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    sábado, 10 de julho de 2010

    RESUMO/AULAS/JULHO/2010

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    JULHO.10

    EPISTEMOLOGIA

    Resumo Junho/Julho 2010 /Problema do Conhecimento

    Teoria do CONHECIMENTO e/ou Epistemologia
    O que é a epistemologia? A resposta é: o ramo da filosofia que se ocupa do conhecimento humano, pelo que também é designada de “teoria do conhecimento”.


    A epistemologia, como ramo distinto da filosofia, não esteve muito em evidência antes de John Locke (1632-1704). Assim, quando falamos da epistemologia em suas origens, como em Aristóteles p.ex.; estamos descrevendo apenas os resultados obtidos por ele nesta área, uma vez que ele mesmo nunca usou o termo epistemologia. Isto é óbvio, pelo fato que tanto Aristóteles como os demais filósofos gregos concentraram seus pensamentos mais naquilo que se deve conhecer do que na teoria dos processos de conhecê-lo... Ainda que tenham se ocupado disto.

    JHON LOCKE

    Filósofo inglês, iniciador do iluminismo) Nasceu em 29 de Agosto de 1632 em Wrington, Inglaterra ; morreu em Oates em 28 de Outubro de 1704. A família de Locke era formada por burgueses, comerciantes. Com a revolução Inglesa de 1648, o pai de Locke alistou-se no exército. Locke estudou inicialmente na Westmuster School. Em 1652 foi para a Universidade de Oxford. Não gostou da filosofia ali ensinada. Manifestou, mais tarde, opiniões contrárias à filosofia de Aristóteles. Julgou o peripatetismo obscuro e cheio de pesquisas sem utilidade. Além de filosofia , estudou medicina e ciências naturais. Recebeu o título de Master of Arts em 1658. Nesse período , leu os autores que o influenciaram: John Owen (1616-1683) que pregava a tolerância religiosa, Descartes (1596-1650) que havia libertado a filosofia da escolástica e Bacon (1561- 1626), de quem aproveitou o método de correção da mente, e a investigação experimental. Interessou-se pelas experiências químicas do também físico Robert Boyle (1627-1691), que inovaram introduzindo o conceito de átomo e elementos químicos. Foi um avanço em relação à alquimia que dominou durante a Idade Média e a concepção de Aristóteles dos quatro elementos. Locke atuou nos campos de medicina, filosofia, política, teologia e anatomia. Não gostava de matemática. Redigiu em Latim, Ensaios sobre a lei da natureza. Já nessa época apresentava gosto pela regra experimental, de onde deriva sua filosofia empirista.

    Todo conhecimento encontra suas fontes na FÉ – aqui entendida enquanto CRENÇA. A fonte primordial do conhecimento seria a sensação. É através dos sentidos que os homens primitivos ainda nas cavernas tinham a percepção diante do desconhecido e nela encontravam a motivação para conhecer. Este conhecimento fundado na crença se tornava cada vez mais complexo a medida que era relacionado a outros conhecimentos lentamente construídos pelas diversas fases evolucionistas hominídeas. Ora, essa crença-conhecimento constituíram os conteúdos de conjuntos de conhecimentos como: religiosos, artísticos, mitológicos, senso-comum... ao longo da história humana. A Filosofia e a Ciência vieram justificar a CRENÇA dando a estes conhecimentos pelo crivo da veracidade ou demonstrando suas contradições e não possibilidade de serem verdadeiros.

    Aqui entra um componente muito importante: a REALIDADE. O que é a Realidade? Toda vez que nos deparamos com o desconhecido, ainda hoje em pleno século XXI é assim, a nossa primeira atitude é buscar uma explicação na crença. A REALIDADE é aquele fato ou momento histórico que faz parte de minha tomada de consciência. Ele pode ser concreto/físico ou abstrato. O concreto/físico é mais verdadeiro, atinge o todo: por exemplo_ Pierre é meu amigo. Ele é Francês, alto e branco de olhos negros. Um exemplo de abstrato: Os Franceses são de estatura média... Aqui me refiro não a um homem francês, mas faço um juízo universal. Meu objeto aqui é empobrecido. Por exemplo, o "céu" é um lugar que todos os homens desejam. Este conhecimento é abstrato. Primeiro que céu não é uma REALIDADE concreta. Faz parte da CRENÇA. Não é possível que consigamos algo mais sobre o céu que não conjeturações abstratas fundadas na crença. Foi justamente a tentativa de tornar a FÉ Cristã Crível que fez com que a Igreja domesticasse a Filosofia e a colocasse a serviço da Justificação Teológica no período que conhecemos por Idade Média.

