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    sábado, 18 de janeiro de 2014

    Filosofia da religião: O problema do mal


    Filosofia da religião:  O problema do mal 



    O mundo em que vivemos está repleto de coisas más. Dor, fome, pobreza, tristeza, guerras, catástrofes e muitas outras coisas. Faz-nos pensar “Se eu fosse Deus, acabaria com tudo isso e faria um mundo melhor!” Dizem que Deus é criador, bom, omnipotente e omnisciente. Se assim fosse, o mal não existiria; um ser bom e com poderes ilimitados não criaria um mundo mau — criaria um mundo perfeito. Ao olharmos para o mundo e para os seus habitantes somos levados a concluir que o deus descrito atrás não existe. 

    Este é o problema do mal. Como podemos compatibilizar um mundo repleto de sofrimento com a existência de Deus? Dificilmente. 

    O problema do mal pode ser encarado de duas perspectivas distintas: por um lado temos os crentes, para quem o problema do mal é mais um desafio à fé que professam, talvez um Mistério da Fé; por outro, os não crentes, que encaram este problema como um argumento contra a existência de Deus. 

    Neste texto, irei abordar o problema do mal do ponto de vista do não crente e tentarei demonstrar que, contrariamente ao que o argumento nos diz, o mundo que conhecemos é compatível com Deus. 

    Deus 

    O argumento do mal contra a existência de Deus só se coloca quando se discute a existência de Deus tal como é defendida pelos teístas. Deus sabe tudo, pode fazer tudo, é infinitamente bom e criou o universo. Por saber tudo, sabe da existência do mal; por poder fazer tudo, pode eliminar o mal; por ser bom, quererá eliminar o mal; e por ter criado o universo é responsável pelo que fez. Se discutimos a existência de um deus que não reúna qualquer uma destas quatro características fundamentais, o problema do mal deixa de se colocar. 

    Importa detalhar um pouco o que se entende por um ser omnipotente e bom. Enquanto, neste contexto, a omnisciência de Deus não levanta grandes questões — Deus sabe do mal que existe no mundo — já a omnipotência e a bondade poderão originar alguns equívocos. Por omnipotência entende-se a capacidade de fazer tudo o que é logicamente possível. Assim, Deus poderá criar e destruir mundos, mas não poderá fazer um círculo quadrado ou um objecto demasiado pesado para Ele próprio levantar, dado que isto são impossibilidades lógicas. Quando dizemos que Deus é infinitamente bom, queremos dizer que Ele quererá fazer o melhor mundo possível, de acordo com critérios humanos. 

    Uma das maneiras de contornar o problema do mal seria afirmar que o conceito de bondade aplicado a Deus é diferente do aplicado aos seres humanos, pelo que, segundo os padrões de Deus, este seria o melhor mundo possível; o problema está em que, segundo este critério, não podemos afirmar que Deus é bom, uma vez que este conceito perde o seu significado. 

    Respostas possíveis 

    Assim, sendo Deus omnipotente, omnisciente, infinitamente bom e criador, como conseguimos compatibilizar o mundo que conhecemos, repleto de mal e sofrimento, com a Sua existência? Há diversos caminhos para responder a esta questão. Podemos justificar a existência do mal com base em bens maiores, proporcionados por esse mal. Temos assim o argumento do livre-arbítrio, que defende ser o sofrimento no mundo originado pela completa liberdade dos seres humanos — é um bem maior que origina o mal no mundo; temos também o argumento dos Santos e dos Heróis, que defende que o mal foi colocado no mundo para permitir a ocorrência de grandes feitos e atos de fé — é o mal que origina um bem maior. 

    Em qualquer uma destas explicações, e noutras da mesma natureza, faz-se uma tentativa de justificar e explicar todo o mal e todo o sofrimento do mundo. Ao justificar esse mal com recurso a um bem maior, deixa de ser contraditória a existência de Deus com o mundo que conhecemos. 

    Este tipo de argumento tem, quanto a mim, um problema de raiz: baseia-se numa análise dos propósitos e intenções de Deus. Como tal, apenas fará sentido depois de pressuposta uma determinada crença, não sendo possível contrariar a perplexidade dos não crentes perante o mal no mundo. Existem no mundo inúmeros factores que provocam quantidades exageradas de sofrimento — desde terramotos e outras catástrofes naturais a guerras e ações de extermínio provocado pelos seres humanos. Será que existe algum tipo de bem que justifique estes males? Qual é a justificação para a ocorrência de um terramoto que provoca milhares de mortes? Não seria possível para um ser omnipotente proporcionar esses alegados bens sem ter de recorrer a um terramoto? Estas e outras perguntas colocam sérios obstáculos aos argumentos de justificação do mal pela criação de bens maiores. 

    O argumento do mal é extremamente simples e, talvez por isso, muito forte; eventualmente mais forte do que qualquer justificação ou explicação do mal que consigamos arranjar. Se começamos por tentar explicar ou justificar a existência do sofrimento antes de conseguirmos demonstrar a sua compatibilidade com Deus, nunca conseguiremos ultrapassar o argumento do mal; a nossa argumentação ficará apoiada numa base muito fraca, de nada servindo contra a solidez do problema do mal. 

    O que eu defendo neste texto é que só conseguiremos ultrapassar o problema do mal, mesmo para aqueles que não creem em Deus, se conseguirmos provar que a existência de um mundo sem mal é uma impossibilidade lógica. Se tal for conseguido, segue-se que nem a omnipotência nem a bondade de Deus são postas em causa pela existência do mal no mundo. 

    O argumento 

    Quando afirmamos que a quantidade de mal existente no mundo é incompatível com a existência de Deus estamos a afirmar duas coisas simultaneamente: 

    1) Há demasiado mal no mundo; 
    2) É possível a existência de um mundo melhor. 

    Caso 2 seja falsa, Deus, mesmo sendo omnipotente, terá criado o melhor dos mundos, pelo que o argumento do mal perde a sua força. 

    Não vou contestar 1, uma vez que me parece óbvia, mas irei desenvolver um pouco mais 2 com vista a provar a sua falsidade. 

    Quando dizemos que existe demasiado mal no mundo, estamos a basear-nos nas nossas próprias observações. É o ser humano, o ser que sofre, que diz que o mundo tem demasiado sofrimento; não poderia nunca ser de outro modo. O sofrimento, quando se trata de abordar o problema do mal, será sempre avaliado pelos humanos. Assim, as proposições 1 e 2 serão equivalentes, respectivamente, a: 

    1') Quanto a nós, habitantes do mundo, existe demasiado mal no mundo; 
    2') É possível que exista um mundo que os seus habitantes considerem suficientemente bom. 

    O que eu defendo é que 2' é uma impossibilidade lógica, ou seja, que por muito pouco que seja o sofrimento ou mal existente num determinado mundo, este será sempre considerado exagerado pelos seus habitantes. Assim, o facto de nós considerarmos que o nosso mundo tem demasiado sofrimento não implica que seja um mundo mau; mesmo que o sofrimento existente fosse apenas uma ínfima parte do que agora conhecemos, continuaríamos a achar, com a mesma convicção, que o mundo era demasiado mau. Verifica-se assim, se 2' for falsa, que o mundo em que vivermos pode ser o melhor mundo possível, independentemente de nós concordarmos ou não. Note-se que esta afirmação é diferente de dizer que o conceito de bondade de Deus é diferente do conceito de bondade dos homens; o que se diz aqui é que os seres humanos não são observadores isentos e imparciais no que respeita a avaliar o mal do mundo. 

