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sábado, 11 de novembro de 2017

EU SOU BRANCO E APOIO 100% A LUTA DA POPULAÇÃO NEGRA BRASILEIRA: Contra o Racismo e contra as desigualdades sociais e econômicas.

Quando teremos uma 
"Comissão Internacional da Verdade" 
sobre a escravidão de africanos no Brasil? 





Faz 129 anos (13 de Maio de 1888) e ainda sofremos as consequências: desigualdades sociais e econômicas atingem a população negra como um todo e o Racismo continua a machucar as almas de milhões de afro-brasileiros. Quase 400 anos de escravidão, em torno de 10 milhões de escravos para mais (já que eram os brancos europeus que contavam - quem acredita neles?). 

Sequestrados em suas terras, tratados como animais, transformados em mercadorias; torturados, prisioneiros, imposição do credo cristão (contraditório?). Será que Jesus aceitaria isto em sã consciência evangélica?); descartados quando não eram mais interessantes para os proprietários (expectativa de vida de um negro escravo = em média 40 anos); um verdadeiro CRIME CONTRA A HUMANIDADE. 

Quando os negros brasileiros serão INDENIZADOS? 

Quando os brancos escravocratas serão punidos? 

E Deus? Do lado de quem esteve nestes mais de 500 anos? E a Igreja Católica era do lado dos negros ou dos brancos? Nenhum negro clamou a Deus por sua vida ou pelas vidas de irmão africanos? Deus não escutava os gritos de sofrimentos que vinham de centenas, milhares, de escravos a partir dos salões de torturas ou dos pelourinhos públicos? Por que o mal parece ser mais forte sempre? Jesus teria se iludido com uma utopia ao revelar um Deus apaixonado pelos mais pobres, mais fracos? 

"Consciência negra" é apenas para os negros? BRANCOS E NEGROS UNIDOS PELO FIM DO RACISMO E POR IGUALDADE SÓCIO-ECONÔMICA PARA O POVO BRASILERO, sem discriminações! 

Eu só penso...😢







Você pode se interessar:

Movimento Negro Brasileiro: alguns apontamentos históricos

http://www.scielo.br/pdf/tem/v12n23/v12n23a07

Organização social e política dos povos indígenas
https://drive.google.com/file/d/0B-bN_VcOFNMMQm5WcHM5Xy1pQUk/view

Os índios Xetá
http://www.museuparanaense.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=111

Organização social e política indígena
https://pib.socioambiental.org/pt/povo/guajajara/541

Organização religiosa dos indígenas
https://pib.socioambiental.org/pt/povo/guarani-mbya/1293

Indígenas Kaingang
https://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaingang/288

Consciência Negra livre de machismo
http://www.revistaforum.com.br/digital/173/consciencia-negra-livre-de-machismo/

Consciência Negra
https://www.geledes.org.br/consciencia-negra-por-que-pra-que-e-de-comer/

Racismo Institucional
http://racismoinstitucional.geledes.org.br/entenda-o-que-e-ri/

Genocídio e juventude negra
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/06/08/em-relatorio-cpi-apresenta-sugestoes-para-acabar-com-genocidio-da-juventude-negra

Violência e Racismo
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/violencias/violencia-e-racismo/

Quantos homens e mulheres a Igreja Católica matou na Idade Média??? Quantos e quantas continua a matar hoje?


Quando teremos uma "Comissão Internacional da Verdade" mista, religiosa e laica, para investigar as milhares ou milhões de mortes decretadas pela cúpula da Igreja Católica, durante mil anos de Idade Média? Precisamos da verdade! Seus representantes torturavam as vítimas, realizavam julgamentos sumários, forçavam conversões e aprovavam sentenças de morte, sendo a fogueira pública a principal forma de assassinato. 

A Igreja Católica apresentou na década de 1990 estudos feitos por gente dela mesma afirmando que matou-se menos que dizem os livros de história. Isto é tripudiar da inteligência das pessoas. Seria a mesma coisa que uma raposa encomendasse estudos a outras raposas para demonstrar que comeu menos galinhas e mais maçãs em um ano todo. O então papa JoÃo Paulo II pediu perdão pelas atrocidades cometidas. E tudo bem? Amém? 

Onde estava Deus? Do lado de quem? Dos inocentes silenciados ou da Igreja que silenciava? Foi a "Inquisição Protestante" mais "doce" que a Católica? 

Eu só penso... 😢

Por onde esteve Deus durante a "Ditadura Militar"? Por onde anda Deus no dias de hoje, durante o GOLPE dos riscos e corruptos que ceifa vidas de milhões de brasileiros e brasileiras?

O Nazismo matou em torno de 11 milhões de inocentes, em média 1 milhão por ano. Torturava suas vítimas ao sofrimento extremo e disseminava o ódio e o medo pelo mundo desde a Alemanha. 

Por que Adolf Hitler viveu tanto tempo a fim de fazer tanto mal (11 anos no poder /1934 até 1945)? O Nazismo ainda sobrevive? Onde estava Deus? Nenhuma vítima orou por sua vida ou pelas vidas de seus irmãos? Deus estaria surdo? Do lado de quem estava Deus? 

Eu só penso... 😢

A FILOSOFA JUDITH BUTLER E A EXPOSIÇÃO DA IGNORÂNCIA DE GRUPOS RELIGIOSOS "FACISTAS"




Grupos ultraconservadores, carregados de moralismo sexual religioso e defensores da família nuclear patriarcal e heterossexista, ligados ora à Igreja Católica, ora às igrejas de tendências protestantes, neopentecostais e outras, disseminam nas redes sociais e entre os fiéis dessas denominações, ideias de que exista uma chamada "IDEOLOGIA DE GÊNERO" que, para eles, seria a apologia a aberrações como pedofilia, zoofilia, destruição da família, e outros besteróis que saem das bocas e das mentes dessa gente de intelecto muito curto, de pouco estudo, e ainda de uma cultura medieval. 

A inimiga deles já foi eleita! É a grande e renomada internacionalmente, filosofa Judith Butler. A filosofa é a maior referência que temos hoje na luta contra o machismo, contra a homo-lesbo-transfobia. Na verdade, como a própria filosofa já falou em algum momento, essas pessoas têm horror às mudanças, ficaram paradas no tempo e que tempo... no Medieval, eu concluo.



