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domingo, 27 de março de 2011

MITO e Filosofia: Esquemas de conteúdos

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Expor preconceito não é coragem, mas covardia


publicado em 06/04/2011 Atualizado em filoparanavai 08.04.2011



Por Marcelo Semer Fonte: Terra Magazine com fpabramo, em 06/4/2011


Depois da imensa reprovação social à entrevista do deputado Jair Bolsonaro, considerada ofensiva a negros e homossexuais, vivemos um perigoso refluxo.




Aos pedidos de abertura de processo na comissão de ética e representações de entidades civis, sucederam-se diversas manifestações, entre notas, artigos e reportagens na grande imprensa, em defesa do deputado. E pelos piores fundamentos.


Admitindo publicamente seus preconceitos, Bolsonaro vem sendo considerado um político corajoso. Estaria apenas exercendo seu direito a ser tacanho. E, desta forma, representando um importante pilar para a defesa da liberdade de expressão. Até Voltaire foi tirado indevidamente da tumba para justificar o direito ao preconceito.


Um exagero retórico, certamente.


Comparar o preconceito a uma posição política é o primeiro dos erros. De fato, não há democracia sem pluralismo. Mas nem todas as 'políticas' são permitidas na democracia. Uma proposta higienista e racista como a de Hitler se chocaria com nossos princípios mais elementares. Não é antidemocrático proibi-la, nem punir quem a defenda publicamente. Considerar o racismo uma 'proposta política' é o mesmo que tratar a pedofilia como uma tara.


Pode-se afirmar que o comportamento humano não se acomoda a limites, ou como dizia a música de Chico Buarque, que sexo é "o que não tem governo, nem nunca terá". Mas quando a perversão se dirige a crianças, desprovidas de discernimento, a sociedade tem o pleno direito de proibir seus atos e punir seus praticantes.


Com a palavra não é muito diferente.


O pluralismo depende da liberdade de expressão. Mas isso não impede que certos abusos sejam passíveis de punição, porque podem ser feridos outros direitos igualmente relevantes e protegidos.


O próprio STF já se debruçou sobre a questão, condenando um editor de livros nazistas, ao reconhecer que o estímulo ao preconceito se sobrepunha à liberdade de expressão. Afinal, não vivemos em uma Constituição de um só artigo e a dignidade da pessoa humana é nada menos do que uma das premissas da República.


É certo que para a garantia do exercício parlamentar, a imunidade em suas palavras, discursos e votos é imprescindível. A punição do discurso político é um perigo para a democracia, porta aberta para o autoritarismo. Mas como nenhum direito é irrestrito, nenhuma imunidade tampouco é absoluta - a irresponsabilidade das autoridades é uma marca própria da monarquia, não da república.


A jurisprudência do STF é tradicionalmente restritiva no que respeita à punição de parlamentares por suas palavras. Da história recente, apenas o deputado Eurico Miranda teve contra si uma queixa-crime recebida pelo tribunal, por ofensa não ligada ao exercício do mandato.


Mas isso não é lá um grande parâmetro, porque o número de políticos condenados pelo Supremo por outros delitos também é irrisório. O que mais incomoda na defesa ao deputado são os elogios à sua coragem de dizer abertamente o que muitos somente diriam entre quatro paredes. Este é um tipo de tema, no entanto, em que a franqueza não representa vantagem alguma. Ninguém é punido por seus íntimos preconceitos, inclusive porque o controle de pensamentos, impressões ou sentimentos não está a nosso alcance.


O que a lei pune é justamente a exteriorização do preconceito, a manifestação pública por meio de palavras ou atitudes. Estes atos são impactantes no sentido de menosprezar a pessoa, humilhando-a no que tem de mais precioso, sua própria essência. É quando o preconceito magoa, mutila e destrói, paulatinamente, a autoestima do discriminado. Expor o preconceito, violando os vulneráveis, não é coragem alguma.


É simplesmente covardia.


Mas ainda há mais. Muitas pessoas se satisfazem em disparar ofensas e agressões rasteiras. Mas tantas outras são incensadas ao ódio pelas palavras de ordem do preconceito, e não param por aí. Quem estimula racismo e homofobia não gera apenas constrangimentos, provoca uma cadeia de condutas que não raro desbanca em agressões.


Homossexuais e nordestinos, por exemplo, têm sido presas fáceis de bárbaros discriminadores país afora, da mesma forma que muçulmanos são a bola da vez na Europa.


As bravatas de hoje invariavelmente se tornam violências do amanhã. Criminalizar preconceitos não é fazer a defesa fútil do politicamente correto, mas do humanamente digno. O que está em jogo não é uma etiqueta, uma regra de conduta, mas o tipo de sociedade que estamos construindo.


A que está em nossa Constituição, livre, justa e solidária, não admite o racismo e as mais variadas formas de preconceito. As ditaduras, todavia, já se mostraram capazes de conviver muito bem com todos esses monstros. Talvez por isso o deputado seja tão saudoso da nossa...


*Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo. Fonte:fpabramo



A partir de hoje iniciamos as postagens de esquemas de aulas - do professor organizador deste blog - já aplicadas em salas de aulas onde atuamos no cotidiano letivo. Esperamos que estes sejam úteis para os alunos (as) na revisão dos conteúdos já trabalhados e que também possam ser úteis para os demais internautas visitantes deste blog. Nosso objetivo aqui é socializar ao máximo nossos estudos de filosofia nestes tempos em que a FILOSOFIA finalmente voltou às salas de aulas do Ensino Médio no Brasil.


ABORDAGENS GERAIS:


1. Conteúdo Estruturante Mito e Filosofia 2. Conteúdos Básicos 2.1 Saber mítico; 2.2 Saber filosófico; 2.3 Relação Mito e Filosofia; 2.4 Atualidade do mito; 2.5 O que é a Filosofia? Por Lucio LOPES, atualizado em filoparanavai em 26.03.2011 às 22h00


IMPORTANTE: Considerações gerais do professor O vocábulo mito ► vem do grego μύθος (mýthos) ► Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa



► O mito apesar de ser um conceito não definido de modo preciso e unânime, constitui uma realidade antropológica fundamental, pois ele não só representa uma explicação sobre as origens do homem e do mundo em que vive, como traduz por símbolos ricos de significado o modo como um povo ou civilização entende e interpreta a existência, é um SABER que orienta a organização cotidiana de uma sociedade.É um conjunto de conhecimentos construídos a partir do imaginário social e transmitido através de ESTÓRIAS contadas, transmitidas, por intermédio de uma Linguagem Alegórica. Estas estórias são imaginárias, porém, sempre tendem a um fundo de verdade.


O MITO é um saber de caráter NÃO JORNALÍSTICO (que descreve um dado acontecimento com pormenores e rigor quanto a identificação de local, data, etc.). O MITO é saber que tem caráter e objetivo estritamente EDUCATIVO.


► Mito também é uma narrativa tradicional de conteúdo religioso e artítico, uma vez que ele é constituído de linguagem alegórica e procura explicar os principais acontecimentos da vida a partir da dimensão sobrenatural.


► O conjunto de narrativas desse tipo e o estudo das concepções mitológicas encaradas como um dos elementos integrantes da vida social são denominados mitologia.



► Segundo Mircea Eliade, a tentativa de definir mito é a seguinte, [...] o mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares....o mito conta uma história sagrada, relata um acontecimento que teve lugar no tempo primordial, o tempo fabuloso dos começos...o mito conta graças aos feitos dos seres sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, quer seja uma realidade tetal, o Cosmos, quer apenas um fragmento, uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, é sempre portanto uma narração de uma criação, descreve-se como uma coisa foi produzida, como começou a existir...(Mircea Eliade, Aspectos do Mito, pg. 12ss)


TODOS OS POVOS ANTIGOS EM ALGUM MOMENTO DE SUA HISTÓRIA E A PARTIR DE CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS DE SUA CULTURA CONSTRUÍRAM SABERES MÍTICOS ESPECÍFICOS. Os gregos, os persas, os romanos, os judeus, os egípcios, etc...


► O PROFANO DÁ LUGAR AO SAGRADO.


O mito NÃO É UMA MENTIRA, ele reflete sempre a realidade interpretada a partir de um racicínio influenciado pela CRENÇA RELIGIOSA e explicitado através de uma linguagem alegórica. Mircea Eliade trata disso também e destaca que: [...] o mito é considerado como uma história sagrada, e portanto uma história verdadeira, porque se refere sempre a realidades. O mito cosmogónico é verdadeiro porque a existência do mundo está aí para o provar, o mito da origem da morte é também verdadeiro porque a mortalidade do homem prova-o...e pelo facto de o mito relatar as gestas dos seres sobrenaturais e manifestações dos seus poderes sagrados, ele torna-se o modelo exemplar de todas as actividades humanas significativas. (Mircea Eliade, Aspectos do Mito, pg.13).


► Aquilo que os seres humanos têm em comum revela-se no mito. Segundo Campbell, eles são estórias da nossa vida, da nossa busca da verdade, da busca do sentido de estarmos vivos. Os mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana, daquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente. O mito é o relato da experiência da vida. Eles ensinam que nós podemos voltar-nos para dentro.E desde aí voltar-se para o mundo exterior em busca de seus mistérios. (Joseph Campbell, www.geocities.com/viena/2809/mitos.html)


► Para nós é importante lançarmos um olhar sobre o Mito Grego e desde ele compreender como é que a FILOSOFIA irrompeu desde a REALIDADE histórica grega. PARA LOCALIZARMOS O SABER MÍTICO DENTRO DO GRANDE SISTEMA OCIDENTAL DE CONHECIMENTO



► TODO SABER É RACIONAL A organização do Conhecimento Ocidental ocorre a partir de 6 saberes específicos em natural interação entre os mesmos. O PRIMEIRO SABER É O ARTÍSTICO e data desde que o Homem enquanto em processo de evolução hominídea passa a utilizar-se daquilo lhe é próprio e que o diferencia dos demais animais: A Faculdade Anímica da Razão. É bom recordar que as espécies hominideas em evolução construíram este saber a partir da necessidade também central de elaborarem respostas para questões existenciais fundamentais de seu cotidiano, ou seja, questões relacionadas ao campo prático da sobrevivência. O Homem em processo de deslocamentos grupais, na forma nômade, queria encontrar formas facilitadoras para adquirir alimentos e proteção para seus grupos sociais.


LEMBRE-SE O PLANETA TERRA TEM em torno de 4bi de anos: Idade da Terra: Em 1654, um arcebispo irlandês calculou, com base em textos bíblicos e em crenças religiosas, que a Terra teria se formado às 9 horas do dia 26 de outubro de 4.004 a.C. Hoje,por intermédio do saber científico, sabemos que a Terra tem em torno de 4,5 bilhões de anos. O Big bang teria ocorrido há 15 bilhões de anos atrás; as Galáxias teriam se formado há 13 bilhões de anos; as Primeiras estrelas teriam surgido há 10 bilhões de anos; o Sol teria se formado há 5 bilhões de anos; e a Terra há 4,5 bilhões de anos (fonte:Paulo Araújo Duarte. Professor de Astronomia do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina. Março/1999. (http://planetario.paginas.ufsc.br/?s=Planeta+ter ra+tem+4+bi&x=9&y=4)). Confira uma rápida panorâmica em relação ao movimeto evolucionista hominídeo:



Ramapitheco - Viveu há cerca de 14 milhões de anos e é considerado o mais antigo ancestral do homem, provavelmente vivia em árvores. Australopitheco - Hominídeo surgido há 3 milhões de anos. Tinha menos da metade do nosso volume cerebral. Andava em pé.Usava as mãos para colher frutos, atirar pedras e paus para abater pequenos animais.


Homo habilis - Primeira forma humana, surgida há 2 milhões de anos. O cérebro era um pouco maior que o do Australopitheco e fabricava suas ferramentas quebrando lascas de pedra.Junto a seus fósseis foram econtrados vestígios das cabanas que construía.


