domingo, 18 de abril de 2010

DE OLHO NA MÍDIA que manipula a CONSCIÊNCIA da população BRASILEIRA: cabe ao brasileiro dizer NÃO, chega de Alienação!!!

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OLHAR CRÍTICO




CRÍTICAS À
MÍDIA BRASILEIRA


De OLHO na Mídia: DataFolha vira DataSerra, DataTucano, Data... só data... A IMPRENSA brasileira perdeu o mínimo de pudor no jogo do "vale tudo"...
Eduardo Guimarães: Datafolha publica pesquisa "maluca" e surpreende a todos (no site pt)/ Texto publicado no blog Cidadania.com:Caso Datafolha promete

Se você, leitor, chegou de Marte agora, permita-me atualizá-lo sobre um escândalo que promete ser rumoroso entre os setores mais politizados da população. No último sábado, o instituto Datafolha, pertencente à Folha de São Paulo, publicou uma pesquisa sobre a sucessão presidencial que surpreendeu a todos, inclusive àqueles que beneficiou.

Como Dilma Rousseff vem crescendo em todas as pesquisas de intenção de voto para presidente e seu adversário José Serra vem caindo, Márcia Cavallari, do Ibope, João Francisco Meira, do Vox Populi, Mauro Paulino, do Datafolha, e Ricardo Guedes, do instituto Sensus, reunidos publicamente em São Paulo na semana passada em evento da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas, concordaram que a candidata petista é hoje a favorita para ganhar as eleições de 2010.

De repente, porém, aparece essa pesquisa Datafolha mostrando queda da petista (dentro da margem de erro) e considerável subida do tucano. O resultado foi tão surpreendente que, em sua coluna deste domingo na Folha, o colunista Clóvis Rossi diz assim que não entendeu nada:

“O resultado da pesquisa mais recente, ontem publicada, é um denso mistério, ao menos para mim. Não consigo encontrar uma explicação forte para o fato de José Serra ter subido quatro pontos em um mês”.

Não foi por outra razão que, no mesmo sábado em que a pesquisa “sui generis” foi divulgada, o diretor do Datafolha tentou explicar o inexplicável com o velho clichê de que “pesquisas são um retrato do momento” etc.

Já neste domingo, a Folha publica um editorial pretendendo explicar mais do que a pesquisa “estranha”, mas o futuro, ou seja, o que outras pesquisas deverão mostrar.

“SÃO SURPREENDENTES, ainda que não constituam reversão categórica nas tendências do eleitorado, os números da pesquisa do Datafolha sobre sucessão presidencial, divulgados ontem(…)”.

Mais sincero – ou descuidado – que Rossi, outro colunista da Folha, o Kennedy Alencar, explicou, na internet, a situação que levou o jornal mais engajado na candidatura do PSDB à Presidência a literalmente estuprar o seu Datafolha. Segundo ele, sem essa pesquisa o lançamento iminente da candidatura tucana à Presidência ocorreria em clima de “velório”.

A pressa da Folha em “explicar”, não a sua pesquisa “maluca”, mas os resultados de outros institutos que deverão contrariá-la em breve, denota que o partidarismo pode ter causado um dano muito sério a um dos pilares de sua sustentação no mercado. O Datafolha é – ou era – um diferencial desse veículo de comunicação.

Penso que o efeito pretendido pela Folha e por José Serra ao engendrarem essa aparente farsa estatística poderá ser conseguido, só que parcial e inicialmente. Os leigos acreditarão na reação de Serra, bem como parte dos tucanos, dos seus aliados em outros partidos e de financiadores de campanha identificados com o projeto eleitoral da direita.

Todavia, duvido de que outros institutos, além do Ibope, aceitarão se envolver nessa farsa. Daí as insistentes “explicações” da Folha para o tsunami estatístico que vem por aí e que deverá fazer este assunto retornar à pauta política em breve. Não percam, portanto. Será divertidíssimo.

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E AGORA DATA FOLHA? ainda bem que existe o contraditório, é muito bom não existir somente o Data Folha como instituto de pesquisa. Assim ganha a Democracia, ganha o povo brasileiro.



Pesquisa Vox Populi desmente Datafolha e mostra empate entre Dilma e Serra


Pesquisa sobre a sucessão presidencial do instituto Vox Populi divulgada neste sábado (3) pelo Jornal da Band mostra que a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff subiu 4 pontos percentuais e vai a 31%, tecnicamente empatada com com o tucano José Serra,mque tem 34%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

O deputado federal Ciro Gomes tem 10% e a senadora Marina Silva, 5%. Brancos e nulos somam 7% enquanto 13% não souberam responder.

