sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Mídia_Seleções/Atualizações Agosto 2010

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ELEIÇÕES/NOVA PESQUISA

Dilma supera os 50% das intenções na pesquisa Ibope
Última atualização em filoparanavai 28.08.2010 18:15

A candidatura de Dilma Rousseff segue a marcha de crescimento sustentado nas pesquisas de intenção de votos e agora alcançou 51% (oito pontos a mais do que no levantamento anterior). Por outro lado, José Serra (PSDB) continua em queda, passando de 32% para 27%. Marina Silva (PV) oscilou de 8% para 7%.

A pesquisa foi encomendada pelo jornal Estado de S. Paulo e pela TV Globo.

Dilma abriu uma vantagem de 24 pontos percentuais sobre Serra. Na pesquisa anterior, eram 11 pontos. Contando os votos válidos, ela está com 59% das intenções. "A performance de Dilma já se equipara à de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2006. Na época, no primeiro turno, o então candidato petista teve 59% dos votos válidos como teto nas pesquisas", diz a reportagem do Estadão.
Ultrapassagem em SP

Assim como mostrou o Datafolha, Dilma já superou Serra no estado de São Paulo (42% a 35%) e atingiu o dobro das intenções de voto em Minas Gerais (51% a 25%). Estes são os dois estados com maior número de eleitores. Se surpreende o desempenho em redutos tucanos, a liderença de Dilma no Rio de Janeiro é impressionante: 41 pontos de frente em relação ao tucano (57% a 16%).

Todas as cinco regiões do país estão com Dilma na liderança da pesquisa Ibope. O destaque é o Nordeste com o triplo de votos do tucano (66% a 20%%). No Sudeste, ela vence por 44% a 30%, e no Norte/Centro-Oeste, por 56% a 24%. O cenário no Sul é o mais apertado: 40% a 35%. "Mas também entre os sulistas se verifica a tendência de crescimento da petista: ela subiu cinco pontos porcentuais na região, e o tucano caiu nove", afirma o Estadão.

Preferida entre as mulheres

Segundo o jornal, "com boa parte de sua propaganda direcionada à conquista do eleitorado feminino - dando destaque à possibilidade de uma mulher assumir pela primeira vez a Presidência -, Dilma cresceu mais entre as mulheres (nove pontos) que entre os homens (cinco pontos)".

A taxa de rejeição à candidata petista oscilou dois pontos para baixo, mas se mantem praticamente a mesma desde junho, próxima dos 17%. No caso do candidato tucano, 27% afirmam que não votariam nele em nenhuma hipótese.

Fonte: Estado de São Paulo via site dilma13

DEMO-TUCANOS DESESPERADOS PASSAM AO PLANO "B" = Baixaria
Baxaria = Situação em que os limites éticos, morais ou estéticos são desrespeitados

Opinião de Lucio Lopes, atualizada em filoparanavai 27.08.2010 07:41

Aliás, do "plano baixaria" eles entendem muito bem. Basta refrescar a memória histórica e não será difícil relembrarmos esta velha tática nas eleições passadas, desde mesmo aquela de 1989: contra Lula, a história do aborto, do sequestro, do mensalão, do dinheiro na cueca, etc. Ora, por detrás dos novos demo-tucanos está a velha elite de sempre - aquela que sempre preocupou-se com seu próprio umbigo em detrimento da maioria da população. A favor deles, uma meia dúzia de meios de comunicação que sempre estiveram ao serviço dos governos ditatoriais durante o Regime pós-64 e agora ao serviço dos interesses da minoria mais rica do país. Mas não subestimem a Internet. A democracia que eles querem para eles, eles não querem para a Rede Mundial Internet, foi assim que tentaram calar vários blogs nos últimos meses, graças a Deus sem o aval da Justiça. Hoje, o contraditório pode ser acessado e assim o cidadão pode ter elementos (muita informação) para formar uma opinião crítica muito bem embasada. Sem dúvidas, a internet é um dos diferenciais mais ricos destas eleições de 2010.

Entraremos no mês de setembro e, até o dia 03 de outubro, a velha turma irá forjar uma série de factóides com a única finalidade de atingir a líder absoluta e isolada em todas as pesquisas de intenção de voto. Mas em meio a tudo isso, há o que comemorar. Há uma esperança: O amadurecimento político da população brasileira, especialmente daqueles que habitam as grandes cidades. As duas eleições do torneiro mecânico são provas incontestes disto. O povo brasileiro tem a tendência de optar pelo projeto de desenvolvimento que aí está, e é verdade o fato de que ainda temos muito o que fazer para que o Brasil cresça com justa distribuição de suas riquezas, e Dilma parece mesmo ser a opção mais acertada. 500 anos de desgoverno democrático, não se corrige em 8 anos e o trem não pode sair dos trilhos se queremos sanar este prejuízo de séculos contra os da base da pirâmide. Mas eles, não vão aceitar esta opção de bom grado, irão utilizar-se de todos os meios sujos possíveis e não possíveis. Resta saber se com isso Serra ganhará mais votos ou irá perder ainda mais votos. Pode ser um tiro no pé, aquele tiro que de uma vez por todas sepulte e encolha os demo-tucanos reduzindo-os a uma meia dúzia de rançosos políticos. Quem viver verá. Vale a pena acompanhar o desbramento dos próximos capítulos.

Dilma abre vantagem e já lidera em SP, RS e PR
Última atualização em filoparanavai 26.08.2010 19:00
Pesquisa do Datafolha divulgada hoje mostra uma ampliação da vantagem de Dilma Rousseff e uma consolidação do cenário de uma vitória já no primeiro turno. Em relação ao levantamento do último dia 20, a candidata abriu 20 pontos percentuais de frente e passou de 47% para 49% das intenções de voto. José Serra (PSDB) caiu de 30% para 29%, e Marina Silva (PV) ficou estável em 9%.

Contando os votos válidos, Dilma tem 55% e venceria a eleição no dia 3 de outubro. Os eleitores que ainda não sabem em quem votar ou não responderam permanecem em 8%, e os votos brancos e nulos, em 4%. Encomendada pelo jornal Folha de S. Paulo e pela Rede Globo, a pesquisa tem margem de erro dois 2 pontos percentuais e foi feita nos dias 23 e 24, com 10.948 entrevistas em todo o país.

Liderança em SP e RS

Uma das grandes novidades foi a virada de Dilma em redutos eleitorais da oposição, como os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul. "Em São Paulo, Estado governado por Serra até abril e por tucanos há 16 anos, Dilma saiu de 34% na semana passada e está com 41% agora. O ex-governador caiu de 41% para 36%. Na capital paulista, governada por Gilberto Kassab (DEM), aliado de Serra, ela tem 41% e ele, 35%", diz reportagem da Folha de S. Paulo.

As constantes visitas aos gaúchos também renderam bons resultados a Dilma. Enquanto ela subiu de 35% para 43% no Rio Grande do Sul, o tucano José Serra caiu de 43% para 39%. "Quando se observam regiões do país, a candidata do PT lidera em todas, inclusive no Sul. Na semana passada, ela estava tecnicamente empatada com Serra, mas numericamente atrás: tinha 38% contra 40% do tucano", afirma a Folha de S. Paulo.

Rejeição aos tucanos

O cenário para um eventual segundo turno é de uma vantagem cada vez mais folgada de Dilma, de 19 pontos percentuais. Segundo o Datafolha, a candidata passou de 53% para 55%. Na contramão, Serra baixou de 39% para 36%.

Também positivo é o resultado na pesquisa espontânea. "Quando os eleitores não escolhem os nomes de uma lista de candidatos, Dilma foi a 35% contra 18% de Serra. No levantamento anterior, os percentuais eram 31% e 17%, respectivamente", afirma a Folha de S. Paulo.

Outro dado que mostra a consolidação da tendência favorável a Dilma é a taxa de rejeição do candidato do PSDB. Se a candidata é rejeitada por 19% dos eleitores, Serra tem 29%, acima dos 27% medidos na semana passada.

A pesquisa está registrada no TSE sob o número 25.473/2010.

Fonte: Agência Brasil e UOL

Em análise, Le Monde também dá vitória a Dilma
Em análise da campanha eleitoral no Brasil, o jornal Le Monde fala sobre a popularidade do presidente Lula e aponta a candidata petista Dilma Roussef como vitoriosa.

Última atualização em filoparanavai 26.08.2010 08:08


Esta não é a primeira vez que o correspondente do Le Monde no Brasil, Jean-Pierre Langellier, analisa a campanha eleitoral e o favoritismo da candidata Dilma Rousseff, 62 anos, a protegida de Lula, que, segundo as últimas pesquisas será provalvelmente eleita ainda no primeiro turno, no dia 3 de outubro.

A análise, longe de ser inédita, coincide com a divulgação de uma nova pesquisa do Instituto Datafolha. Segundo a sondagem, com 49% das intenções de voto, Dilma tem mais de 20 pontos percentuais de vantagem em relação ao rival, José Serra. Em um artigo de quase meia página, o jornalista do Le Monde volta a comentar o apoio decisivo dado pelo presidente Lula, que, depois de oito anos no poder, não pode disputar um terceiro mandato.

Mais uma vez, ele lembra que Lula deixa a presidência com um índice de popularidade de 80%, um feito histórico.

Fonte: RFI português


Jornal britânico vê Dilma com vitória nas mãos
Última atualização em filoparanavai 26.08.2010 21:43

O Financial Times publicou reportagem nesta quinta-feira (26) em que dá como praticamente certa a vitória de Dilma Rousseff (PT) na corrida ao Palácio do Planalto. O jornal britânico usa como parâmetro a pesquisa Datafolha desta quinta-feira que mostra a candidata governista com uma vantagem de 20 pontos percentuais (49% a 29%) ante o segundo colocado, o oposicionista José Serra (PSDB).

O jornal enaltece que ela construiu a liderança apoiada fortemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja popularidade chega a 79% de aprovação. A reportagam destaca ainda o fato de, mesmo no estado de São Paulo, governado por Serra até abril e onde ele esteve sempre à frente, Dilma agora tem vantagem.

De acordo com a nova pesquisa é a primeira vez que Dilma passa a frente de Serra em São Paulo com 41% contra 36% do tucano. A pesquisa mostra que se torna cada vez mais provável uma vitória em 3 de outubro, evitando a necessidade de um segundo turno.

Nesse cenário, ainda de acordo com o Financial Times, haveria continuidade das políticas econômicas e sociais no país pelos próximos quatro anos, por reduzir as chances de mudanças defendidas pelo candidato José Serra.

Fonte: redebrasilatual

Sensus amplia vantagem de Dilma para 17,9 pontos
Candidata do PT chega a 46% das intenções de voto e aumenta probabilidade de vencer eleições presidenciais no 1º turno

Última atualização em filoparanavai 24.08.2010 22:50

Nova pesquisa do instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e divulgada na manhã desta terça-feira (24), mostra que a corrida presidencial teve a liderança da candidata Dilma Rousseff (PT) aumentada, agora com 46% das intenções de voto. José Serra (PSDB) aparece em segundo com 28,1%, seguido de Marina Silva (PV), com 8,1% das preferência do eleitorado.

Todos os demais candidatos somados não atingiram 1% das intenções de votos – a estimativa inclui Plinio de Arruda Sampaio (PSOL). Eleitores indecisos e votos nulos ou brancos somam 16,8%.

Em caso de segundo turno, Dilma venceria com 52,9%, ante 34% de Serra. Nulos, brancos e indecisos somariam 13,2%.

