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    domingo, 30 de janeiro de 2011

    FILOPARANAVAI e conhecimentos gerais

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    Informação e Conhecimento



    Tortura e verdade

    Publicado em filoparanavai 28.01.2011 às 19h00
    Por Emiliano José
    Fonte CartaCapital, em 28/1/2011


    A pretensão de sepultar o assunto da tortura, do assassinato e do desaparecimento de pessoas durante a ditadura é vã. É sempre o velho gesto de jogar a sujeira para debaixo do tapete, tentar ignorar os fatos da história. Eles voltam, os fatos, por mais que se faça a tentativa de ignorá-los. Até porque, não houvesse outros aspectos mais amplos, há a dor, a viuvez de tanta gente, a mãe que ainda chora, o filho ou a filha que não viu o pai, as tantas pessoas que não puderam sequer enterrar os seus entes queridos, enterrados ninguém sabe onde, assassinados sempre de maneira cruel, sempre sob a covardia da tortura.

    Novamente, e mais uma vez, logo que a nova ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, defendeu a aprovação pelo Congresso Nacional da Comissão da Verdade para esclarecer os crimes cometidos contra adversários políticos durante a ditadura, vozes dentro do próprio governo federal se levantaram para contraditá-la. Isso já havia ocorrido, e faz pouco tempo, quando o então ministro Paulo Vannuchi defendera posição semelhante, inclusive a imprescritibilidade do crime da tortura. Creio que é preciso situar corretamente a questão para não incorrermos em equívocos históricos e conceituais. E reafirmar que o crime de tortura é imprescritível e que nenhuma nação pode deixar de apurar os crimes cometidos durante uma ditadura. Tal procedimento é da tradição democrática.

    O general José Élito Siqueira saiu-se com o argumento de que sendo o 31 de março um dado histórico, “os desaparecidos são história da nação, de que nós não temos que nos envergonhar ou vangloriar”. O raciocínio é pobre e equivocado. E carrega a crueldade dos defensores da ditadura. Imaginemos que alguém, depois da derrota de Hitler, viesse a público para dizer que o nazismo era simplesmente um fato histórico e que os fornos de Auschwitz não deveriam representar qualquer vergonha e nem deveriam ser motivo de vanglória.

    A ditadura é um dado histórico que envergonha profundamente a nação brasileira. Diante dela, ninguém que professe a democracia e que seja fiel à história pode ficar indiferente e deixar de repudiá-la até para que nunca mais se repita. E os seus crimes devem e têm que ser apurados, como têm feito nossos irmãos latino-americanos, como o fizeram os democratas e comunistas que venceram a batalha contra o nazismo.

    O ministro Nelson Jobim, que sempre teve lado nesse caso, disse que a Comissão da Verdade deveria também avaliar as ações desenvolvidas pelos “movimentos guerrilheiros”, como ele chamou. Decerto está querendo que os milhares de torturados, presos, e condenados sejam submetidos, quem sabe a novos julgamentos e a novas punições. O que as diversas organizações políticas de luta contra a ditadura faziam, não custa lembrar isso a um Jobim que um dia se disse constitucionalista, era exercer o direito de insurgência e resistência que é próprio do liberalismo moderno. Do liberalismo, insistamos. Talvez fosse o caso de lembrar a luta armada que determinou o surgimento dos EUA, para não darmos dezenas de outros exemplos. A ditadura rompeu com o Estado de Direito pela violência, de modo ilegal, e era um direito básico o da insurgência.

    No raciocínio do general e de Jobim, caberia rever a história mundial recente, e julgar todos os que se envolveram no impressionante movimento anticolonial, que determinou a libertação de tantos países mundo afora, particularmente no território africano. O que se cobra, o que se tem feito em toda a América Latina é o julgamento dos que cometeram genocídios, dos que mataram covardemente pessoas na tortura, que fizeram desaparecer pessoas, e o exemplo mais recente é o de Rafael Videla, condenado à prisão perpétua na Argentina. A anistia, como determinou recentemente a OEA em relação ao Brasil, não alcança torturadores, contrariamente à opinião do STF.

    Uma nação não pode sufocar a verdade. E nem pretender deixar de ajuizar todos os fatos históricos. Alguém poderia justificar a escravidão, a ignomínia da escravidão no Brasil? Não. Como não pode deixar de repudiar, de levantar todos os crimes cometidos pelos agentes da ditadura que torturaram e mataram pessoas. Só isso. Paulo Sérgio Pinheiro escreveu artigo recente no jornal Folha de S. Paulo (17.1.2011., p. 3) onde apropriadamente diz que o passado nunca está morto.

    Mais: quanto a este assunto, nem passado é ainda. Ainda recuperando o que diz o ex-secretário de Direitos Humanos do governo Fernando Henrique Cardoso, cabe lembrar que o pai do general-presidente da ditadura, João Batista de Figueiredo, então deputado Euclydes Figueiredo, em 1946, requereu a criação de uma comissão de inquérito que examinasse os crimes do Estado Novo. A comissão, a primeira comissão da verdade, foi criada, mas não funcionou por falta de quorum – ou seja, não havia vontade política suficiente para fazê-la funcionar.

    A Comissão da Verdade proposta pelo então presidente Lula, acolhendo sugestão do ministro Paulo Vannuchi, visa o esclarecimento histórico dos horrores praticados pela ditadura, situando tudo no contexto ampliado daquela circunstância histórica de triste memória. Não tem caráter de revanche. Não tem qualquer mandato judicial. Não há, ali, réus sendo julgados. Só pretende a verdade, não mais do que a verdade. A nós, e parafraseio Gramsci, só interessa única e exclusivamente a verdade. Esta Comissão, como também revela Paulo Sérgio Pinheiro, acolhe o melhor das 40 comissões da verdade no mundo, a indicar o quão ampla é, e o quanto tem sido normal o procedimento. Argentina, Chile, Bolívia, Peru, por exemplo, viveram essa experiência.

    A pergunta que não quer calar é: quem tem medo da verdade?

    *Emiliano José é jornalista e escritor. emiljose@uol.com.br

    SÓ LEMBRANDO QUE...

    OEA condena Brasil por crimes da ditadura na Guerrilha do Araguaia
    Publicado em filoparanavai 15.12.2010
    Fonte Opera Mundi, em 14/12/2011

    A Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA (Organização dos Estados Americanos), condenou a repressão e os crimes cometidos pelo regime militar brasileiro durante a guerrilha do Araguaia. A sentença divulgada nesta terça-feira (14/12) determina que o Estado brasileiro é responsável pelo desaparecimento forçado de 62 pessoas, entre os anos de 1972 e 1974. Esta é a primeira condenação internacional do Brasil em um caso envolvendo a ditadura militar (1964-1985).

    No entanto, a aceitação da sentença pelo Brasil não é automática, pois depende de decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). No julgamento que confirmou a Lei de Anistia, este ano, os ministros do Supremo chegaram a discutir a submissão do Brasil à jurisdição da OEA, mas não chegaram a uma conclusão sobre esse ponto.

    De acordo com sentença divulgada hoje, para o juiz Roberto de Figueiredo Caldas, responsável pelo caso, a Lei da Anistia brasileira de 1979 serviu como obstáculo para a investigação e o julgamento dos crimes, como espécie de álibi, já que a Constituição do país não deixa brechas para a condenação penal de agentes da repressão. Para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Brasil, como signatário do Pacto de San José da Costa Rica (tratado que instituiu a CIDH), deveria respeitar as normas da CIDH, que preveem a garantia dos direitos humanos, e adaptar a Constituição nacional para respeitar os textos aceitos internacionalmente.

    "Os dispositivos da Lei de Anistia são incompatíveis com a Convenção Americana, carecem de efeitos jurídicos e não podem continuar representando um obstáculo para a investigação dos fatos", determinou a sentença

    Além disso, a CIDH entendeu que o Brasil é responsável pela violação do direito à integridade pessoal de determinados familiares das vítimas, entre outras razões, em razão do sofrimento ocasionado pela falta de investigações efetivas para o esclarecimento dos fatos.