Os componentes desses grupos chegaram a interferir nas votações legislativas sobre o Plano Nacional de Educação, Federal e nos Estaduais e Municipais. Não possuem o mínimo de argumentos acadêmicos. Fazem um discurso carregado de medievalismo, portanto, moralista; carregado de crenças-fanatismos e quando não, atacam fisicamente as pessoas como aconteceu esta semana em um aeroporto de São Paulo, por onde transitava a filosofa Butler. Infelizmente o Congresso, as Assembleias Estaduais e as Câmaras de Vereadores, que nada ou pouco entendem de educação, cederam por interesses políticos, a essa gente abestalhada.

Se existe realmente uma "ideologia de gênero",  é aquela que construiu ao longo do tempo a hierarquização de gênero que bem conhecemos e que é fonte de toda a violência sofrida pelas mulheres e pessoas trans e homossexuais nos dias atuais. 

Sou da ideia ainda de que esse conceito "Ideologia de Gênero" tenha sido adotado de algum "dicionário" medieval contra quem quer que se colocasse, naquele período de trevas, à cultura sanguinária católica que levou milhões de homens e mulheres à morte por se oporem às suas verdades!

Se em algum momento foi ensinado "ideologia de gênero" na escola, podemos afirmar que foi algo sempre presente e contra o qual devemos lutar: sempre aprendemos nos bancos escolares uma cultura machista, patriarcal, e misóginica. 

É contra isto que Butler se coloca. Ninguém pode ensinar alguém a ser homem ou mulher, hetero ou gay, até porque isto é impossível. Devemos lutar sim por uma sociedade que permita a liberdade da autoconstrução e a existência das diferenças, promovidas de forma justa e equitativa.


ASSISTA AO EVENTO DE 06 DE NOVEMBRO DE 2017: Em evento organizado pela Unifesp, o Instituto de Cultura Árabe e a editora Boitempo, Judith Butler realiza o lançamento do seu novo livro CAMINHOS DIVERGENTES. AVANCE O VÍDEO PARA 5 MINUTOS E 30 SEGUNDOS.


APROVEITE A SEGUINTE CONFERENCIA PARA COMPREENDER UM POUCO MAIS: Preconceito contra minorias, feminismo, homofobia. O que temos a ver com isso? Qual a diferença entre sexo, sexualidade, gênero e identidade de gênero? Há quanto tempo a sociedade discute estes conceitos? O quanto avançamos? O que ser normal? Palestrante: Judith Butler | Mediação: Vladimir Safatle

 





Um pequeno guia ao pensamento, 
aos conceitos e à obra de Judith Butler:  
Aliás, a TV brasileira produz muito pouca coisa boa. Mas uma dessas coisas, é o programa que selecionei do "Casos de Família", da Rede SBT de Televisão. No programa, temos uma definição clara, a partir de sujeitos trans, daquilo que é a transexualidade. Diferenciação perfeita sobre ser transgênero e orientação sexual. Ter direito a ser diferente! Só disso que a humanidade precisa! Mais conhecimento, menos preconceito e discriminação! Mais amor!

V-E-R-D-A-D-E ...



O que é o pior destes dois extremos? 
A droga que 
marginaliza socialmente e aliena 
ou a religião 
que explora $, fanatiza e aliena? 

 K. Marx 
(Adaptado)

V-E-R-D-A-D-E ...

E o homem fez Deus 
à sua imagem e semelhança 
e a humanidade busca destruir.

Ludwig Andreas Feuerbach (Adaptado)

Os "coxinhas" pariram a plutocracia e a cleptocracia brasileira atual !!!

Toda família 🍗 tem ao menos um coxinha. O que é um coxinha?  Tendo a sua origem em São Paulo, a palavra coxinha quase sempre tem um sentido depreciativo e indica um indivíduo conservador, que é politicamente correto e que se preocupa em adotar comportamentos que são aceites pela maioria das pessoas. Portanto, aqui, coxinha é um sujeito despolitizado, alienado, manipulado, de ideologia assimilada da direita, quase sempre moralista e atinge às vezes a característica de facista identificando-se com pessoas como o deputado condenado três vezes pela justiça brasileira pelos crimes de misoginia, racismo e homofobia, é aquele típico pobre de direita que gritou "Fora Dilma", foi fazer passeatinhas aos domingos vestido de verde e amarelo, apareceu nas telas de TVs golpistas e é o responsável pela ascensão dos corruptos, facistas, ao poder! Agradeça aos coxinhas toda a desgraça que se abate sobre o povo brasileiro! Mas. em toda família tem gente politizada como o Sr. Valter,  abaixo no vídeo, também!

domingo, 22 de outubro de 2017

Espero que morrer seja tão bom quanto viver

"Quem ensinasse os homens a morrer, os ensinaria a viver" Do Filósofo M.Montaigne (1533-1592)






A morte não é simples acontecimento biológico, ela é sobretudo simbólica. As coisas aparecem e desaparecem. Somente o homem vive e morre. "Quem não souber morrer bem terá vivido mal”, afirmou um dia o filósofo Sêneca.


MORTE e SOLIDÃO... Uma de nossas maiores dificuldades, nesta Escola da Vida, é aprender a conviver com a morte... Não demora para começarmos a fazer a experiência de conviver com as ausências de pessoas que eram muito presentes em nossas vidas...


Diante de um caixão, em um funeral de alguém querido... Sempre divagamos em nossos pensamentos com um esforço enorme de raciocínio em busca de respostas para questões que não se calam e, que por isso mesmo, geralmente ninguém tem respostas apaziguadoras para elas e, ainda, muito menos, conseguimos estas respostas que nos deem por satisfeitos.

A morte nos deixa perplexos. É uma experiência que todo homem desejaria não fazer, mas a única certeza que temos é que todos por ela passaremos...

Somos uma incógnita que nos torna por demais esdrúxulos... De onde a gente veio e para onde iríamos??? Quem terá passado por este mundo sem fazer essas perguntas, pelo menos, a si mesmo? Teorias científicas e explicações religiosas temos aos montes e brigas entre elas não faltam.


Porém... A certeza que fica... Nenhuma delas explica nada... Todas são verdadeiras e ao mesmo tempo nenhuma, tudo fica restrito ao campo da crença. E cremos no desconhecido, cremos naquilo que não podemos provar - pois quem passa pela experiência não retorna para produzir um material científico.

