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FILOPARANAVAÍ

segunda-feira, 30 de março de 2020

OPINIÃO: BOLSONARO REALMENTE É 'LOUCO' OU É UM ESTRATEGISTA BRILHANTE DA ULTRA DIREITA BRASILEIRA?


Tornou-se frequente no Brasil e fora também, colar o adjetivo louco ao presidente atual do Brasil.

Mesmo antes da pandemia do Novo Coronavírus, ou seja, desde que assumiu o governo em Janeiro de 2019, Jair Bolsonaro tem tido frequentes comportamentos que atestam essa percepção. 


Em publicações de grandes jornais não é difícil encontrar artigos, matérias ou editoriais, sinalizando para um Bolsonaro com problemas de sanidade mental. Essa percepção é compartilhada por muitos políticos (não é difícil encontrar inclusive políticos que o apoiam ou apoiaram fazerem essa referência) e por muitas pessoas nas Redes Sociais. Inclusive nesse momento, as tags  #RainhaLouca #RainhaLoucaSemBic fazem sucesso entre os internautas.

As malucas ações de Bolsonaro no enfrentamento à pandemia do N. Coronavírus expôs de vez os 'comportamentos insanos' do mandatário do Brasil, estarrecendo a opinião pública.


O presidente vendeu uma narrativa de que Covid-19 não passa de uma 'gripezinha' e que, portanto, não é necessário o isolamento social, a não ser daqueles que fazem parte dos grupos de risco. Alerta que governadores e prefeitos por promoverem o isolamento social fechando comércios, serão os responsáveis pelas dificuldades econômicas agravadas. 

Além desta tosca narrativa, Bolsonaro não apenas prega o fim do isolamento social, ele mesmo pratica a quebra da quarentena indo ao encontro de seus fanáticos seguidores. Isso praticamente ocorre diariamente. Além da defesa contumaz do uso de Cloroquina como medicamento milagroso que curaria a gripezinha.

Bolsonaro é realmente um louco?


Em relação ao uso da Cloroquina, oportunamente temos essa interessante notícia: "Hospitais da Suécia suspendem uso de cloroquina em pacientes com coronavírus devido a efeitos colaterais". Podemos ler na postagem: '(...) “Recomendações médicas devem ser feitas por especialistas, e não por políticos”, disse à RFI o médico sueco Magnus Gisslén, professor da Universidade de Gotemburgo e chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário Sahlgrenska, o maior hospital da Suécia e um dos maiores da Europa. Todos os hospitais da região de Västra Götaland – incluindo a cidade de Gotemburgo, a segunda maior do país – pararam de administrar a cloroquina em pacientes de Covid-19. Diversos hospitais da capital sueca – entre eles o Södersjukhuset, um dos maiores de Estocolmo – também já anunciaram a suspensão do medicamento. “Tomamos a decisão de interromper o uso da cloriquina diante de uma série de casos suspeitos de efeitos colaterais severos, sobre os quais tivemos notícia tanto aqui na Suécia como através de colegas de hospitais em outros países”, destacou o professor Magnus Gisslén. O especialista ressalta que um dos principais efeitos colaterais possíveis da cloroquina é o risco de arritmias e paradas cardíacas, especialmente se administrada em altas doses. Doses excessivas podem ser letais. (...)'.  Leia mais aqui.



No geral, as abordagens mais racionalistas sobre a Cloroquina, que é um medicamento utilizado no tratamento e profilaxia de malária em regiões onde a malária é susceptível ao seu efeito, explicam que em relação ao tratamento da Covid-19 não há comprovação científica do sucesso do medicamento. Os estudos científicos prosseguem.

No Brasil, a Fiocruz (Em maio de 1970, tornou-se Fundação Instituto Oswaldo Cruz, adotando a sigla Fiocruz, que continua a ser utilizada mesmo depois de maio de 1974, quando recebeu a atual designação de Fundação Oswaldo Cruz. Seu principal objetivo é a pesquisa e o tratamento das doenças tropicais) divulgou uma nota técnica sobre o uso da Cloroquina no tratamento da covid-19, onde podemos ler: "USOS DA CQ PARA CORONAVIRUS: Sabe-se que existem sete coronavírus que podem produzir infecções do trato respiratório superior nos seres humanos :SARS-CoV, MERS-CoV, HCoV-229E, HCoV-OC43, HCoV-NL63, HCoV-HKU1 e o SARS-CoV-2. Até o momento não há medicamentos específicos para tratar esses coronavírus". LEIA A NOTA TÉCNICA AQUI


Apenas para citar outra posição de relevância sobre a problemática em questão: "A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) reitera o seu compromisso com a ética e com a ciência na busca por soluções que atendam o adequado acolhimento do paciente, o diagnóstico preciso e a melhor terapêutica, visando minimizar os efeitos da pandemia COVID-19. Há em todo o mundo, inclusive no Brasil, uma busca incansável por medicamentos eficazes para o tratamento dos doentes. Essa busca deve ser pautada exclusivamente pela pesquisa conduzida seguindo métodos científicos bem estabelecidos, com protocolos claros e subordinados a valores éticos. Assim, no que diz respeito a declarações sobre o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina (HCQ) para o tratamento da COVID-19, isoladamente ou em associação com azitromicina (HCQ + AZT), a Unicamp, ouvindo especialistas na área, de dentro e de fora da instituição, e amplamente amparada por estudos científicos sobre o tema, corrobora as recomendações dos órgãos sanitários e da comunidade médico-científica mundial de que não há, até o momento, evidência científica suficiente baseada em ensaios clínicos com humanos sobre a eficácia desses medicamentos para o tratamento da doença causada pelo novo coronavírus." LEIA MAIS AQUI


