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FILOPARANAVAÍ

domingo, 5 de abril de 2020

A hora e a vez da ecologia mental, por Leonardo BOFF

A hora e a vez da ecologia mental


SEGUE o atualíssimo e precioso texto, escrito por Leonardo BOFF, sobre os desafios para o Homem desse século se ele quiser continuar habitando em Planeta... O início do texto foi reformulado por mim (em grifo)...

Quando participei no dia 2 de fevereiro de 2007 e ouvi em Paris os resultados acerca do aquecimento global dados a conhecer pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) o então Presidente Jacques Chirac disse: “Como nunca antes, temos que tomar a palavra revolução ao pé da letra. Se não o fizermos o futuro da Terra e da Humanidade é posto em risco”.

Outras vozes já antes, como a de Gorbachev e de Claude Levy Strauss pouco antes de morrer, advertiam: “ou mudamos de valores civilizatórios ou a Terra poderá continuar sem nós”.

Esse é o ponto ocultado nos fóruns mundiais, especialmente o de Copenhague. Se for reconhecido abertamente, ele implica uma autocondenação do tipo de produção e de consumo com sua cultura mundialmente vigente. Não basta que o IPCC diga que, em grande parte, o aquecimento agora irreversível é produzido pelos seres humanos. Essa é uma generalização que esconde os verdadeiros culpados: são aqueles homens e mulheres que formularam, implantaram e globalizaram o modo de produção de bens materiais e os estilos de consumo que implicam depredação da natureza, clamorosa falta de solidariedade entre as atuais e as futuras gerações.

Pouco adianta gastar tempo e palavras para encontrar soluções técnicas e políticas para a diminuição dos níveis de gases de efeito estufa se mantivermos este tipo de civilização. É como se uma voz dissesse: “pare de fumar, caso contrário vai morrer”; e outra dissesse o contrário: “continue fumando, pois ajuda a produção que ajuda criar empregos que ajudam garantir os salários que ajudam o consumo que ajuda aumentar o PIB”. E assim alegremente, como nos tempos do velho Noé, vamos ao encontro de um dilúvio pré-anunciado.

Não somos tão obtusos a ponto de dizer que não precisamos de política e de técnica. Precisamos muito delas. Mas é ilusório pensar que nelas está a solução. Elas devem ser incorporadas dentro de um outro paradigma de civilização que não reproduza as perversidades atuais. Por isso, não basta uma ecologia ambiental que vê o problema no ambiente e na Terra. Terra e ambiente não são o problema. Nós é que somos o problema, o verdadeiro Satã da Terra quando deveríamos ser seu Anjo da Guarda. Então: importa fazer, consoante Chirac, uma revolução. Mas como fazer uma revolução sem revolucionários?

Estes precisam ser suscitados. E que falta nos faz um Paulo Freire ecológico! Ele sabiamente dizia algo que se aplica ao nosso caso: “Não é a educação que vai mudar o mundo. A educação vai mudar as pessoas que vão mudar o mundo”. Precisamos destas pessoas revolucionárias, caso contrário, preparemo-nos para o pior, porque o sistema imperante é totalmente alienado, estupidificado, arrogante e cego diante de seus próprios defeitos. Ele é a treva e não a luz do túnel em que nos metemos.

É neste contexto que invocamos uma das quatro tendências da ecologia (ambiental, social, mental, integral): a ecologia mental. Ela trabalha com aquilo que perpassa a nossa mente e o nosso coração. Qual é a visão de mundo que temos? Que valores dão rumo à nossa vida? Cultivamos uma dimensão espiritual? Como nos devemos relacionar com os outros e com a natureza? Que fazemos para conservar a vitalidade e a integridade de nossa Casa Comum, a Mãe Terra?

Não dá em poucas linhas para traçar o desenho principal da ecologia mental, coisa que fizemos um inúmeras obras e vídeos. O primeiro passo é assumir o legado dos astronautas que viram a Terra de fora da Terra e se deram conta de que Terra e Humanidade formam uma entidade única e inseparável e que ela é parcela de um todo cósmico. O segundo, é saber que somos Terra que sente, pensa e ama, por isso homo (homem e mulher) vem de húmus (terra fecunda). O terceiro que nossa missão no conjunto dos seres é de sermos os guardiães e os responsáveis pelo destino feliz ou trágico desta Terra, feita nossa Casa Comum. O quarto é que junto com o capital natural que garante nosso bem estar material, deve vir o capital espiritual que assegura aqueles valores sem os quais não vivemos humanamente, como a boa-vontade, a cooperação, a compaixão, a tolerância, a justa medida, a contenção do desejo, o cuidado essencial e o amor.