    Vamos analisar alguns casos:

    Caso 1: No ponto de ônibus – ouvindo uma conversa entre duas mulheres: “Comadre minha neta anda descalça o dia todo, correndo de lá para cá, no chão nu, dizem que pega “bicho geográfico” e outras doenças”... Isso é mentira, deve ser lenda, porque minha netinha tem saúde de ferro”. Aqui um exemplo típico de alguém que não dominando conhecimentos científicos impõe à autoridade da crença o conteúdo de sua compreensão sobre um dado concreto de seu cotidiano. Aqui temos o Senso-Comum.

    Caso 2: Um bispo em sua homilia se dirigindo aos fiéis: “Deus criou o homem e a mulher para procriarem. Portanto, os casais precisam fugir de todas as formas de pornografia. O sexo é para procriar e o homem que precisa ver a imagem de outras mulheres nuas que não a sua é um fracassado”... Aqui temos um juízo moral fundado no conhecimento religioso cristão.

    Caso 3: Um senhora falando sobre a situação de sua mãe: “ Minha mãe com câncer de mama buscou a cura na igreja e Jesus a livrou do câncer, ela estava feliz e digo que: uma verdadeira fanática. Agora o câncer “explodiu” na cabeça e ela encontra-se vegetativa”. Aqui outra vez o conhecimento religioso fundado na crença.

    Caso 4: “Meu amigo morreu muito novo, não consigo entender porque Deus o tirou tão novo de nosso meio”. Mais adiante ele lembrava: “Meu amigo fumou a vida inteira...” Aqui a busca de novo de explicações na crença, esqueceu ou tem poucas informações científicas de que todo fumante está fadado a abraçar a morte prematuramente...

    Caso 5: Dois jovens eleitores de candidatos diferentes e que estão em primeiro e segundo lugar nas pesquisas. O eleitor do candidato que está em segundo argumenta: “Estas pesquisas estão erradas, quando abrirem as urnas você vai ver... os dois estarão ali empatados “embolados” e a eleição vai pro segundo turno”. E continuaram a discussão, ambos estavam em uma discussão fundada na CRENÇA e possivelmente não possuem a informação de que uma cidade – que é o caso da cidade deles - com pouco mais de 50 mil eleitores, não tem segundo turno.


    Na Filosofia, conhecimento fundado na RAZÃO que é comum a todos os homens, Platão em seus diálogos também ocupou-se com o tema Conhecimento. Para ele o primeiro ato do Conhecer tem origem nas Sensações. Ele entendia que a maioria dos mortais ficam neste estágio e que poucos são os que se libertam indo de encontro ao verdadeiro conhecimento. No Teeteto ele esclarece que o conhecimento passa pela sensação, crença-opinião, no entanto o que caracteriza o verdadeiro conhecimento é a razão sobreposta às sensações, crença-opinião. Já Aristóteles desenvolveria suas teorias mais tarde de que o conhecimento verdadeiro é produzido pela capacidade de domínio das causalidades dos eventos e coisas. Agora, veremos algumas noções sobre este ramo da Filosofia que se ocupa exclusivamente da Teoria do Conhecimento.

    O conhecimento é a apreensão de qualquer "coisa" por meio do pensamento e a capacidade de tornar presente ao pensamento "aquilo" que se apreendeu.

    A teoria do conhecimento, como já vimos, é um ramo filosófico cujo objetivo é a explicação ou interpretação do conhecimento (humano). Aí se analisam questões como: Que é conhecer?, É possível o conhecimento?, etc..

    Vamos conferir alguns conceitos relacionados ao termo em questão...