Logo, só posso esperar pela minha própria experiência da morte. Mas para fazê-la espero antes poder fazer uma profunda experiência da vida.

Há pessoas que perdem tempo com ideais egoístas e deixam de lado os ideais coletivos que deveria ter para torna-se profundamente humanizado. O individualismo cultural no qual nos encontramos imersos apenas nos faz entrar em um processo de auto desumanização. Quando perdemos a capacidade de sonhar e deixamos de lutar pelos sonhos coletivos ficamos no meio termo nem vivemos e nem morremos.

Pois quem morre sonhando e lutando por ideais coletivos vive e morre dentro de um ciclo interminável do morrer e viver. Quando partimos, só deixamos para trás aquelas experiências boas que nos tornarão presentificados para todo o sempre.

Ao final de tudo só restará o BEM... Só o Bem será lembrado, eternizado!!! 

Quanto ao quesito relativo ao “para onde vamos”, eu também particularmente me contento, mais uma vez, com minha Fé de que saímos das mãos de Deus e que para elas voltaremos... 
 
O depois da morte biológica pode ter muitas explicações religiosas... Tantas quantas doutrinas religiosas possam existir neste mundo... Cada qual a seu gosto. Porém, não creio nestas explicações e nem acredito que elas sejam importantes; pois que o essencial é mais simples do que possamos imaginar conforme já refletimos... 

Prefiro me contentar com a certeza de que quero voltar paras as mãos do meu Criador. Vivo aqui para contribuir com uma humanidade mais humanizada - isto é o essencial, sonhar e lutar por um mundo mais e cada vez mais justo; defender a vida sempre e em todas as oportunidades e por todas as formas que minhas limitações humanas possam permitir, sou (somos) criatura do Criador e co-criador (es) com Ele...

Cedo ou mais tarde, ela, nossa irmã morte, virá ao nosso encontro. Assim como viver precisamos aprender a morrer... Porque, viver e morrer são realidades simbólicas: são significações e possuem sentido e fazem sentido... Michel MONTAIGNE, em seu ensaio “Que filosofar é aprender a morrer” escreve: “(...) Qualquer que seja a duração de nossa vida, ela é completa. Sua utilidade não reside na quantidade de duração e sim no emprego que lhe dais. Há quem viveu muito e não viveu... (...)”.

A morte coloca-nos diante da grande verdade de todos nós... Somos finitos neste mundo. Há pessoas que se apegam tanto aos seus projetos de vida largamente ambiciosos - dinheiro, poder, aparência - que se esquecem deste detalhe. Aprender a viver e morrer é um desafio para todos nós diz Montaigne...



Conheci, já durante os seus últimos meses de vida, no final dos anos 90 – em Curitiba, um garoto de 7 anos, com leucemia que foi morar em frente de casa e, em seus últimos quatro meses de vida - Ricardo já estava sem os olhos e completamente deformado pela doença, me tornei seu melhor amigo, como ele mesmo dizia...Passava horas e horas com ele, lia livros de historinhas infantis e gibis para amenizar seu sofrimento.


Um dia no quarto do hospital ele indagou sua mãe porque ela insistia tanto em continuar chorando escondida dele. Ao que, ela o abraçou e ele lha disse que a morte não iria jamais pôr um fim no amor que os unia... Ele só tinha 7 anos... Então entendi... Montaigne tinha razão...

Morrer é um ato solitário. Quem morre, morre sozinho, quem fica... Permanece com os de sempre. Mesmo morrendo sozinho, quem morre, recebe o carinho pela rápida passagem do elemento corporal físico e já sem vida ali diante dos olhos dos que ficaram.


Após uma vida cheia de relações intersubjetivas resta neste gesto de carinho a expressão de agradecimento... Quem parte deixa as lições de vida que soube imprimir em vida... Será lembrado pela capacidade que teve de amar e de expressar esse amor em suas relações.

A morte põe um fim aos gestos e sentimentos egoístas e se a pessoa não tiver como legado o AMOR para deixar aos seus, então sua morte acaba com os torrões de terra sobre o caixão. Este sim, um triste fim. A morte é dolorosa... É uma dor envolta na solidão. Quem sofre a perda de um ente querido sofre uma dor única e que, não se repete... Ela é intraduzível.

Morte e Solidão se entrelaçam de tal forma que a solidão no ato simbólico da morte atinge quem morre e ao mesmo tempo quem fica. No entanto, morrer não é um ato simbólico próprio do fim de uma vida toda... Aprender a morrer para tudo que não simboliza vida – como preconceitos, maledicências em relação a vida de nosso próximo, evitar a prática do mau em detrimento de nosso próximo, etc...

Ser solidário, não desistir nunca de praticar o Bem, se alegrar com o sucesso de um próximo - nos ensinará que o morrer como acontecimento biológico ao final de nossa vida, é apenas uma passagem para aquilo que o Criador preparou para nós... Morrer é um aprendizado. Morre-se para o egoísmo, para a alienação, mas nunca morre-se para o amor. Tudo passa, o amor fica.


Não vale a pena perder tempo com coisas pequenas, não vale a pena se apegar a bens materiais nesta vida sem o espírito da partilha e da solidariedade gratuita e verdadeira... Não importa o que seja e nem como seja aquilo que o Criador preparou para cada um de nós, o que importa é saber que o BEM pode ser sinônimo de eternidade e de uma eternidade que também pode ser sinônimo de felicidade...






Tudo no Universo Converge para a Morte. Para o eterno ela tudo atrai e tudo para ela converge.
 
Poema de autoria prof. Lucio LOPES (um dia sem nada fazer e em divagações filosóficas brotou este poema que transcrevo aqui)_atualizado em 03.08.2017

MORTE REDARGUENTE...

Dia que se vai noite que chega, crepúsculo indesejável anuncia: para além da casca, para além das máscaras – noites dantes desejadas e tão bem vivenciadas, era não mais que o teatro de uma vida, que agora evasiva, gostaria não mais que longe ficar de uma dor que parece eterna, existência confrontada com gritos sem ecos...