Pithecantropo ou Homo erectus - O Homem de Java e de Pequim. Forma humana surgida há 1,6 milhões de anos. Tinha o cérebro maior que o do Australopitheco e o corpo mais evoluído. Vivia em bandos de 25 a 30 pessoas. Descobriu o fogo, fabricava instrumentos, caçava, pescava e coletava raízes e frutos. Saiu da África e se espalhou pela Europa e pela Ásia.


Homem de Neanderthal (Homo sapiens neanderthalensis) - Surgiu há cerca de 150 mil anos atrás. Enfrentou um período glacial muito intenso. Seu cérebro era aproximadamente igual ao nosso. Usava instrumentos bem feitos e já enterrava os mortos. Conviveu com os primeiros homens modernos. Homem atual (Homo sapiens sapiens) - O mais antigo fóssil dessa espécie é a do Homem de Cro-magnon, surgido há cerca de 35 mil anos atrás. Fisicamente é igual ao homem atual. Seu cérebro era bem desenvolvido. Em busca de caça, ocupou todas as partes da Terra, em grupos de caçadores e coletores. Compreendendo mais facilmente este primeiro momento de construção do saber humano:



O SABER ARTÍSTICO SE CARACTERIZOU POR SER TRANSMITIDO PRIMEIRAMENTE ATRAVÉS DE PINTURAS RUDIMENTARES NAS PAREDES DAS CAVERNAS - da linguagem mímica para a linguagem alegórica - locais onde o homem abrigava-se para ter maior segurança contra animais selvagens e intempéries da natureza. Assim eles além de guardarem conhecimentos para suas futuras gerações, também acabavam por socializarem os conhecimentos adquiridos com outros grupos hominídeos - por exemplo a invenção da técnica de fabricar uma lança que facilitaria abater animais grandes, etc. O SABER RELIGIOSO Este saber também não tinha grande complexidade.


O ARTÍSTICO não dava conta de responder questões que fugiam da dimensão do natural e passavam para o aspecto da crença, do oculto, do invisível, enfim, do SOBRENATURAL.


O Homem passa a ter necessidade de relacionar-se com seres imaginários sobrenaturais: brota a ideia de deuses e depois no processo cria-se a institucionalização de aparatos religiosos - as religiões. CHEGAMOS AO SABER MÍTICO Quando finalmente o homem desenvolveu a agricultura e domesticação dos animais (Não sabemos ao certo, mas é algo em torno de 10.000 a.C) ele passou de uma organização extremamente simples para uma maior complexidade. Com a agricultura os grupos nômades puderam se estabelecer próximos a rios e se utilizar deles para a irrigação do solo, conseguindo assim a sobrevivência sem a necessidade de se mudar frequentemente em busca de alimentos.Uma vez fixados na terra é que se tornou possível a formação de comunidades. Dois bons exemplos: As primeiras cidades antigas que se formaram ao longo dos rios Tigre e Eufrates ( na Mesopotâmia ) e as cidades do antigo Egito ao longo do rio Nilo.


NASCE ENTÃO A NECESSIDADE DE UM SABER NOVO, uma vez que o ARTÍSTICO E O RELIGIOSO não davam mais conta do novo contexto histórico do homem sedentário e que passa a viver em civilização. (Revolução Neolítica (ou Revolução Agrícola) é a expressão criada pelo arqueólogo inglês Gordon Childe para designar o movimento dado na Pré-História, que marcou o fim dos povos nômades e o inicio da sedentarização do homo sapiens, com o aparecimento das primeiras vilas e cidades. No Período Paleolítico, os grupos nômades não possuíam moradias fixas. Já no Neolítico, as sociedades humanas desenvolveram técnicas de cultivo agrícola e passaram a ter condições de armazenar alimentos. Isso levou a grupos humanos a se fixarem por mais tempo em uma região e a se deslocarem com menor frequência.Essa foi a fase da evolução cultural em que se deu a passagem do ser humano "de parasita a sócio ativo da natureza". Foi uma transformação que levou o homo sapiens a se fixar definitivamente em um local e o adaptar às suas necessidades, tendo por base uma economia produtora. O processo de transformação da relação do Homem com os animais e plantas proporcionou um maior controle das fontes de alimentação.(fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A 7%C3%A3o_neol%C3%ADtica)


NASCE O SABER MÍTICO que interagindo com o artístico e o religioso - passa a responder questões cada vez mais complexas. O MITO, enquanto saber tem função exclusivamente SOCIAL. Agora preste muita atenção para a JUSTIFICATIVA SOBRE A IMPORTÂNCIA DE CONHECERMOS AS LINHAS GERAIS DO SABER MÍTICO NA GRÉCIA ANTIGA Promover um estudo investigativo e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre o saber mítico na Grécia Antiga é possibilitar ao estudante de Filosofia, uma compreensão mais ampla e menos preconceituosa sobre esta forma de saber.


Ela é identificada não apenas nos povos primitivos da antiguidade, mas também, possivelmente identificada ainda hoje nas culturas dos povos nativos do Brasil e de outros povos espalhados nos demais territórios continentais. Este saber mítico, produzido ao longo de milênios, de séculos, é muitas vezes recurso essencial para a manutenção da identidade comunitária e cultural destes povos nativos. Converte-se em ícone de resistência. Compreender o Mito Grego é essencial para uma compreensão de como surgiu o pensamento racional, conceitual, entre os gregos. Isto decorre do fato de que o conhecimento Filosófico nada mais é do que fruto de um processo de auto-afirmação histórica da RAZÃO (LOGOS) diante do conhecimento mitológico desenvolvido na Grécia.


O pensamento racional/conceitual entre os gregos foi decisivo no desenvolvimento da cultura da civilização ocidental. Logo, entender as relações entre o Mito e a Filosofia é condição fundamental para entendermos que o Homem ao longo do processo de construção de sua história desenvolveu diversas formas de conhecimentos a partir da busca incessante de respostas diante das questões e/ou problemas existenciais de seu cotidiano – Artístico e Religioso, seriam as duas primeiras modalidades e/ou conjuntos de conhecimentos, por exemplo – o artístico responderia por questões práticas e o religioso brota da necessidade de compreender o não compreensível (sobrenatural) e, que, o Mito tanto na Grécia quanto nos demais povos marca um período em que o Homem era dominado pelo medo diante do uso da Razão, uma vez que este medo era perpetuado pela crença de que o uso desta faculdade anímica era uma atividade reservada apenas aos ricos aristocratas, com autorização expressa dos deuses que eram os únicos a possuírem o direito natural de seu uso, crença esta atestada, por exemplo, na obra “Teogonia” do poeta Hesíodo e muito bem retratada no mito de Prometeu.



Ora, que relação poderíamos fazer entre este uso da Razão regulado na antiguidade e os conceitos de Ideologia e Alienação nas sociedades contemporâneas? Eis aqui um problema filosófico. O mito, rico em sua linguagem disseminada nas diversas culturas e, em especial na grega, possibilitará na medida em que as fronteiras de seus limites demarcados sejam superados pelo homem insurgente, imerso justamente na capacidade de transcender fronteiras no que tange a processos de conhecimentos, o diálogo entre diferentes formas de expressões deste saber nas diferentes culturas dos povos, uma crise relacional que forjará a Filosofia enquanto atividade Reflexo/Racional, de caráter genuinamente contestadora diante das verdades com status de dogma. Dessa forma, é importante que o estudante do Ensino Médio conheça o contexto histórico e político do surgimento da Filosofia e o que ele significou para a cultura helênica.


Conhecer os fatores sócio/econômico/político/culturais e religiosos, que possibilitaram o surgimento da Filosofia na Grécia e não em outro lugar qualquer do Planeta, é fundamental para a compreensão das grandes linhas de pensamento que dominam todas as nossas tradições culturais Ocidentais. Levar os estudantes de Filosofia a uma compreensão dos conflitos gerados na passagem do conhecimento mitológico para o pensamento racional é de fundamental importância para que os mesmos possam ainda identificar em nosso cotidiano atual aqueles problemas elaborados na antiguidade e que hoje, pedem respostas diferentes devido a complexidade mais profunda com a qual se apresentam.


A alienação imposta pela classe dominante sobre as classes populares, por exemplo, é apenas um problema filosófico ainda não resolvido plenamente e que se arrasta desde o dia em que o homem passou a viver em civilização com um mínimo de organização política. Estudar o Mito Grego é condição sine qua non para uma compreensão do saber filosófico em suas origens. Este segundo saber não anula o primeiro, nem mesmo é mais verdadeiro, apenas propõe uma nova possibilidade, uma nova forma de relacionar-se com o conhecimento.


Aliás, só para situar a validade dessa proposição é bom lembrar que em suas obras, tanto Platão quanto Aristóteles, tratam o mito como MATÉRIA PRIMA do pensamento filosófico. Na sua perspectiva, Aristóteles tinha a compreensão de que o Mito era a matéria prima da Filosofia, até mesmo porque em contraponto ao Mito, os primeiros filósofos, desde Tales, se aventuraram na busca de princípios e, era sobremaneira a especulação sobre os princípios e causas - a marca que fazia o verdadeiro filósofo, segundo Aristóteles. Apesar de criticar na sua obra “Metafísica” os filósofos cosmologistas por se ocuparem apenas do princípio e causa material (a busca por um Arché do Cosmo e da Physis), os reconhecia como sendo os primeiros filósofos: “(...) Com efeito, foi pela admiração (thauma) que os homens começaram a filosofar tanto no princípio como agora; perplexos, de início, ante as dificuldades mais óbvias, avançaram pouco a pouco e enunciaram problemas a respeito das maiores (...). E o homem que é tomado de perplexidade e admiração julga-se ignorante - por isso o amigo dos mitos [filómito] é de um certo modo filósofo... “ (Aristóteles, Metafísica, A 982b)


Portanto, compreender o Mito a partir do contexto de seu “chão” é abrir a possibilidade de compreender mais profundamente a Filosofia originária da Grécia Antiga tal qual ela é: Irrompida da DÚVIDA e convertida em Atividade Crítico/racional composta de regras claras e profundo rigor, motivada pela busca da verdade e/ou seja, a aproximação mais possível à verdade. Conhecer o Mito e o poder de sua linguagem alegórica é uma dessas tarefas primordiais na longa aventura do estudo filosófico. O Mito não está isolado e perdido no passado, seus conteúdos interagem com os conteúdos de todos os conjuntos de conhecimentos AINDA HOJE, ora com o artístico, ora com o religioso, ora com o senso comum, ora com a filosofia, ora com a ciência... O Mito em conexão com a Filosofia e os demais saberes, pode e muito, nos oferecer pistas para elaborarmos respostas às questões existenciais da atualidade, sobretudo respostas que possam levar o homem ao reencontro de seu poder re-humanizador.


PODE TAMBÉM NOS AJUDAR A IDENTIFICARMOS AS RAÍZES DE COMPORTAMENTOS CULTURAIS PROFUNDAMENTE ENRAIZADOS NO IMAGINÁRIO MÍTICO DA ANTIGUIDADE - por exemplo, a Cultura do Machismo que impera no Ocidente e que tem suas raízes nos saberes míticos grego e judeu.



A imagem acima representa a deusa Gaia no ato criador:


Na mitologia grega, Gaia (Géia) é a personificação divina da Terra (como elemento primitivo e latente de uma fecundidade devastadora e infindável). Segundo Hesíodo e sua Teogonia, ela é a segunda divindade primordial, nascendo após Caos e foi uma uma das primeiras habitantes do Olimpo. Como dissemos, sua potenciadade progenitora é tão intensa que, sem intervenção masculina, dá a luz a Urano (seu filho e esposo), às Montanhas e ao Mar. Casada com o Céu, a Terra gera também os Titãs e os Ciclopes. Absolutamente tudo que cai em seu ventre fértil ganha vida.