Na pesquisa espontânea, em que a lista de candidatos não é apresentada aos eleitores, Dilma também aparece em primeiro lugar com 37,2% das intenções de votos. Ela é seguida por Serra, com 21,2% e Marina Silva, com 6%. Os demais candidatos também não somaram 1% dos votos.

A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi realizada entre 20 e 22 de agosto, ouviu duas mil pessoas em 136 municípios e foi registrada no TSE com o número 24.903/2010.

Progressão
No levantamento CNT/Sensus anterior, do início de agosto, a diferença era de dez pontos percentuais (Dilma com 41,6% e Serra com 31,6%). Marina tinha 8,5% dos votos. Desde então, outros institutos vêm mostrando expansão da vantagem da candidata governista. O Vox Populi mostrou 16 pontos, Datafolha, 17, e Ibope, 10 pontos, sempre em favor de Dilma.

Uma nova rodada de levantamentos deve ser divulgada até este fim de semana.

fonte: redebrasilatual


A mais nova pesquisa...
Primeira do DATAFOLHA depois do início da campanha eleitoral no rádio/tv
Última atualização no filoparanavai 22.08.2010 22:05

Datafolha: Dilma abre 17 pontos sobre Serra e venceria no 1º turno

Dilma Rousseff (PT), candidata governista à Presidência da República, dobrou sua vantagem sobre José Serra (PSDB) , e seria eleita no primeiro turno se as eleições fossem hoje.

Segundo pesquisa Datafolha, Dilma tem 47% das intenções de voto, seguido de Serra com 30% e Marina Silva (PV) com 9%. Na pesquisa anterior, a petista tinha 41% e o tucano 33%.

Essa pesquisa é a primeira realizada depois do início do do horário eleitoral gratuito. Entre os entrevistados 34% assistiram pelo menos uma vez ao horário eleitoral. Dilma tem 53% e Serra, 29% das intenções de voto entre esses espectadores.

Os outros candidatos não pontuaram. Os que votam em branco, nulo ou nenhum são 4%, e os indecisos, 8%. De acordo com a pesquisa, a candidata petista obteria 54% dos votos válidos, superando os 50% necessários para se eleger no primeiro turno.

Na pesquisa espontânea, Dilma tem 31%, Serra 17% e Marina 5%. Em relação a rejeição, Serra lidera com 27%, Dilma tem 20% e Marina 16%.

Em eventual segundo turno Dilma teria 53% contra 39% de Serra. Há uma semana, ela tinha 49% e ele, 41%.

A pesquisa Datafolha, encomendada pela Folha de S.Paulo, ouviu 2.750 pessoas de 20 a 22 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número de protocolo 24460/2010, no dia 16 de agosto.
fonte: RedeBrasilAtual

Repercussão Internacional

Para imprensa francesa, Dilma deve ser a nova presidente do Brasil
Atualizado no blog filoparanavai em 22 de Agosto de 2010 12:40
Por Leticia Constant da RFI - Radio France Internationale

Depois do jornal Libération publicar quinta - 19 um artigo sobre Dilma Rousseff e suas chances de vencer já no primeiro turno, sexta - 20 foi a vez do Figaro, de direita, e do católico La Croix, apresentarem a candidata de Lula como a sua provável sucessora.


Os jornais franceses, quando falam de Dilma Rousseff, relacionam sua ascensão fulgurante nas pesquisas de intenção de voto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A prova é a manchete do Figaro, de direita, que diz: Dilma surfa na popularidade de Lula. No centro do artigo, um lembrete: 78% dos brasileiros julgam a presidência de Lula como boa ou excelente, segundo o Ibope.
Comentando que José Serra está priorizando as necessidades da área da Saúde para tentar vencer, Figaro analisa que ele está apostando no tudo ou nada na campanha televisiva para angariar os votos dos brasileiros. E sua situação exige esta urgência, comenta o jornal, diante de uma candidata do PT que tem o apoio incondicional do presidente.

Como a distância entre os presidenciáveis aumentou para 11 pontos, as contas são feitas para Le Figaro: no Brasil, os votos nulos e em branco não contam, então, os votos válidos dariam 51% de vozes para Dilma, que poderia ser eleita desde o dia 3 de outubro.

Traçando o percurso da petista, Figaro bate na tecla: o peso de Lula na campanha é indiscutível. Como ele não pode se reeleger para um terceiro mandato, fez de tudo para mostrar Dilma como continuadora de sua política... para que o Brasil continue a mudar, como diz o slogan de sua campanha.

O mesmo tom é usado pelo diário católico La Croix, que anuncia: No Brasil, a protegida de Lula está bem colocada para sucedê-lo. Para o jornal, a forte popularidade de Lula priva a oposição de qualquer ângulo de ataque direto.

A menos de 50 dias do primeiro turno, o Brasil parece pronto a confiar as rédeas do governo a uma mulher, diz o jornal, destacando que o lado afetivo de Dilma também seduziu o eleitorado. A foto do artigo mostra Dilma acariciando o rosto de uma fotógrafa. Ela perdeu sua frieza e conquistou aos poucos o coração dos brasileiros, conclui La Croix, analisando que é esse lado afetivo que falta a José Serra.

Enfim, para o jornal francês, basta que Lula olhe nos olhos dos eleitores e peça para votarem em Dilma, que a vitória de sua protegida está garantida.






Adolescentes são aconselhados a baixar o volume de seus iPods
Última atualização em filoparanavai 22.08.2010 21:00

Os adolescentes usuários de iPod receberam recomendação para reduzirem o volume em seus tocadores de música, após um estudo realizado nos Estados Unidos constatar que os problemas auditivos entre os jovens haviam aumentado em quase 30 por cento nos últimos 15 anos.

O estudo publicado pelo Journal of the American Medical Association compara pesquisas nacionais do começo dos anos 90 e meados dos anos 2000. Cada uma delas incluía apenas alguns milhares de adolescentes com idade de 12 a 19 anos, mas sua composição foi determinada para representar todo o país.

Na primeira pesquisa, profissionais treinados constataram que cerca de 15 por cento dos adolescentes tinham certo grau de perda auditiva. Passados 15 anos, essa proporção havia crescido em um terço, para aproximadamente 20 por cento.

"Isso significa que em cada sala de aula existem alguns estudantes com problemas auditivos", disse o Dr. Josef Shargorodsky, pesquisador no Brigham and Women's Hospital, em Boston, à Reuters Health.

"Os adolescentes realmente subestimam o barulho a qual estão expostos. Muitas vezes o indivíduo não percebe, mas até mesmo uma ligeira perda de audição pode conduzir a diferenças em desenvolvimento de linguagem e aprendizado", explicou.

O estudo constatou que a maior parte da perda de audição era registrada em apenas um ouvido, mas que as dimensões da perda estavam se agravando.

Embora a perda seja em geral modesta, cinco por cento dos adolescentes tinham problemas mais pronunciados - uma alta de 50 por cento ante a pesquisa anterior.

Shargorodsky se declarou surpreso pelas novas constatações.

Ele disse que o melhor tratamento médico para infecções de ouvido -uma das causas comuns de perda de audição- deveria em tese ter conduzido a uma redução no número de casos.

Os pesquisadores não apontaram os iPods ou outros tocadores de música como causa do problema crescente.

Disseram que os motivos da alta eram incertos, já que os adolescentes declararam não haver mudanças quando questionados sobre exposição a ruídos (no trabalho ou lazer, por exemplo).

Alison Grimes, diretora da clínica audiológica do Ronald Reagan-UCLA Medical Center, em Los Angeles, disse que embora não esteja claro que a culpa é dos eletrônicos musicais, reduzir o volume e não ouvi-los continuamente seria ainda assim uma boa ideia.

fonte: redebrasilatual

Vox Populi mostra Dilma 16 pontos à frente do tucano José Serra
Atuzalizado em filoparanavai 10:05 18.08.2010

A candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje, de acordo com a pesquisa Vox Populi/Band/iG divulgada nesta terça-feira 17.08.

Dilma teria 45% das intenções de voto, contra 29% do presidenciável tucano, José Serra, e 8% da candidata do PV, Marina Silva. Para vencer a disputa no primeiro turno, a quantidade de votos válidos contabilizados por um determinado candidato deve ser superior à soma dos votos obtidos pelos demais concorrentes.

Os demais candidatos não atingiram 1% das intenções de voto, 5% declararam voto branco ou nulo e outros 12% se disseram indecisos. A pesquisa estimulada, que mostra os nomes dos candidatos para os entrevistados, foi feita entre os dias 7 e 10 de agosto, após o primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado pela Band no dia 5 de agosto.

O melhor desempenho de Dilma é na região Nordeste, e o pior é na região Sudeste. Em Pernambuco, ela teria 66% dos votos, contra 19% de Serra. Já o tucano tem seu melhor desempenho na região Sul e, o pior, no Nordeste. Em São Paulo, Estado que governou até abril, Serra teria 40% dos votos, contra 33% da petista.

O instituto entrevistou 3 mil pessoas em 219 municípios de todos os Estados, do Distrito Federal e excluindo Roraima. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 22.956/10. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.

Dilma também aparece na frente na pesquisa espontânea, com 32% das intenções de voto, ainda segundo a Vox Populi/Band/iG. José Serra aparece em segundo, com 18%, e Marina Silva em terceiro, com 5% das intenções de voto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não é candidato, foi citado por 3% dos entrevistados. Outros 6% disseram votar nulo ou branco e 34% não sabem em quem votariam.

Na última pesquisa Vox Populi, publicada em 22 de julho, a candidata petista tinha 41%, contra 33% de Serra e 8% de Marina. Outros 4% declararam votar em branco ou anular e 13% estavam indecisos.

fonte: site pt

PESQUISA IBOPE: DILMA 43% SERRA 32%
Se a eleição fosse hoje, DILMA seria nossa presidenta, diz IBOPE
Atualização em filoparanavai 22:33 16.08.2010

A candidata Dilma Rousseff (PT) aparece na frente na corrida pela Presidência da República, segundo pesquisa Ibope de intenção de voto divulgada nesta segunda (16). A petista aparece com 43% das intenções de voto contra 32% do adversário José Serra (PSDB). De acordo com o Ibope, em terceiro lugar está Marina Silva (PV), com 8%. No levantamento anterior do Ibope, divulgado no último dia 6, Dilma tinha 39%, Serra, 32%, e Marina, 8%.

Segundo turno
Em um eventual segundo turno entre Dilma e Serra, o Ibope apurou que a petista teria 48% e Serra, 37%. Nesse cenário, votariam nulo ou em branco 8% dos eleitores. Os que se disseram indecisos somam 7%. Na pesquisa divulgada uma semana antes, a petista tinha 44% e Serra, 39% em um hipotético segundo turno entre os dois.

Fonte: G1


Dilma muito perto de ganhar eleição no 1º turno

Última atualização em filoparanavai 15.08.2010

A candidata da Coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff, tem 41% das intenções de voto para presidente da República, revelou (sexta.13) pesquisa Datafolha divulgada pelo Jornal Nacional, da TV Globo. Dilma está 8 pontos percentuais à frente do adversário José Serra (PSDB), que tem 33%. Já a candidata Marina Silva (PV) tem 10% da preferência do eleitorado.

Segundo o Datafolha, faltam apenas 3 pontos percentuais para que Dilma vença a eleição no primeiro turno. Ela lidera a corrida presidencial segundo as sondagens dos quatro principais institutos do país: Ibope, Sensus, Datafolha e Vox Populi.


