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domingo, 4 de julho de 2010

JULHO/JUNHO/MAIO/ABRIL_2010: Resumos/Aulas

Resumo Junho/Julho 2010 /Problema do Conhecimento


Teoria do CONHECIMENTO e/ou Epistemologia 

O que é a epistemologia? A resposta é: o ramo da filosofia que se ocupa do conhecimento humano, pelo que também é designada de “teoria do conhecimento”.


A epistemologia, como ramo distinto da filosofia, não esteve muito em evidência antes de John Locke (1632-1704). Assim, quando falamos da epistemologia em suas origens, como em Aristóteles p.ex.; estamos descrevendo apenas os resultados obtidos por ele nesta área, uma vez que ele mesmo nunca usou o termo epistemologia. Isto é óbvio, pelo fato que tanto Aristóteles como os demais filósofos gregos concentraram seus pensamentos mais naquilo que se deve conhecer do que na teoria dos processos de conhecê-lo... Ainda que tenham se ocupado disto.


JHON LOCKE

Filósofo inglês, iniciador do iluminismo)Nasceu em 29 de Agosto de 1632 em Wrington, Inglaterra ; morreu em Oates em 28 de Outubro de 1704. A família de Locke era formada por burgueses, comerciantes. Com a revolução Inglesa de 1648, o pai de Locke alistou-se no exército. Locke estudou inicialmente na Westmuster School. Em 1652 foi para a Universidade de Oxford. Não gostou da filosofia ali ensinada. Manifestou, mais tarde, opiniões contrárias à filosofia de Aristóteles. Julgou o peripatetismo obscuro e cheio de pesquisas sem utilidade. Além de filosofia , estudou medicina e ciências naturais. Recebeu o título de Master of Arts em 1658. Nesse período , leu os autores que o influenciaram: John Owen (1616-1683) que pregava a tolerância religiosa, Descartes (1596-1650) que havia libertado a filosofia da escolástica e Bacon (1561- 1626), de quem aproveitou o método de correção da mente, e a investigação experimental. Interessou-se pelas experiências químicas do também físico Robert Boyle (1627-1691), que inovaram introduzindo o conceito de átomo e elementos químicos. Foi um avanço em relação à alquimia que dominou durante a Idade Média e a concepção de Aristóteles dos quatro elementos. Locke atuou nos campos de medicina, filosofia, política, teologia e anatomia. Não gostava de matemática. Redigiu em Latim, Ensaios sobre a lei da natureza. Já nessa época apresentava gosto pela regra experimental, de onde deriva sua filosofia empirista.

Todo conhecimento encontra suas fontes na FÉ – aqui entendida enquanto CRENÇA. A fonte primordial do conhecimento seria a sensação. É através dos sentidos que os homens primitivos ainda nas cavernas tinham a percepção diante do desconhecido e nela encontravam a motivação para conhecer. Este conhecimento fundado na crença se tornava cada vez mais complexo a medida que era relacionado a outros conhecimentos lentamente construídos pelas diversas fases evolucionistas hominídeas. Ora, essa crença-conhecimento constituíram os conteúdos de conjuntos de conhecimentos como: religiosos, artísticos, mitológicos, senso-comum... ao longo da história humana. A Filosofia e a Ciência vieram justificar a CRENÇA dando a estes conhecimentos pelo crivo da veracidade ou demonstrando suas contradições e não possibilidade de serem verdadeiros.

Aqui entra um componente muito importante: a REALIDADE. O que é a Realidade? Toda vez que nos deparamos com o desconhecido, ainda hoje em pleno século XXI é assim, a nossa primeira atitude é buscar uma explicação na crença. A REALIDADE é aquele fato ou momento histórico que faz parte de minha tomada de consciência. Ele pode ser concreto/físico ou abstrato. O concreto/físico é mais verdadeiro, atinge o todo: por exemplo_ Pierre é meu amigo. Ele é Francês, alto e branco de olhos negros. Um exemplo de abstrato: Os Franceses são de estatura média... Aqui me refiro não a um homem francês, mas faço um juízo universal. Meu objeto aqui é empobrecido. Por exemplo, o "céu" é um lugar que todos os homens desejam. Este conhecimento é abstrato. Primeiro que céu não é uma REALIDADE concreta. Faz parte da CRENÇA. Não é possível que consigamos algo mais sobre o céu que não conjecturações abstratas fundadas na crença. Foi justamente a tentativa de tornar a FÉ Cristã Crível que fez com que a Igreja domesticasse a Filosofia e a colocasse a serviço da Justificação Teológica no período que conhecemos por Idade Média.

Vamos analisar alguns casos:

Caso 1: No ponto de ônibus – ouvindo uma conversa entre duas mulheres: “Comadre minha neta anda descalça o dia todo, correndo de lá para cá, no chão nu, dizem que pega “bicho geográfico” e outras doenças”... Isso é mentira, deve ser lenda, porque minha netinha tem saúde de ferro”. Aqui um exemplo típico de alguém que não dominando conhecimentos científicos impõe à autoridade da crença o conteúdo de sua compreensão sobre um dado concreto de seu cotidiano. Aqui temos o Senso-Comum.

Caso 2: Um bispo em sua homilia se dirigindo aos fiéis: “Deus criou o homem e a mulher para procriarem. Portanto, os casais precisam fugir de todas as formas de pornografia. O sexo é para procriar e o homem que precisa ver a imagem de outras mulheres nuas que não a sua é um fracassado”... Aqui temos um juízo moral fundado no conhecimento religioso cristão.

Caso 3: Um senhora falando sobre a situação de sua mãe: “ Minha mãe com câncer de mama buscou a cura na igreja e Jesus a livrou do câncer, ela estava feliz e digo que: uma verdadeira fanática. Agora o câncer “explodiu” na cabeça e ela encontra-se vegetativa”. Aqui outra vez o conhecimento religioso fundado na crença.

Caso 4: “Meu amigo morreu muito novo, não consigo entender porque Deus o tirou tão novo de nosso meio”. Mais adiante ele lembrava: “Meu amigo fumou a vida inteira...” Aqui a busca de novo de explicações na crença, esqueceu ou tem poucas informações científicas de que todo fumante está fadado a abraçar a morte prematuramente...

Caso 5: Dois jovens eleitores de candidatos diferentes e que estão em primeiro e segundo lugar nas pesquisas. O eleitor do candidato que está em segundo argumenta: “Estas pesquisas estão erradas, quando abrirem as urnas você vai ver... os dois estarão ali empatados “embolados” e a eleição vai pro segundo turno”. E continuaram a discussão, ambos estavam em uma discussão fundada na CRENÇA e possivelmente não possuem a informação de que uma cidade – que é o caso da cidade deles - com pouco mais de 50 mil eleitores, não tem segundo turno.


Na Filosofia, conhecimento fundado na RAZÃO que é comum a todos os homens, Platão em seus diálogos também ocupou-se com o tema Conhecimento. Para ele o primeiro ato do Conhecer tem origem nas Sensações. Ele entendia que a maioria dos mortais ficam neste estágio e que poucos são os que se libertam indo de encontro ao verdadeiro conhecimento. No Teeteto ele esclarece que o conhecimento passa pela sensação, crença-opinião, no entanto o que caracteriza o verdadeiro conhecimento é a razão sobreposta às sensações, crença-opinião. Já Aristóteles desenvolveria suas teorias mais tarde de que o conhecimento verdadeiro é produzido pela capacidade de domínio das causalidades dos eventos e coisas. Agora, veremos algumas noções sobre este ramo da Filosofia que se ocupa exclusivamente da Teoria do Conhecimento.



O conhecimento é a apreensão de qualquer "coisa" por meio do pensamento e a capacidade de tornar presente ao pensamento "aquilo" que se apreendeu.



A teoria do conhecimento, como já vimos, é um ramo filosófico cujo objetivo é a explicação ou interpretação do conhecimento (humano). Aí se analisam questões como: Que é conhecer?, É possível o conhecimento?, etc..

Vamos conferir alguns conceitos relacionados ao termo em questão...
Na obra Teoria do Conhecimento (p. 20), o autor J. Hessen distingue a teoria do conhecimento da lógica, afirmando que, se "a lógica pergunta pela correção formal do pensamento, isto é, pela sua concordância consigo mesmo, pelas suas próprias formas e leis, a teoria do conhecimento pergunta pela verdade do pensamento, isto é, pela sua concordância com o objeto. Portanto, pode definir-se também a teoria do conhecimento como a teoria do pensamento verdadeiro, em oposição à lógica, que seria a teoria do pensamento correcto".

Nessa obra (p. 25-26) observa-se ainda: "Uma exata observação e descrição do objeto devem preceder qualquer explicação e interpretação. É necessário, pois, no nosso caso, observar com rigor e descrever com exatidão aquilo a que chamamos conhecimento, esse peculiar fenômeno da consciência. Fazemo-lo, procurando apreender os traços gerais essenciais deste fenômeno, por meio da auto-reflexão sobre aquilo que vivemos quando falamos do conhecimento. Este método chama-se fenomenológico e é distinto do psicológico. Enquanto que este último investiga os processos psíquicos concretos no seu curso regular e a sua conexão com outros processos, o primeiro aspira a apreender a essência geral no fenômeno concreto".