Na próxima postagem o esquema geral do Mito da Criação do Cosmos na versão grega e o mito da criação do homem e da mulher.


LEIA MAIS sobre a relação entre MITO e FILOSOFIA - PARA APROFUNDAR NOSSA COMPREENSÃO ACERCA DA RELAÇÃO ENTRE SABER MÍTICO E SABER FILOSÓFICO


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Sociedade civil se une contra afirmações preconceituosas de Jair Bolsonaro


Atualizado em filoparanavai em 01.04.2011 às 14h00



O Instituto de Estudos Socioecônomicos (Inesc), que realiza um seminário sobre racismo esta semana, na Universidade de Brasília (UnB), foi uma das primeiras entidades a assinar a representação encaminhada à Procuradoria Geral da República com pedido de abertura de um processo legal contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por práticas recorrentes de injúrias, ofensas à dignidade e incitação da discriminação e de preconceitos.


Segundo Alexandre Ciconello, assessor político do Inesc, a conduta do deputado fere o artigo 20 da Lei Caó (Lei 7716/89) e também n inciso XLII do art. 5º da Constituição Federal. "Se esse tipo de atitude não configurar crime de racismo, o melhor a fazer é rasgar a Lei e também a Constituição Federal", ressalta. Ainda de acordo com Ciconello, a Constituição é explícita ao repudiar o racismo como prática social, considerando-o um crime imprescritível e inafiançável.


"Esse tipo de denúncia pode acontecer em qualquer momento, mesmo muitos anos após a realização da ação discriminatória, e não pode haver liberdade provisória para o acusado mediante o pagamento de fiança", explica.


A iniciativa é uma resposta às afirmações de cunho racista proferidas pelo deputado no programa CQC, veiculado segunda-feira (28). Nele, Bolsonaro, ao ser indagado pela cantora Preta Gil "se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?", afirma: "ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja, eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu".


Especialistas da área de direitos da população negra estão em Brasília para discutir questões sobre racismo, igualdade e políticas públicas. O debate tem grande importância, já que essa camada da sociedade corresponde a mais de 50% da população brasileira, sendo que metade vive abaixo da linha da pobreza. As desigualdades entre negros e brancos também se revelam nos setores da educação, segurança pública e mercado de trabalho. fonte: ptnacamara.org.br


Sociedade deve reprovar qualquer tipo de ato contra qualquer grupo, diz ministra Atualizado em filoparanavai em 01.04.2011 às 14h11



Qualquer tipo de ato de discriminação contra qualquer grupo, sejam negros ou homossexuais, deve ser motivo de reprovação geral por toda a sociedade. A declaração foi feita pela ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, no programa Bom Dia Ministro que foi ao ar nesta sexta-feira (1), ao ser questionada sobre as recentes declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ).


A ministra declarou ainda que o protagonismo, neste caso, é do Legislativo, e que a própria Câmara dos Deputados tem se encarregado de tomar as medidas no sentido de avaliar se as declarações do deputado devem ou não ser punidas. “Existem várias representações de diferentes deputados para o Conselho de Ética da Câmara, e nós esperamos que o Poder Legislativo tenha a capacidade de tomar a decisão que lhe parecer mais coerente, coerente inclusive com toda a reação que nós temos visto em setores da sociedade”, afirmou Luiza Bairros.


Na avaliação da ministra, esse é mais um caso que vai ajudar sociedade brasileira a criar as suas próprias defesas contra atos conservadores e racistas que, neste momento, não contribuem nem um pouco com o processo de construção de uma democracia racial e de uma possibilidade de igualdade racial no país. A respeito da campanha “Igualdade Racial é Para Valer”, lançada neste mês pela Seppir, e que tem entre seus objetivos a redução do índice de homicídios contra a população negra, Luiza Bairros esclareceu que o alcance dessa meta depende de um conjunto de medidas coordenadas que toquem em várias áreas da vida social.


Segundo ela, a morte física é apenas o final da linha de um processo de várias outras “mortes” que acometem esses jovens, já que também acontece uma “morte” intelectual, uma “morte” das expectativas em relação ao mercado de trabalho, e também uma “morte” cultural quando ocorre a discriminação das manifestações culturais a que esses jovens são ligados. A Ministra destacou que na campanha há medidas a serem tomadas com foco mais específico na questão da segurança pública. Mas não se pode pensar em taxas de homicídios tão altas como sendo decorrência, apenas, da dimensão da segurança, enfatizou ela.


Luiza Bairros também avaliou, durante a entrevista, a questão do crescente racismo na internet. Segundo ela, na medida em que as conquistas relativas ao povo negro vão ficando mais evidentes, vão se tornando mais evidentes também as reações de determinados setores: “Na verdade, o que essas pessoas querem é que a sociedade permaneça exatamente do modo que sempre foi. Quando se faz um movimento no sentido de maior igualdade de oportunidades, existem setores que se sentem prejudicados com isso, como se fossem perder um direito, quando o que nós estamos fazendo é buscar um tipo de situação onde nenhum grupo racial tenha privilégios pelo fato de pertencer, do seu pertencimento.


Na avaliação da Ministra, o racismo é algo que tem a ver com poder: se você mexe na posição dos grupos raciais, você também ataca determinados interesses; daí essas reações mais explicitas contra qualquer possibilidade de igualdade na nossa sociedade, explicou ela. Sobre as políticas adotadas pelo país para a promoção da igualdade, como as cotas, criticadas inclusive por alguns segmentos de que poderiam reforçar o preconceito, Luiza Bairros explicou que nenhuma pessoa negra é obrigada a fazer uso desse direito.


Segundo ela, a pessoa negra – que tem acesso a determinados espaços, como universidades, em função de ações afirmativas que são feitas para facilitar seu acesso – tem o direito de opinar e dizer que não quer dessa forma, que vai fazer da forma tradicional. O que não pode, esclareceu a ministra, é retirar o direito de quem queira se utilizar desse tipo de mecanismo. Durante a entrevista, a ministra reiterou por diversas vezes que quando se fala nos negros, está se falando de metade da população brasileira.


Apesar disso, disse ela, “nós temos lido nos jornais a questão da falta de mão de obra em vários setores que são vitais para nós. Será que nós estaríamos vivendo esse tipo de crise no mercado de trabalho se nós tivéssemos ao longo da história do Brasil, incluído a população negra? Eu acredito que não.” Na avaliação da Ministra, em um país como o Brasil, que se prepara e caminha para ser uma das nações mais importantes do mundo, e que tem em curso diversos programas governamentais importantes para a melhoria da infraestrutura do país, que mobilizam a economia e ampliam o mercado de trabalho, “não se pode abrir mão da metade da população em um momento como este, é impossível”.fonte:Blog do Planalto


CNI/Ibope: Dilma Rousseff é aprovada por 73% da população


Atualizado em filoparanavai em 01.04.2011 às 14h15



Após quase 80 dias de governo, a presidente Dilma Rousseff é aprovada por 73% da população, segundo pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta sexta-feira. A aprovação do governo da presidente, no entanto, é menor: 56% dos entrevistados consideram a gestão Dilma ótima ou boa. A pesquisa levou em consideração a opinião de 2.002 pessoas entre 20 e 23 de março deste ano.


A confiança na presidente também é alta: 74% dos entrevistados afirmaram confiar em Dilma, contra 16% de pessoas que disseram não confiar. Outros 10% não souberam responder. A maior parte da população - 64% - entrevistada considera que o governo Dilma Rousseff é igual ao do ex-presidente Lula. O percentual de pessoas que acham que a gestão Dilma é melhor (12%) é praticamente o mesmo de quem acha pior (13%).


Das nove áreas de atuação do governo avaliadas pela população, três foram desaprovadas: saúde, impostos e segurança pública. As ações na área da saúde são reprovadas por 53% da população, o mesmo percentual que desaprova a atuação em impostos. O setor de segurança pública recebeu avaliação negativa por 49% dos entrevistados. Nas demais áreas, as ações em combate à fome e à pobreza receberam a melhor avaliação pelos entrevistados, com 61% de aprovação. Em seguida, vêm combate ao desemprego, com 58% de avaliações positivas; meio ambiente, com 54%; educação, com 52%; e combate à inflação, com 48%. A política de juros do governo Dilma tem o mesmo percentual de aprovação e reprovação: 43%.


Entre os assuntos mais lembrados pela população sobre o governo Dilma, 25% dos entrevistados não souberam responder. Outros 22% lembraram da discussão sobre o valor do salário mínimo, travada no Congresso no início do ano. Para 11%, o assunto mais lembrado foi a visita do presidente americano, Barack Obama, ao Brasil. Durante o governo Lula, Dilma ficou conhecida como "mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)". No entanto, o assunto só foi lembrado por 3% dos entrevistados. fonte: Portal do PT com (Luciana Cobucci - Direto de Brasília – Portal Terra)


EM MAIO II MARCHA CONTRA HOMOFOBIA NO BRASIL


Atualizado em filoparanavai em 27.03.2011 às 21h03



Na defesa da igualdade de direitos da comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (LGBT) e para reivindicar os meios para se conquistar o fim da discriminação e da violência, a cidadania plena, o reconhecimento e o respeito, será realizada, em Brasília, a segunda Marcha Nacional contra a Homofobia, no dia 18 de maio de 2011. A concentração será às 9h, na Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral Metropolitana. O evento foi inaugurado no ano passado em nome de milhões de brasileiras e brasileiros que ainda são excluídos da democracia e ignorados pelas leis do país. Este ano, são esperados ativistas das 237 ONGs filiadas à ABGLT, simpatizantes e organizações aliadas. Precedendo a II Marcha, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) convida também para o VIII Seminário LGBT no Congresso Nacional, no dia 17 de maio, que também é o Dia Internacional contra a Homofobia, no Auditório Nereu Ramos do Congresso Nacional. A data marca uma vitória histórica do movimento LGBT internacional. Foi quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do Código Internacional de Doenças, em 1990. "Somos cidadãs e cidadãos lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que, como cita o nosso manifesto, estão em todos os cantos do país, em todas as profissões, em diferentes religiões, em diversas raças e etnias, em diversos sotaques e opiniões. Somos diversos e estamos em todo lugar", afirma o coordenador da Associação Beco das Cores e membro da Coordenação Estadual da ABGLT/BA, Vinícius Alves. Ele afirma que diariamente eles são impedidos de vivenciar plenamente os seus direitos pelo simples fato de terem uma orientação sexual ou identidade de gênero diferente da hegemonicamente aceita como natural e correta na sociedade. "Temos os mesmos direitos porque não existe a naturalidade de uma única forma de orientação sexual e identidade de gênero, mas sim uma infinidade de formas que são comuns à vida humana e devem ser aceitas e respeitadas. Somos tratadas e tratados, todos os dias, em diversos espaços, com atos de violência e como cidadãs/os de ‘segunda classe' em nosso país", aponta Alves. II Marcha Nacional Para o diretor-geral da Associação Beco das Cores, Wesley Francisco, a II Marcha Nacional contra a Homofobia é um grito de protesto, um manifesto de respeito aos direitos individuais e coletivos. Ele afirma que a luta é pela igualdade de direitos e por políticas públicas de combate à homofobia. "Reivindicamos que o Estado brasileiro, por meio dos três poderes e em todas as esferas da federação - União, Estados e municípios - incorpore as diretrizes de combater a homofobia e de promoção da cidadania plena para a população LGBT como fundamental para a construção da democracia e da sociedade brasileira", ressalta. Wesley Francisco observa que faz 22 anos que o Brasil se democratizou e promulgou a Constituição Cidadã. Entretanto, segundo ele, em todo esse período, a jovem democracia não foi capaz ainda de incorporar a população LGBT. "Ano passado o movimento foi recebido por 14 dos 18 ministérios que compõem o Plano Nacional LGBT. Esse ano, a expectativa é repetir a ação, além de fortalecer a campanha a favor da aprovação do Projeto de Lei Complementar, o PLC 122 (que criminaliza a homofobia), da união estável e casamento civil e o reconhecimento do nome social de travestis e transexuais". O diretor do Beco das Cores argumenta ainda que não existem leis que protejam da violência homofóbica as pessoas LGBT. "É preciso assegurar a laicidade do Estado e garantir o respeito à diversidade. Não aceitamos que dogmas religiosos sejam usados como justificativas para o preconceito e negação de direitos aos LGBT", completa Wesley.