As intenções de voto em Dilma subiram 5 pontos percentuais em relação à última pesquisa Datafolha, divulgada em 24 de julho, enquanto José Serra perdeu 4 pontos. Naquele levantamento, Dilma tinha 36% das intenções de voto e estava, portanto, um ponto percentual atrás de José Serra.

Num eventual segundo turno, Dilma venceria a eleição com 49% dos votos dos eleitores. Serra teria 41%. O Datafolha ouviu 10.856 pessoas entre os dias 9 e 12 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.


Dilma comenta pesquisas

A candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff, classificou hoje as pesquisas eleitorais como um “retrato da conjuntura”, embora a vantagem de 8 pontos percentuais sobre o adversário José Serra (PSDB), revelada sexta 13, pelo Datafolha, indique, segundo ela, que sua campanha está no caminho certo. Para Dilma, além disso, as pesquisas de intenção de voto não dão “nenhum outro indicador”.

“A eleição é no dia 3 de outubro, quando, de fato, o povo faz sua manifestação democrática”, ponderou Dilma em entrevista coletiva neste sábado. “Para ganhar eleição, não é pesquisa que importa. O que importa é a gente se esforçar ao máximo para comunicar o programa que nós desenvolvemos, de continuidade e aprofundamento do governo Lula, e discutir cada vez mais com a população através deste contato pessoal, extremamente afetivo com a população.”

Para Dilma, a vantagem sobre os adversários, retratada nas pesquisas de intenção de voto, não fará sua campanha subir no salto alto. “Não vamos correr esse risco”, garantiu a candidata, para quem salto combina “autossuficiência e soberba”.

fonte: Brasil Atual

ELEIÇÕES 2010



Mulheres vão decidir eleições 2010


O voto feminino será decisivo no resultado das eleições deste ano. Um levantamento divulgado no dia 20 de julho pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que as mulheres representam 51,8% da população votante – o equivalente a 70,3 milhões de mulheres. Em 2006, esse percentual era de 51,6%.

Rondônia, Mato Grosso, Roraima e Pará são os únicos estados onde os homens são maioria. O Distrito Federal e o Rio de Janeiro são os que apresentam os mais altos percentuais de mulheres eleitoras, 53,6% e 53,2%, respectivamente. Além disso, a pesquisa revela que a maior parte do eleitorado é formada por mulheres entre 25 e 34 anos.

Mulheres no poder
Mesmo com o crescimento de eleitoras, o número de candidatas ainda é muito pequeno: somente 21,1% das candidaturas são femininas. Atualmente, apenas 11% das mulheres ocupam Assembléias Legislativas e governos estaduais, 8% a Câmara dos Deputados e 14% o Senado Federal, o que demonstra claramente um índice baixo de mulheres nos espaços de poder.

Fonte: www.mulherescomdilma

ELEIÇÕES 2010

DE OLHO NA CAMPANHA ELEITORAL

Quando você vota em político corrupto e que, por sua vez, vota contra o povo, você torna-se eticamente cúmplice pelas mortes nos corredores dos hospitais, pela violência que mata na cidade e no campo, pela má educação oferecida em nosso país às nossas crianças e etc. O VOTO é coisa séria.

Ao votar no dia 03 de outubro, anote bem o nome de seu candidato eleito, do partido dele, e o fiscalize, o cobre, por todos os meios possíveis.

Não vote em branco e nem anule seu voto. Ao fazer isto, você indiretamente escolheu os piores políticos para decidirem por você. Pior, você não tem nem como fiscalizá-los, pois se quer sabe quem são eles.

Os eleitores brasileiros merecem uma campanha eleitoral que nos possibilite um amplo conhecimento das reais propostas dos candidatos para um possível governo, se eleitos. Mas, na maior parte do tempo, é deprimente o que alguns candidatos fazem: recorrem a mentiras querendo vender aquilo que não fizeram e/ou aquilo que não são. Pior mesmo, é quando partem para táticas que querem somente denegrir a moral e/ou boa fama de seus opositores.

Soma-se a tudo isto as manipulações de números por meio de Institutos de Pesquisas - como o caso do Ibope que apresentou duas pesquisas seguidas com números discrepantes e como no caso dos grandes meios de comunicação que de imparciais não têm nada, quando se trata da cobertura jornalística.

Isto é lastimável. Escolhermos com critérios claros nossos futuros governantes e utilizarmos todos os meios possíveis para ficalizá-los em seus mandatos e cobrá-los, esta é nossa tarefa como cidadãos e sobretudo, como eleitores.

Precisamos renovar especialmente o SENADO brasileiro. O Senado é a Instituição onde estão os políticos mais conservadores do país. Com mandatos de 8 anos, uma vez reeleitos lá ficam por no mínimo 16 anos. Alguns só deixam a cadeira quando morrem.

No Senado são barradas muitas das Leis de interesse de todo o conjunto da população e que demandam um imenso tempo de discussões até suas aprovações pelo Plenário da Câmara do Deputados. Menor número de integrantes, maior pressão de organizações como CNBB, organizações ligadas a outras confissões cristãs que não católica; OAB, organizações rurais (Agronegócio) e outras... Sempre em detrimento dos interesses da Maioria e das Minorias do conjunto total da população brasileira. É necessário renovarmos o Senado e especialmente optarmos por homens e mulheres (candidatos (as)) com histórico e compromisso com todo o conjunto da sociedade brasileira.

Temos, pelo menos, esperanças reais e latentes, de que o Senado poderá ser renovado, em parte, já, nesta Eleição do dia 03 de outubro de 2010:

No Estado do Paraná, uma mulher, de biografia comprometida com as causas sociais: Gleisi Hoffmann, é candidata pelo Partido dos Trabalhadores ao Senado.


Em São Paulo, uma outra mulher que fará grande diferença no Senado, Marta Suplicy, também é candidata pelo PT.

O Rio grande do Sul terá como candidata, ao Senado, Abgail Pereira, do PCdoB.

Os Catarinenses poderão eleger uma Governadora, mulher nota 10, a Senadora Ideli Salvatti, pelo PT.

Os brasileiros e brasileiras, poderão eleger a primeira presidenta do país, Dilma Rousseff, do PT.

Ou, Marina Silva, pelo PV, também candidata à Presidência.

Não porque são mulheres, no Senado já temos algumas: Fátima Cleide PT/RO, Marina Silva PV/AC, Ideli Salvatti PT/SC, Patrícia Saboya PDT/CE e Serys Slhessarenko PT/MT (todas com mandato em final 2011). Há outras senadoras, mas não desempenham um papel que mereça destaque, quando é levado em conta a atuação em defesa dos interesses que contemplem todo o conjunto da socidade.

Cuidar para que o país (presidência) não volte às mãos dos "exterminadores do futuro" neoliberais da época de FHC;

Renovar o conservador Senado para que os direitos humanos avancem no Brasil;

Renovar a Câmara Federal e as AssembleiAS Legislativas, evitando votar em Empresários e Latifundiários, ocupados apenas dos interessses dos patrões e dos que detêm o poder econômico no país;

Eleger governadores comprometidos com o projeto de desenvolvimento para o país, implementado pelo governo Lula;

Este é o desafio que cabe aos brasileiros e brasileiras no dia 03 de outubro.


Direitos Humanos

“Luta contra tortura prossegue na OEA”. Entrevista com Hélio Bicudo


Por Ana Helena Tavares
Mais do que um dos maiores juristas do Brasil, Hélio Pereira Bicudo é uma lenda viva na luta pelos direitos humanos. Nos anos 1970, auge da repressão política, ele denunciou, como procurador de Justiça, o “Esquadrão da Morte” — enfrentando, entre outros, o temido delegado Sérgio Paranhos Fleury. Aos 87 anos, ele publica com frequência, em seu blog, breves ensaios em que aborda não apenas liberdades civis, mas temas como o direito à água, os aspectos jurídicos relacionados ao tráfico de órgãos e a luta contra a desumanidade nas prisões brasileiras. Também enriquece o twitter.

“No momento em que estamos conversando, com certeza em algum lugar do Brasil está sendo praticada a tortura”, lembrou Bicudo nesta entrevista exclusiva sobre a recente decisão do STF de manter impunes os torturadores da ditadura. Para ele, trata-se de uma decisão absolutamente equivocada, que estimula a continuidade das sevícias contra prisioneiros comuns e pode abrir caminho, em outras condições, para a própria volta da tortura contra adversários políticos.

A Lei de Anistia precisa ser revisada?

É, muito mais, uma questão de mudança da interpretação. O texto da Lei de Anistia, não permite que os torturadores fiquem impunes, muito pelo contrário. Não acho que haja necessidade de modificar o texto. Basta aplicá-lo como ele é, segundo uma interpretação jurídica e não ideológica.

Alguns dos que votaram pela impunidade no STF– incluindo o relator, ministro Eros Grau, que foi torturado na ditadura – referiram-se à ação dos torturadores como “crimes conexos”. A Lei de Anistia impediria puni-los. Como o senhor interpreta isso?

É lamentável que um juiz da Suprema Corte não saiba o que são realmente delitos conexos. Quando a lei usa um termo técnico, como é no caso – “crime conexo” é um termo técnico em direito penal –, é preciso saber qual sua definição. Os “crimes conexos” são aqueles cujas finalidades são as mesmas do ato principal praticado. Por exemplo, um ladrão entra na sua casa, rouba, e, para evitar que existam provas, incendeia a casa. São dois crimes conexos: o roubo e o incêndio da casa. Há uma identidade de fins: a finalidade era roubar e não ser punido.

Mas se o ladrão entra na casa, rouba, é preso e depois morto pela polícia, não há nenhuma ligação entre um fato e outro, do ponto de vista das suas finalidades. Num, o ladrão queria roubar. No outro, o policial mata o ladrão. Então, você não pode dizer que há conexidade nestes dois casos, pois as finalidades de um e de outro crime são diferentes. É como nesse caso da Anistia. Os opositores do regime cometeram crimes que a lei diz que, depois de algum tempo, não podem ser punidos. Mas se trata de crimes praticados contra o Estado repressor. Ideologicamente, eles não têm nada a ver com os crimes praticados pelos agentes do Estado.

Pode-se dizer, então, que a diferença básica é a finalidade?

Exatamente. A finalidade dos crimes praticados pelas pessoas que eram contrárias ao regime era política. Os crimes praticados pelos agentes do Estado não têm finalidade política. São crimes contra a humanidade e, por esse motivo, imprescritíveis. Quando a Lei de Anistia fala em “crimes conexos”, você não pode interpretar a conexidade senão de um lado e de outro. Quer dizer, você pode ter pessoas que cometeram crimes contra o Estado conexos entre si, mas você não pode ligar estes crimes aos cometidos pelos agentes do Estado para beneficiar a si próprios. Ou seja, os agentes do Estado agem por outra finalidade. No caso, para manter a ditadura.

Alguns juristas e políticos alegam que uma revisão da Lei de Anistia poderia abalar a estabilidade democrática do país, baseada num “pacto de conciliação”. Quebrá-lo seria “revanchismo”. Na sua opinião, esse “ pacto” encontra algum respaldo jurídico e social?

Não houve pacto algum. É um absurdo falar em “conciliação” quando os militares detinham o poder Executivo e o comando do Legislativo. Havia dois partidos, Arena e MDB – o primeiro, o povo chamava de “o partido do sim”, o segundo de “o partido do sim senhor”. Quer dizer, num contexto como esse, você não pode encontrar consenso da sociedade civil com relação à lei que foi promulgada.

