domingo, 31 de março de 2013

O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO RONDA O BRASIL: Marco Feliciano representa um perigo aos Direitos Humanos no Brasil?

ÉTICA E DIREITOS HUMANOS
Ótimo artigo de CELSO LUNGARETTI no  http://www.brasil247.com/



FELICIANO CHANTAGEIA DILMA: É O RATO QUE RUGE

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal foi criada em 1995. Até agora, sua presidência tinha sido ocupada 13 vezes pelo PT, três pelo PDT, uma pelo PCdoB e uma pelo PPB.

Chegada a hora de substituir o deputado maranhense Domingos Dutra, o PT abdicou de continuar presidindo-a e preferiu ficar com comissões que lhe garantissem maior poder real (mandando às urtigas seus ideais históricos):

Seguridade Social e Família; Relações Exteriores e Comércio; e Constituição e Justiça.

O Partido Social Cristão, que não tinha direito a ocupar nenhuma vaga no colegiado, passou a contar com cinco deputados na comissão. Cederam vagas para a legenda o PMDB e o PTB. PSDB e PR também perderam espaço para parlamentares da bancada evangélica.


Ou seja, o monstro Feliciano não teve geração espontânea. Nasceu da irresponsabilidade dos partidos progressistas (ou tidos como tais) que mostraram considerar irrelevantes os direitos humanos e os direitos das minorias, e agora tentam destrambelhadamente reparar o imenso mal cometido: o de terem permitido que a incumbência de defender direitos coubesse a quem se caracteriza por agredir direitos, inclusive a liberdade de expressão (a atitude de mandar prender manifestantes escancarou sua índole inquisitorial!).

De resto, Feliciano, um rato que ruge sem a simpatia de Peter Sellers, resolveu peitar até Dilma Rousseff, ao afirmar que a resistência atual do PT ao seu nome não passaria de "jogo político", com o risco de a presidente e o governo estarem "jogando fora o apoio dos evangélicos, que não é pequeno, para uma eleição do ano que vem". E completou, exagerando: "São quase 70 milhões de evangélicos".



O líder do PSC, deputado André Moura (SE), também investiu na estragégia de confrontar os petistas, ao afirmar:

"Por que não pegar um espelho e olhar para si mesmo e perguntar: por que o PT indica para a Comissão de Constituição e Justiça dois mensaleiros condenados pela mais alta Corte deste país, o STF? Será que julgar a indicação do Feliciano, pelo PSC, é correto para um partido como o PT, que, volto a repetir, indicou dois mensaleiros condenados?"


É sempre bom lembrar: o bom senso nos manda esmagar os ovos de serpente antes que eclodam.

Se nanicos fascistóides começarem a desafiar o PT com tamanha desfaçatez e não receberem resposta à altura, estará aberto o caminho para a gestação de um ameaçador populismo de extrema-direita.


Feliciano é caricato e não parece destinado a grandes voos... mas detém hoje muito mais poder do que um certo austríaco com bigodinho engraçado tinha, quando começou a discursar em cervejarias.


Filoparanavaí 2013

O MAIOR PESADELO DA HISTÓRIA BRASILEIRA: O GOLPE DE 1964

O golpe de 1964 fez o Brasil dar um passo gigantesco para trás. 


                                       Geisel, de óculos escuros, foi um dos horrores nacionais

Num país, algumas datas são para celebrar. Outras, para lamentar. 

O dia 31 de março é para lamentar. Há 49 anos, uma conspiração destruiu uma democracia com o argumento cínico de que estava exatamente preservando a democracia. O que havia de mais atrasado na sociedade da época se juntou na trama: militares, CIA, políticos conservadores e grandes empresários do jornalismo, como os Mesquitas, Roberto Marinho e Octavio Frias de Oliveira. 

 A administração que nasceu dessa aliança foi um colosso da inépcia. O Brasil piorou dramaticamente – excetuado o pequeno grupo que tomou conta do Estado. A desigualdade floresceu. 

O país se favelizou. Conquistas trabalhistas foram extirpadas, como a estabilidade. Greves – a única arma dos trabalhadores – foram proibidas. O ensino público que era excelente – e promovia a mobilidade social – foi devastado, com a perseguição a professores e o controle obsceno do que era ensinado nas salas de aula. 

O Brasil deu um passo gigantesco para trás em 31 de março de 1964. 


Os generais presidentes – Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo – merecem um esculacho eterno. 

Falavam em combater a corrupção dos civis e não conseguiram criar em seu partido, a Arena, nada que fosse além de Paulo Maluf. 

Foram mais de vinte anos de pesadelo. 

Alguns cúmplices dos militares acabaram também se dando mal. Carlos Lacerda, o eterno conspirador, queria que eles derrubassem João Goulart e preparassem o terreno para que ele, Lacerda, ascendesse à presidência. 

Os Mesquitas foram obrigados a publicar receitas para ocupar o espaço de textos censurados.  

Frias foi submetido à humilhação de receber uma ordem telefônica para demitir o diretor de redação Claudio Abramo, e obedeceu. 

Passou. 

Mas é bom não esquecer que 31 de março é um dia para lamentar.


Texto de P. Nogueira    
O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Fonte: http://diariodocentrodomundo.com.br/


Filoparanavaí 2013

Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem

Filosofia Séculos XIX/XX
Apreciação pessoal: Excelente esse texto de Engels para uma compreensão acerca de como o Homem desenvolveu o processo de conhecimento desde suas origens. O texto também faz uma profunda reflexão sobre a relação Homem x Natureza e nos possibilita uma compreensão sobre o "desencantamento" impregnado pelo Homem a essa relação, provocando uma série de desastres que culmina com a atual situação de ameaças eminentes à vida no Planeta Terra. Partes do texto podem ser recortadas para subsidiar discussões em sala de aula quando dos estudos dos temas de Ética - Meio Ambiente; Filosofia da Ciência - técnica e tecnologia; ação do homem sobre a natureza; Teoria do Conhecimento - Do artístico/religioso/mito ao Científico e Filosófico; Filosofia Política - Ideologia, alienação, trabalho e poder; e outros...



Friedrich Engels 
Co-autor do Manifesto Comunista 
Escrito por Engels em 1876. Publicado pela primeira vez em 1896 em Neue Zelt. Publica-se segundo com a edição soviética de 1952, de acordo com o manuscrito, em alemão. Traduzido do espanhol. 

O trabalho é a fonte de toda riqueza, afirmam os economistas. Assim é, com, efeito, ao lado da natureza, encarregada de fornecer os materiais que ele converte em riqueza. O trabalho, porém, é muitíssimo mais do que Isso. É a condição básica e fundamental de toda a vida humana. E em tal grau que, até certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem. Há muitas centenas de milhares de anos, numa época, ainda não estabelecida em definitivo, daquele período do desenvolvimento da Terra que os geólogos denominam terciário provavelmente em fins desse período, vivia em algum lugar da zona tropical - talvez em um extenso continente hoje desaparecido nas profundezas do Oceano Indico - uma raça de macacos antropomorfos extraordinariamente desenvolvida. Darwin nos deu uma descrição aproximada desses nossos antepassados. Eram totalmente cobertos de pelo, tinham barba, orelhas pontiagudas, viviam nas árvores e formavam manadas.

É de supor que, como conseqüência direta de sua natureza de vida, devido a qual as mãos, ao trepar, tinham que desempenhar funções distintas das dos pés, esses macacos foram-se acostumando a prescindir de suas mãos ao caminhar pelo chão e começaram a adotar cada vez mais uma posição erecta. Foi o passo decisivo para a transição do macaco ao homem. 


Todos os macacos antropomorfos que existem hoje podem permanecer em posição erecta e caminhar apoiando-se unicamente sobre seus pés; mas o fazem só em casos de extrema necessidade e, além disso, com enorme lentidão. Caminham habitualmente em atitude semi-erecta, e sua marcha inclui o uso das mãos. A maioria desses macacos apóiam no solo os dedos e, encolhendo as pernas, fazem avançar o corpo por entre os seus largos braços, como um paralítico que caminha com muletas. Em geral, podemos ainda hoje observar entre os macacos todas as formas de transição entre a marcha a quatro patas e a marcha em posição ereta. 

Mas para nenhum deles a posição erecta vai além de um recurso circunstancial. E posto que a posição erecta havia de ser para os nossos peludos antepassados primeiro uma norma, e logo uma necessidade, dai se depreende que naquele período as mãos tinham que executar funções cada vez mais variadas. Mesmo entre os macacos existe já certa divisão de funções entre os pés e as mãos.

