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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Por que querem acabar com a Filosofia na escola?



Fim da obrigatoriedade de filosofia e sociologia gera ensino mutilado

Na semana passada, o relator da medida provisória sobre as modificações do ensino médio, editada por aquilo que alguns chamam de "governo", fez algumas considerações a respeito de suas preferências. Dentre elas, ele sugere que as disciplinas de filosofia e sociologia deixem de ser disciplinas de fato e se transformem em "conteúdos transversais" lecionados em aulas de história. Ou seja, mesmo que seus filhos escolham seguir uma concentração em ciências humanas, tais conteúdos não seriam mais oferecidos como disciplinas autônomas, o que vai contra todo o discurso a respeito de oferecer mais condições para os alunos aprofundarem seus interesses efetivos.

Essa consideração do senhor relator nos leva, no entanto, a colocar questões a respeito da importância do ensino de filosofia e sociologia para adolescentes. Afinal, devem nossos adolescentes aprender filosofia e sociologia? Pois é claro que a proposta de reduzi-las a "conteúdos transversais" é apenas uma maneira um pouco mais cínica de retirá-las. Um professor de história, embora possa e deva conhecer questões de filosofia e sociologia que são pertinentes a seu objeto de estudo, não teria condições de tratar de tais conteúdos com a profundidade devida à docência.

Na verdade, o que procura se colocar é que filosofia e sociologia não são tão relevantes assim e poderiam muito bem ser eliminadas como disciplinas. Seus filhos poderiam muito bem viver sem elas. Mas coloquemos a questão implícita neste debate na sua forma correta, a saber: por que há setores da sociedade brasileira que se incomodam tanto com seus filhos aprendendo filosofia e sociologia?

Poderíamos contra-argumentar dizendo não se tratar de incômodo, mas de uma simples análise de prioridades. A prioridade na formação seria garantir a empregabilidade e a qualificação técnica. Nesse sentido, há de se cortar o que é supérfluo. Por outro lado, os estudantes brasileiros são sempre mal avaliados em disciplinas básicas, como línguas e matemática. Melhor então focar o essencial.

No entanto, tais argumentos não se sustentam. Limitar nossos alunos ao básico não é o melhor caminho para levá-los a lidar com realidades complexas e em mutação, como são nossas sociedades contemporâneas. Eles não conseguirão tomar melhores decisões com uma formação mais limitada. Por outro lado, se seus conhecimentos de línguas e matemática são deficitários, não é por alguma forma de "excesso" de disciplinas, mas pela péssima qualidade de nossas escolas, pela precarização de nossos professores (só o Estado de São Paulo perdeu 44.500 professores apenas nos últimos dois anos) e pela ausência de cultura literária de muitas famílias.

Nesse sentido, há de se lembrar o que significa aprender filosofia e sociologia. O ensino da filosofia, por exemplo, pressupõe o desenvolvimento de algumas habilidades fundamentais. Lembremos de ao menos três: a capacidade de constituir problemas a partir da crítica a pressupostos aparentemente naturalizados, a capacidade de articular problemas em campos aparentemente dispersos, desenvolvendo assim um forte pensamento de relações e quebrando a tendência atual em isolar o pensamento em especialidades incomunicáveis. Isto significa ser capaz, por exemplo, de compreender como questões éticas têm relações com questões de teoria do conhecimento, de estética, de política e de lógica, entre outras.

Por fim, e esta é sua característica mais impressionante, o aprendizado da filosofia pressupõe a capacidade de pensar como um outro. Lembro-me de um professor que, ao ver muita pressa em "refutar" Descartes, olhou para mim com sua sabedoria costumeira e disse: "Veja, não é possível ler um filósofo com luvas de boxe". Ou seja, é necessário saber, por um momento, pensar como um outro, até para poder se contrapor com mais propriedade.

Bem, é isto que alguns querem que seus filhos não aprendam. Eles sabem muito bem por que querem isso. Temo que o verdadeiro objetivo não tenha relação alguma com o futuro profissional de seus filhos. Temo que, no fundo, queira-se calar, de uma vez por todas, o projeto de alguns de nossos maiores filósofos, como Condorcet, quem dizia: "A função da educação pública é tornar o povo indócil e difícil de governar".
 
Artigo do Filósofo Vladimir Safatle*

Fonte: CONVERSA AFIADA 



Se na sua discussão política a preocupação pelos pobres não está presente,não importa seus argumentos,não compartilho a sua posição. [Jung Mo Sung]

domingo, 23 de outubro de 2016

FILOSOFIA DA RELIGIÃO: para pensar !!!

É por isso que não me impressiona mais as atitudes daqueles que se dizem cristãos ... Quanto mais eu observo os cristãos mais eu admiro os ateus ...

REFLEXÕES DE DOMINGO, para pensar!
TEMA DE HOJE: 
QUEM SÃO OS CRISTÃOS ATUALMENTE ???

Se você se escandaliza com essa charge achando que ela ofende a fé cristã e não é capaz de compreender a violência cultural que se faz contra as mulheres cotidianamente no Brasil, com espancamentos, assassinatos, estupros, e assédios morais... Me desculpe, seu conceito de cristianismo foge de tudo o que o Cristo ensinava ... CONFIRA O MAPA DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES [2015] DANDO CLIQUE AQUI



"[...] Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-Lhe; e este era samaritano. Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.” Lucas 17 (11-19).

"Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Pois tive fome, e me destes de comer, tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; preso e fostes ver-me. Então perguntarão os justos: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quanto te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou preso e fomos ver-te? Ao que lhes responderá o Rei: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeram." Mateus 25 (34-46).

Havia dois grupos de pessoas que seguiam JESUS, o Cristo....

PRIMEIRO, era o grupo das multidões que corriam atrás de Jesus não para ouvir ou entenderem o que JESUS pregava em suas falas, estavam interessados em MILAGRES, apenas isso, tocar a túnica dele, ou a sombra, enfim, receber um milagre .... Bom lembrar que foi essa gente que entregou, que pediu a morte de Jesus. Não suportavam os ensinamentos revolucionários de vida que Jesus pregava. Amar ao próximo era uma mensagem muito dura tanto quanto aceitar que Ele era o verdadeiro Filho de Deus.

SEGUNDO, era um pequeno grupo que com os discípulos não estavam atrás de receberem milagres, mas queriam entender O PORQUÊ DOS MILAGRES feitos por Jesus. Queriam entender suas mensagens e segui-lo até às últimas consequências.

O PRIMEIRO GRUPO, É COMPOSTO DA MAIORIA QUE LOTA AS IGREJAS HOJE, correm atrás de pastores e padres, ou ainda de médiuns, curandeiros, que prometem milagres e mais milagres, curas e mais curas. É o mesmo grupo para quem de Jesus só querem MILAGRES, no máximo fazer louvação, sentir-se bem consigo mesmos. O que menos importa são as dores do próximo, pelas quais Jesus estava disposto a dar as próprias dores.Nesse grupo estão aqueles que estão mais preocupados com seus pecadinhos, com suas vidinhas, que em relação ao próximo no máximo são capazes de darem "esmolas" e nada mais. E isso, se contar um pontinho para eles entrarem no céu. Sim, porque para esses o céu é uma conquista meritória.