O artigo 5º da Constituição reza, em seu inciso XXXVI, que “a lei não prejudicará o direito adquirido”. Já vi juristas usarem este argumento como forma de defender a inconstitucionalidade de uma revisão da Lei de Anistia. Argumentam que a lei não pode retroagir em prejuízo do acusado. Isso é aplicável ao caso?

Não é aplicável, porque existem tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário, que dizem que os crimes contra a humanidade são imprescritíveis. Veja bem: não são crimes que se esgotam naquele momento. O homicídio se esgota, mas outros crimes não, como, por exemplo, o sequestro. Você tem pessoas que despareceram e até hoje não se sabe seu paradeiro. Podem ter sido mortas, mas você precisa provar que elas foram mortas para desaparecer o crime de sequestro. É um crime continuado: persiste no tempo. Foi praticado ontem, continua existindo hoje e continuará amanhã. Não existe prescritibilidade desses crimes.

Alguns juristas alegam que, por a Lei de Anistia ser questão exclusivamente brasileira, ocorrida em território nacional, a competência da Suprema Corte é absoluta e a das cortes internacionais, nenhuma. Qual sua posição?

Em 1998, o Brasil reconheceu a jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ela não tem o poder de revogar a decisão do STF. Mas, desde o momento em que o Brasil reconheceu a jurisdição, tem que se submeter à Corte. Porque reconheceu de boa fé, não foi obrigado a isso. Esse reconhecimento vale para todos os crimes que forem a julgamento pela Corte Interamericana e forem imputados ao Brasil. Acho que a Corte Interamericana, de acordo com a sua jurisprudência e conforme já julgou com relação a outros Estados, mostrará que não existe auto-anistia.

Porque o que se busca hoje no Brasil é o reconhecimento da auto-anistia. Um governo que cometeu crimes pode anistiar a si próprio? Isso não existe! Anistia existe para proteger pessoas que num dado momento, por motivos políticos, cometeram crimes. Para pacificar a sociedade, você considera este crimes inexistentes. Mas não os crimes praticados pelo Estado. Isso já se constituiu numa jurisprudência pacífica da Corte Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos. Não tenho dúvida nenhuma de que a corte vai condenar o Estado brasileiro. Não pela manutenção de uma lei — mas pela interpretação errada dada a ela pela justiça brasileira, que vem acudindo os torturadores e aqueles que, a serviço do Estado, eliminaram pessoas durante o período da ditadura militar.

Caso a Corte Interamericana condene o Brasil, quais são os caminhos legais para que a interpretação atual dada à lei de Anistia seja revertida?

Quem pode mudar uma decisão do STF? Só o próprio STF. No caso de uma condenação pela Corte Interamericana, penso que o Ministério Público Federal terá que atuar, fazendo com que esse processo surta efeito no Brasil. A corte não aplica sanções. Caso o Brasil não cumpra uma decisão, ela relata esse fato à Assembléia Geral dos Estados Americanos. Esta, sim, pode punir os países-membros com sanções. Ou pode não punir, porque a OEA é um órgão eminentemente político. De qualquer maneira, acho que a situação do Brasil no que diz respeito aos direitos humanos na área internacional vai ficar muito ruim. Como é que fica o STF? É está agindo contra os direitos humanos e isso poderá ter consequências futuras.

Há algum caso precedente em que o STF reviu uma decisão adotada por si próprio?

Nunca aconteceu. O STF nunca reverteu uma decisão; mas também nuca teve, contra si, ação numa corte internacional. Possivelmente, o precedente terá de ser criado agora.

A eventual manutenção do entendimento do STF poderia contribuir para tornar a tortura prática corriqueira no Brasil?

Acho que sim. No momento em que estamos conversando, com certeza a tortura está sendo praticada em algum lugar do Brasil. Temos lei específica contra a tortura, adotada na década de 1990 mas até hoje na gaveta. A punição dos torturadores da ditadura seria muito positiva para enfrentar esta prática.

Mas ela é importante também por motivos políticos. Uma sociedade que se diz contra a tortura, mas não pune quem a pratica, está se expondo a riscos. Se, num momento político qualquer, houver restrições à democracia – ou distorções, como as que estão presentes em alguns países da América Latina – haverá mais possibilidades de a tortura contra adversários políticos também voltar, porque criou-se a cultura de impunidade.

Observadas as diferenças contextuais, o senhor, conhecido como o homem que revelou e denunciou o “Esquadrão da Morte”, acha que as polícias militares estão preparadas para exercer o policiamento ostensivo?

Não estão. Elas são absolutamente repressivas. Isso vem da própria constituição das corporações, que não é são civis. Estão presas, em seu planejamento, às determinações do exército. Agem na rua como se estivessem numa guerra. O indivíduo é um marginal e o marginal tem que ser morto. É a lei da eliminação. É o que está acontecendo em São Paulo, por exemplo, com o aumento de homicídios pela PM de cerca de 40%, com relação ao ano passado.

Há cerca de uma ou duas semanas, neste Estado, um civil foi morto por policiais militares dentro de um quartel. Simplesmente levaram o rapaz lá para dentro e mataram. Um outro foi morto a pancadas na frente de sua casa e diante da mãe. Foi em dias diferentes. Eram dois motoboys, que não estavam armados; dois trabalhadores que foram mortos. Agora vamos ver se as pessoas serão processadas e punidas de acordo com a lei. Tenho minhas dúvidas…

Como enfrentar esta truculência policial?

Enquanto não se transformar a polícia num organismo civil, com carreira única e com profissionalismo policial, termos o que está acontecendo hoje em São Paulo e no Brasil. Essa truculência é herança da ditadura.

Quer dizer, ainda há no Brasil figuras que se assemelham ao delegado Fleury?

Há sim. Basta observar que há, nos grupos de extermínio, muitos policiais militares.

Publicado no site Outras Palavras, Junho.2010
fonte: http://www.fpabramo.org.br/


Violência contra a Mulher
A Cultura Machista engendrada na Cultura Brasileira e, que tem suas raízes no senso religioso de matriz judaico-cristão, desde a Moral Judaica assimilida pelo Cristianismo e, que coloca a Mulher sempre em um Plano relacional profundamente desigual frente ao homem, está no núcleo reprodutor de todas as formas de violências contra a Mulher. O Brasil vive um momento histórico em que a Violência Física - espancamentos e assassinatos - contra mulheres, tem tomado dimensões assustadoras. A reflexão postada abaixo pode ajudar e muito, a tratar este tema com uma sempre maior e renovada atitude crítica.


Uma em cada quatro mulheres sofre violência doméstica no Brasil
última atualização 17.07.10 (filoparanavaí) fonte: Agência Brasil

Uma pesquisa realizada pela organização não governamental (ONG) Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (Cohre), intitulado Um Lugar no Mundo, constatou que uma em cada quatro brasileiras sofre com a violência doméstica. A cada 15 segundos, uma mulher é atacada no Brasil.

Ainda segundo a pesquisa, as vítimas de violência doméstica na América Latina se submetem aos maus-tratos porque não dispõem de condições financeiras para sobreviver sem a ajuda dos companheiros, maridos e namorados. No Brasil, 24% das entrevistadas disseram que, apesar das agressões que sofrem, não se separam porque não têm como se sustentar.
O estudo, divulgado nesta sexta-feira, mostra que, na América Latina, os índices de violência doméstica são elevados. A pesquisa informa que, na região, de 30% a 60% das mulheres sofreram agressões.

Dependência econômica

O relatório analisa a questão da violência contra a mulher no Brasil, na Argentina e na Colômbia. Nesses países, o estudo informa que a “falta de acesso a uma moradia adequada, incluindo refúgios para mulheres que sofrem maus-tratos, impede que as vítimas possam escapar de seus agressores". Segundo o documento, “a dependência econômica aparece como a primeira causa mencionada pelas mulheres dos três países como o principal obstáculo para romper uma relação violenta”.

No Brasil, 70% das vítimas de violência foram agredidas dentro de casa e, em 40% dos casos, houve lesões graves. Das mulheres assassinadas no país, 70% sofreram agressões domésticas. A ONG informa ainda que esses problemas afetam, principalmente, as mulheres pobres que vivem em comunidades carentes.

A maior parte das vítimas não exerce atividades profissionais fora de casa. No Brasil, 27% das entrevistadas disseram que se dedicam ao lar. Na Argentina e na Colômbia, 25% das mulheres se declararam como donas de casa. Algumas delas afirmaram que não têm outras atividades profissionais por desejo dos maridos, companheiros e namorados.

Obrigações dos governos

O relatório, de 50 páginas, não especifica a quantidade de mulheres entrevistadas, mas informa ter conversado com dezenas de mulheres, vítimas de violência doméstica, nas cidades de Porto Alegre (Brasil), Buenos Aires (Argentina) e Bogotá (Colômbia).

“O direito à moradia adequada ultrapassa o direito de ter um teto sobre sua cabeça. É o direito de viver em segurança, em paz e com dignidade. É obrigação do governo assegurar esse direito às vítimas de violência doméstica", disse a responsável pelo setor de Peritos sobre as Mulheres da ONG Cohre, Mayra Gomez. “Por muito tempo, a relação entre violência doméstica e direito à habitação tem sido negligenciada pelos políticos. É tempo de os governos da América Latina corrigirem este erro.”



Direitos Humanos
20 anos da resolução em favor da livre orientação sexual

Radis nº 95 – Julho de 2009 - última atualização filoparanavai 11/07/10

Completou 20 anos, (foi exatamente no dia 17 de Maio) a decisão da Assembleia Mundial da OMS de retirar a homossexualidade da lista de doenças mentais do Código Internacional de Doenças. Foi definido também, na época, que o substantivo homossexualismo seria substituído por homossexualidade, já que o sufixo ismo remete a enfermidade em um de seus significados. Em referência à libertária resolução, nessa mesma data é comemorado o Dia Internacional do Combate à Homofobia.


No Brasil, a luta por uma mudança no modo de encarar a orientação sexual teve um marco antes disso, em 1975, quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP) brasileiro deixou de considerar a homossexualidade como desvio sexual, informou o Correio Braziliense (16/5). Em 1999, o CFP baixou determinação para reforçar o tom e estabelecer regras para a atuação dos psicólogos em relação à orientação sexual. “Foi um momento histórico e importante, com outras decisões, para proteger os direitos humanos. Os 16 conselhos regionais referendaram a decisão e os movimentos dos homossexuais fizeram grandes manifestações de apoio”, disse ao jornal Ana Bock, então presidente do CFP e responsável por assinar a resolução que criou as normas.

DIGA NÃO, Já basta!
Pelo FIM de todas as formas de preconceitos!

Hoje, 76 países ainda criminalizam pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais ou transgênero), e outras cinco nações — Irã, Arábia Saudita, Iêmen, Nigéria, e Uganda — punem com pena de morte, contabilizou, no mesmo jornal, o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), Toni Reis.

Redução da mortalidade infantil

Radis nº 95 – Julho de 2009 - última atualização filoparanavai 11/07/10


Em 20 anos, a taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu 61,7% — em 1990, havia 52,04 mortes por mil nascimentos; em 2010, esse número passou a 19,88/mil, informou a BBC Brasil (25/5). Com isso, o Brasil subiu nove posições no ranking internacional de mortalidade infantil nas duas últimas décadas, estando a caminho de cumprir uma das Metas do Milênio da ONU — diminuir a mortalidade infantil em dois terços até 2015. De acordo com O Estado de São Paulo (24/5), apesar do esforço, o Brasil está em 90º lugar no ranking, com número mais alto de mortes na faixa etária de 0 a 5 anos do que o encontrado em países como Islândia (2,6), Suécia (2,7) e Chipre (2,8). Na Itália, o número é de 3,3, na Noruega, de 3,4, e, na França, de 3,8. O Brasil também perde em comparação com outros países em desenvolvimento, como Chile (6,48), Cuba (5,25), China (15,4), México (16,5), Colômbia (15,3) e Argentina (12,8).