Estes são alguns dos eixos que sustentam um novo ensaio civilizatório, amigo da vida, da natureza e da Terra. Ou aprendemos estas coisas pelo convencimento ou será pelo padecimento. Este é o caminho que a história nos ensina.

Por Leonardo Boff, teólogo brasileiro.
Fontes: Revista RADIS com Agência Latinoamericana de Información (Alai), http://alainet.org




filoparanavaí 2020

O REENCATAMENTO DO MUNDO, por BERMAN

BERMAN, nos ajuda a  aprofundar a reflexão em torno da necessidade de um despertar urgente da Racionalidade Humana para a preservação da Vida. É possível ao homem continuar satisfazendo suas necessidades de sobrevivência sem destruir a Natureza?


Natureza em destruição
O poder da consciência participante

“A concepção da realidade que predominou no Ocidente até as vésperas da revolução científica era a de um “mundo encantado”. 

As rochas, as árvores, os rios e as nuvens eram tidos pelo homem como seres maravilhosos e portadores de vida. 

Os homens, por sua vez, sentiam-se em casa neste “mundo encantado”. O cosmo era o lar ao qual pertenciam. Cada pessoa não era um observador distante e alienado, mas um direto participante da trama da vida. 

O destino pessoal de cada um estava ligado ao destino do Cosmo, e esta inter-relação conferia sentido profundo à vida de todos. 

Este tipo de concepção da realidade – que chamarei consciência participante – envolve a fusão ou identificação do homem com o seu ambiente natural, expressando uma integração psíquica que há muito tempo deixou de existir.

Considerando-se o plano mental, a história da Idade Moderna é uma história de progressivo desencantamento. A partir do século XVI, a mentalidade científica nos tornou verdadeiros estrangeiros (seres não-integrados) em relação ao fenômeno do mundo. 

Inovações capazes de questionar essa visão da realidade – física quântica, ou certas pesquisas ecológicas – não foram suficientemente fortes para abalar a forma dominante do pensamento vigente. 

Essa forma pode ser adequadamente descrita com palavras como desencantamento, não-integração, pois ela insiste em estabelecer uma rígida separação entre o observador e o observado. 

Assim, a consciência científica tornou-se uma consciência alienada no sentido de que não promove uma fusão harmoniosa com a natureza, mas sim a separação plena dela. O sujeito conhecedor e o objeto investigado são encarados como pólos opostos, antagônicos. 

“Não sou minhas experiências e conclusões sobre o mundo. Portanto, não faço parte deste mundo” – raciocina o cientista. 

A consequência lógica dessa visão de mundo é um sentimento de coisificação: tudo é objeto, estranho, não-eu. E “eu”, afinal, também sou um objeto; um ser à parte, em meio a tantos outros seres. O cosmo não foi construído por mim; tampouco se importa com minha existência e eu não tenho a sensação de estar nele integrado.


Durante mais de 99% da história da humanidade, vigorou a concepção de que o mundo era encantado e o homem se sentia como parte integrante dele. 

Nos últimos quatro séculos, a total reversão dessa concepção destruiu, no plano psíquico e físico, o sentimento de integração do homem em relação ao cosmo. Isso foi responsável pela quase-destruição ecológica do Planeta. 

A única esperança, parece-me, está no re-encantamento do mundo como meio de nosso re-encontro.


É nisto que reside a questão central do dilema moderno. Não podemos voltar à alquimia ou ao animismo – pelo menos isso não parece provável. 

Por outro lado, não podemos permanecer com este mundo triste, de frieza científica, controlado por computadores, ameaçado por reatores nucleares. 

É preciso desenvolvermos algum tipo de consciência holística ou participante – e uma formação sociopolítica correspondente – se desejamos sobreviver enquanto espécie genuinamente humana.” 

BERMAN, Morris. The reenchantment of de world. Adaptado e traduzido por Gilberto Cotrim (COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: ser, saber e fazer. 8 ed. São Paulo: Saraiva, 1993).



Morris Berman (nacido en 1944 ) es un historiador estadounidense y crítico social . Nació en Rochester, Nueva York, obtuvo su BA en matemáticas en la Universidad de Cornell en 1966 y su Ph.D. en la Historia de la ciencia en la Universidad Johns Hopkins en 1972. Como crítico cultural humanista académico, Berman se especializa en la historia cultural e intelectual occidental.

filoparanavaí 2020

Não sou petista, mas como não dizer nesse momento o meu MUITO OBRIGADO PT por sua existência e por sua bela história de resistência e luta pelo povo brasileiro? Sou muito agradecido! OBRIGADO PT POR EXISTIR! Sou trabalhador! PT, me representa!