O SEGUNDO GRUPO encontramos com mais dificuldades. São anônimos praticamente. Vivem nas lutas do cotidiano dando suas vidas por amor ao próximo, dando continuidade a missão de Jesus. São capazes de terem COMPAIXÃO do próximo. Condenam os OPRESSORES  e lutam por meio de organizações sociais contra a ideologia dos opressores que aliena e mata na miséria, na pobreza, milhões de irmãos todos os dias no mundo. Para eles não interessa se não tem milagres, o que interessa é viver como Jesus viveu e se preciso for, dar a própria vida pelo próximo. Não aceitam viver à sombra do OPRESSOR e lutam pela libertação dos OPRIMIDOS, numa clara opção preferencial pelos pobres, igualzinha àquela feita por Jesus, o Cristo, o Mestre !!!

Observação: As reflexões são minhas. Ninguém está obrigado nem a acreditar e muito menos a concordar com elas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

100% CONTRA A PEC 241 DOS GOLPISTAS E DO FMI ...



EU SOU 100% CONTRA A PEC 241 PORQUE ELA É INCONSTITUCIONAL DE ACORDO COM MP E PGR. PORQUE ELA É NOCIVA PARA O POVO. PORQUE ELA DETONA A SAÚDE E EDUCAÇÃO PÚBLICAS. PORQUE ELA, A PEC, SÓ NÃO CONGELA NESSES 20 ANOS A CORRUPÇÃO DELES MESMOS...

PENSAR NÃO FAZ MAL A NINGUÉM ...



SÓ PARA PENSAR ...
QUEM JÁ NÃO OUVIU UM COXINHA POR AÍ, ELES TÊM ALGO EM COMUM, OS "ARGUMENTOS" SÃO DO TAMANHO DO CÉREBRO DELES, TAMANHO DE CÉREBRO DE GALINHA: Dilma é guerrilheira, Dilma é ladra, Lula é o chefão dos bandidos, Lula na cadeia, PT roubou tanto que deixou o país na miséria, Moro é nosso herói, volta ditadura, esses alunos que ocupam escolas não querem deixar a gente estudar ... estas e outras besteiras. Faça uma contra-argumentação e você verá que os coxinhas não sabem elaborar nenhum outro argumento que não seja aqueles nos quais foram doutrinados pela mídia golpista. Isto é fato! 

A CRISE ECONÔMICA TENDE A APROFUNDAR-SE ... QUEM ESTÁ NO GOVERNO HOJE NÃO SABE GOVERNAR, SÓ SABEM DESTRUIR O QUE LULA E DILMA FIZERAM, SÓ SABEM ENTREGAR NOSSAS RIQUEZAS PARA OS GRINGOS, SÓ VÃO PODER ROUBAR MAIS AINDA DO QUE ROUBAVAM NO GOVERNO DE COALIZÃO DE ANTES DO TEMER GOLPISTA - governo de coalizão é muito para a cabeça de coxinhas, eles não sabem o que é isto, ah tá então tá né kkkkk' só rindo mesmo para encarar esta triste realidade ,,, ENTÃO VEJAMOS O SEGUINTE ENCADEAMENTO LÓGICO DA ECONOMIA DELES, dos golpistas ...

1. Salários dos aposentados tendem a serem achatados,
2. Salários dos trabalhadores em geral tendem a perder ganho real de compra,
3. Salários do funcionalismo público tendem também a ter forte perda de poder aquisitivo ...

Resultado: aqueles que compram no mercado local, no de Paranavaí cidade na qual moro - por exemplo, tendem a comprar menos, então o comércio despede empregados e aí comprarão menos ainda, aí as lojas começam a fechar suas portas porque a maioria não consegue pagar nem mesmo o aluguel... a pobreza cresce, a miséria cresce, e começa a faltar comida no prato de muitas pessoas ...

NÃO COMPRANDO NO COMÉRCIO, as indústrias quebram e demitem e aprofundam o caos ...

O COMÉRCIO DE PARANAVAÍ APOIOU O GOLPE CHEGANDO A FECHAR SUAS PORTAS UM DIA E COLOCANDO SEUS EMPREGADOS PARA IREM ÀS RUAS COM OS COXINHAS ... OS COMERCIANTES DE PARANAVAÍ SÃO COXINHAS COMO A MAIORIA DOS COMERCIANTES DO BRASIL. 

Só no Estado do Rio de Janeiro de junho a Setembro foram fechadas 6000 lojas.

JÁ OS COXINHAS - POBRES DE DIREITA de Paranavaí - PARA PARECEREM RICOS VÃO FAZER COMPRAS EM MARINGÁ, até quando ainda tiverem salários para irem à Maringá ....

Tudo triste né ... Mas também patético ....

Simone de Beauvoir dizia que os opressores só fazem as desgraças que fazem contra o povo porque encontram em meio aos oprimidos - ao povo - cúmplices ...

O TRISTE MESMO É VER ALGUNS ADOLESCENTES AGORA FAZENDO O PAPEL DE CHOCADEIRAS, estão chocando o ovo da serpente: EU SÓ OBSERVO NO FACE UMA QUANTIDADE CONSIDERÁVEL DE JOVENS QUE REPRODUZEM OS BOLSONAROS FACISTAS ... Quem apoia bolsonaro é pobre de direita e com um pé no facismo. Reproduzir o que bolsonaro fala é o pior nível a que pode um ser humano chegar. Isto também é fato!

domingo, 9 de outubro de 2016

O BRASIL REGREDIU E O ÓDIO TOMA CONTA DOS CORAÇÕES E MENTES ...


A mídia, controlada pelos mais ricos e a serviço do governo golpista que se instalou no Brasil,  conseguiu impregnar os corações e mentes de uma grande parte dos brasileiros com o sentimento de um ódio que cega para a realidade. O vídeo conta essa parte triste de nossa história...
 

UM COISA É CERTA: OS GOLPISTA ESTÃO ACORDANDO OS JOVENS ...

A Democracia permite o despertar da consciência política de nossa juventude que começa a se levantar contra esse estado de coisas deploráveis que os golpistas vem implementando em nosso país, como a entrega de nosso petróleo do pré-sal para os gringos: Governo, mídia branca e rica representada pela Globo, especialmente; mas também os/as chamados/as coxinhas da classe média manipulados pela elite dominante. A deplorável e corrupta  bancada evangélica que representa o demônio está imersa nesse estado de coisas, que agora também a juventude começa a rechaçar. Em Curitiba nesse domingo, 09/10, foi às ruas gritar #ForaTemer e contra a MP do Ensino Médio que acaba com o direito das juventudes trabalhadoras receberem formação igual  a dos filhos dos ricos. que retira Filosofia e Sociologia para impedir o povo a pensar. Vejam os vídeos e entenda todo esse impasse pelo qual passa nosso país:

#OcupaTudo no Paraná, estudantes ocupam escolas em Curitiba, Londrina e Maringá, contra a MP do Ensino Médio proposta pelo governo golpista de Temer.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

MINHA OPINIÃO

Sobre a vitória da direita em Paranavaí e no Brasil só tenho um sentimento ... imensa decepção !!!