    Na obra Teoria do Conhecimento (p. 20), o autor J. Hessen distingue a teoria do conhecimento da lógica, afirmando que, se "a lógica pergunta pela correção formal do pensamento, isto é, pela sua concordância consigo mesmo, pelas suas próprias formas e leis, a teoria do conhecimento pergunta pela verdade do pensamento, isto é, pela sua concordância com o objeto. Portanto, pode definir-se também a teoria do conhecimento como a teoria do pensamento verdadeiro, em oposição à lógica, que seria a teoria do pensamento correcto".

    Nessa obra (p. 25-26) observa-se ainda: "Uma exata observação e descrição do objeto devem preceder qualquer explicação e interpretação. É necessário, pois, no nosso caso, observar com rigor e descrever com exatidão aquilo a que chamamos conhecimento, esse peculiar fenômeno da consciência. Fazemo-lo, procurando apreender os traços gerais essenciais deste fenômeno, por meio da auto-reflexão sobre aquilo que vivemos quando falamos do conhecimento. Este método chama-se fenomenológico e é distinto do psicológico. Enquanto que este último investiga os processos psíquicos concretos no seu curso regular e a sua conexão com outros processos, o primeiro aspira a apreender a essência geral no fenômeno concreto".

    Em Potenciar a razão, Fernando Savater distingue informação de conhecimento. No livro As Perguntas da Vida (p. 18), distingue 3 níveis de entendimento: a informação ("que nos apresenta os fatos e os mecanismos primários do que acontece"), o conhecimento ("que reflete sobre a informação recebida, hierarquiza a sua importância significativa e procura princípios gerais para a ordenar") e a sabedoria ("que liga o conhecimento com as opções vitais ou valores que podemos escolher, tentando estabelecer como viver melhor de acordo com o que sabemos")

    Segundo Kant "o que chamamos conhecimento é uma combinação do que a realidade nos traz com as formas da nossa sensibilidade e as categorias do nosso entendimento. Não podemos captar as coisas em si mesmas mas apenas como as descobrimos através dos nossos sentidos e da inteligência que ordena os dados oferecidos por eles. Isto significa que não conhecemos a realidade pura mas apenas como é o real para nós. O nosso conhecimento é verdadeiro mas não chega senão até onde lhe permitem as nossas faculdades. Daquilo do qual não recebemos a informação suficiente através dos sentidos -- que são os que se encarregam de trazer a matéria-prima do nosso conhecimento -- não podemos saber absolutamente nada, e quando a razão especula no vazio sobre absolutos como Deus, a alma, o Universo, etc., confunde-se em contradições irresolúveis. O pensamento é abstrato, isto é, procede baseando-se em sínteses sucessivas a partir dos nossos dados sensoriais. Sintetizamos todas as cidades que conhecemos para obter o conceito de 'cidade' ou a partir das mil formas imagináveis de sofrimento chegamos a obter a noção de 'dor', reunido os traços intelectualmente relevantes do diverso. À partida, pensar consiste em voltar a descer da síntese mais longínqua aos dados particulares concretos até aos casos individuais e vice-versa sem perder nunca o contacto com o experimentado nem nos limitarmos apenas à esmagadora dispersão das suas circunstâncias particulares." (Fernando Savater - As Perguntas da Vida, p. 58-59).