Em Potenciar a razão, Fernando Savater distingue informação de conhecimento. No livro As Perguntas da Vida (p. 18), distingue 3 níveis de entendimento: a informação ("que nos apresenta os fatos e os mecanismos primários do que acontece"), o conhecimento ("que reflete sobre a informação recebida, hierarquiza a sua importância significativa e procura princípios gerais para a ordenar") e a sabedoria ("que liga o conhecimento com as opções vitais ou valores que podemos escolher, tentando estabelecer como viver melhor de acordo com o que sabemos")

Segundo Kant "o que chamamos conhecimento é uma combinação do que a realidade nos traz com as formas da nossa sensibilidade e as categorias do nosso entendimento. Não podemos captar as coisas em si mesmas mas apenas como as descobrimos através dos nossos sentidos e da inteligência que ordena os dados oferecidos por eles. Isto significa que não conhecemos a realidade pura mas apenas como é o real para nós. O nosso conhecimento é verdadeiro mas não chega senão até onde lhe permitem as nossas faculdades. Daquilo do qual não recebemos a informação suficiente através dos sentidos -- que são os que se encarregam de trazer a matéria-prima do nosso conhecimento -- não podemos saber absolutamente nada, e quando a razão especula no vazio sobre absolutos como Deus, a alma, o Universo, etc., confunde-se em contradições irresolúveis. O pensamento é abstrato, isto é, procede baseando-se em sínteses sucessivas a partir dos nossos dados sensoriais. Sintetizamos todas as cidades que conhecemos para obter o conceito de 'cidade' ou a partir das mil formas imagináveis de sofrimento chegamos a obter a noção de 'dor', reunido os traços intelectualmente relevantes do diverso. À partida, pensar consiste em voltar a descer da síntese mais longínqua aos dados particulares concretos até aos casos individuais e vice-versa sem perder nunca o contacto com o experimentado nem nos limitarmos apenas à esmagadora dispersão das suas circunstâncias particulares." (Fernando Savater - As Perguntas da Vida, p. 58-59).

NOÇÕES sobre a relação entre CONHECIMENTO e Conhecimento Religioso, por Lucio Lopes
Os pensadores do iluminismo e mesmo os teóricos do liberalismo, insistiram longamente no conceito de TOLERÂNCIA. Passados quatro séculos vemos não mais que a intolerância sendo propalada em um embate constante com os "artigos de ouro" produzidos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem. A ideia central de que o Estado deve ser Laico ainda está longe de se concretizar, especialmente no Brasil. Aqui é que entra a importância do conhecimento enquanto elemento primordial em qualquer transformação histórica. Foi assim a demarcação das fronteiras entre o antes e o pós-período medieval. Pelo conhecimento, mesmo sustentado em meio a dor e ao sangue, heróis da humanidade conquistaram o direito de declararem que a Tolerância é muito melhor que qualquer forma de intolerância.
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Independente da teoria na qual acredite uma pessoa, seja ela a CRIACIONISTA que o Cristianismo contrapõe frente ao Evolucionismo (Teoria biológica segundo a qual todas as espécies vivas derivam umas das outras por transformação natural) sempre haveremos de nos posicionarmos frente às questões suscitadas pelas mesmas.
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Segundo Aristóteles as espécies têm uma forma fixa, imutável. Esta idéia irá dominar até ao século XVIII, quando Lamarck, rompendo com uma visão finalista da natureza, afirma a idéia de uma evolução das espécies. A sua teoria é baseada num pressuposto igualmente contestável cientificamente: a da hereditariedade dos caracteres adquiridos.
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Para explicar a evolução dos seres vivos, Darwin avança o princípio da "seleção natural". ) uma coisa é certa: penso que as de Lamarck e Darwin só enriquecem o ATO Criador do Deus Judeu-Cristão. Penso, que ninguém pode sustentar um “gênero literário” como aquele descrito nas primeiras páginas de Gênesis e nem por isto dizer então que não foi Deus quem criou tudo. Deus é aberto à aventura do CONHECIMENTO e não preso aos DOGMAS das Igrejas Cristãs Sectárias e fundamentalistas.
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Na obra criadora do Deus, judeu-cristão, o Homem recebeu um atenção singular e, lhe foi dado de forma inata, à semelhança de seu Criador, a capacidade de CONHECIMENTO. Ora, é justamente aqui que o Homem se diferencia dos demais seres da natureza. Mas foi este mesmo Conhecimento que produziu os SINAIS de morte em meio a humanidade negando o Projeto de Vida para Todos vislumbrado nas Escrituras, projeto esse que sempre foi um sonho de Deus e que muitas vezes transparecem nas páginas da Bíblia: como p. ex. no Velho Testamento, nas palavras de alguns profetas mais ardorosos e nas primeiras linhas do Livro Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento.
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Quando diante deste Livro Sagrado, o primeiro distanciamento que devemos fazer é aquele de que a Bíblia não foi escrita para nós. Nem o Velho e muito menos o Novo Testamento. Foram escritos para comunidades especificas com o intuito de guardar a sabedoria de uma Cultura específica ou seja, daquelas comunidades antigas específicas. Poderíamos dizer que o objetivo era guardar a experiência religiosa destas comunidades - que antes daa escrita passou pela tradição oral.
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O CONHECIMENTO que desde os primeiros sinais de evolução do homem foi provocando disputa por poder - perpetuou este paradigma da história humana adentro. No Velho Testamento deturparam o Projeto de Vida do Criador e em nome Dele impuseram uma infinidade de sinais de morte na vida do Povo. O Nome de Deus que deveria estar a serviço da Vida foi colocado a serviço da morte. Mas no Novo Testamento aquele velho hábito gerado pela cobiça de manutenção do poder continuou presente quando após o evento morte-ressurreição de Jesus os novos cristãos como Paulo, voltou a impor a cultura de seu povo, a moral da sexualidade machista e tantas outras matizes daquela já surrada e carcomida moral judaica...
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A Igreja mais tarde “domesticada” por Constantino com a lorota de neoconvertido e em troca a “graça do poder” aos chefes da Igreja - poder este que teve seu ápice após a queda do Império Romano com a centralização pela Igreja não só do poder sobre o Conhecimento (agora domesticando a Filosofia) mas também dos poderes econômico e político e imposição ferrenha de sua moral, deturparam mais uma vez o Projeto de Vida do Criador centrado na Gratuidade, na Justiça, na Fraternidade e em outras palavras, no Amor, conforme os Evangelhos do Novo Testamento na Bíblia Cristã. Constantino talvez tenha sido na história do cristianismo um dos primeiros a entenderem o quanto ser aliado da religião pode ser “lucrativo” e assim sendo, um dos primeiros a usarem - na prática - aquele clássico chavão marxista “a religião é o ópio do povo”.
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Jesus, o ícone por excelência deste Projeto foi esquecido mais uma vez e em seu nome se “venderam” outras coisas... O Homem que derrubou os paradigmas ultrapassados de sua cultura como o machismo, os tabus, os preconceitos como xenofobia, etc.; ensinou o respeito às crianças, mulheres, idosos, doentes, deficientes especiais - então marginalizados em sua sociedade contemporânea; que buscou dar um basta na relação comercial com Deus imposta pelos chefes de sua religião e que ainda, de quebra, respeitou às demais religiões, etc... enfim, eu poderia dar uma gama enorme de exemplos concretos.
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Pena que o novo "paradigma" do Filho de Deus, Jesus Cristo, foi sendo suplantado ao longo da história humana pela cobiça ao poder e ao dinheiro. Talvez o grupo dos 11 tenha entendido em um primeiro momento - a duro sofrimento imposto pelos ensinamentos e práxis de Jesus - a deixarem de lado seus "projetos de poder" em torno de um MESSIAS poderoso e governante absoluto. Mas os sonhos humanos em torno destes "projetos de poder" na verdade nunca deixaram o coração do homem e assim, ocorreu o ofuscamento da mensagem central do Messias.
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Hoje, em uma sociedade capitalista como a nossa, pautada no imediatismo, nas sensações, consumismo, individualismo, lucrativo - isto é, tornando também tão mais grave a relação "comercial" com Deus - tão mais complexa, uma vez que dele se espera sempre algo em troca; que prefiro deixar para uma outra oportunidade na qual retomarei este tema de suma importância para quem quer realmente viver uma relação autêntica com o Filho do Criador.
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Penso que só seremos capazes disto se tivermos a coragem de romper com esta "Teologia da Retribuição" tão apregoada hoje 24 horas pelas nossas lideranças religiosas, detentoras de inúmeros canais dos mais variados tipos de mídias (e aqui católicos, evangélicos, protestantes históricos, pentecostais...) todos andam de mãos dadas em um contra-testemunho no mínimo questionável, guardadas as devidas excessões - que alimentam uma poderosa e próspera indústria do MILAGRE. Submetendo o Homem ao estado alienante mais deplorável que existe, aquele sustentado em nome do Deus da Vida - do Deus da Cons - Ciência.
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O Estado pseudo-laico é apenas uma teoria. A Religião Cristã continua ditando no Brasil as regras que amarram nossas leis. Temas emergentes e urgentes para a preservação dos Direitos do Homem e da Mulher como aborto ( que proibido no Brasil, é praticado sem o mínimo controle aos milhões/ano), propriedade privada (concentrada nas mãos de poucos em detrimento da maioria), redução da maioridade penal (diante dos pseudos menores a justiça fica de mãos atadas e extrapolam ainda mais a falta de limites para nossa juventude), eutanásia (um direito inalienável do homem para abreviar seu sofrimento), descriminalização das drogas ( hoje nossa polícia fica correndo atrás de pequenos usuários enquanto os traficantes "gente boa" ficam protegidos; direitos das minorias como homossexuais, índios e outros; ficam paralisados diante ainda dos discursos desta hoste de bispos, padres, pastores e outros moralistas... A intolerância é cultuada em nome da moral.