Os países com maior índice de mortalidade do mundo são Nigéria (168,7), Guiné-Bissau (158,6), Niger (161), Máli (161) e Chade (114,4). Os dados são de estudo publicado na revista médica The Lancet.

A análise de dados, realizada pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington, aponta que a taxa de mortalidade entre as crianças com menos de cinco anos de idade em todo o mundo é mais baixa do que a estimada pelo Unicef em 2008. Estudos anteriores destacaram que menos de um quarto dos países estava no caminho de cumprir a meta da ONU, mas este novo estudo indica que o número de mortes na faixa etária diminuiu em 4,2 milhões de 1990 até 2010, caindo de 11,9 milhões para um número estimado em 7,7 milhões.

Uma em cada sete mulheres já fez aborto
Radis nº 95 – Julho de 2009 - última atualização filoparanavai 11/07/10

Uma em cada sete brasileiras (15%) já fez pelo menos um aborto. Entre aquelas na faixa dos 35 aos 39 anos, o índice sobe para 22% (uma em cada cinco). Os dados são da Pesquisa Nacional de Aborto, que entrevistou cerca de 2 mil mulheres entre 18 e 39 anos de todo o país — cerca de 60% das entrevistadas afirmaram ter abortado durante período reprodutivo, de 18 a 29 anos, segundo informações da Agência Estado (22/5). Os dados revelam que, ao contrário do que diz o senso comum, a decisão de interromper a gravidez não é restrita a adolescentes ou mulheres mais velhas, evidenciando-se no auge do período reprodutivo. Em declaração à revista Veja (22/5), a antropóloga Debora Diniz, da Universidade de Brasília e principal autora do estudo, informou que a maioria é de mulheres casadas, religiosas, com filhos e baixa escolaridade. “Elas já têm a experiência da maternidade e tanta convicção de que não podem ter outro filho no momento que, mesmo correndo o risco de serem presas, interrompem a gestação”.

Medicamentos abortivos foram usados em metade dos casos pesquisados. É provável que para a outra metade das mulheres a interrupção da gravidez tenha ocorrido em condições precárias de saúde, aponta o estudo. Houve internação de 55% das mulheres, por causa de complicações. “Se o aborto seguro fosse garantido, isso seria evitado”, defendeu Debora Diniz, no Estado de São Paulo. “Os dados reafirmam a opinião já consolidada no Ministério da Saúde de que aborto é uma questão de saúde pública”, diz Adson França, assessor especial do ministro José Gomes Temporão. “Mostra que estamos no caminho certo ao ampliar a oferta de métodos contraceptivos no SUS”.





arquivo/NOTÍCIAS

Ideb sobe para 4,6 e aponta melhoria na educação pública
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49% dos universitários brasileiros já usaram drogas ilícitas, diz estudo
Quase um quinto dos brasileiros exagera na bebida, diz ministério
Curitiba é a terceira capital com mais fumantes no país
Alheio à crise, setor militar mundial gasta US$ 1,5 tri em 2009
Apreensões de cocaína no Brasil crescem 21% em 2008, diz ONU

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(Notícias Gerais Junho 2010)
ELEIÇÕES 2010
NOVA PESQUISA
Pesquisa Ibope mostra Dilma e Serra empatados em 37%
EM OUTRA, PESQUISA CONFIRMA TENDÊNCIA DE CRESCIMENTO
DILMA ABRE TRÊS PONTOS SOBRE SERRA
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Crimes da ditadura brasileira são julgados na Costa Rica.
ÉTICA E FILOSOFIA
FILOSOFIA MORAL E DIREITOS HUMANOS
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DIREITOS HUMANOS: AVANÇO POSITIVO NA AMÉRICA LATINA
Deputados argentinos aprovam lei que permite casamento gay

Lugar de livro não é só na biblioteca:ferramenta importantíssima para o acesso ao conhecimento.
Frase de Monteiro Lobato: "um país se faz com homens e livros". Para ele, essa ideia pode ser ampliada. “Um país se faz com homens, mulheres, crianças, com livro e com leitura”.

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domingo, 22 de agosto de 2010

Há 15 anos, o adeus de Florestan Fernandes. Uma homenagem ao Sociólogo Florestan, um dos heróis da Democracia Brasileira.

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FLORESTAN FERNANDES

atualizado em filoparanavai em 22.08.2010 12:15
Em 10 de agosto de 1995, falecia, aos 75 anos de idade, Florestan Fernandes.

Sociólogo considerado um dos mais notáveis intelectuais brasileiros, Florestan uniu com maestria a excelência acadêmica à atuação política. Defensor apaixonado da educação pública, sempre próximo dos movimentos sociais, foi eleito deputado federal duas vezes pelo PT.

Teve, ao longo de toda a vida, intensa atividade acadêmica. Quando, crítico do Regime militar, foi afastado da USP pela ditadura em 1969, seguiu lecionando e produzindo em universidades como as estadunidenses Yale e Columbia.

Hoje, nas suas mais de 50 obras publicadas, vive como exemplo de pensamento e militância.

Nestes quinze anos de sua partida, neste mesmo mês de agosto, o Blog FILOPARANAVAI celebra o pensamento e a história de Florestan Fernandes com uma entrevista da Revista Teoria e Debate do ano de 1991.


Memória : Entrevista - Florestan Fernandes
Teoria e Debate nº 13 - janeiro/fevereiro/março 1991
publicado em 11/04/2006


Engraxate, balconista, vendedor, ele superou as dificuldades da origem humilde e se tornou um dos intelectuais mais respeitados do País. Neste depoimento, sua vida, opiniões e militância.

por Paulo de Tarso Venceslau*

Oito horas de gravação passaram como se fossem segundos. Foi o tempo que durou a entrevista com o mestre e companheiro Florestan Fernandes para Teoria & Debate. As respostas são sempre precedidas de explicações capazes de situar os mais leigos no contexto histórico ou teórico necessário para seu bom entendimento. Tudo feito com muita humildade e simplicidade. Pode-se discordar de sua opinião, mas ninguém é capaz de questionar o conteúdo de suas observações.

Trabalhador intelectual que estudava nas praças públicas e nos bondes de São Paulo, arrimo de família, o professor Florestan desenvolveu uma carreira brilhante. O menino de rua virou doutor respeitado internacionalmente pelas obras e pesquisas realizadas no campo das Ciências Sociais. O intelectual engajou-se na política, mas não permitiu que seu trabalho fosse desvirtuado por sua opção ideológica.


Militante trotskista, foi convidado a dirigir uma organização guerrilheira durante a ditadura militar. Recusou educadamente, após longa explanação sobre a inconveniência da proposta de se partir para a luta armada na conjuntura daquela época. Sua trincheira era a universidade onde resistiu à repressão, mesmo quando ameaçado e preso.

Reeleito deputado federal no ano passado, Florestan expõe aqui dúvidas e críticas que certamente contribuirão para fortalecer o Partido dos Trabalhadores.

Professor, diante da crise que vive hoje o socialismo, o que precisaria ser revisto?
Os processos históricos precisam ser aceitos com objetividade. Não adianta nada nós pretendermos moldar a sociedade de acordo com as ideologias, com as utopias, e muito menos com aquilo que cada pessoa considera como sendo o mais importante, o mais desejado. Os agentes históricos, ao conquistarem sua auto-emancipação coletiva, escolherão os rumos e a forma da nova sociedade. Eu sou socialista, portanto acredito que nós vamos construir uma sociedade socialista, que deverá começar com uma democracia da maioria, atingir a igualdade com liberdade e desenvolver todos os elementos fundamentais da personalidade humana. Trata-se de um socialismo que defende um humanismo — uma síntese, uma superação de todas as outras formas de humanismo anteriores.


Isto, nos anos 60, foi polêmico: os agrupamentos marxistas-leninistas refutavam qualquer vinculação do marxismo com o humanismo. Essa polêmica não passou por Marx, Engels e nem pelos principais teóricos do marxismo, até Gramsci. Basta ler os Ensaios econômicos e filosóficos de Marx para ver qual é o nível de profundidade do marxismo. Se o movimento comunista é visto como um movimento social que visa alterar o atual estado de coisas e extinguir a alienação, a brutalização, a objetificação dos trabalhadores, então ele é um movimento por um novo humanismo. Não um humanismo espiritualista ou retórico, mas daqueles que acreditam que os trabalhadores podem ser agentes históricos; construir os padrões de vida e moralidade dentro dos quais vão viver, gerir a sociedade de uma maneira igualitária. Isso define um humanismo em um nível profundo, liga o indivíduo à sua personalidade, cultura, sociedade e história. Não é apenas uma manifestação filosófica, metafísica e muito menos religiosa: é um humanismo que pretende extinguir os fatores que impedem o total desenvolvimento da pessoa.

O senhor teve alguma formação religiosa?
Tive. A minha família é de origem portuguesa e é difícil divorciar o português do catolicismo, especialmente portugueses do Norte. Essa área de Portugal ficou vinculada à dominação católica mais conservadora que se possa imaginar. O clero daquela região é muito conservador.

Sua mãe era portuguesa?
Ela é portuguesa. Está viva, com mais de 92 anos. Apesar de não ir à missa com freqüência, ela sempre cumpria as obrigações religiosas e me forçou a fazer o catecismo na igreja do Cambuci e a primeira comunhão. Mas, na medida em que fui aprofundando o estudo de ciências sociais, fui me afastando da religião. Além disso, minha vida não facilitava o crescimento da fé, porque sofri muitas privações na infância. Tive de começar a trabalhar com 6 anos e ficava afastado de casa de oito até dez horas por dia.

Que trabalhos eram esses?
Com 6 anos, eu só podia fazer pequenas tarefas, como, por exemplo, limpar as costas de fregueses em barbearias para ganhar gorjetas. Uma vez uma senhora me pediu para transportar uma caixa de mangas da Estação da Luz até a rua Treze de Maio. Imagine se há humanidade ou sentido cristão nesse tipo de trabalho! Ganhei quatrocentos réis para fazer isso. Eu fazia todo tipo de coisa até descobrir que ser engraxate era uma coisa boa para mim. Trabalhei em açougue, marcenaria, alfaiataria, padaria, restaurante, bar, até que fui trabalhar na Novoterápica. Nesse ínterim consegui acabar o curso de madureza — não havia terminado o primário. O curso primário eu fiz um pouco em uma escola privada na avenida Celso Garcia, perto da casa da minha madrinha. Depois minha mãe me tirou de lá e fui para o Grupo Escolar Maria José, onde estudei até o 3º ano.