Mas no Brasil, a 'Rainha Louca' utiliza-se da palavra Cloroquina como se fosse uma 'mantra'. Seus fanáticos seguidores, conhecidos por bolsomínions ou bolsonaristas. As Redes Sociais são o campo fértil, uma espécie de campo de guerra, para a disseminação de suas opiniões construídas sob a elaboração de falsas informações e distorções de fatos, a fim de respaldarem as narrativas do presidente.

O presidente mesmo, pessoalmente, todos os dias, alimenta essa legião de bolsomínions ou bolsonaristas. Nas Redes Sociais conta ainda com a ajuda de robôs digitais (já amplamente denunciado pela mídia e que está sob investigação em uma comissão de inquérito parlamentar). 

Como não poderia ser diferente, Cloroquina, quebra da quarentena, fechamento do STF e Congresso, intervenção militar, culpabilização de prefeitos e governadores, fogo amigo contra o ministro da saúde que não afina seu discurso ao de Bolsonaro, são algumas das defesas dessa legião. Que além de Bolsonaro, alimentam-se do pseudo filósofo Olavo de Carvalho, dos próprios filhos da 'Rainha Louca', ou ainda de outros líderes da extrema-direita de menor importância na pirâmide. 


Uma coisa é certa! Bolsonaro não governa para os brasileiros. A defesa da Cloroquina encontra eco em  seu adorado Donald Trump, que segundo notícias dessa semana é um dos acionistas de fábricas do medicamento.  Bolsonaro defende mais os interesses dos EUA do que de seu próprio país. Isto é evidente, muito explícito.

A Direita e muito menos a Extrema-Direita não teriam os votos que tiveram se não fosse por meio de fraudes.  

Aliás, os EUA estão por trás da eleição de Bolsonaro, não apenas com o braço Lava Jato que de circulação o candidato favorito do povo, Luis Inácio Lula da Silva, para o qual inventaram um apartamento que nunca foi do ex-presidente, condenando-o sem provas, portanto, sem crime, impondo-lhe uma prisão política por mais de um ano.

É flagrante que os EUA   estiveram no comando da campanha de Bolsonaro, fundada em uma fábrica de falsas notícias disparadas em massa via redes sociais. 

Os mesmos instrumentos utilizados na eleição de Trump repetiram-se por aqui. Inclusive, um fato decisivo, foi a suposta facada que ninguém viu. 

As fugas dos debates também contribuíram para esconder um homem desequilibrado e despreparado para a função de presidente, que agora joga o país em um problema ampliado com o da pandemia do N. Coronavírus.


Mas Bolsonaro é um louco?

Como eu já disse há muitas defesas neste sentido.

Em agosto de 2018, o emblemático candidato neofascista brasileiro Jair Bolsonaro estava na capa do jornal Libération. "Racista, homofóbico, misógino e pró-ditadura. E, mesmo assim, ele seduz o Brasil" é a manchete do diário que estampa, em página inteira, uma foto do candidato da extrema-direita à presidência na escuridão. Leia mais aqui.


Em 28 de Outubro de 2018, Com 100% das urnas apuradas, Bolsonaro obteve 57,7 milhões de votos. Esses mais de 57 milhões de eleitores não podem alegar que não sabiam em quem votavam. Em certa medida, identificaram-se com as mentiras em torno e do candidato, ou identificaram-se com as apologias desumanas disseminadas pelo candidato em uma vida política inteira de quase três décadas. No campo das promessas, nada consta de benefícios à população trabalhadora, maioria absoluta. 

