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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: O ENFRENTAMENTO À HOMOFOBIA EM SALA DE AULA: UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA

LOPES, Lucio de Lima. O ENFRENTAMENTO À HOMOFOBIA EM SALA DE AULA: UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA. 192 fls. Dissertação (Mestrado em Ensino) – Universidade Estadual do Paraná – Campus de Paranavaí. Orientadora: Profª Drª Isabela Candeloro Campoi. Paranavaí, 2016. 

RESUMO Esta dissertação tem como foco o conteúdo contemporâneo de diversidade sexual, com o recorte da problemática em torno da homofobia, de acordo com o que solicitam as diretrizes curriculares do Estado do Paraná para o Ensino Médio, quanto ao enfrentamento às violências de sexualidade e gênero. Discute-se o tema permeado por questões conceituais e culturais de gênero, orientação e identidade sexuais. O problema de pesquisa foi formulado a partir das experiências como docente na Educação Básica. Perguntou-se em que medida a abordagem pedagógica a respeito da homofobia na escola pode contribuir para a desestabilização de preconceitos impedindo discriminações a sujeitos LGBT, promovendo, ao mesmo tempo, a diversidade e qualidade na educação. Esta dissertação foi construída por meio de uma discussão teórica e análise de dados obtidos em intervenção pedagógica, que trabalhou a questão da homofobia na disciplina de filosofia, nos meses de junho e julho de 2015, no Colégio Estadual Prof. Bento Munhoz da Rocha Neto, na cidade de Paranavaí – PR. O estudo baseou-se em aportes teóricos que ajudaram a refletir sobre a relação cultura e educação frente ao problema da homofobia. Os aportes teóricos e os dados da pesquisa de campo evidenciaram, desde a reflexão sobre a homofobia em conexão a outras formas de discriminações, que a escola é um espaço profícuo para a promoção dos direitos humanos no enfrentamento a todas as formas de violências almejando a desconstrução de preconceitos arraigados na cultura pelos códigos simbólicos hierarquizadores. A homofobia é um problema cultural que precisa ser racionalizado e combatido por meio das contribuições científicas, e a escola não pode omitir o seu relevante papel nessa tarefa. Na discussão teórica constatou-se que professores (as) necessitam de formação inicial e continuada com foco na diversidade e deles depende a organização de um trabalho pedagógico coletivo de enfrentamento à homofobia, alicerçado na perspectiva da construção histórica e social. Percebeu-se a escola como espaço reprodutor de estigmas, de discriminações, de mecanismos de negação das diferenças, mas também como um lócus onde os educandos expressam uma latente tolerância, porque não dizer excepcional, para debater o tema . Essa abertura de consciência e espírito tornou-se o elemento generalizável de nossa pesquisa. Verificou-se ainda que, novos olhares a partir de processos pedagógicos, podem favorecer o empoderamento dos sujeitos escolares LGBT.


Disponibilizamos para quem desejar, Ler ou Consultar, minha dissertação de Mestrado intitulada: "O ENFRENTAMENTO À HOMOFOBIA EM SALA DE AULA: UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA", encontra-se disponível em PDF no seguinte endereço:  http://fafipa.br/ppifor/

quinta-feira, 19 de maio de 2011

EDUCAÇÃO: PRECONCEITO COMBATE-SE COM CONHECIMENTO



EDUCAÇÃO
DIREITOS HUMANOS / ÉTICA
Le Monde destaca união gay no Brasil neste dia mundial contra a homofobia
Atualizado em filoparanavai 17.05.2011 às 09h00

por Adriana Brandão da Radio France Internationale
O mundo comemora nesta terça-feira o sétimo dia mundial contra a homofobia. A data, festejada em mais de 70 países, celebra a retirada da homossexualidade da lista de doenças mentais em 17 de maio de 1990. O jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta terça-feira faz um exaustivo balanço das conquistas e da persistência das discriminações contra os homossexuais em vários países do mundo. O reconhecimento da união homossexual pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil é apontado como um avanço importante pelo jornal francês.
O artigo de Le Monde explica que o tribunal brasileiro reconheceu um “quase casamento gay”. O maior país católico do mundo concede aos casais homossexuais os mesmos direitos que os heterossexuais em união estável. A decisão, por unanimidade, é memorável, escreve o jornal.

Mas, ressalta o artigo, o casamento homossexual continua sendo ilegal no Brasil. A Constituição brasileira, de 1998, reconhece como entidade familiar a união estável entre um homem e uma mulher. Segundo o Le Monde, os juízes do STF fizeram uma interpretação liberal da Constituição, ao afirmar que “a definição de família do texto constitucional não é exaustiva e que outros tipos de família merecem a proteção do Estado”.

O Supremo afina a justiça à sociedade brasileira elogia o Le Monde, e “ocupa o lugar do poder legislativo do país, pouco corajoso e dividido”. O artigo lembra que desde 1996, cerca de 20 projetos de lei em defesa dos direitos dos homossexuais foram apresentados no Congresso em Brasília, mas eles foram sistematicamente barrados pelos grupos evangélicos e católicos da casa.

Apesar do avanço da decisão do STF, a modificação da Constituição e o reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil, como em outros países latino-americanos, parecem impossíveis, pelo menos a curto-prazo. Le Monde alerta inclusive para o fato de que o país detém o recorde mundial de assassinatos de gays. Em 2010, 260 homossexuais foram assassinados no Brasil, registrando uma alta de 31% em relação a 2009.






Minha reação ante a morte de Osama
publicado em filoparanavai 13/05/2011 às 09h00
Por Noam Chomsky

Fonte Guernica Magazine (via Cubadebate e Vermelho, em 09/5/2011)
Poderiamos perguntar a nós mesmo como reagiríamos se um comando iraquiano pousasse de surpresa na mansão de George W. Bush, o assassinasse e, em seguida, atirasse seu corpo no Oceano Atlântico.

Fica cada vez fica mais evidente que a operação foi um assassinato planejado, violando de múltiplas maneiras normas elementares de direito internacional. Aparentemente não fizeram nenhuma tentativa de aprisionar a vítima desarmada, o que presumivelmente 80 soldados poderiam ter feito sem trabalho, já que virtualmente não enfrentaram nenhuma oposição, exceto, como afirmara, a da esposa de Osama bin Laden, que se atirou contra eles.

Em sociedades que professam um certo respeito pela lei, os suspeitos são detidos e passam por um processo justo. Sublinho a palavra "suspeitos". Em abril de 2002, o chefe do FBI, Robert Mueller, informou à mídia que, depois da investigação mais intensiva da história, o FBI só podia dizer que "acreditava" que a conspiração foi tramada no Afeganistão, embora tenha sido implementada nos Emirados Árabes Unidos e na Alemanha.

O que apenas acreditavam em abril de 2002, obviamente sabiam 8 meses antes, quando Washington desdenhou ofertas tentadoras dos talibãs (não sabemos a que ponto eram sérias, pois foram descartadas instantâneamente) de extraditar a Bin Laden se lhes mostrassem alguma prova, que, como logo soubemos, Washington não tinha. Por tanto, Obama simplesmente mentiu quando disse sua declaração da Casa Branca, que "rapidamente soubemos que os ataques de 11 de setembro de 2001 foram realizados pela al-Qaida.

Desde então não revelaram mais nada sério. Falaram muito da "confissão" de Bin Laden, mas isso soa mais como se eu confessasse que venci a Maratona de Bosto. Bin Laden alardeou um feito que considerava uma grande vitória.

Também há muita discussão sobre a cólera de Washington contra o Paquistão, por este não ter entregado Bin Laden, embora seguramente elementos das forças militares e de segurança estavam informados de sua presença em Abbottabad. Fala-se menos da cólera do Paquistão por ter tido seu território invadido pelos Estados Unidos para realizarem um assassinato político.

O fervor antiestadunidense já é muito forte no Paquistão, e esse evento certamente o exarcebaria. A decisão de lançar o corpo ao mar já provoca, previsivelmente, cólera e ceticismo em grande parte do mundo muçulmano.

Poderiamos perguntar como reagiriamos se uns comandos iraquianos aterrizassem na mansão de George W. Bush, o assassinassem e lançassem seu corpo no Atlântico. Sem deixar dúvidas, seus crimes excederam em muito os que Bin Laden cometeu, e não é um "suspeito", mas sim, indiscutivelmente, o sujeito que "tomou as decisões", quem deu as ordens de cometer o "supremo crime internacional, que difere só de outros crimes de guerra porque contém em si o mal acumulado do conjunto" (citando o Tribunal de Nuremberg), pelo qual foram enforcados os criminosos nazistas: os centenas de milhares de mortos, milhões de refugiados, destruição de grande parte do país, o encarniçado conflito sectário que agora se propagou pelo resto da região.

Há também mais coisas a dizer sobre Bosch (Orlando Bosch, o terrorista que explodiu um avião cubano), que acaba de morrer pacificamente na Flórica, e sobre a "doutrina Bush", de que as sociedades que recebem e protegem terroristas são tão culpadas como os próprios terroristas, e que é preciso tratá-las da mesma maneira. Parece que ninguém se deu conta de que Bush estava, ao pronunciar aquilo, conclamando a invadirem, destruirem os Estados Unidos e assassinarem seu presidente criminoso.

O mesmo passa com o nome: Operação Gerônimo. A mentalidade imperial está tão arraigada, em toda a sociedade ocidental, que parece que ninguém percebe que estão glorificando Bin Laden, ao identificá-lo com a valorosa resistência frente aos invasores genocidas.

É como batizar nossas armas assassinas com os nomes das vítimas de nossos crimes: Apache, Tomahawk (nomes de tribos indígenas dos Estados Unidos). Seria algo parecido à Luftwaffe dar nomes a seus caças como "Judeu", ou "Cigano".

Há muito mais a dizer, mas os fatos mais óbvios e elementares, inclusive, deveriam nos dar mais o que pensar.

*Noam Chomsky é professor emérito do Departamento de Linguística e Filosofía del MIT, professor de linguística e filosofia no Massachusetts Institute of Technology (MIT), é também um ativista político incansável em suas manifestações contra o capitalismo americano. É autor de numerosas obras políticas. Seus últimos livros são uma nova edição de "Power and Terror", "The Essential Chomsky" (editado por Anthony Arnove), uma coletânea de seus trabalhos sobre política e linguagem, desde os anos 1950 até hoje, "Gaza in Crisis", com Ilan Pappé, e "Hopes and Prospects", também disponível em áudio.

Fonte: Cubadebate

Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil
MAIO é o mês dedicado ao combate da HOMOFOBIA. Conhecimento científico e filosófico são duas armas acertadas para esta tarefa. PRECONCEITO é sinônimo de ignorância, especialmente em nosso atual contexto histórico. Para produzirmos argumentações filosóficamente válidas é necessário fundamentação teórica e para isso retomamos, com a ahuda do texto abaixo, de VENTURI, alguns elementos de uma pesquisa - que apesar de elaborada em 2009 - ainda continua atual e pode nos oferecer muitas luzes para nossa reflexão.

Intolerância e respeito às diferenças sexuais
Apresentação
Por Gustavo Venturi*

“Deus fez o homem e a mulher [com sexos diferentes] para que cumpram seu papel e tenham filhos”
(frase popular, anônima, que tem a concordância de 11 em cada 12 brasileiros/as)

No final de janeiro de 2009 foi apresentada no Fórum Social Mundial, em Belém, a primeira parte da pesquisa intitulada Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil, Intolerância e respeito às diferenças sexuais – uma realização da Fundação Perseu Abramo, em parceria com a alemã Rosa Luxemburg Stiftung.

Com dados coletados em junho de 2008(1), a pesquisa percorreu processo de elaboração semelhante ao de estudos anteriores do NOP(2), tendo sido convidados pela FPA para definir quais seriam as prioridades a investigar, entidades e pesquisadores dedicados ao combate e ao estudo da estigmatização e da discriminação dos indivíduos e grupos com identidades ou comportamentos sexuais que não correspondem aos preceitos da heteronormatividade dominante – lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).

Com o intuito de subsidiar ações para que as políticas públicas avancem em direção à eliminação da discriminação e do preconceito contra as populações LGBT, de forma a diminuir as violações de seus direitos e a promover o respeito à diversidade sexual, buscou-se investigar as percepções (indicadores subjetivos) sobre o fenômeno de práticas sociais discriminatórias em razão da orientação sexual e da identidade de gênero das pessoas, bem como manifestações diretas e indiretas de atitudes preconceituosas. A pesquisa cobriu assim um amplo espectro de temas, de modo que o relato que segue constitui uma leitura – entre muitas que certamente os dados obtidos permitem – sobre parte dos resultados que parecem mais relevantes.