Como assinalamos acima, enquanto trepavam, as mãos eram utilizadas de maneira diferente que os pés. As mãos servem fundamentalmente para recolher e sustentar os alimentos, como o fazem já alguns mamíferos inferiores com suas patas dianteiras. Certos macacos recorrem às mãos para construir ninhos nas árvores; e alguns, como o chimpanzé, chegam a construir telhados entre os ramos, para defender-se das inclemências do tempo. A mão lhes serve para empunhar garrotes, com os quais se defendem de seus inimigos, ou para os bombardear com frutos e pedras. Quando se encontram prisioneiros realizam com as mãos várias operações que copiam dos homens. Mas aqui precisamente é que se percebe quanto é grande a distância que separa a mão primitiva dos macacos, inclusive os antropóides mais superiores, da mão do homem, aperfeiçoada pelo trabalho durante centenas de milhares de anos. O número e a disposição geral dos ossos e dos músculos são os mesmos no macaco e no homem, mas a mão do selvagem mais primitivo é capaz de executar centenas de operações que não podem ser realizadas pela mão de nenhum macaco. Nenhuma mão simiesca construiu jamais um machado de pedra, por mais tosco que fosse. 

Por isso, as funções, para as quais nossos antepassados foram adaptando pouco a pouco suas mãos durante os muitos milhares de anos em que se prolongam o período de transição do macaco ao homem, só puderam ser, a princípio, funções sumamente simples. Os selvagens mais primitivos, inclusive aqueles nos quais se pode presumir o retorno a um estado mais próximo da animalidade com uma degeneração física simultânea, são muito superiores àqueles seres do período de transição. Antes de a primeira lasca de sílex ter sido transformada em machado pela mão do homem, deve ter sido transcorrido um período e tempo tão largo que, em comparação com ele, o período histórico por nós conhecido torna-se insignificante. Mas havia sido dado o passo decisivo: a mão era livre e podia agora adquirir cada vez mais destreza e habilidade; e essa maior flexibilidade adquirida transmitia-se por herança e aumentava de geração em geração. 

Vemos, pois, que a mão não é apenas o órgão do trabalho; é também produto dele. Unicamente pelo trabalho, pela adaptação a novas funções, pela transmissão hereditária do aperfeiçoamento especial assim adquirido pelos músculos e ligamentos e, num período mais amplo, também pelos ossos; unicamente pela aplicação sempre renovada dessas habilidades transmitidas a funções novas e cada vez mais complexas foi que a mão do homem atingiu esse grau de perfeição que pôde dar vida, como por artes de magia, aos quadros de Rafael, às estátuas de Thorwaldsen e à música de Paganini. 

Mas a mão não era algo com existência própria e independente. Era unicamente um membro de um organismo íntegro e sumamente complexo. E o que beneficiava à mão beneficiava também a todo o corpo servido por ela; e o beneficiava em dois aspectos. 

Primeiramente, em virtude da lei que Darwin chamou de correlação do crescimento.

- Segundo essa lei, certas formas das diferentes partes dos seres orgânicos sempre estão ligadas a determinadas formas de outras partes, que aparentemente não têm nenhuma relação com as primeiras. Assim, todos os animais que possuem glóbulos vermelhos sem núcleo e cujo ocipital está articulado com a primeira vértebra por meio de dois côndilos, possuem, sem exceção, glândulas mamárias para a alimentação de suas crias. Assim também, a úngula fendida de alguns mamíferos está ligada de modo geral à presença de um estômago multilocular adaptado à ruminação. As modificações experimentadas por certas formas provocam mudanças na forma de outras partes do organismo, sem que estejamos em condições de explicar tal conexão. Os gatos totalmente brancos e de olhos azuis são sempre ou quase sempre surdos. O aperfeiçoamento gradual da mão do homem e a adaptação concomitante dos pés ao andar em posição ereta exerceram indubitavelmente, em virtude da referida correlação, certa influência sobre outras partes do organismo. Contudo, essa ação se acha ainda tão pouco estudada que aqui não podemos senão assinalá-la em termos gerais. 

Muito mais importante é a ação direta - possível de ser demonstrada - exercida pelo desenvolvimento da mão sobre o resto do organismo. Como já dissemos, nossos antepassados simiescos eram animais que viviam em manadas; evidentemente, não é possível buscar a origem do homem, o mais social dos animais, em antepassados imediatos que não vivessem congregados. Em face de cada novo progresso, o domínio sobre a natureza que tivera início com o desenvolvimento da mão, com o trabalho, ia ampliando os horizontes do homem, levando-o a descobrir constantemente nos objetos novas propriedades até então desconhecidas. Por outro lado, o desenvolvimento do trabalho, ao multiplicar os casos de ajuda mútua e de atividade conjunta, e ao mostrar assim as vantagens dessa atividade conjunta para cada indivíduo, tinha que contribuir forçosamente para agrupar ainda mais os membros da sociedade. Em resumo, os homens em formação chegaram a um ponto em que tiveram necessidade de dizer algo uns aos outros. A necessidade criou o órgão: a laringe pouco desenvolvida do macaco foi-se transformando, lenta mas firmemente, mediante modulações que produziam por sua vez modulações mais perfeitas, enquanto os órgãos da boca aprendiam pouco a pouco a pronunciar um som articulado após outro. 

A comparação com os animais mostra-nos que essa explicação da origem da linguagem a partir do trabalho e pelo trabalho é a única acertada. O pouco que os animais, inclusive os mais desenvolvidos, têm que comunicar uns aos outros pode ser transmitido sem o concurso da palavra articulada. Nenhum animal em estado selvagem sente-se prejudicado por sua incapacidade de falar ou de compreender a linguagem humana. Mas a situação muda por completo quando o animal foi domesticado pelo homem. O contato com o homem desenvolveu no cão e no cavalo um ouvido tão sensível à linguagem articulada que esses animais podem, dentro dos limites de suas representações, chegar a compreender qualquer idioma. Além disso, podem chegar a adquirir sentimentos antes desconhecidos por eles, como o apego ao homem, o sentimento de gratidão, etc. Quem conheça bem esses animais dificilmente poderá escapar à convicção de que, em muitos casos, essa incapacidade de falar é experimentada agora por eles como um defeito. Desgraçadamente, esse defeito não tem remédio, pois os seus órgãos vocais se acham demasiado especializados em determinada direção. Contudo, quando existe um órgão apropriado, essa incapacidade pode ser superada dentro de certos limites. Os órgãos vocais das aves distinguem-se em forma radical dos do homem e, no entanto, as aves são os únicos animais que podem aprender a falar; e o animal de voz mais repulsiva, o papagaio, é o que melhor fala. E não importa que se nos objete dizendo-nos que o papagaio não sabe o que fala. Claro está que por gosto apenas de falar e por sociabilidade o papagaio pode estar horas e horas repetindo todo o seu vocabulário. Mas, dentro do marco de suas representações, pode chegar também a compreender o que diz. Ensinai a um papagaio dizer palavrões (uma das distrações favoritas dos marinheiros que regressam das zonas quentes) e vereis logo que se o irritardes ele fará uso desses palavrões com a mesma correção de qualquer verdureira de Berlim. E o mesmo ocorre com o pedido de gulodices. 

Primeiro o trabalho, e depois dele e com ele a palavra articulada, foram os dois estímulos principais sob cuja influência o cérebro do macaco foi-se transformando gradualmente em cérebro humano - que, apesar de toda sua semelhança, supera-o consideravelmente em tamanho e em perfeição. E à medida em que se desenvolvia o cérebro, desenvolviam-se também seus instrumentos mais Imediatos: os órgãos dos sentidos. Da mesma maneira que o desenvolvimento gradual da linguagem está necessariamente acompanhado do correspondente aperfeiçoamento do órgão do ouvido, assim também o desenvolvimento geral do cérebro está ligado ao aperfeiçoamento de todos os órgãos dos sentidos.

A vista da águia tem um alcance multo maior que a do homem, mas o olho humano percebe nas coisas muitos mais detalhes que o olho da águia. O cão tem um olfato muito mais fino que o do homem, mas não pode captar nem a centésima parte dos odores que servem ao homem como sinais para distinguir coisas diversas. E o sentido do tato, que o macaco possui a duras penas na forma mais tosca e primitiva, foi-se desenvolvendo unicamente com o desenvolvimento da própria mão do homem, através do trabalho. 

O desenvolvimento do cérebro e dos sentidos a seu serviço, a crescente clareza de consciência, a capacidade de abstração e de discernimento cada vez maiores, reagiram por sua vez sobre o trabalho e a palavra, estimulando mais e mais o seu desenvolvimento. Quando o homem se separa definitivamente do macaco esse desenvolvimento não cessa de modo algum, mas continua, em grau diverso e em diferentes sentidos entre os diferentes povos e as diferentes épocas, interrompido mesmo às vezes por retrocessos de caráter local ou temporário, mas avançando em seu conjunto a grandes passos, consideravelmente impulsionado e, por sua vez, orientado em um determinado sentido por um novo elemento que surge com o aparecimento do homem acabado: a sociedade 

Foi necessário, seguramente, que transcorressem centenas de milhares de anos - que na história da Terra têm uma importância menor que um segundo na vida de um homem antes que a sociedade humana surgisse daquelas manadas de macacos que trepavam pelas árvores. Mas, afinal, surgiu. E que voltamos a encontrar como sinal distintivo entre a manada de macacos e a sociedade humana? Outra vez, o trabalho.