Em 2018 a opinião pública mundial via estarrecida a ascensão da Extrema-Direita no Brasil e a mídia internacional tinha clareza quanto à possível destruição de nossa frágil democracia, dos direitos sociais e trabalhistas, além de todos os demais perigos para a humanidade que Bolsonaro representava: A ascensão política de Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo Partido Social Liberal (PSL), no Brasil, chamou a atenção do mundo. De acordo com os jornais e revistas internacionais, a crescente intenção de votos no pesselista alerta o mundo para o consequente aumento de ideias e ações fascistas no maior país da América Latina. Não se trata da síndrome de vira lata, a priori teorizada por Gilberto Freyre. Mas de perceber como órgãos distantes observam a realidade brasileira. Talvez não seja imperioso a distância histórica para entender o que se sucede no País. Talvez basta ler o que estão dizendo veículos progressistas mundo afora. Estados Unidos: A maioria se refere ao presidenciável como uma ameaça à democracia brasileira. Uma das matérias do jornal estadunidense The New York Times, “Brasil flerta com um retorno aos dias sombrios”, de agosto de 2018, expõe os posicionamentos preconceituosos dados por Bolsonaro e o define como um populista conservador que defende a ditadura militar e justifica o uso da tortura. O jornal afirma que a lista de acusações sexistas e racistas é extensa, mas o seu momento mais memorável foi durante a votação do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, quando o presidenciável homenageou um dos torturadores da petista na época ditatorial militar. O também norte-americano Financial Times associa Jair Bolsonaro aos tempos sombrios. Para eles, as eleições estão tomando um rumo ao “trágico destino brasileiro de uma rebelião antidemocrática”. O Americas Quarterly atenta para o perigo do bolsonarismo, cujos limites já não podem ser mais controlados por seu criador, e, por isso, afirma que ganhando ou perdendo, a ascensão do candidato conduz a jovem democracia brasileira ao esgarçamento. Na reportagem, o jornalista escreveu “ele expressou muitas vezes seu amor pelos dias da ditadura e tem levantado a possibilidade de fraude eleitoral (se ele perder a eleição, claro)”. Uma reportagem do HuffingtonPost, que tem sede no Brasil, destacou que o pesselista propôs vender terras de indígenas e descendentes de africanos escravizados. “Bolsonaro aproveitou o descontentamento, o desespero e a raiva. Fomentou uma reação contra um establishment corrupto com um populismo falso e barulhento. Se isso soa familiar, deveria. Bolsonaro ficou conhecido como “Trump do Brasil”. A Revista Time também fez essa relação com o presidente dos Estados Unidos: “Jair Bolsonaro ama Trump, odeia pessoas gays e admira autocratas. Ele pode ser o próximo presidente do Brasil.” Leia mais aqui.


A mais recente é a da mídia da revista britânica:  'The Economist diz que Bolsonaro apresenta sinais de insanidade'  e lembra ainda que "Bolsonaro é apoiado por um pequeno círculo de fanáticos ideológicos que incluem seus três filhos, pela fé de muitos protestantes evangélicos e pela falta de informações sobre a covid-19 entre alguns brasileiros (...)". LEIA MAIS AQUI

OUTRAS DEFESAS


O Estadão reforça que enquanto líderes mundiais se movimentam numa guerra contra o covid-19, o presidente do Brasil age de maneira irresponsável, e  não leva a pandemia a sério. O presidente age como se os epidemiologistas, de todo o mundo, estivessem errados. LEIA MAIS AQUI


A revista 'The Atlantic', Estados Unidos descreveu as frases de Bolsonaro a respeito da pandemia, como a que descreve o Sarc-Cov-2 como uma gripezinha e a declaração de que "brasileiro tem que ser estudado" porque "pula no esgoto ali, sai, mergulha, tá certo? E não acontece nada com ele". No título, a publicação classifica o presidente do Brasil como o líder do movimento de negacionistas do vírus. 


Ainda podemos ler que, a "The Economist", uma das revistas mais importantes do mundo, chamou o presidente Jair Bolsonaro de "BolsoNero" –o último imperador romano, tido como um tirano extravagante que, para a população, iniciou um incêndio para construir um palácio. O artigo da revista afirma que o Sars-Cov-2 ignora classes sociais no Brasil, que são socialmente distante, mas fisicamente próximas. "Um vetor pode ser o presidente populista, Jair Bolsonaro. LEIA MAIS AQUI

Em Agosto de 2019 veio uma pergunta da Alemanha. O comportamento preocupante de Jair Bolsonaro vem provocando reações contrárias, inclusive, no cenário internacional. Um dos principais veículos de comunicação da Alemanha, a Deutsche Welle, faz uma pergunta, no mínimo, perturbadora: “E se Bolsonaro for um psicopata?”. LEIA MAIS AQUI

Em março de 2020 veio uma resposta da Alemanha. Jornalista alemão alerta: Bolsonaro é um psicopata e pode matar milhares de brasileiros Em artigo publicado na Deutsche Welle, o correspondente Philipp Lichterbeck diz que Jair Bolsonaro age de forma criminosa. "O Brasil é liderado por um psicopata, e o país faria bem em removê-lo o mais rápido possível. Razões para isso haveria muitas". Leia mais aqui.

No Jornal francês Libération: “Bolsonaro comete ‘populicídio’ no Brasil”. Em artigo publicado no jornal francês, o professor Frédéric Vandenberg, da UFRJ, denuncia o presidente da República, por “provocar o caos e semear a morte” ao defender a suspensão do isolamento social. “Seja o que for, um dia um tribunal penal terá que julgar e condená-lo junto com seu clã por promover assassinato em massa, de maneira voluntária e premeditada”. Leia mais aqui.

Mas afinal Bolsonaro é ou não é um louco?

Na minha opinião ele é um pouco de muitas coisas. Uma dessas coisas é muito evidente: Bolsonaro é de extrema-direita porque é extremamente limitado intelectualmente. Em relação  a essa limitação, em uma de suas biografias podemos ler: Documentos produzidos pelo Exército Brasileiro na década de 1980 mostram que os superiores de Bolsonaro o avaliaram como dono de uma "excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente". Segundo o superior de Bolsonaro na época, o coronel Carlos Alfredo Pellegrino, Bolsonaro "tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos". Leia mais aqui.