O preconceito dos outros, o assumido e o velado

Indagados sobre a existência ou não de preconceito contra as pessoas LGBT no Brasil, quase a totalidade das pessoas entrevistadas respondeu afirmativamente: acreditam que existe preconceito contra travestis 93% (para 73% muito, para 16% um pouco), contra transexuais 91% (respectivamente 71% e 17%), contra gays 92% (70% e 18%), contra lésbicas 92% (69% e 20%) e, tão freqüente, mas um pouco menos intenso, 90% acham que no Brasil há preconceito contra bissexuais (para 64% muito, para 22% um pouco). Mas perguntados se são preconceituosos, apenas 29% admitiram ter preconceito contra travestis (e só 12% muito), 28% contra transexuais (11% muito), 27% contra lésbicas e bissexuais (10% muito para ambos) e 26% contra gays (9% muito).

O fenômeno de atribuir os preconceitos aos outros sem reconhecer o próprio é comum e esperado, posto que a atitude preconceituosa, considerada politicamente incorreta, tende a ser socialmente condenável. Assim, além do preconceito assumido, de antemão buscou-se cercar o preconceito velado, recorrendo-se a três tipos de questões. Primeiro, antes de falar em sexualidades ou em discriminação, através de um bloco de perguntas voltadas para captar a aversão a pessoas ou grupos sociais considerados ‘diferentes’, ‘estranhos’, ‘que não gostamos de encontrar’, que ‘podem nos fazer sentir antipatia por elas, às vezes até ódio’. Mais à frente, aferindo o grau de concordância ou discordância com frases “que costumam ser ditas sobre os homossexuais – coisas que algumas pessoas acreditam e outras não”. E, finalmente, testando a reação das pessoas entrevistadas a situações reais ou hipotéticas, de proximidade e contato social com gays e lésbicas: no espaço de trabalho, na vizinhança, em amizades, com médico ou médica em um tratamento, com o professor ou professora de filhos pequenos e na hipótese de que o próprio filho ou filha fosse homossexual.

Ao todo essas questões somaram 22 perguntas (26 variáveis), tendo-se atribuído às respostas de cada qual os valores zero, um ou dois – onde zero expressava não preconceito e dois a alternativa de resposta mais preconceituosa a cada pergunta. Por exemplo, diante da frase “a homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada”, à concordância total atribuiu-se dois pontos, à discordância total zero ponto e às alternativas intermediárias (concordo em parte ou discordo em parte) um ponto. Ou ainda, “se soubesse que sua melhor amiga é lésbica” romperia a amizade recebeu dois pontos, não gostaria mas procuraria aceitar recebeu um ponto e não se importaria ou ficaria contente zero ponto.

Do total da amostra, 6% dos entrevistados (que por suas respostas somaram mais de 2/3 dos pontos possíveis) foram classificados como tendo forte preconceito contra LGBTs; 39% como portadores de um preconceito mediano (somaram entre 1/3 e 2/3 dos pontos) e 54% manifestaram um grau de preconceito que foi classificado como leve (ficaram abaixo de 1/3 da pontuação possível). A leitura negativa é que apenas 1% não expressou qualquer nível de preconceito.

A medição da homofobia e a comparação de preconceitos

Em que pese a tentação sensacionalista de ‘denúncia’ a partir da constatação de que 99% da população brasileira têm algum grau de preconceito contra LGBTs (na verdade um resultado ambivalente, já que também potencialmente paralisante), é importante cautela na leitura dos dados para não forçá-los a dizerem o que não sustentam. Antes de mais nada, como todo achado em pesquisa social, esse percentual é a expressão não de uma realidade objetiva, mas um dado construído. Outras perguntas, frases ou outras situações de proximidade com homossexuais que fossem sugeridas, ou ainda outra forma de classificar e pontuar as respostas obtidas poderiam levar a uma taxa global de preconceito diferente – com certeza a outra distribuição das frequências na escala de preconceitos leve, mediano e forte.

Por sua vez, é evidente que uma medida de preconceito assim construída, pontuando como preconceituosas não apenas as respostas extremas, mas também respostas intermediárias – por exemplo, quem disse ter ‘antipatia’ por travestis (mas não ‘ódio ou repulsa’), ou ainda que não gostaria mas procuraria aceitar vizinhos homossexuais (em vez de não aceitaria e mudaria de casa) – não pode ser lida como sinônimo de medida da homofobia. Uma análise mais apurada dos dados colhidos (ainda a ser feita) certamente permitirá que se chegue a uma estimativa aproximada de quantos são os homofóbicos no país – os 6% que disseram espontaneamente no início da entrevista não gostar de ver ou de encontrar L, G, B ou Ts, antes mesmo que a temática da diversidade sexual fosse aventada, ou os que são totalmente contra a união conjugal homossexual, são candidatos a compor esse contingente. É provável que quase todos os já classificados como portadores de forte preconceito também integrem tal grupo.

Mas para o combate à homofobia desde já interessa distinguir valores e comportamentos discriminatórios de valores e atitudes meramente que, embora preconceituosos, não exprimam claramente apoio a discriminações, alguns até com tendência à tolerância – de forma a que se possa identificar o perfil e o espaço social de seus respectivos adeptos (conscientes ou não), com vistas à elaboração de políticas públicas focadas. Tomar os 99% preconceituosos como indistintamente homofóbicos é tecnicamente incorreto, do ponto de vista da construção desse dado, e politicamente ineficiente, do ponto de vista da intervenção no problema.

A despeito dessas observações, os resultados encontrados nesta investigação chamam atenção quando comparados com os de estudos recentes semelhantes. O diagnóstico de que a sociedade brasileira é preconceituosa contra diferentes grupos parece variar pouco: na pesquisa Idosos no Brasil, em 2006, 85% dos não idosos (16 a 59 anos) tinham afirmado que no Brasil há preconceito contra os mais velhos; na pesquisa Discriminação racial e preconceito de cor no Brasil, em 2003, 90% reconheciam que há racismo e 87% afirmavam que os brancos têm preconceito contra os negros; e agora, como vimos, cerca de 92% admitem que há preconceito contra LGBT no Brasil.

Mas tratando-se de preconceito assumido e velado o quadro comparativo é outro: se em 2006 apenas 4% dos não idosos admitiam ser preconceituosos em relação aos idosos, e se em 2003 também apenas 4% dos de cor não preta assumiam ser preconceituosos em relação aos negros (taxa que era de 10% em pesquisa do Datafolha, em 1995), agora encontramos em média 27% declarando ter preconceito contra LGBTT – sendo que 23% admitem ter preconceito contra os cinco grupos simultaneamente e 32% contra pelo menos um dos cinco. E com metodologia muito parecida, inclusive com perguntas análogas – por exemplo, como reagiria “se sua filha ou filho casasse com um/a negra/o”, feita para os de cor não preta – e ainda com algoritmo semelhante para montagem de umauma escala de preconceito racial velado, 74% manifestaram em algum grau de preconceito racial, em 2003 (87% em 1995), contra os 99% de preconceito potencialmente homofóbico, achados agora.

Isso significa que há mais preconceito contra LGBT que contra negros ou idosos no Brasil? Pode ser que sim, ou que não, mas não necessariamente. Ou talvez que as formas que o preconceito contra LGBT adquire são piores que as do preconceito racial ou etário, em termos de violência e outras expressões de discriminação? Tão pouco os dados permitem afirmar, negar ou buscaram investigar isso. Na verdade, essa ‘disputa’ é falaciosa, a começar pelo fato de que as identidades em jogo estão, para milhares de pessoas, indissoluvelmente entrecruzadas (pensemos em negras lésbicas idosas). Importa é não perder de vista que na investigação da opinião pública estamos sempre no campo nebuloso das percepções, e que, no terreno moral dos temas em pauta, a ‘realidade’ encontra-se ainda menos acessível, mediada pela disposição a confissões.

Ora, se é esse o limite desses materiais, é preciso aprofundar a análise de modo a compreender o fato - este sim, claramente sustentável pelos dados - de o
preconceito contra a população LGBT ser mais facilmente admitido que, por exemplo, o preconceito racial. Quatro hipóteses, não necessariamente excludentes, parecem concorrer para explicar esse contraste. Primeiro, tomando o dado em sua ‘literalidade’ (como em geral convém, até prova em contrário), a maior admissão de preconceito contra LGBT seria expressão de um preconceito efetivamente mais arraigado, mais assimilado e ainda pouco criticado socialmente. A alta disseminação de piadas sobre ‘bichas’, ‘veados’ ou ‘sapatonas’, por exemplo, e a presença cotidiana de personagens caricaturais em novelas e programas na TV, considerados humorísticos, seriam a um só tempo evidências dessa tolerância social e dispositivos de seu reforço e reprodução.

A segunda hipótese é que a maior admissão de preconceito contra LGBT tem a ver com a explicação da ‘natureza’ da orientação sexual, para muitos vista como uma opção ou preferência – em contraste com as identidades ‘raciais’ ou etárias que, de modo mais evidente, independem das escolhas individuais, sendo assim não sujeitas à crítica (como opções) e, conseqüentemente, mais condenável discriminá-las. De fato, 31% discordam (25% totalmente) que “ser homossexual não é uma escolha, mas uma tendência ou destino que já nasce com a pessoa”, e 18% concordam apenas em parte (só 37% concordam totalmente). Ora, é plausível supor que quem acredita que ser homo ou bissexual é uma escolha, possa considerar essa ‘opção’ um erro, passível de crítica, de gozação e de outras formas de punição (discriminações).

É sintomático a esse respeito que, diante de duas alternativas, se “os governos deveriam ter a obrigação de combater a discriminação contra homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais”, ou se “isso é um problema que as pessoas têm de resolver entre elas”, 70% concordem com a segunda alternativa, contra apenas 24% que entendem que o combate contra a discriminação da população LGBT deve ser objeto de políticas de governo. Em contraste, em 2003, 36% avaliaram que “os governos deveriam ter a obrigação de combater o racismo e a discriminação racial”, contra ‘apenas’ 49% que consideraram que “isso é um problema que as pessoas têm de resolver entre elas, sem a interferência do governo”.

Um terceiro fator, em parte derivado do primeiro, decorrente do ainda baixo nível de autocrítica social da cultura sexual machista e heteronormativa no país, é a ausência de uma legislação a punir criminalmente atos homofóbicos e transfóbicos. Nesse sentido, enquanto o PL 122 (ou lei semelhante), hoje parado no Senado, não for promulgado e enquanto não ocorrerem eventuais condenações exemplares por crimes de ofensa ou discriminação de pessoas por sua orientação sexual ou identidade de gênero, é pequena a chance que se reverta de forma expressiva ou que se acelere a reversão (provavelmente já em curso) no processo de reprodução de preconceitos de natureza homofóbica.

Por fim, há o peso legitimador dos discursos religiosos (especialmente cristãos, tratando-se de Brasil, e ainda particularmente católico, em que pese o crescimento recente acentuado das igrejas evangélicas) no reforço de concepções preconceituosas da homossexualidade: a concordância de 92% da opinião pública (sendo 84% totalmente) com a frase epígrafe, “Deus fez o homem e a mulher com sexos diferentes para que cumpram seu papel e tenham filhos”, contra apenas 5% que discordam; e de 66% (58% totalmente) com a frase “homossexualidade é um pecado contra as leis de Deus”, contra 22% que discordam (só 17% totalmente) – revelam o tamanho da colaboração religiosa para a intolerância com a diversidade sexual.

Em suma, a pesquisa dá números ao que já se suspeitava: por trás da imagem de liberalidade que o senso comum atribui ao povo brasileiro, particularmente em questões comportamentais e de sexualidade, há graus de intolerância com a diversidade sexual bastante elevados – coerentes, na verdade, com a provável liderança internacional do Brasil em crimes homofóbicos. O que indica que há muito por fazer, em termos de políticas públicas, para tornar realidade o nome do programa da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, criado 2004, Brasil sem Homofobia – ele mesmo, segundo a pesquisa, conhecido por apenas 10% da população (2% dizem conhecê-lo de fato e 8% já ouviram falar).

Outros temas foram abordados, inclusive de políticas contra a discriminação LGBT para as áreas de educação, saúde, emprego, justiça, cultura e direitos humanos, os quais comentaremos em breve. E até fim de março aqui estará disponível também a segunda parte do estudo, com 400 entrevistas com gays e lésbicas, residentes em nove regiões metropolitanas do país, com dados inéditos de percepção e vivências de discriminação.

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*Gustavo Venturi, doutor em Ciência Política e mestre em Sociologia pela USP, é professor de sociologia da FFLCH-USP.
Notas:
(1) Colaboraram Rita Dias e Vilma Bokany, analistas do Núcleo de Opinião Pública (NOP) da Fundação Perseu Abramo.