Um povo que odeia seus direitos sociais conquistados sem qualquer reação, um povo que idolatra ricos, um povo que idolatra Dorias, Bolsonaros, Fardas, Pastores, Corruptos, Frotas... um povo que abre mão de seu petróleo e água, um povo que abre mão da educação e saúde públicas, pior, um povo que abre mão de sua inteligência e se deixa guiar por um canal de televisão... ESTAMOS NOS TEMPOS DO "NON SENSE", DA BARBÁRIE POLÍTICA ???

O povo realmente segue ao matadouro como os bois sem saber para que serve um matadouro...

O pior de tudo é que faz isso com alegria, comemorações, fogos, buzinaços ...

SE SATANÁS EXISTE ELE ESTÁ REINANDO !!!

SE DEUS EXISTE ELE ESTÁ DORMINDO!!!

domingo, 2 de outubro de 2016

EU APENAS OBSERVO ...



ÀS VEZES EU PENSO QUE A MAIORIA DE NOSSO POVO BRASILEIRO NÃO É APENAS DESPOLITIZADO, MAS É IDIOTA MESMO. Como pode em São Paulo o megaempresário Doria estar em primeiro nas pesquisas? Como é que um povo como o da cidade de SP pode esperar que esse sujeito faça alguma coisa pela periferia que mais precisa do estado? Esse sujeito, se eleito, vai simplesmente vender São Paulo a preço de bananas. Acreditar em Doria é o mesmo que acreditar que as raposas comem maçãs ...


VIVA AO POVO BRASILEIRO 
Um povo de mente brilhante ...
Conseguiu acabar com a corrupção. 
Tirou a Dilma da presidência, vai prender o Lula mesmo sem provas, vai destruir o PT - o partido comunista.Tá certo! Foi a Dilma, o Lula e o PT que criaram a corrupção... Nunca antes na história houve corrupção no Brasil !!!

VIVA AO POVO BRASILEIRO
Conseguiu o fim do Ensino Médio para filhos de trabalhadores que estudam em escolas públicas. Por que será que nas escolas particulares o ensino médio continuará igualzinho ao que está hoje?
Só mesmo um burro para achar que a proposta do golpista será coisa boa ...


VIVA AO POVO BRASILEIRO
Conseguiu o fim do PROUNI, FIES, Ciências sem Fronteiras, PROUNI

VIVA AO POVO BRASILEIRO
Conseguiu que o FMI determine que nosso salário está alto demais e então vamos ter menos aumento do que a inflação no próximo ano.

VIVA AO POVO BRASILEIRO
Conseguiu 12 milhões de desempregados em Setembro.


VIVA AO POVO BRASILEIRO
Conseguiu que nos aposentemos aos 70 anos de idade ou aos 50 anos de contribuição.

VIVA AO POVO BRASILEIRO
Conseguiu devolver o Brasil ao FMI
Fundo Monetário Internacional

APENAS UM POVO SEM MEMÓRIA DIGITA 45, 11, 15 ...  NAS URNAS !!!

domingo, 25 de setembro de 2016

O GOVERNO GOLPISTA É CONTRA O POVO BRASILEIRO E A FAVOR DA ELITE FINANCEIRA E CORRUPTOS...

Bem didático ...
"Temer quer salvar o Brasil dos brasileiros, de que estes decidam o que querem para si mesmos e para o nosso pais. Considera loucura a democracia, a distribuição de renda, a educação, a saúde, a habitação, o bem estar para todos. Deu o golpe para que isso não acontecesse. Quer tirar os direitos de todos para estreitar o pais na bitola dos lucros dos grupos financeiros. O que só pode fazer através de um golpe", diz o colunista Emir Sader; "Temer quer se salvar e à sua gente, às custas do Brasil, dos brasileiros, da democracia, do patrimônio nacional e dos direitos de todos" (Sader em artigo no BR247, leia na íntegra: http://www.brasil247.com/)


VOCÊ QUE VOCIFEROU COM ÓDIO, IRRACIONALIDADE E IGNORÂNCIA CONTRA DILMA, MULHER HONESTA E COMPETENTE, QUE GOVERNAVA PARA OS MAIS POBRES, ganhou o que com isso, ao ter ajudado colocar no governo uma quadrilha de corruptos e de golpistas, defensores de um governo apenas para os mais ricos ??? 

Desemprego, inflação em alta, fim da educação e saúde pública, fim do programa Minha Casa Minha Vida para famílias de baixa renda, fim do Bolsa Família que impedia milhões de crianças ficarem nos sinaleiros pedindo esmolas e permanecessem em salas de aulas, fim das universidades públicas, fim do PROUNI, fim do Ciências Sem Fronteiras, fim da valorização do salário mínimo, fim dos investimentos em infraestrutura nas cidades, estradas, portos, aeroportos, ferrovias, entrega de nosso petróleo e água para os norte-americanos a preço de bananas, possível volta ao FMI para seguir sua cartilha que se você não sabe não tem nada de bom para os trabalhadores, e muitas outras desgraças como a PEC 241 ... porque tem que sobrar dinheiro para pagar juros de uma dívida jamais auditada e que tende a ser maior com o governo nas mãos dos golpistas corruptos ...


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

DESLIGUE A GLOBOGOLPE QUE O BRASIL MELHORA ! Resportagem internacional desmascara a Globo enquanto veículo de manipulação.




Globo, 
quem não te conhece que te compre!




Na minha opinião o maior erro dos governos Lula e Dilma foi subestimar a Globo enquanto veículo disseminador da ideologia burguesa e de manipulação das mentes de seus telespectadores. 

A Globo, um conjunto de empresas de comunicação, está toda ao serviço do golpe que derrubou a presidenta Dilma e obviamente estará na sustentação do governo golpista. 

Outro braço do golpe é a Revista Veja famosa por fomentar mentiras contra membros do Partido dos Trabalhadores, especialmente contra Lula e Dilma e proteger políticos corruptos de partidos como PSDB, PMDB, PPS, DEM e outros partidos golpistas. 

A Globo e a classe média são famosos por sonegarem impostos ao governo brasileiro. A empresa Globo também mantém concessões de TVs abertas e fechadas, rádios, jornais, revistas, e outros meios; portanto, tem interesse em controlar o governo para continuar controlando assim o monopólio das comunicações. 

Desde o início do processo que culminou no golpe parlamentar, a Globo manipulou populações da classe média que aos domingos  como gado rumo ao matadouro, fez com que essas populações recebessem a pecha de COXINHAS que significa no popular alienados políticos que se acham sábios. 

Na verdade, a Globo conseguiu mexer perfeitamente nos sentimentos egoístas de uma classe média que se acha rica mas que não passa de assalariada, essas pessoas apenas ganham mais que a média da população trabalhadora. 

A classe média brasileira em geral é egocêntrica e burra. Pagaram o mico de se vestirem de verde e amarelo,camiseta da CBF - confederação brasileira de futebol, uma das entidade mais envolvidas em escândalos de corrupção, basta pesquisar no Google para constatar. Os/as chamados/as coxinhas se convertiam em verdadeiros coxinhas vociferando contra a corrupção dos outros, pedindo intervenção militar, xingando desrespeitosamente a presidenta, pedindo fim de direitos sociais aos trabalhadores, enfim, era a própria imagem do inferno.

