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quarta-feira, 21 de abril de 2010

HERÓIS BRASILEIROS: O TIRADENTES

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"ELEIÇÕES 2010"
NAS URNAS vamos escolher:
RETROCESSO e/ou AVANÇO
VOLTA DO NEOLIBERALISMO e/ou GOVERNO POPULAR
ESTAGNAÇÃO e/ou CRESCIMENTO ECONÔMICO
Governo para POUCOS e/ou GOVERNO PARA TODOS
"(...) Os demo-tucanos querem, na prática, esconder que fizeram parte do fracassado governo FHC (1995-2002), que quebrou o país três vezes, levou ao apagão de 2001 e rastejou perante o FMI.

Em 2002, no plano federal, o povo queria mudanças e eles prometiam continuidade; agora, a grande maioria da população quer manter o ritmo mudancista, com crescimento econômico, geração de empregos e inclusão social, e eles querem retroceder.

A tática é tentar desconstruir os êxitos alcançados a partir de 2003.

Certamente o PT e seus aliados não terão dificuldades para remover as densas camadas de mistificação montadas para embelezar o retumbante malogro dos governos de FHC. Já em 2006, independentemente da histeria da maior parte da mídia, o povo separou o joio do trigo.

Insiste-se que o governo Lula seria simples continuação do de FHC, mas a maioria da população sabe que não é. Exemplo: em oito anos, FHC criou 780 mil empregos, registrados no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) para celetistas, enquanto em sete anos e meio o governo Lula gerou 12 milhões.(...)"

Fernando FERRO: Comparação entre Lula e FHC é inevitável
Dê um clique aqui e Acesse (ARTIGO - na íntegra - DE Fernando FERRO)
ESTE SERÁ O FUTURO GOVERNO TUCANO, SE ELEITO, GOVERNO DO RETROCESSO, DO RESGATE DO FALIDO NEOLIBERALISMO, GOVERNO DA DESINTEGRAÇÃO:
Jornal argentino questiona posição de Serra sobre Mercosul

O jornal argentino Clarín questionou as declarações de José Serra, pré-candidato tucano à presidência da República, que classificou o Mercosul como uma “farsa” e “um obstáculo para que o Brasil faça seus próprios acordos individuais em comércio”. As declarações foram feitas durante encontro de Serra com empresários na Federação de Indústrias de Minas Gerais (FIEMG). Serra disse ainda que “não tem sentido carregar o Mercosul” e que “a união aduaneira é uma farsa exceto quando serve para impor barreiras” ao Brasil.

As declarações do ex-governador de São Paulo surpreenderam negativamente várias lideranças latinoamericanas pelo desprezo que revelaram em relação ao processo de integração na América Latina. A sinalização de Serra foi clara: caso seja eleito, é o fim da integração.

As declarações do tucano, assinalou o Clarín, retomam teses já defendidas por ele quando foi derrotado por Lula em 2002. Essa visão, diz o jornal argentino, “supõe que o Brasil deva se afastar de Argentina, Paraguai e Uruguai, porque é a única maneira para seu país formar áreas de livre comércio com Estados Unidos e Europa, sem necessidade de “rastejar” diante de seus sócios”. Uma resolução do Mercosul, lembrou o jornal, estabelece que nenhum dos países do bloco pode realizar acordos comerciais separadamente sem discutir com os demais.

O Clarín também ironizou algumas afirmações do tucano. Serra disse que, sob um eventual governo seu, o mais importante será aumentar as exportações. “O certo”, diz o jornal”, “é que essa foi uma conquista obtida por Lula: desde que iniciou seu governo, no dia 1° de janeiro de 2003, o presidente conseguiu passar de 50 bilhões de vendas ao exterior para 250 bilhões. Ou seja, quintuplicou a presença brasileira nos mercados mundiais”.

Ao qualificar o Mercosul como uma farsa, Serra parece desconhecer, diz ainda o jornal, que o grosso das exportações industriais do país tem como destinatários países da América Latina. “Segundo estatísticas oficiais, 90% das vendas de produtos manufaturados de Brasil no mundo ocorrem no Mercosul e em mercados latinoamericanos”, diz ainda a publicação Argentina, que conclui:

“O candidato socialdemocrata evitou dizer como pretende reformular a posição do Brasil. Mas ignora que não é simples passar, como pretende, de um mercado comum definido por uma unia aduaneira a uma simples zona de livre comércio como a que existe no NAFTA. Ele pode desde já conquistar o desprestígio regional, além de submeter-se a severas punições por conta da ruptura de contratos internacionais”.

fonte: Carta Maior (www.cartamaior.com.br)

"o TIRADENTES"
JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER
Lutador pela independência do Brasil: 1746-1792
QUANDO TUDO ACONTECEU...

1746: Nasce em Pombal, distrito de S. José d’el Rei (hoje Tiradentes), Minas Gerais; os pais são Domingos da Silva Santos, nascido em Portugal, e Maria Antónia da Encarnação Xavier, nascida na Vila de São José d’el Rei (Brasil). - 1755: Morre Maria Antónia; o viúvo e os órfãos mudam-se de vez para a Vila de São José. - 1757: Órfão de pai. - 1780: Arregimenta-se como soldado. - 1781: É promovido a Alferes. - 1786: A mando do governador da capitania de Vila Rica, leva brilhantemente a cabo estudos demográficos, geográficos, geológicos, mineralógicos - quer de aplicação civil, quer militar. - 1788: Envolve-se na Inconfidência contra a Coroa portuguesa - 1789: Como conspirador, é preso no Rio de Janeiro. - 1792: É enforcado em praça pública e depois esquartejado.

À BEIRA DO FIM...

A primeiro de Maio, aparece na cidade o coronel Joaquim Silvério. Logo trata de visitar - e com que frequência – o conde de Resende. No dia 2, grande pressa. Cubículos especiais são mandados construir nalgumas das piores prisões. A sua guarda pessoal passa a ser constituída exclusivamente por portugueses. Dois granadeiros são encarregados de vigilância extraordinária. Informações sobre as origens de todos os seus soldados são solicitadas com urgência – estes são portugueses, aqueles são brasileiros....

Os granadeiros vigiam Joaquim José da Silva Xavier, conhecido por Tiradentes, por causa do ofício que aprendera com o padrinho. Agora é alferes do Regimento pago por Vila Rica, Minas Gerais. Andava a procurar gente que o ajudasse a libertar o Brasil através duma conspiração abominável. Sabedor de tal crime, o governador de Minas havia encarregado o Coronel, amigo do suspeito, de seguir seus movimentos e comunicar seus achados directamente ao Vice-Rei.

Tiradentes sonha. Ao ajudante de artilharia Nunes Cardoso, proclama:

- Esta terra há ser um dia maior que a Nova Inglaterra! Mas as suas riquezas só as poderemos alcançar no dia em que nos libertarmos do jugo dos portugueses para sermos os senhores da terra que é nossa.

Nunes Cardoso empalidece. Roga-lhe que nunca mais se refira a tais assuntos…

Mas Tiradentes não desiste. Pede a várias pessoas que lhe traduzam livros políticos ingleses, também a Declaração da Independência americana. Alguns dos livros têm até referências elogiosas à República… Em Vila Rica, na casa de João Rodrigues de Macedo, chegara mesmo a exibir a lista, por ele levantada, dos habitantes da capitania e comentara:

- Têm Vossas Mercês aqui todo este povo açoitado por um só homem, e nós todos a chorarmos como negros – ai, ai... E de três em três anos vem um, e leva um milhão; e os criados levam outro tanto; e como hão-de passar os pobres filhos da América? Se fosse outra nação já se tinha levantado!

Os amigos pedem-lhe que pare. Além disso, tens estado a ser seguido por dois granadeiros, informam-no. Tiradentes primeiro pensa liquidá-los. Depois opta por regressar mais depressa a Minas, quem sabe se na mira de precipitar o golpe... Pede um bacamarte emprestado e inicia os preparativos para a fuga. Mas, vigiado como anda, logo se apercebe que é impossível fugir. Esconde-se.

Em anterior viagem, havia curado a chaga cancerosa no pé da filha duma viúva. Pede-lhe ajuda. O decoro manda que não alberguem homem em casa. Tiradentes, por sua recomendação, vai para casa do ourives Domingos Fernandes, guiado pelo Padre Inácio Nogueira, sobrinho da viúva. Aí entra no dia sete de Maio pelas dez da noite.

O desaparecimento de Tiradentes provoca pânico entre os adversários. Na manhã do dia oito pede ao Padre que visite o coronel Joaquim Silvério, que continua a julgar seu amigo. O delator, que periodicamente envia relatórios escritos ao Vice-Rei sobre as actividades do amigo, finge-se preocupado. Quer saber do paradeiro de Tiradentes para poder ajudá-lo... Mas o Padre é jesuíta, contorna a inquirição, afirma não morar na Corte. Silvério não desarma e, ao encontrar na rua, no dia seguinte, outro clérigo, pergunta pelo Padre Inácio.

- Tenho bom negócio a propor-lhe.

O outro cai na esparrela e eis o Padre Inácio arrastado para o palácio do Vice-Rei. Pessoa comum, não resiste às ameaças, inclusivamente de morte. A teia começa a ser tecida.
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INFRA-ESTRUTURA I

Na segunda metade do século XVIII, do Rio de Janeiro para Norte, o processo económico dominante é a monocultura agrária sustentada pela mão-de-obra escrava, uma espécie de feudalismo tardio importado da Europa.

Já no Centro, em Minas Gerais, que tanto aqui nos interessa – mas também em Mato Grosso - a presença de ouro e diamantes, recentemente revelada, produz outro tipo de sistema económico. S. Paulo era a província em que mais tomara forma uma população brasileira autêntica, pronta a tomar posse de tudo a que pudesse lançar mão, mineral, vegetal, mineral ou… humano.

Depressa irrompem por Minas e Mato Grosso e não viram a cara ao confronto com aqueles que se lhes opõem. Assim, em 1708, no Rio das Mortes, chacinam os emboabas. Este é a alcunha tupi que dão aos reinois, pois emboaba quer dizer galinha ou pinto calçudo, evocação sarcástica das botas de cano alto usadas pelos portugueses que vinham da Metrópole para sacar e enviar para Lisboa o ouro do Brasil. A cidade principal da capitania é Vila Rica, vinte mil habitantes, luxo, esbanjamento, aventura, sangue. E a nova situação afecta os mercados do Norte, pois claro, que "isto anda tudo ligado". O preço dos negros sobe em flecha nos mercados de escravos.