Levantamento quantitativo (survey) com amostragem probabilística nos primeiros estágios (sorteio de municípios, setores censitários e domicílios) e controle de cotas de sexo e idade (IBGE) para a seleção dos indivíduos (estágio final). Total de 2.014 entrevistas com população acima dos 15 anos de idade (todas as classes sociais), disper sa nas áreas urbanas de 150 municípios (pequenos, médios e grandes), em 25 UFs, nas cinco macrorregiões do país (Sudeste, Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste). Abordagem domiciliar, com aplicação de questionários estruturados (versões A e B, aplicados a duas sub amostras espelhadas), somando 92 perguntas distintas (cerca de 250 variáveis), com duração média das entrevistas em torno de uma hora. Margens de erro de até ± 3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. Coleta dos dados entre 7 e 22 de junho de 2008.

(2) Idosos no Brasil, Desafios e Expectativas na Terceira Idade (2006, em parceria com os Sesc-SP e Nacional), Perfil da Juventude Brasileira (2003, em parceira com o Instituto Cidadania), Discriminação Racial e Preconceito de Cor no Brasil (2003, em parceira com a Rosa Luxemburg Stiftung) e A Mulher Brasileira nos Espaços Público e Privado (2001).


Cidadania
ÉTICA / DIREITOS HUMANOS / Estado de DIREITO DEMOCRÁTICO/ Estado LAICO
Casal homoafetivo precisa apresentar apenas RG e CPF para registrar união estável
Escritura pública, homologada em um tabelionato de notas, e instrumento particular, realizado em um cartório de títulos e documentos, possuem o mesmo valor
Atualizado em filoparanavai em 10.05.2011 07h49

O registro de uma união estável por um casal homoafetivo pode ser realizado em tabeliões de notas ou em cartórios de títulos e documentos. Segundo a Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR), basta apresentar documento de identidade e de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) para homologar a escritura pública ou o instrumento particular que efetive a situação de pessoas que já vivem juntas.

Em Curitiba (PR), nesta segunda-feira (9), o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, e o consultor David Harrad registraram a união estável, mantida há 21 anos. A declaração foi homologada em cartório. Reis tem 46 anos e Harrad, 53. O evento (foto) tem um caráter simbólico importante porque ocorre menos de uma semana depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter garantido que os direitos de uma união estável vale também para casais homoafetivos.

Toni Reis (à esq.) e David, que vivem juntos há 21 anos, fizeram uma declaração de união estável em cartório na capital paranaense nesta segunda-feira (©Foto: Luiz Costa/La Imagem/Fotoarena/Folhapress)
Após a decisão do STF, a associação recomendou aos cartórios que adotassem prontamente a determinação. Segundo o presidente da Anoreg-BR, Rogério Bacellar, um casal disposto a registrar a união não será impedido, independentemente da cidade do país. "Não existe por que não conseguir, a escritura pública vale, não é um casamento", diferencia.

Na prática, um casal formado por um homem e uma mulher procura um cartório de registro civil para se casar. No caso da união estável – homoafetiva ou não –, o procedimento é diferente e não constitui um casamento civil. Uma vez registrados, tanto a escritura pública, homologada em um tabelionato de notas, quanto um instrumento particular, realizado em um cartório de títulos e documentos, possuem o mesmo valor de confirmar a união.

"Se as pessoas forem tentar se casar no registro civil, não vão conseguir, porque não existe legislação nem a possibilidade de casamento de pessoas do mesmo sexo previsto no Código Civil", insiste Bacellar. Ele explica que a decisão do STF muda apenas a compreensão dos tribunais do país em casos que envolvem esse tipo de união. Algumas varas já entendiam que instrumentos particulares ou escrituras públicas tinham valor para garantir direitos característicos a uma união estável, mas outras não.

Segundo a associação de cartórios, basta apresentar um documento de identificação e o CPF. Como identidade, vale o RG, certidão de nascimento e até certidão de casamento com averbação de divórcio. O documento é, então, redigido no cartório pelo escrivão conforme a intenção dos membros da união.
FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/

BRASIL Estado Laico de VERDADE

"As partes que se manifestaram contra a aprovação da união estável homoafetiva, como o advogado Hugo Cysneiros, falando em nome da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), demonstraram preconceito “chocante”. “Os discursos foram muito cheios de ódio. Achava que haveria pessoas mais embasadas, não tão cheias de preconceito”, afirmou em entrevista à Rede Brasil Atual".

Cidadania
Ética
Direitos Humanos
Com decisão unânime, STF reconhece união homoafetiva
Todos os ministros acompanharam o relator; resultado final foi de dez votos favoráveis e nenhum contrário
Atualizado em filoparanavai 17h30 05.05.2011

Na retomada do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a extensão de direitos a uniões homoafetivas no país, nesta quinta-feira (5), todos os ministros acompanharam o voto do relator, Ayres Britto. Com isso, foram dez votos pela procedência das ações que reconhecem como família a união entre pessoas do mesmo sexo. O ministro Dias Toffoli declarou-se impedido por ter dado pareceres positivos quando era advogado-geral da União. No encerramento da sessão, às 20h30, o presidente do STF, Cezar Peluso, destacou a posição unânime da Corte contra todas as formas de discriminação.

O ministro Luiz Fux foi o primeiro a se pronunciar. Ele seguiu a consideração feita na quarta (4) por Ayres Britto e julgou procedentes a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132. "A união homoafetiva é um fato, e já há normação para que os parceiros figurem como união estável. Daremos a ele mais que um projeto de vida, daremos um projeto de felicidade", afirmou Fux.

A ministra Carmen Lúcia também votou a favor das ações propostas pela Procuradoria-Geral da República – reconhecendo casais homoafetivos como entidades familiares – e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), para que funcionários públicos homossexuais possam estender seus benefícios aos parceiros. Com a posição do STF, a mesma decisão será aplicada em outros tribunais (efeito vinculante). "De pronto, digo que decido a favor da consideração do ministro Ayres Britto. Enfatizo que se ponha em discusão a covardia dos atos contrários a toda forma de direitos, inclusive a essa minoria", disse a ministra.

A união estável dos homoafetivos ganhou mais dois votos favoráveis. O ministro Ricardo Lewandowski afirmou que "dos fatos nascem o direito". Antes do intervalo, o ministro Joaquim Barbosa também se posicionou pela procedência das ações.

O julgamento foi retomado com o voto do ministro Gilmar Mendes. Embora com restrições quanto à fundamentação, acompanhou "em linhas gerais" o relator. "A nossa omissão representaria um agravamento no quadro de desproteção de minorias discriminadas."

A ministra Ellen Gracie, antes de fundamentar seu voto, adiantou que também acompanhará o relator. "Uma sociedade decente não humilha seus integrantes", declarou.

Em seguida, o Marco Aurélio confirmou voto também favorável. "O Brasil está vencendo a guerra desumana contra o preconceito", declarou, no início de seu pronunciamento.

O ministro Celso de Mello, penúltimo a votar, também enfatizou a importância da decisão. "Ninguém, absolutamente ninguém, pode ser privado dos seus direitos, nem sofrer qualquer restrição de ordem jurídica, por motivo de sua orientação sexual", afirmou. "O julgamento que hoje se realiza certamente marcará a vida deste país."


Para a comunidade LGBT, sociedade vive um momento histórico
Atualizado em filoparanavai 05.05.2011 19h00
"A votação que favorece a união estável entre casais homoafetivos é um momento histórico para a cidadania e a conquista da igualdade no Brasil", afirmou o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que acompanhou a votação do Supremo Tribunal Federal (STF) para decidir o reconhecimento como família da união entre pessoas do mesmo sexo.

De forma unânime, o STF votou a favor das ações que reconhecem como família a união de pessoas do mesmo sexo. Os pedidos apresentados pelo governo do Rio de Janeiro e pela Procuradoria Geral da República querem dar fim a uma série de restrições atualmente aplicadas à comunidade LGBT. Todos os dez ministros votaram a favor da extensão dos direitos a casais homoafetivos de união estável – Dias Toffoli declarou-se impedido por já ter se manifestado favoravelmente ao tema quando era advogado-geral da União.

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (ABLGT), Tony Reis, também definiu a votação do STF como uma conquista da cidadania. "É um momento de muito alegria de perceber que a justiça esta sendo feita. Isso pra gente nos dá uma segurança juridica como cidadãos. Ninguém está saindo com vitória ou derrota. É o Brasil que ganha", destacou.
Para Jean Wyllys, a conquista só estará completa quando a Constituição brasileira reconhecer o casamento civil entre os casais homoafetivos. Wyllys afirma que, com esta decisão, o legislativo será mais pressionado a votar os projetos de lei que estendem ainda mais os direitos aos homossexuais.

"Hoje é uma data histórica, mas a vitória só será plena quando o Estado reconhecer a união civil entre os homossexuais", pontuou o deputado.

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, comemorou a votação do STF em frase divulgada em seu twitter. "Estamos em um momento histórico. O STF acaba de reconhecer a legitimidade da união entre pessoas do mesmo sexo. Vitória da cidadania!", enfatizou.
Fonte: redebrasilatual.com.br

ATUALIZAÇÕES / MAIO DE 2011 - CIÊNCIA E SAÚDE
500 mil novos casos de câncer só em 2011





MENOS COMUM EM HOMENS, CÃNCER DE MAMA MASCULINO TEM A MARCA DO PRECONCEITO E POR CONSEQUÊNCIA FALTA DE PREVENÇÃO
Para cada 100 casos de câncer de mama em mulheres, existe um em homem. Embora seja bem mais raro entre o sexo masculino, a doença é um risco para pacientes menos preocupados com a qualidade de vida e histórico familiar. O maior motivo de detecção da doença em estágio avançado é o preconceito e a falta de conscientização sobre a importância da realização dos exames de rotina. A demora no diagnóstico também dificulta o tratamento do câncer de mama em homens. A princípio, o que parece um caroçinho pequeno pode ser interpretado por médicos como um caso de ginecomastia, ouseja, crescimento benigno das mamas. O principal sintoma do câncer de mama no homem é o aparecimento de nódulo indolor na região da auréola, (bico do peito), onde o tecido mamário se concentra, podendo provocar coceira e irritação.

Geralmente o tumor é percebido pelo próprio paciente ou sua parceira. Junto com o aparecimento do nódulo, é comum haver queixas de descarga mamilar e sinais de disseminação local como retração do mamilo e ulcerações.
A incidência do câncer de mama é maior em homens acima dos 35 anos de idade e o risco aumenta com o avanço da idade. O surgimento da doença está relacionado a fatores de risco recorrentes nas mulheres como: histórico familiar correspondente aos pais, irmã ou filha, surgimento de alguma tumoração pré-maligna no passado, excesso de peso e dieta rica em gorduras.

Como em ambos os sexos, a obesidade está ligada ao estrogênio, já que as células gordurosas produzem este hormônio. Por isso, é bom controlar o peso. O consumo reduzido de calorias pode aumentar as enzimas antioxidantes, prevenir a formação de compostos pré-cancerígenos e melhorar a capacidade de reparação das células sadias. É bom lembrar que o diagnóstico de câncer de mama no homem não pode ser excluído por qualquer achado isolado na história do paciente. As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o auto-exame mensal das mamas, o exame clínico (a partir dos 40 anos) e a mamografia (em caso de suspeita).
ALERTA: O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que o Brasil deve registrar 500 mil novos casos de câncer só este ano. O dado indica leve aumento em relação à previsão feita em 2010 — de 489 mil casos —, informou O Estado de S.Paulo (5/2). O aumento na ocorrência de casos no Brasil passou a ser registrado, mais recentemente, por causa do envelhecimento da população e dos avanços no tratamento de doenças infecciosas, antigas causas mais frequentes de morte.

De acordo com o jornal, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante evento que marcou o Dia Mundial do Câncer (4/2), na sede do Inca, anunciou que vem negociando com a indústria farmacêutica para reduzir o custo de medicamentos voltados para o tratamento da doença. Outra medida que vem sendo levada à frente é a criação de um programa nacional para avaliação da qualidade dos exames de mamografia, como informou o jornal Folha de S.Paulo (05/02). A intenção do governo é ampliar na rede pública o acesso ao tratamento do câncer e intensificar o controle de qualidade de exames preventivos, com o objetivo de impedir erros de diagnóstico.