Num cenário sem Ciro Gomes na disputa, Serra aparece com 38% das intenções de voto e Dilma, com 33%. Marina tem 7%, brancos e nulos, também 7% e 15% não souberam responder.

A pesquisa do Vox Populi mostra um resultado bem diferente do último Datafolha, divulgado no dia 27. Nele, Serra aparece nove pontos à frente de Dilma, com 36% contra 27% de Dilma.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas nos dias 30 e 31 de março. Não foram divulgadas simulações de segundo turno.
Com informações do st pt.


Por uma outra mídia “É o falso que se pretende verdadeiro”, esta afirmação é do professor Fernando Lefèvre, da Faculdade de Saúde Pública da USP. Ele analisou o discurso midiático e suas consequências para a saúde coletiva, na palestra Riscos do risco: interrogando as relações entre mídia e saúde. É apenas mais um constatação que os pensadores fazem em relação à mídia brasileira e seu desvio de papel na construção de uma sociedade mais justa e mais democrática.

"(...) Esse discurso gera o que o professor chamou de riscos do risco. O primeiro seria a personalização do risco pela culpabilização da vítima, exemplificado na representação dos moradores da cidade de São Paulo como estressados que precisam fazer... “ioga”, conforme soprou alguém da plateia, durante a palestra. Os meios de comunicação falam muito de sintomas, mas pouco das causas.

A dramatização é o segundo risco do risco: espalha medo e leva a comportamentos irracionais. Lefèvre lembrou as coberturas da gripe suína e da febre amarela, em que a mídia colaborou para manter clima de pânico, concretizado no crescimento da procura por máscaras, álcool gel ou vacina. O terceiro: a banalização, repetindo-se tanto uma informação que as pessoas acabam ficando anestesiadas, como na prevenção da dengue. O quarto é a coletivização do risco, em que se dissolvem as responsabilidades.

Essa realidade impõe desafios: coletivizar o risco sem dissolver responsabilidades, mostrando que todos estão envolvidos; fundá-lo num entendimento que leve à ação; torná-lo público e acessível, em vez de apresentá-lo de maneira pastosa; estabelecer exato balanço entre qualificar e quantificar o risco. Para Lefèvre, a luta não deve ser contra a mídia, mas por uma outra mídia. “Ela não precisa ser o que é, não está condenada”.

No painel Produção de sentidos e saúde: as mensagens das agências e do Ministério da Saúde veiculadas na mídia, a sanitarista Lígia Rangel, da UFBa, destacou que a mídia usa estratégias discursivas “para influenciar a construção de valores”. Uma delas seria a repercussão das doenças no espaço público, que questiona “os modos de vida contemporâneos”. Foi assim com a aids na década de 1980 e agora com a epidemia de H1N1.

“A mídia está sempre à procura de uma catástrofe”, disse Lígia, salientando o aumento significativo na “produção de saúde” nos meios de comunicação, cujo sentido é a venda de produtos. Por isso cobrem as doenças, as terapêuticas e as tecnologias, ao mesmo tempo em que estimulam “um padrão ideal de comportamento saudável”. O procedimento é seletivo: primeiro, há a escolha dos eventos que se tornarão públicos; depois, selecionam as fontes — geralmente especialistas — e editam suas falas.

A abordagem em geral é sensacionalista, “promovendo inconsequentemente o pânico e a busca por serviços”, já que descontextualiza a informação e trabalha sob o domínio de interesses comerciais. “Pretensamente vigilante das ações públicas”, a mídia reafirma “interpretações do senso comum para problemas complexos”, em matérias superficiais e simplistas, que reforçam preconceitos".

fonte: http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/90/01.html

Dengue e mídia





Adriano De Lavor

A situação é quase sempre a mesma: o período de chuvas mais intensas traz consigo os primeiros casos de dengue no país. Não demora muito, a doença sai do esquecimento e volta às manchetes dos jornais. Vai haver nova epidemia?; as autoridades estarão preparadas para enfrentá-la?; que investimentos foram feitos para orientar a população e prevenir a doença?, indagam repórteres e formadores de opinião. Rapidamente, um fluxo desordenado de informações entra no ar, consequência da nem sempre harmoniosa relação entre imprensa, especialistas e poder público — especialmente, quando o assunto é dengue.