    A defesa do argumento 

    Vou agora apresentar argumentos que defendem que 2' é falsa — que não é possível que exista um mundo que os seus habitantes considerem suficientemente bom. 

    Analisemos antes de mais nada aquilo a que chamamos "sofrimento". Quanto a mim, todo o sofrimento resulta de uma Necessidade por satisfazer. Temos as necessidades físicas, que são necessidades no verdadeiro sentido da palavra — se não forem satisfeitas resultarão em sofrimento físico e eventualmente em morte. Temos as necessidades psicológicas, que habitualmente designamos por "desejos" — aquilo que queremos; se não conseguirmos ter aquilo que queremos, sofremos. Note-se que o termo "necessidade" é utilizado com dois significados distintos: aquilo que precisamos e aquilo que queremos. Ao longo do texto utilizarei "Necessidade" para designar o conjunto daquilo que precisamos e daquilo que queremos e "necessidade" para designar apenas aquilo que precisamos. 

    Conseguimos enquadrar na fórmula das Necessidades por satisfazer todo o tipo de sofrimento: dor (necessidade de bem-estar), fome (necessidade de alimento), doença (necessidade de saúde e bem estar), saudade (necessidade de alguém de que gostamos), tristeza (necessidade de algo/alguém que não temos), etc. 

    Se pensarmos bem nos vários tipos de sofrimento que conhecemos, verificamos que todos se enquadram neste conceito. Verificamos também que a maioria dos sofrimentos que consideramos mais graves, aqueles que dizemos incompatíveis com Deus, dão-se quando a Necessidade por satisfazer é do tipo desejo — falta-nos aquilo que queremos, não aquilo que precisamos. No topo da escala está a morte. Considero que a morte é sofrimento na medida em que queremos viver, não que precisamos de viver, pelo que será um sofrimento psicológico; a dor eventualmente associada à morte é que será um sofrimento físico. 

    Em suma: temos necessidades e vontades que, quando não são satisfeitas, resultam em sofrimento. 

    Para demonstrar que, independentemente da quantidade de mal existente num dado mundo, este será sempre considerado demasiado mau pelos seus habitantes temos que provar os seguintes pontos: 

    3) Um mundo sem qualquer tipo de mal não é um mundo bom;
    4) Um mundo com menos mal do que o nosso, por muito pouco que seja, será considerado demasiado mau pelos seus habitantes. 

    Imaginemos um mundo sem sofrimento. Um mundo sem sofrimento é um mundo em que os seus habitantes não têm Necessidades por satisfazer. Isto pode ser conseguido de duas formas: ou não têm Necessidades ou todas elas estão satisfeitas. Num mundo sem mal estas duas situações são equivalentes. Se todas as Necessidades estão satisfeitas, é o mesmo que não haver Necessidades. Poder-se-á dizer que nós, no nosso mundo, precisamos de água para beber, mas que por vezes essa Necessidade está satisfeita. No entanto, num mundo sem mal, essa Necessidade nunca esteve ou estará por satisfazer, pelo que os seus habitantes nunca tomaram consciência dela; para eles, será como se não tivessem Necessidade alguma. Um mundo sem qualquer tipo de Necessidade é um mundo sem emoções, sem sentimentos, sem movimento. Se não queremos nada nem precisamos de nada, por que razão fazer seja o que for? Se pensarmos cuidadosamente verificamos que um mundo sem qualquer tipo de Necessidade por satisfazer não é um mundo bom; com efeito, é um mundo que dificilmente conseguimos conceber. 

    Muito bem, diremos nós, um mundo sem mal não é um mundo bom. De qualquer modo, o sofrimento existente no nosso mundo é manifestamente exagerado. Podemos perfeitamente admitir um mundo em que possa haver sede, fome, alguns desejos não realizados e outras coisas mais, mas daí às guerras, terramotos e sabe-se lá mais o quê, vai um grande salto. Não temos dúvidas em afirmar que o sofrimento existente no nosso mundo é excessivo, sendo incompatível com a existência de Deus. 

    Isto leva-nos a 4, que diz que se existe sofrimento num determinado mundo, por muito pouco que seja, este será considerado demasiado pelos seus habitantes. 

    Um mundo com menos sofrimento do que o nosso, mas mesmo assim com algum sofrimento, será um mundo em que existem algumas, eventualmente poucas, Necessidades por satisfazer, que originam sofrimento. 

    Quanto a mim, cada indivíduo tem uma escala pessoal de sofrimento, que está relacionada com uma escala pessoal de Necessidades: uns resistem melhor à dor, outros são mais sensíveis, uns são mais fortes emocionalmente, outros choram por tudo e por nada. Situações semelhantes provocam em cada um de nós emoções diferentes e, se for o caso, sofrimentos diferentes. Isto deve-se a cada um de nós ter uma escala pessoal de Necessidades, dando uns mais valor a umas coisas do que a outras, precisando uns mais de umas coisas do que de outras. Todos precisamos ou desejamos diferentes coisas; e mesmo quando Necessitamos das mesmas coisas, a intensidade dessa Necessidade varia. 

    Podemos classificar as Necessidades da seguinte forma: 

    Necessidades latentes: São aquelas que ainda não foram consciencializadas por nós. Há coisas que queremos ou que precisamos mas que ainda não sabemos. Quando nascemos não sabemos que o ar nos faz falta. A necessidade do ar, nessa fase, é uma Necessidade latente. À medida que vamos crescendo o número de Necessidades latentes vai diminuindo, apesar de nunca desaparecerem por completo. Uma Necessidade latente deixa de o ser no momento em que se torna uma Necessidade por satisfazer, passando a ser uma Necessidade ativa. 

    Necessidades ativa: São aquelas que já conhecemos e que estão presentes no nosso pensamento. Uma Necessidade pode estar satisfeita, mas ser uma Necessidade activa. É o caso da necessidade do ar que respiramos — podemos não estar a sofrer com falta de ar, mas sabemos constantemente que nos é imprescindível. Uma Necessidade activa pode passar a Necessidade adormecida quando se afasta demasiado do nosso consciente. Todas as Necessidades por satisfazer são Necessidades ativas. 

    Necessidades adormecidas: São aquelas que já conhecemos mas que, de momento, estão longe do nosso pensamento. Uma Necessidade adormecida é, basicamente, uma Necessidade activa que se foi afastando do nosso consciente. Se partimos uma perna, vivemos uma Necessidade por satisfazer aguda — a Necessidade que a perna fique boa. Mesmo depois de curar a perna conhecemos uma Necessidade activa, apesar de não estar por satisfazer, que a perna se mantenha boa. Ao fim de alguns meses ou anos deixamos de sentir essa Necessidade, passando esta a ser uma Necessidade adormecida — não pensamos mais na perna partida, será apenas uma vaga recordação. 

    A escala pessoal de Necessidades de cada um de nós, que está intimamente ligada com uma escala pessoal de sofrimento, é determinada pelo conjunto de Necessidades ativas que vivemos no momento. Essa escala não é constante, varia ao longo do tempo em função dos inúmeros factores que determinam as nossas Necessidades. 