Cerca de 400 organizações de 120 países se mobilizaram para que sejam adotadas estratégias de prevenção contra o câncer e outros males crônicos não transmissíveis, como diabetes e problemas cardiovasculares e respiratórios, de acordo com o Correio Braziliense (5/2). Ao lado do câncer, elas consomem mais de 70% dos gastos com atendimento e tratamento do SUS. Em setembro, está prevista apresentação, pelo governo, na Assembleia Geral da ONU, de agenda estratégica de ações para reduzir o número de casos e o impacto do câncer e outras doenças crônicas no sistema público de saúde. O tema foi incluído na pauta do evento por decisão das Nações Unidas. “Queremos incentivar a vida saudável e o hábito de fazer exames de prevenção para conter os números”, explicou ao Correio Braziliense o coordenador de ações estratégicas do Inca, Cláudio Noronha. Tumores nas mamas, fígado, pulmão e região colorretal são responsáveis pela maioria das mortes. A recomendação para se precaver é ficar longe do tabaco, prevenir-se contra infecções crônicas por vírus (como o da Hepatite B e o HPV) e evitar o sobrepeso com alimentação equilibrada, completou o jornal Extra (5/2).

Mulheres no mercado de trabalho

O sexo feminino ainda está em desigualdade de condições em relação ao masculino, no mercado de trabalho. Dados do Sistema de Indicadores do programa Rio Como Vamos (RCV), referentes ao Rio de Janeiro e divulgados por ocasião do Dia Internacional da Mulher (8 de março), mostraram que, no emprego formal, em 2009, o salário médio das trabalhadoras era 13,2% inferior ao dos homens (R$1.871 contra R$2.156), informou o jornal O Globo (28/02). A cidade encerrou 2009 com 2,2 milhões de pessoas empregadas, das quais 59,4% eram homens e 40,6%, mulheres, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE). Nos cargos de direção, elas representavam 38%. Dos 888,5 mil trabalhadores que tiveram suas carteiras assinadas, em 2010, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged/MTE), os de sexo feminino foram minoria, mais uma vez: 37%. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad/IBGE) de 2009 mostra que, quando chefes de família, as mulheres gastam 21,2 horas semanais nos trabalhos da casa. Como companheiras do chefe da família, as horas sobem para 23,31. Já os homens passam apenas 5,63 horas semanais em serviços da casa. “O mercado de trabalho mudou com a entrada maciça das mulheres, mas a organização da vida privada, não. Aí reside a maior desigualdade entre homens e mulheres.”, disse a presidente do Rio Como Vamos, Rosiska Darcy de Oliveira.

Mapa genético da Hepatite C

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) estão fazendo um mapa genético da hepatite C, de modo a lidar com a grande variação genética do vírus causador da doença. Assim como o HIV, da aids, o vírus da hepatite C (VHC ou HCV, na sigla em inglês) tem alta taxa de mutação, dando origem a cepas que escapam do sistema imunológico. Esta é uma das causas da falha do tratamento antiviral. O estudo, inédito, poderá ajudar a aumentar a chance de cura da doença, informou O Globo (11/02). A ideia de investigar a história evolutiva do VHC no Brasil surgiu de pesquisas semelhantes às desenvolvidas com o HIV e pela disponibilidade de grande número de sequências da VHC obtidas pelo Laboratório de Hepatites Virais do IOC, como explica a cientista Elisabeth Lampe, uma das autoras. Sequências genéticas de 231 amostras de casos isolados da doença nas cidades do Rio de Janeiro e Goiânia, entre 1995 e 2007, foram analisadas, com a colaboração do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC. Entre os 2 milhões de brasileiros infectados, prevalecem os subtipos 1a, 1b e 3a (dos seis grandes genótipos), conforme mostram estudos. “As características das linhagens brasileiras do HCV apresentam diferenças entre si, quando comparadas com as que circulam em outros países”, explica Elisabeth. Essas características ajudam a entender melhor a disseminação da doença e a buscar novas estratégias de prevenção e tratamento. “É importante estimar a história evolutiva da infecção por HCV para prever o futuro impacto da doença, principalmente das formas mais graves como a cirrose e o câncer hepático, já que o lapso entre a infecção e o desenvolvimento das sequelas é de várias décadas”, alertou. Estudos semelhantes aos da Fiocruz comprovam que o vírus da Hepatite C circula na África e na Ásia há pelo menos 1.100 anos, tendo sido isolado em 1989. Só entre 1980 e 1995, houve redução do crescimento das taxas de infecção. No Brasil, a doença se espalhou após a segunda metade do século 20.

Número de obesos dobrou
O mundo tem meio bilhão de pessoas obesas, duas vezes mais do que há trinta anos, concluiu pesquisa publicada (3/2) no jornal científico Lancet. Realizada pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e pelo Imperial College London, na Inglaterra, com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Fundação Bill e Melinda Gates, a pesquisa trabalhou dados colhidos em 199 países e territórios entre 1980 e 2008, informou a Folha de S.Paulo (4/2). Os Estados Unidos aparecem como líderes da tendência ao crescimento, e China e Brasil destacam-se pelo elevado número de pessoas acima do peso. Há 31 anos, 4,8% dos homens e 7,9% das mulheres tinham índice de massa corporal (calculado a partir do peso e da altura) acima de 30, o que configura obesidade. Há três anos, 9,8% dos homens e 13,8% das mulheres tinham passado dessa marca. Mais de um adulto, em cada dez, está obeso. “A obesidade envolve consumo alimentar, muito ligado à emoção e estilo de vida. Não há pílula mágica para tratar isso”, observou endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do laboratório de metabolismo e diabetes da Unicamp, em entrevista ao jornal. O médico atribui o quadro não só aos hábitos alimentares, como aos processos de urbanização e automatização, que reduzem o gasto energético. “Sua bisavó, quando tomava suco, espremia a laranja. Hoje, é só abrir a geladeira”.

Lei Maria da Penha I

Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base em informações dos tribunais de estados brasileiros concluiu que a Lei Maria da Penha contabiliza resultados positivos crescentes, desde que entrou em vigor, em agosto de 2006, informa o jornal O Globo (13/3). No período, pelo menos 70.574 mulheres conseguiram, na Justiça, medidas de proteção para sair da situação de risco, e pelo menos 76.743 sentenças definitivas estão em processo por agressão a mulheres. Nos estados, tramitam 332.216 processos nas 44 varas e juizados especializados, o que representa 87,2% dos 107.597 processos relacionados à violência contra a mulher, segundo o Tribunal de Justiça. A maior estrutura do país está no Rio de Janeiro com 93.843 processos em sete juizados especiais. A juíza Morgana Richa, coordenadora do grupo do CNJ que monitora a aplicação da Lei Maria da Penha defende que o assunto seja também tratado por varas especializadas. “A violência configura um cenário mais complexo do que a agressão. Tem o problema da recorrência, da dependência afetiva, dos vínculos familiares. Daí a importância de a matéria ser tratada não só por sentença”, afirma.

Lei Maria da Penha II

Um juiz da comarca de Rio Pardo, a 150 quilômetros de Porto Alegre (RS), decidiu aplicar a Lei Maria da Penha a uma relação homossexual e concedeu medida de proteção a um homem que afirmou estar sendo ameaçado pelo ex-companheiro, informou o site Último Segundo (25/02). O caso aconteceu quando, segundo o juiz, depois de terminar há dois meses um relacionamento de um ano, a vítima passou a ser perseguida e ameaçada pelo ex-companheiro que chegou a agredi-lo. Ele pediu proteção à Justiça que obrigou o agressor a manter uma distância de, no mínimo, 100 metros do ex-companheiro. O juiz observou que a Lei Maria da Penha tem como objetivo a proteção das mulheres contra a violência doméstica, mas qualquer pessoa em situação vulnerável pode ser beneficiada (Radis 92). A lei já foi aplicada em relações homossexuais entre mulheres e também em relações heterossexuais quando o homem é vítima de violência.

Escassez de água no país

O Brasil pode enfrentar problemas de abastecimento de água, segundo diagnóstico inédito da Agência Nacional das Águas (ANA), no documento Atlas Brasil, divulgado em 22/3. De acordo com o relatório, se o país não investir R$ 22,2 bilhões em sistemas de captação e coleta de água, até 2015, pode faltar água em 3.059 municípios do país, o equivalente a 55% do total, informou O Globo (22/3). Especialistas da ANA observam que a ameaça pode prejudicar os investimentos para a organização da Copa do Mundo, em 2014, e para os Jogos Olímpicos, em 2016.

Segundo o estudo, os municípios que correm o risco de desabastecimento até o ano de 2015 representam nada menos que 73% da demanda de água do país inteiro. O estudo mostra que, embora o país detenha hoje 12% da água doce do planeta, ainda é preciso levá-la a todos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o abastecimento de água não chega a 21,5% das casas brasileiras, ou 12,4 milhões de residências.

Norte e Nordeste são as regiões com a maior necessidade de recursos em sistemas produtores de água (mais de 59% das cidades). No Norte, onde a população é menor, mas a infraestrutura hídrica é deficiente, os pequenos sistemas de abastecimento são precários. No Sudeste, os maiores problemas estão relacionados à forte concentração urbana e à complexidade dos sistemas de abastecimento, o que acaba provocando disputas pelas mesmas fontes hídricas. A região detém 51% da capacidade instalada de produção de água do país, seguida da Nordeste (21%), Sul (15%), Norte (7%) e Centro-Oeste (6%). A maior parcela dos investimentos previstos no Atlas Brasil (R$ 16,5 bilhões ou 74% do total) deve ser destinada a 2.076 municípios de Sudeste e Nordeste, em função do maior número de aglomerados urbanos e da existência do Semiárido. São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, juntos, reúnem aproximadamente 51% dos investimentos, em apenas 730 cidades.

Dengue: tipo 4 em circulação

O Ministério da Saúde divulgou nota, tratando da preocupação quanto à circulação do tipo 4 do vírus causador da dengue. O DEN-4 não é mais agressivo que os demais, mas preocupa pelo fato de grande parte da população não estar imune a ele, uma vez que ficou sem circular no país por 28 anos, informou O Globo (24/3). “A previsão é que a ausência de imunidade, associada à ocorrência de epidemias anteriores por outros sorotipos virais, aumenta a possibilidade de ocorrência de casos graves de dengue”, informou o Ministério da Saúde, na nota. Desde o iniciio do ano, segundo nota do ministério, foram confirmados pacientes com DEN-4 Roraima (34), Amazonas (24 casos), Pará (11), Bahia (2), Pernambuco (2) e Piauí (1). No Rio de Janeiro, a chegada do vírus tipo 4 foi confirmada em 23/3, com dois casos registrados em Niterói. O ministério só considera confirmados casos que tenham passado por análise no Instituto Evandro Chagas. Foi anunciado, no entanto, pela Secretaria de Estado de São Paulo, a presença do vírus 4 em território paulista (Portal G1, 4/4). Foram confirmados dez casos em São José do Rio Preto e arredores (Agência Brasil, 12/4).Os sintomas são os mesmos, nas infecções por todos os tipos do vírus: dores de cabeça, no corpo, nas articulações e atrás dos olhos, febre, diarreia e vômito. Pessoas que já tiveram dengue dos tipos 1, 2 ou 3 podem pegar e desenvolvera dengue 4 de forma grave. O governo federal orientou as secretarias estaduais e municipais de Saúde que tiveram casos suspeitos a reforçar as ações de controle ao mosquito Aedes aegypti.

Para o chefe do Laboratório de Virologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Celso Granato, apesar de o número de casos de pacientes com dengue 4 ser pequeno, há motivo para preocupação. “O número é pequeno, mas pelo visto ele está se disseminando. E a gente tem todas as condições de a doença se espalhar, porque temos muitos mosquitos e muita gente suscetível”, disse a O Globo (24/3). No Rio de Janeiro, a previsão é se enfrentar, no próximo verão, a pior epidemia da doença, uma vez que toda a população está suscetível. “Com o fim do verão, a tendência é que os casos de dengue diminuam. Mas ainda há muitos mosquitos. Com a chegada do vírus 4, temos todos os ingredientes para uma grande epidemia”, alertou o infectologista Edmilson Migowski, em entrevista ao jornal.

HPV em homens

Um dos maiores estudos já realizados sobre a incidência do HPV (papiloma vírus humano) no sexo masculino, publicado em março pelo jornal científico americano The Lancet, comprovou que metade dos homens saudáveis está infectada com o vírus. Em período de quatro anos, foram ouvidos 4.074 homens de 18 a 70 anos no Brasil, Estados Unidos e México, informou a Folha de S. Paulo (1º/3). Dos 50% com HPV, 30% tinham a versão do vírus que pode levar ao câncer, 38% tinham o não cancerígeno e o restante tinha mais de um tipo. Na avaliação de Luisa Villa, do Instituto Ludwig e responsável pelo estudo no Brasil, a taxa entre os homens é considerada alta, principalmente, se comparada às mulheres, cuja taxa média de contaminação é 14%. A pesquisa constatou ainda que o risco de adquirir o vírus é constante entre homens de 18 a 70 anos. Já com as mulheres, o risco é maior até os 25 anos e tende a diminuir com o tempo.