Os questionamentos acerca da responsabilidade pelo problema, as recomendações preventivas, os boletins epidemiológicos, bem como as cenas de hospitais lotados e os registros de morte são vozes de um conflito informativo que nem sempre ajuda a população a se proteger da contaminação com o vírus transmitido pelo Aedes aegypti. Muita informação que gera pouca comunicação.

Diante desse embate midiático, Radis ouviu gestores, especialistas e jornalistas, que analisaram o atual quadro da dengue no país, opinaram sobre possíveis caminhos que levem à sintonia entre informação e prevenção e deram dicas de como a comunicação pode favorecer o combate à dengue e, por conseguinte, contribuir para a manutenção da saúde.

O quadro atual

Para analisar 2010, é preciso voltar ao início de novembro de 2009, quando o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou, em Recife, a Caravana contra a Dengue, campanha que percorreu 10 mil quilômetros em nove estados com ações de conscientização e mobilização. A escolha da capital pernambucana deveu-se ao fato de o estado ter reduzido em 86% o número de casos, em comparação a 2008, e não ter registrado naquele ano mortes causadas pela doença. O quadro geral, por sinal, apontava tendência decrescente, com exceção de seis estados que tiveram aumento expressivo do número de casos — Acre (745%) e Mato Grosso (237%), liderando a lista, além de Mato Grosso do Sul, Bahia, Espírito Santo e Amapá.
No início de fevereiro de 2010, novo relatório divulgado pelo Ministério da Saúde reforçava a tendência geral decrescente: entre 2008 e 2009, registrou-se queda de 34,2% no número de casos, e redução nas formas graves e nas mortes causadas pela doença. Os números indicavam 529.237 notificações, em 2009, ante as 803.522 de 2008. Os índices mais positivos foram registrados no Rio de Janeiro (redução em 95,7% dos casos), Rio Grande do Norte (91,4%) e Sergipe (89,6%). O relatório apontava, porém, aumento em Rondônia, Acre, Amapá, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O balanço geral positivo contrastava com as notícias enfatizadas pela imprensa no mesmo período, que se baseavam nos cenários locais e em dados mais recentes, muitas vezes, negativos; o ministério trabalhava com estimativas gerais resultantes de análises do ano anterior. Assim, leu-se nos jornais que em Ribeirão Preto (SP) 518 casos já haviam sido registrados no início de fevereiro; no Mato Grosso do Sul, os 5.583 casos notificados apenas em janeiro de 2010 superaram a totalidade dos casos de 2009 — 5.179 notificações. No Rio de Janeiro, as notícias tomaram como base os números do Levantamento do Índice de Infestação Rápido pelo Aedes Aegypti (Liraa), de outubro de 2009, que indicavam presença do mosquito três vezes maior do que a considerada “tolerável” pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados nortearam o lançamento de caderno especial do Globo (A dengue ainda à espreita), no início de fevereiro, que ganhou tom alarmista. A publicação considerou ineficaz a “mobilização apenas em épocas específicas do ano”, e alertou para a eventual chegada do vírus do tipo 4 ao Sudeste ou o retorno do vírus 1 ao Rio, o que poderia provocar “uma nova epidemia”. Não explicou, porém, que os dados do Liraa devem ser tomados em conjunto com outras variáveis e que o aumento do índice de infestação do mosquito não necessariamente implica epidemia iminente.

na imprensa

Os jornais associaram aos números divulgados possíveis explicações para a epidemia: aumento do volume de chuvas e altas temperaturas, ineficiência do inseticida utilizado, desmobilização da população em relação à prevenção e à erradicação dos focos de mosquitos. Muitos publicaram quadros explicativos nos moldes de “tudo o que você precisa saber sobre a dengue”, e reforçaram a recorrência do problema. “Há mais de duas décadas mosquito transmissor da dengue inferniza a vida dos cariocas”, lia-se no suplemento do Globo.

No fim do mês, novos números divulgados pelo Ministério da Saúde expressaram a realidade descrita na imprensa: 108.640 registros em todo o país, entre 1º de janeiro e 13 de fevereiro de 2010. No mesmo intervalo de 2009, haviam sido 51.873. O balanço parcial apontou concentração de 71% dos casos em cinco estados, nas seis primeiras semanas de 2010: Rondônia, Mato Grosso do Sul, Acre, Mato Grosso e Goiás. Os índices variavam entre 432,2 e 891,7 casos por 100 mil habitantes, nível de incidência considerado alto pelas próprias autoridades.