    Quando vivemos uma situação de Necessidade por satisfazer, o sofrimento por ela provocado será função da posição dessa Necessidade na nossa escala pessoal. Se a Necessidade não satisfeita está no topo da escala, sofremos muito, se está na base, sofremos pouco. 

    Se me telefonam a meio da noite a dizer que alguém que me é querido teve um acidente e faleceu, sofrerei imenso. No momento em que recebo o telefonema estou longe de imaginar que tal vai acontecer — a Necessidade que tenho dessa pessoa é uma Necessidade adormecida ou então activa mas distante da minha consciência. Como tal, a situação que estou a viver é de uma Necessidade por satisfazer elevadíssima, nesse momento é o topo da minha escala, não estou consciente de mais Necessidades que possam surgir naquele momento. Sofro imenso. 

    Por outro lado, imaginemos que houve um terramoto, com milhares de vítimas, num lugar onde diversas pessoas que me são queridas estão a passar férias; as notícias que tenho apontam para que ninguém tenha sobrevivido. Depois, recebo a notícia de que afinal apenas uma pessoa faleceu; o sofrimento que sinto será certamente elevado, mas inferior ao do exemplo anterior. As notícias precedentes aumentaram consideravelmente a minha escala de Necessidades activas. A morte de "apenas" uma pessoa já não está no topo da escala, passou a estar num nível mais abaixo. 

    Quantas vezes, ao viver uma situação de tristeza, não tentamos inconscientemente aumentar a nossa escala de Necessidades ativa, para diminuir o sofrimento que sentimos. Pensamos naqueles que estão pior do que nós, tentamos imaginar que poderia ser pior; em suma, tentamos alargar a nossa escala de Necessidades ativas, de modo a que a Necessidade por satisfazer que causa o nosso sofrimento desça um pouco de nível, diminuindo com isso o sofrimento que sentimos. 

    Voltemos agora ao mundo ideal, com algum sofrimento mas em menor quantidade do que o nosso. Para que este mundo tenha menos sofrimento temos duas hipóteses: ou existem menos Necessidades ou o seu grau de satisfação é maior. Qualquer uma destas situações resulta numa escala de Necessidades activas de menor amplitude — a quantidade de Necessidades por satisfazer é menor. No entanto, depois do que foi dito anteriormente, facilmente se verifica que qualquer criatura desse mundo que viva uma Necessidade por satisfazer do topo da sua escala, seja ela qual for, estará a sofrer intensamente. Mesmo que esse sofrimento seja provocado por uma unha encravada, se for o topo da escala de Necessidades activas, será um sofrimento atroz. Vemos situações destas todos os dias, especialmente com as crianças. Uma criança que viva numa família estável, com um nível de vida médio ou elevado, vive num mundo semelhante ao mundo que dizemos ideal, com pouco sofrimento. Com efeito, esta criança não conhece nenhum tipo de sofrimento que nós, adultos, dizemos ser elevado: não conhece a fome, a morte, a pobreza, a guerra nem nenhuma outra das desgraças do mundo. No entanto não podemos dizer que essa criança não sofre; quando quer algo que não pode ter o seu sofrimento será extremamente elevado, essa Necessidade por satisfazer está no topo da sua escala pessoal. Os pais dirão que é apenas uma birra, o sofrimento que o filho está a sentir não é nada comparado com o que existe à sua volta. Na escala de Necessidades dos pais, que já conhecem muitos outros tipos de sofrimento, a falta desse brinquedo está no nível mais baixo, se é que chega a figurar nela. 

    Alternativamente, podemos imaginar um mundo em que a escala de Necessidades ativas seja bastante alargada, mas em que os seus habitantes apenas vivam situações "a meio da escala". O problema desta hipótese está em que para a escala das Necessidades activas ser alargada será necessária uma tomada de consciência das Necessidades que a compõem, caso contrário estas passarão a Necessidades adormecidas ou então nunca deixarão de ser Necessidades latentes. Para uma Necessidade ser activa temos que tomar algum tipo de contacto com ela, seja porque foi uma Necessidade por satisfazer, mesmo que temporariamente, ou porque sabemos de alguém que a sofreu. Se o conhecimento que temos dessa Necessidade é muito afastado, não será uma Necessidade activa. Para qualquer um de nós, a necessidade que temos de um sistema solar estável é algo que está longe dos nossos pensamentos, é uma Necessidade latente muito reduzida; no entanto, se imaginarmos que o planeta Terra estará habitado pelos nossos descendentes daqui a alguns milhões de anos, quando se prevê que o Sol se expanda consumindo todo o sistema solar interior, esta Necessidade será fortíssima, estará certamente no topo da escala. Eventualmente dirão: "Um terramoto ou uma guerra mundial até seria compatível com Deus, agora um conjunto de planetas consumido por uma bola de fogo? Nunca!" 

    Em jeito de resumo podemos dizer que qualquer situação de Necessidade por satisfazer próxima do topo da escala de Necessidades ativas será insuportável para quem a vive. Por outro lado, a escala pessoal de Necessidades activas, que condiciona o sofrimento, é definida pelo sofrimento máximo que conhecemos. Assim, num mundo em que haja sofrimento, por muito pouco que este seja, haverá necessariamente situações de sofrimento insuportável, do topo da escala do sofrimento, que serão consideradas por quem as vive como incompatíveis com Deus. 

    Conclusão 

    Prova-se assim que a existência de um mundo considerado bom pelos seus habitantes é logicamente impossível, pelo que um mundo considerado mau pelos seus habitantes não se torna incompatível com Deus. O nosso mundo é considerado mau pelos seus habitantes; mas daí não se segue que é incompatível com Deus. 

    Faço notar, para finalizar, que o argumento que defendo apenas nos diz que o mundo que conhecemos é compatível com a existência de Deus. Não podemos daqui inferir que Deus é bom, que Deus existe ou sequer que se Deus existisse, seria bom; não podemos a partir deste argumento justificar o mal que há no mundo, nem sequer concluir que o mundo é bom. O argumento apenas nos diz que não podemos retirar do problema do mal, tal como enunciado no início, que Deus não existe. A partir daqui podemos avançar para uma tentativa de justificar o sofrimento existente no mundo e, eventualmente, provar que este é o melhor mundo possível. Este caminho será, mesmo com base no argumento exposto, extremamente difícil; apesar de termos demonstrado que o problema do mal não é conclusivo quanto à existência de Deus, este continua a ser extremamente forte. 

    Aquele que coloca o problema do mal poderá sempre dizer que, no mundo em que vivemos, as situações de sofrimento do topo da escala média dos humanos são muito mais frequentes do que o necessário. Seria suficiente um terramoto de vinte em vinte anos para "alargar" a nossa escala de sofrimento, resultando isso num sofrimento médio mais reduzido. Por outro lado, o crente poderá dizer que não é bem assim, que nos parece a nós que o sofrimento é todo do topo da escala porque, em face de situações de sofrimento elevado, temos tendência para esquecer o sofrimento mais reduzido. 

    Podemos agora dizer, seguramente, que um mundo com mal é compatível com Deus; mas será que podemos dizer que o nosso mundo, com o mal que nele existe, também o é? 

    Fica a pergunta, faltam as respostas. 

