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domingo, 12 de janeiro de 2014

O que é práxis cidadã em Antonio Gramsci?



Professor PDE*: Edimar Eugenio 
Tema: O ENSINO DE FILOSOFIA E A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA. 



Título: O ensino e a construção da cidadania: concepções e métodos na perspectiva gramsciana. 



Texto 3

O que é práxis cidadã em  
Antonio Gramsci? 
Gramsci utilizou constantemente os conceitos de intelectual tradicional e intelectual orgânico para diferenciar seus papeis na permanência e constituição das hegemonias. O intelectual é para Gramsci aquele que desenvolve funções culturais de ligação entre as administrações políticas com o conjunto da população. Assim toda aglutinação em torno de um processo econômico necessita de intelecutais para fixar seus projetos específicos para a sociedade. 

Todo grupo social, ao nascer do terreno originário de uma função essencial no mundo da produção econômica, cria também, organicamente, uma ou mais camadas de intelectuais que conferem homogeneidade e consciência da própria função não apenas no campo econômico, como também no social e político: o empresário capitalista gera junto consigo o técnico da indústria, o cientista da economia política, o organizador de uma nova cultura, de um novo direito etc. (Gramsci, 1975, p.1513) 

Assim, que para ele, enquanto o intelectual tradicional que tem atuação especialmente definida, como por exemplo, o advogados, médicos, padres e políticos, no conjunto da sociedade. Estes, permanecem como que herdeiros naturais do patrimônio cultural, espiritual e político da hegemonia dominante pré-capitalista. Portanto são a armadura dos estamentos aristocráticos da sociedade espiritual, política e dos proprietários privados, portanto, "paternalista". 

Diferentemente do tradicional, o intelectual orgânico estão relacionados à função de dominação cultural que procura atingir grupos sociais emergentes forjados como o crescimento das forças produtivas e das relações capitalistas. Ou seja, estão ligados à burguesia urbanas ascendente e às novas funções econômicas e a sua expansão em todos os e recantos e meandros da sociedade. Agem sem disfarçar no sentido do apelo duma modernidade fundada em interesses de classe. 

Enquanto o tradicional age dentro das consciências petrificadas da tradição, a práxis do intelecual orgânico é no sentido de desagregar os valores anteriores e fundar outros novos num projeto de hegemonias, que de acordo com Gonzalez (1984), 

"O intelectual orgânico é o máximo grau de consciência de um intelectual sobre sua própria situação na situação da sociedade. Diante disso, a diferenciação entre o tradicional e orgânico termina por perder o sentido, pois tudo conflui nas feições orgânicas da sociedade, onde "todos são filósofos " [Será esclarecido melhor esse conceito nos próximos textos].

Enfim, este tipo de intelectual deve agir com "consciência popular" em tudo aquilo que já existe sem desconsiderar a cultura contemporânea, criticando-a uma vez que o que se interessa não é o "pensamento falso ou verdadeiro em si mesmo, mas sim, pensamentos que expressam com mais ou menos clareza a presença dos interesses das classes". 

Por exemplo, Gramsci parte da ideia de que uma classe produtiva já "possui em seu interior os pressupostos de sua própria superação" e elevando-os a uma concepção superior do mundo. Sendo assim, o intelectual orgânico tem por função social homogeneizar a concepção do mundo da classe a qual pertence e está organicamente ligado.



Referências: 

1) ARROYO, M.; BUFFA, E.; NOSELLA, P. Educação e cidadania: quem educa o cidadão. São Paulo, SP: Autores associados, 1991. 

 2) BUFFA, E. BRASIL – EDUCAÇÃO E CIDADANIA: PARA ALÉM DAS BURGUESIAS. Agência de Informação Frei Tito para a América Latina - ADITAL, 2007 [citado 2013 Jun. 13] Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=28860 Acesso em 13 de junho de 2013. 

 3) DEMO, P. Cidadania menor: algumas indicações quantitativas de nossa pobreza política. Petrópolis, RJ: Vozes, 1992. 

 4) GRAMSCI, A. Cadernos do Cárcere. Concepção dialética da história. Título original do italiano: Il materialismo storico e La filosofia de Benedetto Croce. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 8ª edição. Rio de Janeiro-RJ: Civilização Brasileira, 1989. 

 5) HORN, G. B. Ensinar Filosofia – pressupostos teóricos e metodológicos. Coleção filosofia e ensino, 13. Ijuí, RS: Editora Unijuí, 2009

Filoparanavaí 2014

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