Tanto basta para que, no Reino, os poderosos imponham as suas vontades: esse ouro pertence à Metrópole e não à colónia de onde é extraído. Se necessário, não terão pejo em recorrer à força. Porém, o tempo é amigo da distância e esta é irmã do desrespeito. Os escravos são na mesma trocados por ouro, através da Baía. As trocas comerciais estimulam o aparecimento de novas necessidades e consequentemente alarga-se o leque das ofertas. A sociedade prospera. Em Minas, mas também em S. Paulo, há grandes feiras. Rasgam-se caminhos para Sul, sedimenta-se o território. O gado vem do Rio Grande, quer para o abate, quer para a produção leiteira.

A repressão aumenta, ciclo vicioso. Novas leis ditando os direitos da Coroa sobre o ouro. Igualmente visando pôr fim ao contrabando. A revolta cresce e nessa revolta começa a germinar uma ideia: nacionalidade. Como todas as ideias tem uma história. E um precursor. Que tem nome, claro: Filipe dos Santos.

A PRISÃO

Os vultos assomam às janelas. Os mais afoitos saem à rua, timidamente, olham de longe, falam baixinho. Uma centena de soldados comandados pelo Alferes Francisco Pereira Vidigal, impede o trânsito no quarteirão onde fica a casa do ourives Domingos Fernandes, contratador e marcador de prata.

O cerco aperta-se. A casa parece deserta. Um soldado informa que um homem se escondeu no sótão com uma arma na mão. Vidigal, incerto, acaba por mandar forçar a entrada. Irrompe no sótão, rodeado por dezenas de soldados. O homem olha-os de frente mas não reage, não fala. Entrega-se. Veste o dólman. Põe o chapéu.

- Que pretendia fazer com o bacamarte?

- Resistir, mas são tantos…

INFRA-ESTRUTURA II

As contas do Rei são fáceis: seu, é um quinto de todo o ouro brasileiro. Não admira que aumentem as confrontações entre brasileiros e portugueses. Os resultados são variáveis. Se no Rio das Mortes quem leva a melhor são os paulistas, no Caeté vira-se o feitiço.

Braz Baltazar da Silveira, governador desde 1713, passa a cobrar outros impostos além do quinto, as chamadas taxas de entrada. E, porque o Rei supunha ser na mesma enganado, para garantir o quinto, cobram-se dez oitavas de ouro por bâtea.

O governador tenta um acordo que o Rei reprova. Nova tentativa resulta num compromisso. Para além duma redução nos outros impostos e taxas, em vez do quinto passarão as capitanias a arrecadar trinta arrobas de ouro e a enviá-las para o Reino. O governador inclui no acordo uma cláusula que virá a tornar-se importante: autorizações para decretar derramas (para garantir mesmo as trinta arrobas) e para criar novos impostos quando quisesse. E isso acontece mesmo.

Antes do(s) acordo(s), é a revolta do Rio Vermelho. Depois, as de Vila Rica, de Pitangui, do Rio das Velhas. Instabilidade. Entra em cena governador novo em 1717, o conde de Assumar. Agitação. O Conde propõe reduzir a taxa para vinte e cinco arrobas, mas todos os impostos vão para a Coroa por inteiro, nada fica no Brasil. O Rei ainda não está satisfeito e manda construir quatro fundições em Minas, que devem tratar todo o ouro e mandar vinte por cento do total fundido para a Metrópole. O quinto, o famigerado quinto... No século XX, no Brasil, dir-se-á ainda, os quintos do Inferno...

Para piorar as coisas, manda o Governador que não mais se use o ouro em pó, até aí a real, apesar de não ser a Real, moeda. Revolta. A de Vila Rica é a mais importante. O Conde de Assumar assina o acordo. O povo festeja. A mando do Governador, os soldados praticam violências e saques. Prendem também os chefes do movimento, que são enviados para Lisboa, condenados e presos. Filipe Santos é o chefe popular. Sabendo que não pode recuar, incita as massas contra o opressor, libertem os prisioneiros, rompam-se as amarras com a Metrópole!

É preso, julgado e enforcado. O cadáver é preso a um cavalo que lançam a galope. Sangue e morte. E a encenação virá a repetir-se. 



TIRADENTES: OS PRIMEIROS ANOS

Nasce por volta de 1746, em Pombal, distrito de S. José d'el-Rei. Os pais são Domingos da Silva Santos (português) e Maria Antónia da Encarnação Xavier, nascida em São José (Brasil). Aos nove anos fica órfão de mãe e muda-se, com seu pai e irmãos, para a sede da Vila (São José d’el-Rei). Aos doze anos fica órfão de pai, ficando a morar com suas tias na Vila. Um dos seus irmãos chega a capitão. Mas é com outros dois, padres, que Tiradentes se instrui. A letra é desembaraçada, vê-se que escreve, mais ainda por que não o faz com erros. Tudo quer saber e, não tendo uma educação ortodoxa, a verdade é que é dentista, médico e engenheiro de sucesso. Não tem jeito para o comércio, é verdade, nem como vendedor ambulante, nem depois como minerador (apesar dos seus vastos conhecimentos de mineralogia).

Para se aferir do grau de incultura reinante basta dizer que, pretendendo elogiar os seus conhecimentos de mineralogia, o governador Luiz de Menezes afirma que ele tem uma grande inteligência "meneira lógica"). E no entanto, marca passo. No exército, é sistematicamente preterido nas promoções. E os portugueses, mesmo os da pior qualidade, lá vão subindo, paulatinamente. Receios das hierarquias…

INFRA-ESTRUTURA III

Ouro e diamantes. Destes confirma-se que valem uma fortuna pela peritagem holandesa. Logo, o monopólio pela Metrópole. A zona de Rio Frio, conhecida pelo Distrito Diamantino, vive quase em estado de guerra tal é a repressão, o rigor no controlo. Nada escapa à voracidade da Metrópole. Consequência directa: o aumento do contrabando.

E é no contrabando que vai ganhando forma a ideia nacional, pois não é ele, por excelência, o meio de luta contra a Coroa? Tanto quanto as armas vale a criação duma verdadeira economia regional. Para mais, este fenómeno do contrabando não é tipicamente brasileiro, nem sequer latino-americano, nem apenas exclusivo da época…

ILUMINISMOS E ILUMINAÇÃO

"Está mais ou menos generalizada no Brasil a ideia de que a Inconfidência foi só um movimento de protesto contra a derrama que o governo português mandou fazer em 1789, a fim de recolher na capitania, dum modo violento, as quinhentas e vinte e oito arrobas de ouro de que se julgava credor. Isso não é verdade. A notícia de que a derrama se aproximava contribuiu, é claro, para agravar a situação e apressar o trabalho dos conspiradores, mas a ideia da conspiração - ou da revolução, pode-se mesmo dizer - vinha de mais longe e tinha razões mais complexas.

"A Inconfidência não pretendia apenas libertar Minas e o Brasil do jugo da Metrópole. Queria - e isto é o que precisa ficar bem claro - formar aqui uma grande nação republicana, com suas indústrias e possuindo um corpo de leis moderníssimas, de acordo com os postulados revolucionários que agitavam a França e por influência inglesa e francesa tinham já sido vitoriosos nos Estados Unidos."
(Brasil Gerson, in "História Popular de Tiradentes")

A riqueza de Vila Rica permite a formação duma elite intelectual, homens de letras, homens de leis. Uma certa juventude desafogada estuda em França, onde bebe o fermento revolucionário.

E nesse mundo os revolucionários dão-se as mãos. Kosciuzko, o libertador da Polónia, bem como Lafayette, Bouilé e Rochanbeau, heróis franceses, tornam-se heróis ianques e lutam ao lado dos fouding fathers Benjamin Franklin, George Wahington e Thomas Jefferson. Miranda, o aventureiro venezuelano, torna-se general do exército francês em luta contra ingleses, austríacos e prussianos. Abreu e Lima, brasileiro e filho de padre é, nos Andes, general de Bolívar.

José Joaquim da Maia, filho de pedreiro, estuda em França a expensas do pai. Pede audiência reservada a Jefferson, então embaixador em França. Apenas tem entusiasmo para oferecer. Trocam correspondência. Apesar de tudo o amigo americano afirma que reconhecerá a independência do Brasil tão logo ela aconteça. E trocas comerciais. E ajuda no estabelecimento de industrias. Vandek (tal é o nom de guerre de José Joaquim), aproveita a troca de cartas para cimentar ideias. É o início ainda tímido do pan-americanismo. Morre sem sequer ver a Inconfidência, doente - por ironia em Portugal. Influência em Tiradentes, será muito mais directa a de José Álvares Maciel, que andava por Inglaterra enquanto José Joaquim estava em França.

INFRA-ESTRUTURA IV
Os governadores sucedem-se. A turbulência social não diminui. A sangria do ouro, face às novas leis, é ainda maior. Um dos governador decreta uma dotação extraordinária de cento e vinte e cinco arrobas. Os impostos não param de aumentar, não apenas sobre a mineração. Todas as actividades económicas são sujeitas ao mesmo tratamento. Apesar de tudo, única maneira de acalmar os ânimos, chegam ao fim as casas de fundição.

Curvello tenta a Revolução. Quinze conspiradores são exilados para não mais voltarem. E a partir de 1755, deixa de poder haver indústria. Os teares apenas podem fabricar tecidos para uso dos escravos. E o fisco persegue a mineração como nunca. O caos alarga. O descontentamento rebenta aqui e ali. Em 1780, Rodrigo José de Menezes é Governador que tenta rumar contra a maré. Propõe uma série de reformas que considera essenciais. O Rei propõe-se apenas contemplar a implantação do serviço postal.

TIRADENTES: MORTE MATADA

No dia 21 de Abril de 1792 Tiradentes é enforcado no Largo do Lampadário, no Rio de Janeiro. Dos Inconfidentes, é o único executado, serve de exemplo. O seu corpo é esquartejado. Pedaços dele são espalhados pela estrada que vai para Vila Rica. Uma gaiola com a sua cabeça é alçada a um poste cravado no centro de Vila Rica.

De morte assim matada, Tiradentes morre solteiro. Deixa porém dois filhos menores, Joaquina e João.

Apesar da terem declarado infame o nome do pai e o da família, João é adoptado por um comerciante. Seguirá a carreira militar.

Joaquina vive com a mãe até à maioridade. Portanto pobre, afastada do mundo e de todos, privada de auxílio pelo clima de terror.

Eugénia Maria de Jesus, a companheira de Tiradentes, dizem que é bonita, despretensiosa, clara, de olhos azuis. Mas a pobreza tudo mata.

Tiradentes será herói e lenda, elas de nada sabem.

INFRA-ESTRUTURA V ou Cherchez la femme

Em 1783, o imposto relativo ao sal correspondia aproximadamente a noventa e oito por cento do seu valor de importação… Com valores destes, começa a ser pertinente investigarmos as causas desta sangria.