O movimento LGBT defende que: - o Estado laico seja assegurado, sem interferência dos fundamentalismos religiosos; - o Governo Federal acelere a implementação do Plano Nacional de Promoção dos Direitos Humanos e Cidadania de LGBT, garantindo recursos orçamentários e o necessário controle social e accountability na sua execução, promovendo a diminuição da homofobia; - todos os governos estaduais e municipais instituam : coordenadorias LGBT, Conselhos LGBT e Planos de Combate à Homofobia; - o Congresso Nacional aprove a criminalização da homofobia (PLC 122), a união estável e o casamento civil, a alteração do prenome das pessoas transexuais, o reconhecimento do nome social das travestis; - o Judiciário, em todos os níveis, faça valer a igualdade plena entre todas as pessoas, independente de sua orientação sexual ou identidade de gênero; - o Superior Tribunal de Justiça reconheça como entidades familiares as uniões entre pessoas do mesmo sexo; - o Supremo Tribunal Federal julgue favoravelmente as ações que pleiteiam a união estável entre pessoas do mesmo sexo e o direito das pessoas transexuais alterarem seu prenome. Fonte: Bahia Já / FÓRUM LGBT


Dilma tem aprovação maior que a de Lula no início do primeiro mandato


Pesquisa mostra que 47% dos brasileiros aprovam a presidente neste terceiro mês Atualizado em filoparanavai em 27.03.2011 às 15h01



A presidente Dilma Rousseff tem 47% de aprovação dos brasileiros em seu terceiro mês no mandato, segundo pesquisa Datafolha divulgada sábado (19). O índice alcançado por Dilma é maior que o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2003, em seu primeiro mandato, quando ele tinha 43% de aprovação. A margem de erro da pesquisa divulgada hoje é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No terceiro mês do segundo mandato, Lula tinha 48% de aprovação da população, segundo o Datafolha. A gestão de Dilma é considerada ruim ou péssima por 7% dos entrevistados na pesquisa. Já 34% dos entrevistados disseram que a administração é “regular”; 12% não souberam opinar. De acordo com a pesquisa, Dilma é mais bem avaliada que todos os outros antecessores, quando se leva em consideração o início da gestão. No início de mandato, o ex-presidente Fernando Collor tinha 36% de aprovação; Itamar Franco apareceu com 34% - logo após o impeachment de Collor. Eleito em 1994 e reeleito em 1998, FHC foi avaliado positivamente por 39% das pessoas no primeiro mandato e por 21% após ser reeleito. O Datafolha ouviu 3.767 pessoas nos dias 15 e 16 de março. fonte: Portal PT



ÉTICA: Direitos Humanos Criada com apoio petista, a Frente Parlamentar LGBT Atualizado em filoparanavai em 27.03.2011 às 15h01


O Brasil não tem ainda, que pese ser um Estado Laico, e justamente ainda pela força exacerbada que exercem os grupos religiosos cristãos, nenhum conjunto de Leis que contemplem essa minoria, a dos HOMOAFETIVOS


Com a criação da Frente Parlamentar LGBT, o legislativo brasileiro dá mais uma prova que o país caminha para o fim, ou ao menos, para a diminuição das discriminações de caráter sexual. Para o senador Paulo Paim, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, a Frente “visa de forma direta, combater o preconceito quanto a livre orientação sexual e nesse aspecto tenho certeza essa a Frente a de contribuir para que ninguém seja discriminado”. Paim destaca também que seu Partido, dos Trabalhadores, defende a livre opção sexual. (Ricardo Weg – Portal do PT)


Fome: Mundo ainda tem 1 bilhão de famintos

Atualizado em filoparanavai em 27.03.2011 às 15h01


A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal debateu nesta terça-feira (22) ações nacionais e internacionais de combate a fome e à miséria extrema. Segundo a Organização das Nações Unidas, um bilhão de pessoas, no mundo, passam fome. De acordo com a meta do milênio, o objetivo era reduzir esse número pela metade até 2015, mas esse contingente vem aumentando. Para o senador Paulo Paim (PT/RS) os dados são alarmantes. “De 6 bilhões de pessoas do mundo, 1 bilhão passa fome, ou seja, uma a cada seis pessoas no mundo está passando fome nesse momento. Então é preciso, de fato, que a gente faça um movimento nacional e mostrar que a política de direitos humanos não tem fronteira, inclusive a nível internacional”. A Comissão de Direitos Humanos vai solicitar a presença da presidenta Dilma Housseff, no intuito de oferecer a colaboração do Senado no combate a fome e à miséria. (Bruno Costa – Portal do PT)


Violência: notificação obrigatória

Publicado em RADIS - Comunicação em saúde


Atualizado em filoparanavai em 27.03.2011 às 15h13

A violência doméstica ou sexual entrou na lista de doenças e agravos de notificação obrigatória. Agora é obrigação dos profissionais de saúde e de estabelecimentos públicos de ensino notificar as secretarias municipais ou estaduais de Saúde qualquer caso do tipo que atenderem ou identificarem, noticiou a Agência Brasil (26/1). As novas regras constam da Portaria nº 104 do Ministério de Saúde, que também acrescenta à lista casos graves e mortes por dengue e casos de dengue tipo 4. Apesar de já haver uma lei (10.778, de 2003) determinando que se notifiquem casos de violência contra mulheres atendidas em serviços de saúde públicos ou privados, na prática, muitos profissionais de saúde só faziam a denúncia com a concordância dos pacientes — em casos envolvendo crianças e adolescentes, acionava-se o Conselho Tutelar.


Dano instantâneo pelo cigarro

Publicado em RADIS - Comunicação em saúde


Atualizado em filoparanavai em 27.03.2011 às 15h22

A fumaça do cigarro provoca danos à saúde em questão de minutos após a inalação e não somente após anos de exposição, como se acreditava, segundo artigo publicado na revista científica Chemical Research in Toxicology. O estudo detalha pela primeira vez a forma como certas substâncias presentes no tabaco causam danos ao DNA humano, informou O Estado de S.Paulo (18/1). Há evidências de que substâncias nocivas presentes na fumaça do cigarro, chamadas hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (ou HPAs), seriam responsáveis pelo câncer de pulmão. O procedimento de pesquisa consistiu em adicionar um HPA específico, o fenantreno, a cigarros e depois monitorar o progresso da substância nos organismos de 12 voluntários que fumaram esses cigarros. Entre 15 e 30 minutos depois de os voluntários terminarem de fumar, os HPAs se transformaram em outra química cujo dano ao DNA foi relacionado ao câncer, segundo O Globo (17/1). O efeito foi tão instantâneo que equivaleu à injeção da substância diretamente na corrente sanguínea.

‘Dr. Google’

Publicado em RADIS - Comunicação em saúde


Atualizado em filoparanavai em 27.03.2011 às 15h40

O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking dos países onde mais se buscam orientações de saúde na internet. Usada por leigos e especialistas, a rede é meio de pesquisa de 86% dos brasileiros com acesso à internet por informações sobre remédios, doenças e diagnósticos baseados em seus sintomas. Os brasileiros ficam atrás apenas de russos (96%), chineses (92%), indianos (90%) e mexicanos (89%). Os dados são da pesquisa global encomendada pela seguradora britânica Bupa, informou a Folha de S. Paulo (5/1). Se, por um lado, a internet tem facilitado o acesso às informações sobre como cuidar melhor da saúde e mudado a relação entre médico e paciente, por outro, esse processo traz riscos, como automedicação e autodiagnóstico, que podem piorar muito a condição do paciente, alertam os especialistas. Isso sem contar a grande quantidade de informações equivocadas ou incompletas que circulam pela rede. Um quarto dos brasileiros que acessou a internet em busca dessas informações admitiu não ter verificado se a fonte era confiável. As consultas virtuais podem levar uma pessoa a acreditar que tem uma doença quando, na verdade, sua condição é totalmente diferente. Segundo o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz D’Avila, muitas vezes, os pacientes trazem para os consultórios sugestões de tratamentos sem saber que ainda são experimentais, não foram liberados pela vigilância sanitária ou não têm comprovação científica. Também para Wilma Madeira, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP, apesar da autonomia que a pessoa adquire quanto à saúde e ao próprio corpo com tal facilidade de acesso às informações, é preciso tomar cuidado. “Quanto mais informações, mais autonomia a pessoa terá para tomar decisões sobre a própria saúde. O risco é a confusão entre se informar e formar. Não posso passar pelo Google achando que estou passando por uma consulta médica”, disse ao jornal.


Vai faltar água?