    NOÇÕES sobre a relação entre CONHECIMENTO e Conhecimento Religioso, por Lucio Lopes
    Os pensadores do iluminismo e mesmo os teóricos do liberalismo, insistiram longamente no conceito de TOLERÂNCIA. Passados quatro séculos vemos não mais que a intolerância sendo propalada em um embate constante com os "artigos de ouro" produzidos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem. A ideia central de que o Estado deve ser Laico ainda está longe de se concretizar, especialmente no Brasil. Aqui é que entra a importância do conhecimento enquanto elemento primordial em qualquer transformação histórica. Foi assim a demarcação das fronteiras entre o antes e o pós-período medieval. Pelo conhecimento, mesmo sustentado em meio a dor e ao sangue, heróis da humanidade conquistaram o direito de declararem que a Tolerância é muito melhor que qualquer forma de intolerância.
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    Independente da teoria na qual acredite uma pessoa, seja ela a CRIACIONISTA que o Cristianismo contrapõe frente ao Evolucionismo (Teoria biológica segundo a qual todas as espécies vivas derivam umas das outras por transformação natural) sempre haveremos de nos posicionarmos frente às questões suscitadas pelas mesmas.
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    Segundo Aristóteles as espécies têm uma forma fixa, imutável. Esta idéia irá dominar até ao século XVIII, quando Lamarck, rompendo com uma visão finalista da natureza, afirma a idéia de uma evolução das espécies. A sua teoria é baseada num pressuposto igualmente contestável cientificamente: a da hereditariedade dos caracteres adquiridos.
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    Para explicar a evolução dos seres vivos, Darwin avança o princípio da "seleção natural". ) uma coisa é certa: penso que as de Lamarck e Darwin só enriquecem o ATO Criador do Deus Judeu-Cristão. Penso, que ninguém pode sustentar um “gênero literário” como aquele descrito nas primeiras páginas de Gênesis e nem por isto dizer então que não foi Deus quem criou tudo. Deus é aberto à aventura do CONHECIMENTO e não preso aos DOGMAS das Igrejas Cristãs Sectárias e fundamentalistas.
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    Na obra criadora do Deus, judeu-cristão, o Homem recebeu um atenção singular e, lhe foi dado de forma inata, à semelhança de seu Criador, a capacidade de CONHECIMENTO. Ora, é justamente aqui que o Homem se diferencia dos demais seres da natureza. Mas foi este mesmo Conhecimento que produziu os SINAIS de morte em meio a humanidade negando o Projeto de Vida para Todos vislumbrado nas Escrituras, projeto esse que sempre foi um sonho de Deus e que muitas vezes transparecem nas páginas da Bíblia: como p. ex. no Velho Testamento, nas palavras de alguns profetas mais ardorosos e nas primeiras linhas do Livro Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento.
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    Quando diante deste Livro Sagrado, o primeiro distanciamento que devemos fazer é aquele de que a Bíblia não foi escrita para nós. Nem o Velho e muito menos o Novo Testamento. Foram escritos para comunidades especificas com o intuito de guardar a sabedoria de uma Cultura específica ou seja, daquelas comunidades antigas específicas. Poderíamos dizer que o objetivo era guardar a experiência religiosa destas comunidades - que antes daa escrita passou pela tradição oral.
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    O CONHECIMENTO que desde os primeiros sinais de evolução do homem foi provocando disputa por poder - perpetuou este paradigma da história humana adentro. No Velho Testamento deturparam o Projeto de Vida do Criador e em nome Dele impuseram uma infinidade de sinais de morte na vida do Povo. O Nome de Deus que deveria estar a serviço da Vida foi colocado a serviço da morte. Mas no Novo Testamento aquele velho hábito gerado pela cobiça de manutenção do poder continuou presente quando após o evento morte-ressurreição de Jesus os novos cristãos como Paulo, voltou a impor a cultura de seu povo, a moral da sexualidade machista e tantas outras matizes daquela já surrada e carcomida moral judaica...
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    A Igreja mais tarde “domesticada” por Constantino com a lorota de neoconvertido e em troca a “graça do poder” aos chefes da Igreja - poder este que teve seu ápice após a queda do Império Romano com a centralização pela Igreja não só do poder sobre o Conhecimento (agora domesticando a Filosofia) mas também dos poderes econômico e político e imposição ferrenha de sua moral, deturparam mais uma vez o Projeto de Vida do Criador centrado na Gratuidade, na Justiça, na Fraternidade e em outras palavras, no Amor, conforme os Evangelhos do Novo Testamento na Bíblia Cristã. Constantino talvez tenha sido na história do cristianismo um dos primeiros a entenderem o quanto ser aliado da religião pode ser “lucrativo” e assim sendo, um dos primeiros a usarem - na prática - aquele clássico chavão marxista “a religião é o ópio do povo”.
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    Jesus, o ícone por excelência deste Projeto foi esquecido mais uma vez e em seu nome se “venderam” outras coisas... O Homem que derrubou os paradigmas ultrapassados de sua cultura como o machismo, os tabus, os preconceitos como xenofobia, etc.; ensinou o respeito às crianças, mulheres, idosos, doentes, deficientes especiais - então marginalizados em sua sociedade contemporânea; que buscou dar um basta na relação comercial com Deus imposta pelos chefes de sua religião e que ainda, de quebra, respeitou às demais religiões, etc... enfim, eu poderia dar uma gama enorme de exemplos concretos.
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    Pena que o novo "paradigma" do Filho de Deus, Jesus Cristo, foi sendo suplantado ao longo da história humana pela cobiça ao poder e ao dinheiro. Talvez o grupo dos 11 tenha entendido em um primeiro momento - a duro sofrimento imposto pelos ensinamentos e práxis de Jesus - a deixarem de lado seus "projetos de poder" em torno de um MESSIAS poderoso e governante absoluto. Mas os sonhos humanos em torno destes "projetos de poder" na verdade nunca deixaram o coração do homem e assim, ocorreu o ofuscamento da mensagem central do Messias.
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    Hoje, em uma sociedade capitalista como a nossa, pautada no imediatismo, nas sensações, consumismo, individualismo, lucrativo - isto é, tornando também tão mais grave a relação "comercial" com Deus - tão mais complexa, uma vez que dele se espera sempre algo em troca; que prefiro deixar para uma outra oportunidade na qual retomarei este tema de suma importância para quem quer realmente viver uma relação autêntica com o Filho do Criador.
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    Penso que só seremos capazes disto se tivermos a coragem de romper com esta "Teologia da Retribuição" tão apregoada hoje 24 horas pelas nossas lideranças religiosas, detentoras de inúmeros canais dos mais variados tipos de mídias (e aqui católicos, evangélicos, protestantes históricos, pentecostais...) todos andam de mãos dadas em um contra-testemunho no mínimo questionável, guardadas as devidas excessões - que alimentam uma poderosa e próspera indústria do MILAGRE. Submetendo o Homem ao estado alienante mais deplorável que existe, aquele sustentado em nome do Deus da Vida - do Deus da Cons - Ciência.
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    O Estado pseudo-laico é apenas uma teoria. A Religião Cristã continua ditando no Brasil as regras que amarram nossas leis. Temas emergentes e urgentes para a preservação dos Direitos do Homem e da Mulher como aborto ( que proibido no Brasil, é praticado sem o mínimo controle aos milhões/ano), propriedade privada (concentrada nas mãos de poucos em detrimento da maioria), redução da maioridade penal (diante dos pseudos menores a justiça fica de mãos atadas e extrapolam ainda mais a falta de limites para nossa juventude), eutanásia (um direito inalienável do homem para abreviar seu sofrimento), descriminalização das drogas ( hoje nossa polícia fica correndo atrás de pequenos usuários enquanto os traficantes "gente boa" ficam protegidos; direitos das minorias como homossexuais, índios e outros; ficam paralisados diante ainda dos discursos desta hoste de bispos, padres, pastores e outros moralistas... A intolerância é cultuada em nome da moral.