Na origem está o célebre Tratado de Methuen, que estudamos na escola como um dos grandes feitos do Marquês de Pombal. Celebrado em 1703 entre Portugal e a Inglaterra, acordava no seguinte: em troca dum abatimento de trinta e três e um terço por cento nas taxas aduaneiras, Portugal comprometia-se a dar à Velha Albion completa preferência às suas manufacturas, tanto na Metrópole como nas colónias.

Isto, que aparece inócuo e recíproco, começa a revelar a sua verdadeira face quando nos apercebemos que o consumo de vinhos portugueses pela Inglaterra não chegava à terça parte dos produtos manufacturados importados por Portugal. Consequência: saldo descaradamente positivo para os ingleses, dívida galopante dos portugueses. Remédio: a sangria do ouro brasileiro em direcção às terras para além do Canal da Mancha.

Eis a razão porque a Coroa recusa as reformas progressistas de Menezes. Portugal está absolutamente dependente da sua mais velha aliada, não pode permitir que a sua colónia lhe faça concorrência. Por outro lado, um Brasil desenvolvido criava o receio da autonomia. E sem colónias, que é Portugal?

Manietado pelo Tratado, o país afunda-se, também ele impedido de produzir e portanto de manter relações de comércio normais. A Corte esbanja o ouro no fausto e na luxúria e na devoção religiosa. Mafra e o convento de Odivelas, onde a Madre Paula recebe D. João V num palácio de conto de fadas. O mesmo D. João V que manda cunhar moedas especiais unicamente destinadas a pagar às suas mulheres… O Vaticano absorve grandes doações. Tudo isto alimenta a revolta dos colonos. E, quanto ao Império Britânico, acaba por acontecer o inevitável. A colónia portuguesa passa a ser bem mais interessante que a metrópole.

CONSPIRAÇÕES
Tiradentes e José Álvares Maciel conhecem-se desde a infância. Quando este volta ao Brasil, logo se encontram no Rio de Janeiro e esboçam um plano de acção. Depois, José torna-se advogado de Tiradentes, que não consegue receber o soldo. Isso permite-lhes atrair o tenente-coronel Francisco de Paula. O número aumenta, mais oficiais, padres, o coronel Inácio de Alvarenga, que deixara de ser magistrado por não querer servir um governo injusto e opressor e se dedica à mineração e ao gado.

Os encontros sucedem-se. Afinam-se pormenores. Tiradentes leva a sua avante: a revolução começará em Minas, pelo povo em marcha, logo seguido pela tropa. Alvarenga é a favor. Põem-se de acordo sobre "não haver levante sem degola". Quem será o escolhido? Tiradentes sugere que seja o ajudante do governador, figura sem escrúpulos e odiada por todos.

INFRA-ESTRUTURA VI
Os brasileiros são já milhões de consumidores e potenciais consumidores de produtos ingleses. Um mercado a não desperdiçar. Mas para o consolidar, é preciso que se desenvolva o território e tal não acontece. O empecilho chama-se Portugal. E a Inglaterra apressa-se a, mais uma vez virar as coisas a seu favor. Napoleão invade o país, eis a oportunidade dourada.

Temeroso de Napoleão, D. João V prepara a frota. Não lhe traça rumo embora se apreste a arribar à Madeira, para aí fixar provisoriamente a sede do governo. Ó doce ilusão!... Beresford, general e embaixador inglês, transmite-lhe ordens taxativas. Sem pestanejar, o rei obedece e parte no dia seguinte. Eis como vem para ao Brasil a toque de caixa, em 1808, a Corte portuguesa, incumbida de desenvolver a colónia e prepará-la para cair no colo dos ingleses. Os brasileiros olham atónitos para gente estranha, de roupas estranhas e costumes exóticos.

"Mas antes da abertura dos portos não era também da Inglaterra que o Brasil importava? (…) A importação se fazia, no entanto, através de Portugal, que tinha o monopólio do comércio com as suas colónias. E é natural que um país colonizador, mas sem indústria, perca por completo suas colónias no dia em que os navios de outros países, mais ricos que ele, conseguirem frequentá-las livremente, e ainda com certas regalias aduaneiras, porque até isso os ingleses obtiveram de D. João VI, em favor da Inglaterra, contra Portugal…"
(Brasil Gerson, ibid)

INCONFIDÊNCIA

Uns Inconfidentes resistem ao interrogatório, outros não. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

Je suis brézilien et vous savez que ma malheureuse patrie gemit dans un affreux esclavage, que devient chaque jour insupportable…

(carta de José Joaquim da Maia a Thomas Jefferson, embaixador dos Estados Unidos em Paris, cerca 1786)


A insurreição está marcada para quando começar a derrama. É até desenhada uma bandeira, um triângulo e os dizeres em latim LIBERTAS QUAE SERA TAMEM (Liberdade ainda que tardia). Mas os Inconfidentes começam a ficar inquietos. O Governador parece mandar indirectas a Alvarenga. O Padre Carlos de Toledo apercebe-se que se alguma coisa correu mal só pode ser por denúncia.

- Mas de quem, homem de Deus?

- Só pode ter sido Joaquim Silvério, por alguma razão lhe chamam Joaquim Sallieri... (evocação do Sallieri que traíra Mozart).

E de facto, o Coronel Joaquim Silvério, crivado de dívidas perante a Coroa, trai os seus companheiros na Inconfidência e tudo vai delatar às autoridades portuguesas.

Para suprimir o sinal para a revolta, o Governador não executa a derrama. Um vulto vestido de mulher, cabeça coberta por grande chapéu vai de casa em casa. Todos os conspiradores são avisados que Tiradentes foi preso no Rio.

Um a um, são todos presos e enviados para o Rio, maltratados. Ficam por três anos presos, incomunicáveis. O desembargador e poeta Tomás António Gonzaga acabará desterrado em Moçambique. Em versos à sua musa Marília escrevera, premonições: "...mil inocentes / Nas cruzes pendentes, / Por falsos delitos, / Que os homens lhes dão."

O advogado e poeta Cláudio Manuel da Costa, sessenta anos, espera menos tempo. Aparece misteriosamente morto no cubículo infecto onde o encerraram e aviltantemente interrogaram. Suicídio, dizem...

Presos, uns resistem e outros não. Os três anos de sofrimento e a perspectiva da morte revelam personalidades inesperadas entre os Inconfidentes.

Maciel, o teórico do movimento, depõe várias vezes e em todas elas tenta passar por inocente e atribuir todas as culpas aos outros conjurados. Que o instigador de tudo fora Tiradentes...

O mesmo afirma em carta ao Governador o Tenente-Coronel Francisco de Paula. Comandante da tropa mais importante em terra brasileira, sua pena será decerto das mais severas.

Alvarenga, esse, inventa. Afirma que Tiradentes é estúpido, que as reuniões dos Inconfidentes eram cenas depravadas. Em latim, lança elogios ao Governador.

Como podem fazer parte da mesma história que Tiradentes?
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Apêndice:
Declaração da Independência dos Estados Unidos da América

"Quando no curso dos acontecimentos humanos necessita um povo desatar os laços políticos que o uniram a outro, e tomar entre as nações da terra lugar aparte e igual ao que lhe dão direito as leis naturais e as do Deus da natureza, o respeito à opinião da humanidade o obriga a declarar as causas que o decidem à separação. Julgamos evidentes por si mesmas estas verdades: todos os homens nasceram iguais; estão dotados pelo criador de certos direitos inalienáveis; entre esses direitos contam-se o direito à vida, à liberdade e o da procura da felicidade. Estabeleceram-se governos entre os homens para garantir seus direitos, e o poder do governo emana do consentimento dos governados. Sempre que uma forma de governo chega a ser a negação desse fim, o povo tem o direito de mudá-la ou de aboli-la e de estabelecer um novo governo, baseando-o nos princípios e organizando-o na forma que ache mais adequada para dar-lhe segurança e bem estar. A prudência ensina, na verdade, que não convém mudar por causa pequenas e passageira os governos estabelecidos de longa data, e a experiência de todos os tempos mostra, com efeito, que os homens mostram-se mais dispostos a tolerar os males suportáveis do que fazer justiça a si mesmos, abolindo as formas a que estão acostumados. Mas quando uma larga série de abusos e usurpações, que tendem invariavelmente ao mesmo fim, marca o propósito de submetê-los ao despotismo absoluto, têm o direito de rechaçar esse governo e de prover, com novas salvaguardas, sua segurança futura. Tal tem sido a paciência destas colónias e tal é hoje a necessidade que as força a mudar seus antigos sistemas de governo. A história do rei actual da Grã-Bretanha é a história duma série de injustiças e usurpações repetidas que têm por fim directo o estabelecimento duma tirania absoluta nestes Estados. Para prová-lo, submetemos os factos ao mundo imparcial.

"(...) Devemos portanto ceder à necessidade que impõe nossa separação e olhá-los, com o resto da humanidade, como inimigos na guerra e amigos na paz. Em consequência, nós outros, os representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso geral, tomando por testemunha da rectidão das nossas intenções o Juiz Supremo do Universo, publicamos e declaramos solenemente, em nome e pela autoridade do bom Povo destas Colónias, que as Colónias unidas são e têm o direito de ser estados livres e independentes; que estão desligados de toda a obediência à Coroa da Grã-Bretanha; que todo o laço político entre eles e o Estado da Grã-Bretanha está, e deve ser, completamente quebrado; que, como Estados livres e independentes, têm plena autoridade para fazer a guerra, concluir a paz, contrair alianças, regulamentar o comércio e realizar todos os demais actos ou cousas que os Estados independentes têm direito a executar; e possuídos de firme confiança na protecção da Divina Providência, comprometemos mutuamente na execução desta declaração nossas vidas, nossas fortunas e o nosso bem mais sagrado: a honra".

fonte:
http://www.vidaslusofonas.pt/
Texto biográfico organizado por João Sodré

domingo, 18 de abril de 2010

FILOSOFIA: Resumos de aulas, atividades, textos...

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OLHAR CRÍTICO
De OLHO na Mídia
Emir Sader: Por que a Folha de São Paulo mente (mente, mente, mente, desesperadamente)
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(ARTIGO DE SADER)



MITO DA CAVERNA
Atividade com consulta ao Texto "Alegoria da Caverna", de Platão
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(TEXTO: MITO DA CAVERNA - PLATÃO)
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(ARTIGO sobre a obra A República de Platão)
1. Ler e fazer um resumo do Texto "Alegoria da Caverna", páginas 28,29 e 30 do Livro de Filosofia (capa Azul).