O Planeta possui um grande volume de água, mas ela está sendo usada em um ritmo cada vez maior e já se fala na falta dela. Saiba o tamanho do problema e como ajudar para evitá-lo. Por Adriano Quadrado e Rodrigo Vergara Quem vê uma foto do planeta feita do espaço pode pensar que água é algo que nunca vai faltar. Afinal, esse líquido incolor, insípido e inodoro, vital para a vida, ocupa mais de dois terços da superfície da Terra. Nada mais enganoso. A quantidade de água no planeta, de fato, não se altera. Desde que o globo se esfriou, há muitos milênios, são os mesmos 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos. Mas só podemos usar uma gota desse manancial. Primeiro porque precisamos de água doce. E só 2,5% da água do mundo é doce. Dessa pequena parte, tire dois terços, confinados nas calotas polares e no gelo eterno das montanhas. Do que sobrou, desconsidere a maior parte, escondida no subsolo. Resultado: a água pronta para beber e fácil de captar está nos rios e lagos, num total de 90 mil quilômetros cúbicos, ou 0,26% do estoque mundial. Mas nem essa porção está inteiramente disponível. Para não esgotar o precioso líquido, só podemos utilizar a água renovável pelas chuvas. E aí chegamos a um limite de consumo de 34 mil quilômetros cúbicos anuais, ou 0,002% das águas do planeta. Nem uma gota a mais. Como diz em seu livro Água o jornalista canadense Marq de Villiers: A água pode ser poluída, maltratada e mal utilizada, mas não é criada nem destruída. Mas o ser humano se multiplica, e muito. A população já soma 6 bilhões, e segue aumentando. O consumo de água também cresce, mas com um detalhe: em ritmo mais acelerado. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o crescimento do uso da água foi mais do que o dobro do aumento populacional no século passado, de maneira que, hoje, consumimos metade do estoque disponível. Em 35 anos, estima-se que o consumo terá dobrado, ou seja, estaremos utilizando toda a água que o planeta produz. Resumindo: não é apenas o aumento populacional que preocupa, mas também o consumo desenfreado. Os problemas desse uso indiscriminado já começaram, por um problema simples: distribuição. Há muita água boa onde não mora ninguém, e pouca água saudável em áreas povoadas. Resultado: escassez. Segundo a ONU, 1,1 bilhão de pessoas, um sexto da população mundial, vivem sem água de boa qualidade. O Brasil é um exemplo de que ter água não basta. Apesar de sermos a maior potência hídrica do planeta, há muita gente vivendo situação de seca. Atualmente 31 países sofrem com sérios problemas de escassez, especialmente no Oriente Médio, no norte da África e no sul da Ásia (leia quadro na pág. 45). As projeções são ainda mais catastróficas: se o consumo não se alterar, duas em cada três pessoas estarão vivendo condições de escassez em 2025. A água não serve apenas para beber. Ela é necessária também como destino final de bilhões de litros de resíduos que a humanidade produz todo dia. Para essa finalidade, a escassez é ainda pior. Há hoje 2,4 bilhões de pessoas, ou 40% da população, sem condições adequadas de saneamento básico. De todas as crises sociais e naturais que nós humanos enfrentamos, a da água é a que mais afeta a nossa sobrevivência, diz Koïchiro Matsuura, diretor-geral da Unesco, braço da ONU para Ciência e Educação. Mas, afinal, a escassez de água pode pôr em cheque nossa sobrevivência? Há várias respostas, dependendo de quem responde. Para os ambientalistas mais radicais, a água está com os dias contados, a não ser que haja um freio no consumo. É o caso dos canadenses Maude Barlow e Tony Clarke, autores de Ouro Azul, um livro-denúncia sobre a apropriação dos mananciais por grandes empresas. A raça humana julgou mal a capacidade dos sistemas de água da Terra de se recuperarem. E agora o mundo está sendo pressionado a tomar decisões cruciais, talvez irrevogáveis, sobre a água, escrevem. Mas há gente gabaritada que vê um cenário menos apavorante. A ONU pintou um quadro catastrófico para provocar uma reação da população, mas a água não deve acabar, diz o geólogo Aldo da Cunha Rebouças, da Universidade de São Paulo (USP), especialista em gestão de recursos hídricos. De fato, há indícios de que o consumo começa a regredir. Segundo artigo publicado pela revista científica americana Science, na década passada usou-se metade do que se havia previsto 30 anos antes. A quantidade de água utilizada em 2025 poderá não ser tão maior do que a usada hoje, diz Peter Gleick, chefe da ONG Instituto Pacífico para Estudos em Desenvolvimento, Ambiente e Segurança, dos Estados Unidos. Na Declaração do Milênio, publicada em 2000, a ONU divulgou suas metas, entre elas a de diminuir pela metade, até 2015, o número de pessoas que hoje sofrem com escassez de água e más condições de saneamento básico. De novo, há diversos caminhos para chegar lá. Em um mundo tão transformado pela ação humana, sempre haverá quem defenda novas intervenções para corrigir o estrago anterior. As soluções, nesse caso, passam por transposições de rios, exportação de água, derretimento de grandes icebergs e por aí vai. Mas, no caso da água, menos pode ser mais. Para muitos especialistas, respeitar o ambiente e tirar o dedo da ferida pode ser a melhor maneira de curar o dano causado. Veja o caso da drenagem, por exemplo. Para povoar áreas desérticas, é comum retirar água do subsolo. Mas essa estratégia é perigosa, sobretudo porque esses reservatórios subterrâneos, chamados de aqüíferos, se renovam muito mais vagarosamente do que rios e lagos. O aqüífero de Ogallala, por exemplo, a maior reserva de água dos Estados Unidos, com mais de meio milhão de quilômetros quadrados, é drenado por mais de 200 mil poços, em um ritmo 14 vezes superior ao que a natureza gasta para restituí-lo. O resultado mais óbvio disso é que o poço pode secar. Tudo bem, você pode pensar. Usa-se a água enquanto ela existe. Mas os efeitos dessa retirada vão mais além. A drenagem de aqüíferos subterrâneos pode baixar o nível de rios e lagos e causar ou agravar a desertificação. O transporte de água é outra intervenção humana de grande impacto. Esse, no entanto, não é um problema moderno. Terraços para cultivo, diques e aquedutos são usados há milênios. Uma das Sete Maravilhas do Mundo, os Jardins Suspensos da Babilônia, construídos por Nabucodonosor II (604 a 562 a.C.), usava água bombeada do rio Eufrates. Os mais antigos sistemas de irrigação, os qanats, mistos de poço e aqueduto, viabilizaram as civilizações da Mesopotâmia e ainda são muito usados no Afeganistão, no Iraque, no Irã e no Egito. Durante o Império Romano, entre os anos 312 e 455 d.C., foram construídos enormes sistemas de distribuição de água, muitos dos quais continuam de pé. Mas nada disso se compara ao manejo de águas desenvolvido no século 20. Em 1950, havia pouco mais de 5 mil grandes represas. Hoje, são 40 mil. Não é preciso dizer que, quando se desvia ou se bloqueia um curso de água para construir uma represa, alguém rio abaixo ficará sem água, temporária ou definitivamente. Seja de animais ou de ribeirinhos, essa alteração afeta muitas vidas. De acordo com a ONU, existem 261 bacias hidrográficas transnacionais, compartilhadas por 145 nações, o que sempre deu margem a disputas, conflitos e guerras. Sem contar que, ao desviar a água de seu destino natural, pode-se romper o ciclo natural que a devolve. Hoje, há mais de 500 conflitos entre países envolvendo disputas pela água, muitos deles com uso de força militar. Nada menos que 18 desses conflitos violentos envolvem o governo israelense, que vive brigando pelo líquido com os vizinhos. Cerca de 40% do suprimento de água subterrânea de Israel se origina em territórios ocupados, e a escassez de água foi um dos motivos das guerras árabe-israelenses passadas. Em 1965, a Síria tentou desviar o rio Jordão de Israel, provocando ataques aéreos israelenses que a forçaram a abandonar a tentativa. Na África também houve conflitos. As relações entre Botsuana e Namíbia, por exemplo, ficaram estremecidas depois que a Namíbia anunciou um plano de aqueduto para desviar um rio compartilhado pelos dois países. Na Ásia, Bangladesh depende da água de rios que vêm da Índia. Nos anos 70, em meio a uma escassez de alimentos, a Índia desviou o fluxo desses rios para suas lavouras. Bangladesh foi deixado a seco por 20 anos, até a assinatura de um tratado que pôs fim às disputas. A qualidade da água é outro fator crucial. Nesse caso, o alarme vem soando faz tempo. Nos países em desenvolvimento, diz a ONU, até 90% do esgoto é lançado nas águas sem tratamento. Todos os anos, de 300 a 500 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, produtos tóxicos e outros tipos de dejeto são jogados na água pelas indústrias. Cerca de 2 bilhões de toneladas de lixo são despejados em rios, lagos e riachos todos os dias. A verdade é que a maioria dos produtos químicos produzidos pelo homem mais cedo ou mais tarde acaba em um curso ou depósito de água. Uma das conseqüências disso é que 80% das doenças nos países pobres do hemisfério sul estão relacionadas com a água de baixa qualidade. Mas, apesar de ser um recurso tão frágil e escasso, a água ainda é muito desperdiçada. De toda a água utilizada, 10% vai para o consumo humano, 20% fica com a indústria e o restante, 70%, é utilizado na agricultura. Porém o desperdício e o uso irracional são uma constante em todos esses setores. Vazamentos, métodos obsoletos e desperdício drenam cerca de 50% da água usada para beber e 60% da água de irrigação. Com a tecnologia disponível atualmente, a agricultura poderia reduzir sua taxa de uso em até 50%, as indústrias em até 90% e as cidades em um terço sem prejudicar a produção econômica ou a qualidade de vida. Mas a grande questão debatida hoje sobre o futuro da água é quem deveria gerenciar as reservas e como isso deveria ser feito. Com a globalização, grandes empresas transnacionais estão ampliando sua presença em serviços de saneamento e ganhando o direito de explorar fontes de água, o que, para os ambientalistas, pode comprometer o acesso das populações mais pobres. Estamos falando aqui de um choque entre ideologias completamente diferentes, com concepções de mundo antagônicas. De um lado, há os que entendem a água como um produto que se pode manejar, engarrafar, pôr preço e vender. Esse grupo acredita na tecnologia e no mercado e vê a água como uma necessidade humana que pode ser atendida eficientemente pela iniciativa privada. Para eles, a água pode e talvez deva se tornar o petróleo do século 21. Do lado oposto, estão os ambientalistas, para quem a água não tem preço nem dono, pois pertence a todos. Eles acreditam no resgate da relação primitiva com a natureza, na cooperação entre os povos e no manejo sustentável dos recursos naturais e vêem a água como um direito fundamental e inegociável do ser humano. A despeito dessa bipolaridade, a presença da iniciativa privada avança por ter o poder do capital a seu lado. Em 1998, o Banco Mundial previa que, em breve, o comércio global da água faturaria 800 bilhões de dólares. Antes de 2001, essa projeção foi elevada para 1 trilhão de dólares. Desde 1995, o mercado de água engarrafada cresce a uma espantosa taxa de 20% ao ano. Em 2000, só esse negócio faturou 22 bilhões de dólares, com a venda de cerca de 89 bilhões de litros de água. Detalhe: o líquido engarrafado para venda é uma gota nesse mar de dinheiro que envolve a água. A fonte maior é o mercado de saneamento e de distribuição de água, um ramo com um potencial de crescimento astronômico, já que apenas 5% da população mundial recebe água fornecida por empresas privadas. As duas gigantes do setor de saneamento são as transnacionais Vivendi e Suez, que têm sede na França e respondem por 70% do faturamento do setor. O fato é que a água transformou-se em uma commodity como o petróleo ou a soja, com direito a ser exportada, inclusive. O Canadá, por exemplo, exporta água para regiões sedentas do México e dos Estados Unidos. Pode parecer estranho, mas a exportação de água é uma realidade. Neste exato momento há barcaças e caminhões de grande capacidade cruzando fronteiras carregados com nada mais do que água. A situação colocou o Brasil em uma situação estratégica, de maneira que, quando o assunto é água, o mundo todo volta seus olhos para cá. Para começar, somos o país que tem mais água disponível. Para se ter uma idéia, nossos rios reúnem 13% do volume fluvial mundial. Não bastasse toda essa abundância, temos sob nossos pés a maior reserva de água doce do mundo, o aqüífero Guarani, uma superpoça subterrânea que cruza a fronteira de sete Estados e avança pelos territórios argentino, paraguaio e uruguaio. Só ali jazem 37 mil quilômetros cúbicos de água potável, o que daria para encher até a boca 7,5 milhões de estádios do Maracanã, segundo cálculos do geólogo Heraldo Campos, especialista no aqüífero. E o Brasil só utiliza 5% desse potencial. Nas discussões internacionais sobre o uso dos recursos hídricos, o Brasil é uma liderança natural, segundo o costarriquenho Manuel Dengo, Chefe da Divisão de Água, Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da ONU. O Brasil desempenha um papel importante no cenário mundial das águas. Sua presença na maioria dos encontros intergovernamentais e outros fóruns é altamente respeitada. Mas, como em outras áreas da vida brasileira, essa liderança deve-se mais ao nosso potencial e às nobres intenções do que às boas práticas. Nossa legislação, por exemplo, é moderna e democrática, inspirada nas melhores leis ambientais do mundo. A tecnologia brasileira de tratamento de água também é destaque, caracterizada pela eficiência com baixo custo, segundo o ambientalista Leonardo Morelli, coordenador da rede de ONGs Grito das Águas. Mas, quando se vê a situação dos rios que cortam as grandes cidades brasileiras, percebe-se que nosso conhecimento não se traduz em qualidade de água ou de vida. O resultado disso chega a ser paradoxal, como no caso da cidade de Manaus, incrustada na maior bacia hidrográfica do mundo e submetida a um rodízio de água entre os bairros por falta do produto. Embora moderna, a lei não funciona sozinha, e são comuns os acidentes ambientais com mortandade de peixes e contaminação das águas. Para Aldo Rebouças, o grande problema brasileiro, ironicamente, é a abundância. Por termos muita água, a cultura do desperdício impera no país todo. Nossos problemas são de grande desperdício, baixa eficiência das companhias e degradação da qualidade da água. Faz pouco tempo que o mundo acordou para a importância econômica e estratégica da água. Mas, em meio a divergências sobre a posse e o destino da água, já aflorou um consenso mínimo. Especialistas, empresários e ecologistas concordam que a ameaça de escassez é real, mas que há tempo para evitá-la. Para isso, é preciso estancar o desperdício, recuperar as reservas poluídas, garantir o direito à água para os mais pobres e criar projetos de educação ambiental. A educação, dizem os especialistas, é importante porque a ação de cada um é maior do que qualquer intervenção que governos ou empresas podem fazer. Saber qual é verdadeira dimensão da ameaça é o primeiro passo para vencer o problema. Portanto, ao ler essa reportagem, você está fazendo a sua parte.