O espetáculo era tão patético que aos domingos a Globo chegava a suspender sua programação para apresentar os coxinhas pagando mico. Onde tinha 10 pessoas ela dizia ter 10 mil. Quando a manifestação tinha 100 mil dizia ter um milhão. Quando era manifestação a favor de Dilma, onde tinha 100 mil dizia ter mil, sempre para menos.

A Globo não apoiou o golpe, ela é o próprio golpe! Manipula todos os dias. Sonega informações, mente, tem verdadeira fissura por Lula. Triplex, apartamento, barquinho de lata, ela em comum acordo com os porões da "justiça", vaza áudios ao seu bel prazer, julga e condena os envolvidos sumariamente, claro se forem ligados ao PT.

TODO BRASILEIRO/A DEVERIA ASSISTIR ESSE VÍDEO: reportagem da Al Jazeera Channel - قناة الجزيرة sobre a rede Globo, evidencia o poder desproporcional e anti-democrático dado à emissora desde a ditadura militar. Não por acaso a Globo apoiou o Golpe de 64 e continua apoiando Golpes desde então! 

De novo a Globo apoiou e sustentou o golpe, agora contra Dilma! A Globo odeia o povo que lhe dá audiência e o manipula como quer. #ForaTemer #TodosPelaDemocracia
Fonte: Mídia Ninja

ASSISTA AO VÍDEO PARA AMPLIAR ESSA DISCUSSÃO ... 

FORA TEMER EXPLODE PELO BRASIL!




O movimento fora Temer aumenta a cada dia. A população brasileira percebe a cada dia que o governo golpista veio para lhe tirar não apenas a Democracia mas também todos os seus direitos básicos como saúde e educação pública e outros. 

O governo golpista é violento e sem voto, quer parar o povo que se manifesta com bombas, utilizando-se da polícia militar de forma abusiva para reprimir e machucar populares. A polícia passa a ocupar o lugar de bandidos que já violentam a sociedade, especialmente grande parte dos políticos que assaltam os cofres públicos em plena luz do dia e ficam impunes. Enquanto a PM concentra suas forças para reprimir atos pacíficos no centro de São Paulo e outras cidades do país, os bandidos tomam conta da cidade. 

O FORA TEMER GOLPISTA é para valer e não vai parar enquanto os golpistas não caírem fora do governo que usurparam por meio de uma farsa política, de um golpe parlamentar.

domingo, 4 de setembro de 2016

A MÍDIA GOLPISTA NÃO MOSTRA, NÓS MOSTRAMOS! FORA TEMER explode em todo o Brasil! Cem mil em um único coro: Diretas Já!



ACOMPANHE PELA MÍDIA NINJA 
Mais de 100 mil pessoas tomam as ruas da cidade de São Paulo exigindo eleições diretas para presidente do Brasil em dia histórico para a democracia

Foto: Mídia NINJA
Por Gabriele Candido / Nunah Alle / Laio Rocha para Mídia NINJA
No diário da história recente do Brasil, o dia 4 de setembro de 2016 fica assinalado por protagonizar o primeiro grande ato após o impeachment da presidenta eleita, Dilma Rousseff, pedindo, entre suas principais pautas, o Fora Temer, as Diretas Já e nenhum direito a menos.
Foto: Mídia NINJA
A concentração do ato, que se iniciou às 16h30 no vão do MASP, na Av. Paulista, já possuía milhares de pessoas. Quando marchou pelo maior centro financeiro da cidade, tomava a grande maioria dos seus quarteirões, aglutinando cerca de 100 mil pessoas, de acordo com estimativa dos organizadores do protesto.

O líder da Frente POVO SEM MEDO, Guilherme Boulos, discursou na abertura: “Ontem Temer disse que nosso ato era de 40 pessoas (é interrompido por uma onda de vaias ao número) aqui estão as 40 pessoas! Já somos quase 100 mil pessoas de ponta a ponta da Paulista (pausa novamente sob grito de Fora Temer do público). Ouçam o grito das 40 pessoas! Ainda que fossem poucos, é melhor andar com 40 manifestantes do que com 40 ladrões do governo!”, afirmou.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

É GOLPE ... É GOLPE ... É GOLPE ... toda a mídia internacional sabe e denuncia... Aqui o PIG - Partido da Imprensa Golpista, liderado pela Globo, manipula a opinião púbica para proteger os golpistas e corruptos no governo dos ricos. A Globo não faz parte do golpe, ela é o próprio golpe !!!

NA IMPRENSA INTERNACIONAL 
FICOU CLARO: É GOLPE


O golpe contra a presidenta Dilma Rousseff está sendo denunciado por alguns dos maiores meios de comunicação do mundo. Sim, golpe, com todas as letras.

Ao contrário do que têm pregado alguns dos maiores jornais e boa parte da grande mídia brasileira, signatários do golpe, para os maiores jornais do mundo fora do Brasil, “Dilma é vítima de um "golpe" encenado por seus adversários” (Le Monde), e que os senadores se “uniram pela retirada de Dilma sabendo que seria injusto”(The Washington Post), em concordância com a rede RT, que diz que “60% do congresso é acusado de corrupção e contra-ataca Dilma, que tentou fazer uma limpeza no congresso”.

Tragicomédia foi a palavra escolhida tanto pelo jornal português Público quanto pelo argentino Página 12, da Argentina. A Al Jazeera, árabe, preferiu escolher a palavra hipocrisia para definir o processo. Enfim, veículos de imprensa de todo o planeta ressaltam a ilegitimidade e desproporcionalidade desse processo de impeachment. 

O fato é que o governo Dilma Rousseff foi implacável no combate a corrupção, dando autonomia para a Polícia Federal, para a justiça, criando facilitadores para as investigações. Isso incomodou os aliados de Temer e Cunha, como o senador Romero Jucá, que chegou a ser empossado ministro e foi flagrado conspirando para acabar com a punição dos corruptos.


É de se ressaltar que a imprensa internacional já fez diversas manifestações mostrando espanto ao ver boa parte dos nossos grandes jornais e canais de televisão atuam como cabos eleitorais de um impeachment sem crime, contra uma pessoa honesta, apoiado por investigados por corrupção. 

O golpe é também midiático, além de parlamentar e empresarial. Por isso é fundamental divulgarmos o que o mundo pensa dessa triste página de nossa história.

#PelaDemocracia
Le Monde.fr http://goo.gl/oWZD3b
Página/12 http://goo.gl/pzTHux
Público http://goo.gl/mkQbyj
Washington Post http://goo.gl/1tOl2E
The Guardian http://goo.gl/qhlQim
El País http://goo.gl/IxNqvi
Al Jazeera Channel - قناة الجزيرة http://goo.gl/ttcm8n
RT http://goo.gl/T6FSKQ

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A DEMOCRACIA MORREU: UMA DOR QUE NÃO CABE NO PEITO... MAS LUTO SEM LUTA JAMAIS!

A DEMOCRACIA MORREU ...
Crônica de Lucio Lopes

DISCURSO DA PRESIDENTA APÓS SER AFASTADA PELOS GOLPISTAS DO CONGRESSO...