    Arquivos

    A violação do direito de acesso à informação, estabelecido no artigo 13 da Convenção Americana, também foi apontada na sentença, já que o governo brasileiro se negou a divulgar e liberar o acesso aos arquivos em poder do Estado com informação sobre os crimes cometidos no período.

    Com a condenação, o Brasil fica obrigado reconhecer o crime de desaparecimento forçado de pessoas seguindo as convenções interamericanas. Além disso, os acusados considerados culpados deverão ser punidos de acordo com os dispositivos já existentes na Constituição brasileira, até que se crie uma lei específica ou que o país reveja a decisão do STF sobre a Lei de Anistia.

    O governo federal, porém, argumenta que "está sendo construída no país uma solução compatível com suas peculiaridades para a consolidação definitiva da reconciliação nacional". Entretanto, mesmo assim a Corte determinou que o Estado terá que retomar a busca dos corpos desaparecidos, que devem ser restituídos aos parentes, e indenizar as famílias das vítimas financeiramente e com atendimento psicológico adequado.

    Se o STF confirmar a sentença, todos os integrantes das forças armadas terão de passar por um curso permanente sobre direitos humanos.

    José Alcántara: “Internet está a ponto de ver todo seu potencial reduzido a pó”

    Publicado em filoparanavai 28/01/2011 às 17h32
    Por Marcus Hurst
    Fonte Revista Fórum, em 21/1/2011


    Você já tentou se conectar a internet em um desses espantosos cybercafés que a gente encontra nos aeroportos? Esses que cobram 10 euros por 10 minutos de acesso a internet e só te deixam acessar as páginas pré-instaladas no sistema. A empresa dona do computador se aproveita da escassez para oferecer um serviço claramente abusivo e restritivo, sabendo que não existem mais opções ali.

    Agora, o que acontece se deslocamos esta situação para o dia-a-dia do consumo de internet, onde a qualidade do serviço oferecido pelas operadoras está de acordo ao quanto você pode pagar e, em função disto, temos acesso a um bom conteúdo ou não? Os mais favorecidos acessam a rodovia de 4 pistas enquanto os que têm menos poder aquisitivo acabam circulando por uma estrada nacional cheia de buracos.

    Este é só um exemplo do tipo de situação que pode existir se não atuarmos para proteger a neutralidade da rede, segundo José Alcántara.

    Este acadêmico e ativista do software livre acaba de lançar La Neutralidade de La Red, um livro que busca esclarecer a confusão que ronda esta discussão e, também, deixar bem claro as razões pelas quais a rede tem que ser protegida.

    As conseqüências de não o fazermos, segundo o autor, seriam demasiado danosas para a sociedade. “Não pode ser que o advento com mais possibilidade de avanço social e global desde o telégrafo esteja a ponto de ver reduzido a pó todo o seu potencial. Ninguém sairia ileso de uma catástrofe como esta”, explica.

    Conversamos com Alcántara sobre os principais pontos do livro. O download do livro em espanhol pode ser feito de forma gratuita
    aqui.


    Parece que existe muita confusão com o termo “neutralidade da rede”. O que ele significa exatamente? Por que é desejável protegê-la?

    A neutralidade da Rede é o princípio que a rege, aquele que nos diz que nenhum ponto pode exercer veto às conexões entre dois pontos outros da Rede. É o espírito que faz da internet uma rede distribuída e diversa, com toda a potência de desenvolvimento do conhecimento, de novas formas de negócio e de aquisição de autonomia pessoal.

    Protegê-la é importante porque até agora, na Rede, um bit é sempre um bit, sem importar a peça maior de informação – mensagem, notícia, obra cultural ou de ócio – da qual ele é parte. Destruir isso enquanto temos oportunidades de progresso e desenvolvimento, dando tudo isto de bandeja a uma pequena minoria de monopólios ou oligopólios que não necessitam da internet para ter acesso a todos os mercados, porque têm poder financeiro para fazê-lo à moda antiga.

    A neutralidade da rede parece um tema que por agora preocupa muitos experts e entendidos. Que se pode fazer para comunicar ao público em geral que isto afeta a todos nós? Deve-se explicar melhor?

    Não somos conscientes de que as trocas acontecem a todo o tempo e, por isso, relaxamos e pensamos que a web sempre esteve aí (e isto não é certo) e que estará sempre aí com seu caráter aberto, abundante e diverso. Internet sem neutralidade seria como a televisão a cabo. Imagine que além de seu acesso a internet (na Espanha nos custa por volta de 40 euros por mês) você teria que pagar um adicional só para ter acesso a serviços de email (só os que tenham convênio com a sua operadora, obviamente), e outro adicional para serviços de rede social e outro para blogs e outro para imprensa online, para o YouTube e para o Vimeo. A tarifa assim não é plana e a liberdade de informação que desfrutamos agora não estaria ao alcance de todos, somente ao alcance dos bolsos mais resistentes.

    Se não atuamos contra aqueles que ‘atentam’ contra a neutralidade da rede, que situações hipotéticas nós poderíamos encontrar no futuro?

    Situações nas quais os afetados somos todos, ainda que mais gravemente os usuários últimos da internet, cidadãos comuns aos quais a internet abre a possibilidade de conquistar a própria autonomia profissional, assim como a de nos comunicarmos com pessoas mais próximas. Além daquilo comentado anteriormente, existe outra conseqüência importante: a eliminação da neutralidade elevaria os custos de montar um negócio pela internet, incrementando a barreira de entrada e reduzindo a competência.

    Esta redução impedirá a aparição de alternativas, e irá gerar monopólios que carecerão de incentivos para propor soluções inovadoras e novos negócios. Presenciaríamos, então, uma estagnação de novos serviços e ideias, uma estagnação no surgimento de novas tecnologias. Tem sido assim desde o princípio: do motor de combustão ao Internet Explorer, quando alguém adquire um monopólio cessa a inovação.

    Parece que tudo o que os governos não podem controlar incomoda aos poderosos. Existe uma intenção em criar escassez artificial para proteger os antigos modelos de negócio?

    A internet neutra que conhecemos modifica as regras do jogo e passamos a viver em uma economia de abundância, tal e como a define o economista Juan Urrutia. E quando os conteúdos são infinitos, o importante são os olhos que os leem. Agora todo o mundo pode publicar conteúdos, e cobrar pelo acesso a eles está ao alcance de pouquíssimas publicações específicas.

    Não há do que se lamentar. A internet abre um oceano de possibilidades, mas para os grandes monopólios informativos se torna mais fácil queixar-se através da mudança de regras do que tentar compreendê-las e aproveitar o potencial que o novo sistema oferece.

    Marcados por administrações públicas cada vez mais sequestradas por estes organismos privados, não é que o Estado se limite a não atuar, o que já seria danoso, mas sim que seguramente o Estado atuará contra o bem geral. No que diz respeito a internet tem sido assim durante mais de uma década; a nova Lei Sinde não passa de um exemplo disto.

    Não há uma incoerência aqui? Uns defendem o livre mercado, mas quando veem que não lhes convém, fazem o contrário e buscam controlar algo que é livre por natureza...

    O problema é que o livre mercado que as elites defendem não é real. O conceito de mercado é tão podereso que as elites o sequestraram. Quando foram privatizados os velhos monopólios estatais, não surgiu um livre mercado, somente foram vendidas empresas com um valor altíssimo que passaram a ser controladas por seus “amiguinhos”.

    Não é livre mercado, é o capitalismo de amigos (ou crony capitalism, em inglês). Internet, no entanto, essa sim oferece o livre mercado: o custo de criar um site e oferecer um serviço é infinitamente menor do que os custos de ter um escritório físico, onde para ter boa visibilidade é necessário se lançar em um mercado imobiliário que...bem, já sabemos o quanto se gasta no mercado imobiliário. Não está ao alcance de todos!

    Há esperanças para que a Espanha mantenha uma rede neutra durante os próximos anos? Você está otimista?

    Desde já, todo aquele que queira sair desta crise reforçado e em posição vantajosa para decolar o quanto antes, deveria lutar por uma rede neutra. Quando a situação econômica é adversa, somente um tolo se atreve a colocar um desafio para si mesmo. O Estado espanhol, e isso está para além do atual governo porque inclui uma lógica infra-estrutural que transpassa a mera estrutura de partidos, não tem interesse em defender uma rede neutra.