O documento indicou situação crítica em cinco municípios, que concentraram 34% das notificações: Campo Grande (12.712 casos), Goiânia (12.316), Aparecida de Goiânia (GO) (3.280), Rio Branco (5.056) e Porto Velho (3.412). Foi apontada, ainda, uma diminuição no número de mortes (21, em 2010, contra 31, no mesmo período de 2009). Conforme os parâmetros do ministério, a incidência em Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal foi considerada baixa.

No dia seguinte à divulgação do relatório, a repercussão na imprensa foi espetaculosa. O Jornal do Brasil chamou atenção para o “alarmante” aumento de 100% no número de casos no país. “O ministério lembrou que não há uma epidemia no país”, destacou a notícia, acompanhada da legenda “culpa vem de cima”, sob a foto do coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho. No texto, ele creditava parte da responsabilidade do aumento à chuva e às altas temperaturas.

Na Folha de São Paulo, enquanto a manchete anunciava que os casos mais que dobraram este ano, o texto informava que Giovanini evitava confirmar negligência dos prefeitos de cidades com alta de casos. O periódico paulista também destacou a recirculação da dengue do tipo 1 como outra causa do aumento no número dos casos. O jornal carioca Meia Hora foi mais além, anunciando “risco de uma nova epidemia”.

No mesmo dia, o editorial do Estado de São Paulo (Alerta contra o mosquito) decretou: “a epidemia está de volta”. O texto criticava ações da Caravana da Dengue e declarava que os recursos de R$ 1,02 bilhão destinados à vigilância sanitária, não deram “resultados esperados”. Para o jornal, tudo se devia às “políticas descontinuadas de combate à doença nos municípios”. Em outra notícia, na mesma edição do Estadão, informava-se a vulnerabilidade dos estados do Nordeste — por conta do aumento das chuvas em março —, destacando que gestores já estavam alertados para o aumento do risco da doença.

Nova epidemia?

Mas, afinal, temos nova epidemia? Giovanini Coelho admitiu à Radis que o risco existe. Ele destacou que é necessário diminuir os índices de infestação abaixo de 1% para que não ocorra transmissão da doença. No caso do Rio de Janeiro, ele lembrou que o índice divulgado (2,9%) é apenas uma média, o que significa que certamente algumas áreas podem apresentar números superiores.

O professor Maulori Curié Cabral, do Departamento de Virologia do Instituto de Microbiologia da UFRJ, definiu a situação como “típica de endemia nacional”. Para ele, sempre haverá casos de dengue em alguma cidade. “Estamos num país tropical; o clima favorece os mosquitos”, justificou. Maulori afirmou que a presença de Aedes aegypti no ambiente urbano já é motivo para preocupação, ainda mais quando o índice de infestação é alto e há chances de aparição do vírus tipo 4, “já detectado em Manaus”.

O infectologista Rivaldo Venâncio, responsável técnico pelo escritório da Fiocruz em Campo Grande (MS) e integrante do comitê de assessoria do Ministério da Saúde para dengue e febre amarela, afirmou que são falsas as polêmicas do tipo “é epidemia ou não é?”. Ele destacou que em muitos casos os gestores negam a condição por desinformação, outras vezes, “na tentativa de manipular a opinião pública”.

Rivaldo criticou o comportamento de negação, que desmobiliza a população, os profissionais de saúde e as próprias instâncias gestoras do SUS, “contribuindo para a demora no preparo da rede de saúde e para a ocorrência de mortes”. O especialista alertou que o Liraa auxilia o trabalho de gestores, mas, isoladamente, não é tão eficaz para predizer a ocorrência de epidemias de dengue. Deve estar associado a outras informações.

Ele afirmou que, enquanto os graves e históricos problemas estruturais não forem superados, vamos conviver com surtos de dengue no Brasil, “a menos que uma vacina eficaz contra os quatro sorotipos do vírus seja disponibilizada para a população”. Ele considerou como agravantes da situação a inexistência de modelos integrados e participativos, que atuem sobre o problema em toda sua magnitude e dimensão e envolva outros setores da sociedade. A solução para o problema “está fora da governabilidade do setor saúde”.