    Jaime Quintas
    quintasjaime@yahoo.com 

    PUBLICAÇÃO ORIGINAL: http://criticanarede.com/

    Referências 
    Richard Swinburne, "Por que Razão Deus Permite o Mal" in Será que Deus Existe?, Cap. 6 (Gradiva, 1998) 

    Brian Davies, "God and Evil" in An Introduction to the Philosophy of Religion, cap. 3 (Oxford University Press, 1993) J.L. Mackie, The Miracle of Theism (Oxford, 1982)

    Filoparanavaí 2014

    ARQUIVOS DE FILOSOFIA POLÍTICA....




    CONFIRA NOVOS TEXTOS DE FILOSOFIA POLÍTICA

    O ensino e a construção da cidadania: concepções e métodos na perspectiva gramsciana.


     Texto 1 
     Noção de cidadania na antiguidade clássica: Gregos.


     Comumente o conceito cidadania remonta ao mundo grego e é para lá que faremos nossa primeira parada. Antes das formas mais organizadas de sociedade havia entre os gregos a organização familiar numerosa onde cada uma tinha suas divindades e deuses domésticos. Esse tipo de religião doméstica mantinha isolado as demais famílias que aos poucos, em razão dos casamentos, elas se uniam em torno de um deus comum e superior ao doméstico.



    Texto 2 
                         O que seria uma "práxis cidadã" em Aristóteles?

     A tríade aristotélica - Cidadania, Virtude e Felicidade -, e de acordo com o mesmo filósofo, reside no sentido prático onde o dever e a ação configura ao que podemos denominar de verdadeira cidadania. Assim, ser cidadão em geral, significa ser um indivíduo ativo e participante da coisa pública, inclusive nos com cargos públicos, ou seja, de algum modo ou medida, participar do poder público, portanto, uma cidadania mais real e menos formal. (A POLÍTICA, p.58)



    Texto 3 
                        O que é práxis cidadã em Antonio Gramsci? 

     Gramsci utilizou constantemente os conceitos de intelectual tradicional e intelectual orgânico para diferenciar seus papeis na permanência e constituição das hegemonias. O intelectual é para Gramsci aquele que desenvolve funções culturais de ligação entre as administrações políticas com o conjunto da população. Assim toda aglutinação em torno de um processo econômico necessita de intelecutais para fixar seus projetos específicos para a sociedade.




    Filoparanavaí 2014

    Filosofia da Religião: PARA VOCÊ QUE SE DIZ CRISTÃO E SALVO E QUE JULGA TODOS OS DIAS O DESTINO DE SEUS IRMÃOS, ABRA SEUS OLHOS...

    EIS UM LIDER RELIGIOSO CRISTÃO PROFUNDAMENTE HUMANO... 



    Desmond Tutu: 
    'Prefiro o inferno ao paraíso homofóbico'


    “Eu não veneraria um Deus que fosse homofóbico e é assim que me sinto para falar sobre isso”, afirmou. “Eu me recusaria a entrar em um paraíso homofóbico. Chegaria lá e diria: ‘sinto muito’, prefiro ir para ‘o outro lugar’”. Tutu também fez pesadas críticas a religiões e líderes espirituais que discriminam pessoas por suas opções sexuais. 

    Ativista dos Direitos Humanos, ex-arcebispo anglicano da África do Sul critica religiões e líderes espirituais que discriminam pessoas por causa da orientação sexual 

    O ex-arcebispo da Igreja Anglicana da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, um dos principais ativistas dos direitos humanos no continente africano, fez uma importante defesa pelos direitos da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) no mundo. 

    Durante evento na ONU (Organização das Nações Unidas) na África do Sul em defesa da diversidade sexual, Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1984 por sua atuação contra o apartheid, afirmou que prefere “o inferno do que um paraíso homofóbico”. 

    Eu não veneraria um Deus que fosse homofóbico e é assim que me sinto para falar sobre isso”, afirmou. “Eu me recusaria a entrar em um paraíso homofóbico. Chegaria lá e diria: ‘sinto muito’, prefiro ir para ‘o outro lugar’”. Tutu também fez pesadas críticas a religiões e líderes espirituais que discriminam pessoas por suas opções sexuais. 

    O evento, ocorrido na última sexta-feira (26.07.13) na Cidade do Cabo, contou também com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e da alta comissária para os direitos humanos, Navi Pillay, no lançamento de uma campanha em defesa da comunidade LGBT pelo mundo. 

    Pillay lembrou que 76 países criminalizam as relações entre pessoas do mesmo sexo. As punições, nesses locais, variam desde sentenças de prisão à execução, o “que se constitui em clara violação aos direitos humanos básicos”. 

    “Estou tão engajado nesta campanha como sempre estive na luta contra o apartheid. Para mim, ambas estão no mesmo nível”, disse Tutu, que se aposentou recentemente. 

    Fonte: BrasilAtual 


    MINHA MODESTA OPINIÃO


    Somos 2, CONCORDO 100% COM O QUE DISSE o líder religioso Tutu. Esse paraíso seria o maior "CAÓ", cheio de beatos e beatas moralistas e infelizes que passaram a vida na Terra cuidando das vidas dos outros e sentindo-se o suprassumo da santidade... Iriam dominar o céu, fazer uma triagem: mães solteiras, casais em segunda união, jovens promíscuos que fazem sexo antes do casamento, beberrões, homossexuais e muitos outros, não entrariam no Reino dos Céus (1 Corintios 6 [9-10] Apocalipse 21 [7-8]) NÃO SE PREOCUPE COM ISSO, POIS NÃO FOI JESUS QUE AFIRMOU ESSAS TOLICES FORAM SEUS SEGUIDORES MORALISTAS. 

    Os mesmos, ainda se acham, merecedores de milagres "fantásticos" e portadores de senha exclusiva para entrar no céu só porque vão às missas e cultos, leem Bíblia, pagam dízimo, participam de correntes de orações e cursos, rezam terços e gritam "Glória a Deus"... 

    Mas de acordo com a Bíblia eles vão quebrar a cara se o que lá está escrito for verdadeiro:“Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (Mt 21 [31]). POR QUE SERÁ? Jesus não foi moralista e muito menos cuidou da vida dos outros, jamais excluiu quem quer que seja, ao contrário, acolheu com imenso amor, lutou justamente pela inclusão e justiça social, denunciou os moralistas dos valores e os corruptos da política, por isso morreu na CRUZ... 

    Se lermos cuidadosamente as páginas dos evangelhos, no geral Jesus ensinou apenas que não são Filhos de Deus, mas das trevas os mentirosos, ladrões do povo (líderes religiosos e políticos que enganam e roubam o povo) e os hipócritas (aqueles que se acham santos e no direito de julgarem os outros). 

    Eu não tenho religião, não tenho igreja, não pago dízimo, não leio Bíblia [já li e estudei muito], não rezo orações oficiais de igrejas, não curto música gospel, repeito quem tem religião e igreja, mas eu não tenho e nem quero ter... CREIO em Deus, creio que existe apenas um Deus e ele está em todas as religiões, em todo o Universo, não é propriedade de nenhuma religião e salva quem quer; acredito no Homem que pode transformar o mundo pela justiça e equidade, que pode lutar contra todas as formas de injustiças e violências; sou gay 100% feliz com a condição que Deus me deu; sou pobre materialmente mas muito rico em espiritualidade, intelectualidade, bondade, humanidade; ajudo as pessoas sempre que posso com o pouco que tenho; amo a todos e sempre luto para que o bem impere... Adoro uma cervejinha, uma carne assada, uma balada... Jamais me senti rejeitado, condenado, ou excluído por Deus, aliás, Ele me ama assim, do jeitinho que eu sou... Você quer que eu acredite em Deus ou nas suas interpretações malucas feitas a partir de escritos milenares em um livro, em um tempo que não existia Filosofia e Ciência com a produção que temos hoje? Sou Filho de Deus, sou Filho da Luz isso é o que importa, no mais, é apenas mais...