As limitações intelectuais de Bolsonaro não apenas são atestada de longa data por terceiros como também são atestadas atualmente pela boca do próprio sujeito em questão: Em viagem à Índia, o presidente Jair Bolsonaro mostrou, mais uma vez, que economia não é o seu forte. Em rápida entrevista concedida a um jornalista do Valor Econômico, Bolsonaro tentou falar sobre a diminuição de impostos para o setor industrial. Mas se confundiu na resposta: misturou taxas sobre empresas com as tarifas sobre importações. E justificou: "Eu já falei, não entendo nada de economia!(...)”. Leia mais aqui.


Eu particularmente acho que ele não entende é de quase nada. Talvez seu forte seja distorcer a realidade, produzir mentiras como mitômano que flagrantemente parece ser. Imagino que essa é a sua maior capacidade. Como a mentira tem mais aceitabilidade na sociedade do nonsense, Bolsonaro é um líder que encontrou uma legião disposta a reverenciá-lo como representante e a defendê-lo.

Em artigo, no ano de 2019, Ricardo Kotscho, fez uma bela reflexão: Bolsonaro disse que era preciso destruir muita coisa para construir um novo país, a primeira parte ele já cumpriu. Leia mais aqui.



Bolsonaro é um pouco de tudo. Além dos adjetivos 'carinhosamente' carimbados pelo Estadão que ajudou a produzir esse monstro político: indecoroso, grosseiro, incompetente, autoritário e ignorante, eu resumo com o 'desumano'. Bolsonaro não tem empatia, nem respeito, e muito menos apreço pelo próximo, pela vida, pela verdade.

Mas Bolsonaro serve aos interesses da elite golpista. Isso é fato! Enquanto Bolsonaro brinca de ser presidente e aqui, o adjetivo com sujeito figurado 'Rainha Louca' lhe cai muito bem, Paulo Guedes faz o 'serviço sujo' entregando nosso patrimônio nacional, torrando nossas reservas com banqueiros e rentistas, retirando direitos sociais e trabalhistas, enfim, reduzindo o Estado para o povo e aumentando o Estado para os mais ricos. 

O governo plutocrata de Bolsonaro, com cara de neoliberal, é um governo selvagem. Isso nos ajuda a entender sua preocupação em por um fim nas quarentenas forçando os trabalhadores a 'como gado' irem ao matadouro, em tempos de pandemia.

O governo não tem projeto para socorrer trabalhadores e mesmo a ajuda que oferece agora para uma pequena parcela, é ridícula considerando que seria menor do que R$ 600,00 não fosse o Congresso unir-se contra o presidente em sua volúpia pela desumanidade.

Dinheiro, recursos, o governo tem para socorrer empresas e trabalhadores, mas não tem vontade política, porque a política que o colocou no cargo não contabiliza e nunca contabilizou o povo. 

O problema do Bolsonaro é socorrer os capitalistas e para isso é preciso condenar o povo. Simples assim! Esse é o perfil de seu desastroso governo.

Mas no Brasil as instituições não funcionam em função do povo. Desde a eleição de 2014 e mesmo, um pouco antes, quando o terreno era preparado com o 'Mensalão do PT' e o 'não vai ter Copa', as instituições começaram a ruir para apoiarem um golpe camuflado de Estado. 2016 e 2018 foram os momentos ápices dessa história que um dia será contada nos livros didáticos.

O golpe teve participação das instituições do executivo, judiciário e legislativo. Apoio da mídia e de parcela da classe média cooptada para dar sustentação 'popular'. Foram cúmplices na mesma narrativa: O PT quebrou o país, o PT roubou a Petrobrás, etc.

A Direita fez um erro de cálculo Não conseguiu emplacar seu candidato. Embarcou na campanha de Jair Bolsonaro, tendo a garantia de que a economia, a cereja do bolo ficaria em suas mãos. 

A Direita faz o jogo de entrar nas loucuras neofascistas de Bolsonaro, pois o que importa é ter a economia em suas mãos. Os militares tentam fazer o equilíbrio entre Direita e Extrema-Direita. O Brasil não aprendeu com mais de 20 anos de ditadura a colocar os militares em seus devidos lugares e, por isso, lá estão eles usurpando cadeiras políticas que deveriam estar ocupadas por civis.

As instituições Forças Armadas e Igreja, envolvidas na política, o tempo já demonstrou que é desastre certo.

Mas, Bolsonaro está tornando-se um empecilho para a economia. Sua declarações preconceituosas e carregadas de ódio, já tem feito o Brasil perder bilhões em suas exportações, com retaliações das vítimas do 'gabinete do ódio' liderado por Bolsonaro e seu clã, que anda imerso em acusações de desvio de dinheiro público, nessas três décadas de Bolsonaro empesteando a vida política do país. 

Para onde o Brasil caminha nesse momento? 

Só Deus sabe. Logo Ele que tem sido utilizado de forma vergonhosa por Bolsonaro. Seja com o slogan "Deus acima de todos" ou as patéticas cenas públicas de Bolsonaro com pastores e padres neofascistas em 'orações' e pregações de jejuns.