Morte, morte redargüente ... agora é a hora de sua sorte... Deserto, deserto escuro, deserto sem norte, deserto sem Lua, no frio que congela a espinha... a esperança ressequida de que ninguém vai ninguém vem, sentidos errante sem sentido... sombra refletida na loucura, pura alucinação para quem a luz é um luxo ao preço que não se pode pagar...

Espada mortal, espectro carregado da percepção sinistra que não tem cor ao gosto de um dia: cinzento, nublado, frio, inundado de dor – dor latejante sem intervalos respeitar, que sangra... que mina as saudades das cortinas fechadas de um teatro da vida...

A morte... ela é bela, ela é terna, ela é forte; até impiedosa... verdade, se cala na escuridão do deserto, redargüente ela tem a paciência de quem é eterna; entre a vida, teatro que se passa em uma peça e sua eternidade, há mistérios infindáveis a serem descobertos.

Esperar... esperei, gritar... gritei, chamar... chamei... Esperei, chorei, gritei, me desesperei, chamei e nada escutei... Para a morte tudo é eterno... Certeza apenas aquela de que não foi mais uma noite que na noite, a noite de mim mesmo na noite... e como isso sangra e é cruel, pois apesar de nada mudar, urge levantar pra mais um capítulo do teatro vivenciar, mesmo sabedor que o crepúsculo da noite para o dia torna-se sinistro ao anunciar, mais uma vez, que a morte tarda, mas vem...




Filoparanavai 2017

DILMA ROUSSEFF, PRIMEIRA MULHER PRESIDENTA


Dilma guerreira do povo brasileiro!

VÍDEO: "EU ODEIO A CLASSE MÉDIA"

Quem ainda não assistiu,assista! A fala é de 2013, mas o conteúdo continua mais atual do que nunca em nosso contexto brasileiro de golpe, de plutocracia (Estado Mínimo), de cleptocracia, de Classe Média coxinha dominada pela mídia a serviço dos golpistas. O cenário político em que Chauí falava era de prosperidade sob os governos Lula-Dilma, para a classe trabalhadora. Hoje, 2017, o cenário é de desolação e retrocessos com perda de direitos, volta da pobreza e miséria. 

"Professora titular do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), Marilena Chauí informa que existem duas classes no capitalismo [Burguesia e proletariado/classe trabalhadora]. Para ela, a classe média não teria função econômica, mas ideológica. “Como correia de transmissão das ideologias das classes dominantes. Até intelectuais pertencem, hoje, à classe trabalhadora”, dispara. “Técnica e ciência viraram forças produtivas”, analisa. A antiga classe média está apavorada, porque pela escolaridade ela não se distingue, provoca. “Pela profissão, menos ainda, ”atira. Ela está perplexa com a entrada da classe trabalhadora na sociedade de consumo, insiste. “Qualquer um pode andar de avião. Não tem mais distinção nenhuma”, ironiza. Cáustica, a ex-secretária de Cultura da Prefeitura Municipal de São Paulo (1989-1992), sob a gestão de Luiza Erundina, define a classe média como “conservadora e autoritária”. 
LEIA MATÉRIA COMPLETA AQUI.


FILOSOFIA POLÍTICA: Que bom se os corruptos morressem todos de repente!

Que bom se os corruptos morressem todos de repente... Eu diria que outros corruptos renasceriam de seus descendentes. Para mudar a política precisamos estudar, compreender a conjuntura política ditada pelo Sistema Capitalista. A corrupção e o lucro é a alma de um sistema capitalista que aprofunda desigualdades sociais desumanas. O positivo da música de Gabriel é justamente que nos provoca a refletir sobre os rumos da política no Brasil... 



Todo mundo bateu palma quando o corpo caiu
Eu acabava de matar o presidente do Brasil
A criminalidade toma conta da minha mente
Achei que não teria que fazê-lo novamente
Mas tenho pesadelos recorrentes, 
o Temer na minha frente
E eu cantando: Tô feliz, matei o presidente
Fantasmas do passado, 
dos meus tempos de assassino
Quando eu matei o outro, 
eu era apenas um menino

Agora, palestrante, autor de livro infantil
Não fica bem matar o presidente do Brasil
Mas a vontade é grande, tá difícil segurar
Já sei, vamo pra DP, vou me entregar
Chama o delegado, por favor
Sou Gabriel O Pensador
O homem que eles amam odiar
Cantei FDP, Pega Ladrão, Nunca Serão
Agora Chega! 
Até Quando a gente vai ter que apanhar?
Porrada da esquerda e da direita
Derrubaram algumas peças, 
mas a mesa tá difícil de virar
Anota o meu depoimento 
e me prende aqui dentro
Que eu não quero ir pra Brasília 
dar um tiro no Michel
Aí, que maravilha! 
Mata mesmo esse vampiro
Mas um tiro é muito pouco, 
Gabriel 
Mata e canta assim

Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz
Hoje eu tô feliz, matei o presidente
Hoje eu tô feliz, matei o presidente
Matei o presidente, matei o presidente
Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz
Hoje eu tô feliz, matei o presidente
Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Matei o presidente, matei o presidente
Fiquei até surpreso quando correu a notícia
E a polícia ofereceu apoio pra minha missão
Ninguém vai te prender, policial também é povo
Já matamo presidente, irmão, vai lá e faz de novo
Que é isso?! Eu sou da paz, detesto arma de fogo
Deve ter outro jeito de o Brasil virar o jogo
Que nada, Pensador! 
Vai lá e não deixa ninguém vivo
Se é contra arma de fogo, 
vai no estilo dos nativos
Invade a Câmara e pega os sacanas distraídos
Com veneno na zarabatana, bem no pé do ouvido
Em nome da Amazônia desmatada
Leva um arco e muitas flechas e 
finca uma no coração de cada
Cambada de demônio; 
demorou, manda pro inferno
Já tão todos de terno, e pro enterro vai facilitar
Envia pro capeta com as maletas de dinheiro sujo
De sangue de tantos brasileiros e vamos cantar

Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz
Hoje eu tô feliz, matei o presidente
Hoje eu tô feliz, matei o presidente
Matei o presidente, matei o presidente
Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz
Hoje eu tô feliz, matei o presidente
Hoje eu tô feliz, matei o presidente
Matei o presidente, matei o presidente