Uso de preservativo, circuncisão e vacina contra a doença são os métodos de prevenção mais eficazes. Estudo publicado no New England Journal e realizado em mais de 18 países, incluindo o Brasil, mostrou que a vacina contra o HPV pode ser eficaz também nos homens. A aplicação na população masculina só foi aprovada em alguns países, como Estados Unidos, Panamá, Equador e Austrália. No Brasil, são usados dois tipos de vacina contra o vírus, apenas em mulheres.

Transplante inédito de artéria

O Hospital São Paulo, da Unifesp, realizou pela primeira vez no Brasil, em janeiro, um transplante de artéria retirada de doador morto. A cirurgia foi feita em Hamilton Bispo da Conceição, 56 anos, que, devido a má circulação em sua artéria femoral estava a ponto de ter parte da perna direita amputada. Mal conseguia andar e sentia fortes dores, informou o jornal O Globo (2/3).

O experimento — realizado pela equipe de cirurgia vascular da Escola Paulista de Medicina da universidade — busca melhorar a qualidade de vida de pessoas que sofrem de arteriosclerose. O problema leva a cem mil amputações por ano no Brasil. A técnica já vem sendo praticada em outros países, como Estados Unidos, mas é de difícil aplicação, devido à dificuldade de se conseguirem doadores e ao risco de trombose e dilatação.

No Brasil, teve bons resultados: depois de uma semana, Hamilton caminhava melhor e não sentia dores. O líder da equipe, José Carlos Baptista, explicou (Extra, 2/3) que artérias preservadas, retiradas de doador morto, podem ser boa opção, mas o transplante é medida de exceção, quando não há alternativa. Mesmo que Hamilton sofra trombose, a chance de perder parte da perna é menor. “O transplante ajuda a criar uma circulação colateral, mantendo o membro funcionando em boas condições”.

Novo tratamento para doença de Chagas

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) descobriram novo tratamento para a doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi (Portal G1, 30/3). O tratamento baseia-se na conclusão de que as lesões decorrentes da doença não são necessariamente causadas pelo protozoário, mas pelo próprio sistema imunológico do hospedeiro — processo conhecido como autoimunidade. Ao longo de anos de estudos, os pesquisadores observaram que o micro-organismo causa mutações genéticas nas células do hospedeiro, fazendo com que o sistema imunológico produza linfócitos — células de defesa — defeituosos, que atacam o coração e podem levar à morte. Assim, eliminar o protozoário não seria suficiente para eliminar a doença. As medidas sugeridas foram, então, matar os linfócitos e fazer um transplante de medula óssea, dois tratamentos já existentes e dos quais se pode lançar mão. Se o coração já estiver danificado, o transplante também é solução. A tese foi comprovada em testes feitos em galinhas — animais imunes ao T. cruzi — que desenvolveram problemas cardíacos semelhantes aos causados pela doença de Chagas após mutação genética induzida. A pesquisa foi publicada na revista PLoS Neglected Tropical Diseases.

Medicamento para transplantados na Fiocruz

A Fiocruz assinou acordo (30/3) com a multinacional Roche, permitindo à instituição produzir o medicamento micofenolato de mofetila, indicado contra a rejeição de órgãos transplantados, principalmente, rins. Ainda este ano, a Fiocruz começa a produzir o medicamento, disponibilizando ao SUS nove milhões de comprimidos. A partir de 2012, a instituição produzirá 20 milhões de comprimidos por ano. A parceria com a empresa farmacêutica prevê também intercâmbio científico para o desenvolvimento de novos tratamentos e transferência de tecnologia para a produção de medicamentos contra câncer, doenças neurológicas e virais.

Segundo a Agência Fiocruz de Notícias (31/3), a parceria com a Roche permitirá reduzir o preço do medicamento praticado com o Ministério da Saúde durante o período de transferência de tecnologia, de R$ 1,87 para R$ 1,67, e à Fiocruz, o domínio de todas as fases do processo, incluindo a produção do insumo farmacêutico ativo (IFA). Para o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, a iniciativa é mais uma aposta no fortalecimento da política nacional de pesquisa e desenvolvimento, além de oportunidade para outras parcerias. “Essa capacidade de diálogo e intercâmbio tecnológico e científico é fundamental para o país e para gerar benefícios para a população e, seguramente, será usada em futuros acordos do tipo”, ressaltou Gadelha, para quem o acordo contribui especialmente para reduzir o déficit comercial brasileiro na área da saúde.


Padrão brasileiro para peso de recém-nascidos

Pesquisadores da Coppe/UFRJ, do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) coletaram informações sobre os oito milhões de brasileiros nascidos entre 2003 e 2008 e chegaram ao padrão brasileiro de peso normal para recém-nascidos. O dado, até então não estabelecido no país, é informação fundamental para avaliar riscos de diversas doenças, que, se não forem diagnosticadas desde cedo, podem deixar sequelas, divulgou o jornal O Globo (25/3). Variabilidades genéticas serviram como base para a formação da tabela de peso, produzindo nove faixas de dados para cada sexo. Um menino com idade gestacional de 40 semanas, por exemplo, teria peso normal entre 2,556 e 4,366 quilos. Já entre meninas da mesma idade, o peso oscilaria entre 2,492 e 4,168 quilos. Apesar dessas definições, ainda é questionável se o conceito de peso normal sofreria variações em cada região do país. “Fizemos uma pesquisa com dados que os brasileiros são obrigados a fornecer ao SUS, mas gostaríamos de nos aprofundar para obter outras conclusões”, explicou o professor de Engenharia Elétrica da Coppe e um dos idealizadores do projeto, Carlos Pedreira.

As tabelas usadas por médicos para acompanhar o crescimento antes da descoberta do padrão brasileiro eram importadas de outros países. Em junho, a revista da Academia Brasileira de Ciências publicará a nova tabela que avalia o peso dos nascidos a partir da 22ª semana de gestação.
FONTE: http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/

filoparanavai 2011

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

FILOSOFIA MODERNA: Acesso fácil aos conteúdos


A filosofia moderna é a corrente filosófica que tem início no século XV e vai até o século XVIII. O seu fim é marcado pelo início da Idade Contemporânea. Muitos autores, no entanto, consideram o marco inicial da filosofia moderna os pensamentos produzidos por René Descartes, no século XVII, e o fim é marcado pelos trabalhos de Ludwig Wittgenstein, no século XX. Nesse modelo de classificação, o pensamento feito entre os séculos XV e XVII é chamado de Filosofia Renascentista. A filosofia moderna surge juntamente com o final da Idade Média e com a queda do sistema feudal. O fim do período medieval e a diminuição do domínio da Igreja Católica marcam a busca dos cientistas por novas formas de saber e pensar racionalmente, desvinculando-se cada vez mais das influências religiosas, que foram a marca da Idade Média.


Pensamento e Liberdade em Spinoza, por Ulpiano

Humano, Demasiado Humano (Jean Paul Sartre)

Friedrich Wilhelm Nietzsche, o filósofo do futuro

TEORIA DO CONHECIMENTO: A tese cética de Hume acerca da indução

Ser social, mundo do trabalho e sociedade

O Manifesto Comunista/parte 1

O Manifesto Comunista/parte 2

Quem foi Karl Marx?

Friedrich Engels: O HOMEM E O TRABALHO: Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem

Quem foi Jean-Jacques Rousseau ?


ACESSO FÁCIL A OUTROS CONTEÚDOS

       

Filoparanavaí 2020

domingo, 28 de março de 2010

Filosofia & Ciência & Educação & Saúde: atualizações.

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Gripe Suina (H1N1)

OMS

mortes por gripe suína no mundo chegam a 16,9 mil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou (26.03) que 16.931 pessoas já morreram vítimas da influenza A (H1N1) – gripe suína em todo o mundo. Foram registradas 118 novas mortes provocadas pela doença na última semana, já que o último balanço do órgão indicava um total de 16.813 óbitos.

O Comitê de Emergência da OMS decidiu manter o nível de pandemia para a gripe suína. De acordo com o órgão, há a constatação de queda de casos da doença em alguns países, mas há também indícios de alto nível de transmissão no Oeste da África.

Fonte: Agência Brasil

COM A CHEGADA DO FRIO, CUIDADOS REDOBRADOS:


O QUE É A gripe suína é uma doença respiratória aguda (gripe), causada pelo vírus A (H1N1). Este novo subtipo do vírus da influenza é transmitido de pessoa a pessoa principalmente por meio da tosse ou espirro e de contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas.

Embora o nome da doença faça referência aos suínos, não há indícios de que esse novo subtipo de vírus tenha acometido porcos. Portanto, não há risco no contato e consumo de produtos de origem suína

No dia 11 de junho de 2009, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que a gripe suína atingiu o nível de pandemia (epidemia generalizada).

TRANSMISSÃO Assim como a gripe comum, a influenza suína é transmitida, principalmente, por meio de tosse, espirro e de secreções respiratórias de pessoas infectadas.


PREVENÇÃO De acordo com o Ministério da Saúde, cuidados básicos de higiene são fundamentais para se evitar a contaminação com o vírus A (H1N1), são eles:

- lavar bem as mãos frequentemente com água e sabão;
- evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies;
- não compartilhar objetos de uso pessoal
- cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar.

As vacinas já estão disponibilizadas. Mas mesmo os vacinados devem manter os cuidados preventivos, uma vez que o vírus pode passar por outras mutações para as quais não há garantia de proteção através da vacina atual.

SINTOMAS: febre acima de 38º e tosse, podendo ser seguida de dor nas articulações, garganta, cabeça, prostração e dificuldade respiratória – em pessoas que tenham voltado em até 10 dias dos países atingidos pela doença.

O Ministério da Saúde recomenda que se houver sintomas como febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza, procure um médico ou um serviço de saúde, como já se faz com a gripe comum.

DIAGNÓSTICO Para se realizar o diagnóstico da gripe suína, é necessário que se colete uma amostra respiratória nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório.

TRATAMENTO Todos os hospitais estão preparados para receber pacientes com sintomas leves de gripe, caso necessário são encaminhados para outros centros hospitalares de referência.

Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).

PERGUNTAS FREQÜENTES

1. Existe transmissão sustentada do vírus da Influenza A (H1N1) no Brasil?
Desde 24 de abril de 2009, data do primeiro alerta dado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre o surgimento da nova doença, até o dia 15 de julho, o Ministério da Saúde só havia registrado casos no país de pessoas que tinham contraído a doença no exterior ou pego de quem esteve fora. No dia 16 de julho, o Ministério da Saúde recebeu a notificação do primeiro caso de transmissão da Influenza A (H1N1) no Brasil sem esse tipo de vínculo. Trata-se de paciente do Estado de São Paulo, que morreu no dia 30 de junho. Esse caso nos dava a primeira evidência de que o novo vírus estava em circulação em território nacional.


2. Qual a diferença entre a gripe comum e a Influenza A (H1N1)?
Elas são causadas por diferentes subtipos do vírus Influenza. Os sintomas são muito parecidos e se confundem: febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza. Por isso, não importa, neste momento, saber se o que se tem é gripe comum ou a nova gripe. A orientação é, ao ter alguns desses sintomas, procure seu médico ou vá a um posto de saúde. É importante frisar que, na gripe comum, a maioria dos casos apresenta quadro clínico leve e quase 100% evoluem para a cura. Isso também ocorre na nova gripe. Em ambos os casos, o total de pessoas que morrem após contraírem o vírus em todo o mundo é, em média, de 0,5%.

3. Quando eu devo procurar um médico?
Se você tiver sintomas como febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza, procure um médico ou um serviço de saúde, como já se faz com a gripe comum.

4. O que fazer em caso de surgimento de sintomas?
Qualquer pessoa que apresente sintomas de gripe deve procurar seu médico de confiança ou o serviço de saúde mais próximo, para receber o tratamento adequado. Nos casos de agravamento ou de pessoas que façam parte do grupo de risco, os pacientes serão encaminhados a um dos 68 hospitais de referência.

5. Por que o exame laboratorial parou de ser realizado em todos os casos suspeitos?
Essa mudança ocorreu porque um percentual significativo — mais de 70% — das amostras de casos suspeitos analisadas em laboratórios de referência, antes dessa mudança, não era da nova gripe, mas de outros vírus respiratórios. Com o aumento do número de casos no país, a prioridade do sistema público de saúde é detectar e tratar com a máxima agilidade os casos graves e evitar mortes.