O infectologista criticou o debate superficial que busca “bodes expiatórios” e não leva em consideração o modelo de desenvolvimento social e econômico adotado pelo Brasil ao longo dos últimos 500 anos. “Costumamos esquecer, por exemplo, a existência de áreas nas quais é quase impossível a realização de ações de controle do vetor, dadas as condições de (in)segurança e as dificuldades de acesso aos domicílios”.

Ele lamentou que outros fatores, como a intermitência no abastecimento de água potável e a ausência de uma política agrícola estável no país — que gera um crescimento acelerado (e desordenado) dos centros urbanos —, ainda sejam tratados como variáveis secundárias na dinâmica de ocorrência da doença.

Para Rivaldo, depois de duas décadas convivendo com a dengue, é inevitável constatar que “as epidemias são previsíveis e as mortes delas decorrentes são evitáveis, na sua quase totalidade”. Por isso, a rede de serviços de saúde “deve ser planejada com a antecedência e a seriedade que o problema exige”.

Informar e cobrar

Nesse contexto, os profissionais de imprensa têm contribuições a dar. Para Giovanini Coelho, os jornalistas devem informar a população sobre como proceder em caso de suspeita da doença e orientá-la sobre sinais e sintomas. Além disso, cobrar das autoridades o cumprimento de seus deveres, além de “divulgar ações que comprovadamente dão resultados positivos”.

Rivaldo, embora não acredite que haja neutralidade no que divulgam alguns meios de comunicação, “sobretudo em anos eleitorais”, considera fundamental a colaboração da imprensa. É essencial o papel dos meios de comunicação nos momentos em que alguns dirigentes de saúde não reconhecem a gravidade da situação. “É inacreditável como, por vezes, a realidade dos fatos não é suficiente para sensibilizar gestores”.

A pesquisadora Lêda Régis, do departamento de Entomologia do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (Fiocruz/PE) considera “importantíssimo” o papel informativo da imprensa, sobretudo no caso de doenças com características de transmissão como as da dengue. Ela se disse preocupada com a divulgação de ordens tais como “cubra” ou “tampe” uma lista exaustiva de recipientes, para uma sociedade que “não reconhece e não estabelece ligação entre as diferentes formas do ciclo biológico do mosquito”.

Ela observou que determinações podem desviar a atenção das situações de risco, e recomendou: “É mais eficiente difundir conhecimentos que permitam às pessoas entender os porquês, do que emitir ordens”. Giovanini criticou setores da imprensa que exploram somente os aspectos dramáticos, como ocorrência de óbitos e formas graves da doença. Ele reconheceu que são dados relevantes, embora apenas deixem a população alarmada.

Entre os setoristas que cobrem a área de saúde, a dengue sempre rende uma boa discussão. Para Rose Mary Bezerra, redatora do Diário do Nordeste, em Fortaleza, a preocupação maior é checar as informações. “O risco é o gestor exagerar ou esconder fatos”, ponderou. Ela lembrou que, quando há epidemia, falta unidade entre os dados divulgados por diferentes órgãos do governo.

Outro ponto levantado pela jornalista é a falta de agilidade dos gestores no atendimento à imprensa, como a ausência de equipes de plantão nos fins de semana. Por outro lado, Rose criticou colegas que exploram a gravidade da situação: “Apavorar o leitor não ajuda a população a ser proativa e atrapalha os serviços de saúde”.

Miriam Moura, chefe de reportagem da TV Acre, em Rio Branco, também reclamou da falta de um discurso oficial único. Ela informou que, por trabalhar em uma cidade onde o número de casos da doença é quase sempre alto, o assunto está nos telejornais desde outubro, quando começam as chuvas na região: “É só aparecer o primeiro caso e já pautamos matérias”, revelou.

A dengue também faz parte do cotidiano de Paulo Yafusso, chefe de reportagem da TV Morena, em Campo Grande. Segundo ele, a emissora faz cobertura sistemática sobre a doença, desde que uma grande epidemia assolou a cidade, em 2007. Paulo reclamou da falta de agilidade dos gestores estaduais em lidar com a imprensa, já que somente divulgam dados estatísticos sobre a doença uma vez por semana. “Somos imprensa diária, temos que repercutir os casos”, argumentou.

Ele também disse que é difícil ignorar as reclamações feitas pelos espectadores. “Temos responsabilidade social com o público. Só hoje recebi três ligações de pessoas que estão nas filas dos hospitais e não conseguem ser atendidas”, disse ele. Para o jornalista, se a população procura a imprensa é porque os gestores não resolvem o problema. Paulo ressaltou ainda que a emissora também divulga ações positivas da comunidade: “Não é bom se atrelar somente às ações do poder público”, disse.