Áudio e vídeo divulgados, crime escancarado
Mas nem é julgado
Já tinha comprado vários deputados
Fora o foro privilegiado
Então mata o desgraçado
Na comemoração tem a decapitação
Cabeça vira bola e a pelada vai rolar (Chuta!)
Corta a cabeça dele sem perdão
Que essa cabeça rolando vale mais do 
que o Neymar

(É Pensador, é Pensador, é Gabriel O Pensador
É Pensador, é Pensador, é Gabriel O Pensador)

Fácil, um tiro só, bem no olho do safado
E não me arrependo nem um pouco do que eu fiz
Tomei uma providência que me fez muito feliz

Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz
Hoje eu tô feliz, matei o presidente
Hoje eu tô feliz, matei o presidente
Matei o presidente, matei o presidente
Matei o presidente

(Matei o presidente, matei o presidente, 
matei o presidente)
Eu não matei nem vou matar 
literalmente um presidente
Mas se todos corruptos morressem de repente
Ia ser tudo diferente, ia sobrar tanto dinheiro
Que andaríamos nas ruas 
sem temer o tempo inteiro
Seu pai não ia ser assaltado, 
seu filho não ia virar ladrão
Sua mãe não ia morrer na fila do hospital
E seu primo não ia se matar no Natal
Seu professor não ia lecionar sem esperança
Você não ia querer fazer uma mudança de país?
Sua filha ia poder brincar com outras crianças
E ninguém teria que matar ninguém pra ser feliz
Hoje, estar feliz é uma ilusão
E é o povo desunido que se mata por partido
Sem razão e sem noção
Chamando políticos ridículos de mito
E às vezes nem acredito num futuro mais bonito
Quando o grito é sufocado 
pelo crime organizado instituído
Que censura, tortura e fatura em cima da desgraça
Mas, no fundo, ainda creio no poder da massa
Nossa voz tomando as praças, encurtando 
as diferenças
Recompondo essa bagaça, quero é recompensa
O Pensador é contra violência
Mas aqui a gente peca por excesso de paciência
Com o rouba, mas faz dos verdadeiros marginais
São chamados de Doutor e Vossa Excelência

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A REPÚBLICA DE PLATÃO E SEU VALOR INERENTE NA HISTÓRIA DA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO HUMANO...

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A República de Platão
Artigo para ampliar estudos
Texto de Simon Blackburn



Se é que alguns livros mudam o mundo, a República pode bem reivindicar o primeiro lugar. É habitualmente considerada a realização suprema de Platão como filósofo e escritor, brilhantemente suspensa entre os primeiros diálogos zetéticos e inconclusivos e as especulações cosmológicas e dúvidas menos impositivas dos mais tardios. No decurso dos séculos foi provavelmente objeto de mais comentários e sujeito a críticas mais radicais e apaixonadas do que a grande maioria dos outros grandes textos fundadores do mundo moderno. Na realidade, a história das interpretações deste livro constitui, por si mesma, uma disciplina acadêmica, com capítulos de especialistas sobre quase todos os episódios da história da religião e da literatura nos últimos dois mil anos, e até mais. Para mencionar apenas os poetas ingleses mais importantes, há livros integralmente dedicados ao platonismo em Chaucer, Spenser, Shakespeare, Milton, Blake, Shelley e Colleridge, para referir apenas alguns, e muitos outros sobre movimentos e épocas inteiras: Platão e o cristianismo, Platão e o renascimento, Platão e a época vitoriana, Platão e o nazismo, Platão e nós mesmos. A história da influência direta de Platão na filosofia constitui por si mesma outro estudo, apimentado por nomes como Fílon de Alexandria, Macróbio, Porfírio, Pseudo-Dionísio, Eriúgena, tal como os mais conhecidos Plotino, Agostinho e Dante. Por vezes, o Platão de que se trata é o autor de outros textos, nomeadamente do inspirado Banquete ou do teologicamente ambicioso Timeu. Mas a República raramente anda longe.

Quem quer que se demore pelos vastos e silenciosos mausoléus onde se alinham os trabalhos sobre Platão e a sua influência corre o risco de sufocar. Quem quer que escreva sobre este assunto tem de ter consciência de um gigantesco e relutante auditório, composto de estonteantes hordas de espíritos fiscalizando e criticando omissões e simplificações. Muitos destes espíritos pertencem aos mais brilhantes linguistas, acadêmicos, filósofos, teólogos e historiadores das suas respectivas épocas que não vêem com bons olhos o jardim a que dedicaram as suas vidas ser espezinhado por estranhos e infiéis. E a República constitui o santo dos santos, mesmo no centro do santuário, uma vez que durante séculos foi o único tema obrigatório dos estudos filosóficos, e representou na educação desses mesmos acadêmicos a peça central e inspiradora.

Platão escreveu a sua filosofia sob a forma de diálogos, uma forma que requer diferentes vozes e o fluxo e refluxo dos argumentos. Já na antiguidade se notou que o Sócrates, que é o herói desses diálogos, e o próprio Platão são personagens intermutáveis que facilmente admitem múltiplas interpretações: "É bem sabido que Sócrates tinha o hábito de reservar o seu conhecimento ou as suas crenças; um hábito que Platão aprovava", escreveu Santo Agostinho. Uma maneira de interpretar isto é que Platão, e presumivelmente Sócrates, tinham realmente doutrinas a ensinar, mas, por qualquer razão irritante, preferiam revelá-las apenas parcialmente, um pouco de cada vez, numa espécie de striptease intelectual. Esta foi a orientação seguida ocasionalmente por comentadores tontos apaixonados pela ideia de mistérios esotéricos escondidos, acessíveis exclusivamente aos iniciados, entre os quais lhes agrada imaginar-se incluídos.

O modo correto de interpretar a observação de Agostinho é que Platão sentia que a filosofia era mais o objeto de uma atividade do que a absorção de um corpo estático de doutrina. Um processo, não um resultado. Sócrates permanece o grande educador, e aqueles que o procuravam seriam simultaneamente ouvintes e questionadores, participantes no diálogo, e teriam eles próprios de enveredar pelos labirintos do pensamento. A recepção passiva da palavra de nada valeria — este havia sido um dos erros dos adversários de Platão, os sofistas, que cobravam dinheiro por fornecer o produto que vendiam como sabedoria prática (o que nos poderia fazer pensar nas pilhas de saber vazio e literatura comercial que atafulham atualmente as livrarias). 