    Para nos tornarmos "SANTOS" não precisamos exclusivamente de Religião e muito menos de igreja, para sermos "Santos" precisamos apenas ser VERDADEIROS FILHOS DE DEUS/FILHOS DA LUZ, amar com gratuidade sem jamais julgar quem quer que seja pois isso cabe apenas a Deus,viver nossa vocação de só fazer o BEM; ser autenticamente FELIZ, essa é a vocação dos verdadeiros filhos de Deus e para ser Feliz a receita é AMAR com gratuidade, inclusive os nossos inimigos... Viva isso e você não precisará perder tempo julgando os outros...






    Filoparanavaí 2014

    quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

    ATUALIDADES: TEMAS CONTEMPORÂNEOS 2




    CONFIRA NOVOS TEXTOS DE FILOSOFIA POLÍTICA

    O ensino e a construção da cidadania: concepções e métodos na perspectiva gramsciana.


     Texto 1 
     Noção de cidadania na antiguidade clássica: Gregos.


     Comumente o conceito cidadania remonta ao mundo grego e é para lá que faremos nossa primeira parada. Antes das formas mais organizadas de sociedade havia entre os gregos a organização familiar numerosa onde cada uma tinha suas divindades e deuses domésticos. Esse tipo de religião doméstica mantinha isolado as demais famílias que aos poucos, em razão dos casamentos, elas se uniam em torno de um deus comum e superior ao doméstico.



    Texto 2 
                         O que seria uma "práxis cidadã" em Aristóteles?

     A tríade aristotélica - Cidadania, Virtude e Felicidade -, e de acordo com o mesmo filósofo, reside no sentido prático onde o dever e a ação configura ao que podemos denominar de verdadeira cidadania. Assim, ser cidadão em geral, significa ser um indivíduo ativo e participante da coisa pública, inclusive nos com cargos públicos, ou seja, de algum modo ou medida, participar do poder público, portanto, uma cidadania mais real e menos formal. (A POLÍTICA, p.58)



    Texto 3 
                        O que é práxis cidadã em Antonio Gramsci? 

     Gramsci utilizou constantemente os conceitos de intelectual tradicional e intelectual orgânico para diferenciar seus papeis na permanência e constituição das hegemonias. O intelectual é para Gramsci aquele que desenvolve funções culturais de ligação entre as administrações políticas com o conjunto da população. Assim toda aglutinação em torno de um processo econômico necessita de intelecutais para fixar seus projetos específicos para a sociedade.



    Mundo perde área verde do tamanho da Argentina


    O mundo perdeu 2,3 milhões de quilômetros quadrados de área verde original, equivalente ao tamanho da Argentina, entre 2000 e 2012, apontou estudo da Universidade de Maryland (EUA), publicado na revista Science. No período, 800 mil quilômetros quadrados foram replantados, informou O Globo (15/11/13). Os autores exaltaram o fato de o Brasil ter reduzido pela metade as taxas de desmatamento na Amazônia: em 12 anos, caíram de 40 mil para 20 mil quilômetros quadrados anuais. 

    A Indonésia foi o país mais devastado no período: de 10 mil para 20 mil quilômetros quadrados. Outras nações em desenvolvimento, como Costa do Marfim, Malásia, Paraguai, Zâmbia e Angola, também tiveram perda de área verde proporcionalmente alta. As florestas tropicais registraram os maiores índices de aumento do desmatamento, com a derrubada de mais 2,1 mil quilômetros quadrados de cobertura vegetal a cada ano. Apesar de o Brasil ter sido elogiado no artigo, estudo do Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélites (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicou que o desmatamento na Amazônia voltou a subir depois de quatro anos em queda, informou a Folha de S. Paulo (15/11/13). Em 2008, fora registrado aumento de 11% em relação a 2007 e, desde então, os números só diminuíam. O Inpe identificou alta de 28% no corte de árvores, entre agosto de 2012 e julho de 2013, em relação ao período anterior. 

    Embora o resultado aponte crescimento, a pesquisa revela que a área desmatada em 2013 (5.843 km²) é a segunda menor em mais de 20 anos, somente atrás da de 2012 (4.5671 km²), o menor valor de desmatamento desde o início do controle, em 1988. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, classificou a taxa do Prodes 2013 como “inaceitável” e afirmou que o aumento já havia sido constatado pelas instituições do setor e que a oscilação não está relacionada à retirada de recursos do Governo Federal em fiscalização.

    De acordo com a diretora de relações institucionais da ONG Conservação Internacional, Patrícia Baião, é preciso investir nas áreas protegidas e fortalecer a gestão ambiental, inclusive nos estados e municípios, informou O Globo. “Somos um exemplo para o mundo, mas a taxa divulgada pelo Inpe mostra que ainda temos muito trabalho pela frente”, considerou.

    Grilagem e comunidades expulsas 


    Corporações do setor de alimentos estão financiando, no Brasil, a grilagem de terras, a degradação ambiental e a expulsão de comunidades tradicionais de seus territórios, ao participar da cadeia produtiva do açúcar, comprando o produto de usinas envolvidas em violação de direitos humanos e contaminação ambiental. A análise foi divulgada pela organização internacional Oxfam, à frente da campanha Por Trás das Marcas, que busca sensibilizar as grandes marcas de alimentos para que adotem práticas comerciais menos predatórias e mais responsáveis, informou o site do MST (11/11/13). 

    As marcas Coca-Cola e PepsiCo encabeçam a lista, seguidas de Unilever, Nestlé, Kellogg’s e General Mills, entre outras. A campanha foi realizada a partir de pesquisa da organização Papel Social Comunicação, que identificou, sob a coordenação da Oxfam, os elos da cadeia produtiva do açúcar, em um trabalho que levou mais de um ano. Essas mesmas corporações também são responsáveis pela invasão de terras indígenas com o objetivo de plantar cana-de-açúcar.

    As primeiras informações coletadas trouxeram à tona dois casos: violações dos direitos humanos, poluição e impactos socioambientais causados a comunidades tradicionais, em Barra do Sirinhaém, sul de Pernambuco pela usina Trapiche, fornecedora de açúcar para Coca-Cola e PepsiCo; e plantio de cana-de-açúcar pela usina Bunge, também fornecedora da Coca-Cola, na terra indígena Jatayvary, da etnia Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul.

    De acordo com o levantamento, a Trapiche expulsou 53 famílias de uma comunidade de pescadores que viviam em 17 pequenas ilhas de um estuário marinho, área pertencente à União, usada pela usina para escoar vinhoto, líquido tóxico resultante do beneficiamento da cana. 

    Em 2006, a comunidade, com apoio da Pastoral da Terra, obteve aprovação para criar uma reserva extrativista no local no qual o vinhoto é despejado. A reserva, no entanto, não foi criada até hoje, aguardando o aval do governo estadual. 

    A usina estaria dizimando a fauna marinha, gerando grave problema de insegurança alimentar na região, que vive da pesca para se alimentar e gerar renda.