Sintonia possível

Situações extremas também podem gerar boas parcerias. Entre 2001 e 2002, Recife viveu uma grave epidemia de dengue, quando foram notificados pelo menos 35 mil casos da doença. Na época, a pesquisadora Tereza Lyra, do Departamento de Saúde Coletiva do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, era diretora de Vigilância em Saúde do município.

Ela ressalta ações implementadas pela gestão: diariamente, saía um boletim com o número de casos novos. “Nada foi omitido: nem número de casos, nem óbitos suspeitos, nem índices de infestação”. Tereza acredita que a postura estabeleceu confiança, já que não houve questionamentos maiores sobre as intervenções adotadas.

Outra medida, nesse caso, do lado que divulga a informação, contou com a ajuda do Jornal do Commercio, que publicou suplemento com informações e orientações elaboradas em grande parte pela própria equipe de vigilância. A disponibilidade da gestora também ajudou. Diariamente ela atendia jornalistas e radialistas e, pelo menos duas vezes por semana, participava de programas de televisão.

Tratar a questão com diferentes setores também foi fundamental. Tereza lembra que houve articulação com órgãos da própria prefeitura (empresa de manutenção e limpeza urbana, Defesa Civil e Secretaria de Educação, entre outros) e demais setores da sociedade, como entidades religiosas e representações profissionais.

Ela indicou como conseguiu estabelecer a boa relação com os jornalistas: “Uma boa relação com a imprensa se dá a partir do momento em que estabelecemos com ela e, consequentemente com a população, um clima de transparência”.

ARTIGO de Adriano De Lavor, publicada na Radis nº 92 – Abril de 2010
Revista de Comunicação em Saúde
Acompanhe a Revista RADIS em sua edições disponíveis gratuitamente no site
http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/radis-lista.html


Institutos reagem a ataques: "Questionável é a linha editorial da Folha"

Textos publicados nas últimas semanas pelo jornal Folha de São Paulo, com o aparente objetivo de desacreditar os resultados das pesquisas eleitorais dos concorrentes do Datafolha e valorizar os apurados pelo instituto do Grupo Folha, produziram uma crise entre as quatro maiores empresas de pesquisa do país. E despertaram, terça-feira e ontem, vigorosa reação dos presidentes do Vox Populi e do Sensus apoiada por integrantes do conselho de ética da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (ABEP).

Na terça-feira, o Vox Populi e o Sensus protestaram durante reunião da ABEP. Ontem, o diretor-presidente do Vox Populi, Francisco Meira, repetiu seu protesto a Brasília Confidencial.

“As discussões (sobre os resultados das pesquisas) deveriam manter um nível técnico, sobre as diferenças metodológicas. Infelizmente, a Folha optou por uma abordagem tendenciosa e sem argumentos consistentes. Questionável é a linha editorial da Folha de São Paulo”, atacou Francisco Meira. E continuou: “A diferença entre nós é a existência de um grande veículo de comunicação que se dispõe, talvez por solidariedade aos colegas do departamento de pesquisa, a praticar um jornalismo de má qualidade, atacando sistematicamente empresas que divulgam resultados diferentes dos que lhe interessam”.

Inversões da Folha

A origem da crise está no comportamento que a Folha de São Paulo passou a adotar logo depois que publicou pesquisa do Datafolha em que, diferentemente de todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas neste ano, os resultados apontaram o crescimento do pré-candidato do PSDB, José Serra, e estagnação da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. Ao contrário também de uma tendência que o próprio Datafolha identificara um mês antes, de crescimento de Dilma e queda ou estagnação de Serra, os resultados publicados pelo instituto em 27 de março, duas semanas antes do lançamento da pré-candidatura tucana, apontaram outro cenário.

Embora o Vox Populi e o Sensus não tenham levantado suspeita sobre esses resultados apurados pelo Datafolha e exibidos pela Folha, o jornal começou a questionar o trabalho dos concorrentes, cujos resultados, em resumo, não favoreceram a candidatura tucana (veja no quadro). Eles apontaram, no fim de março e no início de abril, a continuidade do crescimento da candidatura petista e empate entre Serra e Dilma.

“Fora de contexto”

A Folha de São Paulo publicou notas insinuando que a ordem das perguntas utilizada pelo Vox Populi poderia interferir no resultado das pesquisas.