    Os cidadãos, estes sim, se colocam o desafio. O Chile foi o primeiro Estado do mundo a garantir por lei que a internet seja neutra. É de se esperar, e é desejável, que outros Estados sigam seu exemplo. No entanto não me atrevo a dizer que ocupante algum (presente ou futuro próximo) de Moncloa possua o conhecimento sobre internet, e a valentia necessária, para tomar uma decisão cujos benefícios se percebem muito mais a médio e longo prazo do que em curto prazo.

    Em teu livro, você menciona que a internet móvel é uma ameaça contra a neutralidade da rede. Por quê?

    Depois de mais de uma década de tarifas planas na internet doméstica, os usuários desenvolveram hábitos de uso e consumo da informação. Transformar estes hábitos requer um esforço enorme. No uso da internet móvel, no entanto, não se mantém essas tarifas planas, sem limite de consumo, nos quais uma pessoa paga sua inscrição mensal e acessa a informação. Somemos a isso a enorme cultura de pagamento existente em relação à telefonia móvel e vejamos que a estratégia das operadoras está clara: não se trata de que a internet chegue ao nível móvel, somente de que o nível móvel (e sua cultura de pagamento total) capture a internet.

    Por vezes existe a percepção de que uma internet livre é um site onde não se tem lucro. Qual a sua opinião sobre isto?

    Para 99% das pessoas, que são de origem humilde e não formam parte desta elite social que faz negócios entre si, fortalecendo o “capitalismo de amigos”, a internet é a única opção de tomar as rédeas da própria vida, montar nossa empresa, pequena porém digna, com a qual possam ganhar algum dinheiro. O que acontece é que essa abertura de mercado, esse mercado livre que a rede torna possível, diminui as rendas de posição e as rendas de capital que até agora mesmo os controladores dos grandes oligopólios tradicionais obtinham. Não se ganha dinheiro com internet? No pior ano a crise, 2010, a Telefônica ganhou 66% a mais do que o ano anterior. E ainda algum ministro nos disse que a Lei Sinde e o rompimento com a neutralidade são importantes para defender o antigo monopólio estatal...

    Parece que a mídia se satisfaz com a chamada “nuvem”. Deveríamos ser um tanto mais céticos sobre as bondades da “nuvem”?

    A próxima grande revolução comercial se baseará em converter em produto comercial algo que até agora se dissipa sem gerar lucro para ninguém: nossa informação pessoal. Mas para conseguir isso é preciso que alguém tenha acesso a toda nossa informação... E, bem, isso é “a nuvem”.

    A internet e a web tornam nossa vida mais fácil. Ter nosso software na web que nos permite trabalhar à distância ou em qualquer computador de forma casual é uma grande vantagem. Contudo, não devemos nos esquecer que depender de um provedor de software dá a este provedor toda a vantagem. Aplicações na web? Sim, mas mediante o nosso controle. Existem alternativas para todos os serviços privados da web.

    O quê se pode fazer para proteger a neutralidade na rede? Deveria haver um artigo da constituição, adaptado ao século 21?

    Seguramente a lei tal e como está definida sempre foi suficiente. Se os operadores não bloquearam já o acesso a determinados serviços é porque não podem. Porque no passado, quando o fizeram, os tribunais consideraram que estavam limitando a liberdade de informação e comunicação das pessoas. No passado recente, existiram bloqueios de acesso a determinadas páginas, mas parece não ter sido uma iniciativa das operadoras, e sim uma iniciativa do Estado (caso Batasuna, 2002).

    O poder econômico, que em demasiadas ocasiões se conecta bastante bem com o poder político, tenta centrar o debate em algo tão banal quanto os downloads. Ninguém mais falará sobre download dentro de dois ou três anos, quando os modelos de uso da internet forem baratos e acessíveis a todos. Aquilo que de verdade está em debate no assunto da neutralidade é: como configuraremos nossa sociedade digital (e sem dúvida será uma sociedade digital, porque não se pode desinventar a tecnologia) no futuro. Será uma sociedade distribuída e livre ou será uma sociedade centralizada e proibida, reprimida sobre um jugo tecnológico cheio de obstáculos, controles e limitações? O poder não está do nosso lado.

    No entanto, sejamos otimistas. Sabendo disso, a estratégia é simples: não deixar-se persuadir por cantos de sereia. Em que mundo você quer viver o resto de sua vida? Qual internet torna isso possível?

    Tradução de Cainã Vidor. Para ler o original
    clique aqui.


    Ciência
    Verme hermafrodita ajuda a explicar Alzheimer
    Artigo publicado em 18 de Novembro de 2010 - Atualizado em filoparanavai 18.01.2010 às 14h23

    Verme hermafrodita, C. Elegans.
    wikimedia.orgAdriana Moysés

    Um estudo realizado na França dá pistas para compreender melhor o mecanismo de doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson e tentar desenvolver tratamentos mais eficazes.

    Pesquisadores de Lyon, no sudeste da França, observaram um processo de rejuvenescimento surpreendente nos gametas de um pequeno verme hermafrodita, batizado pelos cientistas franceses de C-Elegans.

    Nesses vermes, que apresentam um ciclo de reprodução relativamente curto, desde que as células reprodutivas chegam à maturação, elas rejuvenescem automaticamente antes da fecundação. Esse mecanismo de rejuvenescimento, segundo o professor Hugo Aguilaniu, responsável pelo estudo, acontece pela ação de um conjunto de enzimas que substitui nos óvulos as velhas proteínas herdadas dos pais por outras novas em folha destinadas ao futuro embrião.

    De acordo com o cientista francês, essa descoberta é fundamental porque poderá indicar soluções para prevenir doenças degenerativas ligadas ao envelhecimento das células como câncer, Parkinson ou Mal de Alzheimer. Uma experiência de rejuvenescimento semelhante já foi realizada sem sucesso com a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado. Quando Dolly nasceu, em 1996, a ovelha apresentava células equivalentes a um animal de 5 anos. Dolly envelheceu rapidamente e morreu em 2003.

    Com a observação do comportamento das enzimas no verme hemafrodita C-Elegans, os pesquisadores de Lyon esperam descobrir uma maneira de atrasar o declínio físico ligado ao envelhecimento. O professor Hugo Aguilaniu espera realizar a mesma experiência feita com os vermes em óvulos humanos nos próximos dez anos.

    Brasil/Violencia
    ONG internacional critica polícia e prisões brasileiras

    Artigo publicado em 24 de Janeiro de 2011 - Atualizado em 29.01.2011 às 13h43

    Por Maria Emilia Alencar da RFI - Radio france Internationale
    De acordo com a Human Rights Watch (HRW), apenas no Estado do Rio de Janeiro a polícia foi responsável por cerca de três mortes por dia no primeiro semestre do ano passado. Para a ONG, a violência policial, a impunidade e um sistema carcerário desumano são os principais desafios do Brasil em matéria de direitos humanos.

    As conclusões fazem parte do relatório anual da organização humanitária Human Rights Watch divulgado nesta segunda feira, em Bruxelas. O documento alerta que só no Estado do Rio de Janeiro, a polícia foi responsável por 505 mortes violentas no primeiro semestre de 2010, uma média de quase três mortes por dia.
    O relatório sobre a América Latina também critica as ações de governos como os de Cuba e Venezuela, assim como a situação provocada pelo crime organizado no México e Guatemala. De acordo com o estudo, a situação brasileira é apontada como muito grave, com práticas desumanas nas prisões, onde predominam a violência e a superlotação.

    Para a ONG, o Brasil se consolidou com uma das mais influentes democracias em assuntos regionais e globais, mas que ainda enfrenta grandes desafios, inclusive em relação à revisão de seu passado político recente. A organização cita a criação de uma comissão da verdade para investigar violações de direitos humanos durante o regime militar, mas lembra que a implementação do projeto ainda depende da aprovação do congresso.