6. Se o exame não é realizado em todas as pessoas, isso significa que o número de casos registrados será subnotificado?
É importante ficar claro que vários países estão adotando a mesma prática, por recomendação da Organização Mundial da Saúde. Vamos continuar a registrar o número de casos. Como já ocorre com surtos de gripe comum, vamos confirmar uma amostra de casos e todos os outros que tiverem os mesmos sintomas e no mesmo ambiente, seja em casa, na escola, no trabalho, na igreja ou no clube, serão confirmados por vínculo epidemiológico. Além disso, temos no Brasil 62 unidades de “Rede Sentinela” em todos os estados, com a função de monitorar a circulação do vírus influenza e ocorrência de surtos. Essa rede permite que as autoridades sanitárias monitorem a ocorrência de surtos devido ao vírus da gripe comum — e, agora, do novo vírus — por meio da coleta sistemática de amostras e envio aos laboratórios de referência. É importante ficar claro que, a partir de agora, o objetivo não é saber se todos os que têm gripe foram infectados por vírus da influenza sazonal ou pelo novo vírus. Com o aumento no número de casos, passamos agora a trabalhar com o diagnóstico coletivo, exceto para aqueles que podem desenvolver a forma grave da doença, seja gripe comum ou gripe A.

7. Quais os critérios de utilização para o Tamiflu?
Apenas os pacientes com agravamento do estado de saúde nas primeiras 48 horas, desde o início dos sintomas, e as pessoas com maior risco de apresentar quadro clínico grave serão medicados com o Tamiflu. Os demais terão os sintomas tratados, de acordo com indicação médica. O objetivo é evitar o uso desnecessário e uma possível resistência ao medicamento, assim como já foi registrado no Reino Unido, Japão e Hong Kong. É importante lembrar, também, que todas as pessoas que compõem o grupo de risco para complicações de influenza requerem avaliação e monitoramento clínico constante de seu médico, para indicação ou não de tratamento com o Tamiflu. Esse grupo de risco é composto por: idosos acima de 60 anos, crianças menores de dois anos, gestantes, pessoas com diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal crônica, deficiência imunológica (como pacientes com câncer, em tratamento para AIDS), e também pessoas com doenças provocadas por alterações da hemoglobina, como anemia falciforme.

8. O medicamento está em falta?
Não. O Ministério da Saúde possui estoque suficiente de medicamento para tratamento dos casos indicados. Além de comprimidos para uso imediato, temos matéria-prima para produzir mais nove milhões de tratamentos.

9. Os hospitais estão preparados para atender pacientes com a Influenza A (H1N1)?
Atualmente, o Brasil possui 68 hospitais de referência para tratamento de pacientes graves infectados pelo novo vírus. Nestas unidades, existem 900 leitos com isolamento adequado para atender aos casos que necessitem de internação. Todos os outros hospitais estão preparados para receber pacientes com sintomas leves de gripe.

10. Como eu posso me prevenir da doença?
Alguns cuidados básicos de higiene podem ser tomados, como: lavar bem as mãos frequentemente com água e sabão, evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies, não compartilhar objetos de uso pessoal e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar.

RECOMENDAÇÕES PARA OS VIAJANTESViajarão para áreas afetadas:

• Usar máscaras cirúrgicas descartáveis durante toda a permanência em áreas afetadas.
Substituir as máscaras sempre que necessário.
• Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável.
• Evitar locais com aglomeração de pessoas.
• Evitar o contato direto com pessoas doentes.
• Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
• Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
• Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.
• Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes
e roteiro de viagens recentes às áreas afetadas.
• Não usar medicamentos sem orientação médica.

Chegam de áreas afetadas:

Caso apresentem febre alta repentina (maior que 38ºC) e tosse, acompanhadas ou não de dores de cabeça, musculares, nas articulações e dificuldade respiratória, em um período de até 10 dias após saírem de área afetada pela influenza suína, devem:
• Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima e informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem.

Mais informações
0800-61-1997 - Disque Saúde do Ministério da Saúde para dúvidas e informações sobre a gripe suína.
Fonte: Ministério da Saúde


DENGUE: OUTRO PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA

prevenção está ligada à Educação para a tomada de consciência coletiva: combater o mosquito é uma missão de todos nós.

O que é a Dengue
A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo.No Brasil, a doença ocorre principalmente entre os meses de janeiro e maio, período em que as temperaturas estão mais elevadas. A associação entre a doença e o calor, no entanto, explica também a ocorrência de casos por todo o ano. “Nas principais cidades brasileiras, as condições são favoráveis ao Aedes aegypti em qualquer período do ano”, adverte o pesquisador Anthony Érico Guimarães, do Laboratório de Diptera da Fiocruz. Além do calor, o verão também traz um maior volume de chuva, possibilitando que recipientes como latas, garrafas pet e pneus se transformem em criadouros potenciais das larvas do mosquito. As temperaturas elevadas encurtam o ciclo de desenvolvimento das larvas, aumentando a quantidade de mosquitos em todas as regiões.

Tipos de Dengue
Em todo o mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.

No Brasil, já foram encontrados da dengue tipo 1, 2 e 3. A dengue de tipo 4 foi identificada apenas na Costa Rica.

Formas de apresentação
A dengue pode se apresentar – clinicamente - de quatro formas diferentes formas: Infecção Inaparente, Dengue Clássica, Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome de Choque da Dengue. Dentre eles, destacam-se a Dengue Clássica e a Febre Hemorrágica da Dengue.

- Infecção Inaparente
A pessoa está infectada pelo vírus, mas não apresenta nenhum sintoma. A grande maioria das infecções da dengue não apresenta sintomas. Acredita-se que de cada dez pessoas infectadas apenas uma ou duas ficam doentes.

- Dengue Clássica
A Dengue Clássica é uma forma mais leve da doença e semelhante à gripe. Geralmente, inicia de uma hora para outra e dura entre 5 a 7 dias. A pessoa infectada tem febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal (principalmente em crianças), entre outros sintomas.

Os sintomas da Dengue Clássica duram até uma semana. Após este período, a pessoa pode continuar sentindo cansaço e indisposição.

- Dengue Hemorrágica
A Dengue Hemorrágica é uma doença grave e se caracteriza por alterações da coagulação sanguínea da pessoa infectada. Inicialmente se assemelha a Dengue Clássica, mas, após o terceiro ou quarto dia de evolução da doença surgem hemorragias em virtude do sangramento de pequenos vasos na pelo e nos órgãos internos. A Dengue Hemorrágica pode provocar hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas.

Na Dengue Hemorrágica, assim que os sintomas de febre acabam a pressão arterial do doente cai, o que pode gerar tontura, queda e choque. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.

- Síndrome de Choque da Dengue
Esta é a mais séria apresentação da dengue e se caracteriza por uma grande queda ou ausência de pressão arterial. A pessoa acometida pela doença apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda de consciência. Neste tipo de apresentação da doença, há registros de várias complicações, como alterações neurológicas, problemas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural.

Entre as principais manifestações neurológicas, destacam-se: delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia, paralisias e sinais de meningite. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.

DENGUE E FEBRE AMARELA: QUAL A DIFERENÇA?
A febre amarela pode ser transmitida por dois vetores, o Aedes aegypti e o Aedes haemagogus. Nas regiões urbanas, a doença, que tem preocupado as populações de Goiás e do Distrito Federal, é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue. O haemagogus é um inseto que mantém o ciclo do vírus apenas nas regiões silvestres do país.

O professor Paulo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), explicou, em entrevista à Agência Brasil, que nas florestas brasileiras os macacos são contaminados pelo haemagogus e a que transmissão do vírus para humanos é mediada pelo Aedes aegypti, podendo levar a um surto urbano.

“As pessoas não precisam ter medo do ciclo silvestre, que é muito difícil de erradicar. Implicaria uma destruição ambiental colossal. O que importa é controlar a reprodução desse ciclo em humanos”, disse o professor.

Zanotto alertou que o combate à febre amarela segue os procedimentos do combate à dengue - a única diferença é a vacina, que não existe contra a dengue. “Então, o que deve ser feito é o combate aos vetores, para diminuir a proliferação do Aedes aegypti em locais urbanos.”

O professor destacou também a importância da vacinação contra a febre amarela. Ele disse que as pessoas precisam se prevenir “voluntariamente”, principalmente nos locais que estão sendo registrados casos de suspeita da doença.

A vacina contra a febre amarela já foi incluída no calendário vacinal do Ministério da Saúde, em todo o país. A partir dos seis meses de idade, as crianças já podem ser imunizadas. A vacina, que leva dez dias para fazer efeito no corpo humano, tem validade por dez anos.


A febre amarela é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos contaminados por um flavivirus e ocorre na América Central, na América do Sul e na África.

No Brasil, a febre amarela pode ser adquirida em áreas urbanas, silvestres e rurais de regiões como Norte e Centro-Oeste, além de parte do Sudeste, Nordeste e Sul. Ou seja, o indivíduo entra em regiões onde exista o mosquito Aedes aegypti ou Aedes albopictus e, conseqüentemente, sofre a possibilidade de ser picado por algum desses mosquitos já afetado pelo vírus, que possivelmente fora contraído pela picada em um ser já portador, como a espécie de bugio ou outros tipos de macacos, e, em seguida, o mosquito pica a pessoa que ainda não teve a doença e, portanto, não adquiriu defesas naturais para combater o vírus. A febre amarela urbana é considerada erradicada no Brasil desde 1942, o que significa que grandes centros urbanos não correm o risco de propagação em massa do vírus.

Recentemente o vírus da febre amarela vem ganhando destaque na mídia brasileira, visto que vários casos vêm sendo catalogados na região Centro-Oeste, sobretudo, causando a preocupação da população em geral e providências das autoridades responsáveis pelo combate ao vírus. Entretanto, o governo afasta a possibilidade de uma epidemia generalizada, já que até agora só foram registrados casos de morte isolados e relacionados somente à região Centro-Oeste.

A vacina é grátis. Procure o posto de saúde mais próximo de sua casa e se informe como você pode se tornar imune de contrair a febre AMARELA!

Fontes: RADIS/FIOCRUZ e Agência Brasil

TODOS PELA EDUCAÇÃO

Educação

como plano estratégico do desenvolvimento do país


O Governo federal junto à sociedade civil realizam do dia 28 a 1 de abril talvez a mais importante Conferência da história do país: a II Conferência Nacional da Educação (CONAE). O cenário que os educadores encontram para fazer os debates neste evento é de transformação. Há um novo paradigma, há um novo Brasil, há uma nova proposta de política pública para educação. Em especial, um novo papel do Estado assumido nestes oito anos. Hoje prevalece a integração e o aperfeiçoamento do Sistema Nacional da Educação, e como reflexo, a educação passa a ser priorizada e pensada como parte estratégica para o desenvolvimento econômico do país.

Da parte do legislativo, a pauta sobre educação se tornou prioridade. Para exemplificar esta nova percepção, há pelos menos, a serem destacadas, três leis fundamentais aprovadas pelo Congresso Nacional. A primeira, a lei que transformou o FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental), o fundo que financiava apenas o ensino fundamental para Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Quais as mudanças? Neste novo fundo foram incorporados os níveis da educação infantil, da educação especial, do ensino médio e a da educação de jovens e adultos. A União assume a responsabilidade de garantir financiamento à educação em todo território nacional.

Destaca-se ainda a aprovação da emenda constitucional 59, que trouxe conquistas também do ponto de vista das finanças, tornando-se importante instrumento para que as metas educacionais definidas possam ser concretizadas. Pois, se não estiverem acompanhadas dos recursos necessários, ficam apenas como promessas. O Congresso Nacional ao aprovar esta emenda não permite mais que haja remanejamento de verbas do orçamento aprovado para a educação. Além disso, a emenda reformula mais três outros pontos: assegura o direito ao ensino básico gratuito para as pessoas de 4 a 17 anos (hoje a universalização abrange apenas o ensino fundamental, de 6 aos 14 anos); obriga o Legislativo a incluir no Plano Nacional de Educação uma meta de investimento público em educação pública como proporção do PIB; e amplia a abrangência das chamadas atividades suplementares para todas as etapas da educação básica.

Outra grande lei aprovada no Congresso Nacional é a que institucionaliza o Piso Nacional Salarial para Magistério no valor de 950 reais. Existem atualmente dois milhões e trezentos professores no Brasil. Metade destes professores não ganha o piso para o regime de 40 horas. A partir desta conquista, será possível estabelecer uma política de valorização do magistério e uma uniformização do ponto de vista de condições materiais para todos os nossos professores. O valor de R$ 950,00 será atualizado anualmente, de acordo com o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano, definido nos termos da Lei que instituiu o Fundeb.

Estas leis foram aprovadas como reflexo de um ambiente favorável cuidadosamente construído nestes últimos anos pelo Governo Lula. As políticas estabelecidas pelo Ministério da Educação (MINC) passam desde a garantia de transporte escolar, a aquisição da merenda escolar, a distribuição gratuita do livro didático até, por exemplo, programas como o Pró Infância. Programa este que oferece aos municípios recursos para construções de centros de educação infantil, além do pagamento dos professores e o custeio para manutenção destas escolas.

