre as aporias do movimento levantado pelos Eleatas e o interesse de Parmênides na questão de ser e não ser.

Aqui está o que Diógenes Lércio diz sobre essas várias influências filosóficas: Ele fez uma síntese das teorias de Pitágoras, Heráclito e Sócrates, retirando de Heráclito sua teoria da sensação, de Pitágoras sua teoria da inteligência, de Sócrates sua política.

Platão então desenvolveu sua própria doutrina, baseada em um dualismo entre duas realidades, o mundo sensível e o mundo inteligível: a teoria das Ideias.

O mundo sensível muda, degrada, perece. Devemos, portanto, imaginar uma segunda realidade, eterna, incorruptível, que contenha as idéias ou essências. Por exemplo, no mundo sensível, um belo garoto envelhece e morre, mas a Ideia de Bem, no mundo inteligível, permanece eterna.

A ideia suprema é a ideia do bem. Nós contemplamos as Ideias em uma vida anterior, e lembramos delas reminiscentemente.

Viagens
Em 390, ele viajou: foi para o Egito, onde conheceu os sacerdotes do alto clero.

Mas não é certo que essa viagem tenha realmente ocorrido, porque Platão parece desenvolver apenas um conhecimento indireto e limitado do Egito.

Ele também viajou para o sul da Itália, para Taranto, onde conheceu os pitagóricos (Philolaos de Crotone, Architas de Tarente ...). Ele descobre essa doutrina, que mostra a ele que, sob a realidade sensível, oculta outra realidade, matemática e permanente, a do número. 

Ele então foi para a Sicília. Platão abandonou a vida política cedo, por causa dos excessos da ditadura dos trinta e da condenação de Sócrates. Isso não é sem arrependimento, pois para ele a vida política aparece como a conquista principal da vida filosófica.

Platão vê a Sicília como uma oportunidade para se dedicar à política. Ele tenta em vão convencer Dionísio, o tirano de Siracusa, a adotar certas reformas, de inspiração filosófica. Mas ele falha e acaba brigando com este.

Como Diógenes Laércio relata: Platão falava com ele de tirania e dizia constantemente que o que só era útil para um homem não era bom, se este homem não era muito virtuoso. Desse modo, ofendeu Dionísio, que resolveu vendê-lo como escravo.

Platão, reduzido ao estado de escravo, é redimido e libertado por um discípulo de Sócrates, Annikeris.

Este último se recusando a ser reembolsado, o dinheiro do resgate é usado para adquirir terras em Atenas. Nesse terreno, é fundada uma escola. Como está localizado perto do santuário do herói Academos, é chamado de Academia.

A Academia
Platão ensina por quarenta anos nesta escola que ele fundou.

Acolheu e treinou estudantes de prestígio como Aristóteles, Demóstenes, Teofrasto, Xenócrates ...

Os objetos estudados? Filosofia, é claro, mas também matemática ou astronomia, duas disciplinas consideradas rainhas por Platão. Este também tinha gravado na entada da Academia esta frase: que ninguém entra aqui a menos que seja um agrimensor.

Zoologia e botânica também podem ter sido ensinadas.

É a primeira escola filosófica organizada como uma universidade, no sentido moderno do termo, com regulamentos, acomodações para estudantes, uma biblioteca, uma sala de conferências, etc.

A educação oral foi considerada a mais importante. Apenas um interesse limitado foi dado à transmissão por escrito.

Em -366, Aristóteles ingressou na Academia, aos dezessete anos, por vinte anos.

Segundo Diógenes Laércio, este Aristóteles foi o único a ouvir Platão lendo seu tratado de alma, todos os outros ouvintes foram embora antes do fim.

A escola permaneceu por nove séculos, até o reinado do imperador bizantino Justiniano, que a fechou em 529.

Política
Com a morte de Dionísio I, Dionísio, cunhado do tirano, oferece-se para educar seu sucessor, Dionísio II.

Platão acaba de completar a República em -372, uma obra na qual ele reafirma a necessidade de confiar poder político ao rei filósofo. Aqui, novamente, ele vê a oportunidade de colocar em prática seus princípios e estabelecer um poder autenticamente filosófico.

Mas Dionísio é suspeito de conspiração por Dionísio II, e Platão, de quem também cai a desconfiança real, é detido um ano na prisão.
  
Foi em -360 que ocorreu a terceira e última viagem política de Platão à Sicília. Relembrado por Dionísio II, Platão, aos 68 anos, confiou a Academia a um de seus discípulos e foi para Siracusa. Mas aqui novamente, as relações com o tirano eram conflitantes, e apenas a intervenção de um navio de guerra enviado pelos arquitas pitagóricos o libertou.