    Relatório da ONU: epidemia de aids em desaceleração
    Atualizado em filoparanavai em 12.01.2011 às 14h32


    Relatório divulgado pela ONU (23/11) informa que a estimativa de pessoas portadoras do vírus da aids no mundo é de 33,3 milhões e que a epidemia está começando a se desacelerar, apontando para uma reversão de cenário, informou a Folha de S. Paulo. De acordo com o relatório, o total de soropositivos em 2009 era ligeiramente inferior aos 33,4 milhões do ano anterior e a taxa de novas contaminações caiu quase 20%, nos últimos dez anos, em especial, entre os jovens, nos 15 países mais afetados, o que mostraria uma disseminação das práticas sexuais mais seguras. “Pela primeira vez, podemos dizer que estamos rompendo a trajetória da epidemia de aids. Paramos e começamos a reverter. Menos gente está sendo contaminada com o HIV e menos gente está morrendo de aids”, disse o diretor-executivo do Programa Unaids, das Nações Unidas, Michel Sidibé.

    No entanto, aponta o documento, estima-se que cerca de 10 milhões de pacientes em países pobres não tenham acesso a medicamentos importantes para controlar a doença e que crianças e grupos marginalizados, como usuários de drogas e profissionais do sexo, também têm menos chances de receber tratamento. Há, ainda, duas pessoas sendo contaminadas para cada paciente que começa a ser tratado — embora este seja um índice menor do que o de poucos anos atrás, com cinco novas infecções para cada duas pessoas que iniciavam o tratamento, de acordo com Sidibé, em entrevista ao jornal.

    Para o diretor da Unaids, os bons resultados não significam “missão cumprida”, pois há preocupação com a redução nas verbas para o combate à doença, que em 2009 se mantiveram estáveis pela primeira vez. No entanto, os cerca de US$ 15,9 bilhões registrados no ano representam US$ 10 bilhões aquém do necessário. “A demanda está superando a oferta. Estigma, discriminação e leis ruins continuam representando obstáculos às pessoas que vivem com HIV e a pessoas marginalizadas”, disse Sidibé ao jornal. Desde o início da epidemia, na década de 1980, mais de 60 milhões de pessoas já foram contaminadas pelo vírus, e quase 30 milhões morreram. A aids pode ser controlada com remédios, mas ainda não tem cura.
    Censo 2010: brasileiros são mais de 190 milhões
    Atualizado em filoparanavai 05.01.2011 às 10h08

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou (29/11) os primeiros dados do Censo 2010, realizado em período de quatro meses, em todo o país. Segundo o instituto, o Brasil conta com população de 190.732.694 de pessoas, número referente ao dia 1º de agosto, quando teve início o levantamento. Em comparação com o Censo 2000 (último realizado pelo IBGE), são 20.933.524 pessoas a mais, número que demonstra que o crescimento da população brasileira no período foi de 12,3%, inferior ao observado na década anterior (15,6% entre 1991 e 2000), informou o portal UOL (29/11).

    Entre as regiões do país, o Sudeste continua sendo mais populoso, com 80 milhões de pessoas, seguido do Nordeste, com mais de 53 milhões. As duas regiões, no entanto, tiveram redução do número de pessoas, entre 2000 e 2010 (de 42,8% para 42,1%), Nordeste (de 28,2% para 27,8%), assim como o Sul (de 14,8% para 14,4%). Aumentaram seus percentuais as regiões Norte (de 7,6% para 8,3%) e Centro-Oeste (de 6,9% para 7,4%). Os maiores percentuais de crescimento foram verificados no Amapá (40,18%), Roraima (39,10%) e Acre (31,44%).

    O Censo 2010 mostra também que a população é mais urbanizada que há dez anos: em 2000, 81% dos brasileiros viviam em áreas urbanas, agora, são 84%. E que é composta por mais mulheres (97.342.162) do que homens (93.390.532). Foi contabilizado, ainda, o número de brasileiros com mais de 100 anos — 23.760.

    Direito de ser feliz
    Atualizado em 05.01.2011 às 13h02

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou (10/11) a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que inclui a busca da felicidade entre os direitos fundamentais do cidadão, informou o Correio Braziliense (11/11). Segundo o senador, é uma proposta “para humanizar a redação da Constituição”. Ele explicou que o projeto não visa a ações concretas, mas condicionar a busca da felicidade à garantia de direitos sociais essenciais à realização humana. Sem o acesso a educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância e assistência às pessoas à margem da sociedade, não há felicidade, indica a PEC.

    Reeleito pelo Distrito Federal, o senador deu exemplos de soluções para a promoção da felicidade coletiva. “Na educação, a criação de uma carreira nacional do magistério. Os professores deveriam virar funcionários públicos federais, trabalhar em escolas federais. Escolas que tenham prédios bonitos e confortáveis. Na saúde, é preciso mais investimento na rede pública hospitalar e extensão do saneamento básico para todas as casas do país. Se a gente fizer essas duas coisas, resolve bastante as questões de segurança”, disse Cristovam ao Correio.


    O idealizador do Movimento Mais Feliz, Mauro Motoryn, afirma que a inclusão da felicidade na Constituição reforça os deveres do Estado com o bem-estar coletivo. Após aprovação na CCJ a PEC precisa ser analisada no plenário do Senado.

    Campanha pelo remédio fracionado
    Atualizado em filoparanavai em 24.01.2011 às 14h44

    Para tornar obrigatória a venda de medicamentos fracionados (permitida desde 2006, mas não obrigatória) e possibilitar que o consumidor compre a quantidade exata para o tratamento prescrito, a Proteste Associação de Consumidores e o Instituto Ethos lançaram campanha pela aprovação do projeto de lei 7.029 de 2006, em tramitação na Câmara Federal. As entidades vão coletar assinaturas em uma petição online pela aprovação do projeto, informou O Globo (10/11). A adesão pode ser feita no site www.proteste.org.br. O projeto, que está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, sofreu várias alterações em relação à proposta original: foi mantida a obrigatoriedade do fracionamento, mas com prazo de 24 meses — e não mais seis — para a indústria se adaptar. Além disso, é exigida a presença do farmacêutico para a venda desses medicamentos. De acordo com Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste, só 15 laboratórios pediram registro da Anvisa para produzir 175 tipos de medicamentos fracionados, a maioria genéricos.

    A venda de medicamentos apenas em caixas completas obriga o consumidor a jogar fora o que não utiliza, ou coloca-o em risco de intoxicação pela possibilidade de consumo das sobras estocadas. O medicamento fracionado auxilia o consumo do medicamento na quantidade certa, prevenindo, no caso dos antibióticos, o aumento da resistência das bactérias, provocado pelo uso desordenado.

    Oded Grajew, presidente emérito do Instituto Ethos, lembra que a maioria dos grandes laboratórios é multinacional e que nos países de origem vendem os remédios fracionados. “Por que não o fazem aqui? Porque ganham dinheiro não fazendo”, aponta.

    O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), que reúne os maiores laboratórios do Brasil, explicou, em nota, que a indústria farmacêutica é favorável ao fracionamento desde que baseado no modelo adotado no resto do mundo, em que a venda é feita só com receita médica, prática não recorrente no Brasil. Mas posiciona-se contra a obrigatoriedade, considerando “complexa” a questão, e observando que o bem sucedido processo de lançamento dos medicamentos genéricos não foi obrigatório. Para o sindicato não há demanda para alavancar o mercado e incentivar os altos investimentos necessários ao fracionamento.

    Dados da Anvisa apontam que 28% de todos os casos de intoxicação atendidos pela rede pública hospitalar, nos últimos dez anos, foram causados por uso indevido de medicamentos guardados em casa. Em 2005, a Anvisa estimou que 20% de toda a produção farmacêutica no Brasil foram para o lixo, desperdício que custou cerca de R$ 20 milhões.

    Analgésico na gravidez: risco para bebês meninos em debate
    Atualizado em filoparanavai em 21.01.2011 às 18h00

    O uso prolongado de paracetamol e outros analgésicos durante a gravidez pode trazer riscos à saúde de bebês meninos. Estudo realizado na Dinamarca, Finlândia e França vinculou a ingestão desses medicamentos a um maior número de nascimentos de bebês com criptorquidia, informou o site da BBC (9/11). O distúrbio deixa os testículos escondidos ou fora do lugar e está associado à infertilidade e ao câncer no final da vida. Publicado na revista científica Human Reproduction, o estudo levou especialistas a pedir que mais pesquisas sobre o assunto sejam feitas. Eles recomendaram às mulheres grávidas que evitem tomar analgésicos, embora o uso ocasional para aliviar a dor não deva causar mal ao bebê, como orienta o serviço nacional de saúde britânico, NHS.