"Deus acima de todos" (que lembra Deutschland über alles (A Alemanha acima de tudo) que foi o primeiro verso da canção nacionalista Das Lied der Deutschen (A canção dos alemães), composta em 1841 por August Heinrich Hoffmann (que acrescentou “von Fallersleben” ao próprio nome em referência a sua cidade natal e para diferenciá-lo de homônimos). A melodia é a mesma de Gott erhalte Franz, den Kaiser, uma composição de Joseph Haydn de 1797 para o imperador Francisco I da Áustria.Leia mais aqui.

Bolsonaro é produto de uma negação da política para que a política possa servir apenas os interesses dos donos dos capitais nacional e internacional. Bolsonaro é produto de uma cultura fundada no moralismo conservador que impede a afirmação do respeito à diversidade. Bolsonaro é produto de uma narrativa de destruição das forças de esquerda que colocam as demandas populares em suas agendas. Bolsonaro é produto de uma  parcela enorme da sociedade doente desde o topo até a base da pirâmide de estratificação social. 

O Brasil tem três inimigos a serem combatidos: O N. Coronavírus, Bolsonaro e os bolsonaristas.

Da vitória do bem contra esses representantes simbólicos do mal, depende o nosso presente e o futuro de milhões de brasileiros que, pelo trabalho, produzem as riquezas que nesse país, profundamente desigual, são usufruídas por uma minoria.

             Imagem: El País



Filoparanavai 2020

MITO E FILOSOFIA: Oque é o Mito? Quais as funções do Mito? O Mito continua a existir na atualidade?


O pensamento mítico 
Quando pensamos em mitos, hoje, imediatamente lembramos de alguns mitos gregos, como o de Pandora, que abriu a caixa proibida soltando todos os males, restando somente a esperança, ou ainda do saci-pererê, de Tupã e outras lendas que povoaram a nossa infância e que têm origem nas culturas indígena ou africana. 

Para nós, portanto, os mitos primitivos não passam de histórias fantasiosas que são contadas ao lado das histórias da Branca de Neve ou da Bela Adormecida. 

O mito, porém, não é isso. Quando vira uma história, uma lenda, ele perde a sua força de mito. 

O que é o mito 
O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. E um modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabelecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais ou mesmo a construção cultural, mas que dão, também, as formas da ação humana. Devemos salientar, entretanto, que, não sendo teórica, a verdade do mito não obedece a lógica nem da verdade empírica, nem da verdade científica. É verdade intuída, que não necessita de provas para ser aceita. 

O mito nasce do desejo de dominação do mundo, para afugentar o medo e a insegurança. O homem, à mercê das forças naturais, que são assustadoras, passa a emprestar-lhes qualidades emocionais. As coisas não são mais matéria morta, nem são independentes do sujeito que as percebe. Ao contrário, estão sempre impregnadas de qualidades e são boas ou más, amigas ou inimigas, familiares ou sobrenaturais, fascinantes e atraentes ou ameaçadoras e repelentes. Assim, o homem se move dentro de um mundo animado por forças que ele precisa agradar para que haja caça abundante, para que a terra seja fértil, para que a tribo ou grupo seja protegido, para que as crianças nasçam e os mortos possam ir em paz. 

O pensamento mítico está, então, muito ligado à magia, ao desejo, ao querer que as coisas aconteçam de um determinado modo. É a partir disso que se desenvolvem os rituais como meios de propiciar os acontecimentos desejados. O ritual é o mito tomado ação. 

Os exemplos são inúmeros: já nas cavernas de Lascaux e Altamira, o homem do Paleolítico (10000 a 5000 a.C.) desenhava os animais, dentro de um estilo muito realista, e depois "atacava-os" com flechas, para garantir o êxito da caçada. Os ritos de nascimento e de morte é que vão dar ao recém-nascido um reconhecimento como ser vivo, pertencente a uma determinada sociedade; ou, ao defunto, a mudança de seu estatuto ontológico (de ser vivo a ser morto) e a aceitação pela comunidade dos mortos. Outro exemplo é o da expulsão de uma comunidade: uma vez realizados os ritos, a pessoa expulsa não precisa sair da comunidade, pois todos os outros integrantes passarão a não vê-la, não ouvi-la, enfim, a agir como se não existisse ou não estivesse presente. Para a comunidade, terminado o ritual, a pessoa expulsa desapareceu simbolicamente, mesmo que continue de corpo presente. E essa exclusão social acaba, em geral, levando à morte.

Funções do mito 
Além de acomodar e tranquilizar o homem em face de um mundo assustador, dando-lhe a confiança de que, através de suas ações mágicas, o que acontece no mundo natural depende, em parte, dos atos humanos, o mito também fixa modelos exemplares de todas as funções e atividades humanas. 

O ritual é a repetição dos atos dos deuses que foram executados no início dos tempos e que devem ser imitados e repetidos para que as forças do bem e do mal se mantenham sob controle. Desse modo, o ritual "atualiza", isto é, toma atual o acontecimento sagrado que teve lugar no passado mítico. 

O mito, portanto, é uma primeira fala sobre o mundo, uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre a qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel, e cuja função principal não é explicar a realidade, mas acomodar o homem ao mundo. 