Para saber mais Na livraria:

Ouro Azul Maude Barlow e Tony Clarke, M.Books, São Paulo, 2003


Água Marq de Villiers, Ediouro, Rio de Janeiro, 2002

Grito das Águas Leonardo Morelli, Letradágua, Joinville, 2003


Na internet:








FILOSOFIA em suas origens

Atualizado em filoparanavai em 27.03.2011

Concepção de Filosofia: Movida pela DÚVIDA a Filosofia se alimenta de problemas/perguntas infindáveis...


“A filosofia refere-se à actividade central dos seres humanos enquanto tal e, portanto, nenhuma educação pode evitá-la, nem sequer ensiná-la como uma tarefa empreendida por outros e que pode ser admirada sem a participação do educando. (...) mas a filosofia não pode provir da mera história, tendo antes que converter-se em biografia de quem se aproxima dela., sob pena de se reduzir a um pedantismo ocioso e artificial. E exactamente esse pedantismo o culpado, em boa medida, da secundarização actual da disciplina de filosofia(...) (...) Podemos avaliar se a vida vale ou não a pena ? Tem a vida - a tua, a minha - umi valor determinado ou todos os valores são determinados pela vida? Há formas de viver melhores e piores? Porquê? (...) É à ânsia de perguntarmos coisas assim que chamanos filosofia - São perguntas enormes, radicais absolutas que fazem as crianças antes de serem domesticadas nos colégios(...). São perguntas impossíveis como as que fazemos num enterro de um ser querido ou as que sussuram os apaixonados, olhando-se nos olhos: «Amas-me?» As grandes perguntas da vida e da morte, as interrogações sobre a violência e o amor. Ao longo dos séculos, os filósofos colocaram-nos uma e outra vez oferecendo cada um as suas respostas peculiares e contradizendo-se uns aos outros. (..). Tira-se algo a limpo da filosofia? Pois tira, pelo menos algo muito importante: as próprias perguntas. Mas para que serve fazermo-nos umas perguntas às quais, pelos vistos ninguém consegue dar uma resposta definitiva.? A esta pergunta que aliás também é filosófica podem dar-se como réplica novas perguntas: porque é que tudo tem de servir para alguma coisa, isto é, é obrigatório que sejamos servos ou criados de algo ou de alguém? Será que somos empregados de nós próprios? Se calhar fazermo-nos as grandes perguntas serve precisamente para isso: para demonstrar que nem sempre estamos de serviço que algumas vezes podemos pensar como se fôssemos amos e senhores. Suponho que era mais ou menos a isso que Sócrates se referia quando disse que « uma vida sem indagação não vale a pena ser vivida».(...) Embora aquilo a que não se pode verdadeiramente renunciar sejam as perguntas, as respostas que os filósofos (ou qualquer um de nós quando faz de filósofo) propõem também não são de desdenhar. Essas respostas filosóficas distinguem-se porque não tapam completamente a pergunta que as suscita e deixa sempre um vazio por onde passam as novas interrogações para que o jogo — o humano jogo da vida — continue em aberto. As respostas filosóficas são, em geral, um cocktail racional com dois ingredientes básicos: cepticismo e imaginação . Primeiro cepticismo porque quem acredita em tudo nunca pensa nada. Para pensar há que perder a fé: a fé nas aparências, nas rotinas, nos dogmas, nos hábitos da tribo, na «normalidade » indiscutível do que nos rodeia. Pensar não é ver tudo claríssimo, mas sim começar a não ver nada claro o que antes considerávamos evidente. O cepticismo acompanha sempre a filosofia, flexibiliza-a dá-lhe sensatez (...). Mas a filosofia também é feita de imaginação. Atenção, não de fantasias ou delírios (...) quem tem imaginação procura o que é novo a partir da realidade tal como a conhecemos.(...) No mundo estão sempre acontecer coisas, catástrofes, descobertas revolucionárias e perdas irreparáveis, todas as semanas têm lugar dois ou três acontecimentos (históricos» e não há um mês em que não se celebre o casamento «do século» (...). Está mais que visto que todos os dias tem de acontecer o nunca visto. Dizem-no as televisões, as rádios, as revistas e os jornais.., de modo que está bem. (...) Entre tantas vozes que proclamam as novidades, ninguém se lembrará, de vez em quando, do que é de sempre? Se não me engano esta poderia ser uma das tarefas da filosofia, isto é a vossa e a minha, quando nos dá para repetir as grandes perguntas, para tentarmos com imaginação e cepticismo dar-lhes as nossas pequenas respostas. Atitude aliás muito diferente dessa outra fórmula pedante da filosofia que em cada trimestre proclama « o tema do nosso tempo» (...) Não, o que conta filosoficamente é o mesmo de sempre, o que nunca passa de moda: a consciência humana de se saber vivo e mortal, aqui e agora. (...). A vida é sempre do presente uma das piores superstições é denegrir o instante eterno que habitamos como impossibilitador da vida. (...). A filosofia ajuda a viver humanamente porque não prega a boa nova nem o apocalipse, defendendo antes com cepticismo e imaginação o presente — o de sempre , o que nunca passa - contra modas e superstições". Extraído de SALVATER, Fernando.Livre Mente. Lisboa: Relógio d`água, 2000. pp.175-182 ( Quem é Fernando Savater? Nasceu em San sebastián ( São Sebastião (em basco Donostia, em castelhano San Sebastián) é uma cidade localizada no País Basco espanhol, capital da província de Guipúscoa. Rodeada pela Baía da Concha, junto ao mar da Biscaia, a cidade tem cerca de 183 000 habitantes, enquanto sua periferia possui aproximadamente 400 mil residentes.), em 1947. Catedrático de ética na Universidade Complutense de Madrid, é autor de uma vasta obra que abarca o ensaio, a narrativa e o teatro. Entre outros galardões, recebeu o Prêmio Francisco Cerecedo da Associação de Jornalistas Europeus e o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos. Fernando Savater é um dos pensadores mais destacados da Espanha e grande popularidade no mundo inteiro.)



Em analogia



ANTES:Pensamento Mítico "Pois eu vou ver os limites da Terra fecunda, e o Oceano, origem dos deuses, e Tétis, sua Mãe". Homero, Ilíada. "Primeiro que tudo houve o Caos, e depois a Terra de peito ingente, suporte inabalável de tudo quanto existe, e Eros, o mais belo entre os deuses imortais, que amolece os membros e, no peito de todos os homens e deus, domina o espírito e a vontade esclarecida. Do Caos nasceram o Erebro e a negra Noite, e da Noite, por sua vez, o Éter e o Dia, a Terra gerou primeiro o Céu constelado, com o seu tamanho, para que a cobrissem por todo e fosse para sempre a mansão segura dos deuses bem-aventurados. Gerou ainda as altas Montanhas, morada aprazível das deusas Ninfas, que habitam os montes cercados de vales. E gerou também o abismo insondável do mar, com marés, embravecidas, o Mar, sem os doces ritos do amor". Hesíodo, Teogonia (Séc.VIII/VII a.C). DEPOIS: Pensamento Racional-Filosófico Tales (624-545 a.C.) "Pensam eles que também Homero, tal como Tales, que aprendeu dos egípcios, fez da água o princípio e origem de todas as coisas". Frag.70 "É que ele (Tales) diz que o orbe das terras é sustido pela água e se desloca como um barco, e que, quando se diz "que ela treme", efectivamente balouça devido ao movimento da água". Frag.90 "Tales disse que o espírito do mundo é deus, e que a totalidade das coisas é dotada de alma cheia de daímones; é precisamente através da humidade elementar que nele penetra um poder divino que o move". Frag.95 Anaximandro (610-547 a.C.) "Disse que o princípio e elemento das coisas que existem era o apeiron (indefinido ou indeterminado), tendo sido ele o primeiro a usar o nome de princípio material. (Além disto, disse que o movimento era eterno, do que resulta que se originem os céus)".Frag.103 "Ele diz que aquilo que produz, a partir do eterno, o calor e o frio, se separou aquando de geração deste mundo, e que a partir dele uma espécie de esfera de chamas se formou em volta do ar que circunda a Terra, como a casca em redor da árvore. Quando esta (a esfera) estalou e foi encerrada em determinados círculos, foi então que se formou o Sol e a Lua e os astros". Frag.123 "Ele diz que a Terra tem a forma cilíndrica, e que a sua profundidade é um terço da largura. A sua forma é curva, redonda, semelhante ao tronco de uma coluna, das duas superfícies planas, nós caminhamos sobre uma, e a outra está no lado oposto". Frag.124 "Anaximandro disse que os primeiros seres vivos nasceram na humidade, envoltos em cascas espinhosas; e que, quando a idade aumentou, se mudaram para a parte mais seca e, depois da casca ter estalado levaram, por curto espaço de tempo, um género de vida diferente". Frag.136 "Demais, ele diz que no começo o homem nasceu de seres de espécie diferente". Frag.137 Anaxímenes (560-500 a.C.) "Anaxímenes ... dizia que o ar infinito era o princípio do qual provém todas as coisas que estão a gerar-se, e que existem, e que hão-de existir, e que os deuses e as coisas divinas, e o resto proveniente dos seres por ele produzidos. A forma do ar é a seguinte: quando ele é igual, é invisível à vista, mas é revelado pelo frio e pelo calor e pela humidade e pelo movimento". Frag.144 "E todas as coisas são produzidas por uma espécie de condensação, e depois rarefacção, dele (s.c. ar). O movimento existe, e de facto, desde todo o sempre; ele diz que, quando o ar se comprime, logo se gera a Terra, a primeira de as coisas completamente plana - por isso é consequentemente levada pelo ar; e o Sol e a Lua e os demais corpos celestes têm na Terra a origem do seu nascimento. Pelo menos, ele declara que o Sol é Terra, mas que, devido à rapidez do seu movimento, obtém calor bastante".Frag.151 "O mundo uno é considerado como gerado e destrutível, por todos aqueles que dizem que há sempre um mundo, embora não seja sempre o mesmo, mas se torne diferente em diferentes ocasiões de acordo com determinados períodos de tempo, como afirmaram Anaxímenes e Heraclito, e posteriormente os estóicos". Frag.150 Antes de aprofundarmos nossos estudos quanto ao contexto das primeiras produções filosóficas na Grécia Pré-Socrática, vamos primeiramente investigar alguns fatores que possibilitaram a Filosofia surgir na Grécia e não, em um outro lugar do globo. Que fatores, possibilitaram o surgimento da Filosofia na Grécia?