Passagens bíblicas em que Deus requer a posse do conhecimento para que seu povo não seja enganado pelos espertalhões de nossos tempos:

“O Senhor pela SABEDORIA fundou a Terra, pelo entendimento estabeleceu o céu (...) Pelo seu CONHECIMENTO...” PV 3.19,20

“(...) Uma noite revela seu CONHECIMENTO a outra noite”. SL 19.2

“Conheço todas as aves...” SL 50.11

“(...) Conheço minhas ovelhas...” JO 10.1

“Eu conheço todas as coisas...” EZEQ. 11.5

“Conheço os sofrimentos do meu povo”. EX 3.7
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Para terminar, alguns belos pensamentos:
"Se você é capaz de tremer de indignação toda vez que se comete uma injustiça no mundo,
então somos companheiros." (Che Guevara)

"A neve e a tempestade matam as flores, mas nada podem contra as sementes." (Khalil Gibran)

"O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma..." (Charles Chaplin)

"O homem não teria alcançado o possível, se inúmeras vezes não tivesse tentado o impossível." (Max Weber)



Correntes Filosóficas
VAMOS CONHECER O CETICISMO
Um cético radical pode contrapor que a discussão acerca do conhecimento e da justificação é uma perda de tempo e de energia. Na sua opinião não há nenhuma crença suficientemente justificada para contar como conhecimento. A razão é que ele não está disposto a chamar conhecimento a qualquer proposição que pode ser objeto de dúvida. E está convencido que não há proposições imunes à dúvida.



Escola filosófica fundada pelo grego Pirro (360 a.C.-272 a.C.) que questiona as bases do conhecimento metafísico, científico, moral e, especialmente, religioso. Nega a possibilidade de se conhecer com certeza qualquer verdade e recusa toda afirmação dogmática - aquela que é aceita como verdadeira, sem provas. O termo deriva do verbo grego sképtomai, que significa olhar, observar, investigar.

Para os céticos, uma afirmação para ser provada exige outra, que requer outra, até o infinito. O conhecimento, para eles, é relativo: depende da natureza do sujeito e das condições do objeto por ele estudado. Costumes, leis e opiniões variam segundo a sociedade e o período histórico, tornando impossível chegar a conceitos de real e irreal, de correto e incorreto.

Condições como juventude ou velhice, saúde ou doença, lucidez ou embriaguez influenciam o julgamento e, conseqüentemente, o conhecimento. Por isso, os seguidores de Pirro defendem a suspensão do juízo, o total despojamento e uma postura neutra diante da realidade. Se é impossível conhecer a verdade, tudo se torna indiferente e equilibrado. Para eles, o ideal do sábio é a indiferença. Ainda na Antiguidade, o grego Sexto Empírico (século III?) e os empiristas vêem o ceticismo como um modo de obter o conhecimento pela experiência.

Não excluem a ciência, mas procuram fundamentá-la sobre representações e fenômenos encontrados de modo indiscutível e inevitável na experiência. Esse ceticismo positivo tem papel fundamental no pensamento do escocês David Hume (1711-1776), um dos maiores expoentes da filosofia moderna. Para os empiristas modernos, na impossibilidade de conhecer as coisas em si, o homem se utiliza da crença e do hábito para poder agir. A filosofia contemporânea, inspirada no ceticismo, discute questões da relatividade do conhecimento e dos limites da razão humana.




Montaigne e o CETICISMO
CONTEXTUALIZAÇÃO DO SÉCULO XVI


Michel Eyquem de Montaigne (28 de Fevereiro de 1533, château de Montaigne, no Périgord - 13 de Setembro de 1592, no mesmo lugar), escritor e ensaista francês, considerado por muitos como o inventor do ensaio pessoal.

"A palavra é a metade de quem a pronuncia, metade de quem escuta".
- (Ensaios, Livro III, Capítulo XIII - "Da experiência")


"Ensinar os homens a morrer é ensiná-los a viver".
- (Ensaios, Livro I, Capítulo XX - "De como filosofar é aprender a morrer")


"Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu de servir; nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e coação."
- (Ensaios, Livro I, "De como filosofar é aprender a morrer)


"Cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra."
- (Ensaios, Livro I, "Dos canibais")


"Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade."
- Et ne feut iamais au monde deux opinions pareilles, non plus que deux poils, ou deux grains : leur plus universelle qualité , c'est la diversité.
- Essais: avec des sommaires analytiques, et les notes de tous les commentateurs; precedes de la preface de Mademoiselle de Gournay et d'un pr℗ecis de la vie de Montaigne‎ - Página 330, Michel Eyquem de Montaigne, Marie de Jars de Gournay - Tardieu-Denesle, 1828 - 391 páginas


"A covardia é a mãe da crueldade."
- la couardise est mere de la cruauté
- Les Essais: ensemble la vie de l'autheur et 2 tables‎ - Página 509, Michel Eyquem de Montaigne - 1652




Patrick Henry constata que o processo generalizado de secularização, a ascensão da burguesia, o colapso do mundo épico, a erosão da crença no valor literário antigo e a crise da exemplaridade de modo geral estimularam uma atitude anti-mimética, que estaria mais atenta às experiências individuais, do que em fornecer modelos transhistóricos e universais que dessem conta da extensa totalidade da vida. Seria agora a predominância de um espírito da contestação direta ao DOGMATISMO Católico que reinou por tanto tempo na Europa? A época renascentista foi, pois, marcada por uma crise generalizada das formas tradicionais de explicação do mundo. Vale lembrar que o século XVI assistiu a disputa da Reforma acerca do que seria o critério correto para o conhecimento religioso, ou seja, sobre a chamada “regra da fé”. A emergente religião protestante, sobretudo com Martinho Lutero, punha em questão a autoridade tradicional católica e, defendia a consciência individual no que se refere à interpretação das Escrituras.

Mas este século foi também palco da nascente revolução científica e do surgimento de uma nova cosmologia, que viria a substituir o mundo geocêntrico ou mesmo antropocêntrico da astronomia grega e medieval, pelo universo heliocêntrico. Segundo Alexandre Koyré, as transformações científicas e filosóficas postas em cena no século XVI constituem a pré-história do que viria a ocorrer no século seguinte, ou seja, do desaparecimento de uma concepção do mundo como um todo finito, fechado e ordenado hierarquicamente em favor de um universo indefinido e até mesmo infinito, que é mantido coeso pela identidade de seus componentes e leis fundamentais.

Por fim, vale notar, como o fez Danilo Marcondes, que a descoberta do Novo Mundo, cujo marco inaugural é tradicionalmente 1492, também pode ser considerada um dos elementos constitutivos deste contexto histórico de formação do pensamento moderno, uma vez que seu impacto econômico, político e cultural levou a uma profunda transformação do mundo europeu.

O contato com os povos indígenas levantou a questão sobre a universalidade da natureza humana, suscitou vários conflitos de doutrinas, revelou a falta de critérios capazes de fundamentar decisões científicas, morais, políticas e jurídicas, além da necessidade de revisão da própria cultura européia. O desafio ético posto pela descoberta do Novo Mundo está em Montaigne concentrado principalmente nos ensaios Dos Canibais e Dos Coches, onde o autor brinca com os conceitos de civilização e barbárie utilizados pelos europeus na sua distinção em relação aos índios canibais, e os inverte, fazendo assim notar o caráter relativo dos mesmos.

Em suma: O século XVI é, pois, um século que aprendeu a duvidar da autoridade tradicional que os antigos ensinamentos e modelos poderiam exercer em um mundo cada vez mais confrontado com uma inesgotável diversidade. Esta época coincide com a retomada da filosofia cética grega, que passa a ser usada como argumentação para a crítica da crença na soberania da razão e para a afirmação da isosthenéa. Montaigne é talvez o pensador que no século XVI mais fortemente sentiu a influência pirrônica. Mas, para além da importância da leitura das Hipotiposes Pirrônicas, o temperamento cético de Montaigne foi, segundo Zachary Schiffman, estimulado desde a infância. A instabilidade de sua faculdade de julgamento, não raro expressa por Montaigne, teria as suas raízes no hábito adquirido e cultivado no Collège de la Flèche, onde o ensino era principalmente voltado para o desenvolvimento da argumentação in utram que partem, que se baseia na consideração de um mesmo tema a partir de distintos pontos de vista. (SCHIFFMAN, Zachary. Montaigne and the Rise of Skepticism in Early Modern Europe: a Reappraisal) A Apologia a Raymond Sebond é o ensaio cético por excelência de Montaigne, onde ele expressa, da maneira mais “sistemática” possível, a sua inclinação para esta corrente filosófica, ao estabelecer uma série de limites às pretensões de conhecimento racional e supostamente infalível em torno ao mundo natural e moral. A filosofia pirrônica, ao apresentar o homem nu e vazio, faz com que ele reconheça a sua fraqueza natural e o eterno desacordo entre as filosofias. Na Apologia são retomados alguns dos tropos de Enesidemo – presentes nas Hipotiposes Pirrônicas de Sexto Empírico -, que enfatizam os obstáculos enfrentados pelo sujeito no processo de conhecimento dos objetos, enfatizando a impossibilidade daquele ter qualquer comunicação com o ser destes.