A manada de macacos contentava-se em devorar os alimentos de uma área que as condições geográficas ou a resistência das manadas vizinhas determinavam. Transportava-se de um lugar para outro e travava lutas com outras manadas para conquistar novas zonas de alimentação; mas era incapaz de extrair dessas zonas mais do que aquilo que a natureza generosamente lhe oferecia, se excetuarmos a ação inconsciente da manada ao adubar o solo com seus excrementos.

Quando foram ocupadas todas as zonas capazes de proporcionar alimento, o crescimento da população simiesca tornou-se já, impossível; no melhor dos casos o número de seus animais mantinha-se no mesmo nível. Mas todos os animais são uns grandes dissipadores de alimentos; além disso, com freqüência, destroem em germe a nova geração de reservas alimentícias. Diferentemente do caçador, o lobo não respeita a cabra montês que lhe proporcionaria cabritos no ano seguinte; as cabras da Grécia, que devoram os jovens arbustos antes de poder desenvolver-se, deixaram nuas todas as montanhas do pais. Essa "exploração rapace" levada a efeito pelos animais desempenha um grande papel na transformação gradual das espécies, ao obrigá-las a adaptar-se a alimentos que não são os habituais para elas, com o que muda a composição química de seu sangue e se modifica toda a constituição física do animal; as espécies já plasmadas, desaparecem. Não há dúvida de que essa exploração rapace para a humanização de nossos antepassados, ampliou o número de plantas e as partes das plantas utilizadas na alimentação por aquela raça de macacos que superava todas as demais em inteligência e em capacidade de adaptação. Em uma palavra, a alimentação, cada vez mais variada, oferecia ao organismo novas e novas substâncias, com o que foram criadas as condições químicas para a transformação desses macacos em seres humanos.

Mas tudo isso não era trabalho no verdadeiro sentido da palavra. O trabalho começa com a elaboração de instrumentos. E que representam os instrumentos mais antigos, a julgar pelos restos que nos chegaram dos homens pré-históricos, pelo gênero de vida dos povos mais antigos registrados pela história, assim como pelo dos selvagens atuais mais primitivos? São instrumentos de caça e de pesca, sendo os primeiros utilizados também como armas. Mas a caça e a pesca pressupõem a passagem da alimentação exclusivamente vegetal à alimentação mista, o que significa um novo passo de sua importância na transformação do macaco em homem. A alimentação cárnea ofereceu ao organismo, em forma quase acabada, os ingredientes mais essenciais para o seu metabolismo. Desse modo, abreviou o processo da digestão e outros processos da vida vegetativa do organismo (isto é, os processos análogos ao da vida dos vegetais), poupando, assim, tempo, materiais e estímulos para que pudesse manifestar-se ativamente a vida propriamente animal. E quanto mais o homem em formação se afastava do reino vegetal, mais se elevava sobre os animais. Da mesma maneira que o hábito da alimentação mista converteu o gato e o cão selvagens em servidores do homem, assim também o hábito de combinar a carne com a alimentação vegetal contribuiu poderosamente para dar força física e independência ao homem em formação. Mas onde mais se manifestou a influência da dieta cárnea foi no cérebro, que recebeu assim em quantidade muito maior do que antes as substâncias necessárias à sua alimentação e desenvolvimento, com o que se foi tomando maior e mais rápido o seu aperfeiçoamento de geração em geração.

Devemos reconhecer - e perdoem os senhores vegetarianos - que não foi sem ajuda da alimentação cárnea que o homem chegou a ser homem; e o fato de que, em uma ou outra época da história de todos os povos conhecidos, o emprego da carne na alimentação tenha chegado ao canibalismo (ainda no século X os antepassados dos berlinenses, os veletabos e os viltses devoravam os seus progenitores) é uma questão que não tem hoje para nós a menor importância. 

O consumo de carne na alimentação significou dois novos avanços de importância decisiva: o uso do fogo e a domesticação dos animais. O primeiro reduziu ainda mais o processo da digestão, já que permitia levar a comida à boca, como se disséssemos, meio digerida; o segundo multiplicou as reservas de carne, pois agora, ao lado da caça, proporcionava uma nova fonte para obtê-la em forma mais regular. A domesticação de animais também proporcionou, com o leite e seus derivados, um novo alimento, que era pelo menos do mesmo valor que a carne quanto à composição. Assim, esses dois adiantamentos converteram-se diretamente para o homem em ovos meios de emancipação. Não podemos deter-nos aqui em examinar minuciosamente suas conseqüências indiretas, apesar de toda a importância que possam ter para o desenvolvimento do homem e da sociedade, pois tal exame nos afastaria demasiado de nosso tema. 

O homem, que havia aprendido a comer tudo o que era comestível, aprendeu também, da mesma maneira, a viver em qualquer clima. Estendeu-se por toda a superfície habitável da Terra, sendo o único animal capaz de fazê-lo por iniciativa própria. Os demais animais que se adaptaram a todos os climas - os animais domésticos e os insetos parasitas - não o conseguiram por si, mas unicamente acompanhando o homem. E a passagem do clima uniformemente cálido da pátria original para zonas mais frias, onde o ano se dividia em verão e inverno, criou novas exigências, ao obrigar o homem a procurar habitação e a cobrir seu corpo para proteger-se do frio e da umidade. Surgiram assim novas esferas de trabalho, e com elas novas atividades, que afastaram ainda mais o homem dos animais. 

Graças à cooperação da mão, dos órgãos da linguagem e do cérebro, não só em cada indivíduo, mas também na sociedade, os homens foram aprendendo a executar operações cada vez mais complexas, a propor-se e alcançar objetivos cada vez mais elevados. O trabalho mesmo se diversificava e aperfeiçoava de geração em geração, estendendo-se cada vez a novas atividades. À caça e à pesca veio juntar-se a agricultura, e mais tarde a fiação e a tecelagem, a elaboração de metais, a olaria e a navegação. Ao lado do comércio e dos ofícios apareceram, finalmente, as artes e as ciências; das tribos saíram as nações e os Estados. Apareceram o direito e a política, e com eles o reflexo fantástico das coisas no cérebro do homem: a religião. Frente a todas essas criações, que se manifestavam em primeiro lugar como produtos do cérebro e pareciam dominar as sociedades humanas, as produções mais modestas, fruto do trabalho da mão, ficaram relegadas a segundo plano, tanto mais quanto numa fase muito recuada do desenvolvimento da sociedade (por exemplo, já na família primitiva), a cabeça que planejava o trabalho já era capaz de obrigar mãos alheias a realizar o trabalho projetado por ela. O rápido progresso da civilização foi atribuído exclusivamente à cabeça, ao desenvolvimento e à atividade do cérebro. Os homens acostumaram-se a explicar seus atos pelos seus pensamentos, em lugar de procurar essa explicação em suas necessidades (refletidas, naturalmente, na cabeça do homem, que assim adquire consciência delas). Foi assim que, com o transcurso do tempo, surgiu essa concepção idealista do mundo que dominou o cérebro dos homens, sobretudo a partir do desaparecimento do mundo antigo, e continua ainda a dominá-lo, a tal ponto que mesmo os naturalistas da escola darwiniana mais chegados ao materialismo são ainda incapazes de formar uma ideia clara acerca da origem do homem, pois essa mesma influência idealista lhes impede de ver o papel desempenhado aqui pelo trabalho. 

Os animais, como já indicamos de passagem, também modificam com sua atividade a natureza exterior, embora não no mesmo grau que o homem; e essas modificações provocadas por eles no meio ambiente repercutem, como vimos, em seus causadores, modificando-os por sua vez. Nada ocorre na natureza em forma isolada. Cada fenômeno afeta a outro, e é por seu turno influenciado por este; e é em geral o esquecimento desse movimento e dessa interação universal o que impede a nossos naturalistas perceber com clareza as coisas mais simples. Já vimos como as cabras impediram o reflorestamento dos bosques na Grécia; em Santa Helena, as cabras e os porcos desembarcados pelos primeiros navegantes chegados à ilha exterminaram quase por completo a vegetação ali existente, com o que prepararam o terreno para que pudessem multiplicar-se as plantas levadas mais tarde por outros navegantes e colonizadores. Mas a influência duradoura dos animais sobre a natureza que os rodeia é inteiramente involuntária e constitui, no que se refere aos animais, um fato acidental. Mas, quanto mais os homens se afastam dos animais, mais sua influência sobre a natureza adquire um caráter de uma ação intencional e planejada, cujo fim é alcançar objetivos projetados de antemão. Os animais destroçam a vegetação do lugar sem dar-se conta do que fazem. Os homens, em troca, quando destroem a vegetação o fazem com o fim de utilizar a superfície que fica livre para semear trigo, plantar árvores ou cultivar a videira, conscientes de que a colheita que irão obter superará várias vezes o semeado por eles. O homem traslada de um país para outro plantas úteis e animais domésticos, modificando assim a flora e a fauna de continentes Inteiros. Mais ainda: as plantas e os animais, cultivadas aquelas e criados estes em condições artificiais, sofrem tal influência da mão do homem que se tomam irreconhecíveis. Não foram até hoje encontrados os antepassados silvestres de nossos cultivos cerealistas. Ainda não foi resolvida a questão de saber qual o animal que deu origem aos nossos cães atuais, tão diferentes uns de outros, ou às atuais raças de cavalos, também tão numerosos. 