    Passagens bíblicas em que Deus requer a posse do conhecimento para que seu povo não seja enganado pelos espertalhões de nossos tempos:

    “O Senhor pela SABEDORIA fundou a Terra, pelo entendimento estabeleceu o céu (...) Pelo seu CONHECIMENTO...” PV 3.19,20

    “(...) Uma noite revela seu CONHECIMENTO a outra noite”. SL 19.2

    “Conheço todas as aves...” SL 50.11

    “(...) Conheço minhas ovelhas...” JO 10.1

    “Eu conheço todas as coisas...” EZEQ. 11.5

    “Conheço os sofrimentos do meu povo”. EX 3.7
    .
    Para terminar, alguns belos pensamentos:

    "Se você é capaz de tremer de indignação toda vez que se comete uma injustiça no mundo,
    então somos companheiros." (Che Guevara)

    "A neve e a tempestade matam as flores, mas nada podem contra as sementes." (Khalil Gibran)

    "O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma..." (Charles Chaplin)

    "O homem não teria alcançado o possível, se inúmeras vezes não tivesse tentado o impossível." (Max Weber)


    Correntes Filosóficas
    VAMOS CONHECER O CETICISMO
    Um cético radical pode contrapor que a discussão acerca do conhecimento e da justificação é uma perda de tempo e de energia. Na sua opinião não há nenhuma crença suficientemente justificada para contar como conhecimento. A razão é que ele não está disposto a chamar conhecimento a qualquer proposição que pode ser objeto de dúvida. E está convencido que não há proposições imunes à dúvida.