    Já a Bunge, que tem unidade produtora de etanol próxima a Ponta Porã (MS), apesar das denúncias, continua a invadir com grandes plantações de cana a Terra Indígena (TI) de Jatayvary, reconhecida pela Funai desde 2004, mas sofrendo entraves no processo de demarcação desde então. A Bunge beneficia cana-de-açúcar de cinco fazendas instaladas dentro da TI. 

    A pesquisa apontou, ainda, que, dos 125 casos de violência contra povos indígenas registrados no Brasil, em 2012, o maior número de casos (25) ocorreu no Mato Grosso do Sul, quase todos por conta de conflitos resultantes da invasão de terras indígenas por fazendeiros.

    Fome diminui, obesidade aumenta


    Relatório da agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) apontou (3/12/13) que a América Latina é a região que mais avanços registrou na luta contra a fome, mas advertiu sobre o risco do aumento dos índices de obesidade e sobrepeso, informou o portal de notícias R7 (4/12/13). Segundo o relatório, Panorama da segurança alimentar e nutricional da América Latina e do Caribe 2013, o número de pessoas que passa fome na região diminuiu de 65,7 milhões no período 1990-1992 para 47 milhões em 2011-2013, o que equivale a queda de 14,7% da população para 7,9%. Oito países da América Latina e o Caribe conseguiram erradicar a fome, entre eles, Argentina, Barbados, Chile e Cuba. Brasil, Colômbia, Guiana, Honduras, Nicarágua, Panamá, Peru e República Dominicana, por sua vez, alcançaram um dos Objetivo do Milênio, de reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, o número de pessoas que sentem fome.

    De acordo com o representante da FAO Adoniram Sanches, quatro tipos de políticas impulsionadas pelos governos da região tiveram efeitos positivos na redução da fome e da desnutrição: transferências condicionadas, programas de alimentação, planos de apoio à agricultura familiar e iniciativas para fomentar o emprego rural decente.

    A FAO lembrou, entretanto, que ainda há 47 milhões de pessoas desnutridas e 66 milhões em situação de indigência na América Latina. A situação mais delicada é a do Haiti, onde 49,8% da população passam fome, seguido pela Guatemala (30,5%), Paraguai (22,3%), Nicarágua (21,7%) e Bolívia (21,3%).

    Outro desafio que se impõe à região é o controle da obesidade e do sobrepeso, que afeta mais gente do que a desnutrição e ameaçam tornar-se o principal risco alimentício nos próximos dez anos. Segundo a FAO, a obesidade afeta 23% da população adulta da América Latina — porcentagem que sobe para 61% contabilizando-se também as pessoas com sobrepeso.

    Mudanças no estilo de vida e transformações nos padrões alimentícios são as causas desse problema, que afeta tanto os países com maior crescimento econômico quanto os mais pobres, tanto os que conseguiram erradicar a fome, quanto os que ainda sofrem com ela, indicou o relatório da FAO.

    Expectativa de vida aumenta, anos de trabalho também


    Números divulgados (2/12/13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram que a expectativa de vida ao nascer no Brasil passou para 74,6 anos, três anos mais do que o registro de 2002, de 71 anos, informou o portal de notícias G1 (2/12/13). Em relação a 2011, quando a esperança de vida do brasileiro era de 74,1 anos, o acréscimo foi de 5 meses e 12 dias. Entre os homens, foi de quatro meses e dez dias (de 70,6 para 71 anos); para as mulheres, de 6 meses e 25 dias (de 77,7 para 78,3 anos). O levantamento mostrou, ainda, que a taxa de mortalidade infantil (de crianças com até um ano) diminuiu, de 16,13 mortes em cada mil nascidos vivos, em 2011, para 15,69 mortes. 

    Os dados divulgados anualmente pelo IBGE são usados pelo Ministério da Previdência para calcular aposentadorias. A revisão da expectativa de vida do brasileiro de 2013 levou a uma perda no valor do benefício nos pedidos de aposentadoria feitos a partir de 2/12/2013 — ou a um aumento do número de dias trabalhados para manter o valor. A queda do valor da aposentadoria ocorre porque, com a expectativa de vida ao nascer, o IBGE recalcula a expectativa de sobrevida (quantos anos mais espera-se que a pessoa viva) para cada faixa etária.

    O cálculo da aposentadoria é feito levando-se em conta o fator previdenciário, que reduz o valor dos benefícios quanto maior for a expectativa de sobrevida do aposentado. Segundo o governo, com as novas expectativas de vida, considerando-se a mesma idade e tempo de contribuição, uma pessoa de 55 anos e 35 de contribuição que vier a requerer a aposentadoria terá que contribuir por mais 153 dias para manter o mesmo valor de benefício.

    Alzheimer: olhos e pulso no diagnóstico precoce

    Exame detalhado dos olhos e boa avaliação da pressão do pulso podem ser recursos para diagnosticar precocemente o Mal de Alzheimer, informou o Correio Braziliense (15/11/13) Resultados de dois estudos independentes mostram que há relação entre o risco para a doença e anomalias na retina somada a alterações na variação da pressão sistólica e a diastólica. “Apesar de os tratamentos atuais terem eficácia limitada, um diagnóstico precoce pode ajudar no desenvolvimento de intervenções que busquem prevenir ou atrasar o processo neurodegenerativo, assim como contribuir para a formulação e a avaliação de novos tratamentos”, avalia o neurologista Stephan Frost, professor da Universidade de Western Austrália e pesquisador da doença. 

    O também neurologista R. Scott Turner, autor de estudo apresentado (15/11/13) no Neuroscience 2013, encontro anual da Sociedade Neurociência dos Estados Unidos, afirma que um dos biomarcadores pode ser a espessura dos tecidos da retina. O cérebro, inclusive os neurônios, são conectados diretamente por células que compõem a membrana ocular. “É uma extensão do cérebro. Então, faz sentido investigar se os mesmos processos patológicos encontrados em um órgão com Alzheimer estão presentes nos olhos”, diz.

    Apesar de ainda não haver cura ou tratamento adequado para o Mal de Alzheimer, a medicina investiga maneiras de identificar a doença antes que as funções mentais sejam comprometidas. Apesar de não ser possível, ainda, retardar a degeneração, o manejo de sintomas como a perda da memória e a agressividade é possível. O Alzheimer desenvolve-se de forma lenta e silenciosa e, até que os primeiros sinais apareçam, podem se passar de duas a três décadas. 

    Pílula do dia seguinte mais usada pelas jovens

    Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) com 800 jovens indicou que 60% já recorreram à pílula do dia seguinte uma vez na vida. Do total, 307 disseram ter vida sexual ativa. Entre as alunas de escolas particulares, o uso da pílula do dia seguinte foi de 57%; entre as de escolas públicas, foi de 57,9%. Foram ouvidas estudantes de Arujá, na região metropolitana de São Paulo, com idade de 15 a 19 anos, em 2011, informou o Estado de S. Paulo (16/11/13).

    “Estudos anteriores em regiões metropolitanas indicavam taxas menores, em torno de 50%”, observou Ana Luiza Borges, professora da Escola de Enfermagem da universidade e coordenadora do trabalho, apresentado na Conferência Internacional de Planejamento Familiar, na Etiópia, em novembro. O uso, muitas vezes, deve-se à insegurança: “É o medo de não ter usado de forma adequada o contraceptivo”, explicou.