Montaigne se dedica, enfim a desmascarar a vanidade da ciência, sacudindo corajosamente os fundamentos precários sobre os quais ela se constrói e ridicularizando a esperança científica depositada na imparcialidade da razão humana que, segundo ele é um instrumento de chumbo e de cera, alongável, dobrável e adaptável a todas as perspectivas e a todas as medidas. (MONTAIGNE, Ensaios, II, 12, p. 349) Os conteúdos racionais não passariam de “resveries” e consistiriam na tentativa de dar a uma determinada crença ou opinião a aparência de verdade. Os sentidos, fundamento de todo o conhecimento humano, também estão sujeitos à instabilidade e à insegurança, pois as alterações do corpo e do espírito influenciam a percepção transmitida pelos sentidos e, portanto, o julgamento humano. A impressão da certeza é, logo, um atestado certo de loucura e de extrema incerteza. (MONTAIGNE, Ensaios, II, 12, p. 312)



O que distingue a posição montaigneana diante dos embates filosóficos é que não há nele nem uma visão pessimista, ou melancólica, nem uma defesa otimista do que estaria por vir. Diante da oposição entre novas e antigas maneiras de explicação do mundo, ele se mostra impassível, já que não há como decidir qual delas seria a portadora da verdade. Isto porque qualquer pressuposição humana e qualquer enunciação tem tanta autoridade quanto outra. (MONTAIGNE, Ensaios, II, 12, p. 312)


A constatação cética da isosthenéa, evidente nesta última citação, faz com que ele considere a disputa em torno destas questões como sendo eterna. Todas as coisas produzidas por nossa própria razão e capacidade, tanto as verdadeiras como as falsas, estão sujeitas a incerteza e a debate. (MONTAIGNE, Ensaios, II, 12, p. 330)



Montaigne foi um pensador extremamente sensível para a percepção da inefável diversidade que caracteriza o estar o ser humano no mundo e que perpassa não apenas o âmbito intelectual, ou das idéias, mas constitui a própria condição humana. Isto porque, segundo o próprio Montaigne, não há qualidade tão universal quanto a diversidade e a variedade. (MONTAIGNE, Ensaios, III, 13, 423)


Tal constatação marca uma aproximação fundamental com a filosofia cética, já que se assemelha ao décimo Modo de Sexto Empírico, ou seja, ao axioma cosmopolita do ceticismo. Além disso, marca também uma postura ética e intelectual profundamente tolerante, já que frente a essa multiplicidade não há para ele princípios ou doutrinas que sejam mais verdadeiras, ou seja, que desfrutem de uma superioridade ontológica. Isto não significa que não haja nos Ensaios defesas de pontos de vista. Ao contrário, a obra de Montaigne é recheada de tomadas de posição, sejam elas em assuntos políticos, ou em religiosos. No entanto, elas não se prentendem universalmente válidas, ou atemporais, mas são conscientemente contextuais e declaradamente pessoais. Afinal, diante da inesgotável diversidade e imprevisibilidade da ação humana, como seria possível escolher um modelo adequado a partir do qual se deve pautar a ação ou o comportamento humano?

Confira o artigo completo:
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(Crise da exemplaridade, ceticismo e criação ensaística em Michel de Montaigne)
OUTRAS Fontes utilizadas: MARCONDES, Danilo. O impacto do descobrimento do Brasil no pensamento moderno
KOYRE, Alexandre. Do Mundo Fechado ao Universo Infinito
HENRY, Patrick. The Rise of the Essay: Montaigne and the Novel
http://pt.wikiquote.org/wiki/Michel_de_Montaigne
MAIO.30
SOFISTAS
Conteúdos sobre os filósofos sofistas: semântica do termo sofista; quem eram eles e o que faziam, de que período da história da Filosofia eles são; o que representaram para a história da Filosofia em termos de Conhecimento Filosófico com a teoria do relativismo; porque eles criticavam os filósofos cosmologistas; porque Platão não gostava dos filósofos Sofistas e que argumentos utilizava para criticá-los. Biografias de Sócrates, Platão e Aristóteles e suas contribuições para a Filosofia.
A Filosofia Grega Antiga é dividida pedagogicamente pela referência centrada no filósofo Sócrates da cidade de Atenas, donde a divisão em Filosofia pré-socrática e socrática.



PANORAMA DA FILOSOFIA GREGA ANTIGA: DE TALES DE MILETO ATÉ ARISTÓTELES
625 a.C.: Nasce TALES de Mileto.
610 a.C.: Nasce ANAXIMANDRO de Mileto
séc. VI a.C.: Início da filosofia ocidental com Tales de Mileto. São chamados físicos, que procuram o princípio que dá origem à todas as coisas.
585 a.C.: Nasce ANAXÍMENES de Mileto.
570 a.C.: Nasce PITÁGORAS. O real se reduz a números ou combinações de números. Nasce XENÓFANES de Colofão.
556 a.C.: Morre Tales de Mileto.
547 a.C.: Morre Anaximandro de Mileto.
540 a.C.:Nasce HERÁCLITO de Éfeso. O real é puro vir a ser.
530 a.C.: Nasce PARMÊNIDES de Eléia. O vir a ser é pura aparência: o ser é imóvel.
528 a.C.: Morrem Anaxímenes de Mileto e Xenófanes de Colofão.
504 a.C.: Nasce ZENÃO de Eléia.
500 a.C.: Nasce ANAXÁGORAS. Espiritualismo, o mundo é governado por uma inteligência.
496 a.C.: Morte de Pitágoras.
487 a.C.: Nasce GÓRGIAS. 480 a.C.: Nasce PROTÁGORAS, Sofística: ceticismo; fenomenismo; morre Heráclito de Éfeso
470 a.C.: Nasce SÓCRATES. Direciona a Atitude Filosófica para o homem. Conhece-te a ti mesmo. Morre Heráclito de Éfeso. 460 a.C.: Nasce DEMÓCRITO. Atomismo. Materialismo. Morre Parmênides de Eléia
440 a.C.: Nasce ANTÍSTENES. Fundador da Escola cínica.
435 a.C.: Nasce ARISTIPO de Cirene. Hedonismo.
430 a.C.: Nasce PLATÃO. Realismo ontológico. Teoria das Idéias.
428 a.C.: Morre Anaxágora.
410 a.C.: Morre Protágoras.
399 a.C.: Sócrates condenado à morte em Atenas. 387 a.C.: Platão funda a Academia em Atenas, a primeira universidade do planeta.
384 a.C.: Nasce ARISTÓTELES. Realismo moderado. Teoria do conceito. 380 a.C.: Morre Górgias
371 a.C.: Morre Demócrito
360 a.C.: Nasce PIRRO. Ceticismo universal.
347 a.C.: Morre Platão.
341 a.C.: Nasce EPICURO. Materialismo. Moral do prazer (ataraxia).
340 a.C.: Nasce ZENÃO de Citium. Estoicismo,
335 a.C.: Aristóteles funda o Liceu em Atenas, escola rival da Academia.
330 a.C.: Nasce EUCLIDES de Alexandria. Funda a geometria
322 a.C.: Morre Aristóteles.

O primeiro momento da Filosofia foi marcado pelas escolas do período conhecido por COSMOLÓGICO: Da Escola Jônica: Tales, Anaxímenes, Anaximandro e Heráclito de Éfeso, são os principais representantes; Pitágoras é o mais importante da Escola Itálica; enquanto Parmênides da Escola Eleata.

Só para lembrar:



É uma explicação baseada em um raciocínio sistemático sobre a origem, ordem e transformação da Natureza, da qual os seres humanos fazem parte, de modo que, ao explicar a Natureza, a Filosofia também explica a origem e a mudança dos seres humanos.

Afirma que não existe criação do mundo, isto é, nega que o mundo tenha surgido do nada (como é o caso da Religião judaico-cristã, na qual Deus teria criado o mundo do nada). Para a Cosmologia: “Nada vem do nada e nada volta ao nada”. Isto significa que o mundo é eterno; no mundo tudo se transforma em outra coisa sem jamais desaparecer, embora a forma particular desapareça com ela, mas não sua matéria.

O arché é um termo fundamental na linguagem dos filósofos pré-socráticos, dado que é caracterizado pela procura da substância inicial de onde tudo deriva e é também a ideia mais antiga na filosofia, já que se tornou no ponto de passagem do pensamento mítico para o pensamento racional.

Os primeiros filósofos, os pré-socráticos, tentaram estabelecer um "princípio" (arché ) da origem e composição do Universo, recorrendo para isso à natureza (physis ).

Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto e Anaxímenes de Mileto acreditavam que as coisas têm por trás de si um princípio físico, material, chamado arché .
Arché está na physis (em grego, physis vem de um verbo que significa fazer surgir, fazer brotar, fazer nascer, produzir) é o elemento primordial, invisível aos olhos humanos, porém, totalmente visível para o pensamento. É deste elemento que, é eterno (perene e imortal), de onde tudo nasce e para onde tudo volta. É nela (physis) que se origina todos os seres infinitamente variados e diferentes do mundo; sendo que ao contrário do PRINCÍPIO gerador são mortais (perecíveis).