DILMA SAI MAIS FORTE DO IMPEACHMENT DO QUE QUANDO COMEÇOU ESSE PROCESSO VERGONHOSO, CONDUZIDO PELA ELITE PODRE DESSE PAÍS COM OS GOLPISTAS E CORRUPTOS DO CONGRESSO E APOIO DOS COXINHAS (PARCELA "ACÉFALA" POLÍTICA DA CLASSE MÉDIA) MANIPULADA PELA GLOBOGOLPISTA E MÍDIA GOLPISTA

terça-feira, 30 de agosto de 2016

UMA MULHER SOZINHA ENFRENTA POR MAIS DE 14 HORAS UM BANDO DE RATOS GOLPISTAS INQUISITORIAIS QUE TRABALHAM AO LADO DOS RICOS E CONTRA OS TRABALHADORES, CONTRA O BRASIL ...



 Confira a íntegra do discurso de Dilma do Senado, que entrará para a História do Brasil. 29 de Agosto de 2016, o dia em que uma presidenta enfrentou seus algozes golpistas...


Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski
Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal Renan Calheiros,
Excelentíssimas Senhoras Senadoras e Excelentíssimos Senhores Senadores,
Cidadãs e Cidadãos de meu amado Brasil,


No dia 1o de janeiro de 2015 assumi meu segundo mandato à Presidência da República Federativa do Brasil. Fui eleita por mais 54 milhões de votos.


Na minha posse, assumi o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, bem como o de observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.


Ao exercer a Presidência da República respeitei fielmente o compromisso que assumi perante a nação e aos que me elegeram. E me orgulho disso. Sempre acreditei na democracia e no Estado de direito, e sempre vi na Constituição de 1988 uma das grandes conquistas do nosso povo.


Jamais atentaria contra o que acredito ou praticaria atos contrários aos interesses daqueles que me elegeram.


Nesta jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade.


Até porque, como todos, tenho defeitos e cometo erros.


Entre os meus defeitos não está a deslealdade e a covardia. Não traio os compromissos que assumo, os princípios que defendo ou os que lutam ao meu lado. Na luta contra a ditadura, recebi no meu corpo as marcas da tortura. Amarguei por anos o sofrimento da prisão. Vi companheiros e companheiras sendo violentados, e até assassinados.


Na época, eu era muito jovem. Tinha muito a esperar da vida. Tinha medo da morte, das sequelas da tortura no meu corpo e na minha alma. Mas não cedi. Resisti. Resisti à tempestade de terror que começava a me engolir, na escuridão dos tempos amargos em que o país vivia. Não mudei de lado. Apesar de receber o peso da injustiça nos meus ombros, continuei lutando pela democracia.


Dediquei todos esses anos da minha vida à luta por uma sociedade sem ódios e intolerância. Lutei por uma sociedade livre de preconceitos e de discriminações. Lutei por uma sociedade onde não houvesse miséria ou excluídos. Lutei por um Brasil soberano, mais igual e onde houvesse justiça.


Disso tenho orgulho. Quem acredita, luta.


Aos quase setenta anos de idade, não seria agora, após ser mãe e avó, que abdicaria dos princípios que sempre me guiaram.


Exercendo a Presidência da República tenho honrado o compromisso com o meu país, com a Democracia, com o Estado de Direito. Tenho sido intransigente na defesa da honestidade na gestão da coisa pública.

Por isso, diante das acusações que contra mim são dirigidas neste processo, não posso deixar de sentir, na boca, novamente, o gosto áspero e amargo da injustiça e do arbítrio. E por isso, como no passado, resisto.

Não esperem de mim o obsequioso silêncio dos covardes. No passado, com as armas, e hoje, com a retórica jurídica, pretendem novamente atentar contra a democracia e contra o Estado do Direito.


Se alguns rasgam o seu passado e negociam as benesses do presente, que respondam perante a sua consciência e perante a história pelos atos que praticam. A mim cabe lamentar pelo que foram e pelo que se tornaram.


E resistir. Resistir sempre. Resistir para acordar as consciências ainda adormecidas para que, juntos, finquemos o pé no terreno que está do lado certo da história, mesmo que o chão trema e ameace de novo nos engolir.


Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, como é próprio dos que não tem caráter, princípios ou utopias a conquistar. Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça. Luto pelo povo do meu País, pelo seu bem-estar.


Muitos hoje me perguntam de onde vem a minha energia para prosseguir. Vem do que acredito. Posso olhar para trás e ver tudo o que fizemos. Olhar para a frente e ver tudo o que ainda precisamos e podemos fazer. O mais importante é que posso olhar para mim mesma e ver a face de alguém que, mesmo marcada pelo tempo, tem forças para defender suas ideias e seus direitos.


Sei que, em breve, e mais uma vez na vida, serei julgada. E é por ter a minha consciência absolutamente tranquila em relação ao que fiz, no exercício da Presidência da República que venho pessoalmente à presença dos que me julgarão. Venho para olhar diretamente nos olhos de Vossas Excelências, e dizer, com a serenidade dos que nada tem a esconder que não cometi nenhum crime de responsabilidade.


Não cometi os crimes dos quais sou acusada injusta e arbitrariamente.


Hoje o Brasil, o mundo e a história nos observam e aguardam o desfecho deste processo de impeachment.

No passado da América Latina e do Brasil, sempre que interesses de setores da elite econômica e política foram feridos pelas urnas, e não existiam razões jurídicas para uma destituição legítima, conspirações eram tramadas resultando em golpes de estado.


O Presidente Getúlio Vargas, que nos legou a CLT e a defesa do patrimônio nacional, sofreu uma implacável perseguição; a hedionda trama orquestrada pela chamada “República do Galeão, que o levou ao suicídio.

O Presidente Juscelino Kubitscheck, que contruiu essa cidade, foi vítima de constantes e fracassadas tentativas de golpe, como ocorreu no episódio de Aragarças.


O presidente João Goulart, defensor da democracia, dos direitos dos trabalhadores e das Reformas de Base, superou o golpe do parlamentarismo mas foi deposto e instaurou-se a ditadura militar, em 1964.

Durante 20 anos, vivemos o silêncio imposto pelo arbítrio e a democracia foi varrida de nosso País. Milhões de brasileiros lutaram e reconquistaram o direito a eleições diretas.


Hoje, mais uma vez, ao serem contrariados e feridos nas urnas os interesses de setores da elite econômica e política nos vemos diante do risco de uma ruptura democrática. Os padrões políticos dominantes no mundo repelem a violência explícita. Agora, a ruptura democrática se dá por meio da violência moral e de pretextos constitucionais para que se empreste aparência de legitimidade ao governo que assume sem o amparo das urnas. Invoca-se a Constituição para que o mundo das aparências encubra hipocritamente o mundo dos fatos.


As provas produzidas deixam claro e inconteste que as acusações contra mim dirigidas são meros pretextos, embasados por uma frágil retórica jurídica.


Nos últimos dias, novos fatos evidenciaram outro aspecto da trama que caracteriza este processo de impeachment. O autor da representação junto ao Tribunal de Contas da União que motivou as acusações discutidas nesse processo, foi reconhecido como suspeito pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal. Soube-se ainda, pelo depoimento do auditor responsável pelo parecer técnico, que ele havia ajudado a elaborar a própria representação que auditou. Fica claro o vício da parcialidade, a trama, na construção das teses por eles defendidas.