    Escola filosófica fundada pelo grego Pirro (360 a.C.-272 a.C.) que questiona as bases do conhecimento metafísico, científico, moral e, especialmente, religioso. Nega a possibilidade de se conhecer com certeza qualquer verdade e recusa toda afirmação dogmática - aquela que é aceita como verdadeira, sem provas. O termo deriva do verbo grego sképtomai, que significa olhar, observar, investigar.

    Para os céticos, uma afirmação para ser provada exige outra, que requer outra, até o infinito. O conhecimento, para eles, é relativo: depende da natureza do sujeito e das condições do objeto por ele estudado. Costumes, leis e opiniões variam segundo a sociedade e o período histórico, tornando impossível chegar a conceitos de real e irreal, de correto e incorreto.

    Condições como juventude ou velhice, saúde ou doença, lucidez ou embriaguez influenciam o julgamento e, conseqüentemente, o conhecimento. Por isso, os seguidores de Pirro defendem a suspensão do juízo, o total despojamento e uma postura neutra diante da realidade. Se é impossível conhecer a verdade, tudo se torna indiferente e equilibrado. Para eles, o ideal do sábio é a indiferença. Ainda na Antiguidade, o grego Sexto Empírico (século III?) e os empiristas vêem o ceticismo como um modo de obter o conhecimento pela experiência.

    Não excluem a ciência, mas procuram fundamentá-la sobre representações e fenômenos encontrados de modo indiscutível e inevitável na experiência. Esse ceticismo positivo tem papel fundamental no pensamento do escocês David Hume (1711-1776), um dos maiores expoentes da filosofia moderna. Para os empiristas modernos, na impossibilidade de conhecer as coisas em si, o homem se utiliza da crença e do hábito para poder agir. A filosofia contemporânea, inspirada no ceticismo, discute questões da relatividade do conhecimento e dos limites da razão humana.



    Montaigne e o CETICISMO
    CONTEXTUALIZAÇÃO DO SÉCULO XVI

    Michel Eyquem de Montaigne (28 de Fevereiro de 1533, château de Montaigne, no Périgord - 13 de Setembro de 1592, no mesmo lugar), escritor e ensaista francês, considerado por muitos como o inventor do ensaio pessoal.
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    "A palavra é a metade de quem a pronuncia, metade de quem escuta".
    - (Ensaios, Livro III, Capítulo XIII - "Da experiência")


    "Ensinar os homens a morrer é ensiná-los a viver".
    - (Ensaios, Livro I, Capítulo XX - "De como filosofar é aprender a morrer")


    "Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu de servir; nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e coação."
    - (Ensaios, Livro I, "De como filosofar é aprender a morrer)


    "Cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra."
    - (Ensaios, Livro I, "Dos canibais")


    "Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade."
    - Et ne feut iamais au monde deux opinions pareilles, non plus que deux poils, ou deux grains : leur plus universelle qualité , c'est la diversité.
    - Essais: avec des sommaires analytiques, et les notes de tous les commentateurs; precedes de la preface de Mademoiselle de Gournay et d'un précis de la vie de Montaigne‎ - Página 330, Michel Eyquem de Montaigne, Marie de Jars de Gournay - Tardieu-Denesle, 1828 - 391 páginas


    "A covardia é a mãe da crueldade."
    - la couardise est mere de la cruauté
    - Les Essais: ensemble la vie de l'autheur et 2 tables‎ - Página 509, Michel Eyquem de Montaigne - 1652



    Patrick Henry constata que o processo generalizado de secularização, a ascensão da burguesia, o colapso do mundo épico, a erosão da crença no valor literário antigo e a crise da exemplaridade de modo geral estimularam uma atitude anti-mimética, que estaria mais atenta às experiências individuais, do que em fornecer modelos transhistóricos e universais que dessem conta da extensa totalidade da vida. Seria agora a predominância de um espírito da contestação direta ao DOGMATISMO Católico que reinou por tanto tempo na Europa? A época renascentista foi, pois, marcada por uma crise generalizada das formas tradicionais de explicação do mundo. Vale lembrar que o século XVI assistiu a disputa da Reforma acerca do que seria o critério correto para o conhecimento religioso, ou seja, sobre a chamada “regra da fé”. A emergente religião protestante, sobretudo com Martinho Lutero, punha em questão a autoridade tradicional católica e, defendia a consciência individual no que se refere à interpretação das Escrituras.