Em suma, a mudança – nascer, morrer, mudar de qualidade ou quantidade – chama-se MOVIMENTO e o mundo está em movimento permanente. O movimento do mundo chama-se DEVIR e o devir não se dá no CAOS, mas segue uma rigorosa ordem marcada por leis rigorosas que o pensamento pode conhecer.

Arché - physis é imortal e as coisas físicas são mortais: donde os diferentes filósofos no desenvolvimento do pensamento filosófico cosmológico encontraram motivos e razões para dizer qual era o princípio eterno e imutável que está na origem da Natureza e de suas transformações. Tales a identifica na Água ou úmido; Anaximandro no Infinito e ilimitado sem qualidades definidas; Anaxímenes, no Ar ou no frio; Heráclito no Fogo. E assim por diante... Vamos ver a divisão dos grupos de filósofos cosmologistas e as suas respostas filosóficas:

Filósofos da Jônia Tales – existe um único princípio que é a água.
(Tales de Mileto pensava este princípio ou arché como se da água se tratasse. A água seria a substância última da constituição das coisas. Tales afirmou que a água possui vida e movimento próprios. Já que a água é subjacente a todas as coisas, poder-se-ia dizer que tudo está vivo e animado. Tales chega a uma grande abstracção: "tudo é um", ou seja, todas as coisas são redutíveis ao seu elemento fundamental, neste caso, a água. Segundo Tales, a terra flutua sobre a água; assim sendo, a água é a causa material de todas as coisas.)

Anaximandro – princípio = ápeiron.
(Para Anaximandro, o princípio das coisas - o arché - não era algo visível, era uma substância etérea, infinita e indeterminada.)
Anaxímenes – princípio – Ar. (Para Anaxímenes de Mileto, o arché seria o ar e as coisas da natureza. Da mesma maneira que a nossa alma, que é ar, nos sustenta, também um sopro e o ar envolvem o mundo inteiro.)
Heráclito – princípio – a realidade é dinâmica = Fogo.
(Heraclito de Éfeso pensava que todas as coisas eram feitas de uma única substância, o fogo. Para ele, é impossível alguém se banhar duas vezes na mesma água no mesmo rio; o acontecer do mundo é um fluxo permanente, pois tudo está em movimento e nada dura para sempre. O mundo, para Heraclito, era como se fosse a chama de uma vela - sempre o mesmo em aparência, mas sempre se alterando na substância.)
Filósofos da Itália Meridional
Pitágoras – Descobre uma Ordem na Natureza e são os números.
(Segundo Pitágoras, os princípios da matemática, ou seja, os números são o arché . Pitágoras afirmou que os números são a essência de todas as coisas. Considerou os números, as suas relações e as formas matemáticas como a essência e a estrutura de todas as coisas. Cada coisa possui um número (arithmós arkhé ), que expressa a "fórmula" da sua constituição íntima. As leis que governam o cosmos são também relações matemáticas.)

Parmênides estuda o Ser.

Últimos pré-socráticos pluralistas
Conciliam movimento com ser único.
Representantes principais são:
Empédocles – princípio = Quatro elementos.
Anaxágoras – princípio = semelhanças.
Atomistas – princípio = Átomos.
MAIS IMPORTANTE QUE AS RESPOSTAS DADAS POR ESTES FILÓSOFOS, AO PROBLEMA EM COMUM, COSMOLÓGICO, FOI A FORMA (RACIOCÍNIO SISTEMATIZADO) EMPREGADA PARA A CONSTRUÇÃO DAS MESMAS. DA COSMOLOGIA PARA OS PROBLEMAS ANTROPOLÓGICOS
Com o desenvolvimento das cidades, do comércio, do artesanato e das artes militares, Atenas tornou-se o centro da vida social, política e cultural da Grécia, vivendo seu período de esplendor.

É o período do florescimento da DEMOCRACIA: igualdade de todos os homens adultos perante as leis e o direito de todos os cidadãos participarem do governo da cidade (POLIS).

O CIDADÃO (lembrando que mulheres, escravos, estrangeiros, crianças e velhos estavam excluídos da cidadania) para conseguir que sua opinião fosse aceita nas assembléias precisava dominar a fala e ser capaz de um raciocínio lógico capaz de convencer seus ouvintes.


PARA CONHECER MAIS A GRÉCIA ANTIGA

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(Grécia Antiga: História)
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(Grécia antiga: Filosofia e Filósofos)
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(Grécia Antiga: Geografia e História)

É necessário, agora, educadores para formarem jovens cidadãos na Arte da RETÓRICA. Surgem assim, na Grécia, os SOFISTAS.



Os sofistas são os primeiros filósofos do período socrático. Os sofistas mais importantes foram: Protágoras de Abdera, Górgias de Leontini e Isócrates de Atenas.

Em Português: sofista (so-fis-ta) s. m. e s. f. Pessoa que raciocina usando sofismas. S.m. Filósofo retórico, na Grécia antiga: Sócrates combatia os sofistas.

Semântica do termo Sofista 
O termo "sofista", em sentido geral, significa "partidário da sabedoria", mas foi adquirindo um sentido pejorativo, pois seus opositores afirmavam que estes filósofos corrompiam a juventude com seus principios democráticos. Os sofistas também eram chamados de "filósofos de rua", pois percorriam as cidades fazendo discursos eloqüentes e conferências sobre diversos assuntos. 

As palavras sofista, sofística (do grego antigo: σοφιστής, σοφιστικός; derivada σοφός - "sábio", "instruído"), assumem diferentes significados ao longo da história da filosofia, que merecem ser distinguidos: 

1.Chama-se sofista ou sofístico, um conjunto de pensadores, oradores e professores gregos do século V a.C. (e do início do século seguinte). 
2.Em Platão, seguido da maior parte dos filósofos até aos nossos dias, uma perversão voluntária do raciocínio demonstrativo para fins geralmente imorais. 
3.O desenvolvimento da reflexão e o ensino da retórica, em princípio a partir do século I d.C., na prática a partir do século II, no Império romano. 

Exemplo de sofisma: Todo cavalo raro é caro. Um cavalo barato, é raro. Logo; um cavalo caro é barato! 
QUE FAZIAM? 
Os sofistas eram, portanto, os educadores de seu tempo. Cada qual com um grupo de discípulos. Afirmavam que os ensinamentos dos filósofos cosmologistas estavam repletos de erros e contradições e que não tinham utilidade para a vida da polis (cidade). Apresentavam-se como professores de Oratória (arte de falar bem em público, de saber convencer pela palavra) e Retórica (arte de persuadir pela fala e pela escrita). Os sofistas ensinavam técnicas de persuasão para os jovens, que aprendiam a defender a posição ou opinião A, depois a posição ou opinião contrária, não-A, de modo que, numa assembléia, soubessem ter fortes argumentos a favor ou contra uma opinião e ganhassem a discussão. 
Platão escreveu uma obra intitulada Sofista, onde ele elenca uma série de elementos identificadores dos sofistas: 
Para Platão o nome sofista deriva de sophós que quer dizer sábio e nesta concepção, para o discípulo Platão, apenas seu mestre Sócrates seria o único e verdadeiro sofista. Há nesta obra um elenco de aspectos atribuídos por Platão aos sofistas: são educadores ambulantes; cobram para ensinar; são mercadores porque transmitem um saber pronto, sem crítica; a retórica sofista não transmite conhecimento algum, uma vez que é uma enxurrada de palavras bem composta para persuadir os ouvintes; o sofista refuta por refutar, apenas para ganhar uma disputa verbal. 

Na verdade estes sentidos pejorativos impostos por Platão aos sofistas não podem negar o fato da importância destes filósofos para a História da Filosofia. Os sofistas foram, na verdade, grandes mestres, e a eles acorriam quantidades de jovens bem-nascidos, dispostos a pagar muito dinheiro para aprender o que eles podiam ensinar. Os sofistas dominavam uma série inumerável de conhecimentos a serem ensinados. Eles trataram de uma gama enorme de temas do seu tempo e em especial, independente daquilo que ensinavam, o que os jovens buscavam era, fundamentalmente, a Areté, que era a qualidade indispensável para se tornar um cidadão bem sucedido, quer na vida privada, quer na pública. 

A importância dos sofistas, guardadas as devidas ressalvas tratadas por Platão em sua crítica aos mesmos, é que eles fazem parte do florescimento da Filosofia que vai de Tales até Sócrates. Muitas questões, senão que todas, foram levantadas neste período. Descobriu-se neste período que a RAZÃO não apenas explica, mas ela também revela as dificuldades para a aquisição do conhecimento verdadeiro.


AINDA QUE PASSÍVEIS DE CRÍTICAS, ELES SÃO OS CONSTRUTORES DE UMA NOVA EDUCAÇÃO DOS JOVENS ATENIENSES MUITO DIFERENTE DAQUELA FUNDADA NO CONHECIMENTO MÍTICO REUNIDO POR HOMERO E HESÍODO EM SUAS OBRAS E NO CULTO AO CORPO FÍSICO.

Evolução e reavaliação dos sofistas e da sofística. Seguindo Platão, muitos filósofos e mesmo historiadores da filosofia julgaram os sofistas negativamente. A acepção usual de 'sofista' - o que produz argumentos aparentes (e geralmente intrincados) para defender uma proposição falsa, e também o que está disposto a defender qualquer proposição, seja verdadeira ou falsa - testemunha a vasta influência platônica. Juizos menos pejorativos dos sofistas e da sofistíca começaram a formular-se quando foram estudados historicamente e se advertiu sobre seu contexto histórico.