São pretextos, apenas pretextos, para derrubar, por meio de um processo de impeachment sem crime de responsabilidade, um governo legítimo, escolhido em eleição direta com a participação de 110 milhões de brasileiros e brasileiras. O governo de uma mulher que ousou ganhar duas eleições presidenciais consecutivas.


São pretextos para viabilizar um golpe na Constituição. Um golpe que, se consumado, resultará na eleição indireta de um governo usurpador.


A eleição indireta de um governo que, já na sua interinidade, não tem mulheres comandando seus ministérios, quando o povo, nas urnas, escolheu uma mulher para comandar o país. Um governo que dispensa os negros na sua composição ministerial e já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido pelo povo em 2014.


Fui eleita presidenta por 54 milhões e meio de votos para cumprir um programa cuja síntese está gravada nas palavras “nenhum direito a menos”.


O que está em jogo no processo de impeachment não é apenas o meu mandato. O que está em jogo é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição.


O que está em jogo são as conquistas dos últimos 13 anos: os ganhos da população, das pessoas mais pobres e da classe média; a proteção às crianças; os jovens chegando às universidades e às escolas técnicas; a valorização do salário mínimo; os médicos atendendo a população; a realização do sonho da casa própria.


O que está em jogo é o investimento em obras para garantir a convivência com a seca no semiárido, é a conclusão do sonhado e esperado projeto de integração do São Francisco. O que está em jogo é, também, a grande descoberta do Brasil, o pré-sal. O que está em jogo é a inserção soberana de nosso País no cenário internacional, pautada pela ética e pela busca de interesses comuns.


O que está em jogo é a auto-estima dos brasileiros e brasileiras, que resistiram aos ataques dos pessimistas de plantão à capacidade do País de realizar, com sucesso, a Copa do Mundo e as Olimpíadas e Paraolimpíadas.


O que está em jogo é a conquista da estabilidade, que busca o equilíbrio fiscal mas não abre mão de programas sociais para a nossa população.


O que está em jogo é o futuro do País, a oportunidade e a esperança de avançar sempre mais.


Senhoras e senhores senadores,

No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a eventual perda de maioria parlamentar para afastar um Presidente. Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime.


Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o Presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições. E nas eleições o programa de governo vencedor não foi este agora ensaiado e desenhado pelo Governo interino e defendido pelos meus acusadores.


O que pretende o governo interino, se transmudado em efetivo, é um verdadeiro ataque às conquistas dos últimos anos.


Desvincular o piso das aposentadorias e pensões do salário mínimo será a destruição do maior instrumento de distribuição de renda do país, que é a Previdência Social. O resultado será mais pobreza, mais mortalidade infantil e a decadência dos pequenos municípios.


A revisão dos direitos e garantias sociais previstos na CLT e a proibição do saque do FGTS na demissão do trabalhador são ameaças que pairam sobre a população brasileira caso prospere o impeachment sem crime de responsabilidade.


Conquistas importantes para as mulheres, os negros e as populações LGBT estarão comprometidas pela submissão a princípios ultraconservadores.

O nosso patrimônio estará em questão, com os recursos do pré-sal, as riquezas naturais e minerárias sendo privatizadas.


A ameaça mais assustadora desse processo de impeachment sem crime de responsabilidade é congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação. É impedir que, por 20 anos, mais crianças e jovens tenham acesso às escolas; que, por 20 anos, as pessoas possam ter melhor atendimento à saúde; que, por 20 anos, as famílias possam sonhar com casa própria.


Senhor Presidente Ricardo Lewandowski, Sras. e Srs. Senadores,

A verdade é que o resultado eleitoral de 2014 foi um rude golpe em setores da elite conservadora brasileira.

Desde a proclamação dos resultados eleitorais, os partidos que apoiavam o candidato derrotado nas eleições fizeram de tudo para impedir a minha posse e a estabilidade do meu governo. Disseram que as eleições haviam sido fraudadas, pediram auditoria nas urnas, impugnaram minhas contas eleitorais, e após a minha posse, buscaram de forma desmedida quaisquer fatos que pudessem justificar retoricamente um processo de impeachment.


Como é próprio das elites conservadoras e autoritárias, não viam na vontade do povo o elemento legitimador de um governo. Queriam o poder a qualquer preço.


Tudo fizeram para desestabilizar a mim e ao meu governo.


Só é possível compreender a gravidade da crise que assola o Brasil desde 2015, levando-se em consideração a instabilidade política aguda que, desde a minha reeleição, tem caracterizado o ambiente em que ocorrem o investimento e a produção de bens e serviços.


Não se procurou discutir e aprovar uma melhor proposta para o País. O que se pretendeu permanentemente foi a afirmação do “quanto pior melhor”, na busca obsessiva de se desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos desta questionável ação política para toda a população.


A possibilidade de impeachment tornou-se assunto central da pauta política e jornalística apenas dois meses após minha reeleição, apesar da evidente improcedência dos motivos para justificar esse movimento radical.

Nesse ambiente de turbulências e incertezas, o risco político permanente provocado pelo ativismo de parcela considerável da oposição acabou sendo um elemento central para a retração do investimento e para o aprofundamento da crise econômica.


Deve ser também ressaltado que a busca do reequilíbrio fiscal, desde 2015, encontrou uma forte resistência na Câmara dos Deputados, à época presidida pelo Deputado Eduardo Cunha. Os projetos enviados pelo governo foram rejeitados, parcial ou integralmente. Pautas bombas foram apresentadas e algumas aprovadas.


As comissões permanentes da Câmara, em 2016, só funcionaram a partir do dia 5 de maio, ou seja, uma semana antes da aceitação do processo de impeachment pela Comissão do Senado Federal. Os Srs. e as Sras. Senadores sabem que o funcionamento dessas Comissões era e é absolutamente indispensável para a aprovação de matérias que interferem no cenário fiscal e encaminhar a saída da crise.


Foi criado assim o desejado ambiente de instabilidade política, propício a abertura do processo de impeachment sem crime de responsabilidade.


Sem essas ações, o Brasil certamente estaria hoje em outra situação política, econômica e fiscal.

Muitos articularam e votaram contra propostas que durante toda a vida defenderam, sem pensar nas consequências que seus gestos trariam para o país e para o povo brasileiro. Queriam aproveitar a crise econômica, porque sabiam que assim que o meu governo viesse a superá-la, sua aspiração de acesso ao poder haveria de ficar sepultada por mais um longo período.


Mas, a bem da verdade, as forças oposicionistas somente conseguiram levar adiante o seu intento quando outra poderosa força política a elas se agregou: a força política dos que queriam evitar a continuidade da “sangria” de setores da classe política brasileira, motivada pelas investigações sobre a corrupção e o desvio de dinheiro público.

É notório que durante o meu governo e o do Pr Lula foram dadas todas as condições para que estas investigações fossem realizadas. Propusemos importantes leis que dotaram os órgãos competentes de condições para investigar e punir os culpados.


Assegurei a autonomia do Ministério Público, nomeando como Procurador Geral da República o primeiro nome da lista indicado pelos próprios membros da instituição. Não permiti qualquer interferência política na atuação da Polícia Federal.