Ademais, compreende-se de logo que não temos a intenção de negar aos animais a faculdade de atuar em forma planificada, de um modo premeditado. Ao contrário, a ação planificada existe em germe onde quer que o protoplasma - a albumina viva - exista e reaja, isto é, realize determinados movimentos, embora sejam os mais simples, em resposta a determinados estímulos do exterior. Essa reação se produz, não digamos já na célula nervosa, mas inclusive quando ainda não há célula de nenhuma espécie, O ato pelo qual as plantas insetívoras se apoderam de sua presa aparece também, até certo ponto, como um ato planejado, embora se realize de um modo totalmente inconsciente. 

A possibilidade de realizar atos conscientes e premeditados desenvolve-se nos animais em correspondência com o desenvolvimento do sistema nervoso e adquire já nos mamíferos um nível bastante elevado. Durante as caçadas organizadas na Inglaterra pode-se observar sempre a infalibilidade com que a raposa utiliza seu perfeito conhecimento do lugar para ocultar-se aos seus perseguidores, e como conhece e sabe aproveitar muito bem todas as vantagens do terreno para despistá-los. Entre nossos animais domésticos, que chegaram a um grau mais alto de desenvolvimento graças à sua convivência com o homem podem ser observados diariamente atos de astúcia, equiparáveis aos das crianças, pois do mesmo modo que o desenvolvimento do embrião humano no ventre materno é uma réplica abreviada de toda a história do desenvolvimento físico seguido através de milhões de anos pelos nossos antepassados do reino animal, a partir do estado larva, assim também o desenvolvimento espiritual da criança representa uma réplica, ainda mais abreviada, do desenvolvimento intelectual desses mesmos antepassados, pelo menos dos mais próximos. Mas nem um só ato planificado de nenhum animal pôde imprimir na natureza o selo de sua vontade, só o homem pôde fazê-lo.

Resumindo: Só o que podem fazer os animais é utilizar a natureza e modificá-la pelo mero fato de sua presença nela. O homem, ao contrário, modifica a natureza e a obriga a servir-lhe, domina-a. E aí está, em última análise, a diferença essencial entre o homem e os demais animais, diferença que, por sua vez, resulta do trabalho. 

Contudo, não nos deixemos dominar pelo entusiasmo em face de nossas vitórias sobre a natureza. Após cada uma dessas vitórias a natureza adota sua vingança. É verdade que as primeiras consequências dessas vitórias são as previstas por nós, mas em segundo e em terceiro lugar aparecem consequências muito diversas, totalmente imprevistas e que, com freqüência, anulam as primeiras. Os homens que na Mesapotâmia, na Grécia, na Ásia Menor e outras regiões devastavam os bosques para obter terra de cultivo nem sequer podiam imaginar que, eliminando com os bosques os centros de acumulação e reserva de umidade, estavam assentando as bases da atual aridez dessas terras. Os italianos dos Alpes, que destruíram nas encostas meridionais os bosques de pinheiros, conservados com tanto carinho nas encostas setentrionais, não tinham ideia de que com isso destruíam as raízes da indústria de laticínios em sua região; e muito menos podiam prever que, procedendo desse modo, deixavam a maior parte do ano secas as suas fontes de montanha, com o que lhes permitiam, chegado o período das chuvas, despejar com maior fúria suas torrentes sobre a planície. Os que difundiram o cultivo da batata na Europa não sabiam que com esse tubérculo farináceo difundiam por sua vez a escrofulose. Assim, a cada passo, os fatos recordam que nosso domínio sobre a natureza não se parece em nada com o domínio de um conquistador sobre o povo conquistado, que não é o domínio de alguém situado fora da natureza, mas que nós, por nossa carne, nosso sangue e nosso cérebro, pertencemos à natureza, encontramo-nos em seu seio, e todo o nosso domínio sobre ela consiste em que, diferentemente dos demais seres, somos capazes de conhecer suas leis e aplicá-las de maneira adequada. 

Com efeito, aprendemos cada dia a compreender melhor a leis da natureza e a conhecer tanto os efeitos imediatos como as consequências remotas de nossa intromissão no curso natural de seu desenvolvimento. Sobretudo depois dos grandes progressos alcançados neste século pelas ciências naturais, estamos em condições de prever e, portanto, de controlar cada vez melhor as remotas consequências naturais de nossos atos na produção, pelo menos dos mais correntes. E quanto mais isso seja uma realidade, mais os homens sentirão e compreenderão sua unidade com a natureza, e mais inconcebível será essa ideia absurda e antinatural da antítese entre o espírito e a matéria, o homem e a natureza, a alma e o corpo, ideia que começa a difundir-se pela Europa sobre a base da decadência da antiguidade clássica e que adquire seu máximo desenvolvimento no cristianismo. 

Mas, se foram necessários milhares de anos para que o homem aprendesse, em certo grau, a prever as remotas consequências naturais no sentido da produção, muito mais lhe custou aprender a calcular as remotas consequências sociais desses mesmos atos. Falamos acima da batata e de seus efeitos quanto à difusão da escrofulose. Mas que importância pode ter a escrofulose, comparada com os resultados que teve a redução da alimentação dos trabalhadores a batatas puramente sobre as condições de vida das massas do povo de países inteiros, com a fome que se estendeu em 1847 pela Irlanda em consequência de uma doença provocada por esse tubérculo e que levou à sepultura um milhão de irlandeses que se alimentavam exclusivamente, ou quase exclusivamente, de batatas e obrigou a que emigrassem para além-mar outros dois milhões? Quando os árabes aprenderam a destilar o álcool, nem sequer ocorreu-lhes pensar que haviam criado uma das armas principais com que iria ser exterminada a população indígena do continente americano, então ainda desconhecido. E quando mais tarde Colombo descobriu a América não sabia que ao mesmo tempo dava nova vida à escravidão, há muito tempo desaparecida na Europa, e assentado as bases do tráfico dos negros. Os homens que nos séculos XVII e XVIII haviam trabalhado para criar a máquina a vapor não suspeitavam de que estavam criando um instrumento que, mais do que nenhum outro, haveria de subverter as condições sociais em todo o mundo e que, sobretudo na Europa, ao concentrar a riqueza nas mãos de uma minoria e ao privar de toda propriedade a imensa maioria da população, haveria de proporcionar primeiro o domínio social e político à burguesia, e provocar depois a luta de classe entre a burguesia e o proletariado, luta que só pode terminar com a liquidação da burguesia e a abolição de todos os antagonismos de classe. Mas também aqui, aproveitando uma experiência ampla, e às vezes cruel, confrontando e analisando os materiais proporcionados pela história, vamos aprendendo pouco a pouco a conhecer as conseqüências sociais indiretas e mais remotas de nossos atos na produção, o que nos permite estender também a essas consequências o nosso domínio e o nosso controle. 

Contudo, para levar a termo esse controle é necessário algo mais do que o simples conhecimento. É necessária uma revolução que transforme por completo o modo de produção existente até hoje e, com ele, a ordem social vigente. 

Todos os modos de produção que existiram até o presente só procuravam o efeito útil do trabalho em sua forma mais direta e imediata. Não faziam o menor caso das consequências remotas, que só surgem mais tarde e cujos efeitos se manifestam unicamente graças a um processo de repetição e acumulação gradual. A primitiva propriedade comunal da terra correspondia, por um lado, a um estádio de desenvolvimento dos homens no qual seu horizonte era limitado, em geral, às coisas mais imediatas, e pressupunha, por outro lado, certo excedente de terras livres, que oferecia determinada margem para neutralizar os possíveis resultados adversos dessa economia primitiva. Ao esgotar-se o excedente de terras livres, começou a decadência da propriedade comunal. Todas as formas mais elevadas de produção que vieram de pois conduziram à divisão da população em classes diferentes e, portanto, no antagonismo entre as classes dominantes e as classes oprimidas. Em consequência, os interesses das classes dominantes converteram-se no elemento propulsor da produção, enquanto esta não se limitava a manter, bem ou mal, a mísera existência dos oprimidos. Isso encontra sua expressão mais acabada no modo de produção capitalista, que prevalece hoje na Europa ocidental. Os capitalistas individuais, que dominam a produção e a troca, só podem ocupar-se da utilidade mais imediata de seus atos. Mais ainda: mesmo essa utilidade - porquanto se trata da utilidade da mercadoria produzida ou trocada - passa inteiramente ao segundo plano, aparecendo como único incentivo o lucro obtido na venda. 