2. De acordo com o texto de Platão, existem dois tipos de Homens: O ignorante — Conhecimento sensível. E, aquele que busca a sabedoria — Conhecimento inteligível.

As fontes de obtenção de cada um dos dois tipos de conhecimentos: Conhecimento sensível – Sentidos. Conhecimento inteligível – Razão.

Onde está a realidade - do mundo inteligível, segundo Platão em sua "Alegoria da Caverna"? No interior ou fora da Caverna? Explique melhor sua resposta (fundamente-a).

3. Para Platão, quem consegue atingir a realidade (sair da caverna) pela RAZÃO (simbolizada na Luz), deve apenas permanecer contemplando aquilo que descobriu?

Qual deve ser então o papel do filósofo, segundo Platão? Observe que, para o ex-prisioneiro, não é suficiente a sua libertação, pois ele volta, desce “até os homens da caverna e quer levá-los para a luz”.

Como se explica, então, a volta do filósofo deste mundo luminoso da verdade para a escuridão da caverna?

Como é que Platão descreve os perigos que este Homem correria caso resolvesse abrir os olhos de seus companheiros alienados?

4. a) O interior da caverna representa a prisão em que se encontra a humanidade na medida em que está submetida à ilusão dos sentidos.

b) O mundo da superfície ou o exterior da caverna representa o mundo das Idéias que somente pode ser atingido mediante a razão.

Fundamentado nas explicações acima em relação aos significados do interior e exterior da Caverna, analise a seguinte afirmação:

Ao libertar-se das algemas o homem perderia o sentido das coisas, uma vez que teria que abandonar a verdade.

Esta afirmação, de acordo com o texto, Alegria da Caverna, é correta ou não? Explique, fundamente sua resposta.

5. Analise a seguinte afirmação: A visão suprema do Sol representa uma alienação para o homem, sua contemplação tiraria o homem da única realidade possível, ou seja, daquela encontrada no interior da caverna.

Esta afirmação, de acordo com o texto, Alegria da Caverna, é correta ou não?. Explique, fundamente sua resposta.

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ATIVIDADE COM BIOGRAFIAS/FILÓSOFOS
UMA: Sugestão de acesso às Biografias

Dê um clique aqui e Acesse
(biografias:TALES,ANAXIMANDRO,ANAXÍMENES E PITÁGORAS)
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Resumo/Aulas
Semana 05-09.abril 2010
O que significa a palavra Filosofia?
FILOSOFIA → do GREGO → FILO (PHILIA) = Amizade, Amor Fraterno / SOFIA (SOPHIA) = Sabedoria

ATITUDE FILOSÓFICA

Para estudar Filosofia, o ESTUDANTE tem que tomar distância da vida cotidiana e de si mesmo; interrogar a si mesmo, desejando conhecer por que cremos, no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Estar aberto à abandonar o VELHO e assumir o NOVO. Saber lidar com a crise existencial, sabedor de que da CRISE nascerão coisas novas e melhores. Estar disposto a perseguir a verdades em todos os âmbitos da vida: Mundo, Sociedade e de si mesmo. Pensar por si mesmo, ser dono de seus próprios pensamentos, porém, sem arrogância, sempre aberto a revê-los, confrontá-los, e quando necessário modificá-los. Diante de todas as verdades apresentadas como absolutas, colocar a DÚVIDA. Decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. Dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às idéias da experiência cotidiana, ao que “todo mundo diz”, ao estabelecido. Interrogar sobre o que são as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. Questionar sobre o porquê disso tudo e de nós e sobre como tudo isso é assim e não de outra maneira. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.

ATIVIDADE FILOSÓFICA

Na simplicidade e humildade Socrática: SÓCRATES (470-399), SÉCULO III, “SÓ SEI QUE NADA SEI”. Ainda que um único homem pudesse ler todos os livros que estão em todas as bibliotecas do mundo, ainda assim este homem continuaria sendo ignorante diante do conhecimento a ser conquistado... Portanto, o estudante de Filosofia / que deve ser Filósofo ao mesmo tempo, tem que ser capaz de exercer a ATIVIDADE FILOSÓFICA EM TODOS OS MOMENTOS DE SUA VIDA, NÃO PARA SER MELHOR QUE OS OUTROS, MAS PARA SER MAIS HUMANO E AJUDAR NA HUMANIZAÇÃO DOS HOMENS: • REFLEXÃO CRÍTICA • RACIONAL• RADICAL• PROFUNDA • SISTEMÁTICA.


GRÉCIA – VII ou VI a.C. → Primeiro filósofo a desenvolver um problema filosófico TALES de MILETO.

LEMBRETE, em resumo, o papel de TALES, enquanto identificado como o primeiro filósofo é de uma valor simbólico muito importante para a Filosofia. O fato não se deve às respostas dadas por ele em relação aos problemas filosóficos dos quais tratou, mas sim à forma substancial do método que utilizou para buscar essas respostas, ou seja, inaugurou a atividade filosófica.


Em suma, o contexto de Tales era este: O que marca o surgimento da Filosofia é seu caráter racional. Os homens passam de uma explicação mitológica do mundo para uma explicação racional. Ao perceberem as contradições e limitações dos mitos, eles reformulam e racionalizam as narrativas míticas, transformando-as em uma explicação inteiramente nova e diferente. A Filosofia – Cosmologia / PROBLEMAS que os primeiros filósofos trataram . Conhecimento racional da ordem do mundo ou da Natureza. O mito falava em deuses, como Zeus, Perséfone e Gaia. Narrava a origem dos seres celestes e terrestres como derivados das relações com os deuses. A Filosofia fala em céu, mar e terra. Ela explica o surgimento desses seres por composição, combinação e separação dos quatro elementos – úmido, seco, quente e frio, ou água, terra, fogo e ar. O mito narrava a origem através de genealogias derivadas de forças divinas sobrenaturais e personalizadas. A Filosofia, ao contrário, explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais. O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial, longínquo e fabuloso, voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. A Filosofia, ao contrário, se preocupa em explicar como e por que, no passado, no presente e no futuro (isto é, na totalidade do tempo), as coisas são como são; O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador e a autoridade residia nos DEUSES. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; Além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da RAZÃO, que é a mesma em todos os seres humanos.

Filósofo é o amigo da sabedoria, do conhecimento. Aquele que ama, busca e respeita o saber, o conhecimento.


LEMBRETE: A Filosofia é uma ATIVIDADE REFLEXIVA RACIONAL SISTEMATIZADA. Em suas origens a Filosofia era exercida pelos cidadãos, ou seja, homens livres da Grécia. Na Grécia Antiga só os gregos nascidos em território grego eram cidadãos. Escravos, mulheres, crianças e estrangeiros não eram contados como cidadãos e nem possuíam esse título. A Democracia vivenciada por cidades como ATENAS possibilitava a participação dos cidadãos nas discussões políticas em praça pública, sobre os problemas e destinos da cidade, exigindo opiniões fundamentadas em argumentos válidos e que deviam ser colocados à prova filosófica no embate com as opiniões alheias. Essas opiniões deviam ser demonstradas de forma clara, objetiva, lógica. O recurso demonstrativo era a RETÓRICA, a arte de Falar Bem em Público.
 Pitágoras = filósofo grego (séc.V a.C.)
 responsável pela invenção da palavra “Filosofia”
 Sabedoria plena e completa pertence aos deuses
 Homens podem desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos.

A IMAGEM QUE SE TINHA DO FILÓSOFO

NEGATIVA
 Não é movido por interesses comerciais ou financeiros;
 Não coloca o saber como propriedade sua;
 Não é movido pelo desejo de competir;
 Não faz das idéias e dos conhecimentos uma habilidade para vencer competidores;

POSITIVA
 É movido pelo desejo de observar, contemplar, julgar e avaliar a vida;
 É movido pelo desejo de saber.

LEMBRETE: a Filosofia tem aversão às verdades caracterizadas e fundamentadas em dogmas (verdades absolutas que não possibilitam a contestação). A Filosofia existe pela DÚVIDA. A Dúvida é a alma da Filosofia. É a Dúvida o elemento mais essencial da Filosofia; é o elemento deflagrador da atividade filosófica. A Filosofia não pode em hipótese alguma ser identifica com crença religiosa. A Filosofia não tem respostas prontas, é um exercício racional sistematizado infindável na busca pela VERDADE. Ela se faz pela DÚVIDA que leva à → PROBLEMAS → que por sua vez, levam à respostas → que caem em novos problemas deflagrados pela DÚVIDA suscitando um movimento sempre latente orientado por esta dinâmica. A Filosofia é um bem da humanidade e deve ser colocado à serviço da VIDA e da LIBERDADE, sempre.

A VERDADE desde a concepção da Filosofia Antiga:

 Não pertence a ninguém;
 Não é um prêmio conquistado por competição;
 Está diante de todos nós;
 É algo a ser procurado;
 É encontrada por todos aqueles que a desejarem, que tiverem olhos para vê-la e coragem para buscá-la.

Para chegar à verdade o HOMEM precisa abandonar preconceitos, crenças ,fechadas em si mesma, abrir-se ao diálogo com o diferente, visitar a história humana em todas as suas etapas, conhecer as bases das diversas formas, e/ou, conjuntos, e/ou, modalidades de saberes, e/ou, conhecimentos, a saber: ARTÍSTICO, RELIGIOSO, MITO, SENSO COMUM E CIÊNCIA. O Homem que não aprendeu a dialogar com os conteúdos destas modalidades em uma saudável interação, terá maiores dificuldade de aproximar-se da verdade plena.

LEMBRETE: Nenhuma modalidade de conhecimento é superior às outras, são apenas formas, e/ou, possibilidades de conhecimentos construídas pelo Homem desde o início de seu processo evolutivo. Até mesmo o Senso Comum, o conhecimento atual e básico que todos nós recebemos espontaneamente desde nosso nascimento, é de extrema importância. O FEIO é ficar seqüestrado dentro dos limites de suas fronteiras. Como dizia IMMANUEL KANT, o Filósofo da Filosofia Crítica Moderna, é necessário rompermos essas fronteiras do Senso Comum e nos aventurarmos no mundo do Saber até conquistarmos a Consciência Crítica, a MAIORIDADE DA RAZÃO.


O DESPERTAR FILOSÓFICO GREGO ANTIGO
O NASCIMENTO DA FILOSOFIA


 Gregos
 Começaram a fazer perguntas e buscar respostas para a realidade;

As questões existenciais, ou seja, OS PROBLEMAS do cotidiano grego, para os primeiros filósofos, já não podiam mais ser respondidos apenas pelo MITO, pelo RELIGIOSO e pelo ARTÍSTICO. A sociedades grega já possuía uma organização mais complexa e exigia respostas diferentes a estes problemas, diferentes daquelas possíveis pelas modalidades de conhecimentos utilizadas naquele momento histórico. Estes problemas brotavam de três dimensões da vida humana: MUNDO (COSMO, NATUREZA, UNIVERSO); SOCIDADE; SER HUMANO: os filósofos defendiam que estes problemas podiam ser conhecidos pela razão humana.