A 'escola da vida' me educou politicamente...

Sempre fui um bom observador das realidades nas quais vivia...

Desde sempre carregava dentro de mim um senso e uma sensibilidade enormes por justiça social...

O meu Mestre foi Jesus Cristo...

Impossível conhecê-lo e não apaixonar-se por seu gratuito amor ao próximo...

Sempre admirei Jesus por essa sua qualidade de amante dos pobres... Ele desejou nascer como e entre os pobres, permaneceu uma vida toda entre os pobres e morreu entre os pobres....

Ensinou a equidade, a justiça social, quando desferiu várias vezes aos ricos os seus "aí de vós ricos"... Ensinou o amor aos inimigos... Ensinou a paz!

Ensinou o projeto de um Reino de igualdade, justiça, verdade e amor!

É o que me mantêm até hoje crente em Deus! Se Jesus é Deus então continuarei acreditando nesse Deus apaixonado e comprometido com os pobres! 

Eu era criança e vi os militares, os tanques nas ruas...
Eu cresci ouvindo: “Brasil, ame-o ou deixe-o!”...
“Religião e política não se discute!”...

Eu cresci em meio à pobreza...
Vi  pais se absterem de carne para que seus filhos comessem...

Iogurte e outras guloseimas, naquele tempo, eram apenas um sonho de consumo para a maioria das crianças...
Eu vi o dinheiro valer 10 de manhã e 7 na tarde do mesmo dia...

Eu vi um sabonete mudar de preço três vezes na mesma manhã, pois nossa moeda não tinha valor estabilizado...

Na escola ganhei aversão ao Hino Nacional...

Ser obrigado a cantar o hino todos os dias com a consciência de que enquanto cantava o governo sangrava nosso povo, era questionador...

Eu convivi com repreensões, constantes, de meus professores/as, só porque eu questionava,
Perguntava: “Por que tudo tem que ser assim?”
Aprendi desde cedo o valor da democracia e da cidadania...

Vieram as lutas populares pelo retorno da democracia, as passeatas, as manifestações públicas e eu lá, participando de tudo o que podia, gritando: “Volta mãe democracia!”...
Eu tava lá - nossos gritos foram ouvidos;

As péssimas gestões militares estavam saturadas, o contexto internacional já não sustentava mais governo militares repressores como aqueles que tivemos aqui no Brasil...

Ao lado do autoritarismo, os governos militares promoveram profundas desigualdades sociais e roubaram muito. A corrupção era silenciada pelo aparato midiático que servia os fardados...

Ela, a DEMOCRACIA, voltou... Daquele jeito, mas voltou...

Eu vi Tancredo e Maluf disputarem o primeiro governo civil, que seria eleito pelo voto indireto e permaneceria até o nosso direito de voto direto e universal ser devolvido em 1989...

Eu vi o presidente que COLLOria os desejos da elite podre deste país ser eleito...

Collor foi uma espécie atualizada de Jair Bolsonaro...

Foi eleito em cima de uma discurso anticorrupção, quando ele, assim como o Jair, era um dos maiores corruptos da República...

Collor utilizou-se de 'Fake News" produzidas e propagadas naquele tempo pela poderosa Rede Globo que o apoiava visivelmente assim como apoiou os mais de 20 anos de ditadura...

Eu vi a elite desbancar o nosso sonho de um operário na presidência...
Mas, já como estudante universitário, também vi e participei da queda do presidente...

Não fui um 'cara pintada', fui um universitário em meio àquela massa que pedia o impeachment de Collor... pois a maior parte dos chamados caras pintadas nem tinham muita noção do que estava acontecendo de fato...

Foi muito triste ter presenciado a eleição de Collor eleito com o apoio da elite podre - preconceituosa, excludente e egoísta; que conseguiu trazer para seu lado uma parcela alienada da sociedade que ajudou a elite impor mais uma vez seus interesses que nunca são os interesses do povo....

Eu vi Collor sair pelas portas dos fundos, presidente tão podre de corrupção aquele...

Mas, vi também, depois do apagado Itamar Franco, o sociólogo traidor de suas próprias teorias ser eleito presidente; Apoiado pela mesma elite podre que esteve com o collorido e, mais uma vez desbancou o sonho em torno do “torneiro mecânico”.