O senhor era arrimo de família?
Digamos que no início eu repartia com minha mãe a obrigação de sustentar o lar. Ela tinha dois filhos: eu e uma menina, que morreu com 5 anos. Costumo dizer que nós vivíamos ao léu, pois podíamos estar na Bela Vista, no Bosque da Saúde, na Penha ou no Brás. Nós morávamos em pequenos cortiços ou em porões e quando o aluguel subia éramos obrigados a abandonar o lugar em que estávamos. Nós éramos tocados pela vida, de uma maneira dura. Minha mãe trabalhou como doméstica e depois como lavadeira. Mais tarde, quando tinha 14 anos, me tornei arrimo. A nossa vida era difícil. Depois de algum tempo, fui morar com um amigo da enteada de minha madrinha: a dona da casa chamava-se dona Vilma de Castro. O marido dela, José de Castro Manso Preto. Quando souberam que eu só comia sanduíches e tomava leite, ou então ia comer em restaurante de comida chinesa, que naquela época era a mais barata que havia em São Paulo, me chamaram para jantar e exigiram que comesse na casa deles. Eles moravam na avenida Celso Garcia, no antigo número 141. Para mim era fácil, porque ali pegava o bonde para o Bom Retiro. Eu descia numa rua que dava direto na alameda Nothmann e dali seguia para o Ginásio Riachuelo, onde em três anos fiz o equivalente a sete anos de estudos. Nessa época, fui vender artigos dentários. Passei, então, a ter liberdade para freqüentar o curso de ciências sociais da Faculdade de Filosofia, na praça da República.

O senhor tinha quantos anos?
Dezessete anos e meio. Com o madureza, eliminei todo o atraso e fui o quinto colocado entre os estudantes aprovados no exame para a faculdade.

A que o senhor atribui esta performance?
Eu nunca parei de estudar. A minha mãe teve um companheiro que se chamava João de Carvalho, que tinha vários livros. E eu, na casa da minha madrinha, aprendi a valorizar a cultura. Juntando essas duas coisas à minha curiosidade, acabei me tornando um autodidata.

Mas em que hora o senhor se dedicava ao estudo?
Quando podia: em casa, no bonde... Às vezes, eu acabava de vender artigos dentários nas imediações da rua Barão de Itapetininga e aproveitava para ir à praça da República, onde ficava uma biblioteca ambulante da prefeitura. Quando comecei o madureza, já possuía uma base intelectual suficiente para ser um bom aluno. O Ginásio Riachuelo, graças ao professor Benedito de Oliveira, que era um grande educador, era nossa casa. Nós tínhamos a chave e continuávamos a estudar depois que as aulas terminavam, durante uma hora ou mais, dependendo do horário do bonde. Além dos livros do curso, nós líamos também volumes de filosofia, matéria que não fazia parte do currículo, e discutíamos os romancistas da década de 1930 e os autores modernistas.

Por que o senhor foi estudar sociologia?
Eu queria fazer engenharia química. Não pude porque não tinha recursos para me manter na escola o dia inteiro. Por isso, tive de escolher entre os cursos de meio período. Destes, o que me atraiu mais foi o de ciências sociais. Foi uma boa escolha, porque a minha ambição era ser professor. Quando acabei o curso, tive dois convites para ser assistente na Faculdade de Filosofia.

Em que ano o senhor terminou?
Comecei em 1941 e terminei em 1943. Fiz licenciatura em 1944. E comecei a trabalhar na faculdade em 1945.

O seu pensamento progressista começou a ser formulado antes da sua entrada na faculdade?
Durante todo o período em que trabalhei como aprendiz em marcenaria, alfaiataria etc., havia uma certa inquietação social de caráter populista. Em 1930, por exemplo, eu corri pelas ruas gritando "queremos Getúlio". Porque o sentimento de oposição era muito forte nas massas populares. Eu era um autêntico condenado da terra. Descalço, corria pelas ruas com aquela multidão. E encontrei, nos meus locais de trabalho, pessoas que tinham vínculos com os anarquistas, com os socialistas, com os comunistas. Eu recebi alguma influência deles. Quando fui para a Faculdade de Filosofia, a escolha de ciências sociais estava nebulosamente imbricada à idéia de que eu teria um conhecimento que seria útil para transformar a sociedade. Depois vi que, ao contrário, a estrutura do curso estava voltada para estudar a sociedade de uma maneira científica, não havia polarização ideológica. Na faculdade, a maioria dos professores era composta por franceses, um deles era alemão, poucos eram brasileiros. Comecei, então, eventualmente, a freqüentar conferências sobre Marx, Engels e Rosa Luxemburgo, promovidas pelo Partido Comunista, que apesar de ilegal organizava atividades de divulgação teórica.

O senhor disse que trabalhou em um bar?
Sim, na copa e na cozinha do bar Bidu. Fazia um sanduíche com aliche e salsa picada (eu tenho habilidade para lidar com a faca) que o Manuel Lopes Teixeira, da Novaterápica, adorava. Eu colocava um pozinho verde e azeite português e fazia um pacotinho para ele levar. Um dia, o Maneco ficou esperando que o bar fechasse, saiu comigo e me perguntou o que pretendia fazer na vida. Respondi que gostaria de estudar. "E por que você não sai desse emprego e estuda?" Eu disse: "Já tentei mas não consegui." Naquela época, as pessoas mais estigmatizadas socialmente eram as prostitutas, os negros e as pessoas que trabalhavam em bares e restaurantes. Ninguém dava outro emprego para nós. Aí ele falou: "Você vai poder estudar, porque vou arrumar um outro emprego para você. Mas você precisa fazer o tiro-de-guerra, senão vai ter de interromper os estudos. E também precisa aprender datilografia. Quando estiver tudo pronto, você me avisa." Eu tive uma conversa com os donos do bar, que eram muito meus amigos. Para eles era ruim que eu saísse três vezes por semana na hora de pico do movimento. Mas como eu era considerado um funcionário exemplar, eles cederam. Aí eu ia ao tiro-de-guerra 546, que funcionava na rua do Carmo; e fiz o curso de datilografia na praça da Sé. Quando terminei, avisei o Maneco e ele me colocou na Novoterápica como entregador de amostras. Depois, passei a cuidar do estoque e mais tarde fui promovido a chefe da seção de dentes. Era capaz de separar dentes por cor e por tipo. Daí a facilidade com que me transferi para a área de artigos dentários do Boticão Universal. Quando fiz os exames e entrei para a faculdade, passei a vender artigos recebendo ajuda de custo e comissão. Passado algum tempo, o Maneco descobriu que a Pio Miranda e Cia. ia precisar de um propagandista. Fiz um concurso e consegui o cargo. O pessoal do laboratório acreditava que eu gastava oito horas por dia para fazer oito visitas. Mas, na verdade, eu gastava muito menos. Era o posto ideal para eu poder estudar. Sobrava tempo para ir à escola e estudar à noite. Com isso, consegui me formar. Eu me casei em 1944 e, como o salário de professor-assistente não era suficiente para nos mantermos, ainda trabalhei por dois anos como propagandista. Os médicos, meus clientes, ficavam constrangidos, porque achavam que eu, professor-assistente, era hierarquicamente superior a eles.

Onde o senhor conheceu sua esposa?
Eu conheci a Míriam na casa de um amigo meu que namorava sua irmã. Ele se chamava Coríntio Palma e trabalhava na Novoterápica. O namoro foi longo, uns cinco, seis anos. Depois me casei.

O senhor já era socialista?
Na Novoterápica conheci o Scalla, principal auxiliar do Maneco. A família dele era vinculada ao socialismo. E havia um italiano, que depois se casou com uma irmã dele, recém-chegada da Itália, com idéias muito frescas sobre o movimento socialista europeu. Eu tinha lido muitos livros, mas sem sistematização. O contato com essa família serviu para tornar as coisas mais claras para mim. E comecei a freqüentar as redações de O Estado de São Paulo, e principalmente da Folha da Manhã, onde conheci o Hermínio Sacchetta, que era líder do movimento trotskista, ligado à IV Internacional. Assim, em 1943 me tornei militante do Partido Socialista Revolucionário na célula a que pertenciam o Sacchetta, Rocha Barros, Plínio Gomes de Mello, Vítor de Azevedo e José Stacchini.

Quer dizer que o senhor começou a militar sem passar pelo Partido Comunista?
A minha aspiração era ir para o Partido Comunista. Mas as circunstâncias me levaram ao movimento trotskista. Ademais, não gostei do tipo de disciplina do pc.

O senhor chegou a ter contatos com o PC?
Tive diversos. Os comunistas levavam as pessoas para reuniões, festas, conferências, mas havia um elemento autoritário que eu repelia. Com a filiação ao PSR, seção brasileira da IV Internacional, minha militância se tornou sistemática. Nessa época, fiz a tradução da Crítica da economia política, de Marx. O livro saiu em 1946. Eu estudava alemão, mas não sabia o suficiente para traduzir. Então, usei uma edição em inglês, emprestada pelo advogado Alberto da Rocha Barros. Havia uma outra edição espanhola, boa, e uma edição francesa. A pior era a francesa, a melhor era a espanhola. A minha tradução é montada sobre os três textos. Eu cometi alguns erros porque, como eu estudava ciências sociais, usei a terminologia sociológica para alguns conceitos marxistas.

Quando o senhor saiu do movimento trotskista?
Eu me mantive nele até o início dos anos 50. Aí os próprios companheiros acharam que não seria conveniente que eu desperdiçasse o tempo em um movimento de pequeno alcance, quando podia me dedicar a trabalhos de maior envergadura na universidade. O Sacchetta, que era um homem esclarecido, me aconselhou: "É melhor você se afastar da organização e se dedicar à universidade, que vai ser mais importante para nós."

Foi na Universidade que o senhor aprofundou sua formação marxista?
Descobri o marxismo com a tradução da Crítica... Para mim, foi uma revelação. Ao escrever a introdução da Crítica..., eu não tinha competência para fazer um estudo profundo. Era muito mais uma homenagem, uma defesa de Marx. Apesar de tudo, coloquei problemas que entrariam em efervescência na Europa pouco depois. Dei grande destaque ao pensamento do que mais tarde se chamou na Europa de "o jovem Marx". Situaram-me como enfant terrible da sociologia brasileira por causa disso. Eu sentia uma grande afinidade com esse jovem Marx. Nele, o homem era visto como parte da natureza, portador de cultura e criador da história.

O que seria exatamente ultrapassar Marx?
Bem, isto é algo que não depende propriamente de nós, porque Marx se vincula à dinâmica da classe trabalhadora. Hoje, para superá-lo, nós teríamos de ter uma relação dialética com as classes que ocupam uma posição revolucionária na história. O proletariado interessava a Marx e Engels porque eles o viam como a única classe revolucionária. E, portanto, era por intermédio dela que eles absorviam o pensamento revolucionário de conteúdo histórico, ao mesmo tempo negador da ordem e capaz de promover uma síntese, e ultrapassar a situação existente.

Quais seriam essas classes hoje?
Esse é o grande dilema do cientista social: hoje você não tem como identificar uma classe que pareça vinculada à negação da ordem. Eu acredito que na periferia o problema é mais simples. São os trabalhadores e principalmente os excluídos, os que Frantz Fanon chamou de "condenados da terra". Eles contêm a radicalização maior, aquela que exige que a ordem existente seja virada de cabeça para baixo. Nos países centrais, ainda não surgiu uma classe que tenha a potencialidade de negação da ordem no plano histórico. Está no plano do vir-a-ser. O radicalismo da classe média é muito mais vinculado a frustrações, ao medo da proletarização, enquanto os trabalhadores e os excluídos acabam sendo trabalhados pelos meios de comunicação de massa e só percebem a realidade por meio de imagens que obscurecem o pensamento.