    A pesquisa revelou que a farmácia é o local mais procurado pelas jovens para obter a pílula: 74,6% compraram o contraceptivo de emergência com custo médio de R$ 12; apenas 6,8% tiveram acesso ao medicamento em postos de saúde. A distribuição no SUS teve início em abril de 2013. 

    Gás natural: aquíferos em risco

    O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública para anular parcialmente a 12ª rodada de leilão de gás natural promovida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) no final de novembro e que arrematou 72 áreas para exploração do produto, informou o site Carta Maior (3/12). Dessas áreas, 54 apresentam alto potencial para a produção de gás de xisto (shale gás), considerada altamente arriscada para o meio ambiente e capaz de trazer graves consequências sociais e econômicas. No Brasil, a exploração do gás de xisto sofre oposição de entidades dos setores sindical, socioambiental e sanitário, apontou o site. Entre as organizações que solicitaram publicamente para que o leilão nem se realizasse estão a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes), a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e o Sindicato Nacional dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro).

    O principal foco das críticas é o método de produção do gás, conhecido como fraturamento ou, no termo em inglês, fracking. Após explodir a rocha, é injetada grande quantidade de água contendo produtos químicos para liberar o gás. “Não se conhece ao certo o risco trazido pela injeção dessa água no subsolo, e o risco de se contaminarem aquíferos freáticos”, explica o presidente da Abes, Dante Ragazzi Pauli. “É isso que a gente quer discutir, e que entende que deveria ter sido discutido antes do processo do leilão”, disse. “Exigimos moratória da exploração nessas áreas arrematadas no leilão, para que possa haver ampla discussão com a sociedade, com os ambientalistas e com os próprios moradores das áreas de exploração, que serão afetados”, reivindica Emanuel Cancela, secretário-geral da FNP.

    Em relação aos prejuízos econômicos resultantes da exploração do gás xisto, Cancela explica que, em médio prazo, o processo tende a fazer baixar o preço do petróleo e, assim, diminuir o valor econômico das reservas de óleo e gás do pré-sal. “Só utiliza essa produção quem não tem petróleo, o que não é o caso do Brasil”. 

    Um dos pontos ameaçados pela produção do gás de xisto é o Aquífero Guarani, considerado um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, localizado em lençóis freáticos no subsolo de São Paulo e do Paraná — 16 áreas arrematadas pelo leilão ficam na Bacia do Paraná, em cima do aquífero.

    “A contaminação do Aquífero Guarani é um risco concreto, e seria sem dúvida uma catástrofe ecológica de impacto internacional”, avaliou em artigo o ex-secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Liszt Vieira, um dos responsáveis pela execução dos compromissos ambientais assumidos internacionalmente pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff. Para ele, a exploração do gás de xisto pode jogar por terra parte do prestígio acumulado pelo Brasil nos últimos anos na seara ambiental. “O Brasil é signatário de protocolos internacionais que exigem a adoção do princípio da precaução”, lembrou.

    Mais trabalho escravo nas construtoras



    Aumentou o número de flagrantes envolvendo situação de trabalho análoga à escravidão no setor da construção, informou O Globo (8/12/13). As construtoras estão em cinco das dez operações que resultaram no maior número de trabalhadores resgatados pelo Ministério do Trabalho (MTE) em 2013 e respondem por 66% dos trabalhadores libertados nesse grupo. Fazendas aparecem em segundo lugar, ao lado das confecções, que fornecem peças para varejistas. A construtora OAS encabeça o grupo das construtoras, com 111 trabalhadores resgatados, seguida da J. Soares, que faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida, com 70, e Línea Obras e Construções, com 53, segundo levantamento assinado pela organização Contas Abertas, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, além do MTE. No caso da OAS, as principais irregularidades, segundo os auditores, foram encontradas nos alojamentos, superlotados e com falta de higiene.

    Embora o trabalho escravo seja identificado com a área rural, os resgates em centros urbanos têm crescido nos registros, apontou o jornal. Os trabalhadores são expostos a jornadas de mais de 12 horas, sem condições de segurança e presos a uma dívida. As empresas flagradas respondem a processo administrativo que dura em média dois anos e, caso entrem na lista suja de trabalho escravo do MTE, podem ter restrição a crédito por parte de instituições financeiras. A MRV, construtora que conseguiu este ano na Justiça sair da lista suja, teve novo flagrante em Belo Horizonte, quando foram resgatados seis trabalhadores. 

    Levantamento da ONG Contas Abertas constatou que três construtoras que tiveram flagrante de trabalho escravo receberam recursos do Governo Federal este ano. Para Alexandre Lyra, chefe da fiscalização para erradicação do trabalho escravo do MTE, a terceirização de empresas é uma das principais razões do aumento do trabalho escravo. De acordo com frei Xavier Plassat, da Comissão Pastoral, é necessário atentar para as dificuldades de reinserção dos trabalhadores libertados, a fim de que não haja reincidência, uma vez que o trabalhador pode se ver sem opção a não ser sujeitar-se ao trabalho escravo novamente. 

    FONTE: REVISTA RADIS

    LEIA A REVISTA: BAIXE AQUI


    Filoparanavaí 2014

    terça-feira, 14 de janeiro de 2014

    ATUALIDADES: TEMAS CONTEMPORÂNEOS

    Entenda porque o Brasil vai contratar 6.000 médicos cubanos 


    NÚMEROS DE MÉDICOS EM CUBA E NO BRASIL 

    Cuba tem 75 mil médicos, ou um para cada 160 habitantes - a taxa mais alta da América Latina. O contingente de profissionais de saúde cubanos fora da ilha incluem atualmente 15 mil médicos, 2,3 mil oftalmologistas, 5 mil técnicos de saúde e 800 prestadores de serviço trabalhando em 60 países. 4.000 virão para o Brasil até o final do ano. Com a saída de parte dos médicos de Cuba para outros países aumentou o número de médico por grupo populacional. Ainda assim, 60 mil médicos ficaram em Cuba, 1 para cada 200 habitantes - média melhor que a de muitos países desenvolvidos. A ilha também tem uma expectativa de vida próxima aos 80 anos e programas de prevenção a Aids e HIV reconhecidos internacionalmente. 

    O Brasil tem, proporcionalmente à população, metade dos médicos dos países europeus - no Norte e Nordeste, essa taxa se aproxima à de alguns dos países mais pobres do mundo. Dados divulgados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que a média de profissionais para cada 10 mil pessoas no Brasil está abaixo da do continente americano e é bastante inferior à dos países ricos. 

    O governo brasileiro vem discutindo a ideia de importar médicos, justamente para atender áreas de maior déficit. Se em alguns centros urbanos os números chegam a superar a média de países ricos, em outras regiões a penúria é dramática, com mais de 300 municípios em dificuldades. 

    Segundo a OMS, há 17,6 médicos no Brasil para cada 10 mil pessoas. A taxa é inferior à média do restante dos países emergentes - 17,8. O índice também é inferior à média das Américas (mais de 20). Mas é a comparação com os países ricos, principalmente da Europa, que revela a disparidade entre a situação no Brasil e nas economias desenvolvidas. Em geral, existem duas vezes mais médicos na Europa que no Brasil - 33,3 a cada 10 mil habitantes. São 48 médicos na Áustria a cada 10 mil cidadãos, contra 40 na Suíça, 37 na Bélgica, 34 na Dinamarca, 33 na França, 36 na Alemanha e 38 na Itália. 