Morte e influência
No final de sua vida, parece que Platão deu um ensino muito mais pitagórico, centrado na matemática e nos Números ideais.

Ele também havia comprado três livros pelo preço do ouro, referentes às obras de Pitágoras durante sua última viagem à Sicília, o que lhe permitiu aprofundar seu conhecimento dessa doutrina.
  
Platão morreu em Atenas em 347 aC, durante um jantar de casamento. Ele foi então imerso em escrever As Leis.

Após sua morte, ele foi reverenciado e considerado um filho do deus Apolo.

Todas as obras de Platão foram preservadas. No entanto, na Idade Média, poucas delas foram traduzidas para o latim e, portanto, apenas algumas foram lidas na época (especialmente Timeu).

Todas são diálogos, com exceção de desculpas e cartas. Eles são geralmente classificados em três categorias: diálogos de juventude, maturidade e velhice.


Diálogos considerados de juventude ou socráticos, até cerca de 390 a.C. (antes da morte de Sócrates).

Apologia de Sócrates
Críton ou Do Dever
Íon ou Da Ilíada
Laqués ou Da coragem
Lísis ou Da Amizade
Cármides ou Da Sabedoria
Eutífron ou Da Santidade

Diálogos ditos de transição:

Eutidemo ou Da Erística
Hípias menos ou Da Mentira
Crátilo ou Da Etimologia
Hípias Maior ou Do Belo
Menexeno ou Do Epitáfio
Górgias ou Da Rétorica
República - livro I
Protágoras ou Dos sofistas
Ménon ou Da Virtude

Diálogos de maturidade (escritos provavelmente entre 387 a.C. e 368 a.C.):

Fédon ou Da Alma
Banquete ou Do Bem
República - livros II a X
Fedro ou Da Beleza

Diálogos considerados de velhice:

Parménides ou Das Formas
Teeteto ou da Ciência
Sofista ou Do Ser
Político ou Da Realeza
Filebo ou Do Prazer
Timeu ou Da Natureza
Crítias ou Da Atlântida
Leis (inacabado)

Há ainda outras obras cuja autoria é contestada: Alcibíades I e II, Epinómide ou Do Filósofo, Hiparco, Minos, Os Rivais, Téages e Clítofon.

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ensaio: MiTO e FiloSofia...


Vamos falar de Filosofia?
Por Lucio Lopes

O conhecimento Ocidental basicamente orientado pelos
grandes sistemas filosóficos
desde Tales de Mileto, é jovem se comparado à idade hominídea
e este disparate em anos existenciais, torna-se extremamente
largo se comparado à idade do Universo... Como Filósofo docente
tenho a missão de trabalhar a filosofia com educandos do Ensino
Médio. Ora, mas filosofia não se ensina! GRAMSCI foi muito
feliz ao dizer que de alguma forma todos nós ocidentais
somos filósofos, uma vez que herdamos o conhecimento forjado
pelo pensamento filosófico grego. Urge dizer então que na
verdade filosofia não se ensina e ponto final. Resolvida esta
questão, que não é exclusivamente minha e muito menos
nossa - mas que também foi uma questão Kantiana;
fica a pergunta: qual é então o papel do docente de
filosofia junto aos educandos? Kant tinha uma máxima como
resposta: "não se pode ensinar filosofia e sim aprender a filosofar".
A resposta então é tão direta quanto
a primeira: o docente de filosofia tem a missão de ajudar
seus educandos a filosofarem e ponto final.
Resta então outra divagação, a de como?Ao longo da história,
desde Tales de Mileto, a filosofia foi sendo constituída de
grandes sistemas filosóficos. Estes mesmos sistemas filosóficos
nos impedem de formularmos um conceito universal e verdadeiro
acerca daquilo que é a filosofia enquanto definição homogênea.
Em nossa contemporaneidade sou adepto de um dos filósofos mais
extraordinários que a França já ofereceu ao mundo,



estou falando de Gilles Deleuze (1925-1995),
que trabalhava com o conceito muito cristalinizado de filosofia
como uma fabrica de produzir conceitos. Em sua obra
" O que é a Filosofia?" escrita em parceria com o psicólogo
e ativista social Félix Guattari (1930-1993) ele diz:

"A filosofia é a arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos /.../
O filósofo é o amigo do conceito, ele é conceito em potência.
Quer dizer que a filosofia não é uma simples arte de formar,
de inventar ou de fabricar conceitos, pois os conceitos
não são necessariamente formas,
achados ou produtos. A filosofia,
mais rigorosamente, é a disciplina que consiste em criar conceitos."