Alguns historiadores da filosofia deixaram de lado o fato de que nem Sócrates e nem Platão seriam possíveis sem os sofistas, e isso não só por constituir um horizonte histórico dentro do qual se desenvolveu seu pensamento, mas também porque usaram abundantemente de recursos sofísticos.

Ora, é necessário compreender a Filosofia dentro daquela dinâmica de implementação da sua atividade que se dá no desenvolvimento da história humana e de forma contínua e nunca por rupturas. Assim, O Mito, os problemas cosmológicos e os sofistas, tornam-se necessários para que Sócrates pudesse construir a estrutura de seu Pensamento Filosófico.

Desde meu ponto de vista, Sócrates só pode fazer-se enquanto pensador diferente dos sofistas porque foi capaz de elaborar uma reflexão em relação às atitudes dos sofistas e aos pensamentos por eles disseminados.

Assim, a Filosofia se faz da dúvida que sempre imbricará em uma série de problemas intermináveis que sempre vão requerer novas e diferentes respostas - estas respostas constituirão as mais variadas teorias filosóficas - seja lá na Grécia Antiga, seja em nossa atualidade. É esta dinâmica que move a Filosofia e a Ciência na produção de seus conhecimentos em busca da VERDADE. É esta dinâmica que fazem da Filosofia e da Ciência serem Filosofia e Ciência e não outra coisa...

De certo modo, os sofistas sofistas são produto de seu tempo. Quanto a ser um grupo homogêneo há controvérsias:

Protágoras, Pródico, Hippias, Górgias, Trasímaco, Cálicles, Antífon, Polo, Crítias dos quais se destacam os quatro primeiros. Sem dúvida, os historiadores nem sempre colocaram os sofistas em grupo único. Scheileimacher (Geschichte der Philosophie, 1839, ed. Ritter, págs 71 e seguintes) falou de dois tipos de sofística: a heracletiana e a pitagórica. Ritter (Geschichte, Livro IV) incluiu entre os sofistas Leucipo e Demócrito; ambos - argumenta o historiador - se opuseram, como o resto dos sofistas, ao "verdadeiro espírito da filosofia". Roller apud Zeller, I, 2a ed., 799) distribuiu a sofística em três grupos: a eleática, a heraclítea e a abderita. Os historiadores do princípio do século XIX tendem, no geral, a considerar a sofística num sentido muito amplo. Esta tendência foi refutada por Zeller (loc. cit., que considerou os sofistas como formando um grupo bem determinado e diferente dos pré-socráticos. A orientação de Zeller foi continuada pela maior dos historiadores. Mas dentro desta concepção mais restrita de sofística foram propostas várias agrupações. Assim, Ueberweg fala das diferenças entre "sofistas anteriores" (Protágoras, Górgias, Hippias, Pródico e os chamados "sofistas criadores") e os "sofistas posteriores" (que compreender as figuras menores: Polo, Trasímaco, Cálicles, Antífon). Th. Gomperz (Geschichte, I, cap. IV) não estabelece propriamente uma classificação, mas trataa Protágoras e Górgias separadamente, como "figuras principais", de modo que o resto pode ser considerado como "grupo secundário".M. C. Nahm ( Selections from Early Greek Philosophy, 1950;3a ed., págs. 222 e seguintes) divide os sofistas em "sofistas da cultura" (Protágoras, Górgias) e "sofistas da erística" (Trasímaco, Cálicles, Crítias). Alguns autores distinguem entre "sofistas educadores" e "sofistas retóricos". Eugene Dupréel negou que os quatro grandes sofistas (Protágoras, Górgias, Pródico, Hippias) podem ser tratados como um grupo único: no seu entender cada autor possui uma doutrina original, irredutível a todas os outros sofistas.

O RELATIVISMO SOFISTA FOI UMA DAS GRANDES CONTRIBUIÇÕES DEIXADAS POR ELES.

PROTÁGORAS de Abdera, dizia que o Homem é a medida de todas as coisas; das que são e das que não são.

Nascido em Abdera, Grécia, Protágoras (480-410 a.C.) é considerado o primeiro e um dos mais importantes sofistas. Ensinou por muito tempo em Atenas, tendo como princípio básico de sua doutrina a ideia de que o homem é A MEDIDA DE TUDO O QUE EXISTE.

Conforme essa concepção, todas as coisas são relativas às disposições do homem, isto é, o mundo é o que o homem constrói e destrói. Por isso não haveria verdades absolutas. Toda verdade seria relativa a um determinado homem, grupo de homens ou sociedade.
A Filosofia de Protágoras sofreu críticas em seu tempo por dar margem a um grande subjetivismo: tal coisa é verdadeira se para mim parece verdadeira. Assim, qualquer tese poderia ser encarada como falsa ou verdadeira, dependendo do ponto de vista de cada pessoa.
GORGIAS de Leontini: o bom orador é capaz de convencer qualquer pessoa sobre qualquer coisa.
Górgias (487-380) é considerado um dos maiores oradores da Antiguidade, aprofundou o SUBJETIVISMO RELATIVISTA de Protágoras a ponto de defender o CETICISMO ABSOLUTO. Afirmava que:
a. Nada existia;
b. Se existisse, não poderia ser conhecido;
c. Mesmo que fosse conhecido, não poderia ser comunicado a ninguem.
Posições Atribuíveis a Górgias:

1. Górgias define-se com orador e professor de retórica;

2.O objecto da retórica são os discursos, sobretudo os de carácter político;

3. A retórica é considerada um "bem supremo", dado que permite persuadir juízes, senadores, o povo e qualquer espécie de participantes em reuniões.

4. A retórica não se define porque aquilo que é, mas sim pelos efeitos provoca;

5. A persuasão é o objectivo e a essência da retórica;

6.O poder das palavras está na base da retórica e do discurso político.

7. A retórica permite persuadir um dado auditório sobre a verdade/justiça de uma dada posição, independentemente da mesma ser de facto verdadeira ou falsa, justa ou injusta.

8. A retórica prescinde do conhecimento. É uma arte do verosímil ou do crível não do saber que são tratados.

9. As palavras não manifestam a verdade das coisas. O seu uso na retórica não tem em vista exprimir o que as coisas são, mas sim provocar emoções e sentimentos nos ouvintes.

10. Não é possível impedir o mau uso da retórica.

11.Indiferença perante as questões ética do ensino da retórica

Em contraponto com Sócrates podemos atribuir as seguintes diferenças:

12. A retórica não pode prescindir do conhecimento.

13. Só pode falar de justiça aquele que a procura e a pratica.

14. Quem sabe o que é a justiça jamais poderá praticar a injustiça (intelectualismo moral).

Esquema de Carlos Fontes
Em nossas próximas aulas iremos contrapor (fazer analogia) entre o RELATIVISMO sofista e a perspectiva epistemológica de Platão.
PLATÃO
De clique aqui
(Platão: Biografia)

De clique aqui
(Biografia-Resumo: Sócrates)
ARISTÓTELES
De clique aqui
(Aristóteles: Biografia)


Fontes: Marilena Chauí. Convite à Filosofia. 6. Ed. São Paulo: Ática, 1997. Gilberto Cotrim. Fundamentos da Filosofia: Ser, saber e fazer.8 ed. São Paulo: Saraiva, 1993. J. FERRATER MORA, Sofista, Diccionario de Filosofía, Q-Z, Ariel, Barcelona, 1994.


REVISÃO AULA/FILOSOFIA
RESUMO Mês de MAIO.
 


MITO e FILOSOFIA
Passagem do Mito à FILOSOFIA
Noções gerais sobre: Sistemas de Conhecimentos, Módulos de Conhecimentos, Linguagens Alegórica e Abstrata, Raciocínio Sistemático, Mito e Filosofia.

O Globo está dividido em dois grandes sistemas de conhecimentos: O Ocidental e o Oriental, ambos em constante interação.

Para esclarecer melhor essa interação, vamos ver como foi que os gregos reelaboraram o conhecimento acumulado pelos Orientais quanto ao domínio de TÉCNICAS, que possibilitaram aquele conhecimento que hoje entendemos por Científico.

→ Aquilo que era concebido para facilitar a vida em seu cotidiano, os gregos transformaram em ciência (ou seja, em um conhecimento racional sistematizado – sempre abstrato e universal). Assim, não é errôneo afirmar que, a Matemática tem sua fonte no Egito Antigo. Os egípcios já praticavam a agrimensura para medir, contar e calcular; os Caldeus e Babilônios praticavam a astrologia como forma de prever o futuro através da adivinhação a partir da observação dos astros celestiais; logo, a astrologia os gregos transformaram em astronomia; as práticas de grupos religiosos secretos que buscavam a cura misteriosa para doenças, os gregos transformaram em medicina.