FILOSOFIA : Os gregos começaram a explicar o mundo de uma forma diferente da explicação mitológica. Em outros termos, o que tornou possível a passagem da cosmogonia à cosmologia? Há causas para a origem da Filosofia e, agora, vamos analisar algumas delas. Perceba como cada uma delas operou uma mudança significativa no modo de pensar do homem na Antigüidade grega, permitindo a formação de coisas novas como a Filosofia, segundo Jean-Pierre Vernant (As origens do pensamento grego, da editora Difel, Rio de Janeiro). Navegações: uma parte considerável da vida dos gregos relacionava-se com o mar, era de onde, por exemplo, conseguiam obter parte significativa de sua alimentação. Vivendo muito no mar, os gregos não encontraram muitos dos monstros marinhos narrados pela história oral e nem vivenciaram seres e histórias narradas por poetas. Assim, as navegações contribuíram para o que Max Weber chamou mais tarde de “desencantamento do mundo”. Fazia-se necessário um saber que explicasse os fatos ocorridos na natureza que não recorresse a histórias sobrenaturais.


a) Calendário e moeda. Viver podendo pensar o tempo abstratamente e quantificando valores para realizar trocas não é algo que sempre ocorreu na história da humanidade. Quando os gregos passaram a utilizar os calendário e a moeda, introduzida pelos fenícios, conseguiram abstrair valores como símbolo para as coisas, fazendo avançar a capacidade de matematizar e de representação. Tudo isso favoreceu um desenvolvimento mental muito significativo e com grande capacidade de abstração.


b) Escrita. Outro fator que potencializou em grande medida o poder de abstração do homem grego foi transcrever a palavra e o pensamento com símbolos: eis o alfabeto. A escrita permite o pensamento mais aguçado sobre algo quando ficamos lendo e analisando alguma coisa, como, por exemplo, uma lei. Ao ser fixada, a lei fica exposta como um bem comum de toda a cidade, um saber que não é secreto como um saber vinculado ao exercício de um sacerdote, mas propriamente público, além de estabelecer uma nova noção na atividade jurídica, a saber, uma verdade objetiva.


c) Política. Esta é a principal causa para a origem da Filosofia, já que, até agora, vimos somente a contribuição das técnicas para isso; porém, havia mais recursos técnicos no Oriente que na Grécia, e a Filosofia é uma invenção genuinamente grega, além do Oriente não ter se libertado dos mitos. Note que a palavra política é formada pelo termo grego polis (), cujo significado é cidade, cidade-estado, conjunto de cidadãos que vivem em um mesmo lugar e uma mesma lei. E o mais importante: são os cidadãos que faziam suas próprias leis mediante uma assembléia. Esta prática teve início com os guerreiros que, juntos, discutiam o melhor modo de vencer ao inimigo, cada um dos guerreiros tinha o direito de falar, bastando para isso ir ao centro do círculo formado na assembléia; ao final da guerra, outras assembléias eram feitas para dividir o que foi ganho. Isto é, ocorre a prática do diálogo para a decisão, dando a todos o direito de falar e a condição de serem iguais uns aos outros e à lei partilhada entre eles. Aquele que conseguir convencer a maioria de que sua proposta é a que aproxima-se mais da verdade de como vencer aos inimigos, receberá maior número de votos. Ora, é esta a prática que o filósofo adotou mais tarde: escrevendo ou discursando, tornava pública suas idéias por considerá-las verdadeiras, por pretender encontrar a harmonia perdida do debate entre opiniões divergentes. Debater, trocar opiniões, argumentar, eis a prática democrática, eis a prática filosófica. A Filosofia nasce como uma filha da polis, como uma filha da democracia.Eis o que Jean Pierre Vernant chamou de um “universo espiritual da polis”: trata-se de um lugar com proeminência da palavra - a palavra aberta a todos e com igualdade no seu uso era o modo de fazer política; com publicidade - separação entre questões privadas e questões públicas, estabelecendo práticas abertas e democráticas em oposição aos processos secretos; com isonomia – todos eram iguais no exercício do poder e diante das leis que criaram. Além disso, este novo universo espiritual esteve acompanhado e propiciou uma “mutação mental” nos homens: agora era possível explicar o mundo abstratamente excluindo o sobrenatural.Este novo “universo espiritual da polis” foi determinante para a origem da Filosofia. O que falta sabermos, agora, é porque só algumas pessoas tornaram-se filósofos, e não todas. A filosofia possui um lugar mítico de origem- Mileto. Trata-se de uma antiga colônia grega situada na Jônia, metade sul da costa ocidental da Ásia Menor. A Jônia foi segundo Jean Bernardt, a primeira região a libertar-se claramente do imobilismo e das pesadas tradições que definem "a organização dos modos de vida predominantemente camposes, em que reinam aristocracias agrárias". Nesta região da Grande -Grécia, uma crescente civilização urbana crescera em vários locais, ligada ao artesanato e a trocas comerciais a longa distância, por via marítima. É nesta região, verdadeira encruzilhada de culturas, que uma velha colônia cretense - Mileto - atingirá nos séculos VII e VI a.C., uma enorme opulência. Aqui surgirão os "três primeiros" filosófos: Tales, Anaximandro e Anaxímenes. A Nova Atitude: Vamos considerar três pontos cruciais para a reflexão filosófica poder acontecer: 1. Embora a capacidade de refletir seja inerente a todos os homens, a maioria não a exercita, uma vez que há forças reais, porém, ocultas que dificultam esse livre exercício e inclusive buscam esvaziá-lo de sentido - chamamos esse processo de ALIENAÇÃO que brota de uma dada ideologia dominante . Por hábito uns fazem-no mais do que outros.Viver e refletir não são necessariamente sinônimos, exige uma decisão do sujeito e um esforço constante para superar os limites impostos a este processo. 2. Designa-se por atitude natural, a nossa atitude mais comum que temos perante as coisas, em que nos limitamos a aceitar passivamente aquilo que nos é dado através dos sentidos. Nesse sentido a atitude natural é também designada por Senso Comum, o primeiro nível de conhecimento e este saber é cooptado a fim de manter as pessoas sob domínio, sem o exercício pleno da Faculdade Anímica da Razão. As instituições tradicionais e conservadoras Igreja e Forças Armadas; bem como alguns governos totalitários, ditadores, não gostam nada da idéia de que os cidadãos e/ou fiéis sob seu domínio usem a Razão. Pois não adimitem que suas "verdades" sejam contestadas. Assim também agem a pequena porcentagem dos mais ricos - que se utilizam de todos os meios possíveis, principalmente da mídia, para manipular e manter sob domínio constante as mentes e decisões da grande massa populacional. 3. O pensamento reflexivo surge, quando o homem toma uma atitude problematizadora da realidade; Aquilo que era natural, surge de repente como algo estranho, carecendo de ser compreendido e explicitado. Refletir implica um distanciamento das coisas, para as poder voltar a olhar de outra forma. Designa-se esta última atitude por reflexiva. Este distanciamento não é fácil de ser feito, uma vez que exigiria que a pessoa colocasse em suspensão suas crenças e opiniões pessoais, para poder deitar-se sobre o pensamento e no retorno ver o que sobra daquilo que possuía antes e aquilo de novo que poderá construir rumo a uma vida mais livre e feliz. Aqui está a autonomia do pensar por si mesmo... Preste atenção a este dado: As especulações de Tales, Anaxímenes e Anaximandro (filósofos que voltaremos a estudar mais detalhadamente nas próximas semanas) pouco se afastam do pensamento mítico quanto aos temas que abordam. A sua grande inovação está na atitude e no modo como o fazem. Eles começam por transpor para uma forma des-sacralizada, material ou abstrata, as ideias sobre o cosmos e a sua origem criadas pela religião, separando desta forma o mundo físico do seu fundo mítico. O mundo de Homéro, por exemplo, ordenava-se por uma partilha entre os deuses, dos domínios e das honras: Zeus, era identificado com o céu "étereo (aither, o fogo); Hades, a sombra "novoenta" (aer, o ar); a Poseidon, o mar, etc.O que eles fizeram foi despojarem os deuses dos seus atributos, ficando apenas com os elementos materiais, a água, o ar, o fogo, etc. A partir destes elementos primordiais, portadores de uma energia própria, imaginaram a criação de todas as coisas. É por esta razão que durante muito tempo, as suas preocupações foram essencialmente cosmológicas: como emergiu do caos um mundo ordenado? qual o princípio constitutivo de de todas as coisas? A Cosmologia em analogia com a teogonia/cosmogonia, esse será o conteúdo de nosssas próximas aulas para compreendermos o processo que possibilitou a Filosofia...

Continua na próxima semana, um abraço.

SUGESTÕES DE LEITURAS / adquira livros de Filosofia de graça:


As Origens do Pensamento Grego, de VERNANT.


O surgimento da razão nas estruturas sociais e mentais da cultura grega.Esse ensaio clássico de Jean-Pierre Vernant é leitura fundamental para todos os que se interessam por filosofia e pela história da cultura. Escrita em linguagem clara e sem apresentar dificuldades técnicas, "As Origens do Pensamento Grego" é uma obra que pode ser lida tanto por especialistas quanto pelo público leigo. O trabalho de Jean-Pierre Vernant tem como fio condutor mostrar como a razão grega era política, isto é, como a reflexão ligava-se ao exercício da cidadania. Para tal, Vernant traz à cena as estruturas comuns que engendraram a cidade e o pensamento racional, reconstituindo a organização social e política do mundo micênico, que antecedeu a democracia grega do século 5a.C. Trata-se de mostrar, nas palavras de Vernant, como "a viragem do séc. 8a.C. ao séc. 7a.C. assegura, pela laicização do pensamento político, o advento da filosofia". O aparecimento da polis (a cidade, no sentido grego) constitui, no mundo grego, um acontecimento decisivo. O livro de Vernant trata da preeminência que a palavra adquire sobre os demais instrumentos de poder e do caráter público das manifestações da vida social. Nesse contexto, os saberes e os valores vão se tornando acessíveis a uma esfera cada vez mais ampla da população. Jean-Pierre Vernant nasceu na França e tornou-se um dos maiores especialistas do mundo em Grécia Clássica. Foi professor do Collège de France e autor de dezenas de obras reconhecidas, como "Mito e Tragédia na Grécia Antiga" e "O Universo, os Deuses e os Homens". Vernant morreu em 2007, aos 93 anos. fonte: resenha UOL educação


Para professores de história, filosofia e das demais áreas de ciências humanas, é leitura altamente recomendada. A obra também pode ser lida por alunos do Ensino Médio, uma vez que o estilo literário de Vernant é bastante acessível. TENHA ESTE LIVRO DE VERNANT, TOTALMENTE GRÁTIS, SIGA AS INSTRUÇÕES ABAIXO E CONFIRA OUTROS LIVROS DE FILOSOFIA QUE VOCÊ PODERÁ ADQUIRIR DE GRAÇA VIA DOWNLOAD:



Nome: Arte Poética - Aristóteles Autor:Aristóteles Gênero: Filosofia Editora: Martin Claret "Aristóteles é um dos maiores filósofos da Grécia antiga. Do século IV a.C. até os dias de hoje, seu pensamento não cessou de exercer influência sobre diversos ramos do conhecimento humano. Para Hegel, Aristóteles foi o primeiro a fazer história da filosofia. O texto da Arte Poética não chegou até nós em bom estado. Há neles certas lacunas que os filósofos tentaram restabelecer. É sabido que a Arte Poética é o resultado das lições professadas por Aristóteles. No parecer do professor W. D. Ross, "A Poética está longe de ser uma teoria da poesia em geral, menos ainda das belas artes. No entanto contém talvez o maior número de idéias fecundas sobre a arte que qualquer outro livro". ABRA A PÁGINA, DIGITE O CÓDIGO E ESPERE CARREGAR. ESCOLHA DOWNLOAD COMUM, SALVE EM SUA MÁQUINA, IMPRIMA E BOA LEITURA Dê um clique aqui e Acesse (Arte Poética - Aristóteles)


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Nome: Fédon (Fedão) - Platão Autor:Platão Gênero: Filosofia Sinopse: Fédon (ou Fedão) o título de uma obra filosófica escrita por Platão que, através de diálogos, relata os últimos ensinamentos do filósofo Sócrates, antes de tomar a cicuta (pois fora condenado à morte pelo Estado). Na obra, Equécrates ao encontrar Fédon pergunta a este quais foram as últimas palavras e ensinamentos do mestre Sócrates antes de morrer e pede que os relate, com a maior exatidão possível. Sócrates fala sobre a morte, a idéia, o destino da alma, dentre outros assuntos. Na ocasião de sua morte, segundo Fédon, estavam Apolodoro, Critobulo e seu pai, Hermógenes, Epígenes, Ésquines, Antístenes, Ctesipo de Peânia, Menexeno, Símias o Tebano, Cebes, Fedondes, Euclides e Terpsião, além de outros. Segundo Fédon, Platão se encontrava doente. O mais importante a se lembrar, antes de iniciar a leitura do diálogo, é que este é um diálogo que não pertence à "fase socrática" de Platão, (divisão utilizada por alguns Filósofos). Sendo assim, ele estaria apenas usando a imagem do mestre para "divulgar" seu próprio projeto filosófico. Isto pode ser confirmado em determinadas passagens, como por exemplo, naquela onde Cebes comenta: "(...) Como o que costumas dizer amiúde: lembrar nada mais é que recordar." Este trecho mostra claramente a idéia de Platão acerca do mundo das idéias, sua máxima teoria. Platão recebeu uma influência muito forte da religião Órfica, que cria na alma e reencarnação. O diálogo Fédon é uma máxima desta influência, onde Platão faz o primeiro postulado acerca da alma.