    Disparidade 

    O que chama a atenção da OMS é que há diferentes realidades no Brasil. No Sudeste, por exemplo, a taxa é de 26 médicos por 10 mil habitantes, superior à dos Estados Unidos (24), Canadá (20) e Japão (21) de saúde no mundo. Mas, nos Estados do Norte, são 10 médicos para cada 10 mil pessoas, abaixo da média nacional de países como Trinidad e Tobago, Tunísia, Tuvalu, Vietnã, Guatemala, El Salvador ou Albânia. No Nordeste, a taxa é de 12 médicos para cada 10 mil pessoas - no Maranhão, chega a 7 médicos por 10 mil, taxa equivalente à da Índia ou do Iraque. A situação mais dramática, porém, é ainda da África, com apenas 2,5 médicos a cada 10 mil habitantes. 

    Fonte:www.em.com.br/xxx

    CRÍTICA em charges

    Nada contra esse programa idiota e idiotizante...
    Mas também nada a favor...

                                        Para ver as imagens em tamanho maior clique nas mesmas




    E AINDA TEM GENTE SENSO COMUM, REPRODUTORA DA IDEOLOGIA DAS CLASSES SOCIAIS DOMINANTES BRASILEIRAS, QUE É CONTRA UM PROGRAMA SOCIAL QUE SALVA VIDAS... 


    Só mesmo o senso comum para achar que alguém poderia sobreviver o resto da vida com esse benefício. Os valores dos benefícios pagos pelo Bolsa Família variam de R$ 32 a R$ 306. Isso é de acordo com a renda mensal da família por pessoa, com o número de crianças e adolescentes de até 17 anos e número de gestantes e nutrizes componentes da família. O Programa tem quatro tipos de benefícios: o básico, o variável, o variável vinculado ao adolescente e o variável de caráter extraordinário. O Benefício Básico, de R$ 70, é pago às famílias consideradas extremamente pobres, com renda mensal de até R$ 70 por pessoa, mesmo que elas não tenham crianças, adolescentes ou jovens. 

    O Benefício Variável, de R$ 32, é pago às famílias pobres, com renda mensal de até R$ 140 por pessoa, desde que tenham crianças e adolescentes de até 15 anos, gestantes e/ou nutrizes. Cada família pode receber até cinco benefícios variáveis, ou seja, até R$ 160. 

    O Benefício Variável Vinculado ao Adolescente (BVJ), de R$ 38, é pago a todas as famílias do Programa que tenham adolescentes de 16 e 17 anos frequentando a escola. Cada família pode receber até dois benefícios variáveis vinculados ao adolescente, ou seja, até R$ 76. 

    O Benefício Variável de Caráter Extraordinário (BVCE) é pago às famílias nos casos em que a migração dos Programas Auxílio-Gás, Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Cartão Alimentação para o Bolsa Família cause perdas financeiras. O valor do benefício varia de caso a caso. 

    CONFIRA AS REGRAS E VALORES ATUALIZADOS EM: http://www.mds.gov.br/


    1 milhão de abortos clandestinos e 250 mil internações por complicações por ano. A cada dois dias, uma brasileira (pobre) morre por aborto inseguro, problema ligado à criminalização da interrupção da gravidez e à violação dos direitos da mulher. 


    “A gente não classifica um problema como sendo de saúde pública se ele não tiver ao menos dois indicadores: primeiro não pode ser algo que aconteça de forma rara, tem de acontecer em quantidades que sirvam de alerta. E precisa causar impacto para a saúde da população. Nós temos esses dois critérios preenchidos na questão do aborto no Brasil mas essa é uma ótica nova” explica o ginecologista e obstetra representante do Grupo de Estudos do Aborto (GEA) Jefferson Drezett, que há mais de 10 anos coordena um serviço de abortamento legal no país. 

    “Só para contextualizar nós temos hoje, segundo a OMS, 20 milhões de abortos inseguros sendo praticados no mundo. Por aborto inseguro, a Organização entende a interrupção da gravidez praticada por um indivíduo sem prática, habilidade e conhecimentos necessários ou em ambiente sem condições de higiene. 

    O aborto inseguro tem uma forte associação com a morte de mulheres – são quase 70 mil todos os anos. Acontece que estas 70 mil não estão democraticamente distribuídas pelo mundo; 95% dos abortos inseguros acontecem em países em desenvolvimento, a maioria com leis restritivas. Nos países onde o aborto não é crime como Holanda, Espanha e Alemanha, nós observamos uma taxa muito baixa de mortalidade e uma queda no número de interrupções, porque passa a existir uma política de planejamento reprodutivo efetiva”. 

    O Uruguai, que descriminalizou o aborto em outubro de 2012, também tem experimentado quedas vertiginosas tanto no número de mortes maternas quanto no número de abortos realizados. Segundo números apresentados pelo governo, entre dezembro de 2012 e maio de 2013, não foi registrada nenhuma morte materna por consequência de aborto e o número de interrupções de gravidez passou de 33 mil por ano para 4 mil. Isso porque, junto da descriminalização, o governo implementou políticas públicas de educação sexual e reprodutiva, planejamento familiar e uso de métodos anticoncepcionais, assim como serviços de atendimento integral de saúde sexual e reprodutiva. 

    Jefferson coloca ainda que atualmente no Brasil, acontecem cerca de um milhão de abortos provocados e 250 mil internações para tratamento de complicações pós abortamento por ano. “É o segundo procedimento mais comum da ginecologia em internações. Por isso eu digo: o aborto pode ser discutido sob outras óticas? Deve. Não existe consenso sobre este tema e nunca existirá porque há um feto. Mas não há como negar que temos aí um problema grave de saúde pública e que a lei proibitiva não tem impedido que as mulheres abortem mas tem se mostrado muito eficaz para matar essa mulheres”. 


      É IMPORTANTE SABER... 



    A população mundial atingiu os 7 bilhões de seres humanos no dia dia 31 de Outubro de 2011, essa data é simbólica. 

    As Nações Unidas estimam que em 2050 a população mundial será de 9,3 bilhões de pessoas e de 10,1 bilhões no final deste século. 

    A distribuição populacional de acordo com cada continente: 

    Ásia: 4,1 bilhões de habitantes, que representam 60% da população mundial. 

    América: 934,3 milhões de habitantes, que respondem por 13,5% do total da população. 

    África: 1,031 bilhão de habitantes, que correspondem a 14,9% da população mundial. 

    Europa: 749,6 milhões de habitantes, que representam 10,9% do total da população do planeta. 

    Oceania: 37,1 milhões de habitantes, que respondem por 0,5% do contingente populacional mundial. 

    Os países mais populosos do mundo são: 

    China: 1.354.146.443 habitantes. 
    Índia: 1.214.464.312 habitantes. 
    Estados Unidos: 317.641.087 habitantes. 
    Indonésia: 232.516.771 habitantes. 
    Brasil: 190.755.799 habitantes. 
    Paquistão: 184.753.300 habitantes. 
    Bangladesh: 164.425.491 habitantes.
    Nigéria: 158.258.917 habitantes. 
    Rússia: 140.366.561 habitantes. 
    Japão: 126.995.411 habitantes.

    FONTE: voaportugues.com

    Filoparanavaí 2014

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