Características do mito 
O mito primitivo é sempre um mito coletivo. O grupo, cuja sobrevivência deve ser assegurada, existe antes do indivíduo e é só através dele que os sujeitos individuais se reconhecem enquanto tal. Explicando melhor, o sujeito 5Ó tem consciência, só se conhece como parte do grupo. É através da existência dos outros e do reconhecimento dos outros que ele se afirma. Por isso, pode ser expulso simbolicamente: no momento em que falta o reconhecimento dos outros integrantes do grupo, ele não se reconhece, não se encontra mais.

Outra característica do mito é o fato de ser sempre dogmático, isto é, de apresentar-se como verdade que não precisa ser provada e que não admite contestação. A sua aceitação, então, tem de ser através da fé e da crença. Não é uma aceitação racional, e não pode ser nem provado nem questionado. Dentro dessa perspectiva de coletivismo, a transgressão da norma, a não-obediência da regra afeta o transgressor e toda sua família ou comunidade. Assim é criado o tabu — a proibição —, envolto em clima de temor e sobrenaturalidade, cuja desobediência é extremamente grave. Só os ritos de purificação ou de "bode expiatório", nos quais o pecado é transferido para um animal, podem restaurar o equilíbrio da comunidade e evitar que o castigo dos deuses recaia sobre todos. 

O mito hoje 
Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes? O pensamento crítico e reflexivo, que teve início com os primeiros filósofos, na Grécia do século VI a. C, e o desenvolvimento do pensamento científico a partir do século XIV, com o Renascimento, ocuparam todo o lugar do conhecimento e condenaram à morte o modo mítico de nos situarmos no mundo humano? 

Essa é a posição defendida por Augusto Comte, filósofo francês do século XIX, fundador do positivismo. 

Essa corrente filosófica explica a evolução da espécie humana em três estádios: o mítico (teológico), o filosófico (metafísico) e o científico. Este último apresenta-se como o coroamento do desenvolvimento humano, que não só é superior aos outros, como é o único considerado válido para se chegar à verdade. 

Assim, ao opor o poder da razão à visão ingênua oferecida pelo mito, o positivismo, de um lado, empobrece a realidade humana. O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é só razão, mas também afetividade e emoção. Se a ciência é importante e necessária à nossa construção de mundo, não oferece a única interpretação válida do real. Ao contrário, a própria ciência pode virar um mito, quando somos levados a acreditar que ela é feita à margem da sociedade e de seus interesses, que mantém total objetividade e que é neutra. 

Negar o mito é negar uma das formas fundamentais da existência humana. O mito é a primeira forma de dar significado ao mundo: fundada no desejo de segurança, a imaginação cria histórias que nos tranquilizam, que são exemplares e nos guiam no dia-a-dia.


Continuamos a fazer isso pela vida afora, independente de nosso desenvolvimento intelectual. Essa função de criar fábulas subsiste na arte popular e permeia a nossa vida diária. 

Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva. 

Os super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes como Rambo, Os justiceiros e outros, passam a encarnar o Bem e a Justiça e assumem a nossa proteção imaginária, exatamente porque o mundo moderno, com inflação, sequestros, violência e instabilidade no emprego, especialmente nos grandes centros urbanos, revela-se cada vez mais um lugar extremamente inseguro. 

No campo político, certas figuras são transformadas em heróis, pregando um modelo de comportamento que promete combater, além da inflação, a corrupção, os privilégios e demais mordomias. Prometem, ainda, levar o país ao desenvolvimento, colocando-o no Primeiro Mundo. Prometem riqueza para todos. Têm de ganhar a eleição, não é?

Também artistas e esportistas podem ser transformados em modelos exemplares: são fortes, saudáveis, bem-alimentados, têm sucesso na profissão — sucesso que é traduzido em reconhecimento social e poder econômico —, são excelentes pais, filhos e maridos, vivem cercados de pessoas bonitas, interessantes e ricas. Como não mitificá-los? 

Até a novela, ao trabalhar a luta entre o Bem e o Mal, está lidando com valores míticos, pré-reflexivos, que se encontram dentro de todos nós. Aliás, nas novelas, o casamento também é transformado em mito: é o grande anseio dos jovens enamorados, é a solução de todos os problemas, o apaziguamento de todas as paixões e conflitos. Por isso quase todas terminam com um verdadeiro festival de casamentos. 

Só que os astros transformados em mito são heróis sem poder real: têm somente poder simbólico no imaginário da população. 

E as festas de formatura, de Ano Novo, os trotes dos calouros, o baile de quinze anos, não são em tudo semelhantes aos rituais de passagem? Da morte de um estado e passagem para outro? 

Assim, vemos que mito e razão se complementam nas nossas vidas. Só que o mito de hoje, se ainda tem força para inflamar paixões, como no caso dos astros, dos políticos ou mesmo de causas políticas ou religiosas, não se apresenta mais com o caráter existencial que tinha o mito primitivo. Ou seja, os mitos modernos não abrangem mais a totalidade do real. Podemos escolher um mito da sexualidade (Madonna, talvez?), outro da maternidade, ou-tro do profissionalismo, sem que tenham de ser coerentes entre si. Sem que causem uma revolução em toda nossa vida. Assim como houve uma especialização do trabalho, parece que houve uma especialização dos mitos. De qualquer forma, como mito e razão habitam o mesmo mundo, o pensamento reflexivo pode rejeitar alguns mitos, principalmente os que veiculam valores destrutivos ou que levam à desumanização da sociedade. Cabe a cada um de nós escolher quais serão nossos modelos de vida. 