O PDF "Una vida filosofica" (em espanhol) está disponível para você baixar no seu computador.
Assim, sendo... ensinar filosofar é ensinar a arte de criar conceitos!


Mas como falar de Filosofia sem falar em Mito???
Impossível...

Descendo às origens da filosofia genuinamente grega...

Mas como entrar na problematização existencial da filosofia sem revisitarmos o Mito Grego com todo seu capital simbólico como conhecimento
que antecede ao filosófico, constituindo-se em respostas concretas às
indagações do homem pré-filosófico? O Mito enquanto conhecimento
ilógico, simbólico, poético, fantasioso, irreal, assistemático e por
tudo isto não necessitando de provas implicando no imperativo
"sine qua non" de que é sempre verdadeiro e irrefutável; é portanto
um conhecimento que satisfaz o homem em suas indagações frente
aos "mistérios" naturais do Cosmo e de seu próprio mundo interior.
O Mito para o grego antigo é praticamente o único conjunto de
conhecimentos que lhe oferece respostas àquelas velhas e tão
sempre contemporâneas nossas: as questões existenciais...
Na Grécia o Mito é identificado religiosamente e é colocado
em prática através de ritos. Digamos que sua
principal característica é a de ser
politeísta. Vejamos,
hoje a tecnologia científica nos permite um "alerta", uma previsão sobre qualquer
que seja o fenômeno da Natureza - como por exemplo tempestades,
terremotos, furacões... Tendo este conhecimento antecipado
pode-se salvar vidas através de medidas rápidas de auto-defesa...
No tempo em que o Mito imperava na Grécia o máximo que se podia fazer
era dar uma explicação tal como os deuses estão brigando, ou
enfurecidos e coisas do gênero... O Mito não é exclusivamente grego,
todos os povos primitivos possuíam os seus. A mitologia grega é bela e seu destaque se deve ao conhecimento filosófico gestado a partir dela. Ainda hoje, Mito e Filosofia caminham lado a lado. Temos os Mitos ameríndios,
mitos africanos são muito latentes ainda hoje,
sem falar dos Mitos que a mídia impõem
aos nossos jovens especialmente.. Obviamente
hoje o Mito em nossa sociedade brasileira
tem outras funções e enquanto conhecimento é apresentado
de forma fragmentária
(mito do futebol p.ex. Kaká; do sexo p.ex. Madona; da política p.ex. Fidel...) o que é, o oposto da Mitologia grega e dos povos primitivos, que era
um conhecimento homogêneo. O verbete MITO hoje é empregado para
dizer a "verdade" de uma mentira.A Mitologia Grega se estrutura no culto
politeísta e os deuses eram atropomórficos. Na Grécia Antiga, as várias cidades-estados
eram parte de uma mesma comunidade religiosa: tinham
as mesmas crenças e rituais, tanto que se faziam
representar num santuário comum, Delfos. Por ex. no
Velho Testamento os Judeus nos primeiros capítulos
do Livro de Gênesis bebem da mitologia babilônica
adaptando sua mitologia ao Deus monoteísta para explicarem as
origens do Universo e tudo o que nele há. De comum com os gregos há
a tradição oral pela qual se passa de geração à geração estes
conhecimentos e os cultos pelos quais os fortalecem em sua relação
com o sobrenatural em nossa existência passageira.
Também a forma do anúncio: sempre por uma pessoa
e em público. Essa tarefa, na Grécia Antiga, cabia ao poeta-rapsodo. Portanto, o judaísmo os profetas desempenhavam
esse papel no Mito Grego o poeta. Na verdade, todos os povos
possuem suas explicação acerca das questões existenciais... À questão cosmológica que deu origem à Filosofia e à Ciência, e que o Conhecimento Mítico na Grécia Antiga respondia por meio de uma Cosmogonia/Teogonia, o conhecimento
científico nos oferece a teoria do "big bang" e/ou de uma grande explosão que explicaria as origens do Universo e da evolução dos hominídeos a partir
dos primatas / TRATAREMOS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO
FUTURAMENTE e de como  este conhecimento correu o
perigo de se transformar em mito quando os positivistas, por exemplo, ficaram indiferentes em relação à
 mãe das ciências,a Filosofia...