    Mas este século foi também palco da nascente revolução científica e do surgimento de uma nova cosmologia, que viria a substituir o mundo geocêntrico ou mesmo antropocêntrico da astronomia grega e medieval, pelo universo heliocêntrico. Segundo Alexandre Koyré, as transformações científicas e filosóficas postas em cena no século XVI constituem a pré-história do que viria a ocorrer no século seguinte, ou seja, do desaparecimento de uma concepção do mundo como um todo finito, fechado e ordenado hierarquicamente em favor de um universo indefinido e até mesmo infinito, que é mantido coeso pela identidade de seus componentes e leis fundamentais.

    Por fim, vale notar, como o fez Danilo Marcondes, que a descoberta do Novo Mundo, cujo marco inaugural é tradicionalmente 1492, também pode ser considerada um dos elementos constitutivos deste contexto histórico de formação do pensamento moderno, uma vez que seu impacto econômico, político e cultural levou a uma profunda transformação do mundo europeu.

    O contato com os povos indígenas levantou a questão sobre a universalidade da natureza humana, suscitou vários conflitos de doutrinas, revelou a falta de critérios capazes de fundamentar decisões científicas, morais, políticas e jurídicas, além da necessidade de revisão da própria cultura européia. O desafio ético posto pela descoberta do Novo Mundo está em Montaigne concentrado principalmente nos ensaios Dos Canibais e Dos Coches, onde o autor brinca com os conceitos de civilização e barbárie utilizados pelos europeus na sua distinção em relação aos índios canibais, e os inverte, fazendo assim notar o caráter relativo dos mesmos.

    Em suma: O século XVI é, pois, um século que aprendeu a duvidar da autoridade tradicional que os antigos ensinamentos e modelos poderiam exercer em um mundo cada vez mais confrontado com uma inesgotável diversidade. Esta época coincide com a retomada da filosofia cética grega, que passa a ser usada como argumentação para a crítica da crença na soberania da razão e para a afirmação da isosthenéa. Montaigne é talvez o pensador que no século XVI mais fortemente sentiu a influência pirrônica. Mas, para além da importância da leitura das Hipotiposes Pirrônicas, o temperamento cético de Montaigne foi, segundo Zachary Schiffman, estimulado desde a infância. A instabilidade de sua faculdade de julgamento, não raro expressa por Montaigne, teria as suas raízes no hábito adquirido e cultivado no Collège de la Flèche, onde o ensino era principalmente voltado para o desenvolvimento da argumentação in utram que partem, que se baseia na consideração de um mesmo tema a partir de distintos pontos de vista. (SCHIFFMAN, Zachary. Montaigne and the Rise of Skepticism in Early Modern Europe: a Reappraisal) A Apologia a Raymond Sebond é o ensaio cético por excelência de Montaigne, onde ele expressa, da maneira mais “sistemática” possível, a sua inclinação para esta corrente filosófica, ao estabelecer uma série de limites às pretensões de conhecimento racional e supostamente infalível em torno ao mundo natural e moral. A filosofia pirrônica, ao apresentar o homem nu e vazio, faz com que ele reconheça a sua fraqueza natural e o eterno desacordo entre as filosofias. Na Apologia são retomados alguns dos tropos de Enesidemo – presentes nas Hipotiposes Pirrônicas de Sexto Empírico -, que enfatizam os obstáculos enfrentados pelo sujeito no processo de conhecimento dos objetos, enfatizando a impossibilidade daquele ter qualquer comunicação com o ser destes.