Sempre acreditei e continuei a acreditar que o pobre só se emancipará um dia se for capaz de se auto libertar-se, ou seja, somente o pobre pode ajudar o pobre a sair de sua situação de abandono pelo Estado, organizando-se, politizando-se, participando da política... 

Gritei, como universitário, novamente: “Fora FMI!”, juntando minha voz a de meus amigos, jovens comunistas, na rua das Flores, próximo da praça Osório, em Curitiba;

Mas quanto mais gritávamos, mais o FHC se comprometia com a cartilha neoliberal do FMI, que gerenciava diretamente nossa economia impondo pacotes e mais pacotes de "austeridade"...

O governo FHC sucateava o patrimônio público, vendia nossas empresas em meio a negociatas que nunca foram investigadas...

Eu vi dezenas de CPI’s propostas por parlamentares serem simplesmente arquivadas pela maioria no congresso;

Eu vi deputados e senadores venderem seus votos ao governo para manter FHC em uma reeleição;

Eu vi o Brasil perder sua soberania sobre nosso minério para empresas estrangeiras...

Eu vi nossa telecomunicação ir toda para as empresas estrangeiras...

Eu vi o desemprego assombroso com arrocho salarial empobrecer ainda mais os trabalhadores, jogando nossa população na pobreza e miséria... A fome era uma realidade nos quatro cantos do país...

Eu vi o mapa da fome “crônica” ser ampliado em todo o país...

E gritei: “Todos juntos contra a fome no Brasil!”, somando-se à voz do glorioso Hebert de Sousa – o Betinho...

Eu vi o apagão da era FHC, eu vi a plataforma p-3 ser devorada pelo mar;

Eu vi o abandono da saúde e da educação, o não investimento em infraestrutura que fazia com que nossas estradas, portos, aeroportos, ferrovias, ficassem jogadas à sorte maior.

Eu vi o Brasil pelas mãos de FHC quase entrar na ALCA...
Eu vi a minha Federal do Paraná ser sucateada e conviver com uma greve de meses;

Mas eu vi também, de novo, o corajoso Lula, persistente como sempre, depois de três eleições, ganhar o coração do povo; E se tornar o primeiro operário presidente...
Eu vi o Brasil extirpar o mapa da fome crônica;
Eu vi o Brasil descobrir o pré-sal;
Eu vi o Brasil colocar o FMI para correr daqui;
Eu vi o emprego aumentar;
Vi a distância injusta entre ricos e pobres diminuir;
Eu vi o poder aquisitivo de meu povo ser recuperado e o iogurte deixar de ser um sonho para passar a ser realidade na maioria das mesas dos brasileiros;
Para ir à minha mesa e a mesa de pobres como eu...
Eu vi o Brasil ser respeitado lá fora como uma superpotência emergente;
Eu vi a corrupção ser combatida com autonomia aos procuradores gerais da república, incremento nas leis, investimento na polícia Federal e formação da Guarda Nacional:

vi prefeito, governador, juiz e outros irem pra cadeia...

Vi membros do PT serem caçados politicamente pela Justiça sem que o Presidente Lula ou Dilma interferissem...

Vi Lula ser chamado pelo presidente dos EUA: "Ele é o cara!"

Vi um Lula liderar mundialmente uma união das potências emergentes...
Vi Lula colocar o Brasil solidário aos nossos países irmãos africanos, fazendo a troca de conhecimentos e tecnologias...
Vi Lula respeitar e unir nossos irmãos países vizinhos de toda a América Latina...

Vi o pleno emprego...
Vi a valorização do salário mínimo...
Vi filho de trabalhador ser colocado na escola, na universidade...
Vi filhos de trabalhadores tornarem-se engenheiros, médicos...
Vi trabalhadores comprarem casas, carros, ...
Vi trabalhador frequentar aeroportos e voar...

Vi as conquistas sociais para corrigir as discriminações:
As mulheres, crianças, adolescentes e jovens, negros, índios, homossexuais, serem tratados como gente.
Eu vi o Prouni a dar chances imensas de um futuro brilhante para nossa juventude;
O torneiro mecânico abriu as portas da universidade...
Vi a filosofia e, a sociologia, voltar às salas de aulas pelo mãos do torneiro mecânico, depois de terem sido impedidas de retornarem no governo FHC – o sociólogo bufão vetou Lei que determinava o retorno...

Vi uma infinidade de programas nascerem no governo Lula: Fome Zero, Minha Casa Minha Vida, Luz para todos, Água para todos...