Contrariei, com essa minha postura, muitos interesses. Por isso, paguei e pago um elevado preço pessoal pela postura que tive.


Arquitetaram a minha destituição, independentemente da existência de quaisquer fatos que pudesse justificá-la perante a nossa Constituição.


Encontraram, na pessoa do ex-Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha o vértice da sua aliança golpista.


Articularam e viabilizaram a perda da maioria parlamentar do governo. Situações foram criadas, com apoio escancarado de setores da mídia, para construir o clima político necessário para a desconstituição do resultado eleitoral de 2014.


Todos sabem que este processo de impeachment foi aberto por uma “chantagem explícita” do ex-Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como chegou a reconhecer em declarações à imprensa um dos próprios denunciantes. Exigia aquele parlamentar que eu intercedesse para que deputados do meu partido não votassem pela abertura do seu processo de cassação.


Nunca aceitei na minha vida ameaças ou chantagens. Se não o fiz antes, não o faria na condição de Presidenta da República. É fato, porém, que não ter me curvado a esta chantagem motivou o recebimento da denúncia por crime de responsabilidade e a abertura deste d processo, sob o aplauso dos derrotados em 2014 e dos temerosos pelas investigações.


Se eu tivesse me acumpliciado com a improbidade e com o que há de pior na política brasileira, como muitos até hoje parecem não ter o menor pudor em fazê-lo, eu não correria o risco de ser condenada injustamente.


Quem se acumplicia ao imoral e ao ilícito, não tem respeitabilidade para governar o Brasil. Quem age para poupar ou adiar o julgamento de uma pessoa que é acusada de enriquecer às custas do Estado brasileiro e do povo que paga impostos, cedo ou tarde, acabará pagando perante a sociedade e a história o preço do seu descompromisso com a ética.


Todos sabem que não enriqueci no exercício de cargos públicos, que não desviei dinheiro público em meu proveito próprio, nem de meus familiares, e que não possuo contas ou imóveis no exterior. Sempre agi com absoluta probidade nos cargos públicos que ocupei ao longo da minha vida.


Curiosamente, serei julgada, por crimes que não cometi, antes do julgamento do ex-presidente da Câmara, acusado de ter praticado gravíssimos atos ilícitos e que liderou as tramas e os ardis que alavancaram as ações voltadas à minha destituição.


Ironia da história? Não, de forma nenhuma. Trata-se de uma ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia brasileira.


Viola-se a democracia e pune-se uma inocente. Este é o pano de fundo que marca o julgamento que será realizado pela vontade dos que lançam contra mim pretextos acusatórios infundados.


Estamos a um passo da consumação de uma grave ruptura institucional. Estamos a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado.


Senhoras e Senhores Senadores,

Vamos aos autos deste processo. Do que sou acusada? Quais foram os atentados à Constituição que cometi? Quais foram os crimes hediondos que pratiquei?


A primeira acusação refere-se à edição de três decretos de crédito suplementar sem autorização legislativa. Ao longo de todo o processo, mostramos que a edição desses decretos seguiu todas as regras legais. Respeitamos a previsão contida na Constituição, a meta definida na LDO e as autorizações estabelecidas no artigo 4° da Lei Orçamentária de 2015, aprovadas pelo Congresso Nacional.


Todas essas previsões legais foram respeitadas em relação aos 3 decretos. Eles apenas ofereceram alternativas para alocação dos mesmos limites, de empenho e financeiro, estabelecidos pelo decreto de contingenciamento, que não foram alterados. Por isso, não afetaram em nada a meta fiscal.


Ademais, desde 2014, por iniciativa do Executivo, o Congresso aprovou a inclusão, na LDO, da obrigatoriedade que qualquer crédito aberto deve ter sua execução subordinada ao decreto de contingenciamento, editado segundo as normas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. E isso foi precisamente respeitado.


Não sei se por incompreensão ou por estratégia, as acusações feitas neste processo buscam atribuir a esses decretos nossos problemas fiscais. Ignoram ou escondem que os resultados fiscais negativos são consequência da desaceleração econômica e não a sua causa.


Escondem que, em 2015, com o agravamento da crise, tivemos uma expressiva queda da receita ao longo do ano — foram R$ 180 bilhões a menos que o previsto na Lei Orçamentária.


Fazem questão de ignorar que realizamos, em 2015, o maior contingenciamento de nossa história. Cobram que, quando enviei ao Congresso Nacional, em julho de 2015, o pedido de autorização para reduzir a meta fiscal, deveria ter imediatamente realizado um novo contingenciamento. Não o fiz porque segui o procedimento que não foi questionado pelo Tribunal de Contas da União ou pelo Congresso Nacional na análise das contas de 2009.


Além disso, a responsabilidade com a população justifica também nossa decisão. Se aplicássemos, em julho, o contingenciamento proposto pelos nossos acusadores cortaríamos 96% do total de recursos disponíveis para as despesas da União. Isto representaria um corte radical em todas as dotações orçamentárias dos órgãos federais. Ministérios seriam paralisados, universidades fechariam suas portas, o Mais Médicos seria interrompido, a compra de medicamentos seria prejudicada, as agências reguladoras deixariam de funcionar. Na verdade, o ano de 2015 teria, orçamentariamente, acabado em julho.


Volto a dizer: ao editar estes decretos de crédito suplementar, agi em conformidade plena com a legislação vigente. Em nenhum desses atos, o Congresso Nacional foi desrespeitado. Aliás, este foi o comportamento que adotei em meus dois mandatos.


Somente depois que assinei estes decretos é que o Tribunal de Contas da União mudou a posição que sempre teve a respeito da matéria. É importante que a população brasileira seja esclarecida sobre este ponto: os decretos foram editados em julho e agosto de 2015 e somente em outubro de 2015 o TCU aprovou a nova interpretação.


O TCU recomendou a aprovação das contas de todos os presidentes que editaram decretos idênticos aos que editei. Nunca levantaram qualquer problema técnico ou apresentaram a interpretação que passaram a ter depois que assinei estes atos.


Querem me condenar por ter assinado decretos que atendiam a demandas de diversos órgãos, inclusive do próprio Poder Judiciário, com base no mesmo procedimento adotado desde a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2001?


Por ter assinado decretos que somados, não implicaram, como provado nos autos, em nenhum centavo de gastos a mais para prejudicar a meta fiscal?


A segunda denúncia dirigida contra mim neste processo também é injusta e frágil. Afirma-se que o alegado atraso nos pagamentos das subvenções econômicas devidas ao Banco do Brasil, no âmbito da execução do programa de crédito rural Plano Safra, equivale a uma “operação de crédito”, o que estaria vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.


Como minha defesa e várias testemunhas já relataram, a execução do Plano Safra é regida por uma lei de 1992, que atribui ao Ministério da Fazenda a competência de sua normatização, inclusive em relação à atuação do Banco do Brasil. A Presidenta da República não pratica nenhum ato em relação à execução do Plano Safra. Parece óbvio, além de juridicamente justo, que eu não seja acusada por um ato inexistente.