    O estudo envolveu mais de 2 mil mulheres grávidas e seus filhos. Os pesquisadores concluíram que as mulheres que usaram mais de um analgésico simultaneamente, como por exemplo o paracetamol e o ibuprofeno, apresentaram sete vezes mais riscos de ter filhos com criptorquidia do que as que não tomaram analgésicos. O segundo trimestre de gestação (de 14 semanas a 27 semanas) pareceu ser um período particularmente sensível: o uso de qualquer analgésico nessa fase foi associado a risco dobrado de nascimentos com criptorquidia. O uso simultâneo de mais de um analgésico, incluindo o paracetamol, no período aumentou os riscos 16 vezes, e tomar analgésicos por mais de duas semanas também pareceu aumentar os riscos significativamente. Os pesquisadores suspeitam de que analgésicos interferem na atividade natural dos hormônios masculinos em fetos de meninos, atrapalhando seu desenvolvimento normal. Allan Pacey, especialista em andrologia da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, observou que há relativamente poucos exemplos concretos de que a exposição da mãe a substâncias químicas durante a gravidez cause problemas de reprodução em bebês meninos e que a maioria dos trabalhos desenvolvidos até hoje é de fundo teórico. “É prioritário que mais pesquisas sejam feitas”, disse. O médico Basky Thilaganathan, da Faculdade Real de Obstetrícia e Ginecologia da Grã-Bretanha, também atenta para a importância de os resultados da pesquisa serem interpretados com cuidado. “O estudo mostra uma associação em vez de uma relação causal. É possível que as mães tenham tomado esses analgésicos por causa de alguma doença, durante a gravidez. Essa doença pode ter sido a causa real dos problemas.

    Perfil do usuário de crack
    Atualizado em filoparanavai em 22.10.2010 às 16h08

    O Ministério da Saúde vai financiar pesquisa inédita para mapear o perfil dos usuários do crack no Rio de Janeiro, Macaé (RJ) e Salvador. O estudo pretende avaliar o tratamento destinado aos usuários, além de buscar promover sua reinserção social e a redução de danos causados pela droga (O Globo, 3/10). A conclusão está prevista para o início de 2011. A escolha de Rio e Salvador deveu-se ao fato de serem duas grandes cidades, com universidades (UFRJ e UFBA) que têm domínio do assunto. Para aumentar a abrangência da pesquisa, foi selecionada uma cidade de médio porte, Macaé, onde a UFRJ também desenvolve estudos. A pesquisa vai coletar informações sobre moradia, idade, sexo e comportamentos de risco para HIV e hepatite, já que muitos dependentes do crack se prostituem em troca da droga ou de dinheiro. Também será feito o diagnóstico dos serviços públicos na área social e de saúde. Coordenadora de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDEDICA), a defensora pública Simone Moreira disse ao jornal que, apesar do avanço do crack em todo país, ainda há falta de estudos e de estatísticas sobre o assunto. “É fato que o crack tem aumentado a violência, mas é preciso mapear e fazer um levantamento do problema. Essa é uma questão que precisa ser tratada por todos os setores, entre eles, a saúde, a segurança e a assistência”, analisou.

    Bebês de baixo peso nas regiões mais ricas

    Estudo realizado pela Universidade de São Paulo e nas universidades federais do Maranhão e do Rio Grande do Sul verificou que as regiões mais ricas do país registram mais bebês nascidos com baixo peso (menos de 2,5 quilos) do que as regiões mais pobres, informou a Folha de São Paulo (4/10). O baixo peso ao nascer é um indicador de más condições socioeconômicas. O estudo, que avaliou números do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, entre 1995 e 2007, e foi publicado na Revista de Saúde Pública, teve como ponto de partida dados comparativos entre as realidades de Ribeirão Preto (SP) e São Luís, capital maranhense. “Embora a cidade paulista seja muito rica, apresentou maiores índices de baixo peso ao nascer”, disse Heloísa Bettiol, uma das autoras do estudo. Na análise dos números a mesma constatação foi feita. Entre as explicações encontradas pelos pesquisadores é o elevado número de cesáreas eletivas verificado nas regiões mais ricas. As taxas de baixo peso sobem quando o índice de cesáreas passa de 35%, sendo que em alguns lugares chega a 90%. Os partos múltiplos, resultantes da reprodução assistida, que vem crescendo, é outra hipótese. Foi considerado, também, o fato de haver, nas regiões mais ricas, maior acesso à assistência em saúde, salvando bebês que morreriam, caso não houvesse socorro, mas acabam nascendo prematuros ou com baixo peso. “Com os dados do estudo, vemos que esse valor deixou de ser um indicador das condições socioeconômicas”, observa Heloísa Bettiol.


    Piso salarial longe dos professores
    Atualizado em filoparanavi em 21.10.2010 às 15h33

    Mais de dois anos depois da sanção da Lei nº 11.738, que regulamentou o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da Educação Básica, nenhum estado cumpre exatamente o que foi aprovado, de acordo com o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Robertp Leão, informou o Portal Aprendiz (14/10). “Um dos maiores entraves é que cada um tem uma interpretação da lei, então, todos dizem que estão cumprindo”, analisa Leão. No fim de 2009, o piso, aprovado no Congresso e sancionado em 2008, aumentou de R$ 950 para R$ 1.024,67, para jornada de até 40 horas semanais, servindo de referência para docentes com formação de nível médio. O reajuste de 7,86% foi anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) depois de uma consulta à Advocacia-Geral da União (AGU) sobre como atualizar o valor que constava do texto legal. Após a aprovação da lei, governadores de cinco estados — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará — levaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a regulamentação. Dois pedidos tiveram liminar concedida, embora o STF já tenha julgado a lei como constitucional. Dois artigos — o da composição do piso e o que trata da jornada dos professores fora de sala de aula — estão sob apreciação da Justiça, o que faz com que aumentem os casos de não cumprimento da lei, como avalia Leão. Segundo levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), divulgado no fim de setembro, seis estados não pagam o piso nacional: Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Sul e Roraima. Um documento da CNTE reúne 159 depoimentos de professores das cinco regiões do país relatando o descumprimento da lei em seu município ou estado. O documento com os relatos dos professores foi entregue ao ministro da Educação, Fernando Haddad, às presidências da Câmara e do Senado e ao presidente do STF, ministro Cézar Peluso. De acordo com o Último Segundo, para saber como está a situação do piso no Brasil, a CNTE tem recebido pela internet depoimentos de trabalhadores em educação. Os profissionais podem enviar seus relatos para o blog http://doisanosdepiso.wordpress.com/


    Máquina de camisinhas nas escolas públicas
    Atualizado em filoparanavai 22.10.2010 às 15h00


    Seis escolas públicas do Ensino Médio de Santa Catarina, Distrito Federal e Paraíba estarão equipadas com máquinas de preservativos, a partir de janeiro de 2011. Os alunos poderão retirar o produto, gratuitamente, por meio do código de matrícula e uma senha individual, informou o site Último Segundo (13/10). A iniciativa faz parte do projeto piloto do Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), dos ministérios da Saúde e da Educação, que visam reduzir a vulnerabilidade de adolescentes e jovens às doenças sexualmente transmissíveis (DST), à infecção pelo HIV e à gravidez não-planejada. De acordo com a assessora técnica do departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais do Ministério da Saúde Ellen Zita, é “fazer da escola um canal de enfrentamento aos problemas sociais vividos pelos jovens”. O Programa Saúde e Prevenção nas Escolas é responsável por capacitar educadores e estabelecer um projeto pedagógico voltado à educação sexual. A entrada da máquina depende de a escola participar do programa e de que haja aceitação da comunidade escolar. O interesse em participar é voluntário e deve ser comunicado ao Ministério da Saúde. Pesquisa encomendada à Unesco pelo governo, publicada em 2007, revelou a boa aceitação de pais, professores e alunos aos preservativos nas escolas. Alguns setores consideraram que este tipo de ação do SPE pode incentivar a prática sexual entre os alunos, mas o preservativo disponível no ambiente escolar foi considerado “uma ideia legal” para 89,5% dos estudantes e 63% dos pais consultados. O principal motivo alegado por 42,7% dos estudantes para não usar o preservativo é não tê-lo na hora H, e 9,7% deles declararam que não têm dinheiro para comprá-lo. De acordo com a pesquisa, ainda, 44,7% dos estudantes têm vida sexual ativa. Em relação ao preservativo, 60,9% deles declaram ter usado na primeira relação sexual, enquanto 69,7% usaram na última.