    Montaigne se dedica, enfim a desmascarar a vanidade da ciência, sacudindo corajosamente os fundamentos precários sobre os quais ela se constrói e ridicularizando a esperança científica depositada na imparcialidade da razão humana que, segundo ele é um instrumento de chumbo e de cera, alongável, dobrável e adaptável a todas as perspectivas e a todas as medidas. (MONTAIGNE, Ensaios, II, 12, p. 349) Os conteúdos racionais não passariam de “resveries” e consistiriam na tentativa de dar a uma determinada crença ou opinião a aparência de verdade. Os sentidos, fundamento de todo o conhecimento humano, também estão sujeitos à instabilidade e à insegurança, pois as alterações do corpo e do espírito influenciam a percepção transmitida pelos sentidos e, portanto, o julgamento humano. A impressão da certeza é, logo, um atestado certo de loucura e de extrema incerteza. (MONTAIGNE, Ensaios, II, 12, p. 312)


    O que distingue a posição montaigneana diante dos embates filosóficos é que não há nele nem uma visão pessimista, ou melancólica, nem uma defesa otimista do que estaria por vir. Diante da oposição entre novas e antigas maneiras de explicação do mundo, ele se mostra impassível, já que não há como decidir qual delas seria a portadora da verdade. Isto porque qualquer pressuposição humana e qualquer enunciação tem tanta autoridade quanto outra. (MONTAIGNE, Ensaios, II, 12, p. 312)

    A constatação cética da isosthenéa, evidente nesta última citação, faz com que ele considere a disputa em torno destas questões como sendo eterna. Todas as coisas produzidas por nossa própria razão e capacidade, tanto as verdadeiras como as falsas, estão sujeitas a incerteza e a debate. (MONTAIGNE, Ensaios, II, 12, p. 330)

    Montaigne foi um pensador extremamente sensível para a percepção da inefável diversidade que caracteriza o estar o ser humano no mundo e que perpassa não apenas o âmbito intelectual, ou das idéias, mas constitui a própria condição humana. Isto porque, segundo o próprio Montaigne, não há qualidade tão universal quanto a diversidade e a variedade. (MONTAIGNE, Ensaios, III, 13, 423)

    Tal constatação marca uma aproximação fundamental com a filosofia cética, já que se assemelha ao décimo Modo de Sexto Empírico, ou seja, ao axioma cosmopolita do ceticismo. Além disso, marca também uma postura ética e intelectual profundamente tolerante, já que frente a essa multiplicidade não há para ele princípios ou doutrinas que sejam mais verdadeiras, ou seja, que desfrutem de uma superioridade ontológica. Isto não significa que não haja nos Ensaios defesas de pontos de vista. Ao contrário, a obra de Montaigne é recheada de tomadas de posição, sejam elas em assuntos políticos, ou em religiosos. No entanto, elas não se prentendem universalmente válidas, ou atemporais, mas são conscientemente contextuais e declaradamente pessoais. Afinal, diante da inesgotável diversidade e imprevisibilidade da ação humana, como seria possível escolher um modelo adequado a partir do qual se deve pautar a ação ou o comportamento humano?

    Confira o artigo completo:
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    (Crise da exemplaridade, ceticismo e criação ensaística em Michel de Montaigne)
    OUTRAS Fontes utilizadas: MARCONDES, Danilo. O impacto do descobrimento do Brasil no pensamento moderno
    KOYRE, Alexandre. Do Mundo Fechado ao Universo Infinito
    HENRY, Patrick. The Rise of the Essay: Montaigne and the Novel http://pt.wikiquote.org/wiki/Michel_de_Montaigne

    Acesse Resumo Mito e Filosofia - Noções Gerais
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    (Resumo/Aulas JUNHO/maio 2010)
    Acesse Resumo Mito e Filosofia - Noções Gerais
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    (Resumo/Aulas maio 2010)
    Acesse aqui Resumos de outras semanas
    (Filosofia/Aulas/Resumos/Mês ABRIL)
    Acesse aqui Resumos de outras semanas
    (Filosofia/Aulas/Resumos/Semana 29/03-01.04)
    Acesse aqui Resumos de outras semanas
    (Filosofia/Aulas/Resumos/Semana 01-05/03/10)
    Acesse aqui Resumos de outras semanas
    (Filosofia/Aulas/Resumos/SEMANA 08-12.03.2010)
    Em breve os resumos sobre as escolas filosóficas do Relativismo, Dogmatismo, Racionalismo, Empirismo e Criticismo.
    Resumos sobre a Filosofia Moral (Ética) - conceituações e aplicações.

    filoparanavai 2010


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