A utopia de criança deixava de ser um sonho...

Com a FORÇA DO POVO quebramos paradigmas políticos determinantes em nossa cultura...

A elite podre que promoveu o abismo entre pobres e ricos em 500 anos foi vencida nas urnas, de maneira totalmente democrática...

Com a força do povo, Lula foi eleito presidente.

Com a FORÇA DO POVO, com as bênçãos de Deus, quebramos mais outro paradigma: Uma MULHER foi eleita presidenta...

A eleição de Dilma foi assim cantada por Pedro Tierra, no poema 500 ANOS ESTA NOITE


De onde vem essa mulher
que bate à nossa porta 500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coração da noite.

De onde vem essa mulher
que bate às portas do país dos patriarcas
em nome dos que estavam famintos
e agora têm pão e trabalho?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem dos rios subterrâneos da esperança,
que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.

De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas não se detém,
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.

Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa
para contar sob sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão
de onde vem essa mulher.
Que rosto tem, que sonhos traz?

Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.
Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.

No continente de esporas de prata
e rebenque,
o sonho dissolve a treva espessa,
recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho,
afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro e tirania
e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.

As mãos do metalúrgico,
as mãos da multidão inumerável
moldaram na doçura do barro
e no metal oculto dos sonhos
a vontade e a têmpera
para disputar o país.

Dilma se aparta da luz
que esculpiu seu rosto
ante os olhos da multidão
para disputar o país,
para governar o país.

Eu vivi o suficiente para ver um povo ingrato, manipulado, levantar-se contra quem sempre foi do seu lado...

Eu vi injustamente uma presidenta ser afastada de seu cargo... 

A elite de sempre retomou o poder por meio de um GOLPE vez que não podia conquistá-lo pelo voto...

A elite conseguiu colocar Michel Temer no lugar de Dilma, visando colocar o seu projeto de destruição do Estado e posse dos bens públicos, em prática...

Em pouco meses o Congresso que derrubou Dilma, com a cumplicidade do STF, orientado por Michel Temer e manipulações da elite por meio de Lobbies, retiraram direitos dos trabalhadores e precarizaram as relações de trabalho... Os ataques aos trabalhadores visava uma reforma previdenciária que condenaria os trabalhadores a não conseguirem ou se conseguirem, obteriam apenas uma aposentadoria não digna... 

A Reforma da Previdência foi entregue em 2019 pelo neofascista Bolsonaro...

Sim, eu vi dois anos de governo do nefasto Temer...

Mas nada que esteja ruim que não possa piorar mais ainda...

Eu vi uma eleição insana para presidente...
Eu vi pessoas que se diziam cristãs votarem em um candidato batizado católico e evangélico, casado três vezes, que usou o Santo Nome de Deus em vão na campanha marcada por mentiras...
Eu vi cristãos contraditórios votarem em um neofascista, defensor da violência e da tortura,  apologista de ódios contra negros (racista), mulheres (machista-misógino), gays (homofóbico), indígenas (xenófobo), intolerante com militantes de esquerda, envolvido em 28 anos de corrupção com seu clã na chamada "rachadinha" e relações com o mundo do crime dos milicianos do Rio de Janeiro...

Eu vi nosso povo ser jogado novamente no desemprego, achatamento salarial,  precarização das relações trabalhistas...

Eu vi a violência, a pobreza e a miséria retornarem...

Eu vi a destruição de todos os programas fantásticos construídos pelo PT e que tanto favoreceram nosso povo...

Eu vi banqueiros serem beneficiados com dinheiro público, enquanto o povo segue abandonado à própria sorte...

Eu vi uma classe média demonstrar toda a sua ignorância política e ser cúmplice de uma fábrica de mentiras que continua disseminando ódio na sociedade por meio das redes sociais...

Mas eu também vejo Resistência...
As esquerdas re-aglutinam suas forças para retornar nosso país à racionalidade política...

Também vejo um Partido dos Trabalhadores, mais forte do que nunca...

Pronto para fazer aquilo que sempre fez em todas essas décadas de sua existência... LUTAR PELOS INTERESSES DO POVO BRASILEIRO, ESPECIALMENTE DO POVO TRABALHADOR DESSE PAÍS...

Não sou petista, mas como não dizer nesse momento o meu MUITO OBRIGADO PT por sua existência e por sua bela história de resistência e luta pelo povo brasileiro? 
Sou muito agradecido! 
OBRIGADO PT POR EXISTIR!
Sou trabalhador! 
PT, me representa!





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