PARA OS FILÓSOFOS:

 Pensadores gregos:
 Verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso;
 Verdade podia ser conhecida por todos por meio das operações mentais de raciocínio;
 Linguagem respeita as exigências do pensamento;
 Conhecimentos verdadeiros podem ser transmitidos e ensinados a todos.


ATIVIDADE FILOSÓFICA, POR ELES PROPOSTA, TINHA ESTAS CARACTERÍSTICAS GERAIS:

 Tendência à racionalidade
 Recusa de explicações preestabelecidas
 Tendência à argumentação
 Capacidade de generalização
 Capacidade de diferenciação = análise

RESULTADO QUE FOI LEGADO (HERANÇA), DEIXADO PARA TODOS NÓS:
 Conhecimento = leis e princípios universais
 Verdade = provas ou argumentos racionais
 Conhecimento não se impõe aos outros
 Conhecimento deve ser compreendido por todos
 Capacidade de pensar e conhecer é a mesma em todos os seres humanos
 Conhecimento só é verdadeiro quando explica racionalmente seus objetos
 Natureza segue uma ordem necessária
 Opera obedecendo a leis e princípios necessários e universais;
 Essas leis podem ser plenamente conhecidas pelo nosso pensamento: Surgimento da cosmologia / Surgimento da física.
 A razão (ou o nosso pensamento) também opera obedecendo a princípios, leis, regras e normas universais e necessários.
 Podemos distinguir o que é verdadeiro do falso;
 Razão obedece à lei da identidade, da diferença, da contradição e da alternativa.
 O agir humano exprime a conduta de um ser racional dotado de vontade e de liberdade
 As práticas humanas não se realizam por imposições misteriosas e incompreensíveis (forças secretas, invisíveis, divinas e impossíveis de serem conhecidas)
 Seres humanos naturalmente aspiram:
 Ao conhecimento verdadeiro (pois são seres racionais)
 À justiça (pois são seres dotados de vontade livre)
 À felicidade (pois são seres dotados de emoções e desejos)

Os seres humanos instituem valores pelos quais dão sentido às suas vidas e às suas ações.
ANTES DE TERMINAR, AQUELA PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR. PERGUNTA QUE FAZEM OS INGÊNUOS, OS PRISIONEIROS DA CAVERNA DO SENSO COMUM: AFINAL DE CONTAS PARA QUE SERVE A FILOSOFIA???
A filósofa Marilena CHAUI, responde, na introdução de sua obra “Convite à Filosofia”:

[1] Se abandonarmos a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil;

[2] Se não nos deixarmos guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil;

[3] Se buscarmos compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil;

[4] Se conhecermos o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências, na ética e na política for útil;

[5] Se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil;

Então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.
fontes consultadas:
ARANHA Maria Lúcia de Arruda, MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2.ed. São Paulo: Moderna, s.d.
CARDOSO, Osvaldo e outros. Filosofia: Ensino Médio (Livro Didático da S.E.ED./PR). 2 ed. Curitiba: SEED, 2006.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 6.ed. São Paulo, Ática,1997.
CHAUI, Marilena, OLIVEIRA, Pérsio S. Filosofia e Sociologia. São Paulo: Ática, 2007.
DELEUZE, Gille, GUATARI, Felix. O que é a Filosofia? Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
DURANT, Will. A história da Filosofia. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.
REZENDE, Antonio e outros. Curso de Filosofia. 13. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
A inevitabilidade da filosofia
Confira bom texto de Desidério Murcho
Universidade Federal de Ouro Preto


À parte alguns estudiosos, poucas pessoas sabem que Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu uma humilde introdução à filosofia, hoje conhecida pelo seu título grego: Protréptico. O livro foi muitíssimo influente durante cerca de mil anos — um pouco mais, portanto, do que O Segredo. Quando Boécio (480-524) escreveu a sua famosa Consolação da Filosofia tinha em mente a obra de Aristóteles, cujas ideias lhe chegaram através do Hortênsio, de Cícero (106-43 a.C.) — que, por sua vez, era uma espécie de versão romana do original de Aristóteles.

Por mais que muitas gerações de leitores se sentissem gratos a Aristóteles por ter escrito uma lúcida e iluminante introdução à filosofia, este não é o tipo de obra que os académicos e os intelectuais — do passado e do presente — tenham tendência para estimar. Acarinharam, releram e mantiveram em boas condições as obras mais sofisticadas de Aristóteles, mas não a sua modesta introdução. E foi assim que este livrinho de Aristóteles ficou perdido e praticamente esquecido, até Ingram Bywater redescobrir alguns fragmentos, já no séc. XIX.

Uma das ideias expostas por Aristóteles nesse livrinho exibe com mestria a natureza da filosofia. Não temos uma citação directa da passagem em causa, mas temos várias menções indirectas, e todas concordam que Aristóteles usou algo como o seguinte argumento a favor da filosofia:

Se temos de filosofar, temos de filosofar.
Se não temos de filosofar, temos de filosofar.
Logo, em qualquer caso, temos de filosofar.


Isto parece um daqueles trocadilhos que dão mau nome à filosofia, mas há sabedoria nestas palavras. Trata-se de um pequeno argumento dedutivo, válido, com duas premissas apenas. A primeira é uma trivialidade, claro. A subtileza está na segunda.

O que Aristóteles tinha em mente é que para argumentar que não temos de filosofar, temos de usar um argumento qualquer. Mas que tipo de argumento será? Quando pensamos nisso, vemos que não há argumentos biológicos, físicos, matemáticos ou históricos contra a filosofia. Qualquer argumento contra a filosofia teria de ser filosófico. Portanto, para rejeitar a filosofia temos de filosofar. O que demonstra que a filosofia é inevitável. Argumentar contra a filosofia é como gritar "Não estou a gritar!"

Não há maneiras não contraditórias de argumentar contra a filosofia porque a filosofia é o estudo cuidadoso das nossas ideias mais básicas. Mesmo quem pensa que a filosofia é uma palermice tem ideias filosóficas sobre a natureza do conhecimento (epistemologia) ou da realidade (metafísica). Filosofar é avaliar cuidadosamente essas ideias, em vez de as aceitarmos como se fossem as únicas alternativas viáveis. Assim, a opção não é entre ter ou não ter ideias filosóficas. É tão impossível viver sem ter ideias filosóficas como é impossível viver sem ideias físicas. A opção é entre tê-las, estudando-as cuidadosamente, ou ter a ilusão de que não as temos, só porque não nos demos ao incómodo de as estudar.
Desidério Murcho
Publicado no jornal Público (26 de Fevereiro de 2008)
fonte: criticanarede



Acesse aqui Resumos de outras semanas
(Filosofia/Aulas/Resumos/Semana 29/03-01.04)

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(Filosofia/Aulas/Resumos/Semana 01-05/03/10)
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(Filosofia/Aulas/Resumos/SEMANA 08-12.03.2010)
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OMS: alerta que mortes por gripe suína no mundo chegam a 16,9 mil (Saúde)
DENGUE: OUTRO PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA (Saúde) DENGUE E FEBRE AMARELA: QUAL A DIFERENÇA? (Saúde)
Educação:como plano estratégico do desenvolvimento do país
(Educação/Artigo) No Dia Mundial da Água, uma triste constatação: 884 milhões vivem sem água potável. (Água e Saúde)
Manuscrito da Teoria da Relatividade é exposto pela primeira vez . (Ciência)
Internet pode contribuir para falta de concentração (Espaço Multimídia)
Antipragas grátis e sem instalação para seu computador (Espaço Multimídia)
Tabaco deve matar 1 bilhão de pessoas até 2100, diz OMS
(Tabaco e Saúde)
Conheça a Dieta do Tipo Sangüíneo
(Sangue e Saúde)

DE OLHO NA MÍDIA que manipula a CONSCIÊNCIA da população BRASILEIRA: cabe ao brasileiro dizer NÃO, chega de Alienação!!!

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OLHAR CRÍTICO




CRÍTICAS À
MÍDIA BRASILEIRA


De OLHO na Mídia: DataFolha vira DataSerra, DataTucano, Data... só data... A IMPRENSA brasileira perdeu o mínimo de pudor no jogo do "vale tudo"...
Eduardo Guimarães: Datafolha publica pesquisa "maluca" e surpreende a todos (no site pt)/ Texto publicado no blog Cidadania.com:Caso Datafolha promete

Se você, leitor, chegou de Marte agora, permita-me atualizá-lo sobre um escândalo que promete ser rumoroso entre os setores mais politizados da população. No último sábado, o instituto Datafolha, pertencente à Folha de São Paulo, publicou uma pesquisa sobre a sucessão presidencial que surpreendeu a todos, inclusive àqueles que beneficiou.

Como Dilma Rousseff vem crescendo em todas as pesquisas de intenção de voto para presidente e seu adversário José Serra vem caindo, Márcia Cavallari, do Ibope, João Francisco Meira, do Vox Populi, Mauro Paulino, do Datafolha, e Ricardo Guedes, do instituto Sensus, reunidos publicamente em São Paulo na semana passada em evento da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas, concordaram que a candidata petista é hoje a favorita para ganhar as eleições de 2010.

De repente, porém, aparece essa pesquisa Datafolha mostrando queda da petista (dentro da margem de erro) e considerável subida do tucano. O resultado foi tão surpreendente que, em sua coluna deste domingo na Folha, o colunista Clóvis Rossi diz assim que não entendeu nada:

“O resultado da pesquisa mais recente, ontem publicada, é um denso mistério, ao menos para mim. Não consigo encontrar uma explicação forte para o fato de José Serra ter subido quatro pontos em um mês”.

Não foi por outra razão que, no mesmo sábado em que a pesquisa “sui generis” foi divulgada, o diretor do Datafolha tentou explicar o inexplicável com o velho clichê de que “pesquisas são um retrato do momento” etc.

Já neste domingo, a Folha publica um editorial pretendendo explicar mais do que a pesquisa “estranha”, mas o futuro, ou seja, o que outras pesquisas deverão mostrar.

“SÃO SURPREENDENTES, ainda que não constituam reversão categórica nas tendências do eleitorado, os números da pesquisa do Datafolha sobre sucessão presidencial, divulgados ontem(…)”.