→ Outro fator que potencializou em grande medida o poder de abstração, do homem grego, foi transcrever a palavra e o pensamento com símbolos: eis o alfabeto. Criado pelos Fenícios, o alfabeto foi melhorado pelos gregos que acrescentaram, por exemplo, as vogais. O alfabeto possibilita ao homem uma maior capacidade de abstração e generalização. Diferente dos hieróglifos dos egípcios ou os ideogramas dos chineses, a escrita alfabética supõe que não se represente uma imagem da coisa que está sendo dita, mas a idéia dela, o que dela se pensa ou se transcreve. A escrita permite o pensamento mais aguçado sobre algo quando ficamos lendo e analisando alguma coisa, como, por exemplo, uma lei. Ao ser fixada, a lei fica exposta como um bem comum de toda a cidade, um saber que não é secreto como um saber vinculado ao exercício de um sacerdote, mas propriamente público, além de estabelecer uma nova noção na atividade jurídica, a saber, uma verdade objetiva. Da linguagem alegórica para a abstrata irrompeu-se uma grande tensão provocada pela dessacralização do Mito. A Escrita era tida pelos defensores das verdades mitológica como atividade profana. Não é difícil imaginar o que significava este conflito. A Escrita tirava o poder sobrenatural dos detentores do saber.

→ Portanto, nas explicitações textuais acima, eu tive a preocupação apenas de delinear alguns exemplos para reforçar a idéia de interação entre Ocidente e Oriente, no que tange ao problema do conhecimento. Em outras palavras, a cultura grega sofre de uma influência Oriental – ela é resultado direto de contatos profundos com as culturas mais avançadas do Oriente. Porém, também é verdade, que os gregos imprimiram mudanças de qualidades tão profundas no que receberam do Oriente e de outras culturas do Ocidente, que até parecia terem criado sua própria cultura a partir de si mesmos.

ESTA IDEIA DE INTERAÇÃO CULTURAL é fundamental para compreendermos que o Homem é realmente um SER social e político, como retratado pelo Filósofo Aristóteles em sua obra “A Política”. O Homem é um ser Dependente Coletivo. Não pode viver de forma isolada como se fosse uma ilha. E, sua participação no coletivo pode fazer toda a diferença.

∆ Para uma compreensão mais profunda deste processo de construção do Conhecimento desde a dinâmica evolutiva dos hominídeos até o evento histórico de nascimento da Filosofia, é essencial atermos para estas duas características incontestáveis do Homem: Razão e Dependência Coletiva.

→ Ele é o único ser no Globo Terrestre, pelo menos do que temos conhecimento, que possui a Faculdade Anímica da Razão. Isto é dizer, é o único SER que faz PERGUNTAS, que PENSA e que busca RESPOSTAS para as perguntas por ele elaboradas.
A dinâmica seria mais ou menos essa:
O Homem inserido no contexto do Senso Comum (interior da Caverna Platônica) faz PERGUNTAS, PENSA pouco e sempre se apossa de RESPOSTAS alheias já prontas e tidas como definitivas.

O Homem inserido no contexto do Senso Crítico (exterior da Caverna Platônica) faz PERGUNTAS, PENSA muito – de forma autônoma e sempre elabora RESPOSTAS com a exigência de que sejam verdadeiras de forma lógica, ou seja, fruto de um raciocínio sistematizado. AS RESPOSTAS NUNCA SÃO DEFINITIVAS.

→ Quanto à dependência coletiva eis alguns exemplos ilustrativos abstratos:

Ex. 1 =

Pergunto a um Sujeito: _ Você é brasileiro?

_ Sim, sou brasileiro – responde ele.

_ Então você é um cidadão brasileiro?

_ Sim, sou. Ontem mesmo exerci minha cidadania ao cumprir meu dever de eleitor e escolhi deputados e senadores que me representarão nos próximos quatro anos lá em Brasília nas casas das Leis.

_ Muito bem... Você poderia me dizer quais são os nomes destes deputados e senadores e a quais partidos eles pertencem?

_ Rapaz, sabe que já não me lembro bem...

Este exemplo parece algo inocente, mas ao contrário de sê-lo, revela algo nefasto para a vida em seu âmbito Coletivo e de quebra, também para o âmbito da vida privada. É comum nosso povo passar quatro anos de uma legislatura dizendo que nossos políticos não prestam, são corruptos, são ladrões... Na verdade não estão errados os eleitores que possuem este ponto de vista, pois a maioria se comporta exatamente assim. Porém, em uma reflexão lógica a pergunta deveria ser: Quem realmente não presta: Os políticos ou os eleitores que colocam os políticos em seus cargos respectivos? É óbvio que quem não presta são os eleitores. Por que passam quatro anos afirmando que os políticos não prestam e sempre em uma nova eleição acabam por colocarem sempre os mesmos lá de novo. É certo ainda que, há forças alienantes com o objetivo de manterem esta situação, porém, o Homem pode superá-las desde que esteja disposto a deixar o interior da CAVERNA.
Do senso comum ao senso crítico
“Os políticos não prestam”, continue a pensar assim e você estará pensando do jeitinho que eles, os maus políticos, querem; assim eles se manterão lá. Mas, o dia que você pensar de forma contrária e com seu voto colocar bons políticos nestes cargos, os maus serão expurgados. Votar consciente, conhecer a ideologia do Partido e de seu candidato, conhecer o histórico de lutas reais deste candidato em defesa de todo o conjunto da sociedade, fiscalizar cada voto representativo de seu político eleito... Isso sim é revelar ufanismo brasileiro comprometido com o coletivo. Votar em um empresário e/ou latifundiário, imaginando que ele vá ficar do lado dos trabalhadores na hora de elaborar leis que favoreçam estes e desfavoreçam seus grupos minoritários, detentores das riquezas concentradas de nosso país, é sonhar que papai Noel existe... O VOTO PODE MUDAR OS DESTINOS DE UM POVO QUE VIVE EM UM REGIME POLÍTICO DEMOCRÁTICO, PODE GERAR JUSTIÇA. MAS DEPENDE MUITO DO COMPROMETIMENTO REAL DE SEUS CIDADÃOS.

→ Vamos voltar ao processo de construção do conhecimento ao longo da história humana.

O Homem que faz perguntas, elaborou desde cedo QUESTÕES EXISTENCIAIS, ou seja, problemas gerados a partir de seu cotidiano, que requeriam soluções, respostas concretas.

Desde cedo, ainda no início do processo evolutivo, quando ainda nas cavernas, o Homem necessitava de prover necessidades como alimentação, proteção de seus corpos, regras mínimas de convivência.

Foram destas questões existenciais que o Homem passou a elaborar um conhecimento que formaria o Módulo de Conhecimentos ARTÍSTICOS.

Imaginemos o Homem em um tempo da história no qual ele se quer tinha a consciência de possuir a Faculdade Anímica da Razão. É certo que esta tomada de consciência não se deu da noite para o dia. Mas, foi um longo processo.
No inicio se alimentava de pequenos animais, em relação com os grandes o Homem não era o caçador, mas sim, a caça. Até que um dia este ser pensante inventou um objeto perfurador e passou a abater grandes animais e deles a se alimentar. Este conhecimento ele podia deixar registrado nas paredes da Caverna para que outros humanos que por ali passassem pudessem dele fazer uso. Uma coisa é pensar, criar. Por exemplo, uma coisa seria você ter que pensar e inventar o aparelho de telefone celular; outra coisa é você manusear um aparelho já criado por alguém.

Porém, o módulo ARTÍSTICO não dava conta de responder a questões existenciais que eram da dimensão do SOBRENATURAL: Quem fez todas as coisas que existem? Para onde vamos depois desta vida biológica? Por que uns nascem com deficiências físicas e outros não? O módulo religioso centrado na autoridade da crença veio para dar conta destas questões.



Ora, as populações hominídeas deixaram aos pouco de ser nômades para se constituírem como sociedades sedentárias. Maior número populacional, maiores também se tornam os problemas de convivência coletiva. Aos poucos estes povos primitivos foram construindo um novo módulo de conhecimento para dar conta de questões existenciais inseridas em um contexto cada vez mais complexo. Surge o MITO. Módulo de conhecimento estruturado basicamente na Linguagem Alegórica sob a autoridade do sobrenatural (dependente da CRENÇA).

SURGE A FILOSOFIA

Atenção, a Filosofia não é um Módulo de conhecimento – como o é o Artístico, o Religioso e o Mito. A FILOSOFIA é uma atividade, um exercício de reflexão racional sistematizada. Não CONFUNDA Filosofia com CIÊNCIA, ciência é um módulo originário da Filosofia e por isso mesmo, ela, a FILOSOFIA é considerada mãe de todas as ciência. Depois do século XV - a 500 anos atrás - a Ciência tornou-se autônoma e os ramos da Filosofia foram reduzidos a poucas áreas: Epistemologia, Ética, Estética, Axiologia, Ontologia, Metafísica, e outras.





O QUE QUEREMOS DIZER COM REFLEXÃO RACIONAL SISTEMATIZADA?

REFLEXÃO seria o pensamento pensando ele mesmo. Significa em Filosofia o movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. Seria o movimento pelo qual o pensamento, examinando o que é pensado por ele, volta-se para si mesmo como fonte desse pensado. É o pensamento interrogando-se a si mesmo ou pensando-se a si mesmo. É a concentração mental em que o pensamento volta-se para si próprio para examinar, compreender e avaliar suas idéias, suas vontades, desejos e sentimentos.

A REFLEXÃO FILOSÓFICA É RADICAL, pois vai à raiz do pensamento.
Não somos apenas seres pensantes, somos também seres que se relacionam com outros seres: por meio de linguagem e dos gestos, por meio de ações, comportamentos e condutas. Portanto, a reflexão busca compreender a realidade que nos circunda.