No final do diálogo Fedro, de Platão, Sócrates profere um discurso contra o ler filosofia como parente pobre do fazê-la. Muitos repetiram esta ideia posteriormente. Schopenhauer descreve a leitura como um mero substituto do pensar por si e prefere citar Goethe, o alemão de saber enciclopédico: "O que herdastes dos vossos antecessores, tendes primeiro de ganhá-lo por vós mesmos a fim de poderdes possuí-lo." Robert Louis Stevenson defendeu que a literatura não é senão a sombra de uma boa conversação. "A conversa é fluida, experimental, continuamente prosseguindo a busca e o progresso; enquanto as palavras escritas permanecem rígidas e tornam-se como que em ídolos até mesmo para o escritor, escamoteando o erro incontornável e fixando os dogmatismos no âmbar da verdade."

A insistência no compromisso, em Platão, vai de par com a sua adoção da forma do diálogo, em que diferentes vozes se fazem ouvir, e são as curvas e contracurvas da argumentação, mais do que uma qualquer conclusão obtida, que nos ajudam a expandir o espírito, à medida que lemos. Nesta perspectiva, a filosofia consiste na descoberta através do diálogo e argumentação ("dialeticamente"); tudo o que lermos mais tarde pode, quando muito, constituir um instrumento para recordar a compreensão obtida neste processo.

Esta concepção dramática do que Platão representa torna mais difícil de criticar. Pode-se rejeitar uma conclusão, mas é muito mais difícil rejeitar um processo de expansão imaginativa e, se levarmos a sério o paralelo com o teatro, pode parecer tão tolo como "rejeitar" o King Lear ou o Hamlet. Na realidade, o paralelismo não impede a crítica, mas encoraja-a. No decurso dos dramas platônicos, as teses são afirmadas e defendidas, os argumentos apresentados e as pessoas persuadidas. Por vezes, o drama culmina numa aparente conclusão. E em todos estes casos é apropriado perguntar-se se as teses, os argumentos e conclusões são de fato aceitáveis. Fazê-lo não é nem mais nem menos do que participar no drama e entrar na arena dialética, a atividade que Sócrates e Platão nos recomendam.

Mas Platão e a República têm os seus detratores. No quadro de Rafael A Escola de Atenas, Platão e Aristóteles ocupam ambos o centro da cena, mas enquanto Aristóteles aponta para a Terra, Platão aponta para cima, para os Céus.
Coleridge estabeleceu o mesmo contraste, dizendo que todos nascem ou platônicos ou aristotélicos, querendo significar que Platão é um místico, que se movimenta na abstração, enquanto Aristóteles é o homem empírico e prosaico que encara as coisas como se apresentam no mundo tal qual o vemos. E Coleridge prosseguiu: "Não creio ser possível que alguém que nasceu aristotélico venha a tornar-se um platônico e tenho a certeza que ninguém que nasceu platônico pode alguma vez tornar-se um aristotélico."

Muito da República pode ser lido como relativamente incontroverso, independentemente da nossa posição quanto ao conteúdo metafísico dos capítulos centrais da obra, em especial o excerto que todos recordam, o Mito da Caverna. Na melhor das interpretações, está muito longe de sugerir uma imagem visionária e romântica, fruto de êxtases e iluminações divinas. De fato, podemos dar-lhe um sentido menos enfático, e vê-lo como um apelo razoável a uma compreensão do mundo real do mesmo gênero da que, dois milênios depois, é oferecida pela ciência e pela matemática. Pode ser que Platão tenha sido terrivelmente atraiçoado pelos platônicos — um destino frequente dos grandes filósofos.

Mas há outras razões, menos doutrinais, que deviam levar-nos a considerar surpreendente a soberania da República. A obra arrasta-se infindavelmente de forma labiríntica. Longe de serem convincentes, os argumentos vão desde os menos sólidos até aos tão absurdamente frágeis que levam alguns intérpretes a negar que alguma vez tenha havido a intenção de os apresentar como argumentos. A teoria sobre a natureza humana, tal como se apresenta, é fantasiosa e pode parecer inconsistente. As suas supostas implicações políticas são fundamentalmente desagradáveis e muitas vezes chocantes. Tanto quanto Platão nos deixou um legado no domínio da política, incluem-se nele a teocracia ou governo de sacerdotes, o militarismo, o nacionalismo, a hierarquia, o conservadorismo, o totalitarismo e o completo desprezo pelas estruturas econômicas da sociedade, nascido da sua condição privilegiada de esclavagista. Na República, Platão consegue ligar-se simultaneamente ao mais rígido dos conservadorismos e à mais extrema e visionária das utopias. Ainda por cima, a teoria do conhecimento da obra é um verdadeiro desastre. A tentativa de chegar ao que aparentemente pretendia — mostrar que o indivíduo moral, e só ele, é feliz — é, em grande medida, uma sequência de passes de magia.

Mais insidiosamente, na medida em que se pode falar de um estilo estético ligado a Platão, não é algo que nos possa facilmente fascinar, a menos que estejamos demasiado impregnados dele para podermos escapar-lhe. A quinta-essência do platonismo, pelo menos em Inglaterra, encontramo-la na luminescência dourada da época vitoriana tardia e da época eduardina — o vagamente homoerótico, vagamente religioso, emocionalmente paralisado, ocioso e classista mundo dos campos de jogos, colégios caros e universidades preguiçosas, o mundo de Walter Pater ou de E. M. Forster, de literatos e estetas meio esquecidos como John Addington Symonds ou Goldsworthy Lowes Dickinson, ou meninos bonitos poetas como Rupert Brooke. Esse não é o nosso mundo. Também não é propriamente um mundo de esclavagistas, mas o capitalismo regurgita os seus próprios parasitas.