*** 
A ciência social da burguesia, a economia política clássica, só se ocupa preferentemente daquelas consequências sociais que constituem o objetivo imediato dos atos realizados pelos homens na produção e na troca. Isso corresponde plenamente ao regime social cuja expressão teórica é essa ciência. Porquanto os capitalistas isolados produzem ou trocam com o único fim de obter lucros imediatos, só podem ser levados em conta, primeiramente, os resultados mais próximos e mais imediatos. Quando um industrial ou um comerciante vende a mercadoria produzida ou comprada por ele e obtém o lucro habitual, dá-se por satisfeito e não lhe interessa de maneira alguma o que possa ocorrer depois com essa mercadoria e seu comprador. O mesmo se verifica com as conseqüências naturais dessas mesmas ações. Quando, em Cuba, os plantadores espanhóis queimavam os bosques nas encostas das montanhas para obter com a cinza um adubo que só lhes permitia fertilizar uma geração de cafeeiros de alto rendimento pouco lhes importava que as chuvas torrenciais dos trópicos varressem a camada vegetal do solo, privada da proteção das árvores, e não deixassem depois de si senão rochas desnudas! Com o atual modo de produção e no que se refere tanto às conseqüências naturais como às conseqüências sociais dos atos realizados pelos homens, o que interessa prioritariamente são apenas os primeiros resultados, os mais palpáveis. E logo até se manifesta estranheza pelo fato de as consequências remotas das ações que perseguiam esses fins serem muito diferentes e, na maioria dos casos, até diametralmente opostas; de a harmonia entre a oferta e a procura converter-se em seu antípoda, como nos demonstra o curso de cada um desses ciclos industriais de dez anos, e como puderam convencer-se disso os que com o "crack" viveram na Alemanha um pequeno prelúdio; de a propriedade privada baseada no trabalho próprio converter-se necessariamente, ao desenvolver-se, na ausência de posse de toda propriedade pelos trabalhadores, enquanto toda a riqueza se concentra mais e mais nas mãos dos que não trabalham. 


Filoparanavaí 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

FILOSOFIA DA RELIGIÃO: Fundamentalismo cristão avança no Brasil e ameaça direitos humanos das minorias e maiorias excluídas...

JESUS NÃO MORREU APENAS NA SEXTA-FEIRA... No dia em que celebramos a morte do SENHOR DA VIDA pela pena capital de seu “país” cabe uma reflexão acerca da “pena capital” que continuamos impondo a Jesus todos os dias...

“Deus é o caminho, Jonas Abib, Marcelo Rossi, Fábio de Melo e outros; Edir Macedo, Marco Feliciano, R. Soares, Silas Malafaia, Valdemiro Santiago e outros, são o pedágio”

Jovem africano de 18 anos é apedrejado publicamente,
crime cometido: POR SER DIFERENTE, ERA GAY


A maneira de ajudar os outros é provar-lhes que eles são capazes de pensar. [Dom Hélder Câmara: Bispo católico conhecido por ter lutado em prol de melhores condições de vida para os mais pobres e também por ter denunciado as torturas da ditadura. Foi um defensor da justiça e da cidadania. LEIA AQUI A BIOGRAFIA DE H. CÂMARA]


Independente se católicos, evangélicos, protestantes, neopentecostais... Não importa. Uma coisa, pelo menos,  eles têm em comum... OS CRISTÃOS FUNDAMENTALISTAS MATAM JESUS CRISTO TODOS OS DIAS 

Para os neopentecostais, o mundo é simples: o que não é de Deus é do Diabo segundo seus auto-julgamentos. 

Neopentecostais – é uma diferença prática: A primeira inovação  PENTECOSTALISMO foi riscar do mapa o ascetismo, o sectarismo e a crença de que a melhor parte da vida está reservada para o Paraíso. “A preocupação dos neopentecostais é com esta vida. O que interessa é o aqui e o agora”, afirma o sociólogo Ricardo Mariano [Autor de Neopentecostais – Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil. Editora, Edições Loyola, 1999.].

A INTOLERÂNCIA: A radicalização da divisão do Universo entre Deus e o Diabo. 

Para os neopentecostais, os homens não são responsáveis pelos atos de maldade que cometem: é o Diabo que os leva a pecar. Numa sessão de descarrego da Igreja Universal, o pastor explicou que, se o fiel enfrenta um problema há mais de três meses, é provável que esteja carregando um encosto. “Se a dificuldade completar um ano, daí não há dúvida: a culpa é do demônio”, disse para a congregação. Ele não se referia só a entraves financeiros ou comportamentais. A receita vale para tudo, inclusive para doenças incuráveis. Assim, expulsar o demônio do corpo é a receita única para todos os males, de casamento infeliz até câncer no pulmão.

O FANTÁSTICO: O ritual é feito aos gritos de “sai, capeta”, às vezes com lágrimas escorrendo pelo rosto e transes que terminam no exorcismo. Os cultos tornaram-se mais ativos, incluindo aplausos para Jesus e música gospel. 

Mas a inovação mais profunda do neopentecostalismo foi a aplicação da teologia da prosperidade. Graças a ela, o neopentecostalismo ganhou o apelido de “fé de resultados”. “A teologia da prosperidade faz o fiel encarar Deus como um office-boy”, diz o cientista da religião e pastor Paulo Romeiro, autor de Supercrentes – O Evangelho Segundo os Profetas da Prosperidade. 2. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2007 [você pode ler de graça em: CLIQUE AQUI].

“O crente dá ordens e determina o que pretende. Não há qualquer reconhecimento das fragilidades humanas e de suas necessidades em relação a um Deus superior”, afirma Romeiro. No Brasil, além da Universal, a Renascer em Cristo, a Sara Nossa Terra e a Internacional da Graça de Deus adotam a teologia da prosperidade.

FUNDAMENTALISMO PODE SER IDENTIFICADO COM O NEOPENTECOSTALISMO CATÓLICO E EVANGÉLICO, segmento cristão que mais cresce no Brasil... 

A onda de mudança foi bater até onde a Reforma de Lutero não tinha chegado: nas praias do catolicismo. A influência neopentecostal sobre a renovação carismática católica é tão grande que seu maior expoente no Brasil, padre Marcelo Rossi, é acusado de ter gravado hinos religiosos tirados de templos evangélicos.

O papel do rádio e da televisão na expansão dos evangélicos no Brasil: como essas igrejas evangélicas foram infiltrando-se na mídia radialista e televisa?

AO LADO DE MEIA DÚZIA DE FAMÍLIAS QUE CONTROLAM A MÍDIA NO BRASIL ESTÃO OS NEOPENTECOSTAIS. A CONQUISTA DAS CONCESSÕES SE DEU PELA PRESENÇA DAS BANCADAS, EVANGÉLICA E CATÓLICA, FUNDAMENTALISTAS, QUE APROVA AS MESMAS SEM DIFICULDADES.

HOJE, SÓ A IGREJA CATÓLICA TEM TRÊS CANAIS DE TV; DE RÁDIO É INCONTÁVEL... O NÚMERO DE CANAIS DE TVs E DE RÁDIOS DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS SÃO INUMERÁVEIS... Prova disso é a programação da Rede Record, comprada pela Igreja Universal com o dinheiro do dízimo, que pouco difere das concorrentes.

IGREJA: Um ótimo negócio capitalista. Como em qualquer empresa moderna, pastores hábeis que trazem muito dinheiro para a igreja ganham bem – ninguém confirma a informação, mas comenta-se que alguns salários se parecem com os de astros de futebol, na casa das várias dezenas de milhares de reais. Em termos legais, não há diferença entre um templo evangélico e qualquer outro local de cultos religiosos. A Constituição garante a todos – evangélicos, católicos ou budistas – a mesma isenção de vários tributos, entre eles o IPTU e o Imposto de Renda. JÁ PASSOU DA HORA DE REVERMOS ISSO E ACABAR COM ESSA FARRA. Não podemos confundir liberdade religiosa com liberdade de estelionato...

O crescimento da concorrência faz ser cada vez mais difícil sobreviver entre tantas denominações evangélicas. Calcula-se que uma congregação precise ter no mínimo 50 integrantes para recolher dízimos e doações em quantidade suficiente para cobrir as despesas mínimas, como aluguel e contas de luz e água. Nessas horas, ser a religião dos pobres não é vantagem. Por isso, cada denominação procura seu nicho de atuação. A Assembléia de Deus prefere abrir templos dentro de bairros isolados, enquanto a Universal opta pelas grandes vias de acesso – uma decisão que pouco tem a ver com a fé, segue mais a lógica da competição de qualquer mercado capitalista.

Em novembro de 2003, um evangélico foi ao Programa do Ratinho pedir a devolução dos dízimos que havia dado à igreja. Argumentava que o pastor lhe prometera prosperidade em troca do dinheiro. Sem melhorar de vida, o fiel, como se fosse um consumidor lesado, foi ao Ratinho pedir o dinheiro de volta. Essa história ilustra de modo brilhante a relação que as neopentecostais criaram com seus fiéis-clientes. Elas prestam um serviço. E eles pagam.

INDÚSTRIA DO MILAGRE: CURA ESPÍRITUAL E CURA FÍSICA, TAMBÉM TEM A CURA AFETIVA E A CURA ECONÔMICA. O texano Kenneth Hagin, nascido em 1917, era uma criança doente. Desde os 9 anos, ficou confinado na casa do avô. Aos 16, desenganado pelos médicos, infeliz e preso a uma cama, tinha poucas esperanças de ver sua vida melhorar. Um ano depois, em agosto de 1934, Hagin teve uma revelação. Ele compreendeu de repente o significado de um versículo do Evangelho de São Marcos. A passagem do Novo Testamento dizia: “Tudo quanto em oração pedires, credes que recebeste, e será assim convosco”. Hagin então ergueu as mãos para o céu e agradeceu a Deus pela cura, mesmo sem ver sinal de melhora. Então levantou-se da cama. Estava curado. 