Referência Bibliográfica - extraído da obra ARANHA Maria Lúcia de Arruda, MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2.ed. São Paulo: Moderna, s.d. p. 55-61


Filoparanavai 2020

Filosofia da Ciência: CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

A ciência - O que é ciência 


O carbúnculo, doença infecciosa provocada por bactéria, trazia inúmeros prejuízos aos criadores de gado quando, em 1881, o francês Louis Pasteur se ocupou com o assunto. Levantou a hipótese de que os animais poderiam ser imunizados caso fossem vacinados com bactérias enfraquecidas de carbúnculo. Separou então sessenta ovelhas da seguinte maneira: em dez não aplicou nenhum tratamento; vacinou duas vezes as outras 25, e após alguns dias lhes aplicou uma cultura contaminada por carbúnculo; não vacinou as 25 restantes, mas inoculou a cultura contaminada. Depois de algum tempo, verificou que as 25 ovelhas não-vacinadas morreram, as 25 vacinadas sobreviveram e, comparadas com as dez que não tinham sido submetidas a nenhum tratamento, ficou constatado que a vacina não lhes prejudicara a saúde. 

O método científico 
O exemplo clássico de procedimento científico das ciências experimentais acima referido nos mostra o seguinte: inicialmente, há um problema que desafia a inteligência humana; o cientista elabora uma hipótese e estabelece as condições para seu controle, a fim de confirmá-la ou não. Mas nem sempre a conclusão é imediata, como no caso citado, sendo necessário repetir as experiências ou alterar inúmeras vezes as hipóteses. A conclusão é então generalizada, ou seja, considerada válida não só para aquela situação, mas para outras similares. Além disso, quase nunca se trata de um trabalho solitário do cientista, pois, hoje em dia, cada vez mais as pesquisas são objeto de atenção de grupos especializados ligados às universidades, às empresas ou ao Estado. De qualquer forma, a objetividade da ciência resulta do julgamento feito pelos membros da comunidade científica que avaliam criticamente os procedimentos utilizados e as conclusões, divulgadas em revistas especializadas e congressos. 

A ciência busca compreender a realidade de maneira racional, descobrindo relações universais e necessárias entre os fenômenos, o que permite prever acontecimentos e, consequentemente, também agir sobre a natureza. Para tanto, a ciência utiliza métodos rigorosos e atinge um tipo de conhecimento sistemático, preciso e objetivo. 

Questões sobre o método 
Em tese, o método experimental se caracteriza pelas seguintes etapas: observação, hipótese, experimentação, generalização (lei e teoria). Mas, na prática, o processo não se realiza necessariamente nesta ordem, podendo variar conforme as circunstâncias. Alguns pensadores chegam até a afirmar que os cientistas não seguem propriamente normas metodológicas, por não serem elas de fato verdadeiros instrumentos de descoberta. Mesmo não levando em conta tal posição extrema, é preciso realçar alguns aspectos sujeitos a discussão. Por isso vamos analisar cada etapa. Método vem de meta, "ao longo de", e hodós, "via, caminho". É o percurso que se segue na investigação da verdade, a fim de se alcançar um fim determinado. Na ciência, o método consiste na estrutura racional que permite a formulação e verificação das hipóteses.

Observação e hipótese 
Não é adequado pensar que a ciência começa seu trabalho pela observação dos fatos, só realizando a seleção de dados em fase posterior. Pois são tantos os fatos, que devemos selecionar os mais relevantes; mas como considerar a relevância de um fato, a não ser que já tenhamos algumas hipóteses preliminares que orientem nosso olhar? 

Por exemplo, ao investigar as prováveis causas da Aids, o que deve o pesquisador observar? Evidentemente ele já deve ter de antemão critérios que o auxiliem nessa busca, caso contrário a pesquisa será cega, sem objetivo e destinada ao fracasso. 

Portanto, observação e hipótese se acham sempre relacionadas de maneira recíproca. Se de início a hipótese orienta a seleção dos fatos, em outro momento mais avançado da pesquisa, já tendo sido feito o levantamento dos dados, ela tem o papel de reorganizar os fatos, dando-lhes uma interpretação provisória como proposta antecipada de solução do problema. 

Há muita lenda em torno de qual seria a fonte da hipótese. As pessoas tendem a fantasiar a respeito do ato criador, e imaginam o "cientista genial" fazendo descobertas espetaculares com um passe de mágica. É bem verdade que a formulação da hipótese aproxima o cientista do artista, pois existe intuição e "iluminação súbita" (insight) nas descobertas científicas. Mas não convém exagerar este aspecto, pois sem dúvida ele é precedido por longo trabalho e rigorosa elaboração conceituai, sem o que os "clarões" talvez nem ocorressem ou se dispersassem no vazio. Além disso, para ser científica, a hipótese precisa ser verificada e confirmada pelos fatos e validada pela comunidade intelectual. 