A controvérsia quanto a existência de operação de crédito surgiu de uma mudança de interpretação do TCU, cuja decisão definitiva foi emitida em dezembro de 2015. Novamente, há uma tentativa de dizer que cometi um crime antes da definição da tese de que haveria um crime. Uma tese que nunca havia surgido antes e que, como todas as senhoras e senhores senadores souberam em dias recentes, foi urdida especialmente para esta ocasião.


Lembro ainda a decisão recente do Ministério Público Federal, que arquivou inquérito exatamente sobre esta questão. Afirmou não caber falar em ofensa à lei de responsabilidade fiscal porque eventuais atrasos de pagamento em contratos de prestação de serviços entre a União e instituições financeiras públicas não são operações de crédito.

Insisto, senhoras senadoras e senhores senadores: não sou eu nem tampouco minha defesa que fazemos estas alegações. É o Ministério Público Federal que se recusou a dar sequência ao processo, pela inexistência de crime.


Sobre a mudança de interpretação do TCU, lembro que, ainda antes da decisão final, agi de forma preventiva. Solicitei ao Congresso Nacional a autorização para pagamento dos passivos e defini em decreto prazos de pagamento para as subvenções devidas. Em dezembro de 2015, após a decisão definitiva do TCU e com a autorização do Congresso, saldamos todos os débitos existentes.


Não é possível que não se veja aqui também o arbítrio deste processo e a injustiça também desta acusação.

Este processo de impeachment não é legítimo. Eu não atentei, em nada, em absolutamente nada contra qualquer dos dispositivos da Constituição que, como Presidenta da República, jurei cumprir. Não pratiquei ato ilícito. Está provado que não agi dolosamente em nada. Os atos praticados estavam inteiramente voltados aos interesses da sociedade. Nenhuma lesão trouxeram ao erário ou ao patrimônio público.


Volto a afirmar, como o fez a minha defesa durante todo o tempo, que este processo está marcado, do início ao fim, por um clamoroso desvio de poder.


É isto que explica a absoluta fragilidade das acusações que contra mim são dirigidas.


Tem-se afirmado que este processo de impeachment seria legítimo porque os ritos e prazos teriam sido respeitados. No entanto, para que seja feita justiça e a democracia se imponha, a forma só não basta. É necessário que o conteúdo de uma sentença também seja justo. E no caso, jamais haverá justiça na minha condenação.


Ouso dizer que em vários momentos este processo se desviou, clamorosamente, daquilo que a Constituição e os juristas denominam de “devido processo legal”.


Não há respeito ao devido processo legal quando a opinião condenatória de grande parte dos julgadores é divulgada e registrada pela grande imprensa, antes do exercício final do direito de defesa.


Não há respeito ao devido processo legal quando julgadores afirmam que a condenação não passa de uma questão de tempo, porque votarão contra mim de qualquer jeito.


Nesse caso, o direito de defesa será exercido apenas formalmente, mas não será apreciado substantivamente nos seus argumentos e nas suas provas. A forma existirá apenas para dar aparência de legitimidade ao que é ilegítimo na essência.


Senhoras e senhores senadores,

Nesses meses, me perguntaram inúmeras vezes porque eu não renunciava, para encurtar este capítulo tão difícil de minha vida.


Jamais o faria porque tenho compromisso inarredável com o Estado Democrático de Direito.


Jamais o faria porque nunca renuncio à luta.


Confesso a Vossas Excelências, no entanto, que a traição, as agressões verbais e a violência do preconceito me assombraram e, em alguns momentos, até me magoaram. Mas foram sempre superados, em muito, pela solidariedade, pelo apoio e pela disposição de luta de milhões de brasileiras e brasileiros pelo País afora. Por meio de manifestações de rua, reuniões, seminários, livros, shows, mobilizações na internet, nosso povo esbanjou criatividade e disposição para a luta contra o golpe.


As mulheres brasileiras têm sido, neste período, um esteio fundamental para minha resistência. Me cobriram de flores e me protegeram com sua solidariedade. Parceiras incansáveis de uma batalha em que a misoginia e o preconceito mostraram suas garras, as brasileiras expressaram, neste combate pela democracia e pelos direitos, sua força e resiliência. Bravas mulheres brasileiras, que tenho a honra e o dever de representar como primeira mulher Presidenta do Brasil.


Chego à última etapa desse processo comprometida com a realização de uma demanda da maioria dos brasileiros: convocá-los a decidir, nas urnas, sobre o futuro de nosso País. Diálogo, participação e voto direto e livre são as melhores armas que temos para a preservação da democracia.


Confio que as senhoras senadoras e os senhores senadores farão justiça. Tenho a consciência tranquila. Não pratiquei nenhum crime de responsabilidade. As acusações dirigidas contra mim são injustas e descabidas. Cassar em definitivo meu mandato é como me submeter a uma pena de morte política.


Este é o segundo julgamento a que sou submetida em que a democracia tem assento, junto comigo, no banco dos réus. Na primeira vez, fui condenada por um tribunal de exceção. Daquela época, além das marcas dolorosas da tortura, ficou o registro, em uma foto, da minha presença diante de meus algozes, num momento em que eu os olhava de cabeça erguida enquanto eles escondiam os rostos, com medo de serem reconhecidos e julgados pela história.


Hoje, quatro décadas depois, não há prisão ilegal, não há tortura, meus julgadores chegaram aqui pelo mesmo voto popular que me conduziu à Presidência. Tenho por todos o maior respeito, mas continuo de cabeça erguida, olhando nos olhos dos meus julgadores.


Apesar das diferenças, sofro de novo com o sentimento de injustiça e o receio de que, mais uma vez, a democracia seja condenada junto comigo. E não tenho dúvida que, também desta vez, todos nós seremos julgados pela história.


Por duas vezes vi de perto a face da morte: quando fui torturada por dias seguidos, submetida a sevícias que nos fazem duvidar da humanidade e do próprio sentido da vida; e quando uma doença grave e extremamente dolorosa poderia ter abreviado minha existência.


Hoje eu só temo a morte da democracia, pela qual muitos de nós, aqui neste plenário, lutamos com o melhor dos nossos esforços.


Reitero: respeito os meus julgadores.


Não nutro rancor por aqueles que votarão pela minha destituição.


Respeito e tenho especial apreço por aqueles que têm lutado bravamente pela minha absolvição, aos quais serei eternamente grata.


Neste momento, quero me dirigir aos senadores que, mesmo sendo de oposição a mim e ao meu governo, estão indecisos.


Lembrem-se que, no regime presidencialista e sob a égide da nossa Constituição, uma condenação política exige obrigatoriamente a ocorrência de um crime de responsabilidade, cometido dolosamente e comprovado de forma cabal.


Lembrem-se do terrível precedente que a decisão pode abrir para outros presidentes, governadores e prefeitos. Condenar sem provas substantivas. Condenar um inocente.


Faço um apelo final a todos os senadores: não aceitem um golpe que, em vez de solucionar, agravará a crise brasileira.


Peço que façam justiça a uma presidenta honesta, que jamais cometeu qualquer ato ilegal, na vida pessoal ou nas funções públicas que exerceu. Votem sem ressentimento. O que cada senador sente por mim e o que nós sentimos uns pelos outros importa menos, neste momento, do que aquilo que todos sentimos pelo país e pelo povo brasileiro.


Peço: votem contra o impeachment. Votem pela democracia.


Muito obrigada.
 
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