Mais sincero – ou descuidado – que Rossi, outro colunista da Folha, o Kennedy Alencar, explicou, na internet, a situação que levou o jornal mais engajado na candidatura do PSDB à Presidência a literalmente estuprar o seu Datafolha. Segundo ele, sem essa pesquisa o lançamento iminente da candidatura tucana à Presidência ocorreria em clima de “velório”.

A pressa da Folha em “explicar”, não a sua pesquisa “maluca”, mas os resultados de outros institutos que deverão contrariá-la em breve, denota que o partidarismo pode ter causado um dano muito sério a um dos pilares de sua sustentação no mercado. O Datafolha é – ou era – um diferencial desse veículo de comunicação.

Penso que o efeito pretendido pela Folha e por José Serra ao engendrarem essa aparente farsa estatística poderá ser conseguido, só que parcial e inicialmente. Os leigos acreditarão na reação de Serra, bem como parte dos tucanos, dos seus aliados em outros partidos e de financiadores de campanha identificados com o projeto eleitoral da direita.

Todavia, duvido de que outros institutos, além do Ibope, aceitarão se envolver nessa farsa. Daí as insistentes “explicações” da Folha para o tsunami estatístico que vem por aí e que deverá fazer este assunto retornar à pauta política em breve. Não percam, portanto. Será divertidíssimo.

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E AGORA DATA FOLHA? ainda bem que existe o contraditório, é muito bom não existir somente o Data Folha como instituto de pesquisa. Assim ganha a Democracia, ganha o povo brasileiro.



Pesquisa Vox Populi desmente Datafolha e mostra empate entre Dilma e Serra


Pesquisa sobre a sucessão presidencial do instituto Vox Populi divulgada neste sábado (3) pelo Jornal da Band mostra que a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff subiu 4 pontos percentuais e vai a 31%, tecnicamente empatada com com o tucano José Serra,mque tem 34%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

O deputado federal Ciro Gomes tem 10% e a senadora Marina Silva, 5%. Brancos e nulos somam 7% enquanto 13% não souberam responder.

Num cenário sem Ciro Gomes na disputa, Serra aparece com 38% das intenções de voto e Dilma, com 33%. Marina tem 7%, brancos e nulos, também 7% e 15% não souberam responder.

A pesquisa do Vox Populi mostra um resultado bem diferente do último Datafolha, divulgado no dia 27. Nele, Serra aparece nove pontos à frente de Dilma, com 36% contra 27% de Dilma.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas nos dias 30 e 31 de março. Não foram divulgadas simulações de segundo turno.
Com informações do st pt.


Por uma outra mídia “É o falso que se pretende verdadeiro”, esta afirmação é do professor Fernando Lefèvre, da Faculdade de Saúde Pública da USP. Ele analisou o discurso midiático e suas consequências para a saúde coletiva, na palestra Riscos do risco: interrogando as relações entre mídia e saúde. É apenas mais um constatação que os pensadores fazem em relação à mídia brasileira e seu desvio de papel na construção de uma sociedade mais justa e mais democrática.

"(...) Esse discurso gera o que o professor chamou de riscos do risco. O primeiro seria a personalização do risco pela culpabilização da vítima, exemplificado na representação dos moradores da cidade de São Paulo como estressados que precisam fazer... “ioga”, conforme soprou alguém da plateia, durante a palestra. Os meios de comunicação falam muito de sintomas, mas pouco das causas.

A dramatização é o segundo risco do risco: espalha medo e leva a comportamentos irracionais. Lefèvre lembrou as coberturas da gripe suína e da febre amarela, em que a mídia colaborou para manter clima de pânico, concretizado no crescimento da procura por máscaras, álcool gel ou vacina. O terceiro: a banalização, repetindo-se tanto uma informação que as pessoas acabam ficando anestesiadas, como na prevenção da dengue. O quarto é a coletivização do risco, em que se dissolvem as responsabilidades.

Essa realidade impõe desafios: coletivizar o risco sem dissolver responsabilidades, mostrando que todos estão envolvidos; fundá-lo num entendimento que leve à ação; torná-lo público e acessível, em vez de apresentá-lo de maneira pastosa; estabelecer exato balanço entre qualificar e quantificar o risco. Para Lefèvre, a luta não deve ser contra a mídia, mas por uma outra mídia. “Ela não precisa ser o que é, não está condenada”.

No painel Produção de sentidos e saúde: as mensagens das agências e do Ministério da Saúde veiculadas na mídia, a sanitarista Lígia Rangel, da UFBa, destacou que a mídia usa estratégias discursivas “para influenciar a construção de valores”. Uma delas seria a repercussão das doenças no espaço público, que questiona “os modos de vida contemporâneos”. Foi assim com a aids na década de 1980 e agora com a epidemia de H1N1.

“A mídia está sempre à procura de uma catástrofe”, disse Lígia, salientando o aumento significativo na “produção de saúde” nos meios de comunicação, cujo sentido é a venda de produtos. Por isso cobrem as doenças, as terapêuticas e as tecnologias, ao mesmo tempo em que estimulam “um padrão ideal de comportamento saudável”. O procedimento é seletivo: primeiro, há a escolha dos eventos que se tornarão públicos; depois, selecionam as fontes — geralmente especialistas — e editam suas falas.

A abordagem em geral é sensacionalista, “promovendo inconsequentemente o pânico e a busca por serviços”, já que descontextualiza a informação e trabalha sob o domínio de interesses comerciais. “Pretensamente vigilante das ações públicas”, a mídia reafirma “interpretações do senso comum para problemas complexos”, em matérias superficiais e simplistas, que reforçam preconceitos".

fonte: http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/90/01.html

Dengue e mídia





Adriano De Lavor

A situação é quase sempre a mesma: o período de chuvas mais intensas traz consigo os primeiros casos de dengue no país. Não demora muito, a doença sai do esquecimento e volta às manchetes dos jornais. Vai haver nova epidemia?; as autoridades estarão preparadas para enfrentá-la?; que investimentos foram feitos para orientar a população e prevenir a doença?, indagam repórteres e formadores de opinião. Rapidamente, um fluxo desordenado de informações entra no ar, consequência da nem sempre harmoniosa relação entre imprensa, especialistas e poder público — especialmente, quando o assunto é dengue.

Os questionamentos acerca da responsabilidade pelo problema, as recomendações preventivas, os boletins epidemiológicos, bem como as cenas de hospitais lotados e os registros de morte são vozes de um conflito informativo que nem sempre ajuda a população a se proteger da contaminação com o vírus transmitido pelo Aedes aegypti. Muita informação que gera pouca comunicação.

Diante desse embate midiático, Radis ouviu gestores, especialistas e jornalistas, que analisaram o atual quadro da dengue no país, opinaram sobre possíveis caminhos que levem à sintonia entre informação e prevenção e deram dicas de como a comunicação pode favorecer o combate à dengue e, por conseguinte, contribuir para a manutenção da saúde.

O quadro atual

Para analisar 2010, é preciso voltar ao início de novembro de 2009, quando o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou, em Recife, a Caravana contra a Dengue, campanha que percorreu 10 mil quilômetros em nove estados com ações de conscientização e mobilização. A escolha da capital pernambucana deveu-se ao fato de o estado ter reduzido em 86% o número de casos, em comparação a 2008, e não ter registrado naquele ano mortes causadas pela doença. O quadro geral, por sinal, apontava tendência decrescente, com exceção de seis estados que tiveram aumento expressivo do número de casos — Acre (745%) e Mato Grosso (237%), liderando a lista, além de Mato Grosso do Sul, Bahia, Espírito Santo e Amapá.
No início de fevereiro de 2010, novo relatório divulgado pelo Ministério da Saúde reforçava a tendência geral decrescente: entre 2008 e 2009, registrou-se queda de 34,2% no número de casos, e redução nas formas graves e nas mortes causadas pela doença. Os números indicavam 529.237 notificações, em 2009, ante as 803.522 de 2008. Os índices mais positivos foram registrados no Rio de Janeiro (redução em 95,7% dos casos), Rio Grande do Norte (91,4%) e Sergipe (89,6%). O relatório apontava, porém, aumento em Rondônia, Acre, Amapá, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O balanço geral positivo contrastava com as notícias enfatizadas pela imprensa no mesmo período, que se baseavam nos cenários locais e em dados mais recentes, muitas vezes, negativos; o ministério trabalhava com estimativas gerais resultantes de análises do ano anterior. Assim, leu-se nos jornais que em Ribeirão Preto (SP) 518 casos já haviam sido registrados no início de fevereiro; no Mato Grosso do Sul, os 5.583 casos notificados apenas em janeiro de 2010 superaram a totalidade dos casos de 2009 — 5.179 notificações. No Rio de Janeiro, as notícias tomaram como base os números do Levantamento do Índice de Infestação Rápido pelo Aedes Aegypti (Liraa), de outubro de 2009, que indicavam presença do mosquito três vezes maior do que a considerada “tolerável” pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados nortearam o lançamento de caderno especial do Globo (A dengue ainda à espreita), no início de fevereiro, que ganhou tom alarmista. A publicação considerou ineficaz a “mobilização apenas em épocas específicas do ano”, e alertou para a eventual chegada do vírus do tipo 4 ao Sudeste ou o retorno do vírus 1 ao Rio, o que poderia provocar “uma nova epidemia”. Não explicou, porém, que os dados do Liraa devem ser tomados em conjunto com outras variáveis e que o aumento do índice de infestação do mosquito não necessariamente implica epidemia iminente.

na imprensa

Os jornais associaram aos números divulgados possíveis explicações para a epidemia: aumento do volume de chuvas e altas temperaturas, ineficiência do inseticida utilizado, desmobilização da população em relação à prevenção e à erradicação dos focos de mosquitos. Muitos publicaram quadros explicativos nos moldes de “tudo o que você precisa saber sobre a dengue”, e reforçaram a recorrência do problema. “Há mais de duas décadas mosquito transmissor da dengue inferniza a vida dos cariocas”, lia-se no suplemento do Globo.

No fim do mês, novos números divulgados pelo Ministério da Saúde expressaram a realidade descrita na imprensa: 108.640 registros em todo o país, entre 1º de janeiro e 13 de fevereiro de 2010. No mesmo intervalo de 2009, haviam sido 51.873. O balanço parcial apontou concentração de 71% dos casos em cinco estados, nas seis primeiras semanas de 2010: Rondônia, Mato Grosso do Sul, Acre, Mato Grosso e Goiás. Os índices variavam entre 432,2 e 891,7 casos por 100 mil habitantes, nível de incidência considerado alto pelas próprias autoridades.

O documento indicou situação crítica em cinco municípios, que concentraram 34% das notificações: Campo Grande (12.712 casos), Goiânia (12.316), Aparecida de Goiânia (GO) (3.280), Rio Branco (5.056) e Porto Velho (3.412). Foi apontada, ainda, uma diminuição no número de mortes (21, em 2010, contra 31, no mesmo período de 2009). Conforme os parâmetros do ministério, a incidência em Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal foi considerada baixa.