O conceito de "trabalhadores" não está muito fluido?
Ele não é fluido porque há um elemento comum. A grande novidade de nossa época é o aparecimento do trabalho intelectual em uma escala mais ampla. O trabalhador intelectual acabou tendo uma posição na produção que absorve uma porção de funções que antes sobrecarregavam o trabalhador manual. Atualmente, o trabalhador manual é muito mais um marginalizado do que um elemento que carrega uma concepção de mundo homogênea. A luta ideológica hoje é mediada por instrumentos de dominação muito potentes e isso confere às elites das classes dominantes a capacidade de se ocultarem como tal, e ao mesmo tempo de manipularem o comportamento coletivo das massas não só por intermédio do Estado e da empresa, mas também por meio da cultura. É possível que, no fundo, essas polarizações se alterem. O que o marxismo explica é a dinâmica do capitalismo e as contradições que vão destruí-lo. Isso não foi negado até hoje.

Mas também não foi confirmado.
Não foi confirmado. No entanto, o socialismo está mais vivo do que nunca, porque ele está livre das contingências e das limitações, das condições que eram obstáculos ao seu pleno desenvolvimento e realização.

O senhor está se referindo às mudanças no Leste Europeu?
Sim, às mudanças que estão ocorrendo. O socialismo volta a ser a promessa pura e completa que era no passado, enquanto o capitalismo não é mais promessa de nada. Qual é a promessa que há no capitalismo?

Mas essa sua opinião não é contraditória com o artigo que o senhor escreveu elogiando a Albânia?
Na Albânia, não existem as condições para que a explosão contra o regime seja violenta. Mas o regime está sob pressão. O ministro da Economia, o próprio presidente do país, foram muito claros: estão buscando novas saídas. Não querem fazer concessões ao capitalismo, mas, ao mesmo tempo, viam que não podiam ficar presos em uma ratoeira. Então, eu tinha de admitir a idéia experimental. Quem ler o artigo com cuidado vai ver que eu terminei dizendo que ainda não há uma alternativa. Tanto pode se repetir o que aconteceu no Leste Europeu como pode haver uma renovação produzida pelas próprias forças sociais internas. O que está subjacente no meu artigo não é a defesa da Albânia, mas sua localização no contexto de uma experiência crucial, o que é diferente. As pessoas não lêem direito! Lêem uma parte e depois concluem o que você não disse. Eu não tenho culpa.


Existem hoje correntes de pensamento que criticam Marx e combatem o próprio PT, dizendo que o partido tem uma visão monoclassista.
Mas um dos dilemas do PT é não ser monoclassista. Na verdade, esse reducionismo que tem sido imputado ao marxismo não existe. As pessoas não lêem Marx, lêem divulgadores e depois simplificam. O que ele afirma é que uma classe é portadora da condição de classe revolucionária. Mas ele sabia que existe um exército industrial de reserva, que na população excedente há uma variedade imensa de pessoas que não estão incluídas nem no exército ativo, nem no exército industrial de reserva. Ele sabia que existem as colônias, que há uma burguesia diferenciada, que há uma nobreza que ainda tem força na Inglaterra. Marx era um homem de uma imaginação fértil, muito vibrátil, capaz de apanhar a totalidade. Quando se esquece que uma pessoa tem a totalidade e depois se fala em reducionismo está se cometendo uma falsificação.

Uma boa parte dos intelectuais brasileiros estaria, então, reduzindo o pensamento de Marx?
Há marxistas e marxistas. Na universidade, conheci pouca gente que realmente havia lido Marx. Eu próprio não conheço Marx tanto quanto desejaria. Paul Singer, por exemplo, é uma pessoa que conhece Marx e o marxismo e, no entanto, tem posições moderadas. Há pessoas que conhecem Marx como Otávio Ianni, José Paulo Neto, Jacob Gorender. Agora, o problema é saber se o marxismo continua a ter atualidade ou não. Em O Marxismo Ocidental, Perry Anderson disse que o marxismo se empobreceu na medida em que intelectuais marxistas passaram a ser intelectuais não-ativistas. O intelectual não pode se dissociar da prática política, sob pena de perder a perspectiva de classe e cair no vício acadêmico do pensamento abstrato. Aí, queira ou não, nós acabamos num Althusser. Com todo respeito que merece, ele fez uma metafísica do marxismo. Agora, ser ativista não significa necessariamente filiar-se a um partido. No Manifesto Comunista, Marx e Engels não falam em partido comunista. Eles falam que a função dos comunistas é servir a todos os partidos operários. E que o comunista devia levar a eles a visão de conjunto, a totalidade das grandes transformações que ocorrem e o que elas vão gerar. Seriam elementos fermentadores no processo político e de produção intelectual.

O senhor diz que o marxismo se empobreceu porque os intelectuais se desvincularam da prática. E como o professor Florestan Fernandes, um intelectual, vinculou teoria e prática?
Em 1964, a minha inclusão em uma lista de professores a serem inquiridos pelos policiais militares estava ligada à minha própria vida intelectual. Quando eu cheguei à universidade, eu era o Florestan de origem proletária, o que nunca neguei. Eu não procurei na universidade um meio de ascender socialmente e me confundir com as elites. Sempre tive um papel ativo: me tornei assistente na Faculdade de Filosofia, e a primeira coisa que comecei a fazer foi combater a cátedra, uma forma arcaica de autoridade do professor, e a lutar para a autogestão coletiva do departamento. Inclusive, defendi a gestão paritária. Fiz parte das campanhas de defesa da escola pública, pelas reformas estruturais de base e pela reforma universitária. Em 1964, puniu-se esse padrão intelectual, indesejável em uma sociedade na qual as elites querem manter a sua ordem de qualquer maneira.


Depois de 1964, o senhor continuou na universidade?
Todos continuamos. De 1964 a 1969 assumi um papel ainda mais ativo. Já havia a Junta Militar, e eu ainda estava lutando. Percorri todo o Brasil, fiz conferências, cheguei a fazer quatro conferências em um dia em Porto Alegre. Houve uma tentativa de me arrastarem para a guerrilha. Enquanto um dos grupos se constituía, me foi oferecida a sua chefia. Aí eu disse: "Olha, devido à minha visão marxista da luta de classes eu não posso aceitar fazer parte da guerrilha."

Que grupo era esse, professor?
Eu não posso dizer, mas essas pessoas me procuraram por duas vezes na Faculdade de Filosofia. Formavam um grupo novo, que se aglutinava em termos radicais. Recusei dizendo que, como marxista, eu não podia aceitar, porque se a guerrilha não existisse, a ditadura precisaria criá-la para aprofundar a repressão e a contra-revolução. Não havia condições para uma ruptura no plano político, suficientemente profunda, para que a guerrilha pudesse ser o detonador de uma rebelião das classes trabalhadoras e das massas populares. Então, eu disse: "Não, eu não entro nessa." Eu respeito muito os companheiros que morreram na guerrilha, porque deram demonstração de valor e altruísmo, sacrificaram a própria vida. Acho que a guerrilha tem chance quando está associada a um movimento de inquietação, de revolta, e nós não tínhamos aquilo. No final de 1968, a ditadura tinha de fazer comigo o que ela fez, porque assim como fui implacável na luta eles tinham de ser implacáveis na repressão. Fui submetido a Inquérito Policial Militar, processado, julgado e inocentado pela Justiça Militar e, finalmente, cassado pelo AI-5 e afastado da universidade.

Como foi sua saída do Brasil?
Não foi uma saída legal, foi virulenta e difícil. Ela aconteceu por pressões externas. Houve protestos na Universidade de Toronto e do governo do Canadá. Mas houve algo ainda mais eficiente que eu só soube depois de ter cometido muitas injustiças contra companheiros norte-americanos do movimento dos Direitos Civis. O Magalhães Pinto, então ministro das Relações Exteriores, foi preso em Nova York, dentro de uma sala, por várias horas, até concordar em autorizar minha saída do Brasil. Eu devia estar no Canadá em fins de julho, início de agosto, o mais tardar, e só cheguei lá em novembro de 1969.

O senhor chegou a ser preso?
Eu fui preso em 1964.

Quanto tempo o senhor ficou preso?
Fiquei pouco tempo, porque houve um protesto muito grande. Eu escrevi uma carta ao coronel que presidia o Inquérito Policial Militar na Faculdade de Filosofia dizendo que a maior virtude do militar é a disciplina e a do intelectual é o espírito crítico... Publicada pela imprensa, ela causou grande comoção.

O que representou 1968 para o senhor?
Para mim, foi um pouco diferente do que talvez tenha sido para os meus colegas, porque já havia me engajado em atividades abertas de combate ao regime. Eu voltei dos Estados Unidos no início de 1966 e comecei a fazer conferências. Os dois anos seguintes foram de intensa atividade. No fim de 1968, apresentei no Rio um trabalho sobre a reforma universitária consentida, uma resposta violenta à tentativa do governo ditatorial de roubar a nossa bandeira de reformas, pela qual vínhamos lutando desde o início da década. Aquela foi uma das últimas manifestações cívicas contra a ditadura. Na Faculdade de Filosofia, em janeiro de 1969, ainda fiz um apelo aos colegas, dizendo que aquela era a última oportunidade que nós tínhamos de nos manifestarmos contra o regime vigente e em defesa de uma sociedade democrática. Aí se estabeleceu um debate na Congregação e descobri com tristeza que o setor de esquerda havia recuado. Prevaleceu na Congregação uma atitude de recolhimento, de autoproteção.

Acho que 1968 foi o auge da luta contra a ditadura. Foi o momento no qual surgiram os melhores trabalhos produzidos pela esquerda. Havia a revista Teoria e Prática e debates em vários grupos. Existia uma preocupação muito grande em ligar o combate à ditadura a processos que poderiam começar com bandeiras democráticas e levar a transformações radicais. Foi um ano em que o ardor cívico da população poderia ter sido trabalhado pela esquerda.

A luta guerrilheira, o desdobramento imediato deste período, foi inevitável diante da radicalização da direita, diante da falta de opções da militância?
Em 1962, aconteceram as primeiras manifestações repressivas. No interior de jornais, de empresas, elementos de esquerda foram sendo expurgados e em 1964 houve o golpe de Estado. A direita foi ganhando força gradativamente e, depois do golpe, ninguém a ameaçava. Por isso, acredito que a radicalização da direita era um jogo para açular os seus adversários e ampliar a reação conservadora. O governo ditatorial aproveitou a existência da guerrilha para intensificar a repressão e, ao mesmo tempo, "legitimar" a violência.

Como foram para o senhor os anos 70 e o começo dos anos 80?
Em 1969 fui para o exterior, onde desenvolvi uma campanha contra a ditadura. Fazia conferências em toda parte: no Canadá, Estados Unidos, Alemanha etc. Não levei muito tempo para descobrir que a maioria das sociedades norte-americana, canadense, européia, estava muito encantada com a ditadura militar, porque ela aparentemente mantinha a democracia com eleições, Parlamento funcionando etc., e estava unida aos civis "mais responsáveis" na defesa da ordem e da expansão do capitalismo no Brasil. Vi que era ilusão perder tempo lá. Porque eu podia falar de guerrilha em uma universidade, de fascismo em outra, falar contra o regime militar, mas tudo isso era muito limitado. Na verdade, eu não tinha muita probabilidade de exercer influência em qualquer movimento social, e resolvi voltar em fins de 1972. Em 1973 e 1974 não atuei muito, o espaço estava fechado. Foi a esquerda católica que me deu maior chance de manifestação. Fiquei praticamente aprisionado em minha casa, revendo coisas que tinha escrito. Retomei o livro A revolução burguesa no Brasil, que tinha posto de lado, e fiz conferências para padres e para a juventude católica de esquerda. Também contribuí para a elaboração das revistas Debate e Crítica e Argumento, logo inviabilizadas pela repressão policial. Em 1975 e 1976 dei dois ciclos de conferências no Sedes Sapientiae. No final de 1977, fui contratado como professor da PUC/SP. Eu não tinha um conhecimento muito profundo do que estava acontecendo entre os ativistas, cujo setor mais dinâmico era a esquerda católica. Quiseram me convidar para participar deste movimento, mas respondi que isto não era correto nem para mim, nem para eles — não sou católico, sou marxista, e eles eram revolucionários, mas não marxistas. Eu disse: "O melhor é nós cooperarmos; continuo a colaborar do jeito que estou colaborando e posso aumentar a minha contribuição."