A mensagem, que Hagin popularizou por meio de mais de 100 livros, é clara: Deus é capaz de dar o que o fiel desejar. Basta ter fé e acreditar que as próprias palavras têm poder. Sendo assim, para os verdadeiros devotos, nunca faltará dinheiro ou saúde. Essa doutrina ficou conhecida como “teologia da prosperidade”. A crença foi incorporada anos depois por várias igrejas. Ela é central no mais impressionante fenômeno religioso do Brasil contemporâneo: a explosão evangélica.

O neopentecostalismo fundado em livre interpretação da Bíblia, apela para posse do Espírito Santo como falar em línguas (???), acentuação do DEMÔNIO E DO PECADO (em psicologia uma espécie de neura), ultra-conservadorismo moral, indústria do milagre, acriticidade frente às realidades política, social, econômica, pluralidade/diversidade humana...

MENOS DA METADE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA É CRISTÃ [AINDA QUE QUASE 95% ASSIM AUTO DECLARE-SE] SE LEVARMOS EM CONTA OS NÚMEROS DAQUELES QUE REALMENTE FREQUENTAM COMUNIDADES O NÚMERO DE CRISTÃOS DE FATO NÃO PASSA DE 45%... Pesquisadores vêem no frágil compromisso dos brasileiros com a religião um prato cheio para os neopentecostais. 

Cerca de 80% dos nossos católicos se dizem não-praticantes. É um enorme mercado para os evangélicos. Não é à toa que a maioria dos convertidos vem do catolicismo. Mas, na hora de afirmar a identidade e escolher um adversário, o pentecostalismo ataca o candomblé e a umbanda. E vai na jugular, às vezes escorregando para a intolerância religiosa. Em quase todos os templos é possível ouvir que essas religiões cultuam o Diabo. Também há casos de ataques a terreiros estimulados por pastores. Pode-se dizer que a briga contra as religiões afro-brasileiras, e não contra o catolicismo, o verdadeiro rival, seja uma estratégia de marketing. Quando enfrentaram os católicos, os evangélicos levaram um contra-ataque duro, que envolveu denúncias de charlatanismo e estelionato e ameaçou a sobrevivência das igrejas, além de provavelmente afastar fiéis. A popularidade dos evangélicos chegou ao fundo do poço quando um pastor da Universal chutou na TV uma estátua de Nossa Senhora Aparecida (os evangélicos não cultuam imagens). O Censo 2010 também registrou aumento entre a população que se declarou sem religião. Em 2000 eram quase 12,5 milhões (7,3%), ultrapassando os 15 milhões em 2010 (8,0%). Os adeptos da umbanda e do candomblé – religiões massacradas pelo cristianismo brasileiro mantiveram-se em 0,3% em 2010.


De acordo com o último CENSO-2010:
Os católicos passaram de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010. Embora o perfil religioso da população brasileira mantenha, em 2010, a histórica maioria católica, esta religião vem perdendo adeptos desde o primeiro Censo, realizado em 1872. Até 1970, a proporção de católicos variou 7,9 pontos percentuais, reduzindo de 99,7%, em 1872, para 91,8%.

DESSES 73,6% DE CATÓLICOS APENAS DE 10 A 15% FREQUENTAM IGREJAS CATÓLICAS...

39,8% DOS CATÓLICOS TÊM O ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO.

Em 30 anos, percentual de evangélicos passa de 6,6% para 22,2%. Os evangélicos foram o segmento religioso que mais cresceu no Brasil no período intercensitário. Em 2000, eles representavam 15,4% da população. Em 2010, chegaram a 22,2%, um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões). Em 1991, este percentual era de 9,0% e em 1980, 6,6%. As denominação pentecostais são as responsáveis por esse aumento.

42,3% DOS EVANGÉLICOS PENTECOSTAIS TÊM O ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO.

OS PASTORES - VERDADEIROS LOBOS VESTIDOS DE OVELHAS - TIRAM A VIDA DE SEUS FIÉIS AO LIMPAREM SEUS BOLSOS. Mais de 60% dos evangélicos pentecostais recebem até 1 salário mínimo.

O termo "evangélico" na América Latina designa as religiões cristãs originadas ou descendentes da Reforma Protestante Européia do século XVI. Está dividido em duas grandes vertentes: o protestantismo tradicional ou histórico, e o pentecostalismo. No Brasil, O protestantismo de imigração, forma-se na primeira metade do século XIX, com a chegada de imigrantes alemães ao Brasil, em especial à Região Sul, onde fundam, em 1824, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil. As igrejas do protestantismo de missão são instituídas no país na segunda metade do século XIX, por missionários norte-americanos vindos principalmente do sul dos Estados Unidos e por europeus. Segundo o Censo de 2010, os protestantes tradicionais são 18,5% da população brasileira e estão concentrados, em sua maioria, no sul do país. Nas últimas décadas, com exceção da Batista, as igrejas protestantes brasileiras ou estão estagnadas, apenas em crescimento vegetativo, ou em declínio. Seus integrantes têm, em média, renda e grau de escolaridade maiores que os dos pentecostais. [Fonte: IBGE.gov.br]

Apesar de haver um conflito natural entre os valores LAICOS e CRISTÃOS, a “MORAL CRISTÔ uma espécie fundamentalista da MORAL JUDAICA RETIRADA DO PENTATEUCO NOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO HEBRAICO continua no imaginário social de nosso povo e, ainda, impregna nossas leis com seus valores promovendo por CONVENÇÃO SOCIAL E CULTURAL exclusões sociais absurdas...

PERPETUA O MACHISMO, HETEROSSEXISMO, HOMOFOBIA, EXCLUSÃO SOCIAL DE POBRES, NEGROS, INDÍGENAS, MULHERES... IMPEDE O LIVRE EXERCÍCIO DA LIBERDADE...

NÃO SERIA ESSA OUTRA A CARACTERÍSTICA A SER ASSUMIDA PELOS CRISTÃOS? Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros. [Che Guevara]

Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário. [Ernesto Guevara de la Serna, conhecido por Che Guevara ou El Che (Rosário, Argentina, em 14 de Junho de 1928 - La Higuera, Bolivia, 9 de Outubro de 1967), guerrilheiro revolucionário e homem político.]



Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados
[Che Guevara]
"Prefiro morrer de pé que viver sempre ajoelhado."
[Che Guevara]
Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira. 
 [Che Guevara]
É preciso ser duro, mas sem perder a ternura, jamais...
[Ernesto Che Guevara]
Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida.
[Che Guevara]



 

JESUS NÃO MORREU APENAS NA SEXTA-FEIRA... No dia em que celebramos a morte do SENHOR DA VIDA pela pena capital de seu “país” cabe uma reflexão acerca da “pena capital” que continuamos impondo a Jesus todos os dias...

ORGANIZAM-SE PARA JULGAR E CONDENAR, LUTAM CONTRA DIREITOS HUMANOS: “Um livro lançado na quinta-feira 21.03 faz uma retrospectiva das relações entre a religião e a política e aponta um recrudescimento do poder evangélico no Parlamento nos últimos dois anos. Religião e Política: Uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil, dos pesquisadores Christina Vital e Paulo Victor Leite Lopes, relata como os evangélicos se tornaram, no âmbito dos costumes, os porta-vozes do discurso conservador, a partir da análise de dois acontecimentos emblemáticos: a utilização do aborto na campanha eleitoral de 2010 e a polêmica sobre o “kit anti-homofobia” que o MEC pretendia lançar nas escolas no início do governo Dilma Rousseff e descartado diante das pressões.”

ROUBAM O DINHEIRO “SUADO” DOS MAIS POBRES, ENGANAM, ILUDEM VENDENDO MILAGRES, SE ELEGEM PARA ROUBAR O DINHEIRO PÚBLICO: “Segundo os autores, embora cresça paulatinamente, a influência dos evangélicos no Congresso oscilou nos últimos anos. Em 2006, quando se organizaram em uma frente parlamentar, os evangélicos somavam 90 parlamentares. Com o escândalo dos sanguessugas, esquema de fraudes nas licitações para a compra de ambulâncias durante a gestão de José Serra no Ministério da Saúde, a bancada religiosa emagreceu. Na legislatura seguinte, era composta de 30 congressistas, pois a maioria não se reelegeu. No fim de 2010, a Frente Parlamentar Evangélica havia aumentado novamente e somava mais de 50 integrantes. Fonte: Carta Capital

OS CRISTÃOS FUNDAMENTALISTAS SÃO COMO “BODES COLOCADOS À ESQUERDA DO FILHO DO HOMEM” NO ÚLTIMO JULGAMENTO [MT. 25 (31 a 46)]

AS IGREJAS CRISTÃS FUNDAMENTALISTAS MATARAM JESUS CRISTO NOS IRMÃOS/ÃS DIFERENTES, NO PASSADO, PELA “SANTA INQUISIÇÃO” E HOJE, CONTINUAM A MATAR NA NEGAÇÃO DE SEUS DIREITOS CIVIS, PELO PRECONCEITO E PELA DISCRIMINAÇÃO...