E na outra ponta, como grande mudança na perspectiva do desenvolvimento, o investimento na juventude. Este desafio se impõe frente aos grandes índices de evasão escolar no ensino médio, frente a uma sociedade complexa como a nossa, onde a falta de perspectivas de futuro para muitos é o que prevalece. O governo federal reconhece esta dívida histórica com a juventude e oferece um novo caminho. Passamos por um momento transformador, sobretudo no que diz respeito à qualificação tecnológica. Um grande exemplo é o investimento massivo de recursos e energia por parte do Ministério da Educação para a construção de 214 IFETS – Institutos Federais Tecnológicos pelo país. Uma política de grande alcance, pois forma os jovens, abre perspectiva individual para o futuro, além de ajudar o Brasil e municípios se desenvolverem. Por último, a grande noticia: o governo triplicou o orçamento do Ministério da Educação, passando de R$ 17,4 bilhões em 2003 para R$ 51 bilhões em 2010. Este aumento influencia diretamente o investimento por aluno, em especial na educação básica. De R$ 1,6 mil em 2000, saltou para R$ 3 mil, e a meta é a de atingir R$ 3,5 mil até o final de 2010.

É neste ambiente de mudança do papel do Estado, da percepção nova da sociedade civil sobre o papel da educação e de grandes transformações operacionalizadas pelo MINC que se realiza a II Conferência Nacional da Educação. Estão como responsabilidades de mais de 35 setores representados pelos seus participantes, a definição das diretrizes para desenvolver um processo educacional cada vez mais qualificado e, principalmente das metas financeiras, instrumento pelo qual o Brasil poderá realizar seu plano estratégico para os próximos anos na área educacional. Há ainda a necessidade de comprometer a todos aqueles que neste processo eleitoral concorrem ao legislativo e ao Executivo, sua adesão ao Plano Nacional da Educação. Seu compromisso de elaborar nos estados e municípios os Planos estaduais e municipais, para que assim, a exemplo da área da saúde, seja constituído do Sul ao Nordeste o Sistema Nacional da Educação.

Com estes novos caminhos apontados, daqui a dez anos quando o Brasil estiver às vésperas da comemoração do bi-centenário da sua independência, vamos olhar para o passado e para o futuro, e comemoraremos a consolidação de um novo ciclo. Assim como o país fez há cem anos, em 1922, com a realização da Semana de Arte Moderna, onde surgia um novo rosto para o Brasil, na arte, cultura e educação. Momento como o atual que mostramos para o resto do mundo, que o Brasil é um lugar ímpar, singular e tem no seu povo a semente fértil da criação e da superação.

Artigo de VANHONI, no site PT: Angelo Vanhoni é deputado federal (PT- PR) e presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal.

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

No Dia Mundial da Água, uma triste constatação: 884 milhões vivem sem água potável.


Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 13% da população mundial ainda não têm acesso à agua potável e 39% vivem sem saneamento básico. A disparidade entre os centros urbanos e o campo ainda é marcante, apesar dos progressos registrados na China e na Índia.

No dia 22 de março, quando se comemorou o Dia Mundial da Água, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicaram um relatório conjunto. O documento indica que, apesar dos desafios existentes, o acesso à água potável vem aumentando nos últimos anos.

Em 2008, cerca de 5,9 bilhões de pessoas utilizavam água potável, ou seja, 1,8 bilhão a mais do que em 1990. A progressão demonstra que são grandes as chances do objetivo do Milênio para o Desenvolvimento se concretizar ou até mesmo ser ultrapassado: o programa prevê a redução de metade do número de pessoas sem água potável entre 1990 e 2015. Hoje, cerca de 884 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à agua potavel, sendo que 1/3 vive na África subsaariana.


Quanto à questão do saneamento básico, o quadro é menos otimista. Mais de 2,6 bilhões de pessoas ainda não têm acesso a um sistema satisfatório e se a tendência atual continuar, esse objetivo não será atingido para quase um bilhão de habitantes ; uma situação preocupante, já que a falta de água tratada e de saneamento básico têm consequências drásticas para a saúde. A triste prova é a morte anual de 1,5 milhão de crianças com menos de cinco anos de idade, vítimas de diarreia. O problema da falta de instalações sanitárias ainda está longe de ser resolvido. A Ásia do sul é um exemplo, onde calcula-se que 44% da população continua a fazer suas necessidades ao ar livre.

Na América Latina e Caribe, 85 milhões de pessoas não têm água potável e outros 115 milhões vivem sem saneamento básico.


No Brasil, somente 48% do esgoto doméstico é tratado, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA).

Neste ano, o tema é a qualidade da água. Criado em 1992 na Assembléia Geral das Nações Unidas, o Dia Mundial da Água tem o objetivo de estimular ações de sensibilização publicas e privadas aos problemas ligados ao líquido mais precioso do planeta.

Meio Ambiente/Água/RFI - Artigo de Leticia Constant, publicado em 22 de Março de 2010 - Atualizado em 22 de Março de 2010
Albert Einstein

Manuscrito da Teoria da Relatividade é exposto pela primeira vez .

As 46 páginas da obra de Albert Einstein que revolucionou a física podem ser vistas pelo público na Academia de Ciências, em Jerusalém.

O manuscrito original de Albert Einstein, no qual ele explica a Teoria da Relatividade, está exposto pela primeira vez na Academia Israelense de Ciências, em Jerusalém. As 46 páginas escritas por Einstein provocaram uma revolução no meio científico e ajudaram esclarecer, por exemplo, a existência dos buracos negros e a teoria do Big Bang, de criação do universo.

Hanoch Gutfreund, cientista da Universidade Hebraica e membro do comitê dos Arquivos de Albert Einstein, explica que a obra mudou a compreensão sobre o espaço, o tempo e a gravidade. A obra completa está exposta em um quarto escuro com temperatura e umidade cuidadosamente controladas e dispostas, uma a uma, dentro de caixas de madeira e sob iluminação especial para preservar as folhas.

O trabalho foi escrito na residência de Einstein em Berlim, em 1916, e doado à Universidade Hebraica de Jerusalém na ocasião de sua inauguração em 1925. Os organizadores concordaram em expor a obra, cujo valor nao pôde ser avaliado, por um período de três semanas. O transporte da Biblioteca Nacional até a Universidade, foi sob forte esquema de segurança, em um carro blindado.

Einstein, que nasceu em 1879, recebeu o prêmio nobel de Física em 1921, antes de trocar a Alemanha nazista pelos Estados Unidos. Em 1952, ele recusou uma oferta para tornar-se presidente de Israel, mas os manuscritos doados pelo cientista são fonte de renda da instituição em Jerusalém até hoje. Os arquivos de Einstein guardados na Universidade somam 55 mil itens, e vão desde correspondências com outros cientistas a cartas pessoais, além de fotografias, sons e outros manuscritos científicos.

Ciências/ RFI - Artigo de Nathalia Watkins, publicado em 20 de Março de 2010 - Atualizado em 22 de Março de 2010


CONCENTRAÇÃO/INTERNET

Internet pode contribuir para falta de concentração: Especialistas defendem que a Internet contribui para a fragmentação da atenção, explicando, entre outras questões, a dificuldade de concentração das crianças nas salas de aula. Este bombardeio de estímulos da era virtual exigiria uma adaptação de toda a sociedade.

Como se adaptar a um mundo onde somos bombardeados por imagens, estímulos, ideias e informações vindas de todos os lados? A subjetividade humana está preparada para todas as mudanças? Estamos fadados à incapacidade de concentração, como defende o jornalista Nicholas Carr? Sobre todas questões conversamos com a psicóloga Bárbara Oliari, professora da faculdade Ibmec, em São José dos Campos, e a psicanalista Carlize Regina Ogg Nascimento, do Hospital das Clínicas de Curiba, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná.

Bárbara Oliari é taxativa: para ela, apesar da Internet fazer parte do mundo das pessoas, a nova geração, que cresceu com ela, tem dificuldades para aceitar os limites da vida real. Limites que não existem na vida virtual. "Existe uma demanda enorme pelo virtual. Até porque no mundo virtual as coisas sempre acabam ficando um pouco mais fáceis. Mas a questão afetiva, a questão do cara a cara, da atenção, do olho no olho, permanece. Então quando o mundo virtual ocupa um espaço maior do que o mundo real ele se torna patológico. É como se tivesse um buraco na vida da pessoa.”

A pesquisadora Carlize Regina Ogg do Nascimento, da Universidade Federal do Parana, lembra que a subjetividade humana muitas vezes não acompanha o desenvolvimento tecnológico e esse bombardeio de estímulos acaba sendo o responsável por distúrbios como o déficit de atenção, ou DDA. "Na medida em que o próprio ambiente exige que você fique piscando uma série de estímulos o tempo todo e você vai perdendo inclusive o hábito e a capacidade de se concentrar em alguma coisa, então você passa a ter uma forma de uso da sua atenção totalmente fragmentária", diz Carlize. "Como é que uma criança vai sentar durante quatro horas, para ouvir um professor, e aprender Matemática, Física, Química a escrever, a ler, a compreender, com um tipo de atenção que é tão difusa quanto à que hoje o mundo impõe?", questiona.

Reportagem de Taíssa Stivanin, RFI - Espaço Multimídia

Tabaco deve matar 1 bilhão de pessoas até 2100, diz OMS

O tabaco matou 100 milhões de pessoas no mundo no século 20 e deve matar 1 bilhão de pessoas até 2100 caso o número de fumantes não caia consideravelmente, afirma a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Segundo a organização, os novos dados apresentados oferecem um importante mapa mundial para o combate ao cigarro. De acordo com o relatório, após décadas de ataques ao tabaco, o número de fumantes está caindo em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Canadá. Porém, em países em desenvolvimento, o levantamento aponta crescimento.

De acordo com a OMS, o novo relatório representa a primeira análise compreensiva do uso do tabaco no mundo e também mede os esforços realizados para controlar seu uso em cada país. Segundo a organização, apenas 5% da população mundial vive em países que aplicam todas as medidas de proteção indicadas para reduzir o número de fumantes. Em 40% dos países ainda é permitido fumar em hospitais e escolas.

O relatório também revela que os governos arrecadam 500 vezes mais dinheiro em taxas relacionadas ao tabaco do que gastam com medidas antifumo.

"Ainda que as atividades antifumo estejam crescendo, países devem fazer cada vez mais", afirma em comunicado Margaret Chan, diretora da OMS.

O relatório propõe medidas agressivas contra as tentativas da indústria tabagista de se estabelecer em países que possuem medidas mais brandas para o combate ao cigarro.

Segundo estimativas da organização, o aumento do número de fumantes em países em desenvolvimento fará com que estes países respondam por 80% das 8 milhões de mortes por doenças relacionadas ao tabaco previstas para 2030.

A análise global divulgada pela OMS reuniu informações de 179 países.

No Brasil, o estudo, que utiliza dados de 2006, aponta que 16,2% da população adulta
(maiores de 18 anos) é fumante (não existem dados para o menores de 18, uma vez que a venda de cigarros é ilegal; porém, sabe-se que o acesso de menores ao tabaco é livre. Principalmente ao cigarro que entra clandestinamente no país e é vendido a preços reduzidos, sem recolher impostos - impondo altos custos ao Sistema de Saúde Público do país que mais tarde terá que arcar com as despesas de tratamento das doenças oriundas do consumo de tabaco. Tratamentos estes extremamente caros).

O consumo de cigarros no país se mantém estável desde 1999, ficando em torno de 100 bilhões de cigarros ao ano. Sem considerar o consumo de cigarro de origem do tráfico.

fonte: Folha Online

Una pintura con sangre de Pete Doherty es exhibida en la muestra 'Bloodworks'.
foto arquivo EL País

A Dieta do Tipo Sangüíneo

A idéia de que o sangue pode dizer tudo a respeito de uma pessoa - inclusive detalhes de temperamento, personalidade, humor e estilo - não é nenhuma novidade. No Japão, por exemplo, perguntar o tipo sanguíneo ao conhecer alguém já é prática comum. No Brasil, o radicalismo não chega a esse ponto, mas a idéia já contamina a casa - ou melhor, a mesa - de quem adere à chamada "dieta do tipo sanguíneo" ou "dieta do sangue".

O princípio é simples: classifica os alimentos de três formas - altamente benéficos, neutros e nocivos - de acordo com cada tipo de sangue. O segredo da boa saúde já viria "de fábrica", bastando obedecer a regras básicas de compatibilidade alimentar. Um exemplo é a carne vermelha, que seria um "veneno" para o sangue do tipo A e, ao mesmo tempo, um remédio para quem tem sangue tipo O.