Outro aspecto igualmente chocante, aos olhos de alguns, é que, ao escrever a República, Platão atraiçoou completamente o seu mestre Sócrates. Sócrates é o primeiro e o maior dos heróis liberais, mártir da liberdade de pensamento e expressão. Para autores como John Stuart Mill e George Grote — pensadores pragmáticos, liberais e utilitaristas — esse é o verdadeiro Sócrates, o eterno espírito de reflexão, crítica e, potencialmente, de oposição ao próprio estado. Mas na República ele é apresentado como um perfeito dogmático, em completo contraste com a abertura de espírito, a paciência e o espírito inquisitivo que os seus admiradores apreciam. Aparece como porta-voz de uma sociedade repressiva, autoritária, estática e hierárquica na qual tudo até mesmo as relações sexuais e o planeamento familiar é regulamentado pelas classes políticas que, deliberadamente, usam a mentira para esse fim. No sistema social que nos apresenta, o Sócrates liberal teria sido executado muito mais expeditamente do que pela democracia ateniense. Na República, o Sócrates liberal é o porta-voz da ditadura. Ao apresentá-lo desta forma, Platão atraiçoa-se a si mesmo: ele próprio, em tempos poeta, exige agora o exílio dos poetas.

Uma obra pode ter muitos defeitos e serem-lhe perdoados se o autor se revela um exemplo de doçura e luminosidade, como acontece com a personagem literariamente criada por Platão, o Sócrates dos primeiros diálogos. Mas no caso isso não nos ajuda muito. É verdade que, no início, deve ter havido em Platão a doçura e a luz necessárias à criação do Sócrates heroico e liberal. Mas se essa figura se esfuma, como acontece na República, não há muito mais que possamos colocar no prato da balança. Sabemos muito pouco sobre Platão e o que há para saber não é, de um modo geral, atraente. Integrado no seu contexto histórico, podemos encontrar um velho azedo típico, um aristocrata desiludido, odiando a democracia ateniense, convencido de que governam as pessoas erradas, com um medo profundo da própria democracia, constantemente escarnecendo dos artesãos, agricultores e, afinal, de qualquer trabalho produtivo, desprezando radicalmente todo o anseio dos trabalhadores pela educação, e, em última análise, manifestando um apego indefectível ao regime intolerável de Esparta.

Mas, como tantas vezes em Platão, há algo que confunde essa imagem, simpaticamente revelado pela reação de Nietzsche ao fato de Platão, no seu leito de morte, ter lido Aristófanes, o autor cômico: "nada me fez meditar tanto na natureza secreta e esfíngica de Platão do que o felizmente conservado episódio de que, debaixo da almofada do seu leito de morte não havia uma bíblia, nem nada de egípcio, pitagórico ou platônico — mas um livro de Aristófanes. Como poderia Platão ter suportado a existência — uma existência grega que ele repudiou — sem Aristófanes?"

Dizem-nos que Jesus chorou, mas não que tenha rido. Com Platão, tal como com Sócrates, o riso está frequentemente mais perto do que se imagina. E isto é um bom sinal. Talvez o velho azedo não fosse, afinal, tão azedo. Mas isto não tem realmente importância, porque é a obra concreta que perdura que nos diz respeito, e não a sombra do seu autor que partiu há muito. E, aquilo que se costuma dizer, que apesar de muitos livros serem erradamente esquecidos, nenhum é erradamente lembrado, é uma verdade inquestionável. Assim, precisamos de trabalhar arduamente para nos reconciliarmos com o poder da República que, incontestavelmente, perdura. Precisamos de compreender a atração que este livro exerceu e continua a exercer sobre a imaginação dos leitores.

Simon Blackburn
Tradução de Luís Gottschalk
Texto retirado de A República de Platão: Uma Biografia (Jorge Zahar, 2008).
fonte: criticanarede

FILOSOFIA POLÍTICA: Noção de cidadania na antiguidade clássica: Gregos.



Professor PDE*: Edimar Eugenio 
Tema: O ENSINO DE FILOSOFIA E A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA. 

Título: 
O ensino e a construção da cidadania: concepções e métodos na perspectiva gramsciana. 

Texto 1  


Noção de cidadania 
na antiguidade clássica: Gregos

Comumente o conceito cidadania remonta ao mundo grego e é para lá que faremos nossa primeira parada. Antes das formas mais organizadas de sociedade havia entre os gregos a organização familiar numerosa onde cada uma tinha suas divindades e deuses domésticos. Esse tipo de religião doméstica mantinha isolado as demais famílias que aos poucos, em razão dos casamentos, elas se uniam em torno de um deus comum e superior ao doméstico. 

As "fratrias" ou "curias" surgiram posteriormente embora mantendo-se os laços de sangue. Por meio do pai, a fratria amplia-se formando pequenas sociedades com seus deuses e cultos, sacerdócios, justiça e governo. Com o tempo elas unem-se em tribos com seus símbolos e altares e divindades protetoras, organizando-se me assembleias, promulgando decretos em que os membros se submetem e instituindo tribunais com direito a jurisdição sobre todos os seus membros. O culto religioso passa a ter importância fundamental à medida que se torna um vínculo entre as tribos, momento de se cultivarem uma religião comum. Dessa prática nascem as cidades. Assim, de acordo com Libânio (1995, p.17). 

O conceito de cidadania paga, logo no seu início, inegável tributo religioso. As cidades originam-se, portanto, do movimento de pequenas células que se unem: famílias em fratrias, fratrias em tribos, tribos em cidades. Cada novo momento não anula a individualidade nem a independência da célula anterior em seus cultos, sacerdócios, direitos de propriedade, justiça interna, reuniões, festas, chefes, etc. 

Inserido nessa dinâmica quádrupla, o jovem grego só alcançaria sua real pertença aos dezesseis ou dezoito anos ao passar pelos rituais de passagem quando ao proferir os juramentos de obrigações e respeito à religião da cidade, este passa a ser aceito como verdadeiro cidadão e passa a exercer sua cidadania efetiva. Desta maneira, a criação e origem da cidadania já em tempos remotos implicariam num vínculo social que envolve regras aceitas por todos, sob determinada autoridade ou poder, e conseqüentemente o irrestrito respeito e obediência a eles. Além do mais, as paixões e os interesses individuais devem estar submetidos à razão e ao que é público, e estes, ao interesse da coletividade. O que parece não diferir do conceito moderno ao menos em formalmente. 

Ao que parece aqui, a cidadania não se trata de uma conquista e sim de um processo de iniciação, de introdução a uma nova realidade dominada pela ideologia religiosa e do absoluto. Portanto, embora pareça uma evolução no sentido de organização complexa ela ainda está aquém do ideal de liberdade que conhecemos hoje e que seriam conquistados apenas no século XVII e XVIII de nossa era.