    Selo de segurança nos medicamentos

    Atualizado em filoparanavai em 22.10.2010 às 14h32
    A partir de janeiro de 2011, as caixas de remédios começarão a ser etiquetadas com um selo de segurança, por determinação da Anvisa, para coibir a falsificação, a falta de registro e o contrabando, informou O Globo (7/10). O anúncio gerou reação da indústria farmacêutica. Cinco entidades do setor divulgaram nota na qual consideram a medida equivocada, pois gerará aumento em 2,58% do preço médio dos medicamentos para o consumidor, sendo que, no caso dos genéricos, poderá variar de 6,3% a 23,1%. O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, no entanto, afirmou que não serão permitidos aumentos nos preços por causa dos selos. “O governo não autorizará aumento. Isso será absorvido pela cadeia produtiva. O impacto é irrisório, em torno de 0,01% em produtos acima de R$ 5”, observou. Para a indústria, a medida deve ser revogada, pois a tecnologia do selo estaria ultrapassada e haveria um sistema mais moderno, que já está em testes. O selo faz parte da política de rastreamento do ministério, aprovada em janeiro de 2009. Segundo a Anvisa, entre janeiro e setembro de 2010, foram apreendidos 53 milhões de medicamentos falsificados e contrabandeados, o mesmo que em todo o ano de 2009. De acordo com a resolução, a indústria e as farmácias terão um ano para se adaptar às medidas, e, até 15 de janeiro de 2012, todo medicamento deverá ter o selo de segurança. A autenticidade do produto será comprovada ao se aproximar a etiqueta de segurança do visor de um leitor ótico. Para Raposo, o comércio de medicamentos falsificados migrou das feiras livres para as farmácias. Os selos, autoadesivos, serão aplicados diretamente nas caixas dos medicamentos e terão um marcador único reconhecido apenas pelo leitor ótico. Cada selo terá ainda uma numeração individual, chamada de Identificador Único de Medicamento (IUM), e também fará parte das notas fiscais eletrônicas.

    Receita de antibiótico vai ficar retida

    Outra decisão da Anvisa vai levar farmácias e drogarias brasileiras a reter a receita médica de antibióticos. Os estabelecimentos terão prazo de 30 dias para se adaptar à nova regra, a partir de sua publicação no Diário Oficial da União, informou o site Último Segundo (23/10). O não cumprimento da medida poderá resultar em interdição e multas de até R$ 1,5 milhão. O objetivo é combater o uso indiscriminado desses medicamentos e a resistência que o organismo desenvolve a eles, por conta do mau uso. No Brasil, para alguns tipos de bactérias, em até 40% dos casos, há resistência a antibióticos. O uso indiscriminado de antibióticos é um dos fatores que contribuem para o surgimento de bactérias multirresistentes como a KPC, que mata metade das pessoas contaminadas e já fez vítimas em cidades do norte e do sul do país. Com a nova regra, na compra de antibióticos, médicos terão de fazer duas vias de receita — uma para o paciente, outra para a farmácia. Desde o início do ano, a Anvisa discutia o assunto, que foi posto em consulta pública. As embalagens dos antibióticos também deverão sofrer ajustes, com aviso de que a venda está condicionada à retenção da receita.

    Perfil das mulheres em relatório da ONU
    Atualizado em filoparanavai 21/10.2010 às 13h00

    A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou (20/10), em Nova York (EUA), o relatório As Mulheres do Mundo 2010: Tendências e Estatísticas, que traz os dados mais recentes sobre os progressos alcançados pelas mulheres em todo o mundo em oito áreas: população, família, saúde, educação, trabalho, poder e tomada de decisões, violência contra as mulheres, meio ambiente e pobreza, informou a Agência Brasil. De acordo com o documento, elaborado a cada cinco anos, houve progressos em saúde e educação, mas a mudança é lenta. Embora as mulheres estejam conseguindo aproximar-se do poder político, a desigualdade em relação aos homens ainda é visível nesse campo. Apenas sete dos 150 chefes de Estado eleitos são mulheres, um leve aumento, em relação à década passada. Em média, um em cada seis ministérios no mundo é dirigido por uma mulher, apesar de este número ter duplicado desde 1998. O relatório aponta, ainda, uma “lenta, mas firme melhoria” no que diz respeito à representação nacional, embora em apenas 23 países mais de 30% das cadeiras no parlamento estejam ocupadas por mulheres. “É preciso fazer muito mais, para fechar o abismo do gênero na vida pública e prevenir as muitas formas de violência às quais as mulheres estão submetidas”, ressaltou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conforme registro no site da Band (20/10). Ki-moon observou que as mulheres ainda convivem com a violência física, sexual e psicológica. O relatório informou, também, que, em um total de quase 7 bilhões de pessoas no planeta, há aproximadamente 57 milhões de homens a mais do que mulheres e que dois terços dos 774 milhões de analfabetos no mundo (cerca de 516 milhões) são do sexo feminino. No ensino superior, as mulheres são pouco representadas em áreas como ciência e engenharia, mas permanecem predominantes na educação, saúde e bem estar, ciências sociais e artes. Em conflitos e emergências humanitárias, apesar de as mulheres ficarem, em geral, mais vulneráveis que os homens, são protagonistas da reconstrução de seus países, como foi constatado em locais afetados por conflitos armados ou desastres naturais, como Bósnia-Herzegovina, Haiti, Iraque, Jordânia, Libéria, Território Palestino Ocupado, Timor Leste e Uganda. O relatório está disponível na íntegra, na internet, no endereço http://unstats.un.org/unsd/demographic/products/Worldswomen/WW2010pub.htm

    Principais fontes dos conteúdos desta página: RADIS/Fiocruz, Radio France Internationale e Perseu Abramo

    filoparanavai 2011

    domingo, 23 de janeiro de 2011

    2011: Um ano de esperanças e muita luta_"O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo". (Honoré de Balzac)

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    O Dia da "RAINHA"
    As férias escolares de verão estão se findando e tudo começa de novo. Hora de sacudir a "preguiça" e se preparar bem para encarar a nova maratona de estudos e trabalhos. O ano de 2011 começou com uma data histórica e memorável, a posse da PRIMEIRA MULHER PRESIDENTA DO BRASIL. Agora é deixar a mulher trabalhar...



    Candidatou-se à vaga de presidente e foi escolhida por unânimidade dentro do Partido dos Trabalhadores. No primeiro turno das eleições de 2010, em 03 de outubro, foi a mais votada, *DILMA ROUSSEFF (PT) – 47.649.079 (46,91%); ela foi eleita, no dia 31 de outubro de 2010, com 56,05% dos votos válidos, no segundo turno e, torna-se a 1ª MULHER presidente de nossa história.


    por Lucio Lopes, publicado às 12:03 30.10.2010
    atualizado em filoparanavai às 15:02 23.01.2011

    Sou de uma geração de sonhos...
    Homem do tempo, de uma juventude que não apenas sonhava, mas sobretudo, que lutava...
    Não eram sonhos egoístas como os da classe média de hoje;
    Eram sonhos coletivos, onde a exclusão não tinha lugar e sim, apenas a utopia do todos têm os mesmos direitos, justiça e equidade devem ser expressões do real e não apenas das teorias ideológicas...

    Se eu nascesse na década de 50, com certeza estaria entre os presos, torturados e/ou exilados do período de exceção vigente no regime ditatorial pós-64.
    Eu era criança e vi os tanques nas ruas...
    Eu cresci ouvindo: “Brasil, ame-o ou deixe-o!”...
    “Religião e política não se discute!”...