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título: Filebo - Platão autor: Platão gênero: Filosofia. Sinopse: Este livro é parte do resultado do VIII Colóquio Internacional do Centro do Pensamento Antigo, realizado na Unicamp em 2005. Este evento teve como tema central “Prazer, felicidade e justa medida no mundo antigo”, reunindo filósofos, filólogos e historiadores. Desde os poemas homéricos aos últimos dias da Antigüidade, gregos e romanos investigaram e vivenciaram as difíceis relações entre prazer, felicidade e medida. Poderia a vida humana escapar dos males da existência através de um saber ético fundado em regras precisas? A virtude traz a felicidade ou apenas uma vida cinzenta? A vida feliz seria aquela repleta de prazeres ou, ao contrário, aquela que sabe escapar das dores mais terríveis que assolam os mortais? Existiria uma justa medida, saber quase divino, que pode articular com rigor prazer e felicidade? Neste volume apresentam-se as contribuições que foram voltadas exclusivamente para o diálogo Filebo, de Platão. Especialistas neste autor, filiados à Sociedade Brasileira de Platonistas e à International Plato Society, refletem aqui sobre este diálogo que medita, particularmente, sobre o prazer e a felicidade na vida dos homens. O estudo do diálogo Filebo mostra as múltiplas possibilidades rigorosas e métodos diversos de interpretar Platão, mas também, o interesse que causa a obra deste filósofo antigo, mesmo para não-especialistas em Filosofia. No diálogo se investiga qual seria a melhor de todas as vidas, aquela que levaria realmente à eudaimonia, palavra grega que, de forma aproximada, pode-se traduzir por “felicidade”.


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sinopse Górgias é um diálogo de Platão, filósofo grego do século V a.C., e que fala, inicialmente, do papel da Retórica, qual a sua função e como esta deve ser usada, contrapondo o seu uso habitual - o dos sofistas (representados por Górgias, Polo e Cálicles) - com uma nova visão - a do filósofo Sócrates - que conclui que esta é não só inútil, mas mesmo imoral. Iniciando um debate com Górgias, Sócrates induz o seu oponente em contradição, levando-o a dizer que a Retórica, a arte dos discursos políticos que tem como objecto a justiça, pode ser usada de forma errada e, ao mesmo tempo, que todos aqueles que a aprendem são incapazes de cometer qualquer acto injusto. Perante esta contradição, surge Polo, discípulo de Górgias, que defende o seu mestre e a sua Arte, afirmando que esta é a mais bela das artes. Sócrates apresenta, então, a sua Teoria da Adulação. Polo inicia um discurso argumentando que a Retórica dá poder àqueles que a dominam, ao que Sócrates contrapõe com o aparente paradoxo de que os que têm mais poder não são os mais poderosos. Após uma longa discussão, Sócrates obriga Polo a admitir que cometer uma injustiça é mau, e, caso a tenha cometido, o sujeito deve preferir ser castigado a fugir ileso. Cálicles. o anfitrião, toma então a palavra, afirmando que Sócrates está errado e critica sua forma de debater. Afirma que não existem semelhanças entre as Leis da Natureza e as Leis da Convenção. ABRA A PÁGINA, DIGITE O CÓDIGO E ESPERE CARREGAR. ESCOLHA DOWNLOAD COMUM, SALVE EM SUA MÁQUINA, IMPRIMA E BOA LEITURA.


Dê um clique aqui e Acesse (Gorgias - Platão)


Desvalorização e subjugamento publicado em 29/03/2011 no site www.fpabramo.org.br atualizado em filoparanavai em 30.03.2011 DEMOCRACIA e seus desafios


FILOSOFIA política


DEMOCRACIA e cidadania


Por Rachel Moreno Fonte Observatório da Imprensa, em 29/3/2011



Os jornais perdem assinantes, as receitas antes infalíveis da programação televisiva não mais fidelizam a audiência. As novas mídias e as redes sociais passam a ser cobiçadas e silenciosamente invadidas pelos grandes meios. A geopolítica da comunicação se redefine e disputa o que antes parecia um quadro solidificado. Nesta briga, vale disputar a preço de ouro o Clube dos 13, vale a sedução dos atores antes globais; o enfoque, ângulo e espetacularização da notícia, a banalização da violência, o apelo sexual. Corpos femininos seminus nas capas dos jornais; estímulo explícito à violência e à erotização nos reality shows televisivos; programas de entretenimento brincando de cabra-cega, exigindo o reconhecimento dos participantes pelo tatear de suas bundas. E, finalmente, chega o carnaval, com uma sucessão de peladonas e vestidões, num jogo de mostrar e esconder o corpo durante a festa. A visibilidade seletiva das "gostosas" faz valer as horas de sacrifício e malhação, de bronzeamento artificial, lipoaspirações, dietas e silicone – da súbita e instantânea notoriedade talvez decorra um contrato para a TV ou revista, para um desfile de modas ou para qualquer cargo ou função onde estes dotes possam ajudar. Ou simplesmente os 15 minutos de notoriedade que a sociedade de massas ensinou a valorizar.


Nas mãos do capital


Como educadora informal que é a mídia, com destaque especial para a TV, essa reiteração do modelo, tanto na programação normal quanto na publicidade – antes, durante e depois do carnaval – esse bombardeio diuturno de imagens de beleza e sucesso, com espaços e visibilidade seletivas, é feito para capturar a atenção masculina, inocular um modelo de beleza e de delimitação de espaços e valores para mulheres e crianças – e vender. Tem a função, a médio e longo prazo, na fase de globalização do capitalismo, de colonizar corações e mentes para vender produtos, serviços e valores, distribuindo – de brinde – interpretações favoráveis à manutenção do sistema. Forjam o imaginário e contribuem para a formação da subjetividade desde a mais tenra idade. Pasteurizam os gostos, as culturas e o consumo, servindo aos monopólios e oligopólios. Invadem o terreno da formação da subjetividade e forjam o modelo aspiracional de homens, mulheres e crianças. Nada inventam, mas capturam fluxos nômades de novas e velhas tendências, que desterritorializam – tirando de seu contexto, tempo e lugar – e ressignificam – de modo a servir a seus objetivos comerciais e ideológicos, com imagens valoradas de homens de sucesso, de crianças felizes, de mulheres "bonitas", de trabalhadores adequados e de todos os segmentos sociais – ora cuidadosamente invisibilizando os divergentes e contestadores, ora selecionando sua presença em determinados ângulos e ausência em outros, ora pré-qualificando-os implícita ou explicitamente no contexto, no texto, no subtexto. Assim, discutir o que a mídia faz com a imagem das mulheres e os interesses a que isto serve representa uma reflexão sobre o que ela faz com todos nós. E busca contribuir para a desconstrução deste mecanismo de controle de uma minoria de detentores destes meios sobre a maioria da população – o aparelho ideológico nas mãos do capital.


O padrão de beleza imposto


E como reagem as mulheres, do lado de cá da tela de TV?


As feministas saíram em bloco, na terça-feira de carnaval (8 de março este ano), dançando ao som da reiterada palavra de ordem "a nossa luta/ é por respeito/ mulher não é/ só bunda e peito". E as mulheres comuns, o que pensam diante dessa imagem da mulher mostrada na mídia? A pesquisa recente da Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Sesc, revela que 80% delas considera que tal exibição, além de desagradar, contribui para uma desvalorização e subjugamento geral da figura feminina. E, diante disso, a grande maioria (74%) se declara favorável a algum tipo de controle (governamental, do próprio mercado ou da sociedade) sobre o conteúdo exibido na programação e na publicidade da mídia. Mas, ao lado desta percepção crítica, a pesquisa também mostra a dimensão do estrago provocado pela imposição monótona e autoritária destes estereótipos. Bombardeadas pelo modelo de beleza inatingível, que as dezenas de produtos e procedimentos à venda não as fazem alcançar, as mulheres se mostram menos satisfeitas com a própria aparência que os homens e se preocupam com o que consideram sobrepeso e barriga, bem como com os seios, como demonstra a pesquisa. Introjetaram o padrão de beleza imposto e a sua insatisfação cresceu nos últimos 10 anos – intervalo durante o qual a exigência da magreza aumentou. Embora cuidem mais da própria saúde e da dos outros, elas se mostram menos satisfeitas com ela do que os homens (69% dos homens contra 56% das mulheres). A falta de mais perguntas a respeito nos permite projetar algumas explicações alternativas.


Mulheres clamam pelo "controle do governo"


Tal fato pode decorrer da contradição entre a vida cada vez mais sedentária – que se soma à produção, propaganda e venda de alimentos industrializados (que teoricamente servem de apoio à "vida ativa" das mulheres), cada vez mais calóricos e menos nutritivos e que se contrapõem à energia e à silhueta das mulheres veiculadas e introjetadas como padrão aspiracional –, como também pode sinalizar o stress e estafa decorrentes do acúmulo de jornadas de trabalho femininas, incluindo a doméstica. Ou, ainda, pode decorrer de sua absorção do modelo de vida cada vez mais medicalizado também veiculado pela mídia, interessada em terceirizar os cuidados do corpo e vender mais remédios anunciados. E, se a elas se destina a imagem e discurso da mídia do amor romântico, enquanto aos homens se vende a ideia da conquista-usufruto-descarte, isso não contribui para o descompasso entre as expectativas e satisfação no que se refere à sexualidade e amor? Ou será tão-somente decorrência de nossa natureza mais sensível e amorosa (cuidar da prole tem valor de sobrevivência) e da exigência maior por desempenho-trabalho-realização sobre os ombros masculinos cansados e culturalmente menos estimulados a expressar as suas emoções? O mais estimulante no resultado desta pesquisa é a explicitação da consciência crítica da significativa maioria das mulheres frente à mídia, mesmo que não se deem ainda efetivamente conta de seu alcance pleno. Dando um passo além, elas clamam por controle sobre o conteúdo da mídia, que vai muito além do decantado "controle-remoto-da-TV". Clamam, prioritariamente, pelo "controle do governo". Mas também esperam um autocontrole da indústria e, de forma também significativa, da sociedade civil. Retomar e avançar a discussão A demanda das feministas e da Confecom pelo controle público/social da mídia, em órgãos tripartites (como consagrado em outros fóruns de gestão compartilhada), responde a suas demandas manifestas na pesquisa com que a FPA nos brinda, neste mês da mulher. É preciso ampliar a repercussão desta demanda – tarefa que cabe ao movimento social e à mídia não atrelada. É preciso que as instâncias governamentais lhes deem ouvidos e consequência, mesmo que com isso contrariem os interesses exclusivistas dos segmentos refratários da "grande mídia", retomando e acelerando a discussão sobre o marco regulatório dos meios de comunicação e, particularmente dentro dele, do controle da imagem da mulher (e dos negros, dos movimentos sociais, de todos os demais segmentos discriminados, desrespeitados ou seletivamente invisibilizados).


Vamos à retomada e ao avanço desta discussão?


filoparanavai 2011

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