Desenvolvida pelo naturopata (a base da naturopatia é acreditar que o corpo deve se manter equilibrado para desenvolver dispositivos de cura) Peter D’Adamo e popularizada o livro A Dieta do Tipo Sangüíneo, a dieta prega que deve haver uma alimentação diferenciada para cada tipo de sangue. Segundo o americano, a relação sangue x alimentação determinará, inclusive, o desenvolvimento de doenças como câncer, esclerose, esquizofrenia e até o enfarte. Cada sangue também define quais as comidas que podem causar emagrecimento ou aumento de peso, de acordo com a teoria de D‘Adamo.

Para o médico, cada tipo sangüíneo reage à sua própria maneira aos alimentos, aproveitando uns e absorvendo mal os outros. Assim, quem é tipo A, por exemplo, não tolera bem a carne e deveria seguir um cardápio vegetariano. O extremo oposto são as pessoas que possuem tipo O, carnívoras por natureza. Este teria sido o primeiro tipo de sangue humano, o que corria nas veias de nossos ancestrais, cuja base da alimentação era a carne.

O primeiro livro de D’Adamo deu origem a outros, em que ele detalha como sua dieta pode ajudar no controle de doenças como a artrite, a diabete e problemas cardiovasculares. No Brasil, o clínico geral, ortomolecular e homeopata Sérgio Teixeira fez uma adaptação do livro do colega americano, levando em conta o cardápio nacional, e lançou A Dieta que Está no Sangue. Teixeira acredita que essa dieta "individualiza as pessoas em termos de alimentação e temperamento a partir da genética do sangue em seis tipos: AA, AB, AO, BB, BO e OO". E complementa: "cada uma delas é como um carro com combustível diferente, o que realmente conta muito para o bem estar e para o peso ideal". Segundo ele, há pessoas que não metabolizam qualquer alimento, apenas aqueles que seu organismo está preparado para receber.

"O estudo do tipo de sangue nos ajuda a compreender qual a melhor forma de viver em harmonia com nosso genoma, para desfrutarmos de mais saúde e longevidade", acredita a Dra. Berenice Cunha Wilke, diretora da Associação Brasileira de Medicina Complementar. Segundo ela, "cada tipo sangüíneo constitui uma mensagem genética de comportamentos e dietas de seus ancestrais".

Apesar de sedutora, a idéia de ter em mãos uma dieta 100% eficaz também causa dúvidas. O próprio Sérgio Teixeira questiona se certas informações trazidas pelas publicações não seriam precipitadas. "O primeiro livro de D’Adamo apresenta a soja como benéfica para pessoas do grupo B. No último, ele já a mostra como nociva", afirma o homeopata. Berenice também critica algumas distorções quanto à tradução da obra. "Há alimentos que foram traduzidas ao pé da letra. O certo seria incluir o nome científico". A doutora afirma, ainda, que há uma lista de mais de 50 alimentos publicados erroneamente no livro de D’Adamo. "Ele se deu conta e colocou uma errata no próprio site. Mas nunca foi corrigido no livro".

A exemplo de outras dietas como a do Dr. Atkins, a South Beach ou a Mediterrânea, entre outras, o que prevalece ainda é o bom senso. Se você desconfiou que nem todo mundo deve comer a mesma coisa ou fazer o mesmo exercício, você está certo. A atitude mais correta - e segura - é procurar um especialista, que indicará a dieta mais adequada ao seu organismo.

TIPO A
Aproximadamente 38% da população tem esse tipo sangüíneo. Com o início das práticas agrícolas, esse grupo foi um dos primeiros a evoluir (por causa do consumo de vegetais). As pessoas pertencentes a esse segmento saem-se melhor como vegetarianos. O aparelho digestivo é sensível, com dificuldades para decompor as proteínas e gorduras de origem animal, pois produzem menos suco gástrico. Essas pessoas são mais sensíveis a doenças do coração, ao câncer e ao diabetes. Alimentos como proteínas de soja, grãos, legumes, comidas frescas, orgânicas, peixes e frutas são muito importantes. O sistema imunológico é tolerante e reage melhor ao estresse
com atividades relaxantes.

TIPO B
Cerca de 10% da população tem esse tipo de sangue. Ele surgiu quando os seres humanos migraram para o Norte, encontrando terras mais frias e sombrias. A dieta pode ser mais variada, incluindo carne, e é o único tipo de sangue que se dá muito bem com os laticínios. O sistema imunológico das pessoas que tem o tipo B é forte, reage melhor ao estresse com criatividade. As recomendações gerais de alimentação são: carnes como cordeiro, carneiro, coelho, peru; peixes como bacalhau, salmão, linguado; laticínios como leite magro, iogurte e queijos; cereais como arroz, aveia, batata e inhame; azeite de oliva e muita verduras e legumes.

TIPO O
Quase 50% da população apresentam este tipo de sangue. É o grupo mais antigo e resulta do cruzamento de várias culturas. Geralmente precisam comer proteína animal todos os dias. O aparelho digestivo é forte, pois produz sucos gástricos em abundância, importante para a digestão da carne. Porém, justamente por produzirem maior quantidade desses sucos gástricos, ocorre a maior incidência de doenças estomacais, como gastrites e úlceras. Não são bem-vindos aveia, trigo, grãos e derivados do leite. O sistema imunológico é bem ativo e consegue reagir ao estresse com grande atividade física.

TIPO AB
Apenas 4% da população tem esse tipo de sangue. É uma adaptação moderna que surgiu da mistura do A e do B. Seu aparelho digestivo é sensível. Necessita de alimentos misturados em porções equilibradas. Já o sistema imunológico é excessivamente tolerante, tem reações às mudanças dietéticas e de ambientais. No geral, os alimentos recomendados são carne, peixe, produtos do leite, legumes, cereais, frutas e verduras.

fonte: RFI

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DICAS DE PROTEÇÃO PARA SEU PC

Antipragas grátis e sem instalação

Ter, hoje em dia, um computador sem um antivírus instalado é pura irresponsabilidade. Para quem navega na Internet, troca e-mails, conversa pelo MSN ou mesmo baixa arquivos, proteger o micro com um programa contra pragas virtuais é mais que obrigatório.

Muita gente usa programas consagrados na máquina, como o Norton Antivírus, o McAfee VirusScan, um Panda ou NOD 32. Já outros recorrem a alternativas gratuitas, como o AVG Free e o Avast, que são leves e deixa o micro mais protegido do que se não tivesse qualquer proteção.

O problema é que, em algumas ocasiões, você pode estar em um computador que não é o seu e tenha notado que o micro não tem um antivírus ou mesmo tem uma versão antiga e não quer correr o risco de levar vírus para o seu micro após copiar arquivos em disquete ou CD, uma boa alternativa é apelar para os antivírus on-line. Além de gratuitos, estes programas não necessitam ser instalados no micro e podem ser um grande quebra-galho para quem quer ter um pouco mais de tranqüilidade sobre o computador que está trabalhando.

A diferença do antivírus online para um antivírus que é instalado no micro é que o primeiro não protege a máquina das pragas virtuais; ela apenas "varre" o disco em busca dos vírus e, caso existam, são eliminados.

Um desses serviços é o Live On Care, criado pela Microsoft. O programa escaneia o micro do usuário para verificar e remover vírus, além de melhorar a performance da máquina.

O verificador de segurança do Windows Live OneCare está disponível no endereço http://onecare.live.com/scan. O serviço realiza a varredura a partir de uma solicitação do usuário e não há limite para o número de utilizações.

A ferramenta detecta e remove os vírus e os softwares indesejados encontrados. Além de seu recurso de verificação total do PC ela pode ser acionada individualmente.

No módulo Proteção, a ferramenta verifica o computador do usuário e ajuda a remover vírus, spyware e outros softwares invasores. Ela também verifica portas comuns abertas que podem tornar o PC mais vulnerável a ameaças online e hackers; e tenta automaticamente limpar qualquer arquivo infectado que for encontrado no computador, ou faz recomendações para os que não conseguir limpar.

Já no módulo Limpeza, o serviço busca arquivos do registro e arquivos temporários obsoletos e indica se está na hora de limpar o disco rígido. O sistema pode também fazer a remoção desses arquivos para melhorar o desempenho do computador. Em Ajuste, o sistema realiza uma checagem na unidade do disco rígido e indica se está na hora de desfragmentá-lo.

A desfragmentação regular do disco rígido pode ajudar a otimizar o desempenho do computador a executar ações mais rapidamente. Se o disco rígido do usuário estiver mais de 10% fragmentado, a verificação de ajuste recomendará que ele o desfragmente, e o usuário poderá então optar por seguir ou não a recomendação.

Um dos melhores serviços online de verificação de vírus pela internet é o Panda Active Scan, que pode ser encontrado no endereço www.pandasoftware.com/active scan. Na janela que se abrir, clique no botão Scan your PC.

Na janela que se abrir, clique em Check Now. Preencha um pequeno cadastro e clique em Scan Now. O programa pedirá pra você autorizar a instalação do controle ActiveX.

Concorde e aguarde o processo de instalação. Ao terminar, o serviço mostrará uma tela na qual você poderá escolher entre verificar a pasta Meus Documentos, os discos, o disquete, os e-mails ou mesmo um CD.

Escolha o seu disco C:, por exemplo, e mande verificar. O processo demora de acordo com a sua conexão à Internet e tamanho do disco. No final, ele avisa se eliminou algum vírus.

Outro serviço muito útil na detecção de pragas é o Symantec Security Check, da mesma fabricante do Norton Antivírus. Para acessá-lo, basta digitar o endereço www.symantec.com/region/br/ssc.

Ao abrir a página, clique no botão Ir. Na tela seguinte, você poderá escolher entre a verificação de segurança e detecção de vírus. Na primeira, o sistema verifica se o seu micro está vulnerável a ataques de fora; na outra, ele verifica e elimina vírus. Clique no botão Iniciar de um deles para realizar o processo.

A McAfee também tem seu serviço de verificação online. O WebImmune realiza a detecção e limpeza de vírus em tempo real e pode detectar até vírus ainda não catalogados.

Para utilizar o WebImmune, basta que o internauta acesse a página http://www.webimmune.net e se cadastre. Automaticamente o sistema cria uma senha pessoal e envia um código de acesso por e-mail. Caso o usuário do software envie um documento com um vírus desconhecido, o WebImmune cria uma vacina envia a solução ao usuário.

ACELERADOR REALIZA COLISÃO: Física/LHC - Artigo de Elcio Ramalho, publicado no RFI em 30 de Março de 2010 - Atualizado em 31 de Março de 2010

Os computadores do Acelerador do Laboratório Europeu de Pesquisa Nuclear
Reuters

Acelerador de partículas gigante realiza colisão O choque, segundo cientistas, é uma reprodução do Big Bang, que explicaria a origem do universo. A experiência realizada pela máquina do Laboratório Europeu de Pesquisa Nuclear pode confirmar ou mudar toda a teoria da Física sobre a estrutura da matéria.

Uma nova era começou para a ciência. Assim os cientistas reagiram à tão esperada colisão entre dois feixes carregados de 10 bilhões de prótons cada um no interior do túnel de 27 quilômetros construído no subsolo de uma área na fronteira entre a Suíça e a França.
Depois de duas tentativas frustradas, a terceira deu certo e às 13h06, horário local, foi registrado o choque que, segundo os cientistas, permite reproduzir o Big Bang, a explosão realizada a mais de 13 bilhões de anos e que teria dado início ao universo.

Quatro detectores gigantes captaram as colisões realizadas a uma velocidade superior a 99,99% à da luz e com uma potência jamais atingida, de 7 trilhões de eletrovolts.
Isso significa que a aceleração dos prótons equivale a 11 mil voltas por segundo dentro do Grande Colisor de Hádron, como foi batizado o megatúnel. Os responsáveis pelo CERN, o centro europeu de pesquisa nuclear, afirmaram que a experiência inédita vai permitir descobrir grandes enigmas da ciência, como a origem da massa e a presença da matéria escura no universo.

No mundo inteiro, físicos tinham a expectativa de encontrar o famoso Boson de Higgs, ou a partícula de Deus, a peça da estrutura fundamental da matéria que dá a massa a outras partículas. Mas os resultados não devem sair tão cedo já que os milhões de dados devem ser analisados por laboratórios parceiros do projeto espalhados pelo mundo.

Pedaço de pão provocou curto-circuito em 2009

O Cern, que custou 9 bilhões de dólares, foi inaugurado no dia 10 de setembro de 2008. Dez dias depois parou de funcionar, por conta de um vazamento de hélio entre dois imãs. Em 2009, um pedaço de pão, deixado provavelmente por um pássaro, caiu no transformador da máquina e provocou um curto-circuito. O incidente, entretanto, não provocou atrasos no cronograma da equipe.