“Nisto são reconhecíveis os filhos de Deus e os filhos do diabo; todo o que não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama o seu irmão.” [1Jo (10)]

O AMOR CRISTÃO NÃO É FEITO DE PALAVRAS SOLTAS AO VENTO, O AMOR CRISTÃO É FEITO DE SOLIDARIEDADE, CARIDADE CONCRETA...

 “aquele que diz que está na luz, mas odeia o seu irmão, está nas trevas” [1Jo 2 (9)]


QUEM DISSE QUE OS CRISTÃOS SÃO PROPRIETÁRIOS DE DEUS OU QUE POSSUEM PROCURAÇÃO PARA FALAREM EM NOME DELE??? Não é o papa, nem os bispos, nem os padres, nem os pastores, enfim, nenhum homem que se arroga “procurador” ou “proprietário” de Deus que determina quem Deus salva ou não salva, quem Deus ama ou não ama... “O VENTO SOPRA ONDE QUER” [Jô. 3 (8)]

FIZERAM DEUS À IMAGEM E SEMELHANÇA DO HOMENS MAUS

Estive nu e me matastes, doente e me matastes, preso e me matastes, com fome e me matastes, com sede e me matastes, forasteiro e me matastes...

Toda vez que você julga – EM NOME DE SUA PSEUDA FÉ - um irmão e o condena por não professar a mesma fé que a sua; ou por não ter as mesmas origens culturais, a mesma cor, a mesma orientação sexual, as mesmas verdades que você professa... VOCÊ ESTÁ MATANDO JESUS CRISTO NOVAMENTE...

“VÓS JULGAIS CONFORME A CARNE, MAS EU A NINGUÉM JULGO” [Jo 8 (15)]

Toda vez que você arroga para si ser “proprietário de Deus” e dono exclusivo da verdade absoluta... VOCÊ ESTÁ MATANDO JESUS CRISTO NOVAMENTE...

“TENHO OUTRAS OVELHAS QUE NÃO SÃO DESTE REDIL” [Jô 10 (16)] Os homossexuais, as mulheres, os indígenas, os ciganos, os negros, os mendigos, os ateus, as prostitutas, os ladrões, os beberrões... entrarão primeiramente no REINO DOS CÉUS muito antes que vocês...

Você mata novamente Jesus Cristo quando dissemina seu “ódio cristão” pelo preconceito (= IGNORÂNCIA) e pela discriminação seja ela velada ou explícita, seja ela verbal, moral ou física.  

QUEM ODEIA SEU IRMÃO NÃO É FILHO DE DEUS, QUEM ODEIA SEU IRMÃO É UM VERDADEIRO FILHO DO DIABO... “Mas o que odeia o seu irmão está nas trevas; caminha nas trevas, e não sabe aonde vai, porque as trevas cegaram os seus olhos.” [1João 2 (11)]

 “Eu amo” as mulheres mas prego que elas não podem ter liberdade e direitos iguais aos homens; “eu amo” os negros mas prefiro eles na miséria, sem direitos iguais aos dos brancos, pois não são gente e tem crenças estranhas (sou contra o direito de Umbanda e Candomblé praticarem seus rituais – pois são coisas do demônio); “eu amo” os homossexuais mas prego que eles são doentes, que não devem ter direitos para viverem afetivamente sua orientação em público, não devem ter direito ao casamento igualitário, enfim... Não devem ter direitos iguais aos dos heterossexuais; eu amo os meus irmãos indígenas apenas se eles se tornarem cristãos convertendo-se de suas crenças satânicas...

ESSES SÃO OS CRISTÃOS FUNDAMENTALISTAS QUE MATAM TODOS OS DIAS JESUS CRISTO...

Quando entendo que sou DONO DA VERDADE ABSOLUTA posso cometer as maiores atrocidades em nome de uma falsa FÉ que eu creio seja verdadeira. Está tão entorpecido por suas falsas crenças que não percebe que está matando...




A IGREJA CATÓLICA SEMPRE MATOU JESUS CRISTO... Quando me lembro dos milhões de condenados (homens e mulheres) à morte, antecipada de cruéis torturas, durante a Idade média e início da modernidade, pelo seu “Santo Tribunal da Inquisição” que de santo não tinha nada e muito menos homens santos administrando esses tribunais, fico indignado ao perceber que hoje veladamente continua a matar... É verdade que os protestantes aprenderam com a Igreja Católica a matar quem não era protestante, mas nada comparado aos vários séculos de inquisição e de torturas e assassinatos de inocentes indefesos em nome de JESUS

A IGREJA CATÓLICA IMPÔS UMA INTERPRETAÇÃO DA MORAL JUDAICA TRAVESTIDA DE CRISTÃ PARA O MUNDO OCIDENTAL NA QUAL CONTINUAMOS ENGESSADOS ATÉ HOJE: heterossexismo-machismo, xenofobia, homofobia, são os grandes males que matam Jesus Cristo todos os dias...

1 mulher assassinada a cada 2 horas, 1 mulher espancada a cada 26”

 

1 homossexual assassinado a cada 26 horas

Esse é o resultado do “AMOR CRISTÃO”

O Brasil ainda é conhecido internacionalmente como uma das sociedades mais desiguais do planeta: Os recursos controlados pelas pessoas que representam o 1% mais rico da população são praticamente iguais aos das 50% mais pobres. 50,5% vivem apenas com um salário mínimo.

Esse é o resultado do país que tem o “orgulho” de ser o mais CRISTÃO da América... ENTRE OS MAIS DESIGUAIS DO MUNDO...

E NOSSAS IGREJAS ESTÃO DO LADO DE QUEM, cadê o espírito profético em defesa da vida? JÁ NÃO PROFETIZAM MAIS...

A IGREJA CATÓLICA E TODAS AS DEMAIS DENOMINAÇÕES DO SEGMENTO RELIGIOSO CRISTÃO, com raras exceções restritas a um e outro fiel consciente do verdadeiro cristianismo é que ainda sustentam um caráter profético...

ESSAS INSTITUIÇÕES SEMPRE ESTIVERAM DO LADO DOS PODEROSOS E TAMBÉM SE TORNARAM IGUAIS: Defendem seus próprios interesses religiosos, econômicos, políticos... Reafirmam a Ideologia dominante e ajudam EM NOME DE JESUS CRISTO a disseminá-la.

PROMOVEM O MAIOR PECADO QUE PODE EXISTIR, A ALIENAÇÃO... A maneira de ajudar os outros é provar-lhes que eles são capazes de pensar. [Dom Hélder Câmara]. Tornam-se cúmplices das desigualdades sociais... Do Papa ao Edir Macedo todos, com raras exceções, estão a serviço do capitalismo que ceifa vidas inocentes todos os dias...

Qualquer um que se coloque contra o CAPITALISMO passa a ser inimigo dos CRISTÃOS... Dom Hélder Câmara: "Se der pão aos pobres, todos me chamam de santo. Se mostrar por que os pobres não tem pão, me chamam de comunista e subversivo."

EM DEFESA DO ESTADO LAICO E PELA INTOLERÂNCIA POSITIVA PARA COM OS INTOLERANTES... EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS...

POSSO ESTAR ENGANADO ACERCA DOS EVANGÉLICOS  E DOS CATÓLICOS FUNDAMENTALISTAS, mas “Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar”
[Che Guevara]

É porque acredito que "O conhecimento nos faz responsáveis". 
[Che Guevara]

ORGANIZADO por Lucio LOPES

FILOSOFIA DA RELIGIÃO: A história natural da religião [David Hume]



Embora toda a investigação sobre a religião tenha a maior importância, existem duas questões em particular que prendem a nossa atenção, nomeadamente aquela que diz respeito ao seu fundamento racional e aquela que diz respeito à sua origem na natureza humana. Felizmente, a primeira questão, que é a mais importante, admite a solução mais óbvia ou pelo menos mais clara. Toda a estrutura da natureza indicia um autor inteligente, e nenhum investigador racional, após uma séria reflexão, pode suspender por um momento a sua crença nos primeiros princípios do teísmo e religião genuínos. Mas a outra questão, aquela que diz respeito à origem da religião na natureza humana, está exposta a maiores dificuldades. A crença num poder invisível e inteligente esteve sempre amplamente difundida por toda a raça humana, em todos os lugares e em todas as épocas, mas talvez nunca tenha sido universal ao ponto de não admitir excepções e de modo algum foi uniforme nas ideias que inspirou. Se aquilo que os historiadores e os viajantes dizem é verdade, foram descobertas algumas nações que não mantinham quaisquer opiniões religiosas. Além disso, não existem duas nações, e dificilmente existem dois homens, que alguma vez tenham aceite precisamente as mesmas opiniões. Por isso, parece que este preconceito não resulta de um instinto original ou de uma impressão primária da natureza, como os que dão origem ao amor-próprio, à afeição entre os sexos, ao amor aos filhos, à gratidão ou ao ressentimento, pois constatou-se que todos os instintos deste gênero são absolutamente universais, estando presentes em todas as nações e em todas as épocas, e têm sempre um objectivo preciso e determinado que perseguem inflexivelmente. Os primeiros princípios religiosos têm de ser secundários; podem facilmente ser pervertidos por vários incidentes e causas, e também a sua operação, em alguns casos, pode ser completamente suprimida devido à reunião de circunstâncias extraordinárias. O problema da presente investigação é o de identificar esses princípios que dão origem à crença original, bem como os incidentes e causas que dirigem a sua operação. 