O que é pensar? O que é falar? O que é agir?

O que pensamos, dizemos e fazemos em nossas crenças cotidianas constitui ou não um pensamento verdadeiro, uma linguagem coerente e uma ação dotada de sentido?

ATITUDE FILOSÓFICA: dirige-se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e com ele se relacionam. É um saber sobre a realidade exterior ao pensamento. Já a REFLEXÃO FILOSÓFICA se dirige ao pensamento, à linguagem e à ação. São perguntas sobre a capacidade e a finalidade de conhecer, falar e agir e que são próprias dos seres humanos. É um saber sobre o homem como ser pensante, falante e agente, ou seja, sobre a realidade interior aos seres humanos.
POR ISSO MESMO, RACIONAL SISTEMATIZADA → As indagações fundamentais da atitude filosófica e da reflexão filosófica não se realizam ao acaso, segundo as preferências e opiniões de cada um de nós. A filosofia não é feita de “achismos” nem é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. As indagações filosóficas se realizam de modo sistemático.

A PALAVRA SISTEMA vem do grego e significa “um todo cujas partes estão ligadas por relações de concordância interna”. No caso do pensamento, significa um conjunto de idéias internamente articuladas e relacionadas, graças a princípios comuns ou a certas regras e normas de argumentação e demonstração que as ordenam e as relacionam num todo coerente.
A FILOSOFIA trabalha com enunciados precisos e rigorosos, busca encadeamentos lógicos entre os enunciados, opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de demonstração e prova, exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. SOMENTE ASSIM A REFLEXÃO FILOSOFICA PODE FAZER COM QUE NOSSAS CRENÇAS E OPINIÕES ALCANCEM UMA VISÃO CRÍTICA DE SI MESMAS. Não se trata de dizer “eu acho que”, mas de poder afirmar “EU PENSO QUE”.
O CONHECIMENTO FILOSOFICO É UM TRABALHO INTELECTUAL É sistemático porque não se contenta em obter respostas para as questões existenciais que se apresentam, mas exige que as próprias questões sejam válidas e que as respostas sejam verdadeiras, estejam relacionadas entre si, esclareçam umas às outras, formem conjuntos coerentes de idéias e significações, sejam provadas e demonstradas racionalmente.

O PRIMEIRO PROBLEMA FILOSÓFICO: A COSMOLOGIA
O nascimento da Filosofia
Linguagem ABSTRATA

TALES DE MILETO (cerca de 625/4-558/6 a.C.) é considerado o primeiro Filósofo e fundador da Filosofia que surgiu em fins do século VII a.C. e início do VI a.C.

O PROBLEMA FILOSÓFICO: A palavra cosmologia deriva de duas outras: COSMO poderia ser traduzida, de forma sofrível, para o português como UNIVERSO e/ou Planeta, Globo, Natureza (seria mais próximo mesmo de “a ordem, a organização do mundo”; LOGIA vem de LÓGOS que significa Razão – “pensamento racional, discurso racional, conhecimento”.

ASSIM A FILOSOFIA NASCE COMO CONHECIMENTO RACIONAL DA ORDEM DO MUNDO OU DA NATUREZA, DONDE COSMOLOGIA.

Na base do problema cosmológico está a questão existencial:
QUAL É A ORIGEM DE TODAS AS COISAS?

Ora, qual é o problema mítico grego que tem em sua base, também, esta mesma questão existencial?

COSMOGONIA (Linguagem Alegórica): a palavra gonia significa nascimento, gerar, fazer nascer e crescer, gênese. Em outras palavras, significa nascimento a partir da concepção sexual e do parto. Está relacionada à TEOGONIA que significa a narrativa da origem dos deuses a partir de seus pais e antepassados.

“No início era o CAOS. Foram gerados os deuses primordiais, dentre os quais Gaia a deusa terra... E tudo foi criado. Céus e mares; Terra – rios, lagos e montanhas, vegetação e animais... O semideus Prometeu tomou um pouco de terra e, misturando-a com água, fez o Homem à semelhança dos deuses... O irmão de Prometeu, Epitemeu se encarregou de dar a cada animal um dom variado: força, sagacidade, rapidez... Quando chegou ao Homem já não tinha mais dons para doar e recorreu a Prometeu. Do Palácio de Zeus roubou o FOGO (símbolo da Razão) e o deu ao Homem – assegurando-lhe superioridade em relação aos demais seres. A Mulher foi criada em seguida como castigo ao Homem pelo presente recebido de Prometeu: a mulher é responsável por liberar e fazer a humanidade conhecer todos os tipos de males... Prometeu transformado em imortal foi condenado a ser devorado eternamente por uma águia...” Esta é apenas umas das muitas versões.

Portanto, o problema é o mesmo. Mas, a diferença reside no fato de que a Filosofia ao retomá-lo do Mito reformulou-o, racionalizando-o, transformando-o numa explicação inteiramente nova e diferente...

TALES DE MILETO já não se contentava mais com as respostas prontas e definitivas do mito e propaladas pela tradição oral. Ele queria uma nova RESPOSTA. Para seu problema COSMOLÓGICO construiu a seguinte resposta –
A ÁGUA É O PRINCÍPIO DE TODAS AS COISAS:
“A maior parte dos primeiros filósofos considerava como os únicos princípios de todas as coisas os que são de natureza da matéria. Aquilo de que todos os seres são constituídos, e de que primeiro são gerados e em que por fim se dissolvem, enquanto a substância subsiste mudando-se apenas as afecções, tal é, para eles, o elemento, tal é o princípio dos seres; e por isso julgam que nada se gera nem se destrói, como se tal natureza subsistisse sempre… Pois deve haver uma natureza qualquer, ou mais do que uma, donde as outras coisas se engendram, mas continuando ela mesma. Quanto ao número e à natureza destes princípios, nem todos dizem o mesmo. Tales, o fundador da filosofia, diz ser água [o princípio] (é por este motivo também que ele declarou que a terra está sobre água), levando sem dúvida a esta concepção por ver que o alimento de todas as coisas é o úmido, e que o próprio quente dele procede e dele vive (ora aquilo de que as coisas vem e, para todos, o seu princípio. Por tal observar adotou esta concepção, e pelo fato de as sementes de todas as coisas terem a natureza úmida; e a água é o princípio da natureza para as coisas úmidas (…).” (ARISTÓTELES. Metafísica, I, 3.983 b6 .)

OUTROS FILÓSOFOS COSMÓLOGOS:

Anaximandro → Afirmou que o princípio é o infinito. O princípio é o fundamento da geração de todas as coisas, a ordem do mundo evoluiu do caos em virtude deste princípio.

Anaxímenes → Refutando a teoria da água de Tales, e do ápeiron de Anaximandro, Anaxímenes ensinava que essa substância era o ar infinito, pneuma ápeiron. O universo resultaria das transformações do ar, da sua rarefação, o fogo, ou condensação, o vento, a nuvem, a água e a terra e por último pedra. Esse era o processo por qual passava uma substância primordial, e resultava na multiplicidade, os quatro elementos. O ar tinha o eterno elemento.

Pitágoras → Os números constituem a essência de todas as coisas segundo sua doutrina, e são a verdade eterna.
MUITO IMPORTANTE, ANOTE
O mais importante em Tales de Mileto não foi a resposta dada ao seu problema cosmológico, mas sim a forma pela qual ele chegou a esta resposta. As diferentes respostas dos filósofos cosmólogos e/ou físicos revelam uma característica essencial que faz a Filosofia SER Filosofia e não outra coisa... O fato da Filosofia não ter respostas prontas e muito menos definitivas. A Filosofia lança-se em busca da VERDADE e não se contenta com simples respostas. A DÚVIDA é o elemento deflagrador da atividade filosófica e é ela, a DÚVIDA, que faz da Filosofia uma incessante e eterna atividade reflexiva racional sistematizada a fim de manter o Homem sempre na possibilidade de conquistar o exterior da Caverna platônica e vivenciar a autonomia de uma pensamento que possa, de fato, lançá-lo à FELICIDADE colocá-lo próximo da VERDADE.
Nas próximas aulas VEREMOS: As áreas e/ou ramos da Filosofia
Os primeiros problemas filosóficos centrados na Cosmologia, Arte Política e Antropologia.
Os pré-socráticos, os SOFISTAS, Sócrates, Platão e Aristóteles.

Fontes consultadas:
ALVES, Fátima e outros. A chave do agir: Introdução à Filosofia. Lisboa: Texto Editora Ltda, 1998.

ARANHA Maria Lúcia de Arruda, MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2.ed. São Paulo: Moderna, s.d.

CARDOSO, Osvaldo e outros. Filosofia: Ensino Médio (Livro Didático da S.E.ED./PR). 2. ed.Curitiba: SEED/PR, 2008.

CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 6.ed. São Paulo, Ática,1997.

CHAUI, Marilena, OLIVEIRA, Pérsio S. Filosofia e Sociologia. São Paulo: Ática, 2007.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: ser, saber e fazer. 8 ed. São Paulo, 1993.

DELEUZE, Gille, GUATARI, Felix. O que é a Filosofia? Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.

DURANT, Will. A história da Filosofia. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.

REZENDE, Antonio e outros. Curso de Filosofia. 13. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

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(Resumo/Aulas maio 2010)

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