“A Renata Loprete, a Mônica Bergamo e o Fernando Rodrigues receberam uma nota de esclarecimento. Demoraram cinco dias para publicar nossa posição. Quando o fizeram, foi fora de contexto, passando ao leitor a impressão de que nossa resposta se referia a outras acusações”, afirmou terça-feira e reafirmou ontem o diretor-presidente do Vox Populi.

Poucos dias antes da divulgação da mais recente pesquisa do instituto Sensus, que mostra diferença inferior a meio ponto percentual entre Serra e Dilma, a Folha de São Paulo se voltou contra o outro concorrente do Datafolha. O jornal tentou desqualificar o trabalho do Sensus, antes mesmo de que os resultados fossem divulgados, explorando uma troca no nome do contratante da pesquisa.

“A Folha pinçou esse fato e transformou em uma matéria de primeira página que não diz absolutamente nada”, reclamou Ricardo Guedes, diretor do Sensus, na reunião com o conselho de ética da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa.

O presidente da ABEP, Waldir Pile, que intermediou o debate entre os presidentes dos institutos, disse que a associação não impõe normas de conduta aos filiados. Mas frisou que, certamente, a melhor forma para discutir eventuais discordâncias de metodologia “não é através de notas na imprensa”.

As diferença incomôdas

Instituto Datafolha (25/26 de março) >> Candidatos Serra 36% x Dilma 27%
Vox Populi (30/31 de março) >> Serra 34% x Dilma 31%
Sensus (5 a 9 de abril) >> Serra 32,7% x Dilma 32,4%
fonte: Brasília Confidencial (http://www.brasiliaconfidencial.com.br/)


Emir Sader: Por que a Folha mente (mente, mente, mente, desesperadamente)


As elites de um país, por definição, consideram que representam os interesses gerais do mesmo. A imprensa, com muito mais razão, porque está selecionando o que considera essencial para fazer passar aos leitores, porque opina diariamente em editoriais – e em matérias editorializadas, que não separam informação de opinião, cada vez mais constantes – sobre temas do país e do mundo.

A FSP, como exemplo típico da elite paulistana, é um jornal que passou a MENTIR abertamente, em particular desde o começo do governo Lula. Tendo se casado com o governo FHC – expressão mais acabada da elite paulistana -, a empresa viveu mal o seu fracasso e a vitória de Lula. Jogou-se inteiramente na operação “mensalão”, desatada por uma entrevista de uma jornalista tucana do jornal, que eles consideravam a causa mortis do governo Lula, da mesma forma que Carlos Lacerda,na Tribuna da Imprensa, se considerava o responsável pela queda do Getúlio.

Só que a história se repetiria como farsa. Conta-se que, numa reunião do comitê de redação da empresa, Otavio Frias Filho – herdeiro da empresa dirigida pelo pai -, assim que Lula ganhou de novo em 2006, dava voltas, histérico, em torno da mesa, gritando “Onde é que nós erramos, onde é que nós erramos”, quando o candidato apoiado pela empresa, Alckmin, foi derrotado.

O jornal entrou, ao longo da década atual, numa profunda crise de identidade, forjada na década anterior, quando FHC apareceu como o representante mor da direita brasileira, foi se isolando e terminou penosamente como o político mais rejeitado do país, substituído pelo sucesso de Lula. Um presidente nordestino, proveniente dos imigrantes, discriminados em São Paulo, apesar de construir grande parte da riqueza do estado de que se apropria a burguesia. Derrotou àquele que, junto com FHC, é o político mais ligado à empresa – Serra -, que sempre que está sem mandato reassume sua coluna no jornal, fala regularmente com a direção da empresa, aponta jornalistas para cargos de direção – como a bem cheirosa jornalista brasiliense, entre outros – e exige que mandem embora outros, que ele considera que não atuam com todo o empenho a seu favor.

O desespero se apoderou da direção do jornal quando constatou não apenas que Lula sobrevivia à crise manipulada pelo jornal, como saía mais forte e se consolidava como o mais importante estadista brasileiro das últimas décadas, relegando a FHC a um lugar de mandatário fracassado. O jornal perdeu o rumo e passou a atuar de forma cada vez mais partidária, perdendo credibilidade e tiragem ano a ano, até chegar à assunção, por parte de uma executiva da empresa, de que são um partido, confissão que não requer comprovações posteriores. Os empregados do jornal, incluídos todos os jornalistas, ficam assim catalogados como militantes de um partido (tucano, óbvio) político, perdendo a eventual inocência que podiam ainda ter. Cada edição do jornal, cada coluna, cada notícia, cada pesquisa cada editorial, ganharam um sentido novo: orientação política para a (debilitada, conforme confissão da executiva) oposição.