Secção I: Que o politeísmo foi a primeira religião dos homens 

Parece-me que, se considerarmos os avanços da sociedade desde as suas rudes origens a um estado de maior perfeição, o politeísmo e a idolatria foram, e não poderiam ter deixado de ser, a primeira e mais antiga religião da humanidade. Vou tentar confirmar esta opinião através dos argumentos que se seguem. 

É uma incontestável questão de facto que, há cerca de mil e setecentos anos atrás, todos os seres humanos eram politeístas. Os princípios incrédulos ou cépticos de alguns filósofos ou o teísmo de uma ou duas nações, que em todo o caso não era inteiramente puro, não constituem qualquer objecção digna de atenção. Examinemos, então, o claro testemunho da história. Quanto mais recuamos no passado, mais encontramos a humanidade imersa no politeísmo. Não existem quaisquer indícios ou sintomas de uma religião mais perfeita. Os registos mais antigos da raça humana ainda nos apresentam esse sistema como o credo popular e estabelecido. O Norte, o Sul, o Este e o Oeste testemunham unanimemente este facto. O que poderemos opor a uma tão forte evidência? 

Os seres humanos dos tempos antigos, desde a época que a escrita e a história alcançam, parecem ter sido todos politeístas. Afirmaremos, então, que em tempos ainda mais antigos, anteriores ao conhecimento das letras ou à descoberta de qualquer arte ou ciência, os homens sustentavam os princípios do teísmo puro? Ou seja, enquanto eram bárbaros e ignorantes conheciam a verdade, mas incorreram em erro logo que adquiriram saber e delicadeza. 

Porém, com esta asserção contradizeis não só todas as aparentes probabilidades, mas também a nossa presente experiência dos princípios e opiniões das nações bárbaras. Todas as tribos selvagens da América, de África e da Ásia são idólatras. Não há uma única excepção a esta regra, de tal modo que, caso um viajante se deslocasse a uma região desconhecida e encontrasse habitantes entendidos nas artes e na ciência, ainda que sob essa suposição fosse provável que eles não fossem teístas, nada poderia declarar a esse respeito sem investigar melhor. Contudo, se descobrisse que eles eram ignorantes e bárbaros, poderia de antemão declará-los idólatras e a possibilidade de se enganar seria remota. 

Parece certo que, segundo o progresso natural do pensamento humano, a multidão ignorante tem de aceitar uma noção servil e familiar dos poderes superiores antes de alargar essa concepção a esse Ser perfeito que ordenou toda a estrutura da natureza. Imaginar que os homens habitaram palácios antes de terem vivido em cabanas ou choupanas, ou que estudaram geometria antes de terem estudado agricultura, é tão razoável como imaginar que a Deidade lhes apareceu como um puro espírito, omnisciente, omnipotente e omnipresente, antes de ter sido concebida como um ser poderoso mas limitado, com paixões e apetites humanos, membros e órgãos. A mente avança gradualmente do inferior para o superior. Ao abstrair-se daquilo que é imperfeito, forma uma ideia de perfeição, e, ao distinguir lentamente as partes mais nobres da sua própria constituição daquelas que são mais grosseiras, aprende a transferir apenas as primeiras, muito acentuadas e refinadas, à sua divindade. Este progresso natural do pensamento só poderia ser perturbado por um argumento óbvio e invencível que imediatamente conduzisse a mente aos princípios puros do teísmo e a fizesse transpor, num único salto, a vasta distância que separa a natureza humana da divina. No entanto, embora eu admita que a ordem e estrutura do universo, devidamente examinada, proporciona um argumento desse género, nunca poderei pensar que esta consideração poderia influenciar os seres humanos quando este formaram as suas primeiras e rudes noções religiosas. 

As causas desses objectos, como nos são bastante familiares, nunca prendem a nossa atenção ou curiosidade e, por muito extraordinários ou surpreendentes que esses objectos sejam em si mesmos, são aflorados pela multidão rude e ignorante sem um grande exame ou investigação. Adão, ao surgir subitamente no Paraíso com as suas faculdades em perfeitas condições, ficaria naturalmente espantado, como Milton o representa, com o glorioso aspecto da natureza (com os céus, o ar, a terra, os seus próprios órgãos e membros) e seria levado a perguntar pela origem desse maravilhoso cenário. Porém, um animal bárbaro e necessitado (como um homem na primeira fase da sociedade), pressionado por inúmeras carências e paixões, não tem tempo para admirar o aspecto regular da natureza ou para investigar a causa daqueles objectos aos quais se acostumou gradualmente desde a sua infância. Pelo contrário, quanto mais regular e uniforme, isto é, quanto mais perfeita parece a natureza, maior é a sua familiarização com ela e menor é a sua inclinação para a escrutinar e examinar. O nascimento de um ser monstruoso excita a sua curiosidade e é considerado um prodígio. Alarma-o pela sua novidade, e põe-no imediatamente a tremer, sacrificar e orar. Porém, um animal com todos os seus membros e órgãos constitui para ele um espectáculo comum e não produz qualquer opinião ou afeição religiosa. Perguntai-lhe o que deu origem a esse animal. Ele dir-vos-á que foi a copulação dos seus progenitores. E o que lhes deu origem? A copulação dos seus progenitores. Bastam uns recuos para satisfazer a sua curiosidade e colocar os objectos a uma distância que o faz perdê-los completamente de vista. Não imagineis que ele perguntará de onde veio o primeiro animal, e ainda menos de onde surgiu todo o sistema ou a harmoniosa fábrica do universo. Ou, se lhe colocardes uma dessas questões, não espereis que ele empregue a sua mente com alguma inquietação num assunto tão remoto, tão desinteressante e que excede tanto os limites das suas capacidades. 

Além disso, se os homens, raciocinando a partir da estrutura da natureza, tivessem sido conduzidos em primeiro lugar à crença num Ser Supremo, nunca poderiam ter abandonado essa crença de modo a abraçar o politeísmo, pois os princípios da razão que produziram e difundiram pela humanidade uma opinião tão magnificente têm de ser capazes de a preservar com maior facilidade. Inventar e provar uma doutrina é muito mais difícil do que apoiá-la e preservá-la. 

Existe uma grande diferença entre os factos históricos e as opiniões especulativas, e o conhecimento dos primeiros não se propaga da mesma maneira que as segundas. Um facto histórico, ao ser transmitido por tradição oral pelas testemunhas oculares e pelos contemporâneos, adultera-se em todas as narrações sucessivas e, por fim, pode preservar apenas uma semelhança muito pequena, ou nem mesmo isso, à verdade original em que se baseou. A frágil memória dos homens, o seu amor ao exagero e o seu indolente descuido são princípios que, se não forem corrigidos pelos livros e pela escrita, depressa pervertem a descrição dos acontecimentos históricos; onde a argumentação e o raciocínio têm pouca ou nenhuma importância, também nunca podem repor a verdade que já desapareceu dessas narrações. É por isso que se supõe que as fábulas de Hércules, Teseu e Baco têm a sua origem na história verdadeira corrompida pela tradição. Contudo, no que diz respeito às opiniões especulativas a situação é bem diferente. Se estas opiniões se basearem em argumentos tão claros e óbvios que produzem a convicção na maior parte dos seres humanos, esses argumentos, que difundiram as opiniões, preservá-las-ão com a sua pureza original. Se os argumentos forem mais abstrusos e estiverem mais distantes da compreensão vulgar, as opiniões ficarão sempre confinadas a algumas pessoas e, logo que os homens se afastem da contemplação dos argumentos, estas perder-se-ão imediatamente e cairão no esquecimento. Seja qual for o lado do dilema que escolhamos, tem de parecer impossível que o teísmo, baseando-se no raciocínio, tivesse podido ser a primeira religião da raça humana, e que depois, devido à sua corrupção, tivesse originado o politeísmo e todas as várias superstições do mundo pagão. Quando é óbvia, a razão impede essas corrupções; quando é abstrusa, mantém os princípios completamente afastados do conhecimento do vulgo, que é o único responsável pela corrupção de qualquer princípio ou opinião. 

Tradução de Pedro Galvão Retirado da Obra sobre a Religião Natural, de David Hume (Lisboa: Gulbenkian, 2005)
FONTE: criticanarede.com

Filoparanavaí 2013
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...