E o surgimento do movimento operário e do PT?
Em vários setores da sociedade foram surgindo manifestações de repúdio ao regime. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), por exemplo, eram bastante combativas — não abertamente, mas usando como expediente a crítica do funcionamento das instituições. Muitos falavam na necessidade de restaurar a democracia, uma bandeira com a qual eu não convivia bem, porque, para mim, nunca houve democracia no país. Dos movimentos que tiveram maior significação é preciso dar relevo ao do operariado, que, em 1978, com a grande greve dos metalúrgicos do ABC, desferiu o primeiro golpe sério contra a ditadura. O novo sindicato que se formou a partir desta ruptura desatrelou-se do governo e dos dirigentes pelegos e procurou unir os demais sindicatos em uma frente de luta contra o capital, contra o governo. Nessa luta, os operários descobriram a sua força e a sua fraqueza — a necessidade do braço partidário. O sindicato precisa de um partido, assim como precisa de um sistema que organize as manifestações operárias nas bases. Nesse contexto é que surge o Partido dos Trabalhadores. Desde o início, senti uma grande simpatia pelo pt. Mas, ao mesmo tempo, tinha medo de entrar para o partido, porque o arco que ia desde movimentos de comunidades de base sem conotação política, de caráter humanitário, passando por um núcleo social-democrático que tinha servido e serve para fortalecer a reforma do capitalismo, até socialistas democráticos e comunistas e socialistas revolucionários, esse imenso arco me assustava. Eu preferia uma concentração mais nítida de valores políticos operários, dentro de uma tradição que teria de ser anarquista ou marxista. Como o anarquismo não tem condições de derrubar uma sociedade capitalista organizada, a única alternativa para mim era a marxista. Então, fiquei numa posição ambígua, com uma grande simpatia pelo pt, uma grande admiração pelo Lula, mas não me decidia a entrar. Até que o Lula marcou um encontro no Sindicato dos Metalúrgicos. A Annez Andraus Troiano foi comigo. O Lula, nesse encontro, teve altos e baixos. Houve um momento em que ele quis usar a superioridade natural do operário diante do intelectual marxista, e perguntou: "Bom, afinal, você é nosso aliado ou inimigo?" E eu respondi: "Isso não pega comigo, porque eu tenho origem inferior à sua. Comecei a trabalhar com 6 anos. Para mim, um operário tanto pode aderir a um movimento fascista como a um movimento socialista, ou ficar indiferente. Eu não sou obrerista e não me ajoelho diante do deus operário. Para eu entrar no pt, quero que ele defina seu programa, esclarecendo melhor quais as opções que envolvem a sua presença como núcleo político da classe trabalhadora."Aí ele viu que a conversa não tinha saída. Passei a ser contribuinte e simpatizante do pt, mas sofria uma forte pressão dos estudantes que achavam que havia uma incongruência entre a minha posição política anterior e o fato de eu não ser militante do pt. Eu respondia que podia servir o pt dentro ou fora dele. Aí houve a morte daquele célebre revolucionário, o Gregório Bezerra. Eu tinha lido a sua bela autobiografia, que desmente as teses do Partido Comunista de impraticabilidade de um levante operário. Ele mostra a facilidade com que a massa camponesa se mobiliza. Escrevi um artigo sobre Gregório Bezerra e mandei para a Folha de S. Paulo. A Folha publicou e o impacto do artigo foi tremendo, no Brasil inteiro... A homenagem ao Bezerra comoveu a todos. A partir de então comecei a colaborar na Folha. Por intermédio da Folha, exercia uma atividade política confinada, pois não podia fazer um trabalho ideológico. Esses artigos estreitaram minhas relações com muitos militantes do pt. No Brasil inteiro havia petistas lendo os artigos, se comunicando comigo, me aplaudindo e me entusiasmando. Os laços foram se estreitando e eu fui sendo empurrado para o pt por essas pressões morais. O Antonio Candido, que é uma pessoa a qual eu dedico uma amizade profunda, uma espécie de irmão, pertencia ao pt. Vários dos meus amigos e pessoas que eu admirava pertenciam ao pt. Além disso, não via alternativas que se definissem dentro de uma linha mais ortodoxa, mais unificada. Porque eu continuava a ver a pluralidade de correntes como um fenômeno negativo. Até que com o curso que dei sobre a Revolução Cubana e a análise que fiz do caso chileno compreendi que na América Latina a fraqueza das classes subalternas acaba criando a necessidade de partidos que são frentes ideológicas e políticas que unem tendências diferentes. Um dia, em 1986, na saída da aula da USP, meu filho me disse que o Lula queria falar comigo. Ele me levou ao Diretório Nacional e o Lula estava lá, junto com o José Dirceu e mais algumas pessoas, e perguntou se eu queria ser candidato a deputado federal constituinte. Eu respondi: "Não sou político profissional, portanto não sei fazer campanha política. Não tenho recursos para financiar uma campanha. Também estou recém-saído do hospital e a campanha vai ser muito desgastante para mim."Apesar disso, ele insistiu. Eu perguntei: "O que o PT oferece para que eu seja candidato? Vocês me dão alguma coisa?" Ele disse: "Nada. Você é que vai dar 30% de tudo o que recolher para o partido." Caí na gargalhada e respondi: "Está bom, assim eu aceito." Preenchemos a ficha de inscrição, saí candidato do partido e fui eleito.

O professor Florestan se transformou no deputado Florestan. Como o senhor vê sua experiência no Congresso?
Na verdade, não me transformei em um deputado. Continuo o mesmo Florestan, exercendo atividades dentro do Parlamento. É claro que, pela minha origem e pela minha formação marxista, tendia a ver o Parlamento como uma instituição altamente conservadora, que buscava resolver os conflitos sociais tendo em vista a defesa da ordem existente. No entanto, há espaço para se exercer tarefas construtivas. A sociedade capitalista tem esta característica: possui uma possibilidade de transformação que não é eliminada pelas iniciativas das classes burguesas. Muito embora o Congresso brasileiro reflita inversamente a nossa sociedade: a minoria rica e poderosa é a maioria parlamentar, e a maioria da nação é representada por uma minoria que só pode conquistar pequenos avanços. Hoje, sem pretender me tornar um político profissional, compreendo que é possível utilizar o Parlamento de uma maneira criativa e inovadora. O pt e outros setores de esquerda tiveram um papel dinâmico na Constituinte. Se nós não estivéssemos lá, as conseqüências teriam sido piores.

Como o senhor analisa a atual situação do Partido dos Trabalhadores?
Como ingressei no partido com uma identidade política definida, como marxista, me sinto à vontade para dizer que, embora não pertença até agora a nenhuma tendência, defendo que o pt deva ser um partido no qual o socialismo marxista tenha uma certa consistência. Não se pode conceber um partido dos trabalhadores que seja meramente reformista, que pretenda realizar tarefas semelhantes às da social-democracia européia. Acho que o pt pode desempenhar um papel importante na consolidação da esquerda.

Como existem várias tendências dentro do partido, ele pode assumir uma posição mais aberta diante de várias questões. É sabido que, quando aceita a representação política dentro da sociedade capitalista, o socialismo perde seu vigor revolucionário. Desenvolve-se uma burocracia partidária, surgem políticos profissionais e ambos se unem para impedir a revolução, porque têm interesse na reprodução da ordem, na medida em que a sobrevivência deles, como burocratas do partido ou políticos profissionais, depende da sobrevivência de partidos que fiquem na órbita da reforma e da transformação do capitalismo. Acho que há uma vantagem nessa multiplicidade de tendências dentro do pt: ela quebra o monolitismo teórico e impede que possa surgir uma oligarquia dentro do partido. É importante que dentro do pt nós lutemos por concepções proletárias de socialismo. No Brasil, não há solução possível sem que a classe trabalhadora se una com o setor mais miserável e espoliado da sociedade. Essa é a função que o pt pode exercer melhor que qualquer outro partido. A questão está em encontrar uma linguagem socialista que permita definir os objetivos finais e os objetivos imediatos de forma que seja aceitável por todos. Porque, se existem várias correntes, existem também expressões ideológicas e políticas em contraste e até em conflito. É preciso impedir que essas diferenças acabem explodindo e destruindo o partido. Mas isso não pode ser feito às custas de seu caráter proletário e revolucionário. No momento em que o pt renegar a sua função de servir de espinha dorsal à luta política dos trabalhadores, deixando de ser um partido de revolução contra a ordem, ele deixará de ter importância para a instauração da democracia com igualdade social no Brasil.

Professor, por ter uma posição independente dentro do partido, o senhor enfrentou alguma dificuldade?
Na primeira eleição não. Encontrei na segunda, devido ao caráter tortuoso que ela tomou em conseqüência das condições imperantes no partido. O partido acabou avançando mais na direção de modelos burgueses do que de modelos propriamente proletários e socialistas.

O que seriam estes modelos burgueses?
Na relação entre candidatos socialistas não deve prevalecer a disputa pelo voto. Dentro do pt, está crescendo uma técnica eleitoral competitiva. O objetivo pessoal de vencer eleitoralmente prepondera sobre a ideologia, a política, a cooperação entre companheiros. O companheirismo deve ser a regra fundamental entre pessoas que participam de tendências socialistas. O individualismo e a própria competição são símbolos fortes da sociedade capitalista. O que deve estar em primeiro lugar é a vitória do pt e não a eleição de determinado candidato. Mas é claro que quando um partido socialista escolhe a via parlamentar ele escolhe também a via eleitoral. E ambas as coisas deterioram um pouco o processo de identificação com o socialismo, porque a pessoa acaba sendo apanhada pelo umbigo por relações de classe burguesas. Para mim é coisa secundária se eu vou ser eleito ou não. Eu não estou concorrendo por mim e para mim. E o processo eleitoral não é o objetivo em si, é um processo político no qual está em jogo a conscientização do estudante, do trabalhador, a identidade socialista. O objetivo é desempenhar tarefas políticas do partido. É lamentável dizer que isto não ocorreu. E isso precisa ocorrer, senão os partidos de esquerda nunca chegarão a nada. Eles ficarão sempre rastejando em segundo plano. Só poderão "ocupar o poder", nunca terão capacidade de "conquistar o poder", e para o socialismo o que importa é a conquista do poder, para que ele possa transformar a sociedade. O partido é um meio para este fim.

O senhor faria tudo de novo?
A capacidade de se atingir certos fins, de realizar certas atividades, não depende só de você, depende de certas condições. Tive uma grande sorte de ter tido oportunidades e de ter sabido aproveitá-las. Quando era menino, vi companheiros que não lograram desenvolver seu potencial, porque morreram ou foram encaminhados para atividades que aprisionam as pessoas. De qualquer maneira, acho que a coisa mais difícil que fiz foi permanecer fiel à minha classe de origem.

* Paulo de Tarso Venceslau é membro do Conselho de Redação de Teoria&Debate.

Fonte principal: http://www.fpabramo.org.br/

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