A confirmação da hipótese 
A verificação da hipótese pode ser feita de inúmeras maneiras, dependendo das técnicas disponíveis e também do tipo de ciência. Por exemplo, em astronomia, a confirmação só pode ser feita mediante nova observação dirigida pela hipótese. Também são específicas as formas de verificação de hipóteses referentes à evolução das espécies, à origem do universo ou a um determinado período da história humana. Algumas ciências têm condições de controle mais rigoroso por meio da experimentação. Diferentemente da observação, feita nas condições apresentadas naturalmente, a experimentação é a verificação dos fenômenos em condições determinadas pelo experimentador. 

A importância da experimentação é que ela se faz em condições privilegiadas, permitindo a repetição, variação das condições de experiências e simplificação dos fenômenos, o que torna o controle da investigação mais rigoroso. 

A possibilidade de mensuração e a utilização de instrumentos dão maior precisão à ciência, pois permitem transformar as qualidades em quantidades. Por exemplo, o som é medido em decibéis, a temperatura é verificada na coluna de mercúrio, o peso é indicado pelo movimento da agulha na balança, o que supera as avaliações puramente subjetivas e imprecisas. 

Existe portanto uma reciprocidade entre técnica e ciência, pois, se a técnica é condição de aperfeiçoamento da ciência, por sua vez o desenvolvimento cientifico tem provocado rápida evolução da tecnologia: se os estudos de ótica permitem melhorar os microscópios e telescópios, outros mundos se abrem diante do olhar humano por meio de instrumentos cada vez mais precisos. 

No entanto, a possibilidade de utilização da matemática e da técnica varia conforme as ciências. A física é altamente "matematizável", o que não acontece com as ciências humanas. Embora possam, em algumas circunstân-cias, recorrer às estatísticas, é preciso reconhecer que nem sempre isso é possível (voltaremos ao assunto mais adiante). 

Generalização 
Se a hipótese não for confirmada pela experimentação, o trabalho deve ser recomeçado. Mas, caso o resultado seja positivo, é possível fazer generalizações ou formular leis pelas quais são descritas as regularidades dos fenômenos. 

A grande força do método científico reside na possibilidade de descoberta das relações constantes e necessárias entre os fenômenos, o que permite a previsibilidade e portanto o controle sobre a natureza. 

As leis podem ser de dois tipos: generalizações empíricas e leis teóricas. 

As generalizações empíricas, ou leis particulares, resultam da observação de casos particulares. Por exemplo, "o calor dilata os corpos", "o fígado tem função glicogênica", ou ainda a lei da queda dos corpos, a lei dos gases e assim por diante. 

As leis teóricas ou teorias propriamente ditas são leis mais gerais e abrangentes que reúnem as diversas leis particulares sob uma perspectiva mais ampla. É o caso da gravitação universal de Newton, que engloba as leis planetárias de Kepler e a lei da queda dos corpos de Galileu. A teoria da relatividade de Einstein e a teoria evolucionista de Darwin são outros exemplos. 

Apesar do rigor do método, não é conveniente pensar que a ciência é um conhecimento certo e definitivo, pois ela avança em contínuo processo de investigação que supõe alterações e ampliações necessárias à medida que surgem fatos novos, ou quando são inventados novos instrumentos. 

Por exemplo, nos séculos XVIII e XIX, as leis de Newton foram reformuladas por diversos matemáticos que desenvolveram técnicas para aplicá-las de maneira mais precisa. No século XX, a teoria da relatividade de Einstein desmentiu a concepção clássica de que a luz se propaga em linha reta. A hipótese de que os raios luminosos que passam próximo do Sol sofreriam um desvio foi confirmada por observações durante o eclipse solar de 1919. 

Isso serve para mostrar o caráter provisório do conhecimento científico, sem no entanto desmerecer a seriedade e o rigor do método e dos resultados. Ou seja, as leis e as teorias continuam sendo de fato hipóteses com diversos graus de confirmação e verificabilidade, podendo ser aperfeiçoadas ou superadas. 

DROPES 
Fazemos a ciência com fatos, como fazemos uma casa com pedras; mas a acumulação de fatos não é ciência, assim como um monte de pedras não é uma casa. (Poincaré.) 

Devemos considerar o estado presente do universo como o efeito de seu estado anterior e como a causa daquilo que vai seguir-se. Uma inteligência que, por um instante dado, conhecesse todas as forças de que a natureza é animada e a situação respectiva dos seres que a compõem, englobaria na mesma fórmula os movimentos dos maiores corpos do universo e os do mais leve átomo; nada seria incerto para ela, e o futuro, como o passado, seria presente a seus olhos. (Laplace.) 

A ciência se empenha em eliminar tudo o que nela for puramente pessoal. Procura remover tudo o que for único no cientista, individualmente considerado: recordações, emoções e sentimentos estéticos despertados pelas disposições de átomos, as cores e os hábitos de pássaros, ou a imensidão da Via Láctea. (Kneller.) 

Referência Bibliográfica - extraído da obra ARANHA Maria Lúcia de Arruda, MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2.ed. São Paulo: Moderna, s.d. p. 95-100

Filoparanavai 2020