No dia seguinte à divulgação do relatório, a repercussão na imprensa foi espetaculosa. O Jornal do Brasil chamou atenção para o “alarmante” aumento de 100% no número de casos no país. “O ministério lembrou que não há uma epidemia no país”, destacou a notícia, acompanhada da legenda “culpa vem de cima”, sob a foto do coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho. No texto, ele creditava parte da responsabilidade do aumento à chuva e às altas temperaturas.

Na Folha de São Paulo, enquanto a manchete anunciava que os casos mais que dobraram este ano, o texto informava que Giovanini evitava confirmar negligência dos prefeitos de cidades com alta de casos. O periódico paulista também destacou a recirculação da dengue do tipo 1 como outra causa do aumento no número dos casos. O jornal carioca Meia Hora foi mais além, anunciando “risco de uma nova epidemia”.

No mesmo dia, o editorial do Estado de São Paulo (Alerta contra o mosquito) decretou: “a epidemia está de volta”. O texto criticava ações da Caravana da Dengue e declarava que os recursos de R$ 1,02 bilhão destinados à vigilância sanitária, não deram “resultados esperados”. Para o jornal, tudo se devia às “políticas descontinuadas de combate à doença nos municípios”. Em outra notícia, na mesma edição do Estadão, informava-se a vulnerabilidade dos estados do Nordeste — por conta do aumento das chuvas em março —, destacando que gestores já estavam alertados para o aumento do risco da doença.

Nova epidemia?

Mas, afinal, temos nova epidemia? Giovanini Coelho admitiu à Radis que o risco existe. Ele destacou que é necessário diminuir os índices de infestação abaixo de 1% para que não ocorra transmissão da doença. No caso do Rio de Janeiro, ele lembrou que o índice divulgado (2,9%) é apenas uma média, o que significa que certamente algumas áreas podem apresentar números superiores.

O professor Maulori Curié Cabral, do Departamento de Virologia do Instituto de Microbiologia da UFRJ, definiu a situação como “típica de endemia nacional”. Para ele, sempre haverá casos de dengue em alguma cidade. “Estamos num país tropical; o clima favorece os mosquitos”, justificou. Maulori afirmou que a presença de Aedes aegypti no ambiente urbano já é motivo para preocupação, ainda mais quando o índice de infestação é alto e há chances de aparição do vírus tipo 4, “já detectado em Manaus”.

O infectologista Rivaldo Venâncio, responsável técnico pelo escritório da Fiocruz em Campo Grande (MS) e integrante do comitê de assessoria do Ministério da Saúde para dengue e febre amarela, afirmou que são falsas as polêmicas do tipo “é epidemia ou não é?”. Ele destacou que em muitos casos os gestores negam a condição por desinformação, outras vezes, “na tentativa de manipular a opinião pública”.

Rivaldo criticou o comportamento de negação, que desmobiliza a população, os profissionais de saúde e as próprias instâncias gestoras do SUS, “contribuindo para a demora no preparo da rede de saúde e para a ocorrência de mortes”. O especialista alertou que o Liraa auxilia o trabalho de gestores, mas, isoladamente, não é tão eficaz para predizer a ocorrência de epidemias de dengue. Deve estar associado a outras informações.

Ele afirmou que, enquanto os graves e históricos problemas estruturais não forem superados, vamos conviver com surtos de dengue no Brasil, “a menos que uma vacina eficaz contra os quatro sorotipos do vírus seja disponibilizada para a população”. Ele considerou como agravantes da situação a inexistência de modelos integrados e participativos, que atuem sobre o problema em toda sua magnitude e dimensão e envolva outros setores da sociedade. A solução para o problema “está fora da governabilidade do setor saúde”.

O infectologista criticou o debate superficial que busca “bodes expiatórios” e não leva em consideração o modelo de desenvolvimento social e econômico adotado pelo Brasil ao longo dos últimos 500 anos. “Costumamos esquecer, por exemplo, a existência de áreas nas quais é quase impossível a realização de ações de controle do vetor, dadas as condições de (in)segurança e as dificuldades de acesso aos domicílios”.

Ele lamentou que outros fatores, como a intermitência no abastecimento de água potável e a ausência de uma política agrícola estável no país — que gera um crescimento acelerado (e desordenado) dos centros urbanos —, ainda sejam tratados como variáveis secundárias na dinâmica de ocorrência da doença.

Para Rivaldo, depois de duas décadas convivendo com a dengue, é inevitável constatar que “as epidemias são previsíveis e as mortes delas decorrentes são evitáveis, na sua quase totalidade”. Por isso, a rede de serviços de saúde “deve ser planejada com a antecedência e a seriedade que o problema exige”.

Informar e cobrar

Nesse contexto, os profissionais de imprensa têm contribuições a dar. Para Giovanini Coelho, os jornalistas devem informar a população sobre como proceder em caso de suspeita da doença e orientá-la sobre sinais e sintomas. Além disso, cobrar das autoridades o cumprimento de seus deveres, além de “divulgar ações que comprovadamente dão resultados positivos”.

Rivaldo, embora não acredite que haja neutralidade no que divulgam alguns meios de comunicação, “sobretudo em anos eleitorais”, considera fundamental a colaboração da imprensa. É essencial o papel dos meios de comunicação nos momentos em que alguns dirigentes de saúde não reconhecem a gravidade da situação. “É inacreditável como, por vezes, a realidade dos fatos não é suficiente para sensibilizar gestores”.

A pesquisadora Lêda Régis, do departamento de Entomologia do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (Fiocruz/PE) considera “importantíssimo” o papel informativo da imprensa, sobretudo no caso de doenças com características de transmissão como as da dengue. Ela se disse preocupada com a divulgação de ordens tais como “cubra” ou “tampe” uma lista exaustiva de recipientes, para uma sociedade que “não reconhece e não estabelece ligação entre as diferentes formas do ciclo biológico do mosquito”.

Ela observou que determinações podem desviar a atenção das situações de risco, e recomendou: “É mais eficiente difundir conhecimentos que permitam às pessoas entender os porquês, do que emitir ordens”. Giovanini criticou setores da imprensa que exploram somente os aspectos dramáticos, como ocorrência de óbitos e formas graves da doença. Ele reconheceu que são dados relevantes, embora apenas deixem a população alarmada.

Entre os setoristas que cobrem a área de saúde, a dengue sempre rende uma boa discussão. Para Rose Mary Bezerra, redatora do Diário do Nordeste, em Fortaleza, a preocupação maior é checar as informações. “O risco é o gestor exagerar ou esconder fatos”, ponderou. Ela lembrou que, quando há epidemia, falta unidade entre os dados divulgados por diferentes órgãos do governo.

Outro ponto levantado pela jornalista é a falta de agilidade dos gestores no atendimento à imprensa, como a ausência de equipes de plantão nos fins de semana. Por outro lado, Rose criticou colegas que exploram a gravidade da situação: “Apavorar o leitor não ajuda a população a ser proativa e atrapalha os serviços de saúde”.

Miriam Moura, chefe de reportagem da TV Acre, em Rio Branco, também reclamou da falta de um discurso oficial único. Ela informou que, por trabalhar em uma cidade onde o número de casos da doença é quase sempre alto, o assunto está nos telejornais desde outubro, quando começam as chuvas na região: “É só aparecer o primeiro caso e já pautamos matérias”, revelou.

A dengue também faz parte do cotidiano de Paulo Yafusso, chefe de reportagem da TV Morena, em Campo Grande. Segundo ele, a emissora faz cobertura sistemática sobre a doença, desde que uma grande epidemia assolou a cidade, em 2007. Paulo reclamou da falta de agilidade dos gestores estaduais em lidar com a imprensa, já que somente divulgam dados estatísticos sobre a doença uma vez por semana. “Somos imprensa diária, temos que repercutir os casos”, argumentou.

Ele também disse que é difícil ignorar as reclamações feitas pelos espectadores. “Temos responsabilidade social com o público. Só hoje recebi três ligações de pessoas que estão nas filas dos hospitais e não conseguem ser atendidas”, disse ele. Para o jornalista, se a população procura a imprensa é porque os gestores não resolvem o problema. Paulo ressaltou ainda que a emissora também divulga ações positivas da comunidade: “Não é bom se atrelar somente às ações do poder público”, disse.

Sintonia possível

Situações extremas também podem gerar boas parcerias. Entre 2001 e 2002, Recife viveu uma grave epidemia de dengue, quando foram notificados pelo menos 35 mil casos da doença. Na época, a pesquisadora Tereza Lyra, do Departamento de Saúde Coletiva do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, era diretora de Vigilância em Saúde do município.

Ela ressalta ações implementadas pela gestão: diariamente, saía um boletim com o número de casos novos. “Nada foi omitido: nem número de casos, nem óbitos suspeitos, nem índices de infestação”. Tereza acredita que a postura estabeleceu confiança, já que não houve questionamentos maiores sobre as intervenções adotadas.

Outra medida, nesse caso, do lado que divulga a informação, contou com a ajuda do Jornal do Commercio, que publicou suplemento com informações e orientações elaboradas em grande parte pela própria equipe de vigilância. A disponibilidade da gestora também ajudou. Diariamente ela atendia jornalistas e radialistas e, pelo menos duas vezes por semana, participava de programas de televisão.

Tratar a questão com diferentes setores também foi fundamental. Tereza lembra que houve articulação com órgãos da própria prefeitura (empresa de manutenção e limpeza urbana, Defesa Civil e Secretaria de Educação, entre outros) e demais setores da sociedade, como entidades religiosas e representações profissionais.

Ela indicou como conseguiu estabelecer a boa relação com os jornalistas: “Uma boa relação com a imprensa se dá a partir do momento em que estabelecemos com ela e, consequentemente com a população, um clima de transparência”.

ARTIGO de Adriano De Lavor, publicada na Radis nº 92 – Abril de 2010
Revista de Comunicação em Saúde
Acompanhe a Revista RADIS em sua edições disponíveis gratuitamente no site
http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/radis-lista.html


Institutos reagem a ataques: "Questionável é a linha editorial da Folha"

Textos publicados nas últimas semanas pelo jornal Folha de São Paulo, com o aparente objetivo de desacreditar os resultados das pesquisas eleitorais dos concorrentes do Datafolha e valorizar os apurados pelo instituto do Grupo Folha, produziram uma crise entre as quatro maiores empresas de pesquisa do país. E despertaram, terça-feira e ontem, vigorosa reação dos presidentes do Vox Populi e do Sensus apoiada por integrantes do conselho de ética da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (ABEP).