O que se pode afirma é que a organização do mundo greco-romano em cidades-estado representou uma revolução em termos de organização social do mundo antigo. Pois a partir delas essas sociedades puderam dar um salto qualitativo no sentido da autonomia, técnicas e avanços culturais. Basta ver que para se construir moradias, sistemas de abastecimento e prédios públicos necessita-se, além da muita criatividade, do conhecimento científico. 

Devemos compreender a cidadania grega e posteriormente a greco-romana a partir da invenção das cidades-estado. Como descrita acima, a aquisição da cidadania grega passava por uma iniciação ritualística e não uma conquista. As cidades-estado longe de se parecer com o conceito de cidade hoje em dia, era mais um território agrícola que funcionava por meio da exploração agrícola. Além do mais, esses territórios compreendiam uma diversidade de culturas e costumes diferentes entre seus integrantes. Eram geograficamente localizadas e circunscritas e não existiam em todo o ocidente durante os séculos IX e VII a. C. . Assim nem todos possuíam na prática as regalias públicas de um cidadão e nem sempre estavam incluídos nessa categoria, como referencia Guarinello in Pinsk, J. (2005, p. 32).

De modo geral, podemos dizer que as cidades-estado formavam associações de proprietários privados de terra. Só tinha acesso a terra, no entanto, quem fosse membro da comunidade. As cidades-estado foram o resultado do fechamento, gradual e ao longo de vários séculos, de territórios agrícolas específicos, cujos habitantes se estruturavam, progressivamente, como comunidades, excluindo os estrangeiros e defendendo coletivamente suas planícies cultivadas da agressão externa. 

Tendo acesso a terra apenas membros da comunidade, fecha-se a possibilidade ao estrangeiro. Ainda mais quando a consangüinidade dita à norma e a cidadania era transmitida idealmente por esses laços de geração em geração, portanto, de longe se vislumbra a idéia de universalidade nesse período. 

Dessa forma, como resolver os problemas acerca da vivência cidadã da comunidade? A solução viria mais tarde com as assembleias públicas dos próprios proprietários de terras, através do Conselho dos anciãos (Senado romano e Gerúsia espartana) ou a assembléia dos cidadãos (como a boulé ateniense). Assembleias políticas posteriormente com atribuições de magistratura e tribunais. 

 Os laços consanguíneos e os registros que em bem vigiados garantiam a pertença do indivíduo à cidade, o que não ocorria fora dela, pois, fora da cidade não havia nem liberdade e nem direito a propriedade. Assim, como afirma Aristóteles, fora da cidade não havia indivíduo plenos e livres, com direitos e garantias sobre a pessoa e seus bens.


Referências: 

1) ARROYO, M.; BUFFA, E.; NOSELLA, P. Educação e cidadania: quem educa o cidadão. São Paulo, SP: Autores associados, 1991.

 2) BUFFA, E. BRASIL – EDUCAÇÃO E CIDADANIA: PARA ALÉM DAS BURGUESIAS. Agência de Informação Frei Tito para a América Latina - ADITAL, 2007 [citado 2013 Jun. 13] Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=28860 Acesso em 13 de junho de 2013.

 3) DEMO, P. Cidadania menor: algumas indicações quantitativas de nossa pobreza política. Petrópolis, RJ: Vozes, 1992.

 4) GRAMSCI, A. Cadernos do Cárcere. Concepção dialética da história. Título original do italiano: Il materialismo storico e La filosofia de Benedetto Croce. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 8ª edição. Rio de Janeiro-RJ: Civilização Brasileira, 1989.

 5) HORN, G. B. Ensinar Filosofia – pressupostos teóricos e metodológicos. Coleção filosofia e ensino, 13. Ijuí, RS: Editora Unijuí, 2009


Mapas Grécia Antiga
Geralmente chama-se "Grécia Antiga" a todo o período 
da história grega anterior ao Império Romano






Filoparanavaí 2017

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

De cada dez novos empregos no Brasil, sete são informais. Quem são esses trabalhadores?


A TV Afiada mostra um pouco do dia a dia dos ambulantes nas avenidas de São Paulo. Todos os dias, gente como Washington, Rita e José Francisco se arrisca entre os carros e motos para vender água, doces e outros produtos.



LEIA MAIS SOBRE POBREZA E DESEMPREGO NO GOVERNO TEMER PÓS-GOLPE 2016:

TEMER JOGA MAIS 2,75 MILHÕES DE BRASILEIROS NA EXTREMA POBREZA

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O BRASIL DEVERIA APRENDER COM A DEMOCRACIA VENEZUELANA

Mas que contradição... 
O país que nossa mídia brasileira acusa dia e noite de ditadura, tem eleições constantes num verdadeiro ato de democracia que lá vai mais longe do que simplesmente votar. Na Venezuela há uma politização crescente da população beneficiada pelo chavismo e que não deseja ver a burguesia podre de sempre voltar ao poder e acabar com a vida boa do povo, como aconteceu no Brasil.


O chavismo obteve  54% do voto nacional, frente a 45% da oposição, destacou o presidente Nicolás Maduro. A Revolução Bolivariana ganhou 17 de 22 governos estaduais do país nos comitês regionais de informática do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena. Só o estado de Bolívar não tem uma tendência irreversível. Com a tendência irreversível de 22 estados, a Revolução Bolivariana ganhou 17 governações e a oposição cinco. A participação eleitoral foi de 61,14%, detalhada na diretora do CNE. Uma cifra superior al 53.94% de 2012. (FONTE: https://pcb.org.br/)




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Este vídeo não é um programa político...

Este vídeo não é um programa político... Do Partido dos Trabalhadores... É pura história do Brasil atual, é história viva envolvendo  sonhos realizados de milhões de brasileiros e brasileiras e agora, o pesadelo no qual nos jogaram os golpistas, elite egoísta, e corruptos. O golpe está acabando com nosso país! Temos que reagir. Não podemos nos calar enquanto nossos algozes avançam nos jogando em um precipício sem fim. O governo dos ricos não pode continuar, é hora dos pobres levantarem sua voz. Não podemos permitir a caçada empreendida por um juiz que julga sem provas e reconhece isto nos autos. Vale a pena assistir este vídeo para renovarmos nossas esperanças....

Outro vídeo que vale a pena assistir...
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