Cosmogonia e Teogonia (Mito Grego)
Importante observar que a relação Cosmogonia e Teogonia nos oferece uma pergunta e uma resposta. Importante lembrar que no Mito Grego o Sobrenatural explica o Mundo Natural. A origem desse mundo logo será explicada a partir das forças sobrenaturais. Cosmo vem de Universo em grego, e gonia vem de nascimento. Logo, a pergunta que daí nasce é como originou-se o Universo? A resposta vem em forma de Teo = deus + gonia = nascimento. Ou seja ao nascerem os deuses nasceu o Universo. Cada elemento do Universo é identificado com um deus gerado. Por exemplo, a deusa Gaia é a Mãe-Terra; Urano é o Céu. E assim por diante...

O CAOS para os gregos é
o princípio existencial vital não só do
Cosmo-Universo; mas de tudo que nele há...

Estrutura do MITO grego

O CAOS gerou após o Cosmo
os seres primordiais: deuses imortais tais como, por exemplo,


GAIA a Terra
ela vem depois do CAOS e tem uma potencialidade geradora
tão absurda que consegue gerar outros seres sozinha e
Tártaro o Inferno; Eros o organizador do Cosmo, Erebus...
Das relações sexuais destes seres primordiais e depois
destes com os gerados por eles e destes todos com os outros seres...
fazem surgir os seres constitutivos da gênese do Cosmo: os deuses
imortais / titãs , heróis, ninfas...; os intermediários entre deuses
e homens - os daímones; os semideuses, filhos de um deus e um
mortal - os Heróis; e os homens... Uma vez constituída a gênese
dos seres no Cosmo, de suas relações se originarão as respostas
para todas as indagações humanas frente ao real do Cosmo. Os gregos
encontrarão respostas não só para as questões existenciais envoltas
em mistérios como donde saímos, que fazemos aqui e para onde vamos...
bem como também, para questões relacionadas ao interior humano em
seu mundo dos sentimentos: amor, paixão, ódio... e exclusivamente
para os problemas cotidianos. O Mito é vivenciado através da narrativa
pelo poeta-rapsodo que testemunhou os fatos ou foi encarregado por
um deus para anunciar um dada verdade... A vivência do Mito se
realiza através do culto às divindades. Ainda que o mesmo deus
seja cultuado por todos os gregos, em cada pólis ele recebe
características próprias - por isso as narrativas mitológicas
podem possuir várias versões;
sendo assim nem sempre existe uma coerência homogênea.
Os cultos acontecem em templos,
jogos ou lugares sagrados como o Monte Olimpo por exemplo,
casa dos 12 deuses liderados pelo deus dos deuses Zeus,


filho de Crono e Réia e neto de Gaia e Urano. Os jogos olímpicos por exemplo eram uma forma de culto religioso. Em suas origens, era um culto aos deuses intercedendo pelos mortos de um período de 4 anos para que ao final de seu tempo de 1000 anos no Hades pudessem ter um final feliz ganhando
o direito de se tornarem divindades e evitando o Tártaro. Os falecidos
nesse período de espera pelo julgamento final eram reverenciados tendo sua vestes e pertences
depositados em um grande campo e ocorriam então longas procissões. Esses
cultos ocorriam sempre na primeira lua cheia do verão do
hemisfério norte. Após as sacerdotisas acenderem chamas que
os jovens levavam até o templo do deus patrono da pólis, a população
abandonava a cidade para os mortos passearem por
suas ruas para lebrarem de suas vidas passadas. Porém,
as procissões sempre acabavam em violência porque muitos gregos
buscavam resolver problemas pessoais e acabavam brigando...
O tumulto era generalizado. Para instaurar a paz,
paralelamente foram criados
os jogos: Em Corinto, um dos principais portos gregos, situado no
istmo que liga a península do Peloponeso ao continente, esses jogos
eram chamados de Jogos Ístmicos. Em Delfos, onde havia o famoso
Oráculo de Apolo, eram Jogos Píticos. Em Argos eram Jogos Nemeus.
Este conjunto de jogos, juntamente com os Jogos Olímpicos que se
realizavam em Olímpia, perto de Elis, ficaram conhecidos como
jogos pan-helênicos. Ora, os Olímpicos de olímpia não demoraram
a ganhar notoriedade e do século VIII a.C. até o V d.C. ocorreram
de forma ininterrupta. Não demorou muito para que os gregos buscassem
neles para além da reverência aos seus mortos e aos esportes,
também o culto à beleza... Constituíam-se em jogos da Paz.
Assim é o Mito Grego em linhas gerais... voltarei a retomar
este tema em meu próximo ensaio... e não se esqueça... nós nunca
devemos ceder à ignorância o nosso direito de filosofarmos e
de realizarmos o nosso encontro com a verdade. Um abraço....