    Eu cresci em meio à pobreza...
    Vi meu pai se abster de carne para que seus filhos comessem...
    Iogurte e outras guloseimas, naquele tempo, eram apenas um sonho de consumo...
    Eu vi o dinheiro valer 10 de manhã e 7 na tarde do mesmo dia...
    Eu convivi com repreensões, constantes, de meus professores, só porque eu questionava,
    Perguntava: “Por que tudo tem que ser assim?”
    Aprendi desde cedo o valor da democracia e da cidadania...


    Vieram as lutas populares pelo retorno da democracia, as passeatas, as manifestações públicas e eu lá, gritando: “Volta mãe democracia!”...
    Eu tava lá, era um dos que gritavam - nosso grito foi ouvido;
    Ela, a DEMOCRACIA, voltou...
    Eu vi o presidente que COLLOria os desejos da elite podre deste país ser eleito e,
    Desbancar o nosso sonho de um operário na presidência.
    Mas também vi e participei da queda do presidente - eleito com o apoio da elite podre - preconceituosa, excludente e egoísta;


    Eu vi Collor sair pelas portas dos fundos, presidente tão podre...
    Quanto a elite manipuladora que o elegeu, utilizando-se da TV Globo e de todo o aparato ideológico dominante para manter parcela da população sequestrada na alienação.

    Mas, vi também o sociólogo traidor de suas próprias teorias ser eleito presidente; Apoiado pela mesma elite podre que esteve com o collorido e, mais uma vez desbancou o sonho em torno do “torneiro mecânico”.
    Sempre acreditei e continuo a acreditar que o pobre só se emancipará um dia se for capaz de se autolibertar, ou seja, somente o pobre pode ajudar o pobre a sair de sua situação de abandono pelo Estado.

    Gritei, novamente: “Fora FMI!”, juntando minha voz a de meus amigos, jovens comunistas, na rua das Flores, próximo da praça Osório, em Curitiba;
    Mas quanto mais gritávamos, mais o FHC se comprometia com a cartilha neoliberal.

    Sucateava o patrimônio público, vendia nossas empresas em meio a negociatas que nunca foram investigadas...
    Eu vi dezenas de CPI’s propostas por parlamentares serem simplesmente arquivadas pela maioria no congresso;
    Eu vi deputados e senadores venderem seus votos ao governo para manter FHC em uma reeleição;
    Eu vi o Brasil perder sua soberania sobre nosso minério para empresas estrangeiras...
    Eu vi nossa telecomunicação ir toda para as empresas estrangeiras
    Eu vi o desemprego assombroso com arrocho salarial empobrecer ainda mais os trabalhadores
    Eu vi o mapa da fome “crônica” ser ampliado em todo o país.
    E gritei: “Todos juntos contra a fome no Brasil!”, somando-se à voz do glorioso Hebert de Sousa – o Betinho, que creio eu, já habita o coração do Criador.
    Eu vi o apagão da era FHC, eu vi a plataforma p-3 ser devorada pelo mar;
    Eu vi o abandono da saúde e da educação, o não investimento em infraestrutura que fazia com que nossas estradas, portos, aeroportos, ferrovias, ficassem jogadas à sorte maior.
    Eu vi o Brasil pelas mãos de FHC quase entrar na ALCA...
    Eu vi a Federal do Paraná ser sucateada e conviver com uma greve de meses;
    Mas eu vi também, de novo, o corajoso Lula, persistente como sempre, depois de 3 eleições, ganhar o coração do povo;
    E se tornar o primeiro operário presidente...

    Eu vi o Brasil extirpar o mapa da fome crônica;
    Eu vi o Brasil descobrir o pré-sal;
    Eu vi o Brasil colocar o FMI para correr daqui;
    Eu vi o emprego aumentar;
    Vi a distância injusta entre ricos e pobres diminuir;
    Eu vi o poder aquisitivo de meu povo ser recuperado e iogurte deixar de ser um sonho;
    Para ir à minha mesa e a mesa de pobres como eu...
    Eu vi o Brasil ser respeitado lá fora como uma superpotência emergente;
    Eu vi a corrupção ser combatida: vi prefeito, governador, juiz e outros irem pra cadeia...
    Vi as conquistas sociais para corrigir as discriminações:
    As mulheres, crianças, adolescentes e jovens, negros, índios, homossexuais, serem tratados como gente.
    Eu vi o prouni a dar chances imensas de um futuro brilhante a nossa juventude;
    O torneiro mecânico abriu as portas da universidade;
    Vi a filosofia e, a sociologia, voltar às salas de aulas pelo torneiro mecânico, depois de terem sido impedidas de retornarem no governo FHC – o sociólogo bufão vetou Lei que determinava o retorno.
    Vi e vejo que a utopia de criança está mais próxima de deixar de ser, apenas, um sonho...
    Com a FORÇA DO POVO quebramos paradigmas políticos determinantes em nossa cultura...
    A elite podre que promoveu o abismo entre pobres e ricos em 500 anos foi vencida nas urnas, de maneira totalmente democrática...
    Com a força do povo, Lula foi eleito presidente.
    Hoje com a FORÇA DO POVO, com as bênçãos de Deus, iremos quebrar mais outro paradigma: Uma MULHER...

    Eu sou feliz...
    Morro feliz, se hoje morresse;
    Eu acabo de ver, a primeira presidente mulher de meu país ser eleita com a FORÇA DO POVO....
    escrito por Lucio Lopes em 29.10.2010



    500 anos esta noite

    por Pedro Tierra
    Publicado em filoparanavai às 10:25 31.10.2010
    Atualizado em filoparanavi às 15:10 23.01.2011

    De onde vem essa mulher
    que bate à nossa porta 500 anos depois?
    Reconheço esse rosto estampado
    em pano e bandeiras e lhes digo:
    vem da madrugada que acendemos
    no coração da noite.

    De onde vem essa mulher
    que bate às portas do país dos patriarcas
    em nome dos que estavam famintos
    e agora têm pão e trabalho?
    Reconheço esse rosto e lhes digo:
    vem dos rios subterrâneos da esperança,
    que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.

    De onde vem essa mulher
    que apedrejam, mas não se detém,
    protegida pelas mãos aflitas dos pobres
    que invadiram os espaços de mando?
    Reconheço esse rosto e lhes digo:
    vem do lado esquerdo do peito.

    Por minha boca de clamores e silêncios
    ecoe a voz da geração insubmissa
    para contar sob sol da praça
    aos que nasceram e aos que nascerão
    de onde vem essa mulher.
    Que rosto tem, que sonhos traz?

    Não me falte agora a palavra que retive
    ou que iludiu a fúria dos carrascos
    durante o tempo sombrio
    que nos coube combater.
    Filha do espanto e da indignação,
    filha da liberdade e da coragem,
    recortado o rosto e o riso como centelha:
    metal e flor, madeira e memória.

    No continente de esporas de prata
    e rebenque,
    o sonho dissolve a treva espessa,
    recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho,
    afasta a força que sufoca e silencia
    séculos de alcova, estupro e tirania
    e lança luz sobre o rosto dessa mulher
    que bate às portas do nosso coração.

    As mãos do metalúrgico,
    as mãos da multidão inumerável
    moldaram na doçura do barro
    e no metal oculto dos sonhos
    a vontade e a têmpera
    para disputar o país.

    Dilma se aparta da luz
    que esculpiu seu rosto
    ante os olhos da multidão
    para disputar o país,
    para governar o país.

    BRASIL envelhece

    Expectativa de Vida Cresce
    A população brasileira atual é de 190.732.694 habitantes (dados do IBGE – Censo 2010). Segundo as estimativas, no ano de 2025, a população brasileira deverá atingir 228 milhões de habitantes. A população brasileira distruibui-se pelas regiões da seguinte forma: Sudeste (80,3 milhões), Nordeste (53,07 milhões), Sul (27,3 milhões), Norte (15,8 milhões).

    Expectativa de vida no Brasil
    aumenta três anos em uma década


    Mulheres vivem em média mais de sete anos do que os homens


    Se, em 1999, a esperança média de vida dos brasileiros era de 70 anos, no ano passado, passou para 73,1 anos - um aumento de 3,1 anos em uma década. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em setembro de 2010.