Assim, o jornal menos ainda poderia dizer a verdade. Já nunca confessou a verdade sobre a conclamação aberta à ditadura e o apoio ao golpe militar em 1964 – o regime mais antidemocrático que o país já teve -, do que nunca fez uma autocrítica. Menos ainda da empresa ter emprestado seus carros para operações dos órgãos repressivos do regime de terror que a ditadura tinha imposto, para atuar contra opositores. Foi assim acumulando um passado nebuloso, a que acrescentou um presente vergonhoso.

Episódios como o da “ditabranda”, da ficha falsa da Dilma, da acusação de que o governo teria “matado” (sic) os passageiros do avião da TAM, o vergonhoso artigo de mais um ex-esquerdista que o jornal se utiliza contra a esquerda, com baixezas típicas de um renegado, contra o Lula, a manipulação de pesquisas, o silêncio sobre pesquisas que contrariam as suas (os leitores não conhecem até hoje, a pesquisa da Vox Populi, que contraria a da FSP que, como disse um colunista da própria empresa, era o oxigênio que o candidato do jornal precisava, caso contrário o lançamento da sua candidatura seria “um funeral” (sic). Tudo mostra o rabo preso do jornal com as elites decadentes do país, com o epicentro em São Paulo, que lutam desesperadamente para tentar reaver a apropriação do governo e do Estado brasileiros.

Esse desespero e as mentiras do jornal são tanto maiores, quanto mais se aprofunda a diminuição de tiragem e a crise econômica do jornal, que precisa de um presidente que tenha laços carnais com a empresa e teria dificuldades para obter apoios de um governo cuja candidata é a atacada frontalmente todos os dias pelo jornal.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE. Mentirá no fim de semana com nova pesquisa, em que tratará de rebater, com cifras manipuladas – por exemplo, como sempre faz, dando um peso desproporcional a São Paulo em relação aos outros estados -, a irresistível ascensão de Dilma, que tratará de esconder até onde possa e demonstrar que o pífio lançamento de Serra o teria catapultado às alturas. Ou bastaria manter a seu candidato na frente, para fortalecer as posições do partido que dirigem.

Mas quem acredita na isenção de uma pesquisa da Databranda, depois de tudo o que jornal fez, faz e fará, disse, diz e dirá, como partido assumido de oposição? Ninguem mais crê na empresa da família Frias, só mesmo os jornalistas-militantes que vivem dos seus salários e os membros da oposição, com a água pelo pescoço, tentando passar a idéia de que ainda poderiam ganhar a eleição.

Alertemos a todos, sobre essa próxima e as próximas mentiras da Folha, partido da oposição, partido das elites paulistas, partido da reação conservadora que quer voltar ao poder no Brasil, para mantê-lo como um país injusto, desigual, que exclui à maioria da sua população e foi governado para um terço e não para os 190 milhoes de habitantes.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE.

Emir Sader é sociólogo e professor.
fonte: site PT

Quem é Emir Sader? Nasceu em São Paulo, no ano de 1943. Formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo. Fez Mestrado em Filosofia Política e Doutorado em Ciência Política, ambos na Universidade de São Paulo. Na mesma universidade, trabalhou como professor, primeiro de filosofia, depois de ciência política. Foi, ainda, pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile, professor de Política na UNICAMP e coordenador do Curso de Especialização em Políticas Sociais na Faculdade de Serviço Social da UERJ. Atualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia.
emirsader@uol.com.br

Livros publicados
Século XX - Uma biografia não-autorizada. Ed. Fundação Perseu Abramo, 2000.
O Anjo Torto (Esquerda e Direita no Brasil). Ed. Brasiliense, 1995
Estado e Política em Marx (Ed. Cortez)
A transição no Brasil: da ditadura à democracia? (Ed. Atual)
Cuba, Chile e Nicarágua: o socialismo na América Latina (Ed. Atual)
Que Brasil é este? (Ed. Atual)
O poder, cadê o poder? (Ed. Boitempo)
A Revolução Cubana (Ed. Scritta)
Democracia e Ditadura no Chile (Ed. Brasiliense)
Governar para todos (Ed. Scritta)
Da independência à redemocratização (Ed. Brasiliense)

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