Na terça-feira, o Vox Populi e o Sensus protestaram durante reunião da ABEP. Ontem, o diretor-presidente do Vox Populi, Francisco Meira, repetiu seu protesto a Brasília Confidencial.

“As discussões (sobre os resultados das pesquisas) deveriam manter um nível técnico, sobre as diferenças metodológicas. Infelizmente, a Folha optou por uma abordagem tendenciosa e sem argumentos consistentes. Questionável é a linha editorial da Folha de São Paulo”, atacou Francisco Meira. E continuou: “A diferença entre nós é a existência de um grande veículo de comunicação que se dispõe, talvez por solidariedade aos colegas do departamento de pesquisa, a praticar um jornalismo de má qualidade, atacando sistematicamente empresas que divulgam resultados diferentes dos que lhe interessam”.

Inversões da Folha

A origem da crise está no comportamento que a Folha de São Paulo passou a adotar logo depois que publicou pesquisa do Datafolha em que, diferentemente de todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas neste ano, os resultados apontaram o crescimento do pré-candidato do PSDB, José Serra, e estagnação da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. Ao contrário também de uma tendência que o próprio Datafolha identificara um mês antes, de crescimento de Dilma e queda ou estagnação de Serra, os resultados publicados pelo instituto em 27 de março, duas semanas antes do lançamento da pré-candidatura tucana, apontaram outro cenário.

Embora o Vox Populi e o Sensus não tenham levantado suspeita sobre esses resultados apurados pelo Datafolha e exibidos pela Folha, o jornal começou a questionar o trabalho dos concorrentes, cujos resultados, em resumo, não favoreceram a candidatura tucana (veja no quadro). Eles apontaram, no fim de março e no início de abril, a continuidade do crescimento da candidatura petista e empate entre Serra e Dilma.

“Fora de contexto”

A Folha de São Paulo publicou notas insinuando que a ordem das perguntas utilizada pelo Vox Populi poderia interferir no resultado das pesquisas.

“A Renata Loprete, a Mônica Bergamo e o Fernando Rodrigues receberam uma nota de esclarecimento. Demoraram cinco dias para publicar nossa posição. Quando o fizeram, foi fora de contexto, passando ao leitor a impressão de que nossa resposta se referia a outras acusações”, afirmou terça-feira e reafirmou ontem o diretor-presidente do Vox Populi.

Poucos dias antes da divulgação da mais recente pesquisa do instituto Sensus, que mostra diferença inferior a meio ponto percentual entre Serra e Dilma, a Folha de São Paulo se voltou contra o outro concorrente do Datafolha. O jornal tentou desqualificar o trabalho do Sensus, antes mesmo de que os resultados fossem divulgados, explorando uma troca no nome do contratante da pesquisa.

“A Folha pinçou esse fato e transformou em uma matéria de primeira página que não diz absolutamente nada”, reclamou Ricardo Guedes, diretor do Sensus, na reunião com o conselho de ética da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa.

O presidente da ABEP, Waldir Pile, que intermediou o debate entre os presidentes dos institutos, disse que a associação não impõe normas de conduta aos filiados. Mas frisou que, certamente, a melhor forma para discutir eventuais discordâncias de metodologia “não é através de notas na imprensa”.

As diferença incomôdas

Instituto Datafolha (25/26 de março) >> Candidatos Serra 36% x Dilma 27%
Vox Populi (30/31 de março) >> Serra 34% x Dilma 31%
Sensus (5 a 9 de abril) >> Serra 32,7% x Dilma 32,4%
fonte: Brasília Confidencial (http://www.brasiliaconfidencial.com.br/)


Emir Sader: Por que a Folha mente (mente, mente, mente, desesperadamente)


As elites de um país, por definição, consideram que representam os interesses gerais do mesmo. A imprensa, com muito mais razão, porque está selecionando o que considera essencial para fazer passar aos leitores, porque opina diariamente em editoriais – e em matérias editorializadas, que não separam informação de opinião, cada vez mais constantes – sobre temas do país e do mundo.

A FSP, como exemplo típico da elite paulistana, é um jornal que passou a MENTIR abertamente, em particular desde o começo do governo Lula. Tendo se casado com o governo FHC – expressão mais acabada da elite paulistana -, a empresa viveu mal o seu fracasso e a vitória de Lula. Jogou-se inteiramente na operação “mensalão”, desatada por uma entrevista de uma jornalista tucana do jornal, que eles consideravam a causa mortis do governo Lula, da mesma forma que Carlos Lacerda,na Tribuna da Imprensa, se considerava o responsável pela queda do Getúlio.

Só que a história se repetiria como farsa. Conta-se que, numa reunião do comitê de redação da empresa, Otavio Frias Filho – herdeiro da empresa dirigida pelo pai -, assim que Lula ganhou de novo em 2006, dava voltas, histérico, em torno da mesa, gritando “Onde é que nós erramos, onde é que nós erramos”, quando o candidato apoiado pela empresa, Alckmin, foi derrotado.

O jornal entrou, ao longo da década atual, numa profunda crise de identidade, forjada na década anterior, quando FHC apareceu como o representante mor da direita brasileira, foi se isolando e terminou penosamente como o político mais rejeitado do país, substituído pelo sucesso de Lula. Um presidente nordestino, proveniente dos imigrantes, discriminados em São Paulo, apesar de construir grande parte da riqueza do estado de que se apropria a burguesia. Derrotou àquele que, junto com FHC, é o político mais ligado à empresa – Serra -, que sempre que está sem mandato reassume sua coluna no jornal, fala regularmente com a direção da empresa, aponta jornalistas para cargos de direção – como a bem cheirosa jornalista brasiliense, entre outros – e exige que mandem embora outros, que ele considera que não atuam com todo o empenho a seu favor.

O desespero se apoderou da direção do jornal quando constatou não apenas que Lula sobrevivia à crise manipulada pelo jornal, como saía mais forte e se consolidava como o mais importante estadista brasileiro das últimas décadas, relegando a FHC a um lugar de mandatário fracassado. O jornal perdeu o rumo e passou a atuar de forma cada vez mais partidária, perdendo credibilidade e tiragem ano a ano, até chegar à assunção, por parte de uma executiva da empresa, de que são um partido, confissão que não requer comprovações posteriores. Os empregados do jornal, incluídos todos os jornalistas, ficam assim catalogados como militantes de um partido (tucano, óbvio) político, perdendo a eventual inocência que podiam ainda ter. Cada edição do jornal, cada coluna, cada notícia, cada pesquisa cada editorial, ganharam um sentido novo: orientação política para a (debilitada, conforme confissão da executiva) oposição.

Assim, o jornal menos ainda poderia dizer a verdade. Já nunca confessou a verdade sobre a conclamação aberta à ditadura e o apoio ao golpe militar em 1964 – o regime mais antidemocrático que o país já teve -, do que nunca fez uma autocrítica. Menos ainda da empresa ter emprestado seus carros para operações dos órgãos repressivos do regime de terror que a ditadura tinha imposto, para atuar contra opositores. Foi assim acumulando um passado nebuloso, a que acrescentou um presente vergonhoso.

Episódios como o da “ditabranda”, da ficha falsa da Dilma, da acusação de que o governo teria “matado” (sic) os passageiros do avião da TAM, o vergonhoso artigo de mais um ex-esquerdista que o jornal se utiliza contra a esquerda, com baixezas típicas de um renegado, contra o Lula, a manipulação de pesquisas, o silêncio sobre pesquisas que contrariam as suas (os leitores não conhecem até hoje, a pesquisa da Vox Populi, que contraria a da FSP que, como disse um colunista da própria empresa, era o oxigênio que o candidato do jornal precisava, caso contrário o lançamento da sua candidatura seria “um funeral” (sic). Tudo mostra o rabo preso do jornal com as elites decadentes do país, com o epicentro em São Paulo, que lutam desesperadamente para tentar reaver a apropriação do governo e do Estado brasileiros.

Esse desespero e as mentiras do jornal são tanto maiores, quanto mais se aprofunda a diminuição de tiragem e a crise econômica do jornal, que precisa de um presidente que tenha laços carnais com a empresa e teria dificuldades para obter apoios de um governo cuja candidata é a atacada frontalmente todos os dias pelo jornal.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE. Mentirá no fim de semana com nova pesquisa, em que tratará de rebater, com cifras manipuladas – por exemplo, como sempre faz, dando um peso desproporcional a São Paulo em relação aos outros estados -, a irresistível ascensão de Dilma, que tratará de esconder até onde possa e demonstrar que o pífio lançamento de Serra o teria catapultado às alturas. Ou bastaria manter a seu candidato na frente, para fortalecer as posições do partido que dirigem.

Mas quem acredita na isenção de uma pesquisa da Databranda, depois de tudo o que jornal fez, faz e fará, disse, diz e dirá, como partido assumido de oposição? Ninguem mais crê na empresa da família Frias, só mesmo os jornalistas-militantes que vivem dos seus salários e os membros da oposição, com a água pelo pescoço, tentando passar a idéia de que ainda poderiam ganhar a eleição.

Alertemos a todos, sobre essa próxima e as próximas mentiras da Folha, partido da oposição, partido das elites paulistas, partido da reação conservadora que quer voltar ao poder no Brasil, para mantê-lo como um país injusto, desigual, que exclui à maioria da sua população e foi governado para um terço e não para os 190 milhoes de habitantes.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE.

Emir Sader é sociólogo e professor.
fonte: site PT

Quem é Emir Sader? Nasceu em São Paulo, no ano de 1943. Formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo. Fez Mestrado em Filosofia Política e Doutorado em Ciência Política, ambos na Universidade de São Paulo. Na mesma universidade, trabalhou como professor, primeiro de filosofia, depois de ciência política. Foi, ainda, pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile, professor de Política na UNICAMP e coordenador do Curso de Especialização em Políticas Sociais na Faculdade de Serviço Social da UERJ. Atualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia.
emirsader@uol.com.br

Livros publicados
Século XX - Uma biografia não-autorizada. Ed. Fundação Perseu Abramo, 2000.
O Anjo Torto (Esquerda e Direita no Brasil). Ed. Brasiliense, 1995
Estado e Política em Marx (Ed. Cortez)
A transição no Brasil: da ditadura à democracia? (Ed. Atual)
Cuba, Chile e Nicarágua: o socialismo na América Latina (Ed. Atual)
Que Brasil é este? (Ed. Atual)
O poder, cadê o poder? (Ed. Boitempo)
A Revolução Cubana (Ed. Scritta)
Democracia e Ditadura no Chile (Ed. Brasiliense)
Governar para todos (Ed. Scritta)
Da independência à redemocratização (Ed. Brasiliense)

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