    E essa situação é mais favorável para as mulheres do que para os homens. Enquanto que, no mesmo período, a expectativa de vida delas avançou de 73,9 para 77 anos, no caso deles passou de 66,3 para 69,4 anos.


    Segundo os dados do IBGE, a diferença entre a maior esperança de vida do sexo feminino, registrada no Distrito Federal (79,6 anos), para a menor do sexo masculino, registrada em Alagoas (63,7), corresponde a uma diferença de quase 16 anos a favor delas.

    Para o IBGE, a queda dos níveis de fecundidade e o aumento da esperança de vida dos brasileiros têm provocado a redução da população de crianças e jovens e, consequentemente, o aumento da proporção de adultos e idosos.

    Além disso, à medida que cresce a esperança de vida, a tendência é aumentar a incapacidade funcional da população idosa, classificada pelo instituto como a possibilidade, ou não, de uma pessoa conseguir caminhar 100 metros. Segundo o levantamento, a maior frequência de declaração de incapacidade funcional foi verificada entre idosos de 75 anos ou mais de idade (27,2%).

    Estimativas PESSIMISTAS
    Para o IBGE, a expectativa atual de vida no Brasil é de 72,7 anos. Mas um terço dos homens e um quinto das mulheres nascidos entre 2000 e 2005 não chegarão nem aos 65 anos. A conclusão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicadas (Ipea). Segundo o autor da pesquisa, Milko Matijascic, “as pessoas passam mais de uma década com condições precárias de vida”. No Brasil chega a 13,5 anos o período que os homens passam doentes e 11,5 anos as mulheres. Pessoas com mais de 65 anos normalmente têm de 3 a 5 doenças associadas. A situação só é pior na Índia, África do Sul e Rússia. Uma das conseqüências desse quadro é o grande número de pessoas que se aposentam a cada ano por fatores de risco, invalidez, doenças e acidentes. Só em 2005 ele chegou a 57,4% das aposentadorias concedidas pela previdência.


    Expectativa de vida mundial em 2008 (Fonte: CIA World Factbook)


    A expectativa de vida da população, em nível mundial, é crescente. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) define expectativa de vida, ou esperança de vida como:

    Número médio de anos que um indivíduo de idade x esperaria viver a partir desta idade, se estivesse sujeito a uma lei de mortalidade observada. Particularmente, se x = 0, tem-se a expectativa de vida ao nascer (2008, p. 87).

    Ou seja, a expectativa de vida ao nascer é o número de anos que se calcula que um recém-nascido pode viver caso as taxas de mortalidade registradas da população residente, no ano de seu nascimento, permaneçam as mesmas ao longo de sua vida. A mesma fórmula é utilizada para o cálculo de sobrevida de uma pessoa aos 60 anos, por exemplo.

    A expectativa de vida ao nascer é calculada considerando, além da taxa de mortalidade, a expectativa de sobrevida da população residente na região em que o individuo nasceu. Fatores como saúde, educação, situação socioeconômica, criminalidade, e poluição, entre outros, são determinantes para uma maior expectativa de vida.

    Nesse sentido, o aumento da expectativa de vida da população está associado a melhoria das condições de vida dessa população. Políticas públicas e avanços tecnológicos promovem essas melhorias, tais como:

    •Os cuidados com gestantes (acompanhamento pré-natal), bem como o acompanhamento do recém-nascido e o aleitamento materno diminuem as taxas de mortalidade infantil;
    •Escolarização
    •Campanhas de vacinação
    •Saneamento básico
    •Avanços na medicina
    A expectativa de vida ao nascer é utilizada para cálculo previdenciário, seguro de vida e é um dos índices que compõe o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A partir desses índices, e de projeções calculadas a partir dele, políticas públicas devem ser estudadas e elaboradas para que sejam atendidas as necessidades da população no presente e no futuro.

    No Brasil, a menor taxa de fecundidade, associada ao aumento na expectativa de vida ao nascer tem como resultado, o aumento no número de idosos (pessoas com mais de 60 anos), sobretudo entre as mulheres, devido ao auto índice de mortalidade entre os homens por fatores externos.

    Segundo dados do IBGE (2008, p. 45), a expectativa de vida ao nascer, em nível mundial, para 2008 foi estimada em 67,2 anos. De acordo com esse relatório, no Brasil, a expectativa de vida ao nascer (2008) é de 72, 8 anos (sendo 76,7 anos para as mulheres e 69,1 anos para os homens). O Brasil ocupa a 87ª posição entre os países, quanto a expectativa de vida ao nascer. O país com maior expectativa de vida é o Japão (82,6 anos), e o país no qual a expectativa é menor (39,60) é a Suazelândia, país localizado no interior da África, entre Moçambique (penúltimo país no ranking, no qual a expectativa é de 42,10 anos) e a África do Sul (expectativa de 49, 30 anos).
    Por Thais Pacievitch, disponível em: http://www.infoescola.com/demografia/expectativa-de-vida/

    Taxa de Natalidade e de Mortalidade

    Se observarmos os dados populacionais brasileiros, poderemos verificar que a taxa de natalidade tem diminuído nas últimas décadas. Isto ocorre, em função de alguns fatores. A adoção de métodos anticoncepcionais mais eficientes tem reduzido o número de gravidez. A entrada da mulher no mercado de trabalho, também contribuiu para a diminuição no número de filhos por casal. Enquanto nas décadas de 1950-60 uma mulher, em média, possuía de 4 a 6 filhos, hoje em dia um casal possui um ou dois filhos, em média.

    A taxa de mortalidade também está caindo em nosso país. Com as melhorias na área de medicina, mais informações e melhores condições de vida, as pessoas vivem mais. Enquanto no começo da década de 1990 a expectativa de vida era de 66 anos, em 2005 foi para 71,88% (dados do IBGE).

    A diminuição na taxa de fecundidade e aumento da expectativa de vida tem provocado mudanças na pirâmide etária brasileira. Há algumas décadas atrás, ela possuía uma base larga e o topo estreito, indicando uma superioridade de crianças e jovens. Atualmente ela apresenta características de equilíbrio. Alguns estudiosos afirmam que, mantendo-se estas características, nas próximas décadas, o Brasil possuirá mais adultos e idosos do que crianças e jovens. Um problema que já é enfrentado por países desenvolvidos, principalmente na Europa.

    Mortalidade Infantil

    Embora ainda seja alto, o índice de mortalidade infantil diminui a cada ano no Brasil. Em 1995, a taxa de mortalidade infantil era de 66 por mil. Em 2005, este índice caiu para 25,8 por mil. Para termos uma base de comparação, em países desenvolvidos a taxa de mortalidade infantil é de, aproximadamente, 5 por mil.

    Este índice tem caído no Brasil em função, principalmente, de alguns fatores: melhorias no atendimento à gestante, exames prévios, melhorias nas condições de higiene (saneamento básico), uso de água tratada, utilização de recursos médicos mais avançados, etc.

    Outros dados da População brasileira

    - Crescimento demográfico: 1,17% ao ano (2000 a 2010) **
    - Taxa de natalidade (por mil habitantes): 20,40 *
    - Taxa de mortalidade (por mil habitantes): 6,31 *
    - Taxa de fecundidade total: 2,29 *
    - Estados mais populosos: São Paulo (41,2 milhões), Minas Gerais (19,5 milhões), Rio de Janeiro (15,9 milhoes), Bahia (14 milhões) e Rio Grande do Sul (10,6 milhões). **
    - Estados menos populosos: Roraima (451,2 mil), Amapá (668,6 mil) e Acre (732,7 mil). **
    - Capital menos populosa do Brasil: Palmas-TO (228,2 mil).**
    - Cidade mais populosa: São Paulo-SP (11,2 milhões). **
    - Proporção dos sexos: 48,92% de homens e 51,08% de mulheres. **
    - Vivem na Zona Urbana: 160,8 milhões de habitantes, enquanto que na Zona Rural vivem 29,8 milhões de brasileiros.**

    Fonte: IBGE * 2005 , ** Censo 2010 (http://www.suapesquisa.com/)

    Etnias no Brasil

    Pardos: 42,6%
    Brancos: 49,7%
    Negros: 6,9%
    Indígenas: 0,3%
    Amarelos: 0,5%

    Fonte: PNAD 